Dança, música, canto e boa disposição marcaram a apresentação de «AKOMBE», pela Companhia de Artes Kupolo Njila, no renovado Nacional Cine-Teatro, em Luanda. Fomos ver e gostámos: um reencontro com a alegria num palco que guarda uma parte importante da memória cultural da cidade. Foi pena a sala não estar cheia
O Nacional voltou a receber artistas e público, e com eles regressaram a música, a dança e as gargalhadas. No dia 10 de Outubro, a Companhia de Artes Kupolo Njila apresentou «AKOMBE», integrado no programa de reabertura deste espaço histórico, conhecido por muitos luandenses pela sua ligação à Associação Cultural Chá de Caxinde.
Foi uma noite de celebração, com a energia dos artistas a dar vida ao palco e a proporcionar momentos de alegria e boa disposição. Entre dança, música e canto, o espectáculo recordou como as artes podem criar uma ligação imediata entre quem se apresenta e quem assiste. A nossa impressão foi clara: gostámos e queremos voltar.
Esta apresentação aconteceu dois dias depois da reabertura oficial do Nacional, realizada a 8 de Outubro de 2026, após obras de reabilitação e modernização. A intervenção melhorou as condições de conforto, segurança e funcionamento do edifício, preservando as características Art Déco que fazem parte da sua identidade.
Um palco com quase um século de história
Inaugurado em 1 de Janeiro de 1932, o Nacional Cine-Teatro atravessou diferentes épocas da vida de Luanda e tornou-se uma referência para o cinema e as artes de palco. A sua importância foi oficialmente reconhecida em 27 de Setembro de 1994, quando foi classificado como Património Histórico-Cultural. No ano seguinte, a Associação Chá de Caxinde assumiu a gestão do espaço, contribuindo para a sua recuperação e dinamização. Entre dificuldades, encerramentos e regressos, o Nacional manteve um lugar especial na memória cultural angolana.
Chá de Caxinde: unir pela cultura
A história da Associação Cultural Chá de Caxinde começou em 28 de Janeiro de 1989, por iniciativa de um grupo de cidadãos. A proclamação formal aconteceu um ano depois, subscrita por uma centena de pessoas. Num país marcado pela guerra e pelas limitações à vida cultural, a associação nasceu para abrir espaço ao encontro, à criação e ao debate.
Sob o lema «Unir pela Cultura», associado a Pepetela, a Chá de Caxinde desenvolveu actividades ligadas à literatura, à edição de livros, à música, ao teatro e à reflexão pública. As noites da Banda Maravilha tornaram-se uma das suas marcas. A ligação ao Nacional, sede da associação desde 1995, ajudou a aproximar o nome Chá de Caxinde da própria identidade do edifício.
Kupolo Njila: as tradições ganham vida em palco
Também conhecida pelo trabalho desenvolvido como Bailados Kupolo Njila, a companhia tem apostado na valorização da identidade tradicional angolana. Entre as figuras centrais desse percurso encontra-se Felicidade Manuel Cassule, «Fely», apresentada numa entrevista de 2024 como directora-geral e coreógrafa do grupo.
Uma das suas criações, «Antropogéneses», cruza dança, música e teatro, apoiando-se na pesquisa de canções, rituais, indumentárias e costumes de diferentes regiões de Angola. Um trabalho que procura transmitir conhecimento através do espectáculo e aproximar o público da diversidade cultural do país.
Com «AKOMBE», esse encontro entre expressão artística e público ganhou lugar no regresso do Nacional. Para quem esteve presente, ficou a alegria de voltar a ver este palco vivo. Que venham mais espectáculos, mais encontros e mais motivos para regressar.
A newsletter 2025–2026 do African Studies Centre da Universidade de Oxford dedica uma página ao trabalho de Rui Verde, com referência e destaque visual à capa de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club. Uma presença que leva esta edição em língua portuguesa ao encontro de uma comunidade internacional dedicada ao estudo de África
A história recente de Angola encontra espaço na newsletter do African Studies Centre da Universidade de Oxford. Na página 17, Rui Verde apresenta um balanço da sua actividade de investigação e das suas publicações, aproximando dois universos que se complementam: a produção académica especializada e a divulgação do conhecimento junto de um público mais amplo.
É neste segundo domínio que o autor enquadra Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), publicada em Lisboa em Junho de 2026. No texto, apresenta a obra como uma síntese histórica acessível, destinada a um público alargado de língua portuguesa. A reprodução da capa, junto de uma fotografia de Rui Verde, reforça a visibilidade do livro nesta publicação.
Para a Perfil Criativo | AUTORES.club, esta presença constitui uma oportunidade de ampliar a divulgação de uma obra que convida a conhecer e a discutir o percurso político de Angola ao longo de cinquenta anos de independência. Dirigido a leitores que procuram uma introdução à história contemporânea do país, o livro aproxima o conhecimento histórico de estudantes, membros da diáspora e de todos os que desejam compreender melhor a realidade angolana.
Angola no centro da investigação de Rui Verde
O contributo de Rui Verde, integrado na secção dedicada aos investigadores associados, revela um trabalho que cruza história, política, relações internacionais e os desafios da fiscalização democrática.
O autor apresenta dois artigos científicos, desenvolvidos em co-autoria e com apoio da British Academy, destinados ao Journal of Contemporary African Studies. Os estudos analisam a influência das heranças coloniais na supervisão pública da vigilância digital na África Austral e comparam as respostas institucionais aos conflitos em torno da vigilância na África do Sul, em Angola e na República Democrática do Congo.
A estes trabalhos junta-se um capítulo publicado na obra colectiva Democratising Spy Watching, no qual Rui Verde examina o caso angolano dos «15+2». A análise explora as tensões entre legados autoritários e mecanismos de escrutínio público, interrogando os limites e as possibilidades de fiscalização em regimes híbridos.
Outro destaque é o livro Redefining the China–Angola Relationship: Privatization, Development, and Disenchantment, da Bloomsbury Academic. Segundo o resumo apresentado na newsletter, a obra reavalia duas décadas de envolvimento chinês em Angola: da cooperação em grandes infra-estruturas a uma relação mais complexa, marcada pela renegociação da dívida, pela diversificação de parcerias e por mudanças nos alinhamentos geopolíticos.
Ao lado desta produção especializada, Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025) surge como uma ponte para os leitores de língua portuguesa. Rui Verde sublinha ainda a dimensão colectiva da investigação, reconhecendo a importância das redes de colaboração, dos seminários, do acesso a fontes e do ambiente interdisciplinar de Oxford. O texto identifica também dificuldades decorrentes do Brexit e das limitações de financiamento, sobretudo em projectos que exigem trabalho de campo e cooperação internacional.
Uma newsletter que aproxima a investigação dos debates sobre África
Ao longo de 32 páginas, a newsletter apresenta um panorama da actividade do African Studies Centre no ano lectivo de 2025–2026, reunindo investigação, conferências, publicações, testemunhos de antigos alunos e projectos dos estudantes.
Entre os principais destaques encontra-se a conferência anual de Mahmood Mamdani, dedicada à descolonização e à experiência do Uganda pós-colonial. A publicação aborda também as relações entre produção de cacau, alterações climáticas e condições de trabalho na África Ocidental, o ensino da história e dos legados imperiais, a diplomacia africana e os debates sobre as transformações políticas e sociais do continente.
Particularmente próxima da missão de divulgação cultural e editorial da Perfil Criativo | AUTORES.club é a apresentação do Oxford Africa Forum, uma plataforma que procura tornar a investigação sobre África mais acessível. Através de textos breves e claros, a iniciativa pretende aproximar o trabalho académico de leitores, jornalistas, decisores e comunidades africanas, alargando a circulação do conhecimento para além das universidades.
A newsletter assinala igualmente os dez anos da Africa Oxford Initiative, dedicada à cooperação entre Oxford e instituições africanas, e dá conta de encontros e investigações que ligam diferentes regiões, disciplinas e gerações.
É neste contexto de diálogo internacional que surge o trabalho de Rui Verde e a referência à edição da Perfil Criativo | AUTORES.club: um convite a colocar a história de Angola ao alcance de mais leitores e a fazer do livro um ponto de partida para novas perguntas sobre o país.
O escritor, poeta e académico João Fernando André, conhecido literariamente como Kalunga, foi o convidado da “Grande Entrevista” da Rádio Mais. Numa conversa dedicada à literatura, à educação e à sociedade angolana, o autor de Matéria Negra apresentou um diagnóstico frontal sobre os principais desafios culturais do país.
Ao longo da entrevista, o Prof. Doutor João Fernando André destacou a força histórica da literatura angolana, que considera uma das mais robustas do espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. No entanto, advertiu que Angola começa a perder terreno para países como Moçambique, devido à ausência de uma verdadeira indústria cultural, à fragilidade do mercado editorial e à falta de políticas consistentes de apoio ao livro, à leitura, aos escritores e aos editores.
Kalunga chamou igualmente a atenção para o elevado preço do livro, a inexistência de uma indústria nacional de papel e celulose e as dificuldades enfrentadas pelos editores no acesso ao crédito. Para o escritor, Angola precisa de criar condições estruturais que permitam transformar a sua tradição literária numa indústria cultural sólida, capaz de ampliar a produção, a circulação e o acesso ao livro.
Um dos momentos mais marcantes da conversa surgiu quando afirmou: «Eu não acho que se esteja a ler pouco; acho que se esteja a ler mal.» O problema, explicou, não reside apenas na quantidade de informação consumida, mas sobretudo na qualidade das leituras e na relação cada vez mais frágil entre os cidadãos, o livro e o pensamento crítico. Nesse sentido, defendeu a presença de bibliotecas nas escolas, a inclusão da grande literatura angolana nos manuais de Língua Portuguesa e a implementação efetiva de uma política nacional do livro e da leitura.
O escritor foi também contundente ao abordar as insuficiências do sistema educativo: «Temos de deixar de inaugurar salas de aula. Temos de começar a inaugurar escolas.» Para João Fernando André, uma verdadeira escola não pode limitar-se às salas de aula: deve possuir bibliotecas, espaços desportivos, condições sanitárias adequadas e recursos que favoreçam uma aprendizagem completa e despertem, desde cedo, o gosto pela leitura.
A entrevista avança ainda para uma reflexão mais profunda sobre aquilo que Kalunga identifica como uma crise ontológica na sociedade angolana: uma progressiva valorização do “ter” em detrimento do “ser”, visível na perda de referências, na corrupção, no plágio e no enfraquecimento dos valores cívicos e morais. A inversão desse processo, sustenta o poeta, exige mais educação, instituições sólidas, uma comunicação social responsável e espaços de debate capazes de devolver centralidade ao conhecimento, à memória e à cultura.
Autor de Matéria Negra, obra publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club, Kalunga reafirma nesta entrevista a dimensão crítica e interventiva do seu pensamento.
Vale a pena escutar o áudio da “Grande Entrevista” da Rádio Mais e acompanhar, na voz do próprio autor, esta importante reflexão sobre literatura, sociedade, educação e o futuro cultural de Angola.
A institucionalização da Orquestra Nacional de Angola representa um dos mais relevantes investimentos culturais realizados pela República de Angola nos últimos anos. Mais do que criar uma formação destinada a interpretar música clássica, o projecto abre caminho para a formação de músicos, para a valorização do património musical nacional e para uma presença mais afirmativa nos grandes palcos internacionais.
A Orquestra Nacional de Angola, abreviadamente designada por ONA, recebeu enquadramento jurídico através do Decreto Presidencial n.º 69/26, de 20 de Abril, publicado no Diário da República. O diploma reconhece-a como um serviço de interesse público do Estado, sujeito a gestão privada e habilitado a desenvolver actividades em todo o território nacional.
O documento estabelece como finalidades da ONA a promoção da cultura e da música clássica angolana, a realização de concertos no país e no estrangeiro e a formação artística e profissional de músicos, gestores e técnicos. A instituição deverá igualmente fomentar a música erudita nas suas diferentes manifestações, aproximá-la de outras expressões artísticas e contribuir para que um público mais amplo possa participar na criação e fruição cultural.
Uma orquestra construída com jovens angolanos
O projecto começou a ganhar visibilidade pública antes da sua institucionalização formal. Em Janeiro de 2025, a Orquestra Nacional apresentou-se no Centro de Conferências de Belas, em Luanda.
A formação reuniu então 107 adolescentes e jovens, com idades entre os 14 e os 30 anos, provenientes de várias províncias e seleccionados através de um processo de inscrição e avaliação. Sob a direcção do maestro brasileiro Ricardo Castro, os jovens interpretaram o Hino Nacional e obras de compositores angolanos e internacionais, dos séculos XVII ao XXI.
A iniciativa foi inicialmente impulsionada pela Fundação Ngana Zenza para o Desenvolvimento Comunitário, instituição que tem desenvolvido programas dirigidos às comunidades, aos jovens e a outros grupos socialmente vulneráveis. A passagem de um projecto apoiado pela sociedade civil para uma instituição reconhecida pelo Estado permite-lhe agora adquirir maior continuidade, responsabilidade pública e capacidade de intervenção nacional.
Em Março de 2026, o Conselho de Ministros apreciou formalmente o projecto de criação da ONA, definindo-a como uma instituição centrada na inclusão social e na formação artística, destinada a divulgar a tradição musical angolana através de uma actividade sinfónica de dimensão internacional. A institucionalização seria confirmada no mês seguinte pelo Decreto Presidencial.
Levar a música angolana para o universo sinfónico
A importância da Orquestra Nacional não deve ser medida apenas pelo número de concertos realizados. A sua verdadeira dimensão estará na capacidade de construir uma escola, formar profissionais e criar um repertório que transporte para a linguagem sinfónica a diversidade cultural.
Angola possui uma extraordinária riqueza musical, resultante das culturas e línguas presentes no seu território, dos instrumentos tradicionais, das expressões religiosas, dos cantos de trabalho, das músicas urbanas e da criação de sucessivas gerações de compositores e intérpretes.
Uma Orquestra Nacional pode estudar, transcrever, preservar e reinterpretar esse património. Pode aproximar a música erudita das tradições populares, encomendar obras a compositores angolanos e criar novas leituras de géneros como a semba, a rebita, a kazukuta, o kilapanga e outras manifestações musicais das diferentes regiões do país.
O próprio diploma de institucionalização aponta para o cruzamento da música erudita com outras expressões artísticas. Esta abertura será essencial para evitar que a Orquestra Nacional se limite à reprodução do repertório clássico europeu. O seu maior contributo poderá estar precisamente na construção de uma linguagem sinfónica angolana, contemporânea e reconhecível.
Formar músicos, técnicos e públicos
Uma orquestra desta natureza necessita de violinistas, violoncelistas, contrabaixistas, instrumentistas de sopro, percussionistas, pianistas e maestros. Mas depende igualmente de afinadores, técnicos de som e iluminação, arquivistas musicais, produtores, gestores culturais, compositores e professores.
Por esse motivo, a ONA pode tornar-se uma verdadeira plataforma de profissionalização do sector musical. A criação de bolsas de estudo, academias, programas de iniciação musical, estágios e parcerias com instituições nacionais e estrangeiras ajudaria a consolidar carreiras que ainda encontram poucas oportunidades profissionais no país.
O projecto poderá também desempenhar um papel decisivo na formação de públicos. Concertos pedagógicos nas escolas, apresentações nas províncias, programas para crianças e famílias e transmissões através da televisão, rádio e plataformas digitais permitiriam retirar a música sinfónica dos espaços exclusivamente institucionais e colocá-la ao alcance da população.
O facto de o regime jurídico determinar que a ONA pode actuar em qualquer parte do território nacional é especialmente relevante. A sua verdadeira vocação nacional dependerá da capacidade de realizar concertos para além de Luanda, identificar talentos nas diferentes províncias e colaborar com escolas, igrejas, grupos corais, bandas e projectos musicais locais.
Uma responsabilidade para o futuro
A criação da Orquestra Nacional é uma conquista cultural, mas representa igualmente uma grande responsabilidade. Uma orquestra não se constrói apenas com uma apresentação solene ou com a aquisição de instrumentos. Exige financiamento regular, direcção artística competente, instalações apropriadas, programas de formação permanentes e critérios transparentes de recrutamento e gestão.
Será também importante tornar públicos o plano de actividades, o modelo de financiamento, a programação anual e a estratégia de implantação territorial. A continuidade do projecto dependerá da sua capacidade de se afirmar como uma instituição nacional aberta, profissional e independente dos ciclos políticos.
Ao institucionalizar a ONA, Angola reconhece que a música não é apenas entretenimento: é educação, memória, conhecimento, disciplina, criação e representação nacional.
Num país jovem, diverso e com uma tradição musical de enorme vitalidade, a Orquestra Nacional pode transformar-se num espaço onde diferentes gerações, províncias e sensibilidades culturais aprendem a escutar-se mutuamente. Tal como numa orquestra, cada voz mantém a sua identidade, mas contribui para uma obra comum.
A grande expectativa é que este projecto seja capaz de colocar a riqueza musical angolana no centro do seu repertório e de mostrar, dentro e fora do país, que Angola também pode contar a sua História através da força universal da música.
Orquestra Nacional de Angola durante uma apresentação em Luanda. Fotografia cedida pela Orquestra Nacional de Angola.
A Cultura nos cinquenta anos da República
Este projecto ganha também particular significado por decorrer sob a tutela do ministro da Cultura, Filipe Silvino de Pina Zau, académico, escritor, músico e investigador com uma longa ligação à educação e à reflexão sobre a identidade cultural angolana.
Filipe Zau, que é igualmente autor publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, tem defendido uma compreensão da cultura que ultrapassa o entretenimento e coloca-a no centro da educação, da construção da cidadania e do desenvolvimento nacional. A consolidação da Orquestra Nacional de Angola poderá, assim, representar uma das expressões mais relevantes dessa visão: formar jovens, preservar a memória musical do país e projectar a criação angolana no mundo.
Angolan physician, pathologist, researcher and author Professor Carlos Mariano Manuel is participating in the international imPACT Review Mission taking place in Namibia from 8 to 13 June 2026.
The mission brings together international specialists and Namibian health authorities to conduct a comprehensive assessment of the country’s capacity to prevent, diagnose and treat cancer, as well as to provide appropriate follow-up and palliative care to patients.
Professor Carlos Mariano Manuel is contributing to the mission through his extensive medical and scientific experience, particularly in the field of pathology, which plays a decisive role in the accurate diagnosis and classification of cancer. His participation represents an important recognition of Angolan expertise within a multidisciplinary international initiative dedicated to strengthening public health systems and improving cancer care.
The imPACT Review — the integrated mission of the Programme of Action for Cancer Therapy — is coordinated by the International Atomic Energy Agency, in collaboration with the World Health Organization and the International Agency for Research on Cancer. It is designed to evaluate a country’s existing cancer-control services, identify institutional and technical gaps, and propose priority interventions suited to its public-health needs and available resources.
During the mission in Namibia, international experts are expected to hold consultations with government representatives, healthcare professionals, hospital administrators, academic institutions and other stakeholders involved in cancer prevention and care. The programme also includes the assessment of health facilities and services related to cancer registration, screening, pathology, medical imaging, surgery, chemotherapy, radiotherapy, nuclear medicine and palliative care.
The conclusions of the review will contribute to a detailed analysis of Namibia’s strengths, challenges and opportunities in cancer control. Its recommendations may support the development or reinforcement of national strategies, specialised training, investment priorities, access to diagnostic and therapeutic technologies, and cooperation with international partners.
Alongside his distinguished career in medicine and pathology, Professor Carlos Mariano Manuel is the author of Treatise on the History of Angola, an ambitious work that reflects his broad intellectual engagement with the political, social and cultural formation of Angola. His presence in Namibia therefore highlights the remarkable profile of a scholar whose work bridges medical science, historical research and African knowledge production.
The participation of Professor Carlos Mariano Manuel in this international mission also strengthens the visibility of Angolan specialists in major African and global cooperation networks. It demonstrates the valuable contribution that Angolan scientific knowledge and professional experience can make to the development of sustainable responses to the growing burden of cancer across the African continent.
Taking place from 8 to 13 June 2026, the imPACT Review Mission represents an important step in Namibia’s efforts to strengthen cancer prevention, early detection, diagnosis, treatment and patient care. Professor Carlos Mariano Manuel’s involvement gives this international initiative a significant Angolan presence and reinforces the importance of scientific cooperation between African countries.
The mission also includes the participation of Angolan physician Nilton Caetano da Rosa, grandson of the distinguished Angolan intellectual and author Mafrano. He represents the Angolan Institute for Cancer Control, where he serves as Director of Education and Training.
Highlighting the importance of his contribution, Professor Carlos Mariano Manuel stated: “I have witnessed the highly valuable contribution that Nilton Caetano da Rosa is making to the mission in the field of oncological surgery, further strengthening the international prestige of Angolan medicine.”
The participation of both specialists underlines the quality of Angola’s medical expertise and reinforces the country’s contribution to international cooperation in cancer prevention, diagnosis and treatment.
O Jornal de Angola publicou hoje, 7 de junho, no suplemento Fim-de-Semana, um amplo texto de Luísa Fresta dedicado ao livro Matéria Negra, de João Fernando André, conhecido nos movimentos literários angolanos como Kalunga.
Sob o título «Kalunga transforma a palavra em contemplação e resistência», a autora apresenta o mais recente livro do poeta angolano como uma obra que alia intensidade, musicalidade, consciência social e reflexão sobre a condição humana.
Luísa Fresta sublinha que, em Matéria Negra, o verso transforma-se num espaço de contemplação e resistência, onde convivem a memória, a dor, a esperança, a espiritualidade e a inquietação perante os grandes desafios do presente.
A análise destaca igualmente a riqueza da linguagem de Kalunga, marcada pelo uso de imagens, símbolos, ritmos e referências culturais diversas. A língua portuguesa surge enriquecida por sonoridades, expressões e memórias angolanas, numa escrita que procura abrir novos caminhos de leitura e interpretação.
Ao longo do artigo, a poesia de Kalunga é apresentada como uma voz atenta às desigualdades, à fragilidade da vida, à liberdade, ao amor, à identidade e à necessidade de reconstrução humana. Luísa Fresta considera que o poeta transforma experiências individuais e colectivas numa linguagem de forte dimensão estética e social.
A publicação acontece precisamente no dia em que Kalunga apresenta Matéria Negra na Feira do Livro de Lisboa. O encontro está marcado para hoje, às 20h00, no Auditório Norte, constituindo uma oportunidade especial para conhecer o autor, ouvir a sua poesia e participar numa conversa sobre uma das mais recentes propostas da literatura angolana contemporânea.
Para o editor da Perfil Criativo | AUTORES.clubJoão Fernando André é um representante da nova poesia de Angola e um verdadeiro embaixador cultural.
Depois da apresentação, Kalunga estará disponível para uma sessão de autógrafos, às 21h00.
7 de junho de 2026, às 20h00 Auditório Norte — Feira do Livro de Lisboa Sessão de autógrafos às 21h00
A Perfil Criativo | AUTORES.club manifesta profundo pesar pelo falecimento de Dom Zacarias Kamwenho, arcebispo emérito do Lubango, ocorrido em Luanda, no dia 29 de Maio de 2026, aos 91 anos de idade.
Com Dom Zacarias desaparece uma das figuras maiores da Igreja Católica em Angola, um pastor profundamente ligado à defesa da paz, da reconciliação nacional, da justiça social e da dignidade do povo angolano. A sua vida atravessou alguns dos períodos mais decisivos da história contemporânea de Angola, desde o tempo colonial, passando pela independência, pela longa guerra civil e pelos difíceis caminhos da paz.
Nascido no Huambo, no município do Bailundo, em 1934, Dom Zacarias foi ordenado sacerdote em 1961. Em 1974 recebeu a ordenação episcopal, tendo servido a Igreja como bispo auxiliar de Luanda, primeiro bispo do Sumbe e, mais tarde, arcebispo do Lubango. O seu percurso ficou marcado por uma rara autoridade moral, reconhecida dentro e fora de Angola, nomeadamente através da atribuição do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, em 2001, pelo seu papel persistente na defesa da paz, da democracia e dos direitos humanos.
Recordar as sábias palavras de Dom Zacarias Kamwenho, arcebispo emérito do Lubango, em Luanda, Abril de 2022: “Agostinho Neto foi e é poeta maior, Mafrano foi e é antropólogo maior. Na sua obra, que a partir deste primeiro volume que hoje apresentamos, o leitor verá como lhe caem os mistérios e preconceitos, os civilizados e os superiores descobrem, querendo ou não, a força dos fracos, a inteligência dos ignorantes, a civilização dos incivilizados, a superioridade dos inferiores, e vice-versa, e cada um dirá, afinal, são como nós.“
Para a Perfil Criativo | AUTORES.club, Dom Zacarias Kamwenho foi também uma presença amiga, próxima e decisiva na valorização da obra de Maurício Francisco Caetano — Mafrano, autor da colectânea Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias. A obra póstuma “Os Bantu na Visão de Mafrano“, da autoria do etnólogo angolano Maurício Francisco Caetano (“Mafrano”), foi distinguida com o Prémio Nacional de Cultura e Artes de Angola em Novembro de 2024. O galardão foi atribuído pelo Ministério da Cultura na modalidade de Investigação em Ciências Humanas e Sociais.
Foi Dom Zacarias quem assinou o prefácio do primeiro volume desta obra maior da antropologia cultural angolana, publicada a título póstumo pela família de Mafrano e pela Perfil Criativo | AUTORES.club. Nesse texto, escreveu como “mais-velho” que trabalhou com Mafrano, manifestando a sua alegria pela publicação do primeiro volume e dos volumes seguintes, saudando a família do autor pela iniciativa de devolver ao público uma memória que parecia perdida. Recorrendo ao Evangelho de São Lucas, comparou esse reencontro com a alegria de quem encontra a moeda perdida e chama os amigos e vizinhos para partilhar a descoberta.
No seu prefácio, Dom Zacarias apresentou uma leitura profundamente humana, espiritual e intelectual de Maurício Francisco Caetano. Viu em Mafrano não apenas um escritor ou etnólogo, mas um pensador atento à cultura, à fé, à missão, à dignidade dos povos africanos e à complexidade das sociedades Bantu. A sua leitura ajudou a reconhecer Mafrano como uma figura maior do pensamento angolano, chegando a considerá-lo um verdadeiro “Antropólogo Maior”.
A ligação entre Dom Zacarias e Mafrano não foi apenas literária. Foi também uma relação de memória, de geração, de Igreja, de cultura e de amizade. Em Abril de 2022, no Lubango, Dom Zacarias testemunhou o anúncio oficial do primeiro volume de Os Bantu na Visão de Mafrano, perante os alunos do Seminário de Filosofia do Lubango. Semanas depois, a 14 de Maio de 2022, deslocou-se a Luanda para a apresentação da mesma obra na Universidade Católica de Angola, ajudando a inscrever Mafrano no lugar que lhe pertence na história intelectual de Angola.
Em Novembro de 2024, quando celebrava cinquenta anos de episcopado, Dom Zacarias enviou à família de Maurício Francisco Caetano uma mensagem de rara ternura, afirmando que o seu jubileu era também de Mafrano, pois ambos tinham vivido, em comunhão de tempo e de memória, esses cinquenta anos de episcopado. Essa frase ficará como uma das mais belas sínteses da amizade espiritual e intelectual que uniu estas duas figuras.
Mesmo nos seus últimos anos, Dom Zacarias continuou a acompanhar com atenção e alegria o percurso da colectânea Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias. Em Junho de 2025, recebeu em Luanda um dos primeiros exemplares do terceiro e último volume da obra, mostrando grande satisfação pela conclusão deste projecto editorial que devolveu ao país mais de mil páginas de reflexão sobre a cultura Bantu, a espiritualidade, a história social e a memória angolana.
A Perfil Criativo | AUTORES.club recorda Dom Zacarias Kamwenho com gratidão, respeito e comoção. A sua palavra, o seu testemunho e a sua presença ajudaram a iluminar a importância da obra de Mafrano e a afirmar a necessidade de Angola preservar, estudar e valorizar os seus grandes pensadores.
Neste momento de luto, endereçamos à Igreja Católica em Angola, à Arquidiocese do Lubango, à Diocese do Sumbe, à Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, à família de Dom Zacarias e de Mafrano e a todos os que nele reconheceram um pastor da paz e da reconciliação, as nossas mais sentidas condolências.
Dom Zacarias Kamwenho parte deste mundo deixando uma herança de fé, coragem, cultura e humanidade. Para nós, ficará também como o prefaciador atento, o amigo generoso e o mais-velho que soube reconhecer em Mafrano uma das grandes vozes da memória profunda de Angola.
Perfil Criativo | AUTORES.club Lisboa / Luanda, Maio de 2026
Dom Zacarias Kamwenho nas palavras de José Soares Caetano
Dom Zacarias Kamwenho foi o autor do Prefácio da colectânea póstuma “Os Bantu na visão de Mafrano – Quase Memórias”. Para ele, Mafrano era “O Antropólogo Maior de Angola”. Durante a visita do Papa Leão XIV an Angola, o Arcebispo Emérito do Lubango tudo fez para que os três volumes da colectânea de Mafrano fossem oferecidos ao Sumo Pontífice. O acto esteve previsto para se realizar numa manhã de Domingo, dia 19 de Abril, em Luanda. Só não se concretizou porque Infelizmente, a essa hora, o membro da Fanilia de Mafrano chamado para o efeito (de imprevisto), encontrava-se no novo Aeroporto do Bom Jesus!
In an article by Luís Guita, published on the international platform Blindspot, the book Nuvem Negra, by Michel, published by Perfil Criativo | AUTORES.club, is brought to wider international attention. The work revisits one of the most painful and silenced chapters in Angola’s recent history: the events of 27 May 1977, inviting readers to reflect on memory, justice and the wounds that continue to mark Angolan society.
Reunião de Condomínio constrói-se sobre o caos hilariante de uma assembleia de vizinhos, utilizando o ambiente de um espetáculo de cabaret.
A história centra-se numa tumultuosa reunião dos condóminos do edifício ao lado do teatro, que devido a uma inundação da garagem, invadem, em acordo com o diretor do teatro, a sala onde decorrerá o cabaret. A assembleia, que deveria ser simples e breve, transforma-se num verdadeiro campo de batalha devido aos egos inflacionados e aos interesses pessoais dos moradores.
O ambiente é de cabaret, uma vez que, supostamente, iniciará um show logo a seguir à reunião: as personagens são caricaturas que muito possivelmente nos farão lembrar algum vizinho, e a ação alterna entre discussões acesas e números performativos inesperados, onde a linha entre a vida real dos condóminos e o palco do cabaret se confunde.
Aviso importante: tenham muito cuidado com os vossos vizinhos…
Ficha técnica
ATORES
Bruno Quaresma
Carmen Loureiro Rosa
Filomena Caxias
Raquel Guiomar
Rute Coelho
Sofia Paredes
Salvador Ferreira
TEXTO
Criação coletiva
ENCENAÇÃO
Lina Paula Pinto
DESENHO DE LUZ
Sebastião Lapa
DATAS DE REPRESENTAÇÃO
29 e 30 de maio – 21h15
LOCAL
Auditório José Melchior dos Reis – Auditório do Grupo Dramático Ramiro José
Morreu no dia 18 de fevereiro de 2026, em Geel (Bélgica), aos 80 anos, Godelieve Meersschaert, conhecida por todos como Lieve, activista belga radicada em Portugal há mais de quatro décadas e uma das figuras centrais da organização comunitária na Cova da Moura, na Amadora.
Formada em Psicologia na Universidade de Louvain, Lieve chegou a Portugal em 1978, inspirada pelas correntes da educação popular e pelas ideias de Paulo Freire. A partir de 1982 fixou-se na Cova da Moura, onde viria a ser uma das fundadoras da Associação Cultural Moinho da Juventude, criada em 1987, estrutura que se tornou referência no trabalho comunitário, na promoção da educação, da cultura e na defesa dos direitos das populações migrantes.
O seu percurso foi retratado pelo jornal britânico The Prisma, na reportagem “A migrant activist for 42 years in a migrant bairro” (29 de setembro de 2025), que sublinha a sua trajectória enquanto mulher migrante que fez da Cova da Moura o centro de uma vida dedicada à cidadania activa, à solidariedade e à construção de pontes entre comunidades.
Ao longo dos anos, Lieve conciliou o trabalho comunitário com funções técnicas na administração pública portuguesa, mantendo sempre uma ligação profunda às causas sociais, em particular à defesa das mulheres trabalhadoras migrantes e das empregadas domésticas.
Colaboração editorial e obra publicada
A editora Perfil Criativo | AUTORES.club colaborou na publicação dos projectos editoriais de Lieve Meersschaert em Portugal e na Bélgica, contribuindo para preservar e divulgar o seu pensamento e a sua experiência de intervenção social. Entre essas obras destaca-se a mais recente publicação: “Empregadas Domésticas e Mulheres-a-dias em Portugal – Anotações de Lieve Meersschaert”, um trabalho que reúne reflexões, registos e análises sobre décadas de contacto directo com mulheres trabalhadoras, muitas delas migrantes, frequentemente invisibilizadas nas estatísticas e no debate público. A obra constitui um importante testemunho histórico e social sobre precariedade laboral, organização colectiva e dignidade no trabalho.
Reconhecimento e legado
O trabalho de Lieve foi reconhecido publicamente ao longo da sua vida, incluindo distinções oficiais em Portugal pelo seu contributo cívico e social. Contudo, o seu legado maior permanece no quotidiano da Cova da Moura e nas gerações de jovens, mulheres e famílias que encontraram no Moinho da Juventude um espaço de formação, apoio e afirmação.
Com a sua morte desaparece uma das vozes mais persistentes da solidariedade migrante em Portugal. Fica, porém, uma obra feita de comunidade, educação e luta por direitos, e também um registo escrito que assegura a continuidade da sua memória e do seu pensamento.
Nota da Redacção
Pedimos desculpa por apenas agora conseguirmos publicar esta notícia. A memória e o legado de Lieve Meersschaert mereciam um registo atempado e cuidado, que hoje deixamos como singela homenagem à sua vida e ao seu compromisso com a dignidade humana.