Categoria em Actividades 2026

«Faro e Enigmas» transformou o Memorial num encontro especial

«Faro e Enigmas» transformou o Memorial num encontro especial

A poeta angolana Elsa Major apresentou oficialmente, na tarde de quarta-feira, 29 de Julho, em Luanda, o livro Faro e Enigmas, numa sessão realizada no Memorial Dr. António Agostinho Neto. Perto de uma centena de convidados participou num encontro marcado pela poesia, pela música, pela performance e pela reflexão em torno da mulher e da cultura angolana.

Depois da apresentação pública realizada a 30 de Abril, em Lisboa, com o apoio da Embaixada da República de Angola em PortugalFaro e Enigmas chegou finalmente ao país que inspira grande parte da sua linguagem poética. O Namibe, o Atlântico, o deserto, o amor, a espiritualidade, a memória e as inquietações do mundo contemporâneo atravessam uma obra profundamente ligada às experiências e às raízes culturais da autora.

A sessão contou com as participações especiais de Conceição Cristóvão e Agnela Barros, responsáveis por diferentes leituras da obra, e do escritor, crítico literário e investigador João Fernando André, que representou a Perfil Criativo | AUTORES.club, editora responsável pela publicação.

Embora o auditório principal do Memorial tenha capacidade para cerca de 300 pessoas, a grandeza do encontro não se mediu pela lotação da sala. O escritor e jornalista José Soares Caetano, também conhecido literariamente como Tazuary Nkeita, classificou o lançamento como um momento de «Cultura Angolana em Grande», considerando que a qualidade e a riqueza cultural da sessão superaram todas as expectativas.

Conceição Cristóvão entre a razão e a emoção

Na sua intervenção, o professor Conceição Cristóvão dirigiu-se a Elsa Major a partir de duas perspectivas complementares: a razão e a emoção. Por um lado, propôs uma leitura reflexiva da obra, destacando a diversidade de interpretações que a poesia de Faro e Enigmas permite; por outro, assumiu uma abordagem afectiva, próxima e profundamente ligada à sensibilidade poética da autora.

A intervenção ganhou uma dimensão especialmente emotiva com a declamação de poemas de outros poetas, escolhidos e dedicados a Elsa Major. Este diálogo entre diferentes vozes literárias transformou a homenagem numa celebração colectiva da poesia, aproximando a autora de outras tradições, sensibilidades e experiências da palavra.

Agnela Barros destaca a artista, a mulher e a mãe

Na sua intervenção, a professora Agnela Barros propôs uma leitura de Faro e Enigmas a partir da condição da mulher africana, recordando a proximidade do Dia da Mulher Africana, assinalado a 31 de Julho.

Agnela Barros identificou na obra um forte hibridismo cultural, traduzido no diálogo permanente com diferentes realidades, culturas, civilizações e expressões artísticas. A música, a dança, a literatura, as línguas angolanas e as referências a diferentes geografias surgem interligadas numa poesia que recusa fronteiras rígidas.

Sem ignorar a presença do amor erótico, a professora preferiu destacar aquilo que considerou ser um dos elementos fundamentais do livro: o amor pela humanidade e a atenção da autora ao sofrimento dos outros. Esta dimensão humanista cruza-se com o amor pelo Namibe, por Luanda, pela história e pelas memórias individuais e colectivas.

Agnela Barros sintetizou a sua leitura em três dimensões fundamentais de Elsa Major: «artista, mulher e mãe». Na sua perspectiva, a autora manifesta uma particular capacidade para acolher as dores e as alegrias do mundo, estabelecendo pontes entre pessoas, lugares, tempos e diferentes formas de conhecimento.

João Fernando André reafirma a missão da editora

Em representação da Perfil Criativo | AUTORES.club, João Fernando André começou por agradecer a todos os que contribuíram para a realização do lançamento, bem como a Conceição Cristóvão e Agnela Barros pelas leituras e interpretações apresentadas.

O escritor e investigador recordou que a editora, embora esteja sediada em Lisboa, definiu como uma das suas prioridades a publicação e divulgação de autores angolanos e de trabalhos dedicados a Angola. Segundo referiu, o catálogo já reúne mais de cinquenta títulos ligados ao país, com especial incidência nas humanidades, na literatura, na poesia e no conto. (Nota do editor: rectificação, são mais de cento e cinquenta títulos)

Para João Fernando AndréFaro e Enigmas é uma «obra aberta», capaz de receber diferentes sensibilidades e interpretações. O livro valoriza o amor nas suas várias dimensões, da fraternidade ao erotismo, e recupera a sensibilidade como resposta a um mundo cada vez mais marcado pelo individualismo, pela violência e pela simplificação dos seres humanos.

A intervenção destacou igualmente a intertextualidade da obra, o diálogo com outros campos do saber e aquilo que Conceição Cristóvão definiu como um exercício de «inversão do olhar»: a capacidade de observar a realidade a partir de outras perspectivas, estabelecendo relações entre elementos aparentemente separados.

Outro aspecto salientado foi a incorporação de línguas angolanas, elementos da tradição oral e referências à angolanidade. Numa altura em que muitas línguas nacionais necessitam de maior apoio e valorização, João Fernando André considerou particularmente relevante que Elsa Major lhes conceda espaço dentro da sua criação poética.

O representante da editora chamou ainda a atenção para a desigualdade existente entre homens e mulheres na publicação literária. Citando o levantamento realizado no livro Autores e Escritores de Angola, de Tomás Lima Coelho, referiu que, num universo de aproximadamente 3.300 autores identificados até 2021, apenas 607 eram mulheres. Nesse sentido, apelou à continuidade da produção literária feminina e à valorização do trabalho intelectual das mulheres angolanas.

Elsa Major entrega o livro aos leitores

Visivelmente emocionada, Elsa Major agradeceu aos familiares, amigos, convidados e a todos os que aceitaram participar naquele momento. Dirigiu palavras especiais ao filho, à nora, à neta e aos músicos da Orquestra Camerata de Luanda, que considera companheiros do seu percurso e cuja música também inspira a sua escrita.

Depois de ouvir as intervenções de Conceição Cristóvão, Agnela Barros e João Fernando André, a autora reconheceu ter descoberto novas possibilidades de leitura dentro dos próprios poemas. Afirmou ter sentido, nos rostos e nos gestos do público, que ainda havia muitas palavras por dizer, entregando simbolicamente a continuidade do livro aos leitores.

Elsa Major manifestou o desejo de que o público transportasse consigo o sentido humanitário da obra: a pertença, o respeito pelas tradições, pela cultura, pelas línguas angolanas e pela ancestralidade. Defendeu igualmente a valorização das capacidades individuais e colectivas de Angola, recordando que escolheu as letras como o seu território de intervenção.

A autora explicou ainda que começou a escrever grande parte de Faro e Enigmas durante a pandemia de Covid-19, quando se encontrava a cumprir uma missão diplomática na África do Sul. Separada de parte da família e confrontada com o isolamento e o medo da morte, encontrou na escrita uma forma de enfrentar aquele período profundamente conturbado.

Essa experiência levou-a a reflectir sobre a fragilidade humana, o sofrimento, a violência e aquilo que considera ser uma preocupante perda do amor ao próximo. Para Elsa Major, o mundo tem espaço para todos, independentemente das diferenças, desde que a humanidade recupere a capacidade de cuidar, respeitar e amar.

A intervenção terminou com uma declaração que resume o espírito do livro e do próprio lançamento: «amor é vida, amor é Deus».

De “Manjoro” a “Major”: uma memória familiar recuperada

Um dos momentos mais surpreendentes da tarde surgiu através da intervenção de um membro mais velho da família da autora, que revelou a origem do apelido «Major».

Segundo o testemunho partilhado durante a sessão, «Major» é uma corruptela aportuguesada da palavra cuanhama «Manjoro». O nome original terá sido rejeitado pelos serviços de registo civil durante o regime colonial, acabando por ser adaptado à forma portuguesa pela qual a família passou a ser oficialmente identificada.

A revelação conferiu ao encontro uma dimensão histórica e inesperada. Num livro marcado pela memória, pela pertença e pelas raízes africanas, a recuperação do nome «Manjoro» permitiu também recordar os mecanismos através dos quais a administração colonial alterou nomes africanos e interferiu na transmissão das identidades familiares.

Publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.clubFaro e Enigmas conta com prefácios de Sara Jona Laisse e Kátia Guerreiro. Ao chegar oficialmente a Luanda, a obra deixou de pertencer apenas à autora e passou definitivamente para as mãos dos seus leitores, como um faro destinado a iluminar os enigmas do amor, da memória e da condição humana.

Elsa Major leva Faro e Enigmas às ondas da rádio CEFOJOR

Elsa Major leva Faro e Enigmas às ondas da rádio CEFOJOR

Na manhã de 25 de junho de 2026, a poetisa angolana Elsa Major esteve na rádio CEFOJOR para uma breve entrevista dedicada à sua mais recente obra poética, Faro e Enigmas. A conversa decorreu no espaço «Páginas e Vozes», integrado no programa Manhã de Cacimbo, e serviu também para anunciar a apresentação oficial do livro em Luanda.

Parceira na divulgação da literatura e da cultura, a rádio CEFOJOR recebeu a autora num ambiente que Elsa Major considerou já familiar. Cumprindo uma promessa anteriormente assumida, a poeta regressou à estação não apenas para falar da obra, mas também para oferecer um exemplar à rádio e ao programa.

Publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.clubFaro e Enigmas reúne poemas atravessados pelo amor, pela sensualidade, pela memória, pela identidade e pelas paisagens africanas. A presença do Namibe, terra natal da autora, do deserto e do mar constitui uma das marcas mais fortes do livro, prolongando uma ligação afectiva e literária ao Sul de Angola.

A obra não se limita, porém, à contemplação da paisagem ou à dimensão íntima dos sentimentos. Durante a entrevista, Elsa Major destacou igualmente as inquietações sociais presentes nos poemas, incluindo a guerra, a instabilidade internacional e os seus efeitos sobre a vida das pessoas, mesmo quando os conflitos decorrem longe das nossas fronteiras.

A espiritualidade e a fé ocupam também um lugar central. Para a autora, num mundo afectado pela violência e pela incerteza, o amor continua a ser uma força necessária à convivência humana: «O mundo precisa de amor», afirmou, deixando igualmente um apelo para que não se perca a fé.

Poesia escrita, dramatizada e cantada

Depois da primeira apresentação pública, realizada a 30 de abril de 2026, no Auditório 11 de Novembro, em PortugalFaro e Enigmas conhecerá a sua apresentação oficial em Angola na quarta-feira, 29 de julho de 2026, às 16h30, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda.

A sessão contará com as participações de Conceição Cristóvão, Agnela Barros e João Fernando André, escritor, crítico literário e autor de Matéria Negra, que já havia intervindo na apresentação da obra em Portugal. Elsa Major recordou ainda o contributo do escritor e crítico Mário Máximo, responsável pelo texto principal de apresentação na sessão realizada em Lisboa.

O encontro no Memorial pretende ultrapassar o formato convencional de lançamento literário. O público será convidado a experimentar três dimensões complementares da criação artística: a poesia escrita, a poesia dramatizada e a poesia transformada em música. Estão previstas interpretações cénicas dos poemas por estudantes ligados ao ensino das artes, bem como um momento musical.

Será, nas palavras da autora, uma oportunidade para aproximar diferentes linguagens e mostrar como a literatura pode conviver com o teatro e a música, dando uma nova vida ao texto poético.

Com entrada livre, a apresentação de Faro e Enigmas propõe-se como um momento solene de celebração da palavra e da cultura. Elsa Major deixou, através dos microfones da rádio CEFOJOR, um convite aos leitores, aos amantes da poesia e a todos os que desejem partilhar consigo este novo percurso da obra em Angola.

Final Volume of «The Bantu in Mafrano’s Vision» to be launched in London

Final Volume of «The Bantu in Mafrano’s Vision» to be launched in London

London, 27th July 2026 – The third and final volume of «The Bantu in Mafrano’s Vision – Almost Memories», a posthumous cultural anthropology work by Angolan writer and ethnologist Maurício Caetano, known as “Mafrano,” will be launched in London on 26th September, at 11H30 am.

The event will take place at the «Adventure Playground Conference Centre», 55 Willington Road, SW9 9NB, in South London, and is expected to bring together members of the academic, cultural, and Lusophone communities.

This final volume spans 327 pages and is structured across eighteen chapters and more than sixty texts. It explores themes related to Bantu civilization, religious thought, and social experiences documented by the author between 1947 and 1982.

Alongside the launch, the family will also announce a forthcoming English-language edition featuring a curated selection of key texts, aimed at expanding the work’s international reach.

The whole collection highlights historically significant essays such as “The Ethnographic Profile of the Black Jinga” (1947) and “The Bantu Slave Before the Slave Traders” (1981), reflecting Mafrano’s long-standing contribution to the study of African societies and cultural identity.

The publication is part of a trilogy compiled posthumously by the author’s family, drawing on decades of writings originally published in Angolan newspapers and magazines. Together, the three volumes total approximately 800 pages.

The first two volumes were presented in London in November 2024 at Birkbeck University, attracting a wide audience. Since then, the work has reached readers and academic institutions across several countries, including Mozambique, Cape Verde, São Tomé and Príncipe, Germany, Portugal, and Brazil.

Notable figures who have engaged with the collection include United Nations Secretary-General Antonio Guterres, Portuguese President Marcelo Rebelo de Sousa, and Cardinal José Tolentino de Mendonça, among others from cultural and academic circles.

Mauricio Caetano, awarded Angola’s National Prize for Culture and Arts in 2004, is recognised for his contribution to research in the human and social sciences. The prize jury described his work as a landmark of historical and cultural value.

The trilogy traces its origins to articles published over a 35-year period, offering a unique perspective on African history, identity, and social transformation.

Prémio Nacional de Cultura
Angola’s National Prize for Culture and Arts in 2004

Cosmopolitismo e palavra: «Matéria Negra» esgota na União dos Escritores Angolanos

Cosmopolitismo e palavra: «Matéria Negra» esgota na União dos Escritores Angolanos

Edmira Cariango destacou o diálogo entre civilizações e a ousadia estética de uma obra que transforma a palavra num instrumento de conhecimento, crítica e esperança

O livro Matéria Negra, de Kalunga, foi apresentado na quarta-feira, 22 de Julho de 2026, na União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda, numa sessão marcada pela leitura crítica de Edmira Cariango e pelo forte interesse do público. Os raros exemplares disponíveis esgotaram-se, confirmando a procura em torno de uma obra especial, tanto pela singularidade da sua proposta poética como pela reduzida disponibilidade no mercado.

Editado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, o poemário constitui a quarta obra a solo de Kalunga, nome literário de João Fernando André. Na sua intervenção, Edmira Cariango enquadrou o autor na geração literária angolana do pós-quatro de Abril, cuja presença se tornou mais visível a partir da década de 2010, e destacou o trabalho exigente que o poeta realiza sobre a palavra, simultaneamente matéria, instrumento e tema da sua criação.

Segundo a apresentadora, a «matéria negra» evocada no título remete para uma energia invisível que sustenta o todo e funciona, na obra, como metáfora de uma força profunda, difícil de apreender, mas perceptível nos seres, na História e na consciência. É a partir dessa substância que Kalunga procura forjar uma sabedoria capaz de afirmar a autonomia dos conhecimentos africanos, sem os isolar da experiência universal.

Edmira Cariango salientou que a poesia de Kalunga estabelece um diálogo constante entre o património tradicional e as linguagens da modernidade. A palavra surge como meio de interpretar a experiência humana, ultrapassar a aparência das coisas e revelar as contradições entre o belo e o feio, o natural e o artificial, o justo e o injusto. Por isso, a leitura de Matéria Negra exige atenção, releitura e disponibilidade para descobrir os vários sentidos contidos nos poemas.

Na dimensão estética, a obra combina verso livre, repetições, jogos de palavras, imagens simbólicas, paradoxos e outros recursos sonoros e semânticos. Essa construção formal não é apresentada como um simples exercício de estilo: serve uma poesia interventiva, atenta aos mecanismos que produzem desigualdade, sofrimento, guerra e exclusão.

Ao analisar o poema «Para Onde Vão os Sinos», Edmira Cariango mostrou como as imagens do mar, dos peixes e dos coletes salva-vidas podem sugerir um mundo em que muitos são asfixiados por desigualdades persistentes e por promessas continuamente adiadas:

«Peixes em fragmentos, em afogamento, procurando coletes salva-vidas na retina dos corações. Mosseques abissais espreitando-se no tempo, fedem de promessas. A dor, a dor, a dor assedia.»

Para a oradora, a literatura é uma construção humana e racional que obriga quem escreve e quem lê a questionar o mundo. Em Matéria Negra, essa dimensão adquire também um sentido histórico e político: os poemas observam criticamente os discursos do poder, recordam experiências de guerra, interrogam o capitalismo e alertam para a possibilidade de novas formas de autoritarismo ou colonialismo surgirem sob a aparência da igualdade e da autonomia cultural.

Mas a poesia de Kalunga não se limita à denúncia. Entre a inquietação e o desconforto, abre espaço à reconstrução, à renovação das crenças e à possibilidade de «refazer amanhãs». Edmira Cariango sublinhou a presença de uma voz poética que aconselha o leitor a enfrentar a dureza da vida, a transpor caminhos e, se necessário, a «reinventar o sol».

O cosmopolitismo de Matéria Negra manifesta-se precisamente nessa capacidade de fazer conviver referências africanas e universais, experiências terrestres e celestes, memória histórica e interrogações contemporâneas. Ao valorizar diferentes vozes e saberes, o livro contesta hierarquias culturais e crenças de superioridade, propondo uma ideia de humanidade para além das divisões raciais e das linhas abissais que continuam a organizar o mundo.

O interesse demonstrado pelos leitores na UEA teve uma expressão imediata: todos os exemplares disponíveis esgotaram-se. Perante a procura, João Ricardo Rodrigues, editor da Perfil Criativo | AUTORES.club, comprometeu-se a enviar mais exemplares raros para Luanda, de modo a responder ao interesse manifestado e a permitir que Matéria Negra chegue a um número mais alargado de leitores.

Matéria Negra
Matéria Negra

M. Neto Costa apresentou em Luanda um «perfil do Estado» traçado pelas políticas públicas

M. Neto Costa apresentou em Luanda um «perfil do Estado» traçado pelas políticas públicas

O economista M. Neto Costa apresentou oficialmente, na quinta-feira, 9 de Julho de 2026, na Academia BAI, em Luanda, o livro Angola — Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023), uma edição da Perfil Criativo | AUTORES.club que reúne artigos de opinião e análise económica publicados no Novo Jornal entre 2021 e 2023.

A mesa de honra foi constituída por Armindo Laureano, Director do Novo Jornal, em representação da editora; pelo Doutor Fernandes Wanda, Coordenador do Centro de Investigação Social e Económica (CISE) da Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto; e pelo autor, M. Neto Costa.

Na sua intervenção, Armindo Laureano recordou as circunstâncias que estiveram na origem da colaboração de M. Neto Costa com o Novo Jornal. O convite surgiu depois de o economista apresentar uma espécie de «defesa de honra», na sequência de um artigo publicado pelo semanário sobre a sua participação num concurso para juízes do Tribunal de Contas.
O Director do Novo Jornal destacou igualmente que a obra reúne textos dedicados à economia e às políticas públicas angolanas, publicados ao longo de três anos. O livro ficou preparado para edição em 2024, mas, devido a constrangimentos editoriais, apenas viria a ser publicado, pela Perfil Criativo | AUTORES.club, em Maio de 2026.

Uma crítica fundamentada que aponta alternativas

Responsável pela apresentação e comentário da obra, Fernandes Wanda salientou o carácter diversificado dos textos e a apreciação crítica da governação, sustentada por fundamentos técnicos e acompanhada pela apresentação de possíveis soluções.

Embora escritos entre 2021 e 2023, muitos dos artigos mantêm plena actualidade. Algumas matérias analisadas pelo autor foram entretanto objecto de intervenção governativa, pelo menos no plano legal, designadamente as Parcerias Público-Privadas enquanto instrumento de financiamento do investimento público e a criação de uma base de dados dos beneficiários efectivos das empresas.

Para Fernandes Wanda, os textos reunidos no livro constituem um contributo relevante para a reflexão e para o debate nacional em torno das respostas aos problemas económicos e sociais que Angola continua a enfrentar.

Das instituições aos resultados concretos

M. Neto Costa estabeleceu uma relação entre esta obra e o seu primeiro livro. Se, no trabalho anterior, analisou a situação económica de Angola após 45 anos de Independência através de uma abordagem top-down, começando pela natureza das instituições políticas e económicas que definiram o quadro político-institucional e condicionaram as políticas públicas, em Angola — Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023) parte de exemplos concretos.

Os artigos apresentam resultados de políticas públicas consideradas ineficientes ou ineficazes, cujos efeitos, quando observados em conjunto, permitem traçar o perfil do Estado existente. O autor sintetizou, assim, o sentido da obra:

«Um livro; o perfil de um Estado traçado pelas suas acções e omissões; e as alternativas para o futuro.»

Liberdade técnica e responsabilidade pública

A apresentação prosseguiu com uma animada interacção entre o autor e os participantes. Uma das questões colocadas procurou saber se M. Neto Costa se sentia inteiramente à vontade para assumir uma posição crítica perante a governação, tendo em conta que integrou anteriormente o Governo angolano.

O economista respondeu que sempre manifestou os seus pontos de vista com liberdade técnica, autonomia e independência. Enquanto membro do Executivo, explicou, defendia as suas posições através dos canais institucionais adequados.

A sessão confirmou a importância de preservar espaços públicos de análise e contraditório sobre a governação. Ao reunir três anos de observação crítica das políticas públicas, a obra não se limita a registar os problemas: procura identificar as suas causas e colocar em debate alternativas para o futuro de Angola.

Angola — Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023) encontra-se disponível em Luanda, na Livraria e Papelaria Komutú, no Largo das Escolas, com entrada pelo pátio da União dos Escritores Angolanos.

Kalunga regressa à União dos Escritores Angolanos

Kalunga regressa à União dos Escritores Angolanos

A União dos Escritores Angolanos (UEA) recebe, no dia 22 de Julho de 2026, quarta-feira, às 16h30, mais uma edição da iniciativa cultural “Maka à Quarta-Feira”. A sessão, marcada para a Sala de Conferências da instituição, em Luanda, será dedicada ao tema “Gerações Literárias em Angola: o caso do Ohandanji” e culminará com a apresentação de Matéria Negra, a mais recente obra poética de Kalunga.

O encontro propõe uma reflexão sobre a evolução da literatura angolana, o contributo das sucessivas gerações de escritores e o lugar ocupado pelo Ohandanji. Surgido em Luanda, em 1984, este colectivo ficou associado à chamada Geração de 80 e à procura de novas linguagens e rupturas estéticas no período posterior à Independência.

A prelecção estará a cargo do escritor, investigador e crítico literário João Fernando André, nome do poeta Kalunga, que analisará o surgimento, os propósitos, o manifesto e os principais protagonistas do Ohandanji. A escolha do prelector aproxima duas gerações: a que procurou renovar a literatura angolana nos anos 1980 e uma nova geração que continua a interrogar a história, a identidade e as transformações da sociedade através da palavra.

Natural da Cahama, província do Cunene, João Fernando André é professor, investigador, ensaísta, jornalista cultural e consultor. Mestre em Literaturas em Língua Portuguesa pela Universidade Agostinho Neto, encontra-se a realizar o doutoramento em Literaturas, Artes e Culturas Modernas na Universidade de Lisboa. É membro da União dos Escritores Angolanos, instituição em que se destacou como um dos membros mais jovens, e tem desenvolvido uma presença regular em encontros, conferências, feiras do livro e projectos culturais em Angola e Portugal. É também autor de títulos como Evangelho BantuO Dia em que uma Pedra Virou Lua e Lumbu — A Alquimia das Palavras.

Depois da reflexão sobre o Ohandanji, será apresentada a obra Matéria Negra, por Edmira Cariango Manuel. Publicado em 2026 pela editora Perfil Criativo | AUTORES.club, com sede em Portugal e um catálogo fortemente dedicado aos autores angolanos, o livro assinala uma nova etapa na trajectória literária de Kalunga.

Em Matéria Negra, a palavra assume-se como espaço de contemplação, inquietação e resistência. A experiência individual cruza-se com uma consciência mais ampla das feridas do mundo, da memória africana e das tensões do presente. Depois da apresentação oficial realizada em Maio, no histórico edifício de A Voz do Operário, em Lisboa, e da sua passagem pela Feira do Livro de Lisboa, a obra chega agora à UEA, reencontrando o espaço institucional da literatura.

Durante a sessão, Matéria Negra poderá ser adquirida pelo preço de 10.000 kwanzas. Para compra antecipada, os interessados poderão enviar uma mensagem através do Messenger ou WhatsApp. A edição é limitada.

Integrada no programa cultural permanente da União dos Escritores Angolanos, a “Maka à Quarta-Feira” procura fomentar o diálogo literário, incentivar a leitura e aproximar escritores, investigadores, estudantes e leitores.

Data: 22 de Julho de 2026
Hora: 16h30
Local: Sala de Conferências da União dos Escritores Angolanos, Luanda
Entrada: aberta ao público

Memórias das FALA chegam às mãos da investigadora brasileira Jéssica Höring

Memórias das FALA chegam às mãos da investigadora brasileira Jéssica Höring

O brigadeiro Fonseca Chindondo recebeu recentemente a visita da investigadora brasileira Jéssica da Silva Höring, num encontro dedicado à História contemporânea de Angola e à preservação da memória dos seus protagonistas.

Na biblioteca pessoal do autor, Jéssica Höring teve acesso ao livro Memórias das FALA — O Avanço no Norte e a Guerra Psicológica (1975–1992), publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club. A obra constitui uma importante fonte documental para as investigações que a académica vem desenvolvendo sobre a trajectória da UNITA, os seus militantes e os diferentes momentos da luta de libertação e do conflito armado angolano.

Doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo e licenciada em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Jéssica Höring tem dedicado uma parte significativa do seu percurso académico ao estudo de Angola. Entre os seus trabalhos encontram-se investigações sobre o processo constitucional angolano, as origens da UNITA e as trajectórias de diferentes gerações de activistas ligados ao movimento.

Escrito a partir da experiência directa do brigadeiro Fonseca ChindondoMemórias das FALA recupera episódios relacionados com o avanço militar no Norte de Angola, a organização das Forças Armadas de Libertação de Angola e o papel da guerra psicológica entre 1975 e 1992. Prefaciado pela investigadora Paula Cristina Roque, o livro contribui para uma leitura mais ampla e plural de um período determinante da história nacional.

O encontro ficou registado numa fotografia para memória futura, na biblioteca do autor, simbolizando a necessária aproximação entre os testemunhos dos protagonistas e o trabalho rigoroso da investigação académica.

Em Angola, o livro está disponível pelo preço de 22.000,00 Kz e pode ser encomendado através dos contactos:

  • +244 922 752 494
  • +244 936 023 299
Memórias das FALA — O Avanço no Norte e a Guerra Psicológica (1975-1992)", do brigadeiro Fonseca Chindondo
Memórias das FALA — O Avanço no Norte e a Guerra Psicológica (1975-1992), do brigadeiro Fonseca Chindondo

Luanda prepara-se para receber o lançamento oficial de Faro e Enigmas, de Elsa Major

Luanda prepara-se para receber o lançamento oficial de Faro e Enigmas, de Elsa Major

Depois da apresentação em Portugal, a poeta Elsa Major regressa para o lançamento oficial em Angola da sua mais recente obra, Faro e Enigmas — Poesia. A sessão terá lugar no próximo 29 de julho de 2026, às 16h30, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, um dos mais importantes espaços de promoção da cultura e da memória nacional. 

Publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.clubFaro e Enigmas afirma-se como uma das mais significativas obras poéticas da autora, reunindo poemas onde o amor, a memória, a espiritualidade, a identidade e a paisagem se cruzam numa escrita profundamente sensorial. Inspirada pelo Namibe, pelo Atlântico e pelo deserto do Kalahari, Elsa Major propõe uma poesia que convida à contemplação e à reflexão sobre a condição humana. 

A sessão contará com a participação de convidados especiais, entre os quais Conceição CristóvãoAgnela Barros e o escritor e investigador João Fernando André, cuja presença reforça a dimensão literária do encontro.

O livro conta com o apoio de diversas instituições e órgãos de comunicação social, entre os quais a Rádio Escola 88.5 FM, o Sistema Akwa Kisanji, a Rádio MFM 91.7 e outros parceiros culturais.

Depois da excelente receção em Lisboa, onde a obra reuniu escritores, académicos, diplomatas e leitores num momento de celebração da literatura, Faro e Enigmas chega agora a Luanda para um encontro, de acesso livre, com o público angolano, num regresso particularmente simbólico da autora às suas raízes e ao universo cultural que inspira grande parte da sua criação poética.

Mais do que um lançamento literário, esta apresentação constitui uma celebração da poesia contemporânea e da crescente afirmação das vozes femininas na literatura nacional, reforçando o papel do livro como espaço de diálogo entre memória, identidade e futuro.

Elsa Major
Elsa Major na apresentação em Lisboa
Faro e Enigmas
Faro e Enigmas

Editoriais do Expansão em livro: um retrato crítico da economia apresentado no Memorial

Editoriais do Expansão em livro: um retrato crítico da economia apresentado no Memorial

A apresentação, em Luanda, de Editoriais do Expansão 2019–2021, de João Armando, constituiu um momento importante para a editora, para o jornalismo económico angolano e para a preservação da memória crítica de um período particularmente exigente da vida do país.

O jornalista e director do semanário Expansão apresentou oficialmente a obra no dia 11 de junho de 2026, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda. Publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, o livro reúne editoriais escritos entre 2019 e 2021, anos marcados por profundas dificuldades económicas, reformas estruturais e pelos efeitos sociais e empresariais da pandemia da Covid-19.

A editora Perfil Criativo | AUTORES.club esteve mais uma vez representada na cerimónia por Armindo Laureano, director do Novo Jornal e autor da editora, que destacou a importância de transformar os editoriais de João Armando num livro capaz de preservar textos que, de outro modo, permaneceriam dispersos nas sucessivas edições do semanário.

O evento contou também com a participação do engenheiro Patrício Wanderley Quingongo, especialista angolano na indústria petrolífera e autor do livro Gestão da Indústria Petrolífera.

A presença de Patrício Quingongo assumiu um significado especial, atendendo à sua ligação ao debate económico e energético e à colaboração que tem mantido ao longo dos anos com João Armando e com o próprio Expansão. Como especialista do sector petrolífero, Patrício Quingongo tem defendido publicamente a importância da informação, da formação e da reflexão estratégica para aproximar esta indústria dos cidadãos e para melhorar a compreensão do seu peso na economia nacional.

A cerimónia reuniu membros do Executivo angolano, representantes diplomáticos, empresários, jornalistas e diferentes personalidades da sociedade civil. Entre os presentes encontrava-se o ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, que enalteceu o percurso profissional de João Armando e o contributo do Expansão para a consolidação do jornalismo económico.

Com mais de 260 páginas e cerca de 130 editoriais do Expansão entre 2019–2021, revisita decisões políticas, reformas económicas, privatizações, finanças públicas, dívida, sistema bancário, confiança institucional e as dificuldades enfrentadas pelas famílias e pelas empresas.

Mais do que reunir textos publicados, João Armando acrescentou à obra notas explicativas sobre as circunstâncias em que cada editorial foi escrito. O livro permite, assim, compreender não apenas as posições assumidas pelo director do jornal, mas também o contexto económico, político e social que esteve na origem de cada reflexão.

Durante a apresentação, João Armando definiu a obra como um contributo para o desenvolvimento da República de Angola, sublinhando a necessidade de pensar o país com responsabilidade, rigor, independência e capacidade para reconhecer os erros.

Entre os textos destacados encontram-se “Não Há Soluções Mágicas”, no qual o autor defende uma governação realista e assente em decisões fundamentadas, e “A Panela da Sopa”, uma reflexão crítica sobre os processos de privatização e as parcerias público-privadas.

Através de uma metáfora simples e expressiva, João Armando alerta para a necessidade de transparência, regras claras e igualdade de oportunidades na gestão dos activos públicos. A credibilidade dos processos económicos é apresentada como uma condição essencial para atrair investimento e reforçar a confiança dos cidadãos nas instituições.

A intervenção de Armindo Laureano sublinhou também o valor do editorial enquanto uma das formas mais exigentes e genuínas do exercício jornalístico. Ao assumir posições, interpretar acontecimentos e interpelar os poderes públicos, o editorial transforma-se num registo do seu tempo e numa contribuição para o debate.

Depois de uma pré-apresentação na Feira do Livro de Lisboa, o lançamento oficial no Memorial Dr. António Agostinho Neto representou uma nova etapa na divulgação da obra junto dos leitores. João Armando manifestou ainda a intenção de levar o livro a outras províncias do país.

Editoriais do Expansão 2019–2021 afirma-se, deste modo, como muito mais do que uma compilação jornalística. É um testemunho de um período complexo da história recente e um convite à reflexão sobre a economia, a governação, a transparência das instituições e os caminhos necessários para a construção de uma sociedade mais informada, participativa e exigente.

Fontes: Reportagem da Baía Magazine, publicada em 15 de junho de 2026, com texto de Idianete Tavares e fotografias de Mello Silva

"Editoriais do Expansão" de João Armando
Editoriais do Expansão” de João Armando

Três anos de políticas públicas. Um debate que não pode esperar

Três anos de políticas públicas. Um debate que não pode esperar

Angola vai receber, no próximo dia 9 de julho, um dos mais relevantes encontros de reflexão sobre a governação e a economia nacional dos últimos anos.

O autor M. Neto Costa e a Perfil Criativo | AUTORES.club convidam todos os leitores, investigadores, estudantes, gestores, responsáveis públicos e cidadãos interessados para o lançamento oficial do livro Angola: Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023), que terá lugar na quinta-feira, 9 de julho de 2026, às 16h30, na Academia BAI, em Luanda.

Resultado de uma análise rigorosa da realidade angolana entre 2021 e 2023, a obra reúne 52 textos que convidam ao debate sobre a administração pública, a política económica, as finanças públicas e os desafios do desenvolvimento nacional.

A apresentação estará a cargo do Prof. Doutor Fernandes Wanda e contará com a participação especial de Armindo Laureano, Director do Novo Jornal, publicação onde estes textos foram originalmente dados a conhecer ao público.

Para o editor da Perfil Criativo | AUTORES.club, este lançamento representa muito mais do que a apresentação de um novo livro:

“Angola e M. Neto Costa estão de parabéns. Poder analisar, discutir e compreender, de forma livre, as vitórias e os fracassos da administração pública da República de Angola, sem pressões nem censura, é um sinal de maturidade democrática que merece ser celebrado. O facto deste debate reunir um antigo Ministro da Economia e Planeamento, o Prof. Doutor Fernandes Wanda e o Director do Novo Jornal transforma este lançamento num momento de extraordinário valor cívico e intelectual para o país.”

Num tempo em que o debate público exige mais conhecimento, mais independência e maior capacidade de escrutínio, este encontro pretende afirmar o livro como um espaço de diálogo aberto sobre o presente e o futuro de Angola.

A entrada é livre, sujeita à lotação da sala.

Contamos com a sua presença.


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