A Revista Psicólogos Angola lançou recentemente uma edição especial que assinala 10 anos do projeto editorial e celebra 50 anos de Independência Nacional, reunindo e homenageando dezenas de profissionais ligados à saúde mental.
Nesta publicação Fernando Kawendimba foi indicado como um dos psicólogos em destaque em Angola, reconhecimento que reforça o seu percurso simultaneamente ligado à psicologia clínica e à criação artística e literária.
No catálogo da Perfil Criativo | AUTORES.club, Fernando Kawendimba assina o livro Mãe Nossa que Sois o Céu – Contos, publicado em novembro de 2020 (1.ª edição). Fernando Kawendimba que se encontra em Lisboa a desenvolver os seus estudos académicos representou a nossa editora na apresentação do terceiro volume da obra de Mafrano em 2025, em Luanda.
Além do trabalho editorial, o autor tem aparecido em espaços de debate público como psicólogo e comentador, sublinhando a ligação entre experiência humana, saúde mental e narrativa.
O “pensador angolano” Marcolino Moco é chamado a público para explicar as ideias expressas na edição em formato de bolso de ANGOLA: POR UMA NOVA PARTIDA, uma obra originalmente publicada em 2020 e que agora ganha nova vida e urgência num momento crítico da história política angolana. Com estilo claro, perspicaz e profundamente reflexivo, Marcolino Moco propõe uma reflexão abrangente sobre os desafios estruturais que moldam o Estado angolano, a dinâmica de poder dentro do partido-Estado e as urgentes necessidades de renovação e institucionalização democrática.
No cerne desta edição está o capítulo que aqui emprestamos como título: “Um Interlúdio Chamado João Lourenço”. Uma análise que transcende o indivíduo e se concentra nas tensões e paradoxos que caracterizam a sufocante liderança contemporânea em Angola. Marcolino Moco desvenda como, nas últimas décadas, as estruturas de poder tendem a personalizar-se, concentrando autoridade no aparelho do Estado e, em particular, no comando do MPLA, gerando uma fricção permanente entre a necessidade de reforma e a manutenção do statu quo político.
Desde a sua eleição, João Lourenço prometeu romper com práticas arraigadas de corrupção e patrimonialismo, ganhando algum reconhecimento internacional pela sua campanha de combate à corrupção e pela busca de modernização económica. Contudo, suas reformas internamente têm sido interpretadas por muitos analistas como um esforço para consolidar poder, ao mesmo tempo em que enfrenta crescente descontentamento popular face às dificuldades socioeconómicas e à desigualdade persistente.
O contexto político de Angola em 2025-2026 é marcado por episódios de mobilização social, incluindo protestos e greves desencadeados por políticas de preços de combustíveis e custos de vida, que expõem uma crescente tensão entre o governo e vastos segmentos da juventude e da sociedade civil.
Ao anunciar publicamente que deixará o poder em 2027, o general João Lourenço lançou um novo capítulo de incerteza e debates dentro do próprio MPLA, gerando expectativas e preocupações sobre a sucessão, a renovação interna do partido e o futuro político do país. Estas declarações, embora cumpram dispositivos constitucionais, também colocam em evidência a necessidade de uma transição mais ampla que permita maior participação das vozes emergentes na sociedade angolana.
ANGOLA: POR UMA NOVA PARTIDA não é apenas um livro de análise política: é um convite à introspeção, ao diálogo e à ação coletiva. A versão de bolso, acessível e incisiva, coloca nas mãos do leitor uma ferramenta de compreensão crítica sobre a natureza do poder, a governança e o futuro de Angola, num momento em que o país se debate entre a tradição de um partido-Estado dominante e as aspirações por maior abertura democrática e justiça social.
Este livro dirige-se a todos os leitores interessados em entender não só o passado e presente de Angola, mas sobretudo o futuro que a nação pode, e deve, construir. Com linguagem acessível e rigor analítico, Marcolino Moco oferece um retrato lúcido dos dilemas do poder, das oportunidades de mudança e das forças que moldam a perspetiva de uma nova partida para Angola.
5 ideas for the continuation of the construction of Angola, as a modern African nation-state – contribution. Criticism of the elections as an end in itself and political opportunism. Angola in Africa, For a New Start
Público-alvo
Cidadãos politicamente conscientes (25–65 anos)
Leitores que acompanham a vida política angolana.
Pessoas críticas em relação ao partido-Estado, à governação e ao funcionamento das instituições.
Interessados em compreender as dinâmicas internas do poder, para além do discurso oficial.
Este é o núcleo duro do público do livro.
Quadros políticos e institucionais
Militantes e dirigentes do MPLA e da oposição.
Deputados, assessores políticos, juristas, diplomatas e funcionários superiores do Estado.
Decisores que refletem sobre transições de poder, sucessão política e reformas institucionais.
O livro funciona aqui como texto de reflexão estratégica, não panfletário.
Juventude universitária e jovens ativistas (20–35 anos)
Estudantes de Direito, Ciência Política, Relações Internacionais, Sociologia e História.
Jovens envolvidos em movimentos cívicos, associações e debates públicos.
Leitores que procuram chaves de leitura para compreender por que as eleições, por si só, não resolvem os problemas estruturais.
Especialmente atraídos pelo tom crítico e pelo capítulo “Um Interlúdio Chamado João Lourenço”, que dialoga com o presente.
Intelectuais, académicos e formadores de opinião
Professores, investigadores, jornalistas, cronistas e analistas políticos.
Leitores que valorizam obras de pensamento político africano produzido por africanos.
Público interessado em democracia, constitucionalismo, Estado-nação e pós-colonialismo.
O livro posiciona-se como obra de referência no debate político angolano contemporâneo.
Diáspora angolana
Angolanos residentes em Portugal, Brasil, França e outros países.
Leitores de língua portuguesa interessados em África, política e geopolítica.
Comunidade internacional ligada a ONG, cooperação, diplomacia e estudos africanos.
O formato livro de bolso facilita o acesso e a circulação internacional.
A sessão será transmitida em direto através da plataforma Zoom, permitindo a participação de numerosos autores que se encontram fora de Lisboa, residentes em Angola, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Este formato híbrido reforça o caráter inovador do evento e alarga o debate a uma verdadeira dimensão transnacional.
50 anos de Independências Africanas vistos por quem as viveu
A obra coletiva 50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos, coordenada por Eugénio da Costa Almeida e Rui Verde, reúne um vasto e plural conjunto de autores, académicos, escritores, jornalistas e responsáveis políticos, que refletem, a partir da experiência direta, sobre meio século de independência nos países africanos.
Com contributos de Alcides Sakala, Ana “Margoso”, Anastácio Sicato, Arlete Chimbinda, Belarmino Van-Dúnem, Carlos Veiga, Celso Malavoloneke, Denilaide Cunha, Domingos Kimpolo Nzau, Domingos Simões Pereira, Eusébio Sanjane, Gilvanete Chantre, Humberto Macaringue, Isaac Paxe, Jacques dos Santos, Jerónimo Belo, João Carlos do Rosário, João Carlos, João Craveirinha Jr, João Sicato Kandjo, Joaquim Rafael Branco, Jorge Castelo David, José Luís Mendonça, José Maria Neves, José Miguel Ferro, José Ulisses Correia e Silva, Manuel Fragata de Morais, Maria da Imaculada Melo, Maria João Teles Grilo, Maria Olinda Beja, Mihaela Webba, Onofre dos Santos, Orlando de Castro, Sandra Poulson, Sedrick de Carvalho, Sónia Santos Silva, Tomás Lima Coelho, Victor Hugo Mendes, William Tonet e Zeferino Boal, o livro traça um retrato crítico e multifacetado dos sucessos, frustrações, continuidades e ruturas que marcaram as últimas cinco décadas.
Trata-se de uma obra de memória, análise e projeção futura, onde se cruzam perspetivas históricas, políticas, sociais e culturais, sempre a partir do olhar dos próprios cidadãos africanos.
Angola e os desafios da estabilidade em África
O segundo livro em destaque, Angola e os desafios da estabilidade em África, de Zeferino Pintinho, centra-se no papel de Angola no contexto regional e continental, analisando os desafios da estabilidade política, da segurança, da diplomacia e do desenvolvimento sustentável em África.
A obra propõe uma leitura estratégica do posicionamento angolano num continente em transformação, sublinhando responsabilidades, oportunidades e riscos num cenário internacional cada vez mais complexo.
Um debate da África Latina sem precedentes em Lisboa
Este encontro assume um caráter inédito ao colocar, num mesmo espaço físico e digital, uma reflexão conjunta sobre os países africanos de língua oficial portuguesa, cruzando experiências nacionais, trajetórias históricas e desafios comuns.
A apresentação na Biblioteca Palácio Galveias afirma-se, assim, como um momento de diálogo aberto entre África e Europa, entre gerações e entre diferentes campos do saber, convidando o público presencial e online a participar numa análise profunda sobre o passado, o presente e o futuro das independências africanas.
Data: sexta-feira, 9 de janeiro de 2026 Hora: 18h00 Local: Biblioteca Palácio Galveias, Lisboa Transmissão: em direto via Zoom
Um acontecimento imperdível para leitores, investigadores, estudantes e todos os interessados no pensamento africano contemporâneo e no espaço de língua portuguesa.
O prefaciador preso: a atualidade dramática de um livro sobre África
À data da apresentação desta obra em Lisboa, Domingos Simões Pereira encontra-se detido na Guiné-Bissau, no contexto da instabilidade política vivida naquele país desde o final de 2025. A sua ausência no evento resulta, assim, de uma situação de violência política, amplamente noticiada por órgãos de comunicação social internacionais e acompanhada com preocupação.
Este facto confere um significado político e simbólico acrescido à apresentação do livro, reforçando a atualidade do debate em torno da estabilidade, da governação democrática e da segurança em África, temas centrais da obra agora apresentada.
A sessão na Biblioteca Palácio Galveias será também um momento de reflexão, reafirmando o papel do livro, do pensamento crítico e do diálogo como instrumentos essenciais na construção de sociedades mais justas e estáveis.
Poemas escritos entre 1975 e 1980, no exílio forçado de um jovem jornalista angolano
A poesia pode ser um grito, um arquivo da memória e um acto de resistência. É nesse território que se inscreve Egosismo (o sismo de magnitude máxima que atingiu o meu ego), livro de poesia de Orlando Castro, jornalista angolano e refugiado de guerra no sangrento processo de independência de Angola.
Escritos entre 1975, ano da saída forçada de Angola, e 1980, estes poemas nascem num dos períodos mais violentos e silenciados da história contemporânea angolana. Após o Acordo do Alvor, o processo de independência rapidamente se desfez: o MPLA avançou unilateralmente para a tomada do poder político, apoiado pela União Soviética, Cuba e a República Democrática Alemã, precipitando o país numa violenta guerra fratricida. A prometida libertação deu lugar à perseguição, ao exílio, à repressão e a práticas de limpeza política e étnica que marcaram gerações.
É nesse contexto que o jovem poeta, ainda com Angola viva no sangue, fixa no papel a dor colectiva, o desterro, a morte e a traição do sonho independentista. Egosismo é mais do que um livro de poesia: é um documento humano, político e histórico.
No prefácio, o investigador e ensaísta Eugénio Costa Almeida sublinha a natureza indomável desta escrita, afirmando:
“Quando o poeta é livre como o Catuituí, nada há que o engaiole…”
A liberdade do poeta é aqui inseparável da sua recusa do silêncio e da submissão. Orlando Castro escreve como quem sobrevive, como quem denuncia, como quem se recusa a aceitar a normalização da barbárie.
Ao longo de duas partes, o livro reúne poemas de forte impacto emocional e simbólico, entre os quais se destacam:
“Minha Irmã Vala Comum”, um dos textos mais violentos e lúcidos sobre a morte colectiva, onde o poeta afirma, sem concessões, que a vala comum é “multirracial”, denunciando a mentira ideológica da guerra;
“Angola Desespero”, um retrato seco e devastador de um país entregue ao sofrimento de mães, crianças e velhos;
“A Minha Guerra”, onde a experiência individual se funde com a tragédia nacional;
“Não Sou Português”, poema de identidade ferida, escrito no exílio, entre a rejeição e a perda;
“Missão Para Minha Filha”, texto de denúncia frontal contra os responsáveis pela destruição do país, lançado como herança ética às gerações futuras;
“Quem Canta o Meu Povo?”, um violento ajuste de contas com os mitos revolucionários e com a descolonização feita à custa do massacre do próprio povo.
A par da denúncia, há também espaço para a esperança, o amor, a memória e a utopia, como em “Cântico para o Amanhã”, “O Amor e a Paz” ou “Não Chores Poeta”, onde a poesia insiste em sobreviver mesmo no meio das ruínas.
Egosismo é, assim, a voz de um poeta-jornalista que recusou ser cúmplice da amnésia histórica. Um livro incómodo, necessário e profundamente actual, que devolve à poesia a sua função primordial: dizer o que muitos quiseram apagar.
Egosismo dirige-se a leitores de poesia e pensamento crítico, em particular:
Leitores de poesia social e política, interessados em literatura de denúncia, memória e resistência.
Público angolano e da diáspora, especialmente gerações marcadas pela guerra, pelo exílio e pela descolonização.
Académicos, investigadores e estudantes das áreas de Estudos Africanos, História Contemporânea, Literatura e Estudos Pós-Coloniais.
Jornalistas, historiadores e leitores de ensaio político, atentos às narrativas silenciadas do processo de independência de Angola.
Leitores portugueses interessados nas consequências humanas e históricas da descolonização.
Ativistas e instituições ligadas aos direitos humanos e à memória histórica.
Um livro para quem recusa o esquecimento e procura compreender, através da poesia, a violência, o exílio e a traição dos ideais da independência angolana.
Foi publicado em 2022 o livro Ensino dos Números, Sequências e Padrões: Tarefas para o 2.º Ciclo do Ensino Secundário em Angola, da autoria de Jerónimo Sanchos Mendes Evaristo, Paula Maria Machado Cruz Catarino, Ana Paula Florêncio Aires e Helena Maria Barros de Campos, uma obra concebida como ferramenta prática de apoio ao professor para o ensino das sequências numéricas e padrões, tópico integrante do programa do 2.º Ciclo do Ensino Secundário Geral (CESG) em Angola. Este livro o primeiro a ser promovido em 2026 está disponível em Luanda nas livrarias Komutú.
Um livro pensado para a sala de aula
A obra parte de um princípio pedagógico claro: o uso de tarefas como estratégia para promover raciocínio, resolução de problemas, comunicação matemática e aprendizagem ativa, defendendo a integração de tarefas contextualizadas no dia a dia dos alunos para aumentar motivação e compreensão.
O que o livro traz (conteúdo e estrutura)
O volume está organizado em três blocos principais:
Introdução e enquadramento do tema (números, sequências e padrões), reforçando a importância da Matemática como linguagem transversal e o papel das sequências (como a de Fibonacci) no ensino e na motivação dos alunos.
A importância do uso de tarefas no ensino da Matemática, com foco na necessidade de práticas pedagógicas que desenvolvam criatividade, pensamento crítico e competências do século XXI no contexto angolano.
Propostas de tarefas (núcleo do livro), divididas em dois grandes grupos.
Grupo 1 — Tarefas contextualizadas com vivências do dia a dia em Angola
Este grupo apresenta tarefas com introdução ao contexto e atividades sequenciais, concebidas para serem implementadas em sala de aula e ligadas à realidade dos alunos.
Inclui ainda atividades introdutórias para trabalhar o número de prata e o número de ouro, como ponto de partida.
Exemplos de tarefas (entre outras):
Sequência de Pell em bijutaria (a partir de formas geométricas observadas em peças usadas nos PALOP).
Sequência de Fibonacci num campo de futebol (com medição e exploração do retângulo e da proporção áurea).
Fibonacci numa estrela (a partir de símbolos, incluindo a análise de uma estrela na Insígnia de Angola).
Fibonacci numa samacaca (padrões geométricos e proporção áurea em tecido angolano).
Fibonacci e o ananás (contagem de espirais e relação com a sequência).
Introdução aos números de Padovan em artesanato (a partir de triângulos e referências a balaios/artefactos).
Procura de padrões no número de ouro e procura do número de ouro num luando, promovendo investigação e ligação a objetos culturais.
Grupo 2 — Tarefas com construções geométricas elementares
Este grupo foca-se em tarefas baseadas em construções geométricas (régua e compasso), usando a Geometria como elemento de motivação e transposição didática para chegar ao conceito de sucessão/sequência, com contactos com sequências como Fibonacci, Pell e Padovan.
Inclui tarefas como:
Construção do retângulo de ouro a partir de um quadrado;
Construção do retângulo de prata;
Construção rigorosa da sequência de Padovan a partir de um triângulo equilátero;
Construção de um triângulo dourado a partir de um pentágono;
Triângulo de Pascal e a sequência de Fibonacci;
Ligação do número de prata à trigonometria via construção de um octógono.
Um recurso alinhado com o contexto angolano
O livro foi desenvolvido com a preocupação explícita de apoiar um ensino da Matemática contextualizado, incorporando cultura, linguagem, experiências e objetos do quotidiano, com tarefas pensadas para maior envolvimento dos alunos.
Professores, escolas e colégios do ensino secundário estão convidados a descobrir e aplicar em sala de aula o livro Ensino dos Números, Sequências e Padrões, uma obra pensada para apoiar a prática pedagógica quotidiana e enriquecer o ensino da Matemática em Angola. Com propostas de tarefas concretas, contextualizadas e alinhadas com os programas curriculares, este livro oferece ferramentas que promovem o raciocínio matemático, a participação ativa dos alunos e a ligação entre a Matemática e o quotidiano angolano, contribuindo para aulas mais dinâmicas, significativas e eficazes.
Em 2025, assinalaram-se os 50 anos das independências dos cinco Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) — Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Para celebrar e refletir sobre esta efeméride histórica, os coordenadores Eugénio da Costa Almeida e Rui Verde reuniram uma obra coletiva inédita: 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos.
Mais de 40 personalidades, entre antigos chefes de Estado e de Governo, académicos, escritores, jornalistas, artistas e representantes da sociedade civil, dão voz a este livro, partilhando memórias, análises e reflexões sobre meio século de soberania, conquistas e desafios. Entre os participantes destacam-se:
Alcides Sakala Simões | Ana Gonçalves da Silva “Margoso” | Anastácio Artur Ruben Sicato | Arlete Leona Chimbinda | Belarmino Van-Dúnem | Carlos Alberto Wahnon de Carvalho Veiga | Celso Domingos José Malavoloneke | Denilaide Miguel Correia da Cunha | Domingos Kimpolo Nzau | Domingos Simões Pereira | Eusébio Sanjane | Gilvanete Madelene Neves Chantre Montrond | Humberto Francisco Mandevo Macaringue | Isaac Paxe | Jacques Arlindo dos Santos | Jerónimo Octávio Xavier Belo | João Carlos do Rosário | João Carlos | João Craveirinha Jr | João Sicato Kandjo | Joaquim Rafael Branco | Jorge Castelo David | José Luís Mendonça | José Maria Neves | José Miguel Ferro | José Ulisses Correia e Silva | Manuel Augusto Fragata de Morais | Maria da Imaculada Melo | Maria João Teles Grilo | Maria Olinda Beja Martins Assunção | Mihaela Neto Webba | Onofre dos Santos | Orlando de Sousa Castro | Sandra Poulson | Sedrick de Carvalho | Sónia Cristina Cardoso dos Santos Silva | Tomás Daniel Gavino Lima Coelho | Victor Hugo Mendes | William Afonso Tonet | Zeferino Augusto Lourenço Boal.
A obra traz textos inéditos que vão além da celebração histórica, abrindo espaço para uma leitura crítica do percurso das independências, do legado político e cultural, das transições democráticas e dos desafios económicos e sociais ainda presentes. Como salientam os coordenadores, esta não é apenas uma coletânea de memórias, mas um convite à reflexão sobre o passado, o presente e os caminhos futuros das nações africanas lusófonas.
Com testemunhos de figuras como José Maria Neves, José Ulisses Correia e Silva, Domingos Simões Pereira, Joaquim Rafael Branco e Alcides Sakala Simões, o livro combina diferentes perspetivas, de estadistas a intelectuais, oferecendo um mosaico plural das conquistas e fragilidades de meio século de independência.
O livro reúne mais de 40 personalidades dos cinco PALOP, incluindo antigos chefes de Estado, políticos, diplomatas, académicos, escritores, artistas e representantes da sociedade civil.
Cada autor partilha uma visão pessoal e crítica sobre os caminhos percorridos desde as independências até hoje, trazendo vozes diversas e perspectivas complementares.
Um balanço histórico de 50 anos
A obra revisita meio século de soberania, assinalando conquistas políticas, económicas e sociais, mas também os desafios persistentes: desigualdade, crises políticas, fragilidades institucionais e necessidade de reconciliação nacional.
Textos de figuras como José Maria Neves, José Ulisses Correia e Silva ou Domingos Simões Pereira oferecem análises de alto nível sobre Cabo Verde e Guiné-Bissau.
Temas estruturantes abordados
Transição para a independência e desafios dos primeiros governos.
Experiências democráticas e autoritarismos ao longo das décadas.
O papel da cultura e da arte na construção da identidade nacional.
Conflitos, reconciliação e desenvolvimento: entre o passado colonial e os caminhos para o futuro.
Público-Alvo
Académicos, investigadores e estudantes
Historiadores, cientistas políticos, sociólogos e estudantes interessados na história contemporânea de África, pós-colonialismo e processos de independência.
Faculdades e centros de investigação em Estudos Africanos, Relações Internacionais, Ciências Políticas, História e Cultura.
Decisores políticos e diplomatas
Líderes e quadros políticos dos PALOP e da Lusofonia em geral.
Diplomatas, organizações internacionais e entidades governamentais envolvidas na cooperação internacional e na reflexão sobre desenvolvimento, democracia e governação.
Professores e formadores
Docentes de História, Ciências Sociais e Língua Portuguesa, que podem usar o livro como recurso pedagógicopara debater temas como descolonização, construção do Estado e cidadania.
Jornalistas, escritores e agentes culturais
Profissionais da comunicação social, escritores, artistas e produtores culturais interessados nas vozes e narrativas africanas e na relação entre cultura, identidade e política.
Leitores em geral
Cidadãos dos PALOP, da diáspora africana e de países lusófonos que procuram compreender melhor os últimos 50 anos de história e refletir sobre os desafios para o futuro.
A Perfil Criativo | AUTORES.club anuncia uma nova parceria estratégica com a Livraria Komutú, uma das referências do sector livreiro independente em Angola, garantindo aos leitores de Luanda acesso direto às suas edições em três localizações da cidade. O acordo representa um passo significativo na aproximação entre a editora e o público angolano, fortalecendo a presença dos seus autores e promovendo novas oportunidades de encontro com leitores.
A partir de 15 de Dezembro de 2025, as obras publicadas pela Perfil Criativo | AUTORES.club poderão ser encontradas, ou encomendadas, nas três lojas da Livraria Komutú em Luanda:
Komutú — Morro Bento
Komutú — Ingombotas (Largo das Escolas, junto à União dos Escritores Angolanos)
Komutú — Nova Vida (Centro Empresarial Nova Vida, Edifício Quissama, Lote 3, Loja G)
Esta colaboração abre portas para a realização de sessões de autógrafos, apresentações e encontros literários com autores angolanos do catálogo da editora, na Komutú — Ingombotas junto à União dos Escritores Angolanos, promovendo uma maior interação cultural e contribuindo para o dinamismo editorial. A presença física das obras permitirá ainda uma maior circulação de títulos e o reforço do diálogo literário em Angola.
Luanda, 25 de Novembro de 2025 – O Secretário-Geral das Nações Unidas, Eng.º António Guterres, considerou segunda-feira em Luanda que a colectânea angolana «Os Bantu na visão de Mafrano», antropologia cultural, ajuda a repor a dignidade dos povos subjugados pelos impérios coloniais, no continente africano.
António Guterres proferiu tal declaração durante um breve encontro realizado no Hotel Epic Sana, na capital angolana, durante o qual a família do autor já falecido, Maurício Francisco Caetano, “Mafrano”, lhe ofereceu os três volumes daquela obra póstuma, muito apreciada pelo mais alto dignatário das Nações Unidas. Entre os presentes destacou-se o coordenador em exercício do sistema das Nações Unidas em Angola, Diego Zorrilla Orsat, membros da comitiva de António Guterres e três familiares do autor.
«Os impérios coloniais distorceram a imagem de África e esta obra vem repor a dignidade destes povos», disse taxativamente o Secretário-Geral das Nações Unidas que se deslocou a Luanda de 23 a 25 de Novembro como convidado da sétima Cimeira União Africana – União Europeia, com a presença de um total de 76 Chefes de Estado e de Governo europeus e africanos.
Para a família do autor, esta colectânea sobre a antropologia cultural e a civilização Bantu terá certamente maior valia internacional se estiver também disponível em francês e inglês. «A obra enuncia um conjunto de princípios assentes na solidariedade humana que podem contribuir para a solução de conflitos e permitir um maior conhecimento e aproximação entre vários povos do mundo», disse José Caetano, filho do autor.
«Os Bantu na visão de Mafrano – Quase Memórias», antropologia cultural angolana, é uma obra em três volumes, 39 capítulos e 800 páginas que começou a ser esboçada em 2011, para ser concluída em Agosto de 2025. A colectânea teve como fonte um legado de estudos e textos dispersos em vários jornais e revistas, com ênfase para os jornais «O Apostolado», «Angola Norte», «O Angolense», a Revista Angola da Liga Nacional Africana, assim como um «Boletim» do Ministério das Finanças publicado já depois da independência de Angola.
O seu autor, o escritor e etnólogo angolano Maurício Francisco Caetano, “Mafrano”, observou os hábitos e costumes autóctones em localidades em que trabalhou desde os anos 40’s até à data da sua morte, em 1982, como Cabinda, Uíge, Malanje, Cuanza-Norte, Dembos e Luanda.
O primeiro volume foi apresentado em Abril e Maio de 2022, no Lubango, Huíla, e em Luanda, e prefaciado por Dom Zacarias Kamwenho, arcebispo emérito do Lubango, prémio Sakharov 2001, que considerou o autor como «o antropólogo maior de Angola».
O segundo volume da colectânea, foi apresentado em Luanda por Dom José Manuel Imbamba, Presidente da Conferência Episcopal de Luanda (CEAST), em Julho de 2023, em Luanda. Em Novembro de 2024 a obra foi distinguida pelo Ministério da Cultura de Angola com o Prémio Nacional de Cultura e Artes na modalidade de investigação em Ciências Humanas e Sociais.
Finalmente, o terceiro e último volume foi apresentado em Luanda, a 12 de Agosto de 2025, na Escola Nacional da Administração e Políticas Públicas (ENAPP), por Dom Filomeno Vieira Dias, Arcebispo de Luanda.
Maurício Caetano, foi director nacional do Ministério das Finanças, e membro fundador da União dos Escritores Angolanos (UEA). Destacou-se igualmente como professor em vários estabelecimentos de ensino.
Na infância, então menino órfão, Maurício Caetano teve como tutor um sacerdote santomense, o cónego José Pereira da Costa Frotta (1879-1954), que o recolheu na Escola da Missão Católica do Dondo, sua terra natal, e o levou posteriormente para o Seminário do Sagrado Coração de Jesus de Luanda, onde cursou Filosofia e Teologia.
Até esta data, a sua colectânea foi apresentada em Moçambique, Cabo-Verde, São Tomé e Príncipe, Portugal, Alemanha, Reino Unido e por vídeo conferência no Brasil.
No passado dia 5 de novembro de 2025, às 16h00, no Arquivo Nacional de Angola, em Luanda, foi oficialmente lançado o livro “Angola e os Desafios da Estabilidade em África”, da autoria do investigador angolano Prof. Doutor Zeferino Pintinho.
O evento reuniu académicos, dirigentes de organismos públicos e representantes da sociedade civil, num momento que reforça a relevância de Angola como actor regional e convoca uma reflexão alargada sobre segurança, cooperação internacional e estabilidade no continente africano.
Sobre o autor e a obra
Zeferino Pintinho surge com um contributo que se posiciona entre a teoria das relações internacionais e a análise concreta da política externa angolana, reflectindo sobretudo sobre como o país pode assumir, ou já assume, um papel estratégico na promoção da estabilidade em África. No livro “Angola e os Desafios da Estabilidade em África”, o autor aborda três eixos principais:
A reforma dos sectores da defesa e da segurança em Angola e suas implicações para a estabilidade regional.
A cooperação da política externa angolana com vizinhos e organizações africanas no domínio da paz e segurança.
Os factores de risco que constroem ou fragilizam a estabilidade no continente — tais como conflitos internos, fraqueza institucional, interdependências económicas e políticas externas.
O autor propõe não só um diagnóstico, mas também pistas de actuação para Angola — e por extensão para o espaço lusófono e para Africa mais ampla — transformarem-se em vetores positivos de segurança e desenvolvimento.
O evento
No Arquivo Nacional de Angola, o ambiente foi marcado por uma forte mobilização do meio académico e cultural. Intervenções alusivas destacaram a importância de combinar história, política e segurança nacional para pensar o futuro do país no contexto africano. Os presentes puderam assistir à apresentação da obra, com leitura de excertos significativos, debate com o autor e sessão de autógrafos.
Por que a obra importa
Em momentos de transformação no continente, com novos modos de cooperação intra-africana, desafios decorrentes da instabilidade e necessidade de diversificar as parcerias externas, este livro aparece como uma referência em língua portuguesa para a reflexão estratégica. Como se sublinha nas comunicações de divulgação, trata-se de uma «leitura essencial sobre o papel de Angola na estabilidade do continente — esclarecedora, actual e importante». Instagram
Para o leitor ou investigador interessado, o livro abre perspetivas para compreender:
Como Angola se relaciona com organizações regionais de segurança e qual o seu grau de protagonismo.
Quais são os condicionantes internos (governança, instituições, defesa) que moldam a capacidade de Angola actuar no plano africano.
Quais as implicações para o futuro da cooperação lusófona, face a dinâmicas de poder global e continental.
Conclusão e convite
O lançamento da obra “Angola e os Desafios da Estabilidade em África” representa mais do que a divulgação de um livro: sinaliza uma abertura ao debate informado sobre o país e o continente. Convidam-se leitores, investigadores, decisores e a sociedade em geral a explorar este trabalho, e a participarem nos eventos futuros que o autor ou a editora possam promover para alargar o diálogo.
Grande reportagem do Jornal dos Desportos destaca o papel de Francisco Van-Dúnem e reaviva o interesse pelo futebol popular no Sambizanga
As páginas 16 e 17 da edição de 21 de Novembro de 2025 do Jornal dos Desportos assinalam de forma memorável as Bodas de Ouro do Progresso Associação Sambizanga, numa investigação aprofundada assinada por Betumeleano Ferrão. A evocação histórica do clube coloca em lugar de destaque o autor e investigador Francisco Van-Dúnem “Vadiago”, cuja obra Futebol Popular no Sambizanga (1974–1976) se afirma como referência indispensável para compreender o fenómeno desportivo e comunitário do bairro.
O Torneio Independência e a génese de um clube mítico
Na retrospectiva publicada pelo Jornal dos Desportos, revive-se o ambiente pós-25 de Abril, marcado pela instabilidade política e pela criatividade social dos jovens do Sambizanga. Foi neste contexto que o “Torneio Independência” nasceu no campo do Bukavu, impulsionado por um grupo de adolescentes entre os quais se destacava Vadiago, figura central na dinamização do futebol popular do bairro.
O torneio, recordado por protagonistas como José Jorge “Kota Nené”, tornou-se o embrião do Progresso, fundado após a célebre goleada do Santos do Sambizanga à JMPLA FC, episódio que levou João Baptista “Kiferro” a idealizar a criação de uma equipa capaz de representar o bairro com orgulho e competitividade.
Vadiago desmonta mitos e recupera a verdade histórica
No trabalho de Ferrão, Vadiago surge como uma voz determinante para repor a verdade histórica sobre a fundação do clube. O autor esclarece que equipas como JUBA, Juventistas ou VASAS não tiveram qualquer intervenção na origem do Progresso, por já não existirem em 1975, contrariando narrativas repetidas durante décadas.
Com a autoridade de quem viveu os acontecimentos e os investigou profundamente, o escritor reafirma que a verdadeira matriz do Progresso está no movimento comunitário e na iniciativa juvenil desencadeada no Torneio Independência, episódio detalhado na sua obra Futebol Popular no Sambizanga.
Memória, trauma e resistência
A reportagem recupera ainda momentos decisivos como o impacto dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, que marcaram profundamente o clube e os seus atletas. Salviano Magalhães, Praia e outras figuras relatam a atmosfera de perseguição política, um período que, segundo Vadiago, deixou marcas irreparáveis na reputação do Progresso.
Esses testemunhos reforçam a importância de obras de memória como a de Vadiago, que contextualizam factos, recolhem vozes esquecidas e devolvem dignidade às histórias do bairro.
Da glória à instabilidade: o Progresso como espelho do país
A análise de Betumeleano Ferrão percorre também fases de ascensão e declínio, recordando jogadores emblemáticos como Vidal, Zico, Janguelito, Valódia ou Mantorras, e denunciando os ciclos de má gestão que contribuíram para o “efeito elevador” do clube nas últimas décadas.
O texto evidencia que, apesar das crises, o Progresso continua a ser um símbolo identitário do Sambizanga, e que o seu passado não pode ser compreendido sem a investigação séria e apaixonada de autores como Vadiago.
Jornal dos Desportos: uma plataforma de memória e investigação
Nesta edição, o Jornal dos Desportos reforça o seu papel enquanto principal órgão desportivo angolano, combinando actualidade com preservação da memória e aprofundamento histórico. A grande reportagem de Ferrão é exemplo dessa linha editorial que valoriza o desporto como elemento cultural e social.
Um convite à leitura da história viva do Sambizanga
A dimensão humana e histórica revelada nesta investigação conduz inevitavelmente à obra Futebol Popular no Sambizanga. O trabalho de Francisco Van-Dúnem “Vadiago” emerge como complemento obrigatório para leitores, investigadores e amantes da história do futebol angolano. Num momento em que o Progresso celebra 50 anos, compreender as suas origens e desafios passa, necessariamente, por conhecer o trabalho deste autor, cuja escrita preserva a memória viva do bairro e do seu desporto popular.