Elsa Major leva «Faro e Enigmas» ao programa Janela Aberta antes do lançamento em Luanda

Elsa Major leva «Faro e Enigmas» ao programa Janela Aberta antes do lançamento em Luanda

A poeta angolana Elsa Major foi convidada do programa Janela Aberta, da Televisão Pública de Angola (TPA), onde apresentou o seu percurso literário e anunciou o lançamento oficial, em Luanda, do livro «Faro e Enigmas», publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club.

A obra será lançada hoje, 29 de Julho, às 16h30, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, num encontro dedicado à poesia, à palavra, à dramatização e à música. Esta será a primeira apresentação do livro em Angola, depois do lançamento realizado em Portugal, que contou com o apoio da Embaixada da República de Angola em Portugal.

Durante a conversa no Janela Aberta, Elsa Major recordou que começou a escrever ainda na adolescência e falou das quatro obras que integram o seu percurso como autora. Para além dos livros publicados, participa regularmente em antologias de autores de diferentes países de língua portuguesa, experiência que considera essencial para manter o diálogo e o intercâmbio entre as várias geografias da lusofonia.

A poeta abordou também a sua ligação à família, à educação e à transmissão do gosto pela leitura às novas gerações. A neta Ainara, uma das suas fontes de inspiração, dá nome a uma colecção de contos infanto-juvenis ilustrados que a autora está a preparar.

Outro dos momentos marcantes da entrevista foi a declamação de um poema dedicado à sua terra natal. Elsa Major destacou Moçâmedes, o mar e o deserto como elementos permanentes da sua criação literária, afirmando que são paisagens inseparáveis da sua memória, da sua sensibilidade e da sua escrita.

A autora pronunciou-se igualmente sobre o actual panorama literário angolano, que considera dinâmico e enriquecido pela participação de uma nova geração de escritores. Contudo, chamou a atenção para os elevados custos de edição e para as dificuldades que muitos autores e artistas enfrentam para publicar e divulgar os seus trabalhos. Na sua perspectiva, são necessárias políticas capazes de apoiar a criação e de levar os valores culturais angolanos para além das fronteiras do país.

No final da entrevista, Elsa Major ofereceu um exemplar de «Faro e Enigmas» ao programa e escolheu «Força Estranha», na voz de Gal Costa, como uma das músicas marcantes da sua vida — uma escolha associada à força, ao amor e à energia que também atravessam a sua poesia.

O público terá hoje a oportunidade de conhecer essa «força estranha» da palavra poética no lançamento oficial de «Faro e Enigmas», às 16h30, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda.

Kalunga defende a literatura como espaço de resistência num mundo líquido

Kalunga defende a literatura como espaço de resistência num mundo líquido

Em entrevista ao programa «Entre Linhas», da Rádio UNIA, o escritor e crítico literário João Fernando André, conhecido no meio literário como Kalunga, reflectiu sobre cosmopolitismo, modernidade líquida, crítica literária e os desafios da promoção do livro e da leitura em Angola. A conversa destacou ainda a sua mais recente obra poética, Matéria Negra, publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club.

Partindo do pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman e do conceito de «modernidade líquida», João Fernando André analisou as profundas transformações provocadas pela globalização, pelas tecnologias digitais e pelo crescente individualismo. Para o autor, estas mudanças estão a alterar valores, identidades e relações sociais, fornecendo simultaneamente novos temas e problemas à criação literária.

Kalunga considerou que a literatura continua a ser uma das artes que melhor interpreta as sociedades, não apenas porque proporciona prazer estético, mas também porque recria criticamente os fenómenos sociais. Num tempo marcado pela pós-verdade, alertou para a substituição da análise crítica por opiniões construídas sobretudo a partir das emoções.

Ao abordar o cosmopolitismo, o escritor defendeu que o universal não deve significar o desaparecimento das culturas nacionais. Pelo contrário, a verdadeira dimensão universal resulta da soma dos valores locais. As literaturas nacionais permitem compreender as realidades particulares, mas também revelam questões comuns à humanidade, como o amor, a segurança, a fraternidade, a ganância, a desigualdade e a procura de sentido.

Segundo João Fernando André, a literatura angolana mantém, desde cedo, um diálogo com o mundo sem abandonar as suas raízes históricas, culturais e linguísticas. Recordou autores que souberam relacionar as experiências locais com problemas universais e destacou a capacidade da criação literária angolana para interpretar a história, as relações de poder e as transformações da sociedade.

Uma outra imagem de África

A residir há cerca de cinco anos em Portugal, onde desenvolve trabalho académico e de investigação, Kalunga afirmou que uma das suas preocupações é divulgar internacionalmente os valores e as potencialidades de Angola e do continente africano.

Na sua perspectiva, África continua frequentemente a ser apresentada no Ocidente como uma realidade única e homogénea, associada quase exclusivamente à violência, ao medo e à desesperança. O escritor contrapôs a essa representação a diversidade cultural do continente, a juventude da sua população, a criatividade, a resiliência, a solidariedade e o respeito pelas pessoas mais velhas.

O investigador salientou igualmente as possibilidades abertas pelo chamado «cibercontinente». As plataformas digitais permitem que escritores, académicos e críticos angolanos publiquem os seus trabalhos, participem em revistas internacionais e estabeleçam um diálogo mais rápido com investigadores de outras geografias. No entanto, a velocidade da informação também favorece opiniões instantâneas e pouco fundamentadas, colocando novos desafios ao exercício rigoroso da crítica literária.

Angola precisa de devolver o livro às escolas

Um dos pontos centrais da entrevista foi a necessidade de formar novos leitores. Kalunga manifestou preocupação com a redução progressiva das tiragens dos livros em Angola, lembrando que, no período posterior à Independência, algumas edições atingiam milhares de exemplares, enquanto actualmente muitas publicações se limitam a algumas centenas ou mesmo dezenas.

Para inverter esta tendência, defendeu a aplicação efectiva de uma política nacional do livro, a criação de um fundo de apoio à edição e a reposição do livro no centro da vida escolar. Alertou também que muitas infra-estruturas apresentadas como escolas são, na prática, apenas conjuntos de salas de aula, sem bibliotecas, espaços desportivos ou outras condições indispensáveis à formação integral dos estudantes.

Entre as medidas sugeridas, apontou a possibilidade de criação de um cartão que permitisse aos estudantes adquirir livros com uma redução significativa do preço, sendo a diferença suportada pelo Estado, pelas universidades ou por outras instituições.

O escritor reconheceu que Angola possui crítica literária, instituições universitárias, cursos de Letras e Humanidades, leitores e um dos sistemas literários mais antigos do espaço africano de língua portuguesa. Considerou, contudo, indispensável profissionalizar e valorizar o trabalho dos críticos, criando condições para que a actividade intelectual seja exercida com maior estabilidade.

Matéria Negra: do local para o universal

Durante a entrevista, João Fernando André falou também de Matéria Negra, a sua quarta obra individual, recentemente apresentada em Luanda e publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club.

O livro reúne poemas que relacionam valores locais e universais, reflectindo a experiência cosmopolita e o percurso do autor entre Angola e Portugal. Entre os temas presentes encontram-se as crises familiares, a condição ontológica do ser humano, a relação com o macrocosmo e a natureza, as questões ecológicas e o desmatamento.

Kalunga reafirmou, neste contexto, o poder transformador da poesia. Para o autor, o texto poético permite dizer muito através de poucas palavras, exige uma participação activa do leitor e abre sucessivas possibilidades de interpretação. É precisamente essa capacidade crítica que faz da poesia uma forma de resistência perante o totalitarismo, o mercado e a sociedade de consumo.

Além de Matéria Negra, o escritor anunciou que prepara uma nova obra de ensaios e a futura publicação da sua tese de doutoramento. A entrevista no «Entre Linhas» confirmou, assim, uma trajectória que cruza criação poética, investigação académica e intervenção cultural, colocando a literatura no centro do debate sobre Angola e o mundo contemporâneo.

Matéria Negra
Matéria Negra
Evangelho Bantu
Evangelho Bantu

Progresso Sambizanga: 50 anos de História revisita o legado de Vadiago

Progresso Sambizanga: 50 anos de História revisita o legado de Vadiago

Grande reportagem do Jornal dos Desportos destaca o papel de Francisco Van-Dúnem e reaviva o interesse pelo futebol popular no Sambizanga

As páginas 16 e 17 da edição de 21 de Novembro de 2025 do Jornal dos Desportos assinalam de forma memorável as Bodas de Ouro do Progresso Associação Sambizanga, numa investigação aprofundada assinada por Betumeleano Ferrão. A evocação histórica do clube coloca em lugar de destaque o autor e investigador Francisco Van-Dúnem “Vadiago”, cuja obra Futebol Popular no Sambizanga (1974–1976) se afirma como referência indispensável para compreender o fenómeno desportivo e comunitário do bairro.

O Torneio Independência e a génese de um clube mítico

Na retrospectiva publicada pelo Jornal dos Desportos, revive-se o ambiente pós-25 de Abril, marcado pela instabilidade política e pela criatividade social dos jovens do Sambizanga. Foi neste contexto que o “Torneio Independência” nasceu no campo do Bukavu, impulsionado por um grupo de adolescentes entre os quais se destacava Vadiago, figura central na dinamização do futebol popular do bairro.

O torneio, recordado por protagonistas como José Jorge “Kota Nené”, tornou-se o embrião do Progresso, fundado após a célebre goleada do Santos do Sambizanga à JMPLA FC, episódio que levou João Baptista “Kiferro” a idealizar a criação de uma equipa capaz de representar o bairro com orgulho e competitividade.

Vadiago desmonta mitos e recupera a verdade histórica

No trabalho de Ferrão, Vadiago surge como uma voz determinante para repor a verdade histórica sobre a fundação do clube. O autor esclarece que equipas como JUBA, Juventistas ou VASAS não tiveram qualquer intervenção na origem do Progresso, por já não existirem em 1975, contrariando narrativas repetidas durante décadas.

Com a autoridade de quem viveu os acontecimentos e os investigou profundamente, o escritor reafirma que a verdadeira matriz do Progresso está no movimento comunitário e na iniciativa juvenil desencadeada no Torneio Independência, episódio detalhado na sua obra Futebol Popular no Sambizanga.

Memória, trauma e resistência

A reportagem recupera ainda momentos decisivos como o impacto dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, que marcaram profundamente o clube e os seus atletas. Salviano Magalhães, Praia e outras figuras relatam a atmosfera de perseguição política, um período que, segundo Vadiago, deixou marcas irreparáveis na reputação do Progresso.

Esses testemunhos reforçam a importância de obras de memória como a de Vadiago, que contextualizam factos, recolhem vozes esquecidas e devolvem dignidade às histórias do bairro.

Da glória à instabilidade: o Progresso como espelho do país

A análise de Betumeleano Ferrão percorre também fases de ascensão e declínio, recordando jogadores emblemáticos como Vidal, Zico, Janguelito, Valódia ou Mantorras, e denunciando os ciclos de má gestão que contribuíram para o “efeito elevador” do clube nas últimas décadas.

O texto evidencia que, apesar das crises, o Progresso continua a ser um símbolo identitário do Sambizanga, e que o seu passado não pode ser compreendido sem a investigação séria e apaixonada de autores como Vadiago.

Jornal dos Desportos: uma plataforma de memória e investigação

Nesta edição, o Jornal dos Desportos reforça o seu papel enquanto principal órgão desportivo angolano, combinando actualidade com preservação da memória e aprofundamento histórico. A grande reportagem de Ferrão é exemplo dessa linha editorial que valoriza o desporto como elemento cultural e social.

Um convite à leitura da história viva do Sambizanga

A dimensão humana e histórica revelada nesta investigação conduz inevitavelmente à obra Futebol Popular no Sambizanga.
O trabalho de Francisco Van-Dúnem “Vadiago” emerge como complemento obrigatório para leitores, investigadores e amantes da história do futebol angolano.
Num momento em que o Progresso celebra 50 anos, compreender as suas origens e desafios passa, necessariamente, por conhecer o trabalho deste autor, cuja escrita preserva a memória viva do bairro e do seu desporto popular.

Domingo Literário de Victor Hugo Mendes entrevista investigador Domingos Cúnua Alberto

Domingo Literário de Victor Hugo Mendes entrevista investigador Domingos Cúnua Alberto

O programa literário ganha destaque com o lançamento do primeiro livro do investigador angolano Domingos Cúnua Alberto e uma conversa aprofundada sobre o reconhecimento da República Popular de Angola

No mais recente episódio do Domingo Literário, apresentado pelo mediático Victor Hugo Mendes, o convidado foi Domingos Cúnua Alberto, cujo primeiro livro, editado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, será lançado esta semana.

Durante a conversa, o investigador angolano abordou os acontecimentos históricos que inspiraram a obra, centrada nos 300 dias de impasse entre a proclamação da independência de Angola, a 11 de novembro de 1975, e o reconhecimento do governo da República Popular de Angola por Portugal.

Victor Hugo Mendes, conhecido pelo seu compromisso com a difusão literária e cultural, lança Domingo Literário como plataforma de entrevistas, resenhas e incentivos à leitura, um espaço que “fala, promove livros e incentiva os seguidores a ganhar o hábito pela leitura”.

O "Reconhecimento do Governo Angolano pelo Estado Português (1976) As Visões Político-Partidárias do PS, PPD/PSD e PCP
O “Reconhecimento do Governo Angolano pelo Estado Português (1976) As Visões Político-Partidárias do PS, PPD/PSD e PCP

“Personalidade Lusófona do Ano 2023” em grande entrevista na Rádio Ecclesia

“Personalidade Lusófona do Ano 2023” em grande entrevista na Rádio Ecclesia

Rádio Ecclesia de Angola recebeu, no passado dia 22 de Junho, o professor catedrático Carlos Mariano Manuel para uma grande entrevista a propósito do Prémio Personalidade Lusófona do Ano 2023, que lhe foi atribuído pelo Movimento Internacional Lusófono. A entrevista foi realizada pelo conhecido jornalista Anastácio Sassembele, responsável do programa radiofónico de maior audiência na Ecclesia. O jornalista informou a audiência e o entrevistado que diariamente e desde há um ano quando se realizou a primeira entrevista suscitada pelo lançamento da obra na Fortaleza de São Miguel, actual Museu da História Militar, em Luanda. Surpreendentemente muitos luandenses têm acorrido à Rádio Ecclesia procurando adquirir o Tratado da História de Angola. A entrevista debruçou-se também sobre questões relacionadas com as prementes questões sociais, políticas e económicas na República de Angola. No fim, o jornalista, os técnicos e muitos radio-ouvintes manifestaram-se muito regozijados pelo elevado nível do conteúdo da entrevista, ao ponto da mesma ter sido difundida duas vezes e vai continuar a ser apresentada  oportunamente.

Pode ler a notícia publicada no jornal O Apostolado: https://jornalapostoladoangola.org/angola-precisa-dos-seus-quadros-para-desenvolver-a-saude-publica-apela-carlos-mariano-manuel-professor-catedratico/

Intelectuais angolanos procuram adquirir com bastante interesse e cada vez em maior número o Tratado da História de Angola. Nas fotografias, o entrevistado ao lado do Dr. Fernando Pedro Gomes, conhecido político da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), analista politico na comunicação social angolana, estudou ciências políticas e trabalhou durante muitos anos em Portugal onde esteve exilado entre 1976-1992.

Filipe Mukenga: “sou um músico autodidata”

Filipe Mukenga: “sou um músico autodidata”

“Muito jovem, despertou para a música ao som dos cânticos da Igreja Metodista. Cresceu com o rock, da década de 60. Descobriu os ritmos e as melodias da música tradicional e apaixonou-se. Explorou a música popular angolana, o jazz. Juntou todas as influências e criou alguns dos mais expressivos temas da música nacional das últimas décadas. Aos 72 anos, continua à procura de novos desafios.”
A jornalista Susana Gonçalves, da revista Austral, desafiou o compositor, durante o lançamento do disco “Canto Terceiro da Sereia: O Encanto” na Universidade Independente de Angola, “a recordar momentos de vida e companheiros de percurso, exercício que resultou numa sucessão de ternas
memórias e revelações que ajudam a contar a sua história.”

Uma grande entrevista na revista “Austral” nº 152 de Agosto-Setembro de 2022.

3ª edição do livro/disco “Marítimos” (2022) que incluí disco “Canto Terceiro da Sereia: O Encanto” está disponível para entrega.

Marcolino Moco na LAC

Marcolino Moco na LAC

Entrevista a 13 de Maio de 2019 na rádio Luanda Antena Comercial. Uma entrevista no programa Táxi Amarelo com Marcolino Moco, Alberto Santos e o editor João Ricardo Rodrigues.