Kalunga regressa à União dos Escritores Angolanos

Kalunga regressa à União dos Escritores Angolanos

A União dos Escritores Angolanos (UEA) recebe, no dia 22 de Julho de 2026, quarta-feira, às 16h30, mais uma edição da iniciativa cultural “Maka à Quarta-Feira”. A sessão, marcada para a Sala de Conferências da instituição, em Luanda, será dedicada ao tema “Gerações Literárias em Angola: o caso do Ohandanji” e culminará com a apresentação de Matéria Negra, a mais recente obra poética de Kalunga.

O encontro propõe uma reflexão sobre a evolução da literatura angolana, o contributo das sucessivas gerações de escritores e o lugar ocupado pelo Ohandanji. Surgido em Luanda, em 1984, este colectivo ficou associado à chamada Geração de 80 e à procura de novas linguagens e rupturas estéticas no período posterior à Independência.

A prelecção estará a cargo do escritor, investigador e crítico literário João Fernando André, nome do poeta Kalunga, que analisará o surgimento, os propósitos, o manifesto e os principais protagonistas do Ohandanji. A escolha do prelector aproxima duas gerações: a que procurou renovar a literatura angolana nos anos 1980 e uma nova geração que continua a interrogar a história, a identidade e as transformações da sociedade através da palavra.

Natural da Cahama, província do Cunene, João Fernando André é professor, investigador, ensaísta, jornalista cultural e consultor. Mestre em Literaturas em Língua Portuguesa pela Universidade Agostinho Neto, encontra-se a realizar o doutoramento em Literaturas, Artes e Culturas Modernas na Universidade de Lisboa. É membro da União dos Escritores Angolanos, instituição em que se destacou como um dos membros mais jovens, e tem desenvolvido uma presença regular em encontros, conferências, feiras do livro e projectos culturais em Angola e Portugal. É também autor de títulos como Evangelho BantuO Dia em que uma Pedra Virou Lua e Lumbu — A Alquimia das Palavras.

Depois da reflexão sobre o Ohandanji, será apresentada a obra Matéria Negra, por Edmira Cariango Manuel. Publicado em 2026 pela editora Perfil Criativo | AUTORES.club, com sede em Portugal e um catálogo fortemente dedicado aos autores angolanos, o livro assinala uma nova etapa na trajectória literária de Kalunga.

Em Matéria Negra, a palavra assume-se como espaço de contemplação, inquietação e resistência. A experiência individual cruza-se com uma consciência mais ampla das feridas do mundo, da memória africana e das tensões do presente. Depois da apresentação oficial realizada em Maio, no histórico edifício de A Voz do Operário, em Lisboa, e da sua passagem pela Feira do Livro de Lisboa, a obra chega agora à UEA, reencontrando o espaço institucional da literatura.

Durante a sessão, Matéria Negra poderá ser adquirida pelo preço de 10.000 kwanzas. Para compra antecipada, os interessados poderão enviar uma mensagem através do Messenger ou WhatsApp. A edição é limitada.

Integrada no programa cultural permanente da União dos Escritores Angolanos, a “Maka à Quarta-Feira” procura fomentar o diálogo literário, incentivar a leitura e aproximar escritores, investigadores, estudantes e leitores.

Data: 22 de Julho de 2026
Hora: 16h30
Local: Sala de Conferências da União dos Escritores Angolanos, Luanda
Entrada: aberta ao público

Orquestra Nacional de Angola: quando a música se transforma numa referência

Orquestra Nacional de Angola: quando a música se transforma numa referência

A institucionalização da Orquestra Nacional de Angola representa um dos mais relevantes investimentos culturais realizados pela República de Angola nos últimos anos. Mais do que criar uma formação destinada a interpretar música clássica, o projecto abre caminho para a formação de músicos, para a valorização do património musical nacional e para uma presença mais afirmativa nos grandes palcos internacionais.

A Orquestra Nacional de Angola, abreviadamente designada por ONA, recebeu enquadramento jurídico através do Decreto Presidencial n.º 69/26, de 20 de Abril, publicado no Diário da República. O diploma reconhece-a como um serviço de interesse público do Estado, sujeito a gestão privada e habilitado a desenvolver actividades em todo o território nacional.

O documento estabelece como finalidades da ONA a promoção da cultura e da música clássica angolana, a realização de concertos no país e no estrangeiro e a formação artística e profissional de músicos, gestores e técnicos. A instituição deverá igualmente fomentar a música erudita nas suas diferentes manifestações, aproximá-la de outras expressões artísticas e contribuir para que um público mais amplo possa participar na criação e fruição cultural.

Uma orquestra construída com jovens angolanos

O projecto começou a ganhar visibilidade pública antes da sua institucionalização formal. Em Janeiro de 2025, a Orquestra Nacional apresentou-se no Centro de Conferências de Belas, em Luanda.

A formação reuniu então 107 adolescentes e jovens, com idades entre os 14 e os 30 anos, provenientes de várias províncias e seleccionados através de um processo de inscrição e avaliação. Sob a direcção do maestro brasileiro Ricardo Castro, os jovens interpretaram o Hino Nacional e obras de compositores angolanos e internacionais, dos séculos XVII ao XXI. 

A iniciativa foi inicialmente impulsionada pela Fundação Ngana Zenza para o Desenvolvimento Comunitário, instituição que tem desenvolvido programas dirigidos às comunidades, aos jovens e a outros grupos socialmente vulneráveis. A passagem de um projecto apoiado pela sociedade civil para uma instituição reconhecida pelo Estado permite-lhe agora adquirir maior continuidade, responsabilidade pública e capacidade de intervenção nacional. 

Em Março de 2026, o Conselho de Ministros apreciou formalmente o projecto de criação da ONA, definindo-a como uma instituição centrada na inclusão social e na formação artística, destinada a divulgar a tradição musical angolana através de uma actividade sinfónica de dimensão internacional. A institucionalização seria confirmada no mês seguinte pelo Decreto Presidencial

Levar a música angolana para o universo sinfónico

A importância da Orquestra Nacional não deve ser medida apenas pelo número de concertos realizados. A sua verdadeira dimensão estará na capacidade de construir uma escola, formar profissionais e criar um repertório que transporte para a linguagem sinfónica a diversidade cultural.

Angola possui uma extraordinária riqueza musical, resultante das culturas e línguas presentes no seu território, dos instrumentos tradicionais, das expressões religiosas, dos cantos de trabalho, das músicas urbanas e da criação de sucessivas gerações de compositores e intérpretes.

Uma Orquestra Nacional pode estudar, transcrever, preservar e reinterpretar esse património. Pode aproximar a música erudita das tradições populares, encomendar obras a compositores angolanos e criar novas leituras de géneros como a semba, a rebita, a kazukuta, o kilapanga e outras manifestações musicais das diferentes regiões do país.

O próprio diploma de institucionalização aponta para o cruzamento da música erudita com outras expressões artísticas. Esta abertura será essencial para evitar que a Orquestra Nacional se limite à reprodução do repertório clássico europeu. O seu maior contributo poderá estar precisamente na construção de uma linguagem sinfónica angolana, contemporânea e reconhecível.

Formar músicos, técnicos e públicos

Uma orquestra desta natureza necessita de violinistas, violoncelistas, contrabaixistas, instrumentistas de sopro, percussionistas, pianistas e maestros. Mas depende igualmente de afinadores, técnicos de som e iluminação, arquivistas musicais, produtores, gestores culturais, compositores e professores.

Por esse motivo, a ONA pode tornar-se uma verdadeira plataforma de profissionalização do sector musical. A criação de bolsas de estudo, academias, programas de iniciação musical, estágios e parcerias com instituições nacionais e estrangeiras ajudaria a consolidar carreiras que ainda encontram poucas oportunidades profissionais no país.

O projecto poderá também desempenhar um papel decisivo na formação de públicos. Concertos pedagógicos nas escolas, apresentações nas províncias, programas para crianças e famílias e transmissões através da televisão, rádio e plataformas digitais permitiriam retirar a música sinfónica dos espaços exclusivamente institucionais e colocá-la ao alcance da população.

O facto de o regime jurídico determinar que a ONA pode actuar em qualquer parte do território nacional é especialmente relevante. A sua verdadeira vocação nacional dependerá da capacidade de realizar concertos para além de Luanda, identificar talentos nas diferentes províncias e colaborar com escolas, igrejas, grupos corais, bandas e projectos musicais locais.

Uma responsabilidade para o futuro

A criação da Orquestra Nacional é uma conquista cultural, mas representa igualmente uma grande responsabilidade. Uma orquestra não se constrói apenas com uma apresentação solene ou com a aquisição de instrumentos. Exige financiamento regular, direcção artística competente, instalações apropriadas, programas de formação permanentes e critérios transparentes de recrutamento e gestão.

Será também importante tornar públicos o plano de actividades, o modelo de financiamento, a programação anual e a estratégia de implantação territorial. A continuidade do projecto dependerá da sua capacidade de se afirmar como uma instituição nacional aberta, profissional e independente dos ciclos políticos.

Ao institucionalizar a ONA, Angola reconhece que a música não é apenas entretenimento: é educação, memória, conhecimento, disciplina, criação e representação nacional.

Num país jovem, diverso e com uma tradição musical de enorme vitalidade, a Orquestra Nacional pode transformar-se num espaço onde diferentes gerações, províncias e sensibilidades culturais aprendem a escutar-se mutuamente. Tal como numa orquestra, cada voz mantém a sua identidade, mas contribui para uma obra comum.

A grande expectativa é que este projecto seja capaz de colocar a riqueza musical angolana no centro do seu repertório e de mostrar, dentro e fora do país, que Angola também pode contar a sua História através da força universal da música.

Orquestra Nacional de Angola durante uma apresentação em Luanda. Fotografia cedida pela Orquestra Nacional de Angola.

A Cultura nos cinquenta anos da República

Este projecto ganha também particular significado por decorrer sob a tutela do ministro da Cultura, Filipe Silvino de Pina Zau, académico, escritor, músico e investigador com uma longa ligação à educação e à reflexão sobre a identidade cultural angolana.

Filipe Zau, que é igualmente autor publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, tem defendido uma compreensão da cultura que ultrapassa o entretenimento e coloca-a no centro da educação, da construção da cidadania e do desenvolvimento nacional. A consolidação da Orquestra Nacional de Angola poderá, assim, representar uma das expressões mais relevantes dessa visão: formar jovens, preservar a memória musical do país e projectar a criação angolana no mundo.

"Marítimos" de Filipe Zau
Marítimos” de Filipe Zau
"O Canto Terceiro da Sereia — O Encanto" de Filipe Zau e Filipe Mukenga
O Canto Terceiro da Sereia — O Encanto” de Filipe Zau e Filipe Mukenga

Memórias das FALA chegam às mãos da investigadora brasileira Jéssica Höring

Memórias das FALA chegam às mãos da investigadora brasileira Jéssica Höring

O brigadeiro Fonseca Chindondo recebeu recentemente a visita da investigadora brasileira Jéssica da Silva Höring, num encontro dedicado à História contemporânea de Angola e à preservação da memória dos seus protagonistas.

Na biblioteca pessoal do autor, Jéssica Höring teve acesso ao livro Memórias das FALA — O Avanço no Norte e a Guerra Psicológica (1975–1992), publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club. A obra constitui uma importante fonte documental para as investigações que a académica vem desenvolvendo sobre a trajectória da UNITA, os seus militantes e os diferentes momentos da luta de libertação e do conflito armado angolano.

Doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo e licenciada em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Jéssica Höring tem dedicado uma parte significativa do seu percurso académico ao estudo de Angola. Entre os seus trabalhos encontram-se investigações sobre o processo constitucional angolano, as origens da UNITA e as trajectórias de diferentes gerações de activistas ligados ao movimento.

Escrito a partir da experiência directa do brigadeiro Fonseca ChindondoMemórias das FALA recupera episódios relacionados com o avanço militar no Norte de Angola, a organização das Forças Armadas de Libertação de Angola e o papel da guerra psicológica entre 1975 e 1992. Prefaciado pela investigadora Paula Cristina Roque, o livro contribui para uma leitura mais ampla e plural de um período determinante da história nacional.

O encontro ficou registado numa fotografia para memória futura, na biblioteca do autor, simbolizando a necessária aproximação entre os testemunhos dos protagonistas e o trabalho rigoroso da investigação académica.

Em Angola, o livro está disponível pelo preço de 22.000,00 Kz e pode ser encomendado através dos contactos:

  • +244 922 752 494
  • +244 936 023 299
Memórias das FALA — O Avanço no Norte e a Guerra Psicológica (1975-1992)", do brigadeiro Fonseca Chindondo
Memórias das FALA — O Avanço no Norte e a Guerra Psicológica (1975-1992), do brigadeiro Fonseca Chindondo

Luanda prepara-se para receber o lançamento oficial de Faro e Enigmas, de Elsa Major

Luanda prepara-se para receber o lançamento oficial de Faro e Enigmas, de Elsa Major

Depois da apresentação em Portugal, a poeta Elsa Major regressa para o lançamento oficial em Angola da sua mais recente obra, Faro e Enigmas — Poesia. A sessão terá lugar no próximo 29 de julho de 2026, às 16h30, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, um dos mais importantes espaços de promoção da cultura e da memória nacional. 

Publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.clubFaro e Enigmas afirma-se como uma das mais significativas obras poéticas da autora, reunindo poemas onde o amor, a memória, a espiritualidade, a identidade e a paisagem se cruzam numa escrita profundamente sensorial. Inspirada pelo Namibe, pelo Atlântico e pelo deserto do Kalahari, Elsa Major propõe uma poesia que convida à contemplação e à reflexão sobre a condição humana. 

A sessão contará com a participação de convidados especiais, entre os quais Conceição CristóvãoAgnela Barros e o escritor e investigador João Fernando André, cuja presença reforça a dimensão literária do encontro.

O livro conta com o apoio de diversas instituições e órgãos de comunicação social, entre os quais a Rádio Escola 88.5 FM, o Sistema Akwa Kisanji, a Rádio MFM 91.7 e outros parceiros culturais.

Depois da excelente receção em Lisboa, onde a obra reuniu escritores, académicos, diplomatas e leitores num momento de celebração da literatura, Faro e Enigmas chega agora a Luanda para um encontro, de acesso livre, com o público angolano, num regresso particularmente simbólico da autora às suas raízes e ao universo cultural que inspira grande parte da sua criação poética.

Mais do que um lançamento literário, esta apresentação constitui uma celebração da poesia contemporânea e da crescente afirmação das vozes femininas na literatura nacional, reforçando o papel do livro como espaço de diálogo entre memória, identidade e futuro.

Elsa Major
Elsa Major na apresentação em Lisboa
Faro e Enigmas
Faro e Enigmas

Editoriais do Expansão em livro: um retrato crítico da economia apresentado no Memorial

Editoriais do Expansão em livro: um retrato crítico da economia apresentado no Memorial

A apresentação, em Luanda, de Editoriais do Expansão 2019–2021, de João Armando, constituiu um momento importante para a editora, para o jornalismo económico angolano e para a preservação da memória crítica de um período particularmente exigente da vida do país.

O jornalista e director do semanário Expansão apresentou oficialmente a obra no dia 11 de junho de 2026, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda. Publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, o livro reúne editoriais escritos entre 2019 e 2021, anos marcados por profundas dificuldades económicas, reformas estruturais e pelos efeitos sociais e empresariais da pandemia da Covid-19.

A editora Perfil Criativo | AUTORES.club esteve mais uma vez representada na cerimónia por Armindo Laureano, director do Novo Jornal e autor da editora, que destacou a importância de transformar os editoriais de João Armando num livro capaz de preservar textos que, de outro modo, permaneceriam dispersos nas sucessivas edições do semanário.

O evento contou também com a participação do engenheiro Patrício Wanderley Quingongo, especialista angolano na indústria petrolífera e autor do livro Gestão da Indústria Petrolífera.

A presença de Patrício Quingongo assumiu um significado especial, atendendo à sua ligação ao debate económico e energético e à colaboração que tem mantido ao longo dos anos com João Armando e com o próprio Expansão. Como especialista do sector petrolífero, Patrício Quingongo tem defendido publicamente a importância da informação, da formação e da reflexão estratégica para aproximar esta indústria dos cidadãos e para melhorar a compreensão do seu peso na economia nacional.

A cerimónia reuniu membros do Executivo angolano, representantes diplomáticos, empresários, jornalistas e diferentes personalidades da sociedade civil. Entre os presentes encontrava-se o ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, que enalteceu o percurso profissional de João Armando e o contributo do Expansão para a consolidação do jornalismo económico.

Com mais de 260 páginas e cerca de 130 editoriais do Expansão entre 2019–2021, revisita decisões políticas, reformas económicas, privatizações, finanças públicas, dívida, sistema bancário, confiança institucional e as dificuldades enfrentadas pelas famílias e pelas empresas.

Mais do que reunir textos publicados, João Armando acrescentou à obra notas explicativas sobre as circunstâncias em que cada editorial foi escrito. O livro permite, assim, compreender não apenas as posições assumidas pelo director do jornal, mas também o contexto económico, político e social que esteve na origem de cada reflexão.

Durante a apresentação, João Armando definiu a obra como um contributo para o desenvolvimento da República de Angola, sublinhando a necessidade de pensar o país com responsabilidade, rigor, independência e capacidade para reconhecer os erros.

Entre os textos destacados encontram-se “Não Há Soluções Mágicas”, no qual o autor defende uma governação realista e assente em decisões fundamentadas, e “A Panela da Sopa”, uma reflexão crítica sobre os processos de privatização e as parcerias público-privadas.

Através de uma metáfora simples e expressiva, João Armando alerta para a necessidade de transparência, regras claras e igualdade de oportunidades na gestão dos activos públicos. A credibilidade dos processos económicos é apresentada como uma condição essencial para atrair investimento e reforçar a confiança dos cidadãos nas instituições.

A intervenção de Armindo Laureano sublinhou também o valor do editorial enquanto uma das formas mais exigentes e genuínas do exercício jornalístico. Ao assumir posições, interpretar acontecimentos e interpelar os poderes públicos, o editorial transforma-se num registo do seu tempo e numa contribuição para o debate.

Depois de uma pré-apresentação na Feira do Livro de Lisboa, o lançamento oficial no Memorial Dr. António Agostinho Neto representou uma nova etapa na divulgação da obra junto dos leitores. João Armando manifestou ainda a intenção de levar o livro a outras províncias do país.

Editoriais do Expansão 2019–2021 afirma-se, deste modo, como muito mais do que uma compilação jornalística. É um testemunho de um período complexo da história recente e um convite à reflexão sobre a economia, a governação, a transparência das instituições e os caminhos necessários para a construção de uma sociedade mais informada, participativa e exigente.

Fontes: Reportagem da Baía Magazine, publicada em 15 de junho de 2026, com texto de Idianete Tavares e fotografias de Mello Silva

"Editoriais do Expansão" de João Armando
Editoriais do Expansão” de João Armando

Três anos de políticas públicas. Um debate que não pode esperar

Três anos de políticas públicas. Um debate que não pode esperar

Angola vai receber, no próximo dia 9 de julho, um dos mais relevantes encontros de reflexão sobre a governação e a economia nacional dos últimos anos.

O autor M. Neto Costa e a Perfil Criativo | AUTORES.club convidam todos os leitores, investigadores, estudantes, gestores, responsáveis públicos e cidadãos interessados para o lançamento oficial do livro Angola: Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023), que terá lugar na quinta-feira, 9 de julho de 2026, às 16h30, na Academia BAI, em Luanda.

Resultado de uma análise rigorosa da realidade angolana entre 2021 e 2023, a obra reúne 52 textos que convidam ao debate sobre a administração pública, a política económica, as finanças públicas e os desafios do desenvolvimento nacional.

A apresentação estará a cargo do Prof. Doutor Fernandes Wanda e contará com a participação especial de Armindo Laureano, Director do Novo Jornal, publicação onde estes textos foram originalmente dados a conhecer ao público.

Para o editor da Perfil Criativo | AUTORES.club, este lançamento representa muito mais do que a apresentação de um novo livro:

“Angola e M. Neto Costa estão de parabéns. Poder analisar, discutir e compreender, de forma livre, as vitórias e os fracassos da administração pública da República de Angola, sem pressões nem censura, é um sinal de maturidade democrática que merece ser celebrado. O facto deste debate reunir um antigo Ministro da Economia e Planeamento, o Prof. Doutor Fernandes Wanda e o Director do Novo Jornal transforma este lançamento num momento de extraordinário valor cívico e intelectual para o país.”

Num tempo em que o debate público exige mais conhecimento, mais independência e maior capacidade de escrutínio, este encontro pretende afirmar o livro como um espaço de diálogo aberto sobre o presente e o futuro de Angola.

A entrada é livre, sujeita à lotação da sala.

Contamos com a sua presença.

Quando Angola tomou a palavra junto à antiga Lota de Portimão

Quando Angola tomou a palavra junto à antiga Lota de Portimão

A Feira do Livro de Portimão 2026 recebeu, no passado dia 24 de junho, na Zona Ribeirinha de Portimão, junto à antiga Lota, o encontro especial “Angola Toma a Palavra”, uma conversa plural dedicada à literatura, à memória, à história e à força criativa de Angola.

Integrado na programação cultural da Feira, o encontro reuniu Tomás Lima Coelho, Sedrick Carvalho, Kalunga, João Ricardo Rodrigues, Graça Sousa, Valério Guerra e João Carranca, num momento de partilha que levou ao público algarvio diferentes olhares sobre Angola, a sua produção literária, os seus autores, as suas inquietações históricas e a importância de abrir novos espaços de diálogo entre Portugal, Angola e a diáspora.

A sessão decorreu num ambiente de grande proximidade com os leitores, permitindo cruzar testemunhos, percursos pessoais, obras publicadas e reflexões sobre a literatura angolana contemporânea. Mais do que uma simples apresentação de livros, “Angola Toma a Palavra” afirmou-se como um encontro de vozes: escritores, editores, leitores e comunicadores reunidos em torno de uma ideia comum, dar visibilidade à diversidade cultural angolana e ao contributo dos seus autores para a língua portuguesa.

A presença da Perfil Criativo | AUTORES.club nesta edição da Feira do Livro de Portimão reforçou esse compromisso editorial de continuar a divulgar autores de Angola aproximando livros, leitores e a diáspora. Num momento em que Angola celebra cinquenta anos de independência, o encontro ganhou também uma dimensão simbólica: pensar Angola através da palavra escrita, da memória histórica, da poesia, da ficção e do debate público.

A conversa teve ainda o registo especial da Rádio Portimão, com captação em direto por João Carranca, permitindo ampliar o alcance do encontro e levar a discussão para além do recinto da Feira. Esse registo deu voz aos grandes momentos da sessão, fixando a energia de uma conversa que partiu dos livros, mas rapidamente se abriu para temas mais amplos: liberdade, história, pertença, criação literária e circulação cultural.

A Feira do Livro de Portimão, organizada pela Câmara Municipal de Portimão e pela Promobooks.net, em parceria com Bookas.pt, Páginas Otimistas e a agente cultural Analita Alves dos Santos, decorre entre 19 de junho e 5 de julho de 2026, com uma programação diversificada de apresentações, conversas literárias, debates, atividades para crianças, música e ações de promoção da leitura.

Ao receber “Angola Toma a Palavra”, Portimão abriu espaço a uma literatura que atravessa geografias e gerações, confirmando que os livros continuam a ser uma ponte viva entre povos, memórias e futuros possíveis.

“Angola Toma a Palavra” gravação do encontro realizado a 24 de junho de 2026 na Feira do livro de Portimão, uma realização e locação em directo de João Carranca na Rádio Portimão

Angola encerrou a Feira do Livro de Lisboa

Angola encerrou a Feira do Livro de Lisboa

A programação da Perfil Criativo | AUTORES.club, representada pela Promobooks no stand D48, encerrou-se no passado domingo, 14 de junho de 2026, na Feira do Livro de Lisboa, com a apresentação de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), do académico e jurista Rui Verde.

O encontro, realizado na Praça Roxa, contou com a presença especial do histórico jurista, constitucionalista, professor universitário e antigo candidato às eleições presidenciais angolanas de 1992, António Alberto Neto. Perante leitores e membros da comunidade angolana residente em Portugal, os dois intervenientes protagonizaram uma conversa intensa sobre a escrita da História, a construção do Estado angolano, a herança colonial, a educação, a emancipação africana e os desafios que Angola continua a enfrentar.

Rui Verde começou por reconhecer que a obra tem vindo a ser apresentada gradualmente, em diferentes espaços, num percurso que espera levar até Luanda, em novembro. O autor observou que o interesse por Angola em Portugal já não tem hoje a dimensão que possuía há quarenta ou cinquenta anos, tornando-se progressivamente um interesse mais especializado.

Para o académico, uma das principais conclusões retiradas das apresentações já realizadas é a inexistência de um consenso sobre uma História de Angola construída como ciência, baseada em factos, provas, metodologia e confronto crítico de fontes. Na sua perspetiva, a História angolana continua frequentemente a ser utilizada como instrumento do poder ou do contrapoder, através de narrativas políticas antagónicas.

De um lado, explicou, permanece uma leitura próxima da narrativa oficial do MPLA, segundo a qual as decisões tomadas pelo partido são apresentadas como essencialmente corretas. Do outro, surge uma narrativa da oposição que tende a considerar erradas todas as decisões do MPLA. Entre estas posições, Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025) procura encontrar um espaço central, apresentando os factos menos disputados e, nos acontecimentos mais controversos, expondo versões distintas.

Rui Verde admitiu que o livro será necessariamente objeto de críticas: por aquilo que inclui, pelo que deixa de fora, pela importância concedida a determinadas personalidades e pela forma como interpreta alguns acontecimentos. No entanto, sublinhou que a obra não pretende ser um projeto definitivo, mas o início de uma discussão que considera ainda insuficientemente desenvolvida.

Segundo o autor, não existia até agora uma história compacta dedicada ao período compreendido entre 1975 e 2025. Há obras monumentais sobre a História de Angola, como as de Alberto Oliveira Pinto e Carlos Mariano Manuel, e estudos estrangeiros relevantes, mas muitos desses trabalhos terminam nos anos 1980 ou 1990, não oferecendo uma reflexão continuada até ao presente.

Por ser uma obra breve, Rui Verde reconheceu a existência de lacunas. Por ter sido escrita por um autor estrangeiro, admitiu também que não contém a mesma carga emocional que os angolanos atribuem aos acontecimentos que viveram diretamente. Ainda assim, identificou como principal virtude do livro o facto de ser uma primeira tentativa de síntese sobre os cinquenta anos da Angola independente e de abrir caminho para uma discussão afastada das leituras exclusivamente partidárias.

A primeira parte da obra, sobretudo até 2002, apoia-se maioritariamente em estudos, documentos e interpretações de outros autores. A segunda parte incorpora também a experiência direta de Rui Verde, que acompanha com proximidade a vida política, económica e quotidiana de Angola desde 2012, incluindo observações pessoais e entrevistas realizadas ao longo desse período.

O livro começa na excitação e na esperança que acompanharam a independência, em 1975, e termina naquilo que o autor designa como a “curva apertada” em que Angola se encontra atualmente. A análise não conclui que o país não tem futuro, mas também não afirma que tudo esteja bem.

Rui Verde considera que, depois de 2017, existiu uma tentativa de alterar e melhorar a situação do país, mas que esse processo ficou “a meio da ponte”. Angola aproxima-se agora, na sua leitura, de um período em que terá de tomar opções difíceis, sobretudo a partir de 2027.

“O objetivo essencial desta obra não é o fim, mas o princípio”, afirmou o autor, convidando os leitores a enviarem ao editor críticas, correções e testemunhos. Esse contributo poderá permitir que uma futura segunda edição seja mais ampla, mais representativa e enriquecida pelas experiências daqueles que viveram diretamente os acontecimentos.

António Alberto Neto: a História exige verdade, educação e emancipação

Na segunda parte da sessão, António Alberto Neto respondeu à questão colocada pelo editor João Ricardo Rodrigues: qual foi, afinal, o resultado da construção de Angola ao longo destes cinquenta anos?

O histórico jurista começou por refletir sobre a dicotomia entre as diferentes histórias e narrativas. Para António Alberto Neto, a diferença reside muitas vezes na posição de quem relata os acontecimentos. Uma narrativa construída a partir de uma perspetiva europeia ou ocidental pode ser diferente da narrativa daqueles que participaram diretamente na luta pela emancipação dos povos africanos.

Segundo o constitucionalista, uma narrativa que defenda o apartheid nunca poderá ser igual à narrativa de quem defende os princípios da Liberdade, da Democracia e da Paz. Por essa razão, introduziu no debate o conceito de “esquecimento histórico”, entendido como a ausência de uma narrativa fundada na verdade dos factos.

António Alberto Neto afirmou não falar como historiador, mas como alguém que examinou, viveu e, em certos momentos, ajudou a produzir os próprios acontecimentos. Nascido em 1943, atravessou pessoalmente vários dos períodos abordados no livro e conviveu com algumas das principais figuras da História política angolana.

Referindo-se às fotografias incluídas na obra, recordou que esteve próximo de personalidades com as quais partilhou momentos políticos, mas também diferenças profundas. Essas figuras, salientou, não foram imortais, cometeram erros, criaram situações difíceis e tiveram responsabilidades políticas, económicas, sociais e militares num conflito em que morreram muitas pessoas.

Apesar do fim da guerra civil, António Alberto Neto lembrou que Angola continua confrontada com problemas de emancipação, fome, pobreza e discriminação. Para o jurista, a ausência de uma guerra de grande dimensão não significa que os principais problemas do país estejam resolvidos, sendo igualmente necessário continuar a falar da situação de Cabinda e dos conflitos que persistem noutros territórios africanos.

Assumindo-se como pan-africanista, defendeu que os africanos observam a História a partir de uma conceção própria. África, afirmou, deve participar plenamente no progresso mundial, não apenas como fornecedora de matérias-primas ou como continente permanentemente dependente.

António Alberto Neto criticou o modelo de independências formais que permitiu aos países africanos terem bandeiras, presidentes, parlamentos e representação nas Nações Unidas, sem alcançarem uma verdadeira independência económica, social e política. Na sua leitura, muitos Estados africanos foram colocados numa situação de dívida permanente, tendo os seus recursos naturais como principal garantia perante o sistema económico internacional.

Foi neste contexto que relacionou as guerras e interferências externas em Angola com a disputa pelo petróleo e pelos diamantes. Para o jurista, o endividamento externo continua a limitar a soberania e as possibilidades de desenvolvimento do país.

O antigo candidato presidencial manifestou também preocupação com a possibilidade de o livro chegar a Luanda e permanecer circunscrito à nomenclatura política e administrativa, sem alcançar a maioria da população. Por isso, defendeu a realização de uma edição popular, acessível aos angolanos que normalmente não conseguem comprar ou conhecer obras desta natureza.

A educação ocupou uma parte central da sua intervenção. A partir de uma passagem da página 59 do livro, António Alberto Neto recordou que o número de angolanos com formação universitária, em 1975, era extremamente reduzido. Durante o período colonial, o acesso ao ensino superior pela população angolana foi muito limitado, sendo a maioria dos licenciados portugueses ou estrangeiros residentes no território.

A pergunta essencial, afirmou, é compreender por que razão Angola chegou à independência com um número tão reduzido de quadros formados. Para António Alberto Neto, a resposta encontra-se nas limitações impostas pelo sistema colonial à educação e à emancipação dos povos africanos.

O jurista considerou que, caso Angola tivesse sido independente durante séculos, poderia possuir hoje mais cientistas, engenheiros, investigadores e uma classe política mais preparada. Sublinhou que a educação é um elemento determinante para o progresso e que os dirigentes angolanos herdaram um país marcado por profundas carências educativas.

Recordou igualmente o contributo de países como a União Soviética, a Checoslováquia, a Hungria e a China para a formação de estudantes angolanos, contrastando esse apoio com as limitações que, segundo afirmou, as autoridades coloniais colocaram à formação superior dos angolanos, moçambicanos, guineenses e cabo-verdianos.

Para António Alberto Neto, o baixo nível de educação herdado do colonialismo continua a produzir consequências no desenvolvimento de Angola. A emancipação, defendeu, deve abranger a educação, a economia, a saúde, a participação política e a dignidade humana.

A propósito do Dia Mundial do Dador de Sangue, assinalado a 14 de junho, o constitucionalista recorreu à universalidade do sangue humano como símbolo da cooperação entre os povos. Independentemente da nacionalidade, afirmou, o sangue compatível pode salvar qualquer pessoa, demonstrando que a humanidade deve prevalecer sobre as divisões políticas, nacionais e raciais.

Na conclusão, António Alberto Neto recordou ter sido candidato às eleições presidenciais de 1992, nas quais ficou em terceiro lugar, um facto que considera frequentemente afastado da memória pública devido ao “esquecimento histórico”.

“Os angolanos estão a resistir. E quem resiste é para vencer”, declarou, acrescentando que essa resistência tem como finalidade conquistar a paz, a dignidade e uma verdadeira emancipação.

Um encerramento marcado pela pluralidade

A apresentação de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025) encerrou, assim, a participação da Perfil Criativo | AUTORES.club e da Promobooks na Feira do Livro de Lisboa de 2026.

Mais do que uma sessão de lançamento, o encontro colocou frente a frente duas formas complementares de olhar para Angola: a investigação e a tentativa de síntese histórica de Rui Verde; e a memória vivida, a experiência política e o pensamento pan-africanista de António Alberto Neto.

Num ambiente aberto à participação do público, ficou evidente que a História da Angola independente permanece um campo em construção, atravessado por memórias concorrentes, disputas políticas, silêncios e testemunhos ainda por recolher.

O encerramento da Feira do Livro transformou-se, deste modo, num convite à leitura, ao confronto de ideias e à preservação das memórias das várias gerações que participaram na construção do país. Uma conversa que não procurou encerrar a História de Angola, mas abrir novas possibilidades para a compreender e continuar a escrevê-la.

Kalunga regressa à Feira do Livro de Lisboa com a palavra transformada em sabedoria

Kalunga regressa à Feira do Livro de Lisboa com a palavra transformada em sabedoria

O poeta angolano Kalunga, nome literário de João Fernando André, marcou presença na Feira do Livro de Lisboa no passado dia 4 de junho de 2026, protagonizando mais uma intervenção impactante, marcada pela lucidez, pela profundidade do pensamento e por uma forma muito própria de olhar para a vida.

Perante o público reunido no Parque Eduardo VII, Kalunga voltou a demonstrar que a sua poesia não se limita à leitura de versos. Cada intervenção transforma-se numa reflexão sobre a existência, a identidade, a memória, o sofrimento, o amor e a responsabilidade de cada ser humano perante o mundo.

Com uma comunicação serena, mas intensa, o poeta partilhou ideias que nasceram da literatura, mas rapidamente se alargaram à vida. Com a palavra, construída a partir da experiência angolana e de uma permanente interrogação sobre a condição humana, encontrou em Lisboa um público atento e disponível para escutar.

A presença de Kalunga na edição de 2026 da Feira do Livro de Lisboa constituiu mais uma etapa de um percurso editorial e cultural iniciado há vários anos. Para o editor da Perfil Criativo | Alende | AUTORES.club, o encontro despertou inevitavelmente a memória de outra sessão extraordinária: a apresentação de Evangelho Bantu, realizada pela Alende — Edições, no dia 17 de maio de 2019, na Biblioteca Nacional de Angola, em Luanda.

Aquela tarde de 2019 permanece como um momento inesquecível. Na Biblioteca Nacional de Angola, Kalunga apresentou-se como uma nova voz da poesia angolana, revelando uma escrita que unia a afirmação da identidade bantu, a espiritualidade, o amor, a valorização da mulher, a crítica social e a esperança numa humanidade mais consciente.

Foi também o início de uma relação editorial construída em torno da confiança na palavra e da convicção de que a poesia angolana contemporânea precisava de atravessar fronteiras, chegar a novos leitores e ocupar o seu lugar no espaço literário de língua portuguesa.

Desde então, as apresentações de Kalunga têm adquirido uma dinâmica muito particular. Em vez de sessões convencionais, o poeta cria momentos de participação, diálogo, declamação e pensamento colectivo. O público não permanece apenas como espectador: é frequentemente chamado a entrar no poema, a questionar o seu próprio lugar no mundo e a descobrir a literatura como experiência viva.

Depois da apresentação de Evangelho Bantu em Luanda, em 2019, Kalunga continuou a desenvolver um percurso literário marcado pela publicação, pelo ensino, pela crítica cultural e pela participação em diferentes iniciativas dedicadas à literatura.

O regresso de Evangelho Bantu aos encontros públicos ganhou especial significado em Lisboa. No dia 4 de fevereiro de 2025, a Biblioteca Palácio Galveias recebeu uma apresentação do livro que ultrapassou o formato tradicional e culminou numa surpreendente performance colectiva, com a participação de poetas presentes na sala. A palavra de Kalunga transformou o público numa comunidade momentânea de vozes, ritmos e experiências.

Ainda em 2025, o autor levou Evangelho Bantu à Feira do Livro de Lisboa. A sessão, realizada a 10 de junho, converteu-se numa conversa aberta entre o poeta, o editor e os leitores, permitindo abordar as culturas de Angola, os bantu, a criação literária e o lugar da nova poesia.

Em 2026, esse percurso entrou numa nova fase com a publicação de Matéria Negra. A obra aprofunda a dimensão filosófica e contemplativa da escrita de Kalunga, cruzando memória, resistência, identidade, espiritualidade, fragilidade humana e inquietação perante os problemas do presente.

A apresentação oficial do livro, realizada no dia 13 de maio, na histórica sede d’A Voz do Operário, em Lisboa, abriu o ciclo cultural «A Desconhecida e Surpreendente Literatura Angolana». A sessão contou com a participação da professora e ensaísta Ana Mafalda Leite, que estabeleceu uma ponte entre Evangelho Bantu e Matéria Negra, mostrando a evolução de uma poesia que preserva as suas raízes, mas amplia continuamente os seus territórios.

A passagem de Kalunga pela Feira do Livro de Lisboa de 2026 confirmou essa evolução. A sua presença no dia 4 de junho e a posterior apresentação de Matéria Negra, no dia 7, integraram uma programação dedicada à divulgação da literatura, da história e do pensamento angolanos.

No mesmo dia da apresentação de Matéria Negra,Jornal de Angola publicou uma extensa análise de Luísa Fresta, intitulada «Kalunga transforma a palavra em contemplação e resistência». O texto reconheceu a densidade simbólica da obra e a capacidade do poeta para transformar experiências pessoais e colectivas numa linguagem de grande força estética e humana.

De Luanda a Lisboa, da Biblioteca Nacional de Angola à Biblioteca Palácio Galveias, d’A Voz do Operário à Feira do Livro de Lisboa, as apresentações de Kalunga revelam um poeta que não repete simplesmente os seus livros: recria-os diante do público.

Em cada encontro, João Fernando André demonstra que a poesia pode ser escuta, confronto, memória, conhecimento e aproximação entre pessoas. A sua palavra nasce de Angola, mas dirige-se ao ser humano, às suas contradições e à sua permanente procura de sentido.

Para a Perfil Criativo | Alende | AUTORES.club, acompanhar este percurso desde 2019 representa muito mais do que publicar livros. Representa testemunhar o crescimento de uma voz poética singular e renovar, a cada apresentação, a certeza de que a literatura angolana contemporânea possui autores capazes de transformar a palavra em contemplação, resistência e sabedoria.

Professor Carlos Mariano Manuel Joins International Cancer Control Mission in Namibia

Professor Carlos Mariano Manuel Joins International Cancer Control Mission in Namibia

Angolan physician, pathologist, researcher and author Professor Carlos Mariano Manuel is participating in the international imPACT Review Mission taking place in Namibia from 8 to 13 June 2026.

The mission brings together international specialists and Namibian health authorities to conduct a comprehensive assessment of the country’s capacity to prevent, diagnose and treat cancer, as well as to provide appropriate follow-up and palliative care to patients.

Professor Carlos Mariano Manuel is contributing to the mission through his extensive medical and scientific experience, particularly in the field of pathology, which plays a decisive role in the accurate diagnosis and classification of cancer. His participation represents an important recognition of Angolan expertise within a multidisciplinary international initiative dedicated to strengthening public health systems and improving cancer care.

The imPACT Review — the integrated mission of the Programme of Action for Cancer Therapy — is coordinated by the International Atomic Energy Agency, in collaboration with the World Health Organization and the International Agency for Research on Cancer. It is designed to evaluate a country’s existing cancer-control services, identify institutional and technical gaps, and propose priority interventions suited to its public-health needs and available resources.

During the mission in Namibia, international experts are expected to hold consultations with government representatives, healthcare professionals, hospital administrators, academic institutions and other stakeholders involved in cancer prevention and care. The programme also includes the assessment of health facilities and services related to cancer registration, screening, pathology, medical imaging, surgery, chemotherapy, radiotherapy, nuclear medicine and palliative care.

The conclusions of the review will contribute to a detailed analysis of Namibia’s strengths, challenges and opportunities in cancer control. Its recommendations may support the development or reinforcement of national strategies, specialised training, investment priorities, access to diagnostic and therapeutic technologies, and cooperation with international partners.

Alongside his distinguished career in medicine and pathology, Professor Carlos Mariano Manuel is the author of Treatise on the History of Angola, an ambitious work that reflects his broad intellectual engagement with the political, social and cultural formation of Angola. His presence in Namibia therefore highlights the remarkable profile of a scholar whose work bridges medical science, historical research and African knowledge production.

The participation of Professor Carlos Mariano Manuel in this international mission also strengthens the visibility of Angolan specialists in major African and global cooperation networks. It demonstrates the valuable contribution that Angolan scientific knowledge and professional experience can make to the development of sustainable responses to the growing burden of cancer across the African continent.

Taking place from 8 to 13 June 2026, the imPACT Review Mission represents an important step in Namibia’s efforts to strengthen cancer prevention, early detection, diagnosis, treatment and patient care. Professor Carlos Mariano Manuel’s involvement gives this international initiative a significant Angolan presence and reinforces the importance of scientific cooperation between African countries.

The mission also includes the participation of Angolan physician Nilton Caetano da Rosa, grandson of the distinguished Angolan intellectual and author Mafrano. He represents the Angolan Institute for Cancer Control, where he serves as Director of Education and Training.

Highlighting the importance of his contribution, Professor Carlos Mariano Manuel stated: “I have witnessed the highly valuable contribution that Nilton Caetano da Rosa is making to the mission in the field of oncological surgery, further strengthening the international prestige of Angolan medicine.”

The participation of both specialists underlines the quality of Angola’s medical expertise and reinforces the country’s contribution to international cooperation in cancer prevention, diagnosis and treatment.