Dança, música, canto e boa disposição marcaram a apresentação de «AKOMBE», pela Companhia de Artes Kupolo Njila, no renovado Nacional Cine-Teatro, em Luanda. Fomos ver e gostámos: um reencontro com a alegria num palco que guarda uma parte importante da memória cultural da cidade. Foi pena a sala não estar cheia
O Nacional voltou a receber artistas e público, e com eles regressaram a música, a dança e as gargalhadas. No dia 10 de Outubro, a Companhia de Artes Kupolo Njila apresentou «AKOMBE», integrado no programa de reabertura deste espaço histórico, conhecido por muitos luandenses pela sua ligação à Associação Cultural Chá de Caxinde.
Foi uma noite de celebração, com a energia dos artistas a dar vida ao palco e a proporcionar momentos de alegria e boa disposição. Entre dança, música e canto, o espectáculo recordou como as artes podem criar uma ligação imediata entre quem se apresenta e quem assiste. A nossa impressão foi clara: gostámos e queremos voltar.
Esta apresentação aconteceu dois dias depois da reabertura oficial do Nacional, realizada a 8 de Outubro de 2026, após obras de reabilitação e modernização. A intervenção melhorou as condições de conforto, segurança e funcionamento do edifício, preservando as características Art Déco que fazem parte da sua identidade.
Um palco com quase um século de história
Inaugurado em 1 de Janeiro de 1932, o Nacional Cine-Teatro atravessou diferentes épocas da vida de Luanda e tornou-se uma referência para o cinema e as artes de palco. A sua importância foi oficialmente reconhecida em 27 de Setembro de 1994, quando foi classificado como Património Histórico-Cultural. No ano seguinte, a Associação Chá de Caxinde assumiu a gestão do espaço, contribuindo para a sua recuperação e dinamização. Entre dificuldades, encerramentos e regressos, o Nacional manteve um lugar especial na memória cultural angolana.
Chá de Caxinde: unir pela cultura
A história da Associação Cultural Chá de Caxinde começou em 28 de Janeiro de 1989, por iniciativa de um grupo de cidadãos. A proclamação formal aconteceu um ano depois, subscrita por uma centena de pessoas. Num país marcado pela guerra e pelas limitações à vida cultural, a associação nasceu para abrir espaço ao encontro, à criação e ao debate.
Sob o lema «Unir pela Cultura», associado a Pepetela, a Chá de Caxinde desenvolveu actividades ligadas à literatura, à edição de livros, à música, ao teatro e à reflexão pública. As noites da Banda Maravilha tornaram-se uma das suas marcas. A ligação ao Nacional, sede da associação desde 1995, ajudou a aproximar o nome Chá de Caxinde da própria identidade do edifício.
Kupolo Njila: as tradições ganham vida em palco
Também conhecida pelo trabalho desenvolvido como Bailados Kupolo Njila, a companhia tem apostado na valorização da identidade tradicional angolana. Entre as figuras centrais desse percurso encontra-se Felicidade Manuel Cassule, «Fely», apresentada numa entrevista de 2024 como directora-geral e coreógrafa do grupo.
Uma das suas criações, «Antropogéneses», cruza dança, música e teatro, apoiando-se na pesquisa de canções, rituais, indumentárias e costumes de diferentes regiões de Angola. Um trabalho que procura transmitir conhecimento através do espectáculo e aproximar o público da diversidade cultural do país.
Com «AKOMBE», esse encontro entre expressão artística e público ganhou lugar no regresso do Nacional. Para quem esteve presente, ficou a alegria de voltar a ver este palco vivo. Que venham mais espectáculos, mais encontros e mais motivos para regressar.
A newsletter 2025–2026 do African Studies Centre da Universidade de Oxford dedica uma página ao trabalho de Rui Verde, com referência e destaque visual à capa de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club. Uma presença que leva esta edição em língua portuguesa ao encontro de uma comunidade internacional dedicada ao estudo de África
A história recente de Angola encontra espaço na newsletter do African Studies Centre da Universidade de Oxford. Na página 17, Rui Verde apresenta um balanço da sua actividade de investigação e das suas publicações, aproximando dois universos que se complementam: a produção académica especializada e a divulgação do conhecimento junto de um público mais amplo.
É neste segundo domínio que o autor enquadra Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), publicada em Lisboa em Junho de 2026. No texto, apresenta a obra como uma síntese histórica acessível, destinada a um público alargado de língua portuguesa. A reprodução da capa, junto de uma fotografia de Rui Verde, reforça a visibilidade do livro nesta publicação.
Para a Perfil Criativo | AUTORES.club, esta presença constitui uma oportunidade de ampliar a divulgação de uma obra que convida a conhecer e a discutir o percurso político de Angola ao longo de cinquenta anos de independência. Dirigido a leitores que procuram uma introdução à história contemporânea do país, o livro aproxima o conhecimento histórico de estudantes, membros da diáspora e de todos os que desejam compreender melhor a realidade angolana.
Angola no centro da investigação de Rui Verde
O contributo de Rui Verde, integrado na secção dedicada aos investigadores associados, revela um trabalho que cruza história, política, relações internacionais e os desafios da fiscalização democrática.
O autor apresenta dois artigos científicos, desenvolvidos em co-autoria e com apoio da British Academy, destinados ao Journal of Contemporary African Studies. Os estudos analisam a influência das heranças coloniais na supervisão pública da vigilância digital na África Austral e comparam as respostas institucionais aos conflitos em torno da vigilância na África do Sul, em Angola e na República Democrática do Congo.
A estes trabalhos junta-se um capítulo publicado na obra colectiva Democratising Spy Watching, no qual Rui Verde examina o caso angolano dos «15+2». A análise explora as tensões entre legados autoritários e mecanismos de escrutínio público, interrogando os limites e as possibilidades de fiscalização em regimes híbridos.
Outro destaque é o livro Redefining the China–Angola Relationship: Privatization, Development, and Disenchantment, da Bloomsbury Academic. Segundo o resumo apresentado na newsletter, a obra reavalia duas décadas de envolvimento chinês em Angola: da cooperação em grandes infra-estruturas a uma relação mais complexa, marcada pela renegociação da dívida, pela diversificação de parcerias e por mudanças nos alinhamentos geopolíticos.
Ao lado desta produção especializada, Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025) surge como uma ponte para os leitores de língua portuguesa. Rui Verde sublinha ainda a dimensão colectiva da investigação, reconhecendo a importância das redes de colaboração, dos seminários, do acesso a fontes e do ambiente interdisciplinar de Oxford. O texto identifica também dificuldades decorrentes do Brexit e das limitações de financiamento, sobretudo em projectos que exigem trabalho de campo e cooperação internacional.
Uma newsletter que aproxima a investigação dos debates sobre África
Ao longo de 32 páginas, a newsletter apresenta um panorama da actividade do African Studies Centre no ano lectivo de 2025–2026, reunindo investigação, conferências, publicações, testemunhos de antigos alunos e projectos dos estudantes.
Entre os principais destaques encontra-se a conferência anual de Mahmood Mamdani, dedicada à descolonização e à experiência do Uganda pós-colonial. A publicação aborda também as relações entre produção de cacau, alterações climáticas e condições de trabalho na África Ocidental, o ensino da história e dos legados imperiais, a diplomacia africana e os debates sobre as transformações políticas e sociais do continente.
Particularmente próxima da missão de divulgação cultural e editorial da Perfil Criativo | AUTORES.club é a apresentação do Oxford Africa Forum, uma plataforma que procura tornar a investigação sobre África mais acessível. Através de textos breves e claros, a iniciativa pretende aproximar o trabalho académico de leitores, jornalistas, decisores e comunidades africanas, alargando a circulação do conhecimento para além das universidades.
A newsletter assinala igualmente os dez anos da Africa Oxford Initiative, dedicada à cooperação entre Oxford e instituições africanas, e dá conta de encontros e investigações que ligam diferentes regiões, disciplinas e gerações.
É neste contexto de diálogo internacional que surge o trabalho de Rui Verde e a referência à edição da Perfil Criativo | AUTORES.club: um convite a colocar a história de Angola ao alcance de mais leitores e a fazer do livro um ponto de partida para novas perguntas sobre o país.
O antigo ministro da Economia e Planeamento do Governo de João Lourenço é o convidado de um encontro promovido pela Perfil Criativo | AUTORES.club, com Xavier de Figueiredo e Rui Verde. Uma conversa sobre política, economia e governação, aberta às perguntas do público, que parte do livro Angola — Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023) para reflectir os caminhos do país
Que decisões podem transformar o potencial de Angola em melhores condições de vida? Que lições oferece a experiência de governação e que alternativas merecem ser debatidas? Estas são algumas das perguntas que dão o mote a «Angola: que escolhas para o futuro?», encontro com M. Neto Costa na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa.
A iniciativa propõe um formato próximo de um podcast ao vivo: o jornalista Xavier de Figueiredo e o jurista e analista político Rui Verde conduzem uma conversa com o autor, cruzando a sua experiência governativa com a reflexão crítica que tem desenvolvido no espaço público. Os participantes poderão colocar perguntas e trazer outras perspectivas para o debate.
No centro da conversa estará também o livro Angola — Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023). Antes de chegarem às páginas desta edição, os textos passaram pelo crivo dos leitores do Novo Jornal, em Angola. Reunidos em livro, ganham uma continuidade que permite revisitar argumentos, relacionar decisões e acompanhar três anos de reflexão sobre as políticas públicas e os seus efeitos na vida do país.
O encontro será, assim, uma oportunidade para descobrir o conteúdo da obra e interrogar o seu autor: retomar questões levantadas na imprensa, aprofundar ideias e discutir a sua pertinência para o futuro de Angola.
Ao reunir experiência política, análise e participação do público, a Perfil Criativo | AUTORES.club convida leitores, estudantes, investigadores, empresários e representantes institucionais a integrar uma conversa plural. Um espaço para ouvir posições diferentes, confrontar argumentos e pensar nas escolhas que o país tem pela frente.
15 de Outubro de 2026 · 18h30 Biblioteca Palácio Galveias · Lisboa Entrada livre
Venha ouvir. Traga as suas perguntas. Faça parte da conversa.
Durante o encontro, estarão também disponíveis livros sobre Angola com descontos especiais, numa oportunidade para descobrir autores e aprofundar leituras sobre a história, a cultura e os desafios do país.
A secção de História das lojas FNAC recebe duas obras da Perfil Criativo | AUTORES.club que convidam a conhecer Angola por diferentes caminhos: a surpreendente viagem que ligou o território angolano a Moçambique e os cinquenta anos de independência que moldaram o país contemporâneo
Entre os vários títulos que propõem uma «breve história», de Portugal à guerra, há agora espaço para descobrir o percurso da República de Angola. Uma oportunidade para alargar horizontes e conhecer melhor um país cuja proximidade linguística e cultural com Portugal nem sempre corresponde a um verdadeiro conhecimento da sua História.
Em Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), Rui Verde propõe uma leitura acessível e crítica de cinquenta anos decisivos. Da independência aos conflitos e às transformações políticas e económicas, o autor percorre o caminho da construção do Estado angolano e convida a reflectir sobre os desafios do presente. A obra abre espaço à discussão e ao confronto de perspectivas, oferecendo ao leitor uma base para compreender como se chegou à Angola de hoje.
É uma introdução particularmente relevante para a diáspora angolana, incluindo as gerações que cresceram fora do país, mas também para quem mantém relações profissionais, desenvolve negócios ou planeia viajar para Angola. Conhecer o seu percurso ajuda a compreender melhor a sociedade, a interpretar o presente e a estabelecer relações mais informadas.
Já A primeira travessia da África Austral, de José Bento Duarte, transporta o leitor para uma aventura histórica pouco conhecida. No centro da narrativa estão Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, dois pombeiros luso-angolanos, na condição de comandantes escravizados, que percorreram o caminho de Angola a Moçambique entre 1802 e 1811, regressando a Angola em 1814. Muito antes das célebres expedições europeias da segunda metade do século XIX, estes homens atravessaram extensos territórios, enfrentaram dificuldades e negociaram a passagem com poderes locais.
Ao reconstituir os antecedentes e o desenrolar desta surpreendente viagem, José Bento Duarte dá visibilidade aos protagonistas africanos e aos conhecimentos que tornaram possível a travessia. Uma leitura que combina aventura, investigação histórica e descoberta, revelando uma África Austral feita de povos, caminhos comerciais e relações políticas que importa conhecer.
Dois livros, duas portas de entrada para Angola. Com a chegada destas edições à secção de História da FNAC, os leitores portugueses ganham uma nova oportunidade de descobrir episódios de uma História menos conhecidos e de aprofundar a compreensão do país para além das notícias habituais.
Na próxima visita à FNAC, procure estes títulos da Perfil Criativo | AUTORES.club. A viagem pode começar numa estante, e continuar muito para além da última página.
Uma comunicação mais próxima com autores e leitores, encontros em Lisboa e Luanda e uma presença crescente nas livrarias marcam a nova etapa da editora
A editora Perfil Criativo | AUTORES.club deu início a uma profunda reestruturação da sua equipa, criando condições para melhorar a comunicação com os seus autores e leitores e reforçar a divulgação das obras que publica.
Este processo acompanha o desenvolvimento de um projecto editorial dedicado à divulgação de autores, à valorização da memória e à promoção do debate. O objectivo é aproximar cada vez mais os livros dos seus públicos, tanto através do contacto directo como de uma distribuição mais ampla.
Para o mês de Outubro, estão programados dois encontros especiais em Lisboa: na Biblioteca Palácio Galveias e no Palácio da Independência, lugar de memória dos conjurados de 1640 e sede da Sociedade Histórica da Independência de Portugal(SHIP). Em Luanda, está igualmente previsto um encontro na Universidade Católica de Angola. As iniciativas darão continuidade ao diálogo entre autores, leitores e instituições, abrindo espaço à apresentação de obras e à troca de ideias. Os programas e os detalhes de participação serão divulgados oportunamente.
Durante os próximos meses, a Perfil Criativo | AUTORES.club prevê colocar mais novidades editoriais nas estantes das lojas da FNAC, ampliando o acesso às suas publicações.
Em paralelo, a editora considera necessário reactivar uma rede de livrarias em várias capitais de distrito de Portugal, para que as suas edições cheguem a mais leitores e beneficiem da proximidade e do conhecimento de quem trabalha diariamente na divulgação do livro. Esta ligação poderá também abrir caminho à realização de apresentações, conversas com autores e outras iniciativas locais.
Fica, por isso, aberto o convite às livrarias interessadas em integrar esta rede para contactarem a equipa editorial da Perfil Criativo | AUTORES.club, através dos contactos disponíveis em www.AUTORES.club. Queremos construir novas parcerias e dar aos nossos livros mais lugares de encontro com os leitores.
26 de Setembro de 2026 — Aqui, em Londres, a capital do Reino Unido, a apresentação do volume três da colectânea de Mafrano, o “Antropólogo Maior de Angola, na opinião de Dom Zacarias Kamwenho, quase fez cumprir a frase biblica segundo a qual o “melhor vinho foi servido já no fim da festa, com o primeiro milagre de Jesus Cristo!”. Tudo isto aconteceu, de facto, quando leitores ansiosos questionaram a família para saber quando seria publicada a versão inglesa desta colectânea. “Esse trabalho já está a ser feito e é irreversível”, anunciou Anete Caetano, neta de Mafrano, ao encerrar a cerimónia. Já na sessão de assinatura de autógrafos, e com os livros completamente esgotados, uma das presentes, na imagem acima, não conteve a emoção e disse: “Sou casada, mas hoje vou confessar ao meu marido que me apaixonei por outro homem e pela sua trajectória histórica: MAFRANO!” – , e apontou o dedo para a “Capa!” do livro do antropólogo maior de Angola, hoje Prémio Nacional de Cultura e Artes 2024, na modalidade de investigação em Ciências Humanas e Sociais. Momento alto neste 26 de Setembro foi a subida ao palco de uma forte comitiva da Associação das Mulheres de São Tomé e Príncipe que, de surpresa, exibiu danças tradicionais animadas pela bandeira do seu país, numa singela homenagem a Mafrano. “Maurício Francisco Caetano, “Mafrano” (1916-1982), teve como tutor o sacerdote são-tomense José Pereira da Costa Frotta que o recolheu órfão aos 5 anos de idade e acompanhou toda a sua formação até a idade adulta”, conforme referiu também Luisíndia Caetano, igualmente neta do autor. A Embaixada de Angola no Reino Unido fez-se representar neste evento por uma delegação encabeçada por Emanuel Nteca, Primeiro Secretário dessa Missão Diplomática. A apresentação da obra esteve a cargo de Agostinho Mané Sadja, um Sociologo da Guiné-Bissau residente em Londres.
Momento alto neste 26 de Setembro foi a subida ao palco de uma forte comitiva da Associação das Mulheres de São Tomé e Príncipe que, de surpresa, exibiu danças tradicionais animadas pela bandeira do seu país, numa singela homenagem a Mafrano
Embaixador José Patrício recebeu em Londres família de Maurício Francisco Caetano, “Mafrano”
Londres, 25 de Setembro de 2026 — A família do escritor e etnólogo Maurício Caetano ofereceu nesta última quinta-feira, 24, dois dos exemplares da colectânea «Os Bantu na visão de Mafrano – Quase Memórias» ao embaixador de Angola no Reino Unido, José Patrício, justamente 48 horas antes da apresentação solene em Londres do terceiro e volume desta obra histórica.
Tendo sido contemporâneos no Bairro Popular, em Luanda, até 1972, o encontro entre José Patrício e José Soares Caetano, filho do autor desta colectânea póstuma, e ainda por coincidência ambos jornalistas da primeira geração pós-independência, decorreu num ambiente informal e extremamente cordial, com os dois os interlocutores a recordarem memórias da adolescência, do bairro e da profissão de jornalista desde 1975.
Vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2004 em Angola, o terceiro e último volume da colectânea de Mafrano será apresentado na manhã de sábado, 26, no «CENTRO DE CONFERÊNCIAS ADVENTURE PLAYGROUND», Avenida Willington, no sul de Londres, e espera-se reunir membros da comunidade angolana residente no Reino Unido, assim como representantes dos Estados Membros CPLP, PALOLP, países amigos, académicos, artistas e fazedores de opinião. Sendo Londres uma cidade cosmopolita, prevê-se igualmente a participação de pessoas provenientes de diversos países e de diferentes grupos culturais residentes no Reino Unido.
Na mesma ocasião, a família de Mafrano vai anunciar publicamente a publicação de uma nova versão em Língua Inglesa desta mesma obra, com uma estimativa de duzentas páginas, e cuja temática continuará a ter como foco a civilização bantu, questões Sociais e episódios vividos pelo autor entre os anos de 1947 e 1982, data do seu passamento físico.
Os dois primeiros volumes desta obra haviam sido já apresentados em Londres em Novembro de 2024, numa concorrida cerimónia que decorreu na «BIRKBECK UNIVERSITY». Até à data, a colectânea chegou a países como Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Alemanha e Portugal, assim como por vídeo conferencias a universidades das cidades de Curitiba e Rio de Janeiro, no Brasil. Dentre as conhecidas personalidades com acesso a esta obra destacam-se o Secretário Geral das Nações Unidas, Eng.º António Guterres, o ex-Chefe de Estado Português, Manuel Rebelo de Sousa, o responsável do Vaticano para o pelouro da cultura e educação, o cardeal do Vaticano Dom José Tolentino de Mendonça; Bispo Cardeal Emérito de Santiago, Cardeal Dom Arlindo Gomes Furtado, a família do falecido escritor e ex-diplomata cabo-verdiano Eugénio Inocêncio e o casal presidencial de São Tomé e Príncipe, Carlos e Fátima Vila Nova.
(FONTE: Texto elaborado pela Embaixada de Angola no Reino Unido e complementado pela Família de Mafrano)
Coincidências que fazem História
Em Setembro de 2026, o incrível aconteceu, aqui, no Reino Unido, juntando caprichosas coincidências que já se haviam cruzado e deixado, em 1972, em Angola! Será fácil adivinhar…?! Sim, mas vamos passo a passo, porque a emoção é forte! Coincidências, não só com José Patrício, o honorável Embaixador de Angola aqui em Londres, que foi vizinho da família no Bairro Popular, em Luanda, mas também com o Manuel Morais que voltou a ser, novamente “vizinho”, também nesta cidade capital do Reino Unido, depois de já o ter sido em Angola. De facto, o “Nelo” Morais que já havia sido vizinho porta à porta, da família Mafrano na Rua de Mavinga, do também Bairro Popular, em Luanda, até 1972, com direitos à foto histórica inserida na página 798, do Volume III da colectânea de Mafrano sobre os Bantu, vive muito perto da Bedford Road, em “Clapham North”, onde a família do Antropólogo Maior de Dom Zacarias Kamwenho estará hospedada até 28 de Setembro de 2026. “Zé, eu moro perto daí….”, gritou ele quando um membro da família lhe enviou o endereço da rua Bedford, em North Clapham, aqui em Londres. Que belas coincidências que a chama de Mafrano tem feito acontecer nesta trajectória histórica…
Visita inesperada ao stand da Perfil Criativo | AUTORES.club, na Festa do Livro de Belém, uniu simbolicamente duas gerações dedicadas a escrever e preservar a memória histórica angolana
Minutos antes do encerramento da Festa do Livro de Belém, no sábado, 19 de setembro de 2026, o stand da Perfil Criativo | AUTORES.club recebeu uma visita tão inesperada quanto simbólica: o bisneto de Francisco Castelbranco, autor de uma das primeiras sínteses históricas escritas por um intelectual angolano, publicada em Luanda em 1932.
O encontro estabeleceu uma ponte singular entre duas épocas da historiografia de Angola. De um lado, a memória de Francisco Castelbranco, membro da geração de intelectuais angolanos que, entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, procurou intervir na vida cultural e política através da imprensa e da escrita. Do outro, o monumental trabalho contemporâneo do Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, investigador que assumiu o ambicioso propósito de reconstruir a longa trajetória histórica do território e dos povos que formaram Angola.
Francisco Castelbranco: uma História de Angola escrita a partir de Luanda
Publicada por conta do próprio autor, em Luanda, no ano de 1932, a obra intitula-se integralmente História de Angola: desde o descobrimento até à implantação da República, 1492–1910. Com cerca de 300 páginas, acompanha mais de quatro séculos de acontecimentos, desde os primeiros contactos com os portugueses até à implantação da República em Portugal e às suas repercussões no território angolano.
Francisco Castelbranco pertenceu à pequena burguesia mestiça de Angola e esteve ligado ao movimento intelectual e jornalístico angolano do princípio do século XX. Foi colaborador de publicações e participou no ambiente cultural associado a títulos como Luz e Crença, Ensaios Literários e Voz de Angola clamando no deserto.
Embora não possuísse formação académica especializada em História, construiu uma narrativa mais fluida, descritiva e “africanizada” do que muitos trabalhos coloniais da mesma época. A sua obra representa, por isso, uma tentativa importante de contar a História de Angola a partir de Luanda e do olhar de um intelectual profundamente ligado à sociedade angolana.
Quase um século depois da publicação do livro do seu bisavô, o visitante encontrou no stand da www.AUTORES.club uma nova e vasta tentativa de interpretar o passado angolano.
Uma obra monumental atravessa gerações
O bisneto de Francisco Castelbranco levou consigo o segundo volume do tratado deHistória de Angola, de Carlos Mariano Manuel, intitulado Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação.
Com 606 páginas, o segundo volume percorre o século XIX e parte do século XX, analisando a abolição formal do tráfico de escravos, a persistência da resistência africana, a expansão colonial portuguesa, a Conferência de Berlim, o regime do indigenato, a formação da economia colonial, os caminhos de ferro e as viagens presidenciais portuguesas a Angola.
Um lugar central é reservado à Conferência de Berlim sobre África, realizada entre 15 de novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885. Carlos Mariano Manuel reconstitui as sessões, os interesses diplomáticos em confronto e as decisões que legitimaram a expansão europeia, apesar de os povos africanos não terem sido chamados a participar na redefinição política e territorial do continente.
A editora apresenta este volume como o trabalho mais exaustivo publicado em língua portuguesa sobre a Conferência de Berlim e as suas consequências em Angola. A obra não se limita a relatar o encontro diplomático: procura mostrar como as decisões tomadas na Europa alteraram profundamente a ocupação territorial, a administração colonial, a economia e a vida das populações africanas.
Índice do segundo volume
Prefácio II, por Onofre dos Santos
Capítulo XIII — A conjuntura internacional na transição para o século XIX e a abolição formal do tráfico de escravos
Acontecimentos históricos iniciados no continente americano e as suas repercussões globais;
legislação portuguesa abolicionista do tráfico de escravos;
extinção formal da condição de liberto;
criação do estatuto de pessoa livre e do regime de trabalho compelido.
Capítulo XIV — A ocupação portuguesa e a resistência africana no século XIX
A sedentarização esparsa e tardia dos portugueses no Sul de Angola;
a resistência das populações nativas observada através dos relatórios dos governadores-gerais;
a invicta região dos Dembos até à segunda década do século XX;
a administração colonial assente na guerra e na preparação militar;
a incorporação do Leste do atual território na antiga colónia de Angola.
Capítulo XV — A Conferência de Berlim sobre África
Organização e funcionamento da Conferência;
assuntos tratados nas reuniões preparatórias;
análise das sessões plenárias;
a proposta norte-americana, recusada, de abordagem do direito inalienável dos africanos a disporem dos seus territórios;
a diplomacia que conduziu à criação do Estado Livre do Congo;
encerramento formal da Conferência.
Capítulo XVI — Os efeitos da Conferência de Berlim em Angola
Contextualização geral das consequências da Conferência;
a política de “portas abertas”;
a possibilidade de Angola ter passado para a jurisdição colonial alemã;
o novo paradigma da colonização portuguesa;
comércio colonial e promoção do consumo de álcool;
conceção e aplicação do regime do indigenato;
Bilhete de Identidade e Estatuto de Assimilado como instrumentos de diferenciação social;
impostos da cubata, imposto indígena e taxa anual única como mecanismos de domínio sobre as populações.
Capítulo XVII — História económica de Angola: da pilhagem à valorização colonial
O projeto colonial da chamada “Nova Lusitânia”;
as épocas do zimbo, da makuta, do angolar, do real, do escudo e das moedas estrangeiras;
instituição da atividade bancária;
infraestruturas de transporte terrestre;
caminhos de ferro de Ambaca/Luanda, Moçâmedes e Benguela;
consequências da independência do Congo para o projetado caminho de ferro do Norte de Angola;
circulação rodoviária e abertura das primeiras estradas;
empreendedorismo e talento profissional dos indígenas;
crise económica entre as décadas de 1920 e 1940;
primeiro e segundo Planos de Fomento;
planos económicos intercalar, terceiro e quarto;
contradição entre o crescimento económico colonial e a degradação social da maioria da população africana.
Capítulo XVIII — Do orgulho imperial ao canto do cisne
As três viagens de soberania de chefes de Estado portugueses a Angola;
evolução demográfica, económica, social e política do território;
geografia histórica da cidade de Luanda;
Tratados de Simulambuco e do Soio;
insalubridade de Luanda e presença de condenados degredados;
visita do Presidente António Óscar de Fragoso Carmona;
visita do Presidente Francisco Higino Craveiro Lopes;
última expressão do império colonial durante a visita do Presidente Américo Tomás.
Uma investigação reconhecida dentro e fora de Angola
Médico, professor catedrático, investigador e historiador, Carlos Mariano Manuel, também conhecido pelo nome Uina yo Nkuau Mbuta, tem desenvolvido uma obra de grande amplitude documental sobre a formação histórica de Angola.
O seu trabalho foi distinguido com o Diploma de Mérito atribuído pelo Ministério da Cultura de Angola por ocasião do Dia da Cultura Nacional, em 2022. Em 2023, recebeu o Prémio MIL — Personalidade Lusófona, atribuído no âmbito do Encontro do Observatório SEDES da CPLP. Em 2025, o tratado foi distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Ciências Humanas e Sociais, uma das mais importantes distinções culturais angolanas.
A obra passou também a integrar coleções de instituições académicas internacionais, incluindo as universidades norte-americanas da Califórnia e de Princeton, além de universidades, bibliotecas e instituições públicas angolanas.
Quando um livro prolonga a memória de uma família
A visita do bisneto de Francisco Castelbranco, quando faltavam apenas alguns minutos para o encerramento, transformou-se num dos momentos mais significativos da participação da Perfil Criativo | AUTORES.club na Festa do Livro de Belém.
Ao escolher o segundo volume do tratado de Carlos Mariano Manuel, o descendente de um dos pioneiros da escrita histórica angolana levou mais do que um livro: levou consigo a continuidade de uma interrogação iniciada pelo seu bisavô há quase cem anos, como contar Angola, compreender o seu passado e devolver aos angolanos o conhecimento da sua própria história?
A resposta de Carlos Mariano Manuel ergue-se em milhares de páginas, documentos, testemunhos e interpretações. É uma obra majestosa pela dimensão, mas sobretudo pela coragem intelectual do seu propósito. Não oferece uma leitura breve nem simplificada: convida o leitor a entrar na longa duração da História, a questionar versões consagradas e a observar Angola para além dos limites impostos pela narrativa colonial.
Entre o livro publicado por Francisco Castelbranco em 1932 e o tratado contemporâneo de Carlos Mariano Manuel existe quase um século de distância. No stand da AUTORES.club, em Belém, essa distância desapareceu por alguns instantes. Restaram dois livros, duas gerações e a mesma vontade de preservar, estudar e transmitir a História de Angola.
Oscar da Mata levou à Biblioteca Palácio Galveias um debate aberto sobre liberdade económica, intervenção do Estado e criação de riqueza em Angola
Fotografias: Ricardo Leote — NOS RAIZ
A apresentação oficial em Portugal do livro Mitos Económicos de Angola — Ensaio sobre Liberdade e Criação de Riqueza, do economista e professor universitário angolano Oscar da Mata, realizou-se no dia 3 de setembro de 2026, na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa, perante uma sala completamente esgotada várias horas antes do início do encontro.
A forte adesão do público confirmou o interesse despertado por uma obra que questiona algumas das ideias mais persistentes do debate económico angolano e que propõe uma reflexão exigente sobre a liberdade de empreender, o funcionamento dos mercados, a intervenção do Estado e as condições necessárias para transformar os recursos de Angola em riqueza, desenvolvimento e bem-estar para a população.
Entre académicos, economistas, autores, leitores e membros da comunidade angolana, estiveram também presentes várias personalidades ligadas à história política e institucional de Angola, entre as quais o Dr. Onofre dos Santos e o Professor Doutor Marcolino Moco.
O encontro, promovido pela Perfil Criativo | AUTORES.club, contou com quatro intervenções principais: a abertura do editor João Ricardo; uma mensagem gravada do Prof. Doutor Manuel Alves da Rocha, enviada a partir de Luanda; a apresentação crítica do Prof. Doutor Fernando Jorge Cardoso; e, por fim, a intervenção do autor, Oscar da Mata. Como é habitual nos encontros organizados pela editora, a sessão terminou com um pequeno debate com o público.
Um livro publicado para provocar reflexão e debate
Na abertura, o editor da Perfil Criativo | AUTORES.club agradeceu à equipa da Biblioteca Palácio Galveias e à cidade de Lisboa a possibilidade de realizar mais um encontro entre autores, leitores, académicos e cidadãos. Foram igualmente dirigidos agradecimentos ao Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, ao Prof. Doutor Manuel Alves da Rocha, ao Prof. Doutor Jesús Huerta de Soto, autor do prefácio, e ao Prof. Doutor Fernando Jorge Cardoso, responsável pela apresentação da obra.
Ao apresentar Oscar da Mata, o editor destacou o seu percurso como economista, gestor e professor universitário, com experiência nos sectores da banca, do investimento e da consultoria estratégica, bem como a sua atividade docente na Universidade Católica de Angola.
João Ricardo sublinhou que Mitos Económicos de Angolanão pretende encerrar uma discussão nem impor uma interpretação única sobre a economia angolana. Pelo contrário, a publicação procura criar condições para que diferentes ideias possam circular, ser confrontadas e debatidas publicamente.
“Não esperamos que todos concordem com o autor. Esperamos, isso sim, que o leiam, que o questionem e que debatam as suas ideias”, afirmou.
A intervenção do editor enquadrou a obra no compromisso assumido pela Perfil Criativo | AUTORES.club de democratizar o acesso ao conhecimento e de publicar trabalhos científicos e de ensaio capazes de analisar Angola com liberdade, identificar problemas e apresentar novos caminhos para o desenvolvimento.
Angola, recordou, possui um território vasto, importantes recursos naturais, uma população jovem, conhecimento acumulado e uma extraordinária energia humana. A questão decisiva é compreender de que modo todo esse potencial pode ser convertido em desenvolvimento humano, prosperidade e oportunidades efetivas para os cidadãos.
É neste espaço de interrogação que a nova obra de Oscar da Mata procura intervir: questionando certezas, contrariando ideias instaladas e abrindo caminho à discussão de alternativas.
Manuel Alves da Rocha:uma obra para uma universidade de pensamento livre
A segunda intervenção chegou de Luanda, através de uma mensagem gravada pelo Professor Doutor Manuel Alves da Rocha, economista, investigador e antigo colega de Oscar da Mata na Universidade Católica de Angola.
Manuel Alves da Rocha começou por reconhecer o carácter abrangente e potencialmente polémico da obra, sobretudo porque o autor coloca em confronto diferentes conceções sobre o funcionamento da economia, o papel do Estado, a liberdade económica, o investimento privado, a formação dos preços e a capacidade do mercado para orientar decisões.
O académico considerou que o livro realiza uma análise dos principais equívocos associados aos modelos económicos que atribuem ao Estado uma posição dominante na dinamização do circuito económico. Ao transportar essa discussão para a realidade angolana, a obra ganha particular relevância devido à permanência de práticas e referências herdadas do período da economia centralizada.
“O livro é excelente”, declarou Manuel Alves da Rocha, descrevendo a leitura como “uma viagem muito interessante pelos mitos da economia”.
Apesar de reconhecer que praticamente já ninguém defenderá em Angola um modelo integralmente centralizado no Estado, Alves da Rocha advertiu que a realidade do país continua a exigir uma discussão cuidadosa sobre os limites e as responsabilidades da intervenção pública. Angola permanece, nas suas palavras, uma “economia por fazer”, com grandes necessidades ao nível das infraestruturas, da educação e da saúde.
A sua mensagem não procurou, por isso, reduzir a questão a uma oposição simples entre Estado e mercado. Chamou antes a atenção para a necessidade de estudar qual o modelo económico mais adequado às condições concretas do país.
No final, deixou um desafio aos docentes e investigadores das áreas da macroeconomia, da política monetária e da política financeira: que encontrem na obra novos elementos para prosseguir o debate académico e para afirmar a Universidade Católica de Angola como uma instituição de pensamento livre.
Fernando Jorge Cardoso: “O livro é deliberadamente polémico e defende uma tese”
Seguiu-se a intervenção do Professor Doutor Fernando Jorge Cardoso, professor catedrático da Universidade Autónoma de Lisboa e diretor executivo do Clube de Lisboa, que começou por recordar a relação académica que mantém com Oscar da Mata desde os finais do século passado: primeiro, na condição de professor e estudante; agora, como apresentador e autor.
Fernando Jorge Cardoso definiu desde logo a natureza da obra: “Mitos Económicos de Angola não é um tratado académico de economia.” Trata-se, como indica o subtítulo, de um ensaio sobre liberdade e criação de riqueza.
“O livro é deliberadamente polémico e defende uma tese”, acrescentou.
Na sua leitura, o autor parte da convicção de que determinadas ideias, profundamente enraizadas na sociedade angolana e repetidas ao longo de décadas, adquiriram o estatuto de verdades aparentemente evidentes. Entre elas encontram-se explicações sobre a inflação, os efeitos dos controlos administrativos de preços, os subsídios, a criação de emprego público, as margens de lucro, o planeamento centralizado, a tributação e a própria relação entre socialismo, pobreza e proteção social.
Fernando Jorge Cardoso identificou três méritos fundamentais na obra. O primeiro é a clareza do argumento em defesa da liberdade económica e contra o excesso de intervenção administrativa do Estado. O segundo é a atenção dada aos incentivos, lembrando que cidadãos, empresas, funcionários públicos e investidores adaptam os seus comportamentos às condições criadas pelas políticas económicas. O terceiro é a insistência numa ideia essencial: a riqueza precisa de ser criada antes de poder ser distribuída.
Nas economias muito dependentes dos recursos naturais, observou, existe o risco de confundir a apropriação de rendimentos provenientes desses recursos com a verdadeira criação de riqueza. Receber receitas da exportação de petróleo não equivale a construir uma economia capaz de produzir bens e serviços de forma sustentável, inovar, aumentar a produtividade, criar empresas e elevar os rendimentos das famílias.
O apresentador aproximou algumas das ideias do livro do pensamento de Friedrich Hayek e de Milton Friedman. Destacou, em particular, a importância atribuída ao sistema de preços como mecanismo de transmissão de informação e a crítica às decisões administrativas que podem distorcer os sinais recebidos pelos produtores, consumidores e investidores.
“O preço não é apenas aquilo que se paga por uma mercadoria, é também informação”, afirmou.
Fernando Jorge Cardoso introduziu, contudo, importantes elementos de problematização. Recordou que os mercados necessitam de instituições sólidas, regras previsíveis e uma governação capaz de garantir a concorrência. “A concorrência não nasce espontaneamente da privatização. Mercados eficientes pressupõem governação eficiente”, salientou.
Defendeu ainda que um monopólio público pode ser privatizado e continuar a funcionar como monopólio, sintetizando a questão numa formulação particularmente expressiva: “O oposto de mercado é monopólio, não é Estado.”
A partir das experiências de desenvolvimento da Coreia do Sul, de Taiwan, de Singapura e da China, Fernando Jorge Cardoso colocou uma das questões centrais da sua intervenção: talvez o problema não seja apenas determinar se uma economia necessita de mais ou de menos Estado, mas perceber que tipo de Estado existe, qual é a sua capacidade de atuação, a quem serve e perante quem responde.
A análise avançou depois para a ligação entre economia, instituições e poder político. A liberdade económica, argumentou, só pode ser exercida plenamente quando existem condições institucionais que garantam que as mesmas regras se aplicam a todos, e não apenas aos agentes que dispõem de acesso privilegiado ao poder.
Neste contexto, abordou também a ética, a corrupção, o clientelismo e a competição pelo acesso às rendas públicas. Quando a proximidade do poder oferece maiores vantagens do que a inovação, o investimento produtivo ou o risco empresarial, os agentes económicos respondem racionalmente a esse sistema de incentivos. A competição pela criação de riqueza pode, então, ser substituída pela competição pelo acesso a contratos, licenças, créditos, concessões e privatizações.
Fernando Jorge Cardoso concluiu que o livro deve ser entendido “menos [como] um ponto de chegada do que um excelente ponto de partida”. O seu mérito está em incomodar, questionar ideias instaladas e deixar o leitor com vontade de prosseguir a discussão.
Oscar da Mata: transformar recursos em bem-estar
Na intervenção final, Oscar da Mata agradeceu a presença do público e reconheceu o contributo de Fernando Jorge Cardoso, recordando a relação de muitos anos que os une.
O autor explicou que a decisão de escrever o livro nasceu de um “imperativo de consciência”. Ao longo de sucessivas gerações, afirmou, muitos angolanos foram confrontados com a distância entre as expectativas criadas em torno de um país com enormes possibilidades e os resultados efetivamente alcançados.
A obra foi sendo construída a partir de notas acumuladas durante anos, da experiência profissional do autor no sector financeiro e da observação direta da economia angolana. Oscar da Mata esclareceu também que procurou escrever numa linguagem acessível, apoiada em exemplos concretos e dirigida a um público mais vasto.
“Eu não escrevi para economistas”, afirmou, explicando que o seu objetivo foi tornar a reflexão compreensível e intuitiva, sem abandonar o rigor do raciocínio económico.
Acima de tudo, acrescentou, “o que me moveu foi tentar estabelecer um ponto de discussão, uma visão diferente sobre o país, e tentar que essa discussão fosse aberta”.
O autor reconheceu que o livro foi concebido para provocar, retirar os leitores de uma certa zona de conforto e suscitar discordâncias, mas insistiu que essa provocação deve conduzir a um debate construtivo.
Oscar da Mata rejeitou uma leitura simplista da sua posição: “Eu não tenho nenhum dogma contra o Estado.” A questão central da obra não é definir, de forma abstrata, todos os sectores pelos quais o Estado deve ou não ser responsável. O problema é compreender o paradoxo de um país dotado de tantos recursos que continua a revelar dificuldades em convertê-los em riqueza e bem-estar para a população.
Para que os recursos naturais possam adquirir verdadeiro valor económico e social, explicou, é necessário que existam condições para investir, arriscar capital, empreender, produzir, criar empregos e transformar esses recursos em bens úteis à sociedade. Sem segurança jurídica, regras claras, proteção dos contratos, estabilidade monetária e condições favoráveis ao investimento produtivo, a riqueza pode permanecer no subsolo sem produzir desenvolvimento.
O autor afirmou que o referencial da economia angolana continuou fortemente centrado no Estado, mesmo depois do abandono formal do planeamento central. Na sua leitura, a abertura ao mercado não foi acompanhada por uma transferência efetiva de protagonismo para a sociedade civil e para a iniciativa empresarial independente.
A forte gravitação da economia em torno do Orçamento Geral do Estado, os processos de licenciamento, a imprevisibilidade das regras e as dificuldades na proteção dos contratos foram apontados como obstáculos à atração de investimento estruturado e de longo prazo.
Oscar da Mata deu especial atenção à moeda e aos problemas monetários. A instabilidade cambial, observou, obriga muitos empresários a desviarem tempo e recursos da produção, da gestão e da criação de emprego para a proteção financeira do capital acumulado. Sem previsibilidade monetária, torna-se muito mais difícil planear investimentos e construir uma economia orientada para o futuro.
A formação dos preços surgiu igualmente como um elemento central. Para o autor, os preços transportam conhecimento e permitem que produtores e consumidores avaliem custos, escassez, procura e oportunidades. A sua manipulação administrativa pode esconder problemas e produzir decisões económicas desajustadas.
Na parte final, Oscar da Mata defendeu que os chamados mitos económicos persistem porque podem ser convenientes e porque, muitas vezes, a racionalidade política se sobrepõe ao diagnóstico económico. Sem um diagnóstico correto, advertiu, as políticas públicas dificilmente encontrarão soluções adequadas.
O autor terminou deixando claro que a obra não foi escrita apenas para interpretar o caminho percorrido por Angola desde a independência. “Eu não escrevi este livro para interpretar 50 anos de história”, declarou, projetando a reflexão para as decisões que irão marcar as próximas décadas do país.
O debate continuou com o público
Depois das quatro intervenções, a sessão abriu-se à participação da assistência. Mais do que procurar respostas definitivas, o encontro confirmou o objetivo central da obra: criar um espaço livre para confrontar ideias, rever diagnósticos e discutir o futuro económico de Angola.
Com a lotação esgotada muito antes da abertura das portas, a apresentação de Mitos Económicos de Angola transformou a Sala Polivalente da Biblioteca Palácio Galveias num lugar de reflexão intensa sobre um dos maiores desafios do país: como construir uma economia mais produtiva, mais livre, institucionalmente mais sólida e capaz de colocar a criação de riqueza ao serviço do desenvolvimento humano.
O escritor, poeta e académico João Fernando André, conhecido literariamente como Kalunga, foi o convidado da “Grande Entrevista” da Rádio Mais. Numa conversa dedicada à literatura, à educação e à sociedade angolana, o autor de Matéria Negra apresentou um diagnóstico frontal sobre os principais desafios culturais do país.
Ao longo da entrevista, o Prof. Doutor João Fernando André destacou a força histórica da literatura angolana, que considera uma das mais robustas do espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. No entanto, advertiu que Angola começa a perder terreno para países como Moçambique, devido à ausência de uma verdadeira indústria cultural, à fragilidade do mercado editorial e à falta de políticas consistentes de apoio ao livro, à leitura, aos escritores e aos editores.
Kalunga chamou igualmente a atenção para o elevado preço do livro, a inexistência de uma indústria nacional de papel e celulose e as dificuldades enfrentadas pelos editores no acesso ao crédito. Para o escritor, Angola precisa de criar condições estruturais que permitam transformar a sua tradição literária numa indústria cultural sólida, capaz de ampliar a produção, a circulação e o acesso ao livro.
Um dos momentos mais marcantes da conversa surgiu quando afirmou: «Eu não acho que se esteja a ler pouco; acho que se esteja a ler mal.» O problema, explicou, não reside apenas na quantidade de informação consumida, mas sobretudo na qualidade das leituras e na relação cada vez mais frágil entre os cidadãos, o livro e o pensamento crítico. Nesse sentido, defendeu a presença de bibliotecas nas escolas, a inclusão da grande literatura angolana nos manuais de Língua Portuguesa e a implementação efetiva de uma política nacional do livro e da leitura.
O escritor foi também contundente ao abordar as insuficiências do sistema educativo: «Temos de deixar de inaugurar salas de aula. Temos de começar a inaugurar escolas.» Para João Fernando André, uma verdadeira escola não pode limitar-se às salas de aula: deve possuir bibliotecas, espaços desportivos, condições sanitárias adequadas e recursos que favoreçam uma aprendizagem completa e despertem, desde cedo, o gosto pela leitura.
A entrevista avança ainda para uma reflexão mais profunda sobre aquilo que Kalunga identifica como uma crise ontológica na sociedade angolana: uma progressiva valorização do “ter” em detrimento do “ser”, visível na perda de referências, na corrupção, no plágio e no enfraquecimento dos valores cívicos e morais. A inversão desse processo, sustenta o poeta, exige mais educação, instituições sólidas, uma comunicação social responsável e espaços de debate capazes de devolver centralidade ao conhecimento, à memória e à cultura.
Autor de Matéria Negra, obra publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club, Kalunga reafirma nesta entrevista a dimensão crítica e interventiva do seu pensamento.
Vale a pena escutar o áudio da “Grande Entrevista” da Rádio Mais e acompanhar, na voz do próprio autor, esta importante reflexão sobre literatura, sociedade, educação e o futuro cultural de Angola.
Novo ensaio da Perfil Criativo | AUTORES.club questiona ideias profundamente enraizadas no debate económico e defende que, antes de distribuir riqueza, é necessário criá-la
A Perfil Criativo | AUTORES.club anuncia a publicação de Mitos Económicos de Angola — Ensaio sobre Liberdade e Criação de Riqueza, da autoria do economista e professor universitário Oscar da Mata. Com prefácio do Professor Jesús Huerta de Soto, a obra analisa e desconstrói dezoito ideias amplamente difundidas no debate económico angolano, procurando demonstrar como determinadas soluções apresentadas como inevitáveis podem, na realidade, prolongar os problemas que pretendem resolver.
«Antes de distribuir riqueza, é preciso criá-la» é a ideia fundamental que percorre este ensaio. Partindo do contraste entre racionalidade económica e racionalidade política, Oscar da Mata questiona políticas orientadas para resultados imediatos que, embora possam produzir vantagens no curto prazo, acabam por comprometer a estabilidade monetária, enfraquecer as instituições, limitar a iniciativa individual e dificultar a criação sustentável de prosperidade.
Ao longo de cinco grandes áreas: mercado monetário; mercado e preços; trabalho e produtividade; intervenção estatal generalizada; instituições e liberdade económica. O autor examina com determinação temas centrais para o presente e o futuro da República de Angola. Entre eles encontram-se a inflação, as taxas de juro, os bancos públicos, o crédito barato, o endividamento do Estado, o controlo de preços, os subsídios, os salários, o emprego público, as margens de lucro, o planeamento central, a tributação, o socialismo, a qualidade das instituições e a acumulação de capital.
O livro procura desmontar afirmações que se tornaram recorrentes, como a ideia de que a inflação resulta apenas da falta de produção local, de que os bancos públicos são indispensáveis ao desenvolvimento, de que o controlo de preços protege necessariamente os consumidores, de que sem subsídios não pode existir progresso económico ou de que a criação de mais empregos no sector público resolve o desemprego.
Para Oscar da Mata, muitos dos bloqueios da economia angolana não resultam da escassez de recursos naturais, mas de escolhas institucionais e de concepções económicas que favoreceram o dirigismo, a dependência do Estado e a substituição da iniciativa individual por mecanismos centralizados. A obra sustenta que a abundância de recursos, por si só, não garante prosperidade e que o desenvolvimento depende sobretudo da qualidade das instituições, da estabilidade das regras, da poupança, do investimento produtivo, do mérito e da liberdade para empreender.
O ensaio dedica também especial atenção à pressão demográfica e à necessidade de Angola criar oportunidades para uma população jovem e em rápido crescimento. Neste contexto, o autor considera insuficiente multiplicar programas públicos, subsídios ou mecanismos administrativos sem enfrentar problemas estruturais como a baixa produtividade, a fragilidade da moeda, a burocracia, a deficiente formação do capital humano e a limitada capacidade de criação de emprego produtivo.
No prefácio, Jesús Huerta de Soto considera que o livro representa um contributo inovador para a recuperação da racionalidade económica no contexto africano. O prefaciador destaca a combinação entre rigor intelectual e vocação pedagógica, sublinhando que a obra ultrapassa o caso angolano e participa num debate mais amplo sobre o futuro do pensamento económico em África. Para o Professor Huerta de Soto, «a liberdade económica não é apenas um ideal ético; é uma condição funcional para qualquer sociedade que deseje gerar riqueza de forma sustentável».
Economista e professor universitário, Oscar da Mata possui experiência executiva na banca e na consultoria financeira. O seu percurso tem sido marcado pelo estudo da moeda, das instituições e da relação entre os sistemas políticos e a organização da vida económica. Influenciado pela tradição do liberalismo clássico e por abordagens que valorizam a coordenação descentralizada dos mercados e a estabilidade monetária, o autor articula teoria económica, história e análise institucional numa reflexão directamente relacionada com os desafios do desenvolvimento de Angola.
Com uma linguagem clara, firme e acessível, Mitos Económicos de Angola dirige-se não apenas a economistas e especialistas, mas também a estudantes, professores, empresários, decisores públicos, jornalistas e leitores interessados em compreender as causas profundas dos problemas económicos do país. Mais do que apresentar um diagnóstico, o livro pretende provocar um debate informado e incentivar uma mudança de mentalidade: deixar de procurar respostas em promessas fáceis e reconhecer o papel decisivo do indivíduo, do trabalho, da poupança, do investimento e das instituições na criação de riqueza.
A publicação conta com o apoio do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola.
Participação especial: Prof. Doutor Fernando Jorge Cardoso, Prof. Doutor Manuel Alves da Rocha e Prof. Doutor Jesús Huerta de Soto*
*Intervenção por videoconferência
O evento conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e das Bibliotecas de Lisboa.
Para uma melhor organização do evento, agradecemos que efectue a reserva dos lugares pretendidos para o lançamento oficial, em Portugal, do livro Mitos Económicos de Angola — Ensaio sobre Liberdade e Criação de Riqueza, de Oscar da Mata. RESERVAR LUGAR