A editora Perfil Criativo | AUTORES.club informa, com muita tristeza e frustração, que foram cancelados os encontros literários previstos para os dias 12 e 14 de junho de 2026, na Biblioteca Orlando Ribeiro e na Feira do Livro de Lisboa.
O encontro especial «A Surpreendente e Desconhecida Literatura Angolana», marcado para o dia 12 de junho, às 18h00, na Biblioteca Orlando Ribeiro, não poderá realizar-se devido à impossibilidade de deslocação a Portugal do jornalista sénior e escritor angolano José Soares Caetano, que assina os seus textos literários com o pseudónimo Tazuary Nkeita.
Pelo mesmo motivo, fica igualmente cancelada a programação prevista para o dia 14 de junho, na Praça Roxa e no Auditório Norte da Feira do Livro de Lisboa 2026.
Estava agendada para as 18h00, no Auditório Norte, a apresentação da trilogia Os Bantu na Visão de Mafrano — Volumes I, II e III, de Maurício Francisco Caetano (1916–1982), representado pelo filho e responsável pela edição e preparação dos três volumes da colectânea, José Soares Caetano, seguida de uma sessão de autógrafos às 19h00.
Informamos que José Soares Caetano não recebeu, até ao momento, o necessário visto de entrada em Portugal por parte dos serviços consulares portugueses em Luanda. O pedido foi apresentado em maio de 2026, com a identificação dos diferentes eventos literários agendados em Portugal e acompanhado de um pedido de máxima colaboração na marcação e tramitação do processo.
Apesar dos esforços realizados pela organização, não foi possível assegurar atempadamente a presença do autor em Lisboa, circunstância que inviabiliza a realização dos encontros nas condições inicialmente previstas.
Informamos também que às 19h00, no mesmo auditório, estava prevista a apresentação do livro Mãe Nossa Que Sois o Céu, de Fernando Kawendimba, com sessão de autógrafos marcada para as 20h00. Fernando Kawendimba teve de viajar de urgência para Luanda.
Lamentamos profundamente uma situação inteiramente alheia à vontade dos autores, da editora e das entidades que acolheriam as iniciativas. Apresentamos as nossas sinceras desculpas à equipa da Biblioteca Orlando Ribeiro, às Bibliotecas de Lisboa, à organização da Feira do Livro de Lisboa, aos autores envolvidos em especial ao Presidente da Academia Angolana de Letras, aos leitores e a todas as pessoas que acompanharam a preparação e divulgação destes encontros.
Agradecemos toda a disponibilidade, colaboração e compreensão demonstradas e esperamos poder anunciar, futuramente, novas datas para a realização destas apresentações, logo que estejam reunidas as condições necessárias.
O Jornal de Angola publicou hoje, 7 de junho, no suplemento Fim-de-Semana, um amplo texto de Luísa Fresta dedicado ao livro Matéria Negra, de João Fernando André, conhecido nos movimentos literários angolanos como Kalunga.
Sob o título «Kalunga transforma a palavra em contemplação e resistência», a autora apresenta o mais recente livro do poeta angolano como uma obra que alia intensidade, musicalidade, consciência social e reflexão sobre a condição humana.
Luísa Fresta sublinha que, em Matéria Negra, o verso transforma-se num espaço de contemplação e resistência, onde convivem a memória, a dor, a esperança, a espiritualidade e a inquietação perante os grandes desafios do presente.
A análise destaca igualmente a riqueza da linguagem de Kalunga, marcada pelo uso de imagens, símbolos, ritmos e referências culturais diversas. A língua portuguesa surge enriquecida por sonoridades, expressões e memórias angolanas, numa escrita que procura abrir novos caminhos de leitura e interpretação.
Ao longo do artigo, a poesia de Kalunga é apresentada como uma voz atenta às desigualdades, à fragilidade da vida, à liberdade, ao amor, à identidade e à necessidade de reconstrução humana. Luísa Fresta considera que o poeta transforma experiências individuais e colectivas numa linguagem de forte dimensão estética e social.
A publicação acontece precisamente no dia em que Kalunga apresenta Matéria Negra na Feira do Livro de Lisboa. O encontro está marcado para hoje, às 20h00, no Auditório Norte, constituindo uma oportunidade especial para conhecer o autor, ouvir a sua poesia e participar numa conversa sobre uma das mais recentes propostas da literatura angolana contemporânea.
Para o editor da Perfil Criativo | AUTORES.clubJoão Fernando André é um representante da nova poesia de Angola e um verdadeiro embaixador cultural.
Depois da apresentação, Kalunga estará disponível para uma sessão de autógrafos, às 21h00.
7 de junho de 2026, às 20h00 Auditório Norte — Feira do Livro de Lisboa Sessão de autógrafos às 21h00
A Perfil Criativo | AUTORES.club convida todos os leitores a participarem, neste domingo, 7 de junho, em três encontros especiais dedicados à política, à memória, à poesia e à literatura contemporânea de Angola e dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.
A programação decorre a partir das 18h00, no Auditório Norte da Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII. Depois de cada apresentação, os autores estarão no Pavilhão D48 — Pavilhão Papa-Letras | Promobooks.net, para conversarem com os leitores e autografarem as suas obras.
Às 18h00, será apresentada a obra coletiva 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos, coordenada por Rui Verde e Eugénio Costa Almeida. O livro reúne cerca de 40 autores e personalidades dos países africanos de língua portuguesa, que fazem um balanço plural de meio século de independências. Através da memória, do testemunho, da história, da análise política e da reflexão sobre a cidadania, a obra aborda os sonhos das libertações nacionais, os caminhos percorridos pelos novos Estados, os conflitos, os autoritarismos, os processos de democratização e os desafios ainda presentes no desenvolvimento das sociedades africanas. A sessão de autógrafos realiza-se às 19h00.
Às 19h00, terá lugar o lançamento de 42.4 — A Voz dos Dibengo, de Tazuary Nkeita, pseudónimo literário do jornalista José da Costa Soares Caetano. Nesta nova edição revista, o autor dá voz aos Dibengo e a outras experiências humanas ligadas à memória, ao território, à identidade e à consciência social. A obra cruza literatura, cultura e história, revelando uma escrita profundamente ligada às comunidades angolanas e aos seus modos de compreender a vida, a pertença e as transformações da sociedade. Autógrafos às 20h00.
Às 20h00, será apresentado o poemário Matéria Negra, de Kalunga, nome literário de João Fernando André. Numa poesia intensa, contemporânea e surpreendente, Kalunga transforma a palavra num espaço de interrogação sobre Angola, a identidade africana, a memória, o corpo, a ancestralidade e a condição humana. O livro afirma uma voz poética própria, simultaneamente inquieta e consciente, que recupera referências culturais africanas e as coloca em diálogo com as grandes questões do mundo atual. A sessão de autógrafos decorre às 21h00.
Este será um encontro especial para descobrir a nova literatura de Angola, conhecer diferentes gerações de autores e aproximar os leitores de obras que interrogam o passado, interpretam o presente e ajudam a imaginar o futuro.
Hoje, 7 de junho de 2026 Auditório Norte — Feira do Livro de Lisboa 18h00 — 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos 19h00 — 42.4 — A Voz dos Dibengo 20h00 — Matéria Negra
Sessões de autógrafos no Pavilhão D48 — Pavilhão Papa-Letras | Promobooks.net.
Num momento em que se multiplicam em Lisboa os encontros dedicados à literatura, à história e ao pensamento angolano, o académico e escritor Rui Verde apresentou, em sessão informal de pré-lançamento, o seu novo livro Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), num encontro participado que decorreu na Voz do Operário, em pleno ambiente festivo dos Santos Populares.
Perante uma assistência atenta e interventiva, o autor foi convidado a explicar as opções que orientaram a construção da obra. Questionado sobre se a narrativa não estaria excessivamente centrada nas questões económicas, Rui Verde rejeitou essa leitura, sublinhando que o livro procura articular os desenvolvimentos económicos com a evolução política do país, dedicando particular atenção ao período posterior a 2010, fase que acompanhou mais de perto enquanto observador da realidade angolana.
Outra das questões colocadas incidiu sobre as fontes utilizadas e sobre a eventual realização de entrevistas para a preparação da obra. O autor explicou a metodologia seguida, centrada sobretudo na análise documental, bibliográfica e na observação dos acontecimentos ao longo das últimas décadas.
O debate ganhou especial intensidade quando um dos participantes, antigo militar das FAPLA, recordou episódios relacionados com perseguições étnicas ocorridas no processo de independência angolana, defendendo que estes temas merecem maior aprofundamento nos trabalhos historiográficos. Já a filha do histórico nacionalista Mário Pinto de Andrade questionou a forma como é retratada a fundação do partido-Estado, o MPLA, considerando que determinadas leituras da história contemporânea podem contribuir para a consolidação de narrativas que, na sua opinião, não refletem ta verdade dos acontecimentos.
As intervenções revelaram que, cinquenta anos após a independência, a história recente de Angola continua a suscitar interpretações diversas, memórias contraditórias e debates apaixonados, demonstrando a importância de obras que promovam o confronto de perspetivas e a reflexão crítica.
Também o editor foi chamado a intervir, desta vez sobre a circulação e distribuição da obra em Angola. Questionado sobre as possibilidades de chegar aos leitores angolanos, recordou o enorme potencial de um país com mais de 30 milhões de habitantes, lamentando, contudo, que o reduzido poder de compra de grande parte da população continue a impedir milhões de pessoas de aceder aos livros e à leitura.
Entre perguntas, comentários e testemunhos pessoais, o encontro prolongou-se por mais de duas horas, transformando-se numa conversa aberta sobre história, memória, política e cidadania. Num fim de tarde marcado pelo ambiente popular das festas lisboetas, a sessão confirmou o crescente interesse do público pelos temas angolanos e antecipou o lançamento de uma obra que promete alimentar novas discussões sobre os cinquenta anos da Angola independente.
O autor, Rui Verde, e o editor da Perfil Criativo | AUTORES.club
A Feira do Livro de Lisboa recebeu, no passado dia 4 de junho, a apresentação da obra Chão de Kanâmbua ou O Feitiço de Kangombe, do escritor e investigador angolano Tomás Lima Coelho, numa sessão que se transformou numa verdadeira viagem pela memória histórica, literária e cultural de Angola. A apresentação integrou o programa oficial do Auditório Norte da feira, reunindo leitores e membros da comunidade angolana em Portugal.
Ao apresentar o romance, Tomás Lima Coelho destacou a importância de revisitar o final do século XIX e o início do século XX angolanos através da literatura. A obra acompanha a trajetória de Manuel Justino, um degredado português que se estabelece em Angola, servindo de fio condutor para uma narrativa onde se cruzam história, oralidade africana, espiritualidade, comércio e memória coletiva.
A sessão permitiu igualmente ao autor abordar uma das suas obras de referência, Autores e Escritores de Angola 1642-2022, considerada uma das mais importantes contribuições para o levantamento e preservação da memória literária angolana. O trabalho reúne centenas de autores de diferentes épocas, correntes e sensibilidades, constituindo um instrumento indispensável para investigadores, estudantes e leitores interessados na evolução da literatura produzida por angolanos ao longo de quase quatro séculos.
Tomás Lima Coelho aproveitou ainda a ocasião para recordar outros autores e investigadores que têm contribuído para a valorização da história e da cultura angolanas. Entre eles destacou Eugénio Monteiro Ferreira, autor da obra Kimamuenho — Intelectual Rural 1913-1922, cuja apresentação estava prevista para o mesmo dia na Feira do Livro de Lisboa. No entanto, devido aos constrangimentos provocados pela greve geral dos transportes, o autor acabou por não conseguir estar presente na sessão.
Num encontro marcado pelo diálogo entre literatura e história, Tomás Lima Coelho reafirmou a necessidade de preservar a memória das diferentes gerações de escritores, investigadores e protagonistas da vida cultural angolana, sublinhando que compreender o passado continua a ser uma condição essencial para pensar o futuro de Angola.
A sessão terminou com um período de conversa com os leitores e uma sessão de autógrafos, confirmando o interesse crescente do público português e angolano por obras que ajudam a compreender as múltiplas dimensões da história de Angola.
A comunidade angolana residente em Portugal está convidada a participar no lançamento oficial do livro Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), do académico Rui Verde, numa sessão especial a realizar-se no Auditório da A Voz do Operário, em Lisboa, às 19h00.
Num momento em que Angola assinala cinquenta anos de independência e se prepara para um novo ciclo político, com as eleições de 2027 no horizonte, esta obra constitui uma oportunidade única para revisitar a história recente do país e refletir sobre os seus desafios futuros.
Ao longo de três centenas de páginas, Rui Verde propõe uma análise dos grandes ciclos da Angola independente: o sonho da independência nacional e o complexo processo que conduziu à proclamação da República; a governação de António Agostinho Neto e os desafios da construção do Estado; a longa governação de José Eduardo dos Santos, marcada pela guerra, pela paz, pela reconstrução e pelo crescimento económico; e o período de João Lourenço, caracterizado pelas reformas, pelas novas expectativas e pelos desafios da transformação económica e institucional.
Que resultados produziram estas diferentes etapas no desenvolvimento do país? Que conquistas foram alcançadas? Que oportunidades foram perdidas? Que Angola foi construída ao longo destes cinquenta anos?
Este é um convite dirigido aos homens e mulheres da luta de libertação nacional, aos participantes da revolução socialista, às vítimas da violência política, aos antigos guerrilheiros e combatentes das diversas forças que marcaram a história do conflito angolano, aos empresários, políticos, académicos, artistas, estudantes e aos mais jovens que procuram compreender o país que herdaram. É igualmente um convite à diáspora angolana residente em Lisboa para participar neste momento de reflexão coletiva.
Mais do que a apresentação de um livro, pretende-se criar um espaço de encontro entre gerações, sensibilidades e experiências distintas, onde os participantes possam partilhar testemunhos, memórias e perspetivas sobre os cinquenta anos de construção da República de Angola.
Conhecer a História é compreender o presente. Partilhar experiências é ajudar a construir o futuro.
A Perfil Criativo | AUTORES.club manifesta profundo pesar pelo falecimento de Dom Zacarias Kamwenho, arcebispo emérito do Lubango, ocorrido em Luanda, no dia 29 de Maio de 2026, aos 91 anos de idade.
Com Dom Zacarias desaparece uma das figuras maiores da Igreja Católica em Angola, um pastor profundamente ligado à defesa da paz, da reconciliação nacional, da justiça social e da dignidade do povo angolano. A sua vida atravessou alguns dos períodos mais decisivos da história contemporânea de Angola, desde o tempo colonial, passando pela independência, pela longa guerra civil e pelos difíceis caminhos da paz.
Nascido no Huambo, no município do Bailundo, em 1934, Dom Zacarias foi ordenado sacerdote em 1961. Em 1974 recebeu a ordenação episcopal, tendo servido a Igreja como bispo auxiliar de Luanda, primeiro bispo do Sumbe e, mais tarde, arcebispo do Lubango. O seu percurso ficou marcado por uma rara autoridade moral, reconhecida dentro e fora de Angola, nomeadamente através da atribuição do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, em 2001, pelo seu papel persistente na defesa da paz, da democracia e dos direitos humanos.
Recordar as sábias palavras de Dom Zacarias Kamwenho, arcebispo emérito do Lubango, em Luanda, Abril de 2022: “Agostinho Neto foi e é poeta maior, Mafrano foi e é antropólogo maior. Na sua obra, que a partir deste primeiro volume que hoje apresentamos, o leitor verá como lhe caem os mistérios e preconceitos, os civilizados e os superiores descobrem, querendo ou não, a força dos fracos, a inteligência dos ignorantes, a civilização dos incivilizados, a superioridade dos inferiores, e vice-versa, e cada um dirá, afinal, são como nós.“
Para a Perfil Criativo | AUTORES.club, Dom Zacarias Kamwenho foi também uma presença amiga, próxima e decisiva na valorização da obra de Maurício Francisco Caetano — Mafrano, autor da colectânea Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias. A obra póstuma “Os Bantu na Visão de Mafrano“, da autoria do etnólogo angolano Maurício Francisco Caetano (“Mafrano”), foi distinguida com o Prémio Nacional de Cultura e Artes de Angola em Novembro de 2024. O galardão foi atribuído pelo Ministério da Cultura na modalidade de Investigação em Ciências Humanas e Sociais.
Foi Dom Zacarias quem assinou o prefácio do primeiro volume desta obra maior da antropologia cultural angolana, publicada a título póstumo pela família de Mafrano e pela Perfil Criativo | AUTORES.club. Nesse texto, escreveu como “mais-velho” que trabalhou com Mafrano, manifestando a sua alegria pela publicação do primeiro volume e dos volumes seguintes, saudando a família do autor pela iniciativa de devolver ao público uma memória que parecia perdida. Recorrendo ao Evangelho de São Lucas, comparou esse reencontro com a alegria de quem encontra a moeda perdida e chama os amigos e vizinhos para partilhar a descoberta.
No seu prefácio, Dom Zacarias apresentou uma leitura profundamente humana, espiritual e intelectual de Maurício Francisco Caetano. Viu em Mafrano não apenas um escritor ou etnólogo, mas um pensador atento à cultura, à fé, à missão, à dignidade dos povos africanos e à complexidade das sociedades Bantu. A sua leitura ajudou a reconhecer Mafrano como uma figura maior do pensamento angolano, chegando a considerá-lo um verdadeiro “Antropólogo Maior”.
A ligação entre Dom Zacarias e Mafrano não foi apenas literária. Foi também uma relação de memória, de geração, de Igreja, de cultura e de amizade. Em Abril de 2022, no Lubango, Dom Zacarias testemunhou o anúncio oficial do primeiro volume de Os Bantu na Visão de Mafrano, perante os alunos do Seminário de Filosofia do Lubango. Semanas depois, a 14 de Maio de 2022, deslocou-se a Luanda para a apresentação da mesma obra na Universidade Católica de Angola, ajudando a inscrever Mafrano no lugar que lhe pertence na história intelectual de Angola.
Em Novembro de 2024, quando celebrava cinquenta anos de episcopado, Dom Zacarias enviou à família de Maurício Francisco Caetano uma mensagem de rara ternura, afirmando que o seu jubileu era também de Mafrano, pois ambos tinham vivido, em comunhão de tempo e de memória, esses cinquenta anos de episcopado. Essa frase ficará como uma das mais belas sínteses da amizade espiritual e intelectual que uniu estas duas figuras.
Mesmo nos seus últimos anos, Dom Zacarias continuou a acompanhar com atenção e alegria o percurso da colectânea Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias. Em Junho de 2025, recebeu em Luanda um dos primeiros exemplares do terceiro e último volume da obra, mostrando grande satisfação pela conclusão deste projecto editorial que devolveu ao país mais de mil páginas de reflexão sobre a cultura Bantu, a espiritualidade, a história social e a memória angolana.
A Perfil Criativo | AUTORES.club recorda Dom Zacarias Kamwenho com gratidão, respeito e comoção. A sua palavra, o seu testemunho e a sua presença ajudaram a iluminar a importância da obra de Mafrano e a afirmar a necessidade de Angola preservar, estudar e valorizar os seus grandes pensadores.
Neste momento de luto, endereçamos à Igreja Católica em Angola, à Arquidiocese do Lubango, à Diocese do Sumbe, à Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, à família de Dom Zacarias e de Mafrano e a todos os que nele reconheceram um pastor da paz e da reconciliação, as nossas mais sentidas condolências.
Dom Zacarias Kamwenho parte deste mundo deixando uma herança de fé, coragem, cultura e humanidade. Para nós, ficará também como o prefaciador atento, o amigo generoso e o mais-velho que soube reconhecer em Mafrano uma das grandes vozes da memória profunda de Angola.
Perfil Criativo | AUTORES.club Lisboa / Luanda, Maio de 2026
Dom Zacarias Kamwenho nas palavras de José Soares Caetano
Dom Zacarias Kamwenho foi o autor do Prefácio da colectânea póstuma “Os Bantu na visão de Mafrano – Quase Memórias”. Para ele, Mafrano era “O Antropólogo Maior de Angola”. Durante a visita do Papa Leão XIV an Angola, o Arcebispo Emérito do Lubango tudo fez para que os três volumes da colectânea de Mafrano fossem oferecidos ao Sumo Pontífice. O acto esteve previsto para se realizar numa manhã de Domingo, dia 19 de Abril, em Luanda. Só não se concretizou porque Infelizmente, a essa hora, o membro da Fanilia de Mafrano chamado para o efeito (de imprevisto), encontrava-se no novo Aeroporto do Bom Jesus!
A apresentação de Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, na Feira do Livro de Lisboa 2026, transformou-se num encontro intenso de memória, testemunho e debate sobre a história recente de Angola. A sessão contou com a presença de históricos sobreviventes ligados à Associação 27 de Maio de 1977 e do presidente da Academia Angolana de Letras, deputado da Assembleia Nacional, Dr. Paulo de Carvalho, num momento que juntou leitores, antigos protagonistas, jovens interessados pela história africana e visitantes da Feira.
Num ambiente muito participado, Joaquim Sequeira começou por recordar como se viveu a notícia do 25 de Abril de 1974, evocando o impacto da Revolução dos Cravos nas notícias que iam chegando muito devagar. A partir daí, conduziu o público até ao dia 11 de Novembro de 1975, data da proclamação da independência nacional de Angola, descrevendo o entusiasmo, a esperança e a complexidade de um país que nascia em plena tensão política, militar e ideológica.
O momento mais marcante da sessão surgiu quando o autor abordou o drama do 27 de Maio de 1977, tema central da memória convocada em Ecos da Liberdade. Joaquim Sequeira foi claro ao defender que os acontecimentos desse período representaram, na sua leitura, uma traição à revolução socialista, recusando a ideia de que tivesse existido um golpe de Estado. Segundo afirmou, os que foram perseguidos continuavam fiéis a António Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola, e acreditavam no projecto revolucionário que ajudaram a construir.
O livro Ecos da Liberdade, publicado no ano passado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, relata a espera, o medo e o tormento vividos na cela 10 da Automotora, na cadeia de São Paulo. Mais do que uma memória individual, a obra apresenta-se como um testemunho sobre a violência política, o silenciamento e a necessidade de Angola continuar a enfrentar as feridas abertas pelo 27 de Maio de 1977.
A conversa ganhou ainda maior actualidade quando um jovem da Guiné-Bissau questionou o autor sobre a persistência do neocolonialismo nos países africanos de língua portuguesa e sobre os bloqueios ao desenvolvimento económico e social. Joaquim Sequeira respondeu de forma peremptória, defendendo a necessidade de uma transformação profunda das estruturas nacionais, incluindo o papel das instituições militares, para que os países africanos possam romper dependências históricas e construir caminhos próprios de soberania, justiça e progresso.
A sessão prolongou-se pelo fim da tarde, já fora do formato formal da apresentação, com grupos de leitores e participantes a continuarem a conversa no recinto da Feira do Livro. Mais do que uma sessão literária, foi um encontro, memórias e inquietações políticas ainda vivas.
Como diria o director do Novo Jornal, voltou a estar presente em Lisboa“uma Angola que acontece fora de Angola”, feita de memória, debate, literatura e vontade de compreender, sem medo, os acontecimentos que marcaram o destino de tantas vidas.
No próximo dia 11 de Junho de 2026, às 17h00, o Memorial Dr. António Agostinho Neto acolherá o lançamento oficial do livro Editoriais do Expansão 2019–2021, da autoria do jornalista angolano João Armando, numa edição da Perfil Criativo | AUTORES.club com o alto patrocínio do Banco BNI.
A obra reúne uma selecção dos editoriais publicados no semanário económico Expansão entre 2019 e 2021, um dos períodos mais complexos e decisivos da economia recente angolana. Ao longo de 232 páginas, João Armando apresenta uma leitura crítica, directa e profundamente comprometida com a realidade do país, abordando temas como a dívida pública, a desvalorização do kwanza, as privatizações, a transparência das instituições, o sistema bancário, a confiança dos investidores e o impacto das decisões políticas na vida dos cidadãos.
Mais do que uma compilação jornalística, Editoriais do Expansão 2019–2021 transforma-se num retrato da Angola contemporânea, revelando os bastidores da governação económica e os dilemas estruturais enfrentados pelo país durante um ciclo de fortes transformações políticas e financeiras.
No prefácio da obra, o escritor e cronista angolano Jacques Arlindo dos Santos destaca o valor documental e intelectual do livro, sublinhando que os textos de João Armando ajudam a “desmistificar as diferenças entre o falso e o verdadeiro da economia nacional”.
Com quase quatro décadas de carreira, João Armando consolidou-se como uma das vozes mais reconhecidas do jornalismo económico angolano. Director do Expansão desde Maio de 2019, o autor passou também pela rádio, televisão e imprensa escrita em Angola e Portugal, sendo distinguido ao longo do percurso com vários prémios de jornalismo.
O lançamento no Memorial Dr. António Agostinho Neto promete reunir leitores, jornalistas, académicos, empresários e personalidades da vida pública angolana num encontro dedicado à reflexão sobre o presente e o futuro económico de Angola.
Ficha Técnica
Título: Editoriais do Expansão 2019–2021
Autor: João Armando
Editora: Perfil Criativo | AUTORES.club
ISBN: 978-989-9209-14-5
N.º de páginas: 232
Língua: Português
Patrocínio: Banco BNI
Lançamento Oficial
Memorial Dr. António Agostinho Neto 11 de Junho de 2026 17h00
Depois da concepção no ano anterior, o parto da UNITA aconteceu a 13 de Março de 1966, em Mwangai, na província do Moxico em Angola. Primeiro foi em Cassamba onde o grito do Mwangai “Kwatchá” se fez ouvir. No dia 25 de Dezembro, o assalto à vila de Teixeira de Sousa, no Moxico também, fez relançar a Luta de Libertação Nacional. Nesse ano (1967), as FALA tinham continuado a ganhar forma. As primeiras guerrilheiras e guerrilheiros foram merecendo melhor treino, as infra-estruturas provisórias para a saúde e formação académica nos territórios sob controlo dos guerrilheiros foram-se materializando, a agricultura ocupou extensões mais vastas e tomou proporções desenvolvimentistas na região leste do país, a caça e a piscicultura foram encorajadas e a adesão das populações à Luta de Libertação começou a ser expressiva.
Em Memórias das FALA — O Avanço no Norte e a Guerra Psicológica (1975–1992), o brigadeiro Fonseca Chindondo oferece um testemunho direto e raro sobre um dos períodos mais intensos, dramáticos e menos conhecidos da história contemporânea de Angola. A partir da sua experiência no seio das FALA (Forças Armadas de Libertação de Angola), o autor reconstrói episódios marcantes da luta armada, analisa o papel da guerra psicológica e presta homenagem aos milhares de combatentes e civis que viveram os dramas da guerra.
Prefaciado pela Prof.ª DoutoraPaula Cristina Roque, o livro constitui um importante contributo para a preservação da memória histórica angolana e para a compreensão plural de um passado ainda pouco debatido.
Trata-se de um livro raro de memórias da guerra, escrito por um protagonista dos acontecimentos, que ajuda a compreender melhor as complexidades da luta pela independência, da guerra civil e dos desafios da reconciliação.
Encomendas em Angola
Os exemplares já estão disponíveis para encomenda através dos seguintes contactos:
📞 +244 922 752 494
📞 +244 936 023 299
Uma obra rara e incontornável para todos os interessados na história de Angola, nos estudos africanos e na preservação da memória coletiva.