De Angola para Oxford: «Breve História de Angola» em destaque na newsletter do African Studies Centre

De Angola para Oxford: «Breve História de Angola» em destaque na newsletter do African Studies Centre

A newsletter 2025–2026 do African Studies Centre da Universidade de Oxford dedica uma página ao trabalho de Rui Verde, com referência e destaque visual à capa de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club. Uma presença que leva esta edição em língua portuguesa ao encontro de uma comunidade internacional dedicada ao estudo de África

A história recente de Angola encontra espaço na newsletter do African Studies Centre da Universidade de Oxford. Na página 17, Rui Verde apresenta um balanço da sua actividade de investigação e das suas publicações, aproximando dois universos que se complementam: a produção académica especializada e a divulgação do conhecimento junto de um público mais amplo.

É neste segundo domínio que o autor enquadra Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), publicada em Lisboa em Junho de 2026. No texto, apresenta a obra como uma síntese histórica acessível, destinada a um público alargado de língua portuguesa. A reprodução da capa, junto de uma fotografia de Rui Verde, reforça a visibilidade do livro nesta publicação.

Para a Perfil Criativo | AUTORES.club, esta presença constitui uma oportunidade de ampliar a divulgação de uma obra que convida a conhecer e a discutir o percurso político de Angola ao longo de cinquenta anos de independência. Dirigido a leitores que procuram uma introdução à história contemporânea do país, o livro aproxima o conhecimento histórico de estudantes, membros da diáspora e de todos os que desejam compreender melhor a realidade angolana.

Angola no centro da investigação de Rui Verde

O contributo de Rui Verde, integrado na secção dedicada aos investigadores associados, revela um trabalho que cruza história, política, relações internacionais e os desafios da fiscalização democrática.

O autor apresenta dois artigos científicos, desenvolvidos em co-autoria e com apoio da British Academy, destinados ao Journal of Contemporary African Studies. Os estudos analisam a influência das heranças coloniais na supervisão pública da vigilância digital na África Austral e comparam as respostas institucionais aos conflitos em torno da vigilância na África do Sul, em Angola e na República Democrática do Congo.

A estes trabalhos junta-se um capítulo publicado na obra colectiva Democratising Spy Watching, no qual Rui Verde examina o caso angolano dos «15+2». A análise explora as tensões entre legados autoritários e mecanismos de escrutínio público, interrogando os limites e as possibilidades de fiscalização em regimes híbridos.

Outro destaque é o livro Redefining the China–Angola Relationship: Privatization, Development, and Disenchantment, da Bloomsbury Academic. Segundo o resumo apresentado na newsletter, a obra reavalia duas décadas de envolvimento chinês em Angola: da cooperação em grandes infra-estruturas a uma relação mais complexa, marcada pela renegociação da dívida, pela diversificação de parcerias e por mudanças nos alinhamentos geopolíticos.

Ao lado desta produção especializada, Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025) surge como uma ponte para os leitores de língua portuguesa. Rui Verde sublinha ainda a dimensão colectiva da investigação, reconhecendo a importância das redes de colaboração, dos seminários, do acesso a fontes e do ambiente interdisciplinar de Oxford. O texto identifica também dificuldades decorrentes do Brexit e das limitações de financiamento, sobretudo em projectos que exigem trabalho de campo e cooperação internacional.

Uma newsletter que aproxima a investigação dos debates sobre África

Ao longo de 32 páginas, a newsletter apresenta um panorama da actividade do African Studies Centre no ano lectivo de 2025–2026, reunindo investigação, conferências, publicações, testemunhos de antigos alunos e projectos dos estudantes.

Entre os principais destaques encontra-se a conferência anual de Mahmood Mamdani, dedicada à descolonização e à experiência do Uganda pós-colonial. A publicação aborda também as relações entre produção de cacau, alterações climáticas e condições de trabalho na África Ocidental, o ensino da história e dos legados imperiais, a diplomacia africana e os debates sobre as transformações políticas e sociais do continente.

Particularmente próxima da missão de divulgação cultural e editorial da Perfil Criativo | AUTORES.club é a apresentação do Oxford Africa Forum, uma plataforma que procura tornar a investigação sobre África mais acessível. Através de textos breves e claros, a iniciativa pretende aproximar o trabalho académico de leitores, jornalistas, decisores e comunidades africanas, alargando a circulação do conhecimento para além das universidades.

A newsletter assinala igualmente os dez anos da Africa Oxford Initiative, dedicada à cooperação entre Oxford e instituições africanas, e dá conta de encontros e investigações que ligam diferentes regiões, disciplinas e gerações.

É neste contexto de diálogo internacional que surge o trabalho de Rui Verde e a referência à edição da Perfil Criativo | AUTORES.club: um convite a colocar a história de Angola ao alcance de mais leitores e a fazer do livro um ponto de partida para novas perguntas sobre o país.

Conheça «Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025)», de Rui Verde, em www.AUTORES.club.

Angola: que escolhas para o futuro? M. Neto Costa à conversa em Lisboa

Angola: que escolhas para o futuro? M. Neto Costa à conversa em Lisboa

O antigo ministro da Economia e Planeamento do Governo de João Lourenço é o convidado de um encontro promovido pela Perfil Criativo | AUTORES.club, com Xavier de Figueiredo e Rui Verde. Uma conversa sobre política, economia e governação, aberta às perguntas do público, que parte do livro Angola — Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023) para reflectir os caminhos do país

Que decisões podem transformar o potencial de Angola em melhores condições de vida? Que lições oferece a experiência de governação e que alternativas merecem ser debatidas? Estas são algumas das perguntas que dão o mote a «Angola: que escolhas para o futuro?», encontro com M. Neto Costa na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa.

A iniciativa propõe um formato próximo de um podcast ao vivo: o jornalista Xavier de Figueiredo e o jurista e analista político Rui Verde conduzem uma conversa com o autor, cruzando a sua experiência governativa com a reflexão crítica que tem desenvolvido no espaço público. Os participantes poderão colocar perguntas e trazer outras perspectivas para o debate.

No centro da conversa estará também o livro Angola — Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023). Antes de chegarem às páginas desta edição, os textos passaram pelo crivo dos leitores do Novo Jornal, em Angola. Reunidos em livro, ganham uma continuidade que permite revisitar argumentos, relacionar decisões e acompanhar três anos de reflexão sobre as políticas públicas e os seus efeitos na vida do país.

O encontro será, assim, uma oportunidade para descobrir o conteúdo da obra e interrogar o seu autor: retomar questões levantadas na imprensa, aprofundar ideias e discutir a sua pertinência para o futuro de Angola.

Ao reunir experiência política, análise e participação do público, a Perfil Criativo | AUTORES.club convida leitores, estudantes, investigadores, empresários e representantes institucionais a integrar uma conversa plural. Um espaço para ouvir posições diferentes, confrontar argumentos e pensar nas escolhas que o país tem pela frente.

15 de Outubro de 2026 · 18h30
Biblioteca Palácio Galveias · Lisboa
Entrada livre

Venha ouvir. Traga as suas perguntas. Faça parte da conversa.

Durante o encontro, estarão também disponíveis livros sobre Angola com descontos especiais, numa oportunidade para descobrir autores e aprofundar leituras sobre a história, a cultura e os desafios do país.

Angola nas estantes da FNAC: dois livros para descobrir uma história que merece ser lida

Angola nas estantes da FNAC: dois livros para descobrir uma história que merece ser lida

A secção de História das lojas FNAC recebe duas obras da Perfil Criativo | AUTORES.club que convidam a conhecer Angola por diferentes caminhos: a surpreendente viagem que ligou o território angolano a Moçambique e os cinquenta anos de independência que moldaram o país contemporâneo

A primeira travessia da África Austral, de José Bento Duarte, e Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), de Rui Verde, estão disponíveis nas estantes da FNAC, aproximando dos leitores portugueses duas perspectivas complementares sobre a História de Angola e a sua relação com o mundo.

Entre os vários títulos que propõem uma «breve história», de Portugal à guerra, há agora espaço para descobrir o percurso da República de Angola. Uma oportunidade para alargar horizontes e conhecer melhor um país cuja proximidade linguística e cultural com Portugal nem sempre corresponde a um verdadeiro conhecimento da sua História.

Em Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), Rui Verde propõe uma leitura acessível e crítica de cinquenta anos decisivos. Da independência aos conflitos e às transformações políticas e económicas, o autor percorre o caminho da construção do Estado angolano e convida a reflectir sobre os desafios do presente. A obra abre espaço à discussão e ao confronto de perspectivas, oferecendo ao leitor uma base para compreender como se chegou à Angola de hoje.

É uma introdução particularmente relevante para a diáspora angolana, incluindo as gerações que cresceram fora do país, mas também para quem mantém relações profissionais, desenvolve negócios ou planeia viajar para Angola. Conhecer o seu percurso ajuda a compreender melhor a sociedade, a interpretar o presente e a estabelecer relações mais informadas.

Já A primeira travessia da África Austral, de José Bento Duarte, transporta o leitor para uma aventura histórica pouco conhecida. No centro da narrativa estão Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, dois pombeiros luso-angolanos, na condição de comandantes escravizados, que percorreram o caminho de Angola a Moçambique entre 1802 e 1811, regressando a Angola em 1814. Muito antes das célebres expedições europeias da segunda metade do século XIX, estes homens atravessaram extensos territórios, enfrentaram dificuldades e negociaram a passagem com poderes locais.

Ao reconstituir os antecedentes e o desenrolar desta surpreendente viagem, José Bento Duarte dá visibilidade aos protagonistas africanos e aos conhecimentos que tornaram possível a travessia. Uma leitura que combina aventura, investigação histórica e descoberta, revelando uma África Austral feita de povos, caminhos comerciais e relações políticas que importa conhecer.

Dois livros, duas portas de entrada para Angola. Com a chegada destas edições à secção de História da FNAC, os leitores portugueses ganham uma nova oportunidade de descobrir episódios de uma História menos conhecidos e de aprofundar a compreensão do país para além das notícias habituais.

Na próxima visita à FNAC, procure estes títulos da Perfil Criativo | AUTORES.club. A viagem pode começar numa estante, e continuar muito para além da última página.

Perfil Criativo | AUTORES.club abre nova etapa com encontros em Lisboa e Luanda e novidades na FNAC

Uma comunicação mais próxima com autores e leitores, encontros em Lisboa e Luanda e uma presença crescente nas livrarias marcam a nova etapa da editora

A editora Perfil Criativo | AUTORES.club deu início a uma profunda reestruturação da sua equipa, criando condições para melhorar a comunicação com os seus autores e leitores e reforçar a divulgação das obras que publica.

Este processo acompanha o desenvolvimento de um projecto editorial dedicado à divulgação de autores, à valorização da memória e à promoção do debate. O objectivo é aproximar cada vez mais os livros dos seus públicos, tanto através do contacto directo como de uma distribuição mais ampla.

Para o mês de Outubro, estão programados dois encontros especiais em Lisboa: na Biblioteca Palácio Galveias e no Palácio da Independência, lugar de memória dos conjurados de 1640 e sede da Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP). Em Luanda, está igualmente previsto um encontro na Universidade Católica de Angola. As iniciativas darão continuidade ao diálogo entre autores, leitores e instituições, abrindo espaço à apresentação de obras e à troca de ideias. Os programas e os detalhes de participação serão divulgados oportunamente.

A aproximação aos leitores ganha também expressão nas lojas da FNAC, onde estão disponíveis três novidades do catálogo: Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), de Rui Verde; A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte; e Nutriterapia, de Luís Philippe Jorge. História, exploração e saúde compõem esta selecção, que reflecte a diversidade temática da editora.

Durante os próximos meses, a Perfil Criativo | AUTORES.club prevê colocar mais novidades editoriais nas estantes das lojas da FNAC, ampliando o acesso às suas publicações.

Em paralelo, a editora considera necessário reactivar uma rede de livrarias em várias capitais de distrito de Portugal, para que as suas edições cheguem a mais leitores e beneficiem da proximidade e do conhecimento de quem trabalha diariamente na divulgação do livro. Esta ligação poderá também abrir caminho à realização de apresentações, conversas com autores e outras iniciativas locais.

Fica, por isso, aberto o convite às livrarias interessadas em integrar esta rede para contactarem a equipa editorial da Perfil Criativo | AUTORES.club, através dos contactos disponíveis em www.AUTORES.club. Queremos construir novas parcerias e dar aos nossos livros mais lugares de encontro com os leitores.

Economia, História e Diplomacia encerram a Festa do Livro em Belém com três sessões de autógrafos

Economia, História e Diplomacia encerram a Festa do Livro em Belém com três sessões de autógrafos

Oscar da Mata, Álvaro Henriques do Vale e Rui Verde protagonizaram as três sessões de autógrafos promovidas pela Perfil Criativo | AUTORES.club no último dia do festival literário realizado nos jardins do Palácio de Belém

A Perfil Criativo | AUTORES.club encerrou a sua participação na Festa do Livro em Belém 2026 com três sessões de autógrafos que aproximaram autores e leitores em torno da economia, da história contemporânea de Angola e das relações diplomáticas que marcaram Portugal e a Península Ibérica ao longo do século XX.

No domingo, 20 de Setembro, último dia do evento, passaram pelo espaço da editora Oscar da Mata, Álvaro Henriques do Vale e Rui Verde, três autores com percursos distintos, mas unidos pela vontade de questionar interpretações estabelecidas e contribuir para um debate público mais informado.

Oscar da Mata desmonta os mitos da economia angolana

Economista, professor universitário e profissional com experiência na banca e na consultoria financeira, Oscar da Mataapresentou e autografou a sua mais recente obra, Mitos Económicos de Angola — Ensaio sobre Liberdade e Criação de Riqueza.

Publicado em Setembro de 2026, o livro identifica e desmonta dezoito ideias profundamente enraizadas no debate económico angolano. A inflação, o controlo dos preços, os bancos públicos, os subsídios, o endividamento, a tributação, o planeamento centralizado e a intervenção do Estado são alguns dos temas analisados à luz da teoria económica, da experiência histórica e da realidade africana.

Partindo da afirmação de que, antes de distribuir riqueza, é necessário criá-la, Oscar da Mata convida o leitor a distinguir racionalidade económica de conveniência política. A obra propõe uma reflexão exigente sobre as condições necessárias para construir uma economia produtiva, assente em instituições estáveis, responsabilidade individual, iniciativa privada e liberdade económica.

Álvaro Henriques do Vale revela os bastidores da diplomacia britânica

O jornalista e investigador Álvaro Henriques do Vale levou a Belém duas obras publicadas pela Perfil Criativo | AUTORES.club, nas quais cruza história económica, diplomacia e relações internacionais.

A novidade editorial, O Foreign Office e a sua Influência na Península Ibérica — Portugal, Espanha, Gibraltar (1919–1962), conduz o leitor aos bastidores da política externa britânica e da sua influência sobre Portugal e Espanha. O livro percorre mais de quatro décadas de acontecimentos, da reorganização europeia posterior à Primeira Guerra Mundial à Guerra Civil de Espanha, à Segunda Guerra Mundial e aos primeiros anos da Guerra Fria.

Diplomatas, governantes e agentes dos serviços secretos atravessam uma investigação que inclui figuras como Armindo Monteiro, Pedro Theotónio Pereira, Samuel Hoare, Franklin D. Roosevelt e Ian Fleming, o futuro criador de James Bond, revelando a importância estratégica da Península Ibérica, de Gibraltar e das rotas marítimas britânicas.

Também esteve em destaque As Contas da República (1919–29) e os Anos Loucos de Wall Street. Nesta obra, Álvaro Henriques do Vale revisita a crise financeira portuguesa da década de 1920 e analisa as ligações entre as contas públicas da República, Angola, o sistema bancário, o golpe de 28 de Maio de 1926 e as consequências internacionais do colapso de Wall Street em 1929.

Rui Verde percorre cinquenta anos de Angola independente

A última das três sessões teve como protagonista o jurista, académico e investigador Rui Verde, autor de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025).

Publicada em Junho de 2026, a obra apresenta uma leitura clara, crítica e acessível dos primeiros cinquenta anos da República de Angola. Rui Verde acompanha o percurso do país desde os antecedentes da independência e a proclamação de 11 de Novembro de 1975 até à guerra civil, à construção do Estado, aos acordos de paz, à reconstrução nacional, ao crescimento impulsionado pelo petróleo, às crises económicas e às recentes tentativas de reforma.

Ao longo de 320 páginas, o autor organiza cinco décadas de acontecimentos políticos, económicos e sociais, permitindo compreender melhor a estrutura política da Angola contemporânea e os desafios que o país enfrenta no presente. Trata-se de uma introdução rigorosa à história recente angolana, dirigida tanto aos leitores que procuram uma primeira visão de conjunto como aos que pretendem aprofundar o debate sobre o futuro do país.

Livros que prolongam as conversas iniciadas em Belém

As três sessões de autógrafos encerraram quatro dias de participação da Perfil Criativo | AUTORES.club na Festa do Livro em Belém, realizada entre 17 e 20 de Setembro nos jardins da Presidência da República.

O contacto directo entre escritores, investigadores e leitores voltou a demonstrar que o livro permanece um ponto de partida privilegiado para o diálogo sobre a economia, a história, a diplomacia, a liberdade e o desenvolvimento das sociedades.

As obras de Oscar da Mata, Álvaro Henriques do Vale e Rui Verde encontram-se disponíveis através da loja da AUTORES.club, prolongando para além de Belém as conversas, perguntas e reflexões despertadas durante as sessões de autógrafos.

Angola encerrou a Feira do Livro de Lisboa

Angola encerrou a Feira do Livro de Lisboa

A programação da Perfil Criativo | AUTORES.club, representada pela Promobooks no stand D48, encerrou-se no passado domingo, 14 de junho de 2026, na Feira do Livro de Lisboa, com a apresentação de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), do académico e jurista Rui Verde.

O encontro, realizado na Praça Roxa, contou com a presença especial do histórico jurista, constitucionalista, professor universitário e antigo candidato às eleições presidenciais angolanas de 1992, António Alberto Neto. Perante leitores e membros da comunidade angolana residente em Portugal, os dois intervenientes protagonizaram uma conversa intensa sobre a escrita da História, a construção do Estado angolano, a herança colonial, a educação, a emancipação africana e os desafios que Angola continua a enfrentar.

Rui Verde começou por reconhecer que a obra tem vindo a ser apresentada gradualmente, em diferentes espaços, num percurso que espera levar até Luanda, em novembro. O autor observou que o interesse por Angola em Portugal já não tem hoje a dimensão que possuía há quarenta ou cinquenta anos, tornando-se progressivamente um interesse mais especializado.

Para o académico, uma das principais conclusões retiradas das apresentações já realizadas é a inexistência de um consenso sobre uma História de Angola construída como ciência, baseada em factos, provas, metodologia e confronto crítico de fontes. Na sua perspetiva, a História angolana continua frequentemente a ser utilizada como instrumento do poder ou do contrapoder, através de narrativas políticas antagónicas.

De um lado, explicou, permanece uma leitura próxima da narrativa oficial do MPLA, segundo a qual as decisões tomadas pelo partido são apresentadas como essencialmente corretas. Do outro, surge uma narrativa da oposição que tende a considerar erradas todas as decisões do MPLA. Entre estas posições, Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025) procura encontrar um espaço central, apresentando os factos menos disputados e, nos acontecimentos mais controversos, expondo versões distintas.

Rui Verde admitiu que o livro será necessariamente objeto de críticas: por aquilo que inclui, pelo que deixa de fora, pela importância concedida a determinadas personalidades e pela forma como interpreta alguns acontecimentos. No entanto, sublinhou que a obra não pretende ser um projeto definitivo, mas o início de uma discussão que considera ainda insuficientemente desenvolvida.

Segundo o autor, não existia até agora uma história compacta dedicada ao período compreendido entre 1975 e 2025. Há obras monumentais sobre a História de Angola, como as de Alberto Oliveira Pinto e Carlos Mariano Manuel, e estudos estrangeiros relevantes, mas muitos desses trabalhos terminam nos anos 1980 ou 1990, não oferecendo uma reflexão continuada até ao presente.

Por ser uma obra breve, Rui Verde reconheceu a existência de lacunas. Por ter sido escrita por um autor estrangeiro, admitiu também que não contém a mesma carga emocional que os angolanos atribuem aos acontecimentos que viveram diretamente. Ainda assim, identificou como principal virtude do livro o facto de ser uma primeira tentativa de síntese sobre os cinquenta anos da Angola independente e de abrir caminho para uma discussão afastada das leituras exclusivamente partidárias.

A primeira parte da obra, sobretudo até 2002, apoia-se maioritariamente em estudos, documentos e interpretações de outros autores. A segunda parte incorpora também a experiência direta de Rui Verde, que acompanha com proximidade a vida política, económica e quotidiana de Angola desde 2012, incluindo observações pessoais e entrevistas realizadas ao longo desse período.

O livro começa na excitação e na esperança que acompanharam a independência, em 1975, e termina naquilo que o autor designa como a “curva apertada” em que Angola se encontra atualmente. A análise não conclui que o país não tem futuro, mas também não afirma que tudo esteja bem.

Rui Verde considera que, depois de 2017, existiu uma tentativa de alterar e melhorar a situação do país, mas que esse processo ficou “a meio da ponte”. Angola aproxima-se agora, na sua leitura, de um período em que terá de tomar opções difíceis, sobretudo a partir de 2027.

“O objetivo essencial desta obra não é o fim, mas o princípio”, afirmou o autor, convidando os leitores a enviarem ao editor críticas, correções e testemunhos. Esse contributo poderá permitir que uma futura segunda edição seja mais ampla, mais representativa e enriquecida pelas experiências daqueles que viveram diretamente os acontecimentos.

António Alberto Neto: a História exige verdade, educação e emancipação

Na segunda parte da sessão, António Alberto Neto respondeu à questão colocada pelo editor João Ricardo Rodrigues: qual foi, afinal, o resultado da construção de Angola ao longo destes cinquenta anos?

O histórico jurista começou por refletir sobre a dicotomia entre as diferentes histórias e narrativas. Para António Alberto Neto, a diferença reside muitas vezes na posição de quem relata os acontecimentos. Uma narrativa construída a partir de uma perspetiva europeia ou ocidental pode ser diferente da narrativa daqueles que participaram diretamente na luta pela emancipação dos povos africanos.

Segundo o constitucionalista, uma narrativa que defenda o apartheid nunca poderá ser igual à narrativa de quem defende os princípios da Liberdade, da Democracia e da Paz. Por essa razão, introduziu no debate o conceito de “esquecimento histórico”, entendido como a ausência de uma narrativa fundada na verdade dos factos.

António Alberto Neto afirmou não falar como historiador, mas como alguém que examinou, viveu e, em certos momentos, ajudou a produzir os próprios acontecimentos. Nascido em 1943, atravessou pessoalmente vários dos períodos abordados no livro e conviveu com algumas das principais figuras da História política angolana.

Referindo-se às fotografias incluídas na obra, recordou que esteve próximo de personalidades com as quais partilhou momentos políticos, mas também diferenças profundas. Essas figuras, salientou, não foram imortais, cometeram erros, criaram situações difíceis e tiveram responsabilidades políticas, económicas, sociais e militares num conflito em que morreram muitas pessoas.

Apesar do fim da guerra civil, António Alberto Neto lembrou que Angola continua confrontada com problemas de emancipação, fome, pobreza e discriminação. Para o jurista, a ausência de uma guerra de grande dimensão não significa que os principais problemas do país estejam resolvidos, sendo igualmente necessário continuar a falar da situação de Cabinda e dos conflitos que persistem noutros territórios africanos.

Assumindo-se como pan-africanista, defendeu que os africanos observam a História a partir de uma conceção própria. África, afirmou, deve participar plenamente no progresso mundial, não apenas como fornecedora de matérias-primas ou como continente permanentemente dependente.

António Alberto Neto criticou o modelo de independências formais que permitiu aos países africanos terem bandeiras, presidentes, parlamentos e representação nas Nações Unidas, sem alcançarem uma verdadeira independência económica, social e política. Na sua leitura, muitos Estados africanos foram colocados numa situação de dívida permanente, tendo os seus recursos naturais como principal garantia perante o sistema económico internacional.

Foi neste contexto que relacionou as guerras e interferências externas em Angola com a disputa pelo petróleo e pelos diamantes. Para o jurista, o endividamento externo continua a limitar a soberania e as possibilidades de desenvolvimento do país.

O antigo candidato presidencial manifestou também preocupação com a possibilidade de o livro chegar a Luanda e permanecer circunscrito à nomenclatura política e administrativa, sem alcançar a maioria da população. Por isso, defendeu a realização de uma edição popular, acessível aos angolanos que normalmente não conseguem comprar ou conhecer obras desta natureza.

A educação ocupou uma parte central da sua intervenção. A partir de uma passagem da página 59 do livro, António Alberto Neto recordou que o número de angolanos com formação universitária, em 1975, era extremamente reduzido. Durante o período colonial, o acesso ao ensino superior pela população angolana foi muito limitado, sendo a maioria dos licenciados portugueses ou estrangeiros residentes no território.

A pergunta essencial, afirmou, é compreender por que razão Angola chegou à independência com um número tão reduzido de quadros formados. Para António Alberto Neto, a resposta encontra-se nas limitações impostas pelo sistema colonial à educação e à emancipação dos povos africanos.

O jurista considerou que, caso Angola tivesse sido independente durante séculos, poderia possuir hoje mais cientistas, engenheiros, investigadores e uma classe política mais preparada. Sublinhou que a educação é um elemento determinante para o progresso e que os dirigentes angolanos herdaram um país marcado por profundas carências educativas.

Recordou igualmente o contributo de países como a União Soviética, a Checoslováquia, a Hungria e a China para a formação de estudantes angolanos, contrastando esse apoio com as limitações que, segundo afirmou, as autoridades coloniais colocaram à formação superior dos angolanos, moçambicanos, guineenses e cabo-verdianos.

Para António Alberto Neto, o baixo nível de educação herdado do colonialismo continua a produzir consequências no desenvolvimento de Angola. A emancipação, defendeu, deve abranger a educação, a economia, a saúde, a participação política e a dignidade humana.

A propósito do Dia Mundial do Dador de Sangue, assinalado a 14 de junho, o constitucionalista recorreu à universalidade do sangue humano como símbolo da cooperação entre os povos. Independentemente da nacionalidade, afirmou, o sangue compatível pode salvar qualquer pessoa, demonstrando que a humanidade deve prevalecer sobre as divisões políticas, nacionais e raciais.

Na conclusão, António Alberto Neto recordou ter sido candidato às eleições presidenciais de 1992, nas quais ficou em terceiro lugar, um facto que considera frequentemente afastado da memória pública devido ao “esquecimento histórico”.

“Os angolanos estão a resistir. E quem resiste é para vencer”, declarou, acrescentando que essa resistência tem como finalidade conquistar a paz, a dignidade e uma verdadeira emancipação.

Um encerramento marcado pela pluralidade

A apresentação de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025) encerrou, assim, a participação da Perfil Criativo | AUTORES.club e da Promobooks na Feira do Livro de Lisboa de 2026.

Mais do que uma sessão de lançamento, o encontro colocou frente a frente duas formas complementares de olhar para Angola: a investigação e a tentativa de síntese histórica de Rui Verde; e a memória vivida, a experiência política e o pensamento pan-africanista de António Alberto Neto.

Num ambiente aberto à participação do público, ficou evidente que a História da Angola independente permanece um campo em construção, atravessado por memórias concorrentes, disputas políticas, silêncios e testemunhos ainda por recolher.

O encerramento da Feira do Livro transformou-se, deste modo, num convite à leitura, ao confronto de ideias e à preservação das memórias das várias gerações que participaram na construção do país. Uma conversa que não procurou encerrar a História de Angola, mas abrir novas possibilidades para a compreender e continuar a escrevê-la.

Feira do Livro de Lisboa: O Livro continua, a História também

Feira do Livro de Lisboa: O Livro continua, a História também

A programação da editora Perfil Criativo | AUTORES.club, representada pela Promobooks no stand D48 da Feira do Livro de Lisboa, aproxima-se do final com duas apresentações especiais, nos dias 13 e 14 de junho, acompanhadas por sessões de autógrafos e pelo encontro direto entre autores e leitores.

No sábado, 13 de junho, às 20h00, na Praça Vermelha, os autores Hugo Henriques e Hajnalka Henriques apresentam o livro Uma História Interminável, uma obra escrita a duas vozes e marcada pela particularidade de reunir textos em dupla ortografia. O encontro permitirá conhecer o percurso de criação do livro, as histórias que atravessam as suas páginas e o trabalho conjunto desenvolvido pelos dois autores. A sessão de autógrafos realiza-se às 21h00.

No domingo, 14 de junho, às 14h00, na Praça Roxa, o jurista e académico Rui Verde apresenta Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), uma obra que percorre cinco décadas decisivas da história política, económica e institucional do país.

Este último encontro contará com a presença de mais-velhos nacionalistas ligados à luta pela independência de Angola, que irão partilhar os seus testemunhos e experiências sobre vários momentos da história do país. Será uma oportunidade para cruzar a investigação e a interpretação histórica apresentadas no livro com as memórias de quem acompanhou ou participou diretamente na luta de libertação, na independência e nas diferentes fases da construção da República Popular de Angola e da República de Angola.

A apresentação pretende promover um diálogo aberto entre todos, reunindo protagonistas, investigadores, leitores e membros da comunidade angolana em Portugal para refletirem sobre as governações de Agostinho Neto, José Eduardo dos Santos e João Lourenço, os conflitos que marcaram o país e os desafios enfrentados ao longo de cinquenta anos de independência.

A sessão de autógrafos com Rui Verde está marcada para as 15h00.

Estão todos convidados para participarem nestes últimos encontros, conhecerem os autores e celebrarem a literatura, a memória e a história de Angola na Feira do Livro de Lisboa.

Livro com mais de 40 vozes africanas apresentado na Feira do Livro de Lisboa

Livro com mais de 40 vozes africanas apresentado na Feira do Livro de Lisboa

O livro 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos Seus Cidadãos, coordenado pelos académicos Rui Verde e Eugénio Costa Almeida, foi apresentado no passado domingo, 7 de junho de 2026, num encontro especial realizado no Auditório Norte da Feira do Livro de Lisboa.

A obra reúne mais de 40 autores e propõe uma leitura plural dos cinquenta anos de independência dos países africanos de língua oficial portuguesa. Em vez de apresentar uma narrativa única ou uma interpretação fechada da História, o livro abre espaço a diferentes experiências, memórias, opiniões e balanços sobre os caminhos percorridos desde as independências.

Na sua intervenção, o Prof. Doutor Rui Verde destacou precisamente o carácter plural do projeto, defendendo a necessidade de ultrapassar as leituras maniqueístas que dividem o debate entre versões consideradas absolutamente certas ou erradas.

Segundo o coordenador, a obra procura ouvir todas as expressões, incluindo aquelas com as quais os leitores, os autores ou os próprios coordenadores possam não concordar. O objetivo é criar um espaço onde diferentes perspetivas possam ser apresentadas e confrontadas com liberdade.

“É preciso ouvir o outro, quem quer que seja o outro”, afirmou Rui Verde, sublinhando que o livro assume também, nesse sentido, uma dimensão política. Não por defender uma determinada força partidária, mas por transmitir um sinal de tolerância, pluralidade e abertura ao diálogo num tempo em que, segundo observou, muitas pessoas tendem a refugiar-se nas suas próprias zonas de conforto.

Para Rui Verde, o “eu” e o “outro” devem ter igualmente o direito de ser ouvidos. Esta será uma das mensagens essenciais de uma obra que pretende contribuir para um debate mais amplo sobre as independências africanas, reconhecendo que a construção da História exige a presença de vozes diferentes, algumas próximas e outras profundamente divergentes.

O Prof. Doutor Eugénio Costa Almeida recordou, por sua vez, a origem do projeto. A ideia nasceu em 2024, quando apresentou a proposta de realização de uma conferência dedicada aos cinquenta anos das independências africanas. Perante a impossibilidade de concretizar essa iniciativa no âmbito inicialmente previsto, decidiu transformar a proposta num livro.

Em fevereiro, contactou Rui Verde, que aceitou associar-se ao projeto. A partir desse momento, foram enviados cerca de cem convites a personalidades das mais diversas áreas e dos cinco países africanos de língua oficial portuguesa, incluindo chefes de Estado, chefes de Governo, ministros, deputados, académicos, investigadores e representantes da sociedade civil.

Apesar da dimensão do convite, apenas cerca de 40 pessoas acabaram por responder e entregar os seus contributos. Eugénio Costa Almeida explicou que alguns convidados recusaram participar, enquanto outros alegaram incompatibilidades institucionais, responsabilidades governativas ou dificuldades em assumir publicamente determinadas posições.

O coordenador destacou igualmente a reduzida participação feminina. Cerca de 30 convites terão sido dirigidos a mulheres, mas apenas oito responderam positivamente, um número que revela também os obstáculos ainda existentes à representação equilibrada em projetos desta natureza.

Eugénio Costa Almeida referiu ainda as dificuldades sentidas na obtenção de contributos provenientes de alguns países. No caso de Moçambique, contou que chegaram a existir manifestações iniciais de interesse, mas algumas participações acabaram por não se concretizar, aparentemente condicionadas por orientações ou estruturas partidárias.

Em sentido contrário, destacou a colaboração de personalidades de Cabo Verde, que, apesar de atrasos provocados por circunstâncias externas e por uma tempestade que atingiu o país, cumpriram o compromisso assumido e enviaram os seus textos.

O resultado é uma obra coletiva que procura observar meio século de independências africanas através dos próprios cidadãos, reunindo testemunhos, análises e interpretações provenientes de diferentes geografias, gerações, profissões e sensibilidades políticas.

A apresentação na Feira do Livro de Lisboa confirmou a importância de criar espaços onde a História de África possa ser discutida sem silêncios impostos e sem a exigência de uma narrativa única. Mais do que procurar uma conclusão definitiva sobre os últimos cinquenta anos, 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos Seus Cidadãos convida o leitor a conhecer a diversidade de experiências que marcaram a construção dos novos Estados africanos.

Ao reunir mais de 40 autores, o livro transforma-se num exercício de memória, cidadania e liberdade de expressão, dando voz tanto às perspetivas consensuais como às interpretações incómodas ou contraditórias. Uma obra que afirma a necessidade de ouvir, compreender e debater o passado para pensar criticamente o presente e o futuro de África.

Descobrir a nova literatura de Angola hoje na Feira do Livro de Lisboa

Descobrir a nova literatura de Angola hoje na Feira do Livro de Lisboa

A Perfil Criativo | AUTORES.club convida todos os leitores a participarem, neste domingo, 7 de junho, em três encontros especiais dedicados à política, à memória, à poesia e à literatura contemporânea de Angola e dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

A programação decorre a partir das 18h00, no Auditório Norte da Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII. Depois de cada apresentação, os autores estarão no Pavilhão D48 — Pavilhão Papa-Letras | Promobooks.net, para conversarem com os leitores e autografarem as suas obras.

Às 18h00, será apresentada a obra coletiva 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos, coordenada por Rui Verde e Eugénio Costa Almeida. O livro reúne cerca de 40 autores e personalidades dos países africanos de língua portuguesa, que fazem um balanço plural de meio século de independências. Através da memória, do testemunho, da história, da análise política e da reflexão sobre a cidadania, a obra aborda os sonhos das libertações nacionais, os caminhos percorridos pelos novos Estados, os conflitos, os autoritarismos, os processos de democratização e os desafios ainda presentes no desenvolvimento das sociedades africanas. A sessão de autógrafos realiza-se às 19h00.

Às 19h00, terá lugar o lançamento de 42.4 — A Voz dos Dibengo, de Tazuary Nkeita, pseudónimo literário do jornalista José da Costa Soares Caetano. Nesta nova edição revista, o autor dá voz aos Dibengo e a outras experiências humanas ligadas à memória, ao território, à identidade e à consciência social. A obra cruza literatura, cultura e história, revelando uma escrita profundamente ligada às comunidades angolanas e aos seus modos de compreender a vida, a pertença e as transformações da sociedade. Autógrafos às 20h00.

Às 20h00, será apresentado o poemário Matéria Negra, de Kalunga, nome literário de João Fernando André. Numa poesia intensa, contemporânea e surpreendente, Kalunga transforma a palavra num espaço de interrogação sobre Angola, a identidade africana, a memória, o corpo, a ancestralidade e a condição humana. O livro afirma uma voz poética própria, simultaneamente inquieta e consciente, que recupera referências culturais africanas e as coloca em diálogo com as grandes questões do mundo atual. A sessão de autógrafos decorre às 21h00.

Este será um encontro especial para descobrir a nova literatura de Angola, conhecer diferentes gerações de autores e aproximar os leitores de obras que interrogam o passado, interpretam o presente e ajudam a imaginar o futuro.

Hoje, 7 de junho de 2026
Auditório Norte — Feira do Livro de Lisboa
18h00 — 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos
19h00 — 42.4 — A Voz dos Dibengo
20h00 — Matéria Negra

Sessões de autógrafos no Pavilhão D48 — Pavilhão Papa-Letras | Promobooks.net.

História de Angola Independente em debate num animado fim de tarde na Voz do Operário

História de Angola Independente em debate num animado fim de tarde na Voz do Operário

Num momento em que se multiplicam em Lisboa os encontros dedicados à literatura, à história e ao pensamento angolano, o académico e escritor Rui Verde apresentou, em sessão informal de pré-lançamento, o seu novo livro Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), num encontro participado que decorreu na Voz do Operário, em pleno ambiente festivo dos Santos Populares.

Perante uma assistência atenta e interventiva, o autor foi convidado a explicar as opções que orientaram a construção da obra. Questionado sobre se a narrativa não estaria excessivamente centrada nas questões económicas, Rui Verde rejeitou essa leitura, sublinhando que o livro procura articular os desenvolvimentos económicos com a evolução política do país, dedicando particular atenção ao período posterior a 2010, fase que acompanhou mais de perto enquanto observador da realidade angolana.

Outra das questões colocadas incidiu sobre as fontes utilizadas e sobre a eventual realização de entrevistas para a preparação da obra. O autor explicou a metodologia seguida, centrada sobretudo na análise documental, bibliográfica e na observação dos acontecimentos ao longo das últimas décadas.

O debate ganhou especial intensidade quando um dos participantes, antigo militar das FAPLA, recordou episódios relacionados com perseguições étnicas ocorridas no processo de independência angolana, defendendo que estes temas merecem maior aprofundamento nos trabalhos historiográficos. Já a filha do histórico nacionalista Mário Pinto de Andrade questionou a forma como é retratada a fundação do partido-Estado, o MPLA, considerando que determinadas leituras da história contemporânea podem contribuir para a consolidação de narrativas que, na sua opinião, não refletem ta verdade dos acontecimentos.

As intervenções revelaram que, cinquenta anos após a independência, a história recente de Angola continua a suscitar interpretações diversas, memórias contraditórias e debates apaixonados, demonstrando a importância de obras que promovam o confronto de perspetivas e a reflexão crítica.

Também o editor foi chamado a intervir, desta vez sobre a circulação e distribuição da obra em Angola. Questionado sobre as possibilidades de chegar aos leitores angolanos, recordou o enorme potencial de um país com mais de 30 milhões de habitantes, lamentando, contudo, que o reduzido poder de compra de grande parte da população continue a impedir milhões de pessoas de aceder aos livros e à leitura.

Entre perguntas, comentários e testemunhos pessoais, o encontro prolongou-se por mais de duas horas, transformando-se numa conversa aberta sobre história, memória, política e cidadania. Num fim de tarde marcado pelo ambiente popular das festas lisboetas, a sessão confirmou o crescente interesse do público pelos temas angolanos e antecipou o lançamento de uma obra que promete alimentar novas discussões sobre os cinquenta anos da Angola independente.

O autor, Rui Verde, e o editor da Perfil Criativo | AUTORES.club


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