In an article by Luís Guita, published on the international platform Blindspot, the book Nuvem Negra, by Michel, published by Perfil Criativo | AUTORES.club, is brought to wider international attention. The work revisits one of the most painful and silenced chapters in Angola’s recent history: the events of 27 May 1977, inviting readers to reflect on memory, justice and the wounds that continue to mark Angolan society.
Na próxima quarta-feira, 13 de Maio, Lisboa recebe um encontro especial com a nova poesia angolana contemporânea. O auditório d’ A Voz do Operário acolhe a apresentação oficial do livro Matéria Negra, do poeta angolano Kalunga, numa sessão integrada no ciclo cultural “A Surpreendente e Desconhecida Literatura Angolana”.
Membro da União dos Escritores Angolanos, João Fernando André (Kalunga) é hoje considerado uma das vozes mais inquietas e representativas da nova geração de autores angolanos, afirmando-se como uma referência na intervenção cultural.
Com humor e cumplicidade, o autor já confirmou que este encontro de quarta-feira n’ A Voz do Operário “será sem maka”, prometendo uma conversa aberta, intensa e próxima do público, em torno da poesia, da palavra e dos desafios do presente.
Em Matéria Negra, Kalunga propõe uma escrita de grande densidade simbólica e filosófica, atravessando temas como identidade, memória, esperança, espiritualidade e condição humana. A obra surge como um convite à reflexão e ao mergulho nas zonas invisíveis da existência contemporânea.
O ciclo “A Surpreendente e Desconhecida Literatura Angolana” quer afirmar-se como um dos mais importantes encontros de divulgação da criação literária angolana, aproximando leitores, autores e investigadores de obras que revelam a vitalidade cultural de Angola no século XXI.
A sessão contará com a presença especial de Ana Mafalda Leite, poeta e investigadora científica portuguesa, reconhecida pelo seu importante trabalho académico na área das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa.
Professora universitária, ensaísta e uma das mais respeitadas especialistas no estudo das literaturas africanas contemporâneas, Ana Mafalda Leite tem desenvolvido um percurso de investigação e divulgação fundamental para a aproximação entre os espaços culturais africanos e portugueses, contribuindo activamente para o reconhecimento internacional de autores africanos de língua portuguesa.
Homenagem a Gonçalves Handyman
O encontro de 13 de Maio será igualmente marcado por um momento especial de homenagem ao jovem editor angolano Gonçalves Handyman, assinalando os quatro anos do seu desaparecimento.
Figura marcante da nova geração angolana, Gonçalves Handyman destacou-se pela sua sensibilidade literária, irreverência criativa e dedicação à edição e promoção de jovens autores. O seu nome permanece ligado ao surgimento de novas linguagens e novas formas de intervenção cultural em Angola.
A evocação da sua memória durante a apresentação de Matéria Negra simboliza também a continuidade de uma geração que acredita na poesia, na palavra e na cultura como instrumentos de transformação, liberdade e resistência.
Onde fica A Voz do Operário?
O histórico edifício A Voz do Operário localiza-se na freguesia da Graça, em Lisboa, numa das zonas culturais e populares mais emblemáticas da cidade.
Fundada no final do século XIX, A Voz do Operário é uma das mais importantes instituições culturais, educativas e associativas, mantendo uma intensa actividade nas áreas da cultura, educação e intervenção cívica. O seu histórico edifício tem acolhido ao longo das décadas debates, concertos, sessões literárias e encontros políticos e culturais marcantes da vida portuguesa.
Morada: Rua da Voz do Operário, n.º 13, 1100-621 Lisboa
Terceiro e último volume da obra póstuma de Maurício Francisco Caetano será apresentado na Universidade Mandume Ya Ndemufayo, no Lubango
A Universidade Mandume Ya Ndemufayo, no Lubango, acolhe a apresentação do terceiro e último volume da colectânea póstuma “Os Bantu na Visão de Mafrano”, da autoria de Maurício Francisco Caetano, escritor, jornalista e investigador distinguido com o Prémio Nacional da Cultura e Artes 2024, na modalidade de Investigação em Ciências Humanas e Sociais.
A apresentação da obra no Sul de Angola insere-se no âmbito das celebrações dos 17 anos de existência daquela instituição académica, que realiza, nos dias 11 e 12 de Maio de 2026, uma Conferência Científica subordinada ao tema “Bioética, Dignidade da Pessoa Humana e Investigação Científica: Fundamentos Éticos e Jurídicos”. O evento decorre no Auditório “Viriato Gaspar Gonçalves”, da Faculdade de Economia.
Intitulado “Os Bantu na Visão de Mafrano – Quase Memórias”, o volume III reúne 327 páginas distribuídas por 18 capítulos, organizados em três partes. A obra aborda temas ligados à civilização bantu, à religiosidade, às questões sociais e a episódios vividos pelo autor entre 1947 e 1982.
A presença da colectânea no Sul acontece depois de a obra ter sido destacada em Windhoek, na Namíbia. De acordo com uma notícia publicada pelo Jornal de Angola, na edição de 2 de Maio, o Embaixador da República de Angola na Namíbia, Pedro Mutindi, recebeu, na quarta-feira, 30 de Abril, um exemplar do terceiro volume da colectânea. A oferta foi feita por José Soares Caetano, filho do autor, jornalista, escritor e responsável pela edição dos três volumes.
Segundo o Jornal de Angola, a colectânea reúne, no total, 799 páginas em três volumes, agregando reflexões sobre a ancestralidade, os hábitos e os costumes de vários povos africanos. A publicação sublinha ainda que a obra inclui textos como “Crónicas ligeiras”, “Notas a lápis”, “Episódios vividos” e “Tertúlias”, além de estudos sobre a civilização bantu, tradições, linguagem, crenças alimentares, antropologia, arqueologia e direito costumeiro.
A mesma notícia recorda que o primeiro volume foi apresentado no Lubango, em Abril de 2022, seguindo-se uma sessão em Luanda, em Maio do mesmo ano. O segundo volume chegou ao público em Julho de 2023, enquanto o terceiro foi lançado em Agosto de 2025.
Nascido a 24 de Dezembro de 1916, na cidade do Dondo, Maurício Francisco Caetano dedicou grande parte da sua vida à investigação, à escrita e à preservação da memória cultural africana. Iniciou a actividade literária em 1947, como colaborador do Jornal Angola Norte, em Malanje, tendo posteriormente contribuído para várias publicações angolanas. Faleceu a 25 de Julho de 1982.
Responsável pela edição e divulgação da colectânea, José Soares Caetano acompanha esta missão ao Sul de Angola, dando continuidade ao trabalho de valorização do legado intelectual de Mafrano e ao reconhecimento da sua contribuição para o estudo das sociedades africanas, em particular da civilização bantu.
Pedro Mutinde na imagem acima com NETUMBO NANDI-NDAITWAH, Presidente da República da Namibia: “Angola e a Namíbia têm uma História comum”.
Apresentação de Faro e Enigmas, 30 de abril de 2026, no Auditório 11 de Novembro, com o apoio da Embaixada da República de Angola
No encerramento da sessão de apresentação de Faro e Enigmas, no Auditório 11 de Novembro, a poetisa Elsa Major dirigiu-se ao público com emoção e gratidão, assinalando aquele momento como um marco profundamente significativo no seu percurso literário e pessoal.
A autora começou por agradecer o apoio institucional da Embaixada de Angola, bem como a todos os que contribuíram para a concretização do evento, destacando o papel do editor e dos intervenientes que enriqueceram a apresentação, nomeadamente o texto de Mário Máximo, lido por Fátima Gorete de Pina, e a intervenção crítica de João Fernando André.
Visivelmente tocada pela presença de diplomatas, familiares, amigos, escritores e jornalistas, Elsa Major sublinhou a importância coletiva daquele encontro, reconhecendo na partilha da palavra um gesto essencial da criação literária.
Na sua intervenção, definiu Faro e Enigmas como uma obra nascida de diferentes tempos da sua vida, “dos silêncios em tempos difíceis” e das vivências mais recentes, revelando uma escrita profundamente ligada à experiência humana. A autora afirmou ver poesia em tudo, assumindo a escrita como forma de interpretar um mundo que, embora marcado por inquietações, pode ainda ser transformado pela sensibilidade.
Destacou que o livro é, sobretudo, um convite à reflexão sobre aquilo que nos define enquanto seres humanos: o amor, a memória, a identidade, a fé e a relação com a natureza. Mais do que respostas, a obra propõe inquietações, motor essencial da sua criação poética.
Num dos momentos mais marcantes da intervenção, Elsa Major declarou que, a partir daquele instante, o livro deixava de lhe pertencer exclusivamente, passando a ser entregue aos leitores: “não quero ficar com ela, quero entregá-la a todos”. Sublinhou ainda o desejo de que cada leitor encontre na vida um verso, tornando-a “mais bela, mais sensível e mais humana”.
A autora dedicou a obra à sua neta, evocando simbolicamente todas as crianças do mundo, numa mensagem de forte dimensão ética e afetiva, onde o apelo ao cuidado, ao amor e à responsabilidade coletiva se tornou evidente.
A sessão encerrou com a leitura de alguns poemas, iniciando-se com “Descoberta”, num momento de partilha íntima que reforçou a ligação entre autora, obra e público.
Apresentação do livro “Faro e Enigmas”, de Elsa Major, no Auditório “11 de Novembro”, na tarde de 30 de abril de 2026
Na apresentação de Faro e Enigmas, o escritor e investigador angolano João Fernando André destacou a obra de Elsa Major como um contributo relevante para o crescimento da literatura feminina em Angola, sublinhando o aumento significativo da produção literária de autoria feminina no país.
Na sua intervenção, enquadrou o livro num contexto mais amplo da criação literária angolana contemporânea, caracterizada por dinamismo e expansão, apesar dos desafios estruturais. Considerou que Elsa Major se insere neste movimento, enriquecendo-o com uma voz própria, marcada pela sensibilidade e pela reflexão.
Do ponto de vista temático, evidenciou que Faro e Enigmas percorre eixos centrais da experiência humana, como o amor, nas suas dimensões erótica e fraternas, a memória, a espiritualidade, a guerra e as suas consequências, bem como a desigualdade social. Destacou ainda a presença de uma poética questionadora, próxima da metalinguagem, onde a autora interroga o próprio fazer poético.
Um dos aspetos mais relevantes da análise foi o destaque dado ao hibridismo linguístico e cultural da obra. João Fernando André sublinhou o uso de elementos das línguas vernáculas angolanas, bem como referências à tradição oral, à gastronomia, à cosmovisão africana e aos códigos culturais endógenos, conferindo à poesia uma identidade enraizada e simultaneamente universal.
A intervenção evidenciou também a dimensão social e crítica da obra, nomeadamente na abordagem ao papel da mulher numa sociedade ainda marcada por estruturas patriarcais, sugerindo uma leitura da poesia como espaço de afirmação e liberdade.
Foi igualmente salientada a presença da paisagem angolana, em particular do Namibe, como elemento estruturante da obra, permitindo não só uma leitura estética, mas também uma valorização simbólica e cultural do território.
Por fim, o orador destacou a dimensão ética e humanista da poesia de Elsa Major, que convoca questões contemporâneas como a violência, os conflitos, a degradação ambiental e a perda de valores, propondo a reflexão, o diálogo e a espiritualidade como caminhos possíveis para um mundo mais equilibrado.
Texto de Mário Máximo | Leitura por Fátima Gorete de Pina
A apresentação do livro Faro e Enigmas — Poesia, de Elsa Major, realizada no Auditório 11 de Novembro, foi marcada por uma leitura crítica profunda e sensível do escritor Mário Máximo, interpretada pela escritora são-tomense Fátima Gorete de Pina.
No seu texto, Mário Máximo destacou a obra como um corpo poético estruturado e de forte intensidade emocional, sublinhando a presença de uma autora que “aloja um coração enorme em cada verso”. Considerou Faro e Enigmas um livro que, embora de leitura inicial fluida, se revela progressivamente mais denso e exigente, convidando o leitor a permanecer em cada poema e a interrogar o sentido profundo das palavras.
O escritor salientou a capacidade da autora em construir uma poesia que convoca todos os sentidos, em consonância com a leitura crítica de Sara Jona Laisse, e que articula sensualidade, reflexão e identidade numa linguagem simultaneamente íntima e universal. Referiu ainda a importância dos prefácios, incluindo o olhar sensorial de Kátia Guerreiro , como portas de entrada para a compreensão da obra.
Na sua análise, Faro e Enigmas surge como um manifesto poético íntimo, marcado por uma alternância entre versos de forte carga sensorial e momentos de reflexão existencial. Mário Máximo destacou a presença de uma “estética da serenidade”, mesmo nos momentos de maior intensidade, e identificou na obra um eixo central onde a poesia se constrói como travessia interior, entre memória, desejo, corpo e paisagem.
A leitura evidenciou também a dimensão simbólica da escrita de Elsa Major, onde cada poema pode funcionar como uma “máscara estética”, revelando e ocultando simultaneamente o universo interior da autora. Ao longo da obra, sobressai uma tensão entre permanência e despedida, amor e ausência, num movimento contínuo que confere unidade ao livro.
O verso “A vida é uma dama completamente nua”, destacado pelo autor, foi apresentado como chave interpretativa da obra, sintetizando a exposição emocional e a entrega total que atravessam a poesia de Elsa Major.
A interpretação de Fátima Gorete de Pina acrescentou expressividade e musicalidade ao texto, reforçando a dimensão oral e performativa da poesia, num momento que celebrou a língua portuguesa como espaço de encontro entre diferentes geografias da lusofonia.
Mário Máximo
Nascido em Lisboa em setembro de 1956, o escritor Mário Máximo tem uma vasta bibliografia: poesia, romance, teatro, crónica, conto e ensaio. Ao todo, são já cerca de trinta os livros publicados, para além da participação em diversas Antologias.
Os últimos livros editados foram“Antologia – Poemas Escolhidos – 30 Anos de Poesia” (Edições Fénix, 2016); “O Heterónimo de Camões” (Romance, Edições Fénix, 2017); “A Era dos Versos” (Poesia, Edições Fénix, 2018); “O Diário dos Silêncios” (Romance, Edições Fénix, 2019); “Quarentena ou a Liberdade Dentro de Uma Caixa” (Conto, Edições Fénix, 2020); “As Portas da Noite” (Poesia, Edições Fénix, 2020) e o livro “O Pêndulo, A Poesia, O labirinto” (Poesia, Edições Fénix, 2022). Em 2024 publica o romance “A Viagem Para a Literatura ou o Destino de Ferreira de Castro” (Edições Fénix). Ainda em 2024 sai o livro de poesia “A Linguagem das Nuvens” (Edições Fénix). Em 2025 é publicado o romance “A Mulher Construída” (Edições Fénix).
Mário Máximo, tem desenvolvido, de modo continuado, um intenso trabalho na área da cidadania de língua portuguesa e da lusofonia. Foi Comissário estratégico da Bienal de Culturas Lusófonas de Odivelas durante dez anos (2006 a 2016), Bienal que contou com a Drª. Maria Barroso como Presidente da respetiva Comissão de Honra. Participou, nacional e internacionalmente, em diversos outros projetos nas áreas da lusofonia. É atualmente o coordenador da Administração da “Gala Prémios da Lusofonia”, bem como do “Fórum Permanente Debates da Lusofonia”. Estabeleceu relacionamento e parcerias ativas com as instituições de maior relevo ligadas ao mundo lusófono, nomeadamente a CPLP, a CE-CPLP e a UCCCLA, para além de outras instituições atuando em áreas confinantes. Foi, ainda, vereador e vice-presidente da Câmara Municipal de Odivelas (2009-2013), bem como Presidente do Conselho de Administração do Centro Cultural Malaposta (2005-2009 e 2013-2014). Durante cinco anos, foi Presidente da Direção da Associação Fernando Pessoa (que contava, aliás, com os sobrinhos do poeta). É cidadão honorário da C. M. da Ribeira Grande de Santiago (Cidade Velha – Cabo Verde). Entre outros, foi agraciado com o Prémio Lusofonia 2017.
Novo livro de M. Neto Costa disponível para encomenda a partir de 15 de maio de 2026
A editora Perfil Criativo | AUTORES.club anuncia a publicação de Angola: Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023), novo livro de M. Neto Costa, obra de reflexão crítica sobre a realidade económica e institucional angolana contemporânea. O livro estará disponível para encomenda a partir de 15 de maio de 2026.
Resultado de um complexo processo edição cuja preparação se prolongou por dois anos, esta publicação reúne 52 textos de análise e opinião, originalmente publicados entre 2021 e 2023 no semanário angolano Novo Jornal, posteriormente revistos e organizados em oito grandes áreas temáticas.
Ao longo de mais de 280 páginas, o autor examina temas centrais da vida pública angolana, entre os quais a gestão macroeconómica, as finanças públicas, a política monetária e cambial, a dependência petrolífera, o investimento privado, a corrupção, a eficiência do Estado e os desafios da diversificação económica.
Com independência analítica e profundo conhecimento da máquina do Estado, M. Neto Costa propõe uma leitura estruturada de um período decisivo da governação angolana, correspondente aos anos de 2021 a 2023, marcados por fortes expectativas de reforma, constrangimentos estruturais persistentes e importantes escolhas políticas.
Mais do que uma compilação de artigos, esta obra constitui um contributo relevante para o debate público sobre Angola e para todos os leitores interessados nas relações entre economia, governação e desenvolvimento em África.
Sobre o autor
M. Neto Costa, 61 anos, é economista angolano. Licenciou-se pela Universidade Agostinho Neto, em Luanda (1989), e concluiu o mestrado em Assuntos Internacionais pela Columbia University, através da School of International and Public Affairs (SIPA), em Nova Iorque (1998).
Exerceu no Governo de Angola os cargos de Ministro da Economia e Planeamento (2019–2020), Secretário de Estado para o Planeamento (2017–2019) e Secretário de Estado para o Tesouro (2010–2012). Foi igualmente Director do Gabinete de Estudos e Relações Internacionais do Ministério das Finanças, além de funções técnicas no Conselho de Ministros e na Presidência da República de Angola.
Desenvolveu ainda actividade docente na Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto.
É autor de Angola 1975–2020: Um Percurso de Empobrecimento e o Eventual Caminho para a Prosperidade (2022).
Ao celebrar os cinquenta anos da República de Angola, este livro propõe um olhar claro, sintético e informado sobre o percurso do país desde a proclamação da independência em 1975 até aos desafios do presente. Entre a guerra civil, a consolidação do poder político, o boom petrolífero, as crises económicas e as tentativas recentes de reforma, desenha-se a história de um Estado em constante transformação.
Com linguagem acessível e espírito crítico, Rui Verde conduz o leitor pelos principais momentos que marcaram estas cinco décadas decisivas, ajudando a compreender como se formou a Angola contemporânea, as suas conquistas, contradições e possibilidades futuras.
Integrado na colecção “Livros No Bolso”, dedicada a edições acessíveis a todos, este volume oferece uma introdução rigorosa e concisa à história recente de Angola, convidando o leitor a revisitar meio século de independência e a refletir sobre os caminhos do país no século XXI.
NOTA DO EDITOR JOÃO RICARDO RODRIGUES
O elefante que tarda em acordar
Em 2026, Angola aproxima-se de um novo ciclo político, com as eleições de 2027 no horizonte. Ao completar cinquenta anos de independência, o país encontra-se num momento decisivo: é tempo de avaliar, com lucidez e sentido crítico, o percurso feito e os resultados das sucessivas governações, abrindo espaço a um debate público mais exigente e participado.
É neste contexto que a nossa editora independente, sediada fora de Angola, reafirma o seu compromisso: democratizar o conhecimento, promovendo obras de carácter científico e ensaístico que pensem o país com liberdade, identifiquem problemas sem receios e proponham, com audácia, novas vias para o desenvolvimento. Ao longo da última década, temos construído este projeto com o contributo de autores oriundos de várias áreas e com perfis muito distintos, com destaque para a academia e a comunicação social, conscientes da responsabilidade de fomentar um pensamento plural e informado.
É neste enquadramento que apresentamos BREVE HISTÓRIA DE ANGOLA DESDE A INDEPENDÊNCIA (1975–2025), de Rui Verde, académico e investigador com reconhecida intervenção pública internacional. Com um percurso sólido nas áreas do direito e da análise política, e experiência em instituições académicas de prestígio, Rui Verde tem-se afirmado como uma voz crítica e consistente na reflexão sobre a Angola contemporânea.
Integrado na colecção “Livros No Bolso”, este volume oferece uma síntese rigorosa e acessível de cinco décadas de história recente, cruzando política, economia e sociedade. Mais do que um olhar sobre o recente passado, este livro constitui um instrumento para compreender o presente e pensar o futuro, num momento em que as escolhas colectivas ganham particular relevância.
Acreditamos que a circulação de ideias e o diálogo entre autores e leitores são fundamentais para fortalecer a cidadania e apoiar uma governação mais transparente e orientada para o desenvolvimento humano. Com 2027 no horizonte, Angola enfrenta uma oportunidade renovada: transformar reflexão em acção e ambição em progresso.
A editora independente Perfil Criativo | AUTORES.club informa que alguns dos seus mais importantes títulos encontram-se disponíveis na livraria do Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, um dos mais emblemáticos espaços culturais e históricos da República de Angola.
A presença destas obras naquele espaço representa uma oportunidade única para estudantes, investigadores, servidores públicos, dirigentes e cidadãos em geral aprofundarem o conhecimento sobre a história, a identidade e os desafios do país. Em particular, os funcionários do Estado e, sobretudo, os pretendentes a ocupar um lugar na Assembleia Nacional de Angola deveriam ser incentivados a conhecer e estudar algumas destas referências fundamentais do pensamento angolano contemporâneo.
Entre os títulos em destaque encontram-se duas trilogias de grande valor intelectual e histórico:
Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias, de Maurício Francisco Caetano, trabalho que valoriza a memória, a matriz bantu e os fundamentos civilizacionais presentes na construção social angolana.
Estas publicações ajudam a compreender melhor o passado e o presente de Angola, oferecendo bases sólidas para decisões políticas, administrativas e legislativas mais conscientes.
Sobre o Memorial Dr. António Agostinho Neto
O Memorial Dr. António Agostinho Neto é um dos principais marcos arquitetónicos e culturais de Luanda. Erguido em homenagem ao primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, poeta e figura central da luta de libertação nacional, o memorial preserva documentação histórica, objetos pessoais, exposições permanentes e espaços dedicados à memória nacional.
Além do seu valor simbólico, o Memorial tornou-se também um importante centro de promoção cultural, acolhendo exposições, visitas institucionais, atividades académicas e iniciativas literárias. A existência de uma livraria no espaço reforça essa missão pedagógica e cultural, permitindo o acesso do público a obras essenciais sobre Angola e os seus protagonistas.
Livros para pensar Angola
A disponibilização destas obras na livraria do Memorial Dr. António Agostinho Neto resulta de uma iniciativa do próprio Memorial, em articulação com os autores, que promoveram a colocação dos livros naquele espaço cultural de referência. A presença destes títulos reforça a missão do Memorial na valorização da memória, da reflexão histórica e do pensamento angolano contemporâneo, permitindo ao público acesso a obras fundamentais para compreender Angola e os seus desafios.
Há geografias que permanecem na memória como um eco antigo. Há vozes que regressam como o mar. Com Faro e Enigmas, regressamos ao sul, a Moçâmedes, terra de vento, sal, deserto e poesia. É desse território de paisagens intensas que surge Elsa Major, uma voz que celebramos e revelamos. Filha de uma grande família, nove meninas e três rapazes, cresceu entre leituras, canto e tradições populares. Ainda jovem integrou o Grupo Carnavalesco da Torre do Tombo, influenciada pelos pais e a família onde a música, o ritmo e a palavra começaram a moldar a sua sensibilidade artística. Aos 12 anos ingressou na organização dos pioneiros de Angola, onde por meio de actividades culturais centradas na literatura nacional, desenvolveu de forma decisiva a sua formação. A sua vida cruza-se com a própria história nacional. Em 1975, no turbilhão da independência, o pai, pescador de atum, conduz a família na sua embarcação até Benguela e depois Luanda. Mais tarde regressaria ao lugar da origem pelo mesmo mar. Estudou Linguística da Língua Portuguesa e tornou-se professora aos 17 anos, aprendendo com a mãe a disciplina do trabalho, guardada no segredo dos “dez anõezinhos”, as mãos. O seu percurso foi marcado por uma carreira profissional tendo exercido funções de direcção em vários ministérios e assumindo funções de liderança desportiva. Iniciou-se como atleta de andebol, tendo-se depois tornado dirigente da Federação Angolana de Andebol. Foi ainda membro de organismos desportivos nacionais e africanos. Desempenhou também funções diplomáticas na África do Sul. A poesia, porém, permaneceu sempre o seu território mais íntimo. O primeiro livro surge em 2010, nascido de rascunhos. Agora, em Faro e Enigmas (2026), Elsa Major oferece-nos uma obra de maturidade poética. Amor, sensualidade, memória e paisagem africana atravessam estes poemas, onde o Namibe, o Atlântico e o deserto dialogam com o corpo e a alma. Como escreve Sara Jona Laisse no prefácio, esta obra recorda-nos que “a vida é amiga da arte”, num encontro profundo entre experiência e criação. Este livro é, acima de tudo, um regresso: um regresso à música do Sul.
Convite para o lançamento oficial em Portugal
A poetisa Elsa Major, a Embaixada da República de Angola em Portugal e o editor da Perfil Criativo | AUTORES.club têm o prazer de convidar V. Exa. para a apresentação em Portugal do livro:
O evento terá lugar na quinta-feira, 30 de abril (2026), às 17h30, no Auditório 11 de Novembro, localizado na Rua Leopoldo de Almeida, 6-A, Lumiar, Lisboa.