Eugénio Monteiro Ferreira revela códice nº 2337

Eugénio Monteiro Ferreira revela códice nº 2337

4/2/2025 — No fim da tarde do histórico dia de 4 de Fevereiro o historiador Eugénio Monteiro Ferreira, revelou na Biblioteca Palácio Galveias o códice nº 2337 de Custódio Dias Bento de Azevedo, durante a apresentação da reedição da obra Kimamuenho — Intelectual Rural 1913-1922.

O publico participou activamente colocando várias questões sobre o trabalho de investigação histórica, chegando mesmo a propor ao autor a redefinição do termo “açambarcamento” utilizado para definir o roubo das propriedades no Dande. Na verdade o termo “açambarcamento” pode ser entendido como uma prática de apropriação indevida de recursos, mas dependendo do contexto histórico e jurídico, poderia ser mais corretamente descrito como “roubo da propriedade” ou “expropriação forçada”.

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Morte de Nga Mbaxi: o adeus silencioso de um ancião

Morte de Nga Mbaxi: o adeus silencioso de um ancião

3 de fevereiro de 2025 — Publicado hoje no Luanda Jornal Metropolitano da Capital, o mais recente texto do escritor e poeta, Ventura de AzevedoMorte de Nga Mbaxi, é uma poderosa crónica sobre o tempo, a memória e o inexorável ciclo da vida. Sentado à porta de casa, no bairro Golfe, Nga Mbaxi observava o mundo à sua volta – as mudanças no bairro, a degradação da lagoa do Wenji Maka e os costumes de uma nova geração. Mas naquela tarde fria de junho, o velho sábio, conhecedor dos sinais do tempo, viu a sua própria despedida desenhar-se no horizonte. Quando a neta, Vunje, encontrou o avô inerte, o silêncio confirmou o que o corpo já anunciava: Nga Mbaxi partira. Uma história de despedida que é também um retrato do choque entre a tradição e a modernidade.

Livros de Ventura de Azevedo publicados pela editora Perfil Criativo | AUTORES.club

Nkembo TV: 50 anos dos Acordos de Alvor

Nkembo TV: 50 anos dos Acordos de Alvor

Nsambu ye luvuvamu (benção e paz)! “Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade” – Lamentações 3:23.

No âmbito dos 50 anos dos Acordos de Alvor, o Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel concedeu uma entrevista à Nkembo TV, conduzida pelo jornalista e pastor João Dombaxe Sebastião. A conversa destacou o papel mediador de Santo Simão Gonçalves Toco durante o processo que culminou na independência de Angola. A entrevista completa está disponível no YouTube:

Acordo do Alto Kauango

Acordo do Alto Kauango

Informação complementar de apoio à leitura da versão EPUB do livro “Eu e a UNITA” de Orlando Castro. Reprodução integral do Acordo de Alto Kauango realizado em 19 de Maio de 1991 entre as forças então beligerantes das FALA e das FAPLA mediado por William Tonet e que veio a ser a base para o Acordo de Bicesse.

1 – Generais Arlindo Chenda Pena “Ben-Ben”, Demóstenes Amós Tchilingutila, Nogueira Canjundo, Brigadeiros, Januário Consagrado, Adriano Wayaka Makenzy, pela UNITA.
2 – Coronéis Higino Carneiro, Agostinho Fernandes Nelumba, Tenente-coronel, José Alexandre G. Lukama, Majores, Bento Sozinho “Venceremos” e Manuel Henrique Gomes, pelo Governo.
3 – Os pontos propostos para discussão foram os seguintes:
4 – Discussão do posicionamento das tropas envolvidas nas últimas actividades combativas, 1º Luena, 2º, outras frentes.
5 – Regularização das tropas da UNITA que fizeram movimentações depois dos dias 14 e 15-05-91, para o interior e proximidade do Luena.
6 – Estabelecimento de corredor de segurança num raio de 10 quilómetros entre as duas forças.
7 – Garantias para a circulação de colunas rodoviárias e aéreas para transporte e abastecimento às populações.
8 – Diversos.
9 – O resultado dos contactos permitiu alcançar os seguintes objectivos:
10 – Reafirmar a posição dos militares poderem cumprir e fazer respeitar os acordos alcançados em Portugal, para se alcançar a paz em Angola.
11 – As partes aprovaram por unanimidade estabelecer um canal oficial de contactos telefónicos, para a resolução de todos os incidentes a nível do Luena e Nacional.
12 – As partes sugeriram e consideram imperativo transformar as Delegações em Comissão Militar Provisória para a resolução de assuntos referidos no ponto anterior.
13 – As partes acharam imperativo a criação de sub-comissões para verificação e controlo, a livre circulação rodoviária, aérea e ferroviária, para o transporte de pessoas e bens, desde que não transportem material letal, para o efeito condicionam o movimento a verificação por uma sub-comissão de cinco pessoas por cada parte, no Luena.
14 – As partes concordaram indicar a localização das minas em todas as rotas de circulação, pelo que decidiram proceder desde já à sua desminagem na Zona Militar do Moxico, em primeiro lugar.
15 – As partes decidiram exercer um maior controlo das tropas de ambas as partes que se encontram próximas, no sentido de se evitar confrontos.
16 – As partes propõem a cessação da difusão de comunicados militares que façam referência a incidentes pontuais e esporádicos, cuja solução deverá ser feita através dos canais criados.
17 – As partes acordaram a troca de informações diárias por via rádio, no Luena.
18 – As partes agradeceram a mediação do senhor jornalista, William Tonet, que permitiu a realização do encontro.
19 – O encontro realizou-se num ambiente de cordialidade, franqueza e irmandade entre as partes militares angolanas.


Luena, Alto Kauango, aos 19 de Maio de 1991.
Acordo subscrito por Arlindo Chenda Pena “Ben Ben”, Higino Carneiro e William Tonet.

RFI: António Feijó Júnior publica novo livro sobre petróleo angolano

RFI: António Feijó Júnior publica novo livro sobre petróleo angolano

António Feijó Júnior, engenheiro com vasta experiência na indústria petrolífera, apresentou recentemente em Lisboa o seu novo livro intitulado “Refinação, armazenagem, distribuição e comercialização de derivados do petróleo. O papel dos biocombustíveis“, publicado pela Perfil Criativo | www.AUTORES.club.

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Acordo de Alvor: O marco para a independência de Angola

Acordo de Alvor: O marco para a independência de Angola

No dia 15 de janeiro de 1975, o Hotel Penina, localizado em Alvor, no Algarve, Portugal, foi o cenário da assinatura do histórico Acordo de Alvor. Este tratado marcou um passo decisivo no processo de descolonização de Angola, garantindo a sua independência após um longo domínio de administração portuguesa.

O acordo foi celebrado entre o governo de Portugal e os três principais movimentos de libertação angolanos: o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA). Este pacto estabeleceu que a independência de Angola seria formalmente declarada em 11 de novembro de 1975.

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Quatro livros em destaque

Quatro livros  em destaque

A Perfil Criativo | www.AUTORES.club apresenta com orgulho os quatro volumes que integram a prestigiada coleção “Estudos“, uma edição que se destaca pela sua contribuição ao conhecimento histórico, social e cultural de Angola. Estas obras representam um marco editorial ao abordarem temas de grande relevância e profundidade, com investigações meticulosas e autores de reconhecido talento.

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Os desafios económicos e empresariais de Angola em debate no ISCTE

Os desafios económicos e empresariais de Angola em debate no ISCTE

Na tarde de ontem, dia 7 de janeiro de 2025, o Centro de Estudos Internacionais do ISCTE foi palco de um debate vibrante sobre os desafios económicos e empresariais de Angola no novo contexto estratégico internacional. O evento reuniu especialistas, académicos e interessados na dinâmica política e económica de um país que ocupa um lugar estratégico no tabuleiro global.

Renato Pereira, subdiretor do ISCTE Business School, abriu o encontro destacando o simbolismo do ano de 2025, que marca os 50 anos das independências dos países africanos de língua oficial portuguesa. Segundo ele, o objetivo é olhar para o futuro, ancorando as discussões nos avanços e desafios económicos enfrentados por Angola, num momento em que o país realinha as suas estratégias geopolíticas e procura fortalecer a sua presença no cenário global.

Uma Nova Aliança Internacional?

Com a recente aproximação entre Angola e os Estados Unidos, simbolizada pela visita de altos representantes norte-americanos e novos investimentos anunciados, o debate girou em torno do impacto desse reposicionamento na economia angolana. Para Jonuel Gonçalves, investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE, essa mudança reflete não apenas uma estratégia económica, mas também uma tentativa de Angola de se consolidar como um actor relevante na África Austral, num momento em que a competição por influência no continente está mais acirrada do que nunca.

“Angola é hoje um país com potencialidades enormes, mas ainda preso a desafios internos graves, como a desigualdade, a corrupção e a dependência de recursos naturais. A aproximação aos Estados Unidos traz novas possibilidades, mas também exige maior responsabilidade na gestão dos recursos e na inclusão social”, enfatizou Jonuel Gonçalves.

Contrastes Sociais e Políticos

Outro ponto forte do debate foi a dicotomia entre o prestígio internacional crescente de Angola e a sua realidade social alarmante. O país, que recentemente subiu no índice de desenvolvimento humano (IDH) e conquistou avanços no combate à corrupção, ainda enfrenta situações de pobreza extrema. Dados revelam que cerca de dois milhões de crianças estão fora do sistema educacional, e boa parte da população vive sem acesso a bens e serviços essenciais.

Maria João Teles Grilo, arquiteta e interveniente no debate, foi contundente: “Como é possível falar em um país estratégico no cenário mundial quando a sua população vive em condições tão precárias? Precisamos de soluções reais que impactem a vida das pessoas de forma directa.”

João Armando, director do jornal Expansão, destacou a questão da credibilidade da oposição em Angola, afirmando que “a oposição tradicional em Angola tem dificuldade em apresentar soluções concretas. Isto deixa um espaço vazio que muitas vezes é ocupado por setores informais” e deu como exemplo uma questão inconstitucional: “Quando a ministra Vera Daves fez um decreto a dizer que cada deputado só tinha direito a um carro a Assembleia Nacional achou que devia dar dois. Fizeram uma reunião entre eles, sem acesso à imprensa, onde aprovaram juntos, partido estado e oposição, a entrega de dois carros para cada deputado. Cada carro custou 280.000 dólares”.

Educação e Desenvolvimento Humano

Entre os participantes, ficou clara a necessidade de um foco maior em educação e desenvolvimento humano. A falta de qualificação profissional, aliada à fraca qualidade escolar e um sistema escolar que não é universal, foi apontada como um dos maiores entraves para o crescimento económico sustentável de Angola. 

João Ricardo Rodrigues, editor da Perfil Criativo | AUTORES.club, ilustrou o problema com um dado preocupante: “Mesmo em sectores essenciais como o do petróleo, as empresas enfrentam dificuldades para encontrar profissionais qualificados que saibam escrever correctamente em português. Isso mostra que a República não fez o trabalho de casa e precisa de investir urgentemente na educação.”

Angola e o Mundo: Um Futuro de Possibilidades

Apesar dos desafios apresentados, os especialistas também apontaram oportunidades. A localização estratégica de Angola, as suas riquezas naturais e o crescente interesse de potências globais são factores que podem alavancar o país para um novo patamar de desenvolvimento.

“É necessário que Angola construa um projecto nacional claro, que alinhe os seus interesses económicos e sociais. Só assim poderemos falar em um futuro realmente promissor”, concluiu Renato Pereira.

O debate contou ainda com a contribuição da ilustre professora Inocência Mata, ensaísta e investigadora, que chamou a atenção para a normalização de condições precárias na sociedade angolana. Para ela, “a questão central é como fazer com que as pessoas falem do quotidiano e das condições reais das pessoas, em vez de se centrarem apenas em indicadores macroeconómicos”. 

Por fim, Vitor Ramalho, político e antigo presidente da UCCLA, reforçou que “a solução para os desafios de Angola é antes de mais política. Enquanto não houver uma determinação forte nesse sentido, não haverá crescimento económico que resolva os problemas estruturais do país.”

Os participantes deixaram o ISCTE com uma certeza: o caminho para Angola é longo, mas também cheio de possibilidades. Este debate foi uma chamada à ação e um convite à reflexão sobre como construir um país mais justo e equilibrado, tanto interna quanto externamente.

ISCTE
ISCTE

Dia da Cultura Nacional em Angola

Dia da Cultura Nacional em Angola

O Dia da Cultura Nacional em Angola é celebrado anualmente a 8 de janeiro, uma data que homenageia o discurso proferido em 1979 pelo primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, durante a posse dos corpos gerentes da União dos Escritores Angolanos (UEA). Nesse discurso, Neto destacou que “a Cultura evolui com as condições materiais e, em cada etapa, corresponde a uma forma de expressão e de concretização de actos materiais”, enfatizando a cultura como elemento essencial na unidade nacional e na afirmação da soberania do país.

Em 2025, as comemorações do Dia da Cultura Nacional terão como destaque a elevação da dança ancestral Olundongo, originária da região centro do país, especialmente do Huambo, a Património Histórico Nacional. Essa dança, rica em simbolismo para a nação Ovimbundu, será oficialmente reconhecida numa cerimónia marcada para 8 de janeiro. Autoridades tradicionais e historiadores do Huambo celebram essa iniciativa, considerando-a um passo importante para a preservação e valorização das tradições culturais angolanas.

O Ministério da Cultura de Angola tem desempenhado um papel fundamental na organização das atividades alusivas a esta data, promovendo a valorização do património cultural e incentivando a participação ativa dos cidadãos na preservação da identidade cultural do país. Em anos anteriores, a celebração incluiu a outorga de certificados de mérito a artistas e funcionários que contribuíram para o desenvolvimento da cultura angolana. (Nota do editor: A 8 de Janeiro de 2022, o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente outorga o diploma de mérito ao Historiador Carlos Mariano Manuel pela publicação do Tratado de História de Angola em 3 volumes, que constituem uma importante contribuição para a República de Angola. Foi um passo importante para conseguirmos realizar a apresentação na Fortaleza de São Miguel (Luanda) com sucesso).

Contudo, é importante notar que, apesar dos esforços, ainda há desafios na divulgação e conscientização sobre a importância desta data. Muitos angolanos desconhecem o significado do Dia da Cultura Nacional, apontando para a necessidade de uma maior promoção e educação cultural por parte das autoridades competentes.

O Dia da Cultura Nacional, 8 de Janeiro, serve como um momento de reflexão sobre a importância da cultura na construção da identidade angolana e reforça o compromisso de todos na preservação e promoção das diversas manifestações culturais que compõem o rico mosaico étnico de Angola.

Convite para uma viagem à Angola do início do século XX!

Convite para uma viagem à Angola do início do século XX!

Descubra a fascinante história de Custódio Dias Bento de Azevedo, intelectual rural que desafiou o poder colonial e marcou a identidade cultural de Angola.

Lançamento Oficial do Livro:
Kimamuenho — Intelectual Rural 1913-1922 (Ed. 2025)
Autor: Eugénio Monteiro Ferreira

Data: 4 de fevereiro de 2025 (terça-feira)
Hora: 19h00
Local: Biblioteca Palácio Galveias, Sala Polivalente
Campo Pequeno, Lisboa


Destaques do Evento:
Apresentação da obra pelo autor e convidados especiais, acompanhada por debate sobre a relevância do 4 de Fevereiro de 1961 na História de Angola e de Portugal
Sessão de autógrafos com Eugénio Monteiro Ferreira

Entrada Livre | Lotação Limitada


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Confirmação: eventos@autores.club
Informações: (+351) 214.001.788