Figueira da Foz esgota livros do “Sul”

Figueira da Foz esgota livros do “Sul”

24/02/2024 — Cinquenta anos após o 25 de Abril de 1974, o poeta António Manuel Monteiro Mendes apresentou o seu mais recente livro de poesia “Sul“, na Figueira da Foz. Terra que acolheu o autor como refugiado, em fuga à violência que escalou o processo de independência de Angola entre 1974 e 1975.

Álvaro Poeira é um pseudónimo de António Manuel Monteiro Mendes. O poeta nasceu no Mavoio, muito próximo de Maquela do Zombo e de Mbanza Kongo (São Salvador do Congo).

Na apresentação do livro “Sul” na Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho, estiveram na mesa de honra para além do autor e do editor da Perfil Criativo, os antigos colegas São Simão, José Veríssimo e Carlos Santos, director deste estabelecimento de ensino. Os antigos colegas do liceu encheram a sala e levaram praticamente todos os exemplares disponíveis.

Palavras do poeta no dia seguinte

Ontem.

No significado do que passou.

Do agradecimento que ficou.

Tantos amigos, tantos.

Ontem. Hoje.

Na amizade que perdurou.

No abraço que foi partilhado.

Tantos senhores, senhoras, meninos, meninas, tantos amores.

Amanhã.

A rotina regressa. A memória é uma seta.

Besta. Doença. Benção.

Todos são palavras de ontem.

Serão frases de amanhã.

Obrigado, muito obrigado aos meus amigos do recreio, pátio interior, corredor e salas de aulas.

Partilha de segredos de intenso valor.

Refúgio do amor.

Obrigado.

Sobraram dois. Dois livros.

Aquela geração é assim.

Um hino à amizade.

Figueira da Foz apresenta obra de poeta do Mavoio (Angola)

Figueira da Foz apresenta obra de poeta do Mavoio (Angola)

O autor, António Manuel Monteiro Mendes, e o editor da Perfil Criativo – Edições têm o gosto de convidar V. Ex.ª para a apresentação do livro “SUL“, de Álvaro Poeira, na Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho, no Sábado, 24 de Fevereiro de 2024, às 15h00.

O Outro Lado da Poesia

Nasci entre paredes cobertas no Miombo,

numa casa muito simples de cor branca, 

colocaram-me num cesto de verga em colchão 

almofadado, num país de Vales Verdes, 

Mandioca, Penhascos de Arenito, Imbondeiro, Múcua seu fruto inteiro.

*

Ali nascido, como diria mais tarde a poetisa, 

“de eu te dar sem tu dares(…)

morre o florir de mil pomares(…)

*

Cresci sem ver as Rosas de porcelana, 

fendas do Bimbe, o Morro Maluco 

só vi de longe nas viagens 

para Capunda-Cavilongo. 

Nunca aspirei a brisa molhada

das Quedas de Kalandula nem vi,

na copa das árvores 

o Macaco azul, nem as pedras 

em Pungoandongo.

*

Ali crescido, ainda não lido, como escreveu

outro poeta, “não me deixes perder o que me é,

acrescento eu, que por amor do outro lado, 

me foi dado”. 

*

Depois, numa madrugada ou manhã, 

de avião aterrei, num local onde meu pai e mãe

foram gerados, cada um em praias e rios, 

montes e montanhas separados…

*

Me abraçaram sem culpa nos seus olhos e, 

o poeta, de novo me deu alento, acenando-me que,

os meus pais o que queriam era um outro eu,  

o do outro lado da poesia, dito agora sem alarde

ao senhor, “que por eles, sim, 

vim decorar as águas dos seus rios com folhas 

deste Continente, agora, meu outono 

para sempre perturbado(…)

*

A Serra do Pingano, Rio Curoca, as halófitas,

Dunas brancas, Lírios d’agua da Lagoa 

dos Arcos, a Palanca Negra Gigante, Golungo 

e Boi-Cavalo, Zebra e Pacaças, que chegavam mortas,

atadas num jipe perto da minha casa, 

dividida a carne dos animais, por menos, 

por tantos outros mais. 

*

As Pedras Malachitas e Cupritos numa mina sita

na savana tropical molhada, a um sonho 

do Maiombe, longe das miragens do deserto, 

pedras semipreciosas ametistas outra vez mais 

a norte, miragens no asfalto a caminho 

do Porto pesqueiro do Pinda, 

mais a sul o Tômbwa.

*

Tudo isto é detalhe esculpido no meu rosto. 

*

Marcado a cinzel com bravura soube sempre. 

Uma escultura no Minho, Trás os Montes,

Beira Litoral, Baixa, vejo nos meus olhos

as velas na minha baía, errantes, sem ondas

de grande altura, morrendo breve, brevemente,

sem espuma, por acção do peito meu, que,

apesar da intensa espera, em quase nada

se pinta ou se altera.

*

Tenho a outra poesia numa escultura de ébano,

num coração retido no limiar de tanto rio,

nas margens da selva, e cresci assim, sem saber 

que um lá outra eira a do tio Joaquim,

me sentaria na beira descaroçando o milho.

*

A soberba dos projécteis disparados sem rigor 

mataram irmãos e meninos, mulheres

e homens para sempre cegos e feridos.

*

Cresci na leitura. 

No leito de uma cama nunca minha. 

Casas de berço foi só uma de vivência.

Corri o meu país de carro, comboio, barco

e avião e aí foi uma dezena, que, apesar

de pequeno me cedeu sementes de cultura.

*

Não me lembro de tudo, quase nada ficou,

apenas uma parte do nada de ti…

*

Nesse jogo, para lá da outra poesia, 

entre o mato, as picadas, mosquitos, animais 

de porte, lacraus e cobras verdes, fendas 

e massango, massambala, 

uma espécie de sorgo foi expulso. 

Numa tarde de vento quente quente 

imaginário, perto do fim da estação seca, 

fui escorraçado e na parte de trás 

de uma carrinha fiz uma última viagem 

como pendura.

Como refugiado.

*

Não sei como cresci…

*

Morri. 

Tenho a árvore da chuva que me dá água. 

*

O capim de sangue quase esgotado. 

Mas não, não posso dizer nada

sem o outro lado de um esgar, num poema,

ou um sufoco na garganta, uma convulsão

no peito, um som que não sai pela boca. Nada.

*

Escrevo a poesia, esta…de te amar,

vendo-te permanentemente sem te poder tocar.

ÁLVARO POEIRA

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Álvaro Poeira*

Todos os textos são da autoria de António Manuel Monteiro Mendes, bem como os seus pseudónimos.

Nasceu em 1959. Numa pequena povoação no norte de Angola. Mavoio. Junto ao rio Tetelo. Filho de pais sem posses, mãe doméstica e pai serralheiro mecânico, viajou com eles e sua irmã, por Angola. Pouco tempo foi.

Em 1974, foi expulso da sua terra Natal.

Não conheceu a casa nem a terra onde a sua mãe o deu à luz. Veio como refugiado para Portugal. Quebrado.

Em estilhaços que ainda hoje tenta colar.

Tem três filhas de dois casamentos.

Viveu em tantas casas que só algumas retêm a sua memória.

Escreve desde sempre. Este é um pequeno grito de outros milhares que redigiu. Sabe, tem consciência que outros contos, lendas, prosas poéticas e poemas barafustar sob um Embondeiro,aclamando na sua justiça, pela identidade do autor, que aqui teriam lugar.

Não dá… Um dia, todas letras voarão por lá…

*Alberto Poeira e Álvaro Poeira, são pseudónimos de António Manuel Monteiro Mendes

Homenagem a Manuel Fonseca

Homenagem a Manuel Fonseca

Na próxima semana estes pequenos livros, carregados de poesia irreverente, chegam a Luanda.

NOTA DO EDITOR: JOÃO RICARDO RODRIGUES

Depois de termos publicado, na colecção “Poesia no Bolso”, a geração mais recente de poetas de Angola, decidimos, no início de 2024, dar voz a “Frei Maneco”, um pseudónimo de Manuel Fonseca de Victória Pereira, um poeta de humor e sarcasmo virtuais, com intervenção crua nas redes sociais, ao estilo de “Literatura de Cordel” (ler o texto de introdução “Uma Poesia Distópica para Míopes”, de E. Bonavena, na página 10).

Manuel Fonseca de Victória Pereira nasceu em 1958, ao Sul de Angola, em Moçâmedes, na Província do Namibe. Estudou no Instituto Superior de Ciências e Educação de Angola, foi professor, formador de professores e ocupou o cargo de vice-presidente no sindicato de professores de Angola, SINPROF

Tem sido uma voz inconformada, com uma incisiva intervenção política, fruto do seu principal lema de vida: “Servir a sociedade e os seus ideais e mudar o que puder dentro das minhas possibilidades”.

Faz parte da tradição da família Victória Pereira a intervenção política e cultural. Na memória colectiva fica a intervenção musical “”, de Manuel Fonseca no concerto “Liberdade JÁ”, pela libertação dos presos políticos na República de Angola, no Elinga Teatro, em Agosto de 2015.

Neste pequeno livro, isento de qualquer censura, encontramos também um conjunto alargado de desenhos — irreverentes — de Manuel Fonseca.

A publicação da obra de “Frei Maneco” é uma homenagem dos amigos da escola primária 55, amigos de sempre, Pedro Lara, Mário Ferrão, Mário Vaz e Victor Torres.

“Eu sou o doido d’Aldeia Global, 
Eu babo muito, mas não faço mal. 
Graças a mim, o mundo avança, 
E quando eu toco, todo o mundo dança.(…)”

FREI MANECO

Versos Sacanas” (Ed. 2024), de Frei Maneco

Angola em aula aberta no ISCTE (Lisboa)

Angola em aula aberta no ISCTE (Lisboa)

5/2/2024 — O Centro de Estudos Internacionais do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa apresentou o livro “Angola: Cinco Séculos de Guerra Económica“, de Jonuel Gonçalves, nome artístico/literário do Prof. Doutor José Gonçalves.

A apresentação teve a moderação do Prof. Doutor Renato Pereira, professor auxiliar no ISCTE e investigador do BRU-ISCTE e CEI-ISCTE.

O público presente na sala participou na parte final da actividade.

O registo em vídeo, que muito agradecemos, é do escritor angolano João Fernando André (Kalunga).

Registo em vídeo da actividade no ISCTE

“O colonialismo e a cleptocracia são dois regimes de guerra económica permanente. Ambos visam a captura de recursos com base em posições de privilégio ou de força nos centros de poder, mantendo-se pela repressão. Angola teve três séculos da sua construção como território sob regime de captura de escravos. A sua construção como país independente tem sido marcada pela captura de recursos financeiros do Estado, tanto das reservas em moeda convertível, como em favoritismo estrutural no acesso a contratos públicos e comissões para concessão dos mesmos.”

Este livro é o primeiro no projeto de estudo sobre Guerras Económicas, conduzido pelo autor.

O segundo focará o Brasil perante efeitos do mesmo problema no século XXI. A escolha dos dois países decorre da ligação entre ambos na criação de economias sob várias formas de violência, como aliás fica patente no presente texto.

Esta obra publicada em livro vai ser o primeiro eBook em versão ePUB publicado pela Perfil Criativo — Edições. Estará disponível nos próximos dias em qualquer parte do mundo, a preço reduzido.

António Pinto (1937-2024)

António Pinto (1937-2024)

Por JOÃO RICARDO RODRIGUES

É com profunda tristeza que comunicamos o desaparecimento físico do autor, advogado, jornalista e professor angolano, António Pinto.

António Pinto nasceu na Gabela-Amboim, na província do Cuanza-Sul, a 11 de Dezembro  de 1937, foi aluno no Liceu Salvador Correia, licenciou-se em Direito com distinção, pela Universidade Independente de Angola (UnIA), em 2010. Faleceu a 29 de Janeiro de 2024, o funeral está marcado para hoje, 1 de Fevereiro de 2024, no Cemitério de Santana (Luanda).

Como jornalista, António Pinto, publicou mais de 500 peças no Correio da Semana, Jornal de Angola e Semanário Agora, entre 1998 e 2012.

Foi docente universitário, consultor jurídico e advogado, inscrito na Ordem dos Advogados de Angola.

António Pinto foi traído pela má interpretação das palavras do título de um livro

Publicou em 1974 o livro “13 Anos de Luta Armada. Porquê?” Um extraordinário “best-seller” (livro mais vendido), entre 1974 e 1975. Após o 25 de Abril de 1974, a população em Angola, maioritariamente sem cultura política, queria perceber o que se estava a passar. Mesmo por aqueles nativos, de origem portuguesa, que estavam a ser encaminhados para uma diáspora forçada na África do Sul, Brasil e Portugal, nas vésperas da independência.

O livro começa com uma declaração de António Agostinho Neto, em 1968, em Dar-es-Salan: “Para o MPLA nunca a existência de uma grande comunidade branca em Angola constituiu um problema em si, pois o nosso partido é por princípio anti-racista.

Segundo António Pinto, nunca ficaram devidamente esclarecidas as reais motivações políticas que em 1976 ditaram que o livro “13 Anos de Luta Armada. Porquê?” Fosse retirado das livrarias angolanas. 

Em 1977, em tempo de caça às bruxas que se prolongou até 1979, durante a construção da República Popular na sua fase mais acalorada e empenhada num socialismo radical, não surpreendeu que esta obra viesse a desagradar alguns sectores que consideraram este pequeno livro contrário à linha política e ideológica.

Anteriormente em 1976, durante a presidência do Doutor António Agostinho Neto, o livro foi objecto de uma análise promovida pela Comissão Directiva do MPLA e o autor, já militante do Movimento Popular de Libertação de Angola, foi chamado a depor, o que fez com a entrega de um extenso relatório justificativo de 38 páginas.

Capa do livro publicado em 1974, a imagem é da Associação TCHIWEKA de Documentação (ATD)

Fica a saudade

O nosso ponto de encontro era na marginal de Luanda, junto à fortaleza, e sou testemunha da tenacidade de António Pinto na construção da República, na verticalidade, no humanismo e acima de tudo no seu empenho em ser um homem melhor. Nunca desistiu, exemplo disso é ter concluído com êxito os seus estudos académicos aos 73 anos. Uma proeza que é também um exemplo para todos nós. À família e amigos de António Pinto desejamos muita coragem e muita força nesta hora difícil.

Jornal Cultura: “Obra de Mafrano compara lendas ocidentais e lendas africanas”

Jornal Cultura: “Obra de Mafrano compara lendas ocidentais e lendas africanas”

Cultura – Jornal Angolano de Artes e Letras dedica duas páginas à obra de Mafrano, na edição nº 207, de 17 de Janeiro de 2024.

O Cultura – Jornal Angolano de Artes e Letras foi lançado, a 5 de Abril de 2012, numa cerimónia realizada na União dos Escritores Angolanos (UEA), cumprindo o desígnio de perpetuar o legado deixado pelas grandes publicações de pendor cultural, como a revista “Cultura”, da Sociedade Cultural de Angola. Na sua linha de continuidade, busca as directrizes da revista “Novembro” e do suplemento “Vida e Cultura”, ambos editados pela Edições Novembro. Durante a pandemia regressou às bancas (2020) e custa 50,00 Kz  

Luciana Livongue Cunha apresenta segundo volume de Mafrano

Sobre a obra de Mafrano a professora Luciana Livongue Cunha escreveu no Cultura: “Esta colectânea mostra-nos sobretudo como Mafrano dedicou parte de sua vida à observação e estudo de manifestações culturais, com o intuito de desmistificar os preconceitos ocidentais sobre a inteligência e a cultura bantu. Numa diversidade de temas antropológicos, etnográficos, arqueológicos, filosóficos e também ligados ao Direito Costumeiro, Mafrano fez-nos conhecer e entender profundamente os mistérios do pensamento bantu; esclarece premissas falsas; e agrega diferentes opiniões, comparando lendas ocidentais e lendas africanas para valorizar, no seu tempo, a cultura de nossos povos.

Durante séculos e até anos mais recentes, as histórias e mitos ocidentais faziam-nos acreditar que a Cultura Bantu, era apenas baseada em mitos e superstições em detrimento da ciência, para desacreditar a inteligência do homem africano. Mas, Mafrano, com sua visão ampla, desde tenra idade, mostrou com os seus textos, dispersos em vários jornais da sua época, que era necessário e importante estudar e conhecer os fenómenos culturais bantu, para compreender tais causas e ideais e só assim ultrapassar todas as dúvidas.”

“A liberdade é um requisito universal dos indivíduos e dos povos”

“A liberdade é um requisito universal dos indivíduos e dos povos”

No dia 31 de Outubro de 2023 o presidente do Movimento Internacional Lusófono, Prof. Doutor Renato Epifânio, entregou ao académico angolano, Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, o Prémio Personalidade Lusófona de 2023, na sede da SEDES — Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, em Lisboa.

Reproduzimos o texto do discurso do Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, ao qual juntámos o título “A liberdade é um requisito universal dos indivíduos e dos povos”. Segundo o autor esta intervenção foi um discurso com significado de auto de fé, pela promoção de contínuos tempos virtuosos nas relações entre as nações e as comunidades lusófonas.

Por: CARLOS MARIANO MANUEL

Introdução

A instituição em 2010 do prémio Personalidade Lusófona do Ano pelo Movimento Internacional Lusófono foi uma iniciativa virtuosa; e o facto do mesmo haver sido aceite ininterruptamente desde esse ano pelos 12 laureados, pertencentes a países ou comunidades lusófonas dos continentes onde se articula a língua portuguesa, depõe a favor da sua adopção internacional como um instrumento promotor de convergências em torno dos valores progressivos e multicêntricos da lusofonia.

Contudo, a sua relevância não deve depreender-se apenas do perfil das personalidades laureadas, dentre chefes e homens de estado, prémio nobel, cultores da ciência, cultura e acadêmicos e altas figuras do clero, mas também do esforço que se revela necessário de ser feito para transmissão inter-geracional da ontogénese, sublimar os espinhosos períodos e exaltar as componentes progressivas do processo subjacente à difusão secular da lusofonia pelo mundo.   

Nós pretendemos exaltar a acertada iniciativa do MIL pela vertente da ontogénese da lusofonia, na medida em que nos sentimos com méritos muito precários para merecermos a honra que nos foi concedida para integrarmos a nobre corte dos seus laureados.

Em sede desse esforço, permitimo-nos recordar que a migração e expansão dos Povos e das populações têm determinado ao longo de toda jornada da História da Humanidade não apenas a miscigenação fenotípica mas também a cultural, dos povoamentos nativos e migrados em várias coordenadas geográficas do planeta.

A associação da proximidade com os oceanos e mares com a disponibilidade do conhecimento e de tecnologia de navegação marítima ou transoceânica, bem como o proselitismo à uma fé, determinaram para algumas Nações a exequibilidade e consumação das suas aspirações à escala planetária de identificação de rotas comerciais, contacto com outras Nações e estabelecimento sucessivo de feitorias, capitanias e formas sucedâneas e expressivas da expansão nacional.

A sedentarização nas novas coordenadas geográficas dos grupos ou das comunidades emigradas manifestou-se ao longo da jornada da Humanidade, amiúde de forma anódina e sem grandes alterações nas culturas locais ou incorporativa de valores admitidos como socialmente progressivos nas comunidades aborígenes.

Assim ocorreu com a formação do Império Egípcio sob o reinado do Faraó da III Dinastia Thoutmés III (1504 – 1450 a.n.E.), no Médio Oriente, Mar Egeu e orlas mediterrânicas setentrional e meridional; do Império Helénico e dos Impérios Romanos Ocidental e Oriental (Bizantino).

Por via da dialéctica interactiva entre as comunidades ou do tipo particular de relacionamento entre indígenas e alienígenas, transferiram-se de algumas a outras partes do globo terrestre o conhecimento, a tecnologia, as religiões, a genética demográfica, a epidemiologia, as línguas e outros bensmateriais e imateriais de natureza diversa. 

A emigração e expansão dos Povos não foi consubstanciada apenas por processos nocivos e estigmatizados à luz dos paradigmas correntes de entendimento dos Direitos Humanos que, praticamente nunca existiram até ao séc. XIX com as iniciativas abolicionistas do tráfico de escravos, mas permitiram também a transmissão de valores materiais e imateriais que contribuíram para o progresso das comunidades ou povos envolvidos e da Humanidade.

Primeira edição, especial para coleccionadores

Primeira edição, de capa dura com tiragem limitada, especial para coleccionadores. Um monumental Tratado da História de Angola. Esta obra foi apresentada na antiga Fortaleza de São Miguel (Luanda), em 2022, e no Padrão dos Descobrimentos (Lisboa), em 2021.

Cada período da História apresentou desafios à Humanidade

A interacção menos ou mais virtuosa entre comunidades e povos foi sempre um elemento constante na História da Humanidade desde a migração do Homo sapiens sapiens, a partir da região dos Grandes Lagos de África, segundo a perspectiva monocêntrica da origem da Humanidade, para as coordenadas geográficas mais setentrionais (pelo Estreito de Gibraltar) e destas para outras cada vez mais orientais.

Porém, a consciência dos homens públicos não esteve sempre insensível ao humanismo, exemplificado pela circunstância de ter sido no reinado de José I e governo de Sebastião José de Carvalho e Melo (o Marquês de Pombal), em Portugal, que a partir de 1761 começou a vigorar a interdição do tráfico de escravizados na, altura, chamada metrópole.

E no preâmbulo do decreto com a pretensão abolicionista da escravaturaem todos os territórios portugueses, apresentado para promulgação à D. Maria II em 10 de dezembro de 1836 pelo Presidente do Conselho de Ministros, Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, com o nome nobilísticode Marquês de Sá da Bandeira, atribuía com elevado talento eufemístico esse profícuo homem de estado português do séc. XIX a escravatura, aos “vícios do tempo” e não das pessoas, 

Não duvidamos que o “tempo” na altura estivesse, passado que haviam sido quase meio século desde o dealbar da Idade Contemporânea da História da Humanidade, muito viciado, como ocorrera, dentre muitos acontecimentos, até cerca de 15 anos e nove meses antes com a extinção do Tribunal do Santo Ofício, que se dedicara durante três séculos, especialmente, ao julgamento de heresias judaizantes.

E apenas para revisitar o quanto o léxico estava também “viciado” com o tempo, permitimo-nos citar os artigos 1º e 2º do supracitado decreto:

​Artigo 1º:

​Fica proibida a exportação de escravos, seja por mar ou por terra, em todos os Domínios Portugueses,

sem excepção, quer sejam situados ao norte, quer ao sul do equador, desde o dia em que na Capital de cada um dos ditos Domínios for publicado o presente Decreto

​Artigo 2º:

E do mesmo modo proibida a importação de escravos feita por mar, sob qualquer pretexto que se pretenda fazer.

Parágrafo único: Todo o escravo que for importado para terra deverá ser completamente manifestado à sua chegada ao território Português.

Nas duas citações anteriores reconhecemos os “vícios do tempo”, pois por um lado as pessoas eram mercadorias “exportadas e importadas”, em vez de recrutadas e transportadas; e por outro, eram portadoras da condição natural de “escravos” e não de “escravizados” a condição social que lhes era imposta. A escravatura foi uma tara, embora jamais susceptível de ser adornada nos seus fundamentos e nas suas consequências, com expressão multicêntrica e em muitas culturas à escala planetária, muito anterior às Idades Moderna e Contemporânea da História da Humanidade.

O sociólogo brasileiro Gilberto Freire analisou no seu Opus Magnum publicado em 1933, Casa Grande e Senzala, as consequências da escravatura na integridade física, psíquica e genética do escravizado, bem como os seus efeitos na história social do Brasil.

Entrega de Prémio no MIL

Entrega do Prémio do Movimento Internacional Lusófono.

A liberdade é um requisito universal dos indivíduos e dos povos

Concentrando-nos apenas nos acontecimentos ocorridos nos últimos dois séculos da História da Humanidade, não podemos deixar de reconhecer a concatenação entre aqueles e os seus efeitos tangíveis e intangíveis na contemporaneidade.

São os “vícios dos tempos”, parafraseando o legislador da Norma Abolicionista da Escravatura de 1836 nos Territórios Portugueses, que impelem os Povos a corrigi-los, de tal modo que, a 24 de Agosto de 1820 eclodiu no Porto a Revolução Liberal Portuguesa no termo da qual entre os outros resultados levou à dissolução da monarquia absolutista, convertendo-a em constitucional e foi aprovada a primeira Constituição Portuguesa; cerca de um século depois o honrado Povo Português dissolveu definitivamente a Monarquia, proclamando a República no dia 05 de Outubro de 1910 e após o advento da ditadura constitucional entre 1926 e 1974, o abnegado Povo voltou a corrigir os “vícios do tempo”, pois pelo veículo das Forças Armadas fizeram triunfar a Revolução de 25 de Abril de 1974, dissolvendo a ditadura e instaurando em Portugal o programa de democratização, descolonização e desenvolvimento.

A descolonização corrigiu os “vícios dos tempos” que faziam persistir o império colonial em África e na Ásia.

Da experiência pessoal de que somos portadores respigamos o facto de sermos provenientes da população nativa e aborígene de Angola, neto paterno de um nativo que, no contexto das iniciativas sucessivas de abolicionismo do tráfico de escravos do século XIX, esteve integrado no último grupo de cativos que esteve na iminência de embarcar para o Brasil a partir da localidade costeira do Ambriz; em substituição do embarque frustrado para o Brasil, foi integrado no grupo incumbido do trabalho compelido de desbravar o matagal de um latifúndio de uma empresa majestática nos arredores da actual cidade de Caxito, onde plantou um grande palmar de dendém, poucos anos depois convertido em fonte principal do óleo de palma que, era exportado de Angola para a ex-metrópole e outras localidades do império colonial, para fins industriais e de culinária.

O trabalho compelido dos indígenas em latifúndios e construção de itinerários rodoviários incipientes e ferroviários foi um dos severos “vícios do tempo”, que se abateram sobre os nativos em Angola no dealbar do século XX.

Somos ainda sobreviventes da violência entre as forças da autoridadeconstituída e instituída e nativos insurgidos no princípio das últimas 4 décadas do século XX, processo matizado episodicamente com abomináveis actos, mas correctivo dos “vícios do tempo” e que levou às reformas sociais do Ministro do Ultramar em funções na altura, com quem tivemos o privilégio de manter na Sociedade de Geografia de Lisboa um diálogo mútua e espiritualmente redentor, antes do seu relativamente recente falecimento, no decurso do qual ele expôs-nos com a sua autoridade nestoriana “os vícios dos tempos” da altura e nós, lhe manifestamos, humildes, gratos e regozijados, o testemunho da nossa educação se ter devido às reformas sociais por ele e tardiamente desfraldadas em Angola, com validade para todo o império colonialportuguês, a partir do mês de Abril de 1961.

A essas medidas reformistas do finado Prof. Adriano Moreira, sobretudo a de ter promovido a instrução nas comunidades rurais de Angola e generalizando-a às expensas do Estado, embora impelido pelos acontecimentos empreendidos pelos nativos de correcção dos “vícios do tempo”, devemos também o privilégio de agora estarmos a partilhar com V. Exas. este redentor momento e a celebrar a lusofonia.

Entrega do Prémio Personalidade Lusófona 2023, do Movimento Internacional Lusófono.

A Lusofonia é um património comum

A lusofonia foi e tem sido construída desde há séculos com denodadaparticipação de hóspedes e hospedeiros em cada coordenada geográfica, o que também tem suscitado a partilha de afectos entre cidadãos de Nações lusófonas diferentes, extinguindo cada vez mais percepções misógenas e esculpindo progressivamente uma cidadania lusófona.

Por ocasião da participação no Congresso da SEDES de Dezembro de 2021 da actual Presidente do Parlamento de Angola, mandatada especialmente para representar o Chefe de Estado de Angola, Sua Exa. João Manuel Gonçalves Lourenço, aquela alta figura do Estado de Angola referiu a importância da língua portuguesa, especificando que ela é “mais do que um idioma de sinergias que liga mais de 280 milhões de falantes no contexto dos cinco continentes” e que ela “assume-se como factor de unidade estratégica dos nossos povos e nações e como pilar de sustentação  cultural, social, económica e até política, um potencial estratégico que Angola tem sabido preservar e promover”.

A História da Humanidade não foi isenta de elementos adversos; e tendo sido ou estando a ser a lusofonia construída por uma parte da Humanidade, nunca poderia estar dissociada de espinhos.

Mas, os seus elementos estruturantes devem servir de fonte de inspiração para alijar os “vícios dos tempos” e fazer medrar no seu lugar as “virtudes dos tempos”.

Essas “virtudes dos tempos” devem consubstanciar-se no respeito da identidade de cada Nação, na priorização intracomunitária da mobilidade em segurança física e social das pessoas, da circulação de bens materiais e imateriais, em iniciativas susceptíveis de elevar o Índice de desenvolvimento humano, a justiça, a partilha de valores culturais progressivos, o desenvolvimento social e económico, a extinção do obscurantismo endêmico e a observância dos padrões do Estado Democrático e de Direito.

Luis Vaz de Camões exaltou nos Lusíadas em 1572 a visão Henriquina de sulcar os mares e oceanos, bem como a epopeia da expedição marítima de Vasco da gama para a Índia; anos luz muito distanciados do seu singularíssimo e inemulável mérito, nós com humildade e durante 30 anos investigamos, elaboramos a narrativa científica e publicamos em 2021 o Tratado de História de Angola, o primeiro disponibilizado aos interessados no País e no estrangeiro por um autor de nacionalidade exclusiva e originária angolana.

Fizemo-lo, dentre outros propósitos que a ciência almeja desvendar, também para promover o conhecimento exacto do substracto históricopassível de ser posto ao serviço da estruturação de relações cada vez mais entrosadas e relevantes entre as Nações lusófonas.

Finalmente e por tudo que precede, aceitamos com humildade, gratidão e regozijo o Prémio de Personalidade Lusófona do Ano de 2023, concedido pelo Movimento Internacional Lusófono, pois dentre outros muitos aspectos que podem ser trazidos à liça, entendemos que o mesmo honra igualmente todos os cidadãos de Angola promotores da amizade e cooperação das sociedades e comunidades que em todo o mundo se exprimem oficial ou preferencialmente em Português e, especialmente,incita-nos e empodera-nos a contribuir, sem nos acanharmos, para o serviço da promoção de relações virtuosas e de defesa dos valores progressivos,materiais e imateriais, da parte lusófona da Humanidade.

Agradecemos, pela distinção que nos foi conferida como laureados deste prémio, o Exmo. Senhor Prof. Doutor Renato Epifánio, Presidente do Movimento Internacional Lusófono, os Excelentíssimos Senhores e Excelentíssimas Senhoras membros dos seus Órgãos Sociais, Agradecemoso Excelentíssimo Senhor Prof. Doutor Álavro Beleza, Presidente da Associação para o Desenvolvimento Económico e Social por nos haver recebido no contexto de ter abrigado esta cerimónia e agradecemos a atenção e a honra da participação que nos foi dispensada por todos os presentes.

Prémio Personalidade Lusófona: homenagem dos familiares e amigos do Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, na Casa de Angola (Lisboa)


Namibe: Quem ajuda a controlar, tanta ansiedade!

Namibe: Quem ajuda a controlar, tanta ansiedade!

Depois de uma viagem exuberante com passagens, e pequenas paragens, em Porto Amboim, Sumbe, Lobito, Bela Vista (aqui com ameaças de chuva ao pôr do Sol), Catumbela, Benguela, Quilengues e Lubango, chegou na manhã de Domingo ao Namibe o volume II da colectânea “Os Bantu na visão de Mafrano”, uma extraordinária obra de antropologia cultural, do escritor e etnólogo angolano, Maurício Francisco Caetano (1916-1982).

A obra, com um total de 246 páginas de conhecimentos inéditos sobre a vida e a cultura bantu foi apresentada nesta segunda-feira, 8 de Janeiro de 2024, na Esplanada do Gabinete Provincial da Cultura do Namibe. A cerimónia fez parte das festividades do Dia Nacional da Cultura e foi aberta ao público do Sul de Angola.

A cerimónia foi prestigiada com a presença do Vice-Governador do Namibe para a Área Social, Abel Kapitango, em representação do Governador da Província, e que esteve ladeado pelo diretor Provincial da Cultura, Turismo e Ambiente, Eng.º Pedro Hangula, e outros altos responsáveis da Província da “Welwitchia Mirabilis”, a ntumbo, na língua local.

Tal como aconteceu em Luanda, em Maio de 2022; repetiu-se em Julho de 2023; e, agora, também ocorreu no Namibe, em Janeiro de 2024!

Um dos leitores convidados para o lançamento do volume II de “Os Bantu na visão de Mafrano” correu na terça-feira, 2 de Janeiro de 2024, para o local da cerimónia, na ânsia de ser o primeiro a assistir ao lançamento desta obra histórica!

No local, a resposta foi inevitável: “Não, é só no dia oito”, de Janeiro!

Sobre Mafrano ficou no ar a pergunta: Alguém ajuda a controlar tanta ansiedade?

2024: Cultura no dia da Cultura em Angola

2024: Cultura no dia da Cultura em Angola

Arrancamos o ano novo de 2024 conscientes da importância do trabalho realizado e do que queremos executar na promoção dos valores culturais, científicos e artísticos. Mantendo um posicionamento independente, humanista, descomplexado e aberto às novas ideias, queremos continuar a disponibilizar aos nossos leitores e amigos, um leque alargado de autores e surpreendentes livros.

Na agenda fica marcado o primeiro grande encontro de 2024, no Namibe (Angola). A não perder!

Agradecemos ao Governo Provincial do Namibe (Angola) a disponibilidade para acolher esta nossa obra no dia da Cultura e relembramos os nossos leitores que comprar um livro é também apoiar um autor.

Namibe acolhe volume II da colectânea sobre antropologia cultural Bantu

Namibe, 30 de Dezembro de 2023 – A cidade do Namibe acolhe a 8 de Janeiro, Dia Nacional da Cultura (Angola), o volume II da colectânea póstuma «Os Bantu na visão de Mafrano», antropologia cultural, do escritor e etnólogo Maurício Francisco Caetano, no quadro das celebrações do Dia Nacional da Cultura. A cerimónia terá lugar na Esplanada do Gabinete Provincial da Cultura, Cultura, Turismo e Ambiente, com inicio previsto para as 9:00.
O volume I desta obra havia sido lançado no mesmo local, no primeiro dia de Outubro de 2022 depois de apresentadas pela primeira vez nos meses de Abril e Maio, desse mesmo ano, nas cidades do Lubango e de Luanda, respectivamente.
A colectânea de Maurício Francisco Caetano, “Mafrano”, (1916-1982), contém registos inéditos sobre a ancestralidade, hábitos e costumes da cultura bantu, incluindo a pré-história, organização social, a estrutura política bantu, lendas e fábulas sobre a origem da vida humana e animal, e a morte; iniciações relativas aos casamentos, à religião e outros temas de interesse antropológico.
Formado na escola da Missão Católica da cidade do Dondo, sua terra natal, e no Seminário Maior de Luanda, o “Mafrano” trabalhou sucessivamente como professor, aspirante administrativo, oficial de impostos, secretário da Fazenda e director Nacional de Finanças em Angola, entre 1944 e 1982, o ano da sua morte.
O autor foi membro fundador da União dos Escritores Angolanos (UEA), colaborador de proeminentes jornais e revistas da sua época, como o Jornal «O Apostolado» e a «Revista Angola», da Liga Nacional Africana, além de professor de Língua Portuguesa e de Filosofia em prestigiados estabelecimentos de ensino, nomeadamente no Colégio 28 de Maio, Liceu Ngola Kiluanji, o Instituto PIO XII, o ICRA – Instituto de Ciências Religiosas de Angola e no Instituto Comercial de Luanda.
A obra de Maurício Francisco Caetano, “Mafrano”, tem estado a ganhar notoriedade e foi já recomendada como referência académica. A seu favor, está o facto de ter realizado pesquisas originais cujos temas eram, até então, abordados apenas por estudiosos ocidentais, como Franz Boas, León Frobenius, Carlos Estermann e outros. Maurício Francisco Caetano destacou-se com artigos dispersos na imprensa angolana, o mais antigo dos quais tem como titulo «O Perfil Etnográfico do Negro Jinga», com data 23 de Agosto de 1947. O seu vasto espólio literário, agora compilado nesta colectânea póstuma em três volumes e mais de 700 páginas, inclui epígrafes como “Crónicas ligeiras”, “Notas a lápis”, “Episódios Vividos”, “Tertúlias”, contos tradicionais e outros textos.
Além de Luanda, Lubango e Namibe, a colectânea «Os Bantu na visão de Mafrano» foi igualmente apresentada até esta data nas cidades de Ndalatando e Cabinda (em Angola), assim como em Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo-Verde, Portugal e no Brasil, nestes dois últimos países em exposições literárias e por vídeo-conferências, realizadas com universidades do Rio de Janeiro e de Curitiba.
Segundo a mais recente opinião do antropólogo Kabengele Munanga, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), Brasil, esta colectânea e as outras obras a serem publicadas sobre Mafrano «são livros que podem ser utilizados por antropólogos angolanos e africanos, em salas de aulas, para explicar essas culturas ancestrais de origem bantu que hoje já não existem».
Também além fronteiras, o Padre José Álvaro Borja, reitor do Seminário da cidade da Praia, em Cabo-Verde, considerou que obra de Mafrano «faze antever um momento rico de encontro cultural multifacetado em que se cruzam história, literatura e antropologia, entre outras áreas do saber».
Em Angola, Dom Zacarias Kamwenho, o arcebispo emérito do Lubango e prémio Sakharov 2001, considerou-o «O antropólogo maior de Angola». Mafrano faleceu aos 25 de Julho de 1982.

Para mais informações contactar:

Pedro Hangula, Director do Gabinete Provincial da Cultura, Turismo e Ambiente
Telef: +244 931 732 211

José Soares Caetano, Jornalista, escritor e filho do autor,
Telef: +244 912220543; +244 926546698;
E-mail: tazuary@gmail.com;

Curiosidades da caminhada cultural da obra de Mafrano

Curiosidades da caminhada cultural da obra de Mafrano

Foi com enorme surpresa e alegria que observámos a mensagem de Natal de Sua Majestade o Rei Mfumu Makitu III, do Reino Bambata-Zombo, monarquia subnacional angolana integrante do Grande Congo, descendente de António Manuel Ne Vunda, marquês de Funta (Funesta) e embaixador do antigo reino e império do Congo junto da Santa Sé (1513), históricamente conhecido por “O Negrita”.

Segundo o Rei Mfumu Makitu III “em África os reinos nunca deixaram de existir, logo as tradições nunca morreram porque são mais fortes do que qualquer sistema político, por se tratar de assuntos do próprio Tata Mpungu Tulendu (Deus todo Poderoso). 


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