Archives em Junho 2026

Livro com mais de 40 vozes africanas apresentado na Feira do Livro de Lisboa

Livro com mais de 40 vozes africanas apresentado na Feira do Livro de Lisboa

O livro 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos Seus Cidadãos, coordenado pelos académicos Rui Verde e Eugénio Costa Almeida, foi apresentado no passado domingo, 7 de junho de 2026, num encontro especial realizado no Auditório Norte da Feira do Livro de Lisboa.

A obra reúne mais de 40 autores e propõe uma leitura plural dos cinquenta anos de independência dos países africanos de língua oficial portuguesa. Em vez de apresentar uma narrativa única ou uma interpretação fechada da História, o livro abre espaço a diferentes experiências, memórias, opiniões e balanços sobre os caminhos percorridos desde as independências.

Na sua intervenção, o Prof. Doutor Rui Verde destacou precisamente o carácter plural do projeto, defendendo a necessidade de ultrapassar as leituras maniqueístas que dividem o debate entre versões consideradas absolutamente certas ou erradas.

Segundo o coordenador, a obra procura ouvir todas as expressões, incluindo aquelas com as quais os leitores, os autores ou os próprios coordenadores possam não concordar. O objetivo é criar um espaço onde diferentes perspetivas possam ser apresentadas e confrontadas com liberdade.

“É preciso ouvir o outro, quem quer que seja o outro”, afirmou Rui Verde, sublinhando que o livro assume também, nesse sentido, uma dimensão política. Não por defender uma determinada força partidária, mas por transmitir um sinal de tolerância, pluralidade e abertura ao diálogo num tempo em que, segundo observou, muitas pessoas tendem a refugiar-se nas suas próprias zonas de conforto.

Para Rui Verde, o “eu” e o “outro” devem ter igualmente o direito de ser ouvidos. Esta será uma das mensagens essenciais de uma obra que pretende contribuir para um debate mais amplo sobre as independências africanas, reconhecendo que a construção da História exige a presença de vozes diferentes, algumas próximas e outras profundamente divergentes.

O Prof. Doutor Eugénio Costa Almeida recordou, por sua vez, a origem do projeto. A ideia nasceu em 2024, quando apresentou a proposta de realização de uma conferência dedicada aos cinquenta anos das independências africanas. Perante a impossibilidade de concretizar essa iniciativa no âmbito inicialmente previsto, decidiu transformar a proposta num livro.

Em fevereiro, contactou Rui Verde, que aceitou associar-se ao projeto. A partir desse momento, foram enviados cerca de cem convites a personalidades das mais diversas áreas e dos cinco países africanos de língua oficial portuguesa, incluindo chefes de Estado, chefes de Governo, ministros, deputados, académicos, investigadores e representantes da sociedade civil.

Apesar da dimensão do convite, apenas cerca de 40 pessoas acabaram por responder e entregar os seus contributos. Eugénio Costa Almeida explicou que alguns convidados recusaram participar, enquanto outros alegaram incompatibilidades institucionais, responsabilidades governativas ou dificuldades em assumir publicamente determinadas posições.

O coordenador destacou igualmente a reduzida participação feminina. Cerca de 30 convites terão sido dirigidos a mulheres, mas apenas oito responderam positivamente, um número que revela também os obstáculos ainda existentes à representação equilibrada em projetos desta natureza.

Eugénio Costa Almeida referiu ainda as dificuldades sentidas na obtenção de contributos provenientes de alguns países. No caso de Moçambique, contou que chegaram a existir manifestações iniciais de interesse, mas algumas participações acabaram por não se concretizar, aparentemente condicionadas por orientações ou estruturas partidárias.

Em sentido contrário, destacou a colaboração de personalidades de Cabo Verde, que, apesar de atrasos provocados por circunstâncias externas e por uma tempestade que atingiu o país, cumpriram o compromisso assumido e enviaram os seus textos.

O resultado é uma obra coletiva que procura observar meio século de independências africanas através dos próprios cidadãos, reunindo testemunhos, análises e interpretações provenientes de diferentes geografias, gerações, profissões e sensibilidades políticas.

A apresentação na Feira do Livro de Lisboa confirmou a importância de criar espaços onde a História de África possa ser discutida sem silêncios impostos e sem a exigência de uma narrativa única. Mais do que procurar uma conclusão definitiva sobre os últimos cinquenta anos, 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos Seus Cidadãos convida o leitor a conhecer a diversidade de experiências que marcaram a construção dos novos Estados africanos.

Ao reunir mais de 40 autores, o livro transforma-se num exercício de memória, cidadania e liberdade de expressão, dando voz tanto às perspetivas consensuais como às interpretações incómodas ou contraditórias. Uma obra que afirma a necessidade de ouvir, compreender e debater o passado para pensar criticamente o presente e o futuro de África.

Cancelados encontros de literatura angolana previstos para 12 e 14 de junho em Lisboa

Cancelados encontros de literatura angolana previstos para 12 e 14 de junho em Lisboa

A editora Perfil Criativo | AUTORES.club informa, com muita tristeza e frustração, que foram cancelados os encontros literários previstos para os dias 12 e 14 de junho de 2026, na Biblioteca Orlando Ribeiro e na Feira do Livro de Lisboa.

O encontro especial «A Surpreendente e Desconhecida Literatura Angolana», marcado para o dia 12 de junho, às 18h00, na Biblioteca Orlando Ribeiro, não poderá realizar-se devido à impossibilidade de deslocação a Portugal do jornalista sénior e escritor angolano José Soares Caetano, que assina os seus textos literários com o pseudónimo Tazuary Nkeita.

Pelo mesmo motivo, fica igualmente cancelada a programação prevista para o dia 14 de junho, na Praça Roxa e no Auditório Norte da Feira do Livro de Lisboa 2026.

Estava agendada para as 18h00, no Auditório Norte, a apresentação da trilogia Os Bantu na Visão de Mafrano — Volumes I, II e III, de Maurício Francisco Caetano (1916–1982), representado pelo filho e responsável pela edição e preparação dos três volumes da colectânea, José Soares Caetano, seguida de uma sessão de autógrafos às 19h00.

Informamos que José Soares Caetano não recebeu, até ao momento, o necessário visto de entrada em Portugal por parte dos serviços consulares portugueses em Luanda. O pedido foi apresentado em maio de 2026, com a identificação dos diferentes eventos literários agendados em Portugal e acompanhado de um pedido de máxima colaboração na marcação e tramitação do processo.

Apesar dos esforços realizados pela organização, não foi possível assegurar atempadamente a presença do autor em Lisboa, circunstância que inviabiliza a realização dos encontros nas condições inicialmente previstas.

Informamos também que às 19h00, no mesmo auditório, estava prevista a apresentação do livro Mãe Nossa Que Sois o Céu, de Fernando Kawendimba, com sessão de autógrafos marcada para as 20h00. Fernando Kawendimba teve de viajar de urgência para Luanda.

Lamentamos profundamente uma situação inteiramente alheia à vontade dos autores, da editora e das entidades que acolheriam as iniciativas. Apresentamos as nossas sinceras desculpas à equipa da Biblioteca Orlando Ribeiro, às Bibliotecas de Lisboa, à organização da Feira do Livro de Lisboa, aos autores envolvidos em especial ao Presidente da Academia Angolana de Letras, aos leitores e a todas as pessoas que acompanharam a preparação e divulgação destes encontros.

Agradecemos toda a disponibilidade, colaboração e compreensão demonstradas e esperamos poder anunciar, futuramente, novas datas para a realização destas apresentações, logo que estejam reunidas as condições necessárias.

Jornal de Angola destaca a poesia de Kalunga no dia da sua apresentação na Feira do Livro de Lisboa

Jornal de Angola destaca a poesia de Kalunga no dia da sua apresentação na Feira do Livro de Lisboa

Jornal de Angola publicou hoje, 7 de junho, no suplemento Fim-de-Semana, um amplo texto de Luísa Fresta dedicado ao livro Matéria Negra, de João Fernando André, conhecido nos movimentos literários angolanos como Kalunga.

Sob o título «Kalunga transforma a palavra em contemplação e resistência», a autora apresenta o mais recente livro do poeta angolano como uma obra que alia intensidade, musicalidade, consciência social e reflexão sobre a condição humana.

Luísa Fresta sublinha que, em Matéria Negra, o verso transforma-se num espaço de contemplação e resistência, onde convivem a memória, a dor, a esperança, a espiritualidade e a inquietação perante os grandes desafios do presente.

A análise destaca igualmente a riqueza da linguagem de Kalunga, marcada pelo uso de imagens, símbolos, ritmos e referências culturais diversas. A língua portuguesa surge enriquecida por sonoridades, expressões e memórias angolanas, numa escrita que procura abrir novos caminhos de leitura e interpretação.

Ao longo do artigo, a poesia de Kalunga é apresentada como uma voz atenta às desigualdades, à fragilidade da vida, à liberdade, ao amor, à identidade e à necessidade de reconstrução humana. Luísa Fresta considera que o poeta transforma experiências individuais e colectivas numa linguagem de forte dimensão estética e social.

A publicação acontece precisamente no dia em que Kalunga apresenta Matéria Negra na Feira do Livro de Lisboa. O encontro está marcado para hoje, às 20h00, no Auditório Norte, constituindo uma oportunidade especial para conhecer o autor, ouvir a sua poesia e participar numa conversa sobre uma das mais recentes propostas da literatura angolana contemporânea.

Para o editor da Perfil Criativo | AUTORES.club João Fernando André é um representante da nova poesia de Angola e um verdadeiro embaixador cultural.

Depois da apresentação, Kalunga estará disponível para uma sessão de autógrafos, às 21h00.

7 de junho de 2026, às 20h00
Auditório Norte — Feira do Livro de Lisboa
Sessão de autógrafos às 21h00

Matéria Negra
Matéria Negra

Descobrir a nova literatura de Angola hoje na Feira do Livro de Lisboa

Descobrir a nova literatura de Angola hoje na Feira do Livro de Lisboa

Perfil Criativo | AUTORES.club convida todos os leitores a participarem, neste domingo, 7 de junho, em três encontros especiais dedicados à política, à memória, à poesia e à literatura contemporânea de Angola e dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

A programação decorre a partir das 18h00, no Auditório Norte da Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII. Depois de cada apresentação, os autores estarão no Pavilhão D48 — Pavilhão Papa-Letras | Promobooks.net, para conversarem com os leitores e autografarem as suas obras.

Às 18h00, será apresentada a obra coletiva 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos, coordenada por Rui Verde e Eugénio Costa Almeida. O livro reúne cerca de 40 autores e personalidades dos países africanos de língua portuguesa, que fazem um balanço plural de meio século de independências. Através da memória, do testemunho, da história, da análise política e da reflexão sobre a cidadania, a obra aborda os sonhos das libertações nacionais, os caminhos percorridos pelos novos Estados, os conflitos, os autoritarismos, os processos de democratização e os desafios ainda presentes no desenvolvimento das sociedades africanas. A sessão de autógrafos realiza-se às 19h00.

Às 19h00, terá lugar o lançamento de 42.4 — A Voz dos Dibengo, de Tazuary Nkeita, pseudónimo literário do jornalista José da Costa Soares Caetano. Nesta nova edição revista, o autor dá voz aos Dibengo e a outras experiências humanas ligadas à memória, ao território, à identidade e à consciência social. A obra cruza literatura, cultura e história, revelando uma escrita profundamente ligada às comunidades angolanas e aos seus modos de compreender a vida, a pertença e as transformações da sociedade. Autógrafos às 20h00.

Às 20h00, será apresentado o poemário Matéria Negra, de Kalunga, nome literário de João Fernando André. Numa poesia intensa, contemporânea e surpreendente, Kalunga transforma a palavra num espaço de interrogação sobre Angola, a identidade africana, a memória, o corpo, a ancestralidade e a condição humana. O livro afirma uma voz poética própria, simultaneamente inquieta e consciente, que recupera referências culturais africanas e as coloca em diálogo com as grandes questões do mundo atual. A sessão de autógrafos decorre às 21h00.

Este será um encontro especial para descobrir a nova literatura de Angola, conhecer diferentes gerações de autores e aproximar os leitores de obras que interrogam o passado, interpretam o presente e ajudam a imaginar o futuro.

Hoje, 7 de junho de 2026
Auditório Norte — Feira do Livro de Lisboa
18h00 — 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos
19h00 — 42.4 — A Voz dos Dibengo
20h00 — Matéria Negra

Sessões de autógrafos no Pavilhão D48 — Pavilhão Papa-Letras | Promobooks.net.

História de Angola Independente em debate num animado fim de tarde na Voz do Operário

História de Angola Independente em debate num animado fim de tarde na Voz do Operário

Num momento em que se multiplicam em Lisboa os encontros dedicados à literatura, à história e ao pensamento angolano, o académico e escritor Rui Verde apresentou, em sessão informal de pré-lançamento, o seu novo livro Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), num encontro participado que decorreu na Voz do Operário, em pleno ambiente festivo dos Santos Populares.

Perante uma assistência atenta e interventiva, o autor foi convidado a explicar as opções que orientaram a construção da obra. Questionado sobre se a narrativa não estaria excessivamente centrada nas questões económicas, Rui Verde rejeitou essa leitura, sublinhando que o livro procura articular os desenvolvimentos económicos com a evolução política do país, dedicando particular atenção ao período posterior a 2010, fase que acompanhou mais de perto enquanto observador da realidade angolana.

Outra das questões colocadas incidiu sobre as fontes utilizadas e sobre a eventual realização de entrevistas para a preparação da obra. O autor explicou a metodologia seguida, centrada sobretudo na análise documental, bibliográfica e na observação dos acontecimentos ao longo das últimas décadas.

O debate ganhou especial intensidade quando um dos participantes, antigo militar das FAPLA, recordou episódios relacionados com perseguições étnicas ocorridas no processo de independência angolana, defendendo que estes temas merecem maior aprofundamento nos trabalhos historiográficos. Já a filha do histórico nacionalista Mário Pinto de Andrade questionou a forma como é retratada a fundação do partido-Estado, o MPLA, considerando que determinadas leituras da história contemporânea podem contribuir para a consolidação de narrativas que, na sua opinião, não refletem ta verdade dos acontecimentos.

As intervenções revelaram que, cinquenta anos após a independência, a história recente de Angola continua a suscitar interpretações diversas, memórias contraditórias e debates apaixonados, demonstrando a importância de obras que promovam o confronto de perspetivas e a reflexão crítica.

Também o editor foi chamado a intervir, desta vez sobre a circulação e distribuição da obra em Angola. Questionado sobre as possibilidades de chegar aos leitores angolanos, recordou o enorme potencial de um país com mais de 30 milhões de habitantes, lamentando, contudo, que o reduzido poder de compra de grande parte da população continue a impedir milhões de pessoas de aceder aos livros e à leitura.

Entre perguntas, comentários e testemunhos pessoais, o encontro prolongou-se por mais de duas horas, transformando-se numa conversa aberta sobre história, memória, política e cidadania. Num fim de tarde marcado pelo ambiente popular das festas lisboetas, a sessão confirmou o crescente interesse do público pelos temas angolanos e antecipou o lançamento de uma obra que promete alimentar novas discussões sobre os cinquenta anos da Angola independente.

O autor, Rui Verde, e o editor da Perfil Criativo | AUTORES.club

Tomás Lima Coelho leva a História de Angola à Feira do Livro de Lisboa

Tomás Lima Coelho leva a História de Angola à Feira do Livro de Lisboa

A Feira do Livro de Lisboa recebeu, no passado dia 4 de junho, a apresentação da obra Chão de Kanâmbua ou O Feitiço de Kangombe, do escritor e investigador angolano Tomás Lima Coelho, numa sessão que se transformou numa verdadeira viagem pela memória histórica, literária e cultural de Angola. A apresentação integrou o programa oficial do Auditório Norte da feira, reunindo leitores e membros da comunidade angolana em Portugal.

Ao apresentar o romance, Tomás Lima Coelho destacou a importância de revisitar o final do século XIX e o início do século XX angolanos através da literatura. A obra acompanha a trajetória de Manuel Justino, um degredado português que se estabelece em Angola, servindo de fio condutor para uma narrativa onde se cruzam história, oralidade africana, espiritualidade, comércio e memória coletiva.

A sessão permitiu igualmente ao autor abordar uma das suas obras de referência, Autores e Escritores de Angola 1642-2022, considerada uma das mais importantes contribuições para o levantamento e preservação da memória literária angolana. O trabalho reúne centenas de autores de diferentes épocas, correntes e sensibilidades, constituindo um instrumento indispensável para investigadores, estudantes e leitores interessados na evolução da literatura produzida por angolanos ao longo de quase quatro séculos.

Tomás Lima Coelho aproveitou ainda a ocasião para recordar outros autores e investigadores que têm contribuído para a valorização da história e da cultura angolanas. Entre eles destacou Eugénio Monteiro Ferreira, autor da obra Kimamuenho — Intelectual Rural 1913-1922, cuja apresentação estava prevista para o mesmo dia na Feira do Livro de Lisboa. No entanto, devido aos constrangimentos provocados pela greve geral dos transportes, o autor acabou por não conseguir estar presente na sessão.

Num encontro marcado pelo diálogo entre literatura e história, Tomás Lima Coelho reafirmou a necessidade de preservar a memória das diferentes gerações de escritores, investigadores e protagonistas da vida cultural angolana, sublinhando que compreender o passado continua a ser uma condição essencial para pensar o futuro de Angola.

A sessão terminou com um período de conversa com os leitores e uma sessão de autógrafos, confirmando o interesse crescente do público português e angolano por obras que ajudam a compreender as múltiplas dimensões da história de Angola.

“Uma História Interminável” apresentado na Biblioteca dos Coruchéus

“Uma História Interminável” apresentado na Biblioteca dos Coruchéus

A Biblioteca dos Coruchéus, em Lisboa, acolheu na tarde de 2 de junho de 2026 a sessão oficial de lançamento do livro Uma História Interminável, de Hugo Henriques e Hajnalka Henriques, uma obra infantil marcada pela fantasia, pelo humor, pela defesa dos valores humanos e pela rara apresentação em dupla ortografia.

A sessão foi aberta pelo editor João Ricardo Rodrigues, que destacou a singularidade do livro no catálogo da Perfil Criativo | AUTORES.club. Na sua intervenção, sublinhou tratar-se de uma obra especial, não apenas pela dimensão literária e pedagógica, mas também pelo facto de reunir duas formas de escrita da língua portuguesa, permitindo aos leitores contactar com a grafia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990 e com a versão actualmente em uso. O editor salientou ainda o valor simbólico da colaboração entre pai e filha: Hugo Henriques como autor do texto e Hajnalka Henriques como ilustradora, com desenhos realizados em idade muito jovem.

Perante o público presente, Hugo Henriques fez uma apresentação detalhada do percurso de preparação de Uma História Interminável, explicando que a obra resultou de um processo longo, exigente e amadurecido ao longo do tempo. O autor partilhou também aspectos ligados à edição de outros livros da sua autoria, nomeadamente Verdadeiro Amor VerdadeiroPonte Infante D. Henrique, recordando os desafios de transformar ideias, memórias e investigação em livros publicados.

Durante a conversa, ficou evidente o desejo de dar continuidade ao diálogo com leitores, escolas, famílias e bibliotecas. No ar ficou também a ambição de levar Uma História Interminável a novos públicos, incluindo a possibilidade de trabalhar para que a obra possa vir a ser considerada no âmbito do Plano Nacional de Leitura.

Com esta apresentação, Uma História Interminável inicia o seu caminho junto dos leitores, afirmando-se como um livro infantil raro, criativo e profundamente humano, capaz de falar às crianças através das histórias de animais diferentes entre si, mas também aos adultos que reconhecem na fantasia uma forma de pensar a amizade, a inclusão, a coragem e a aceitação da diferença.

50 Anos de Angola Independente: Um Convite à Memória, ao Debate e ao Futuro

50 Anos de Angola Independente: Um Convite à Memória, ao Debate e ao Futuro

A comunidade angolana residente em Portugal está convidada a participar no lançamento oficial do livro Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), do académico Rui Verde, numa sessão especial a realizar-se no Auditório da A Voz do Operário, em Lisboa, às 19h00.

Num momento em que Angola assinala cinquenta anos de independência e se prepara para um novo ciclo político, com as eleições de 2027 no horizonte, esta obra constitui uma oportunidade única para revisitar a história recente do país e refletir sobre os seus desafios futuros.

Ao longo de três centenas de páginas, Rui Verde propõe uma análise dos grandes ciclos da Angola independente: o sonho da independência nacional e o complexo processo que conduziu à proclamação da República; a governação de António Agostinho Neto e os desafios da construção do Estado; a longa governação de José Eduardo dos Santos, marcada pela guerra, pela paz, pela reconstrução e pelo crescimento económico; e o período de João Lourenço, caracterizado pelas reformas, pelas novas expectativas e pelos desafios da transformação económica e institucional.

Que resultados produziram estas diferentes etapas no desenvolvimento do país? Que conquistas foram alcançadas? Que oportunidades foram perdidas? Que Angola foi construída ao longo destes cinquenta anos?

Este é um convite dirigido aos homens e mulheres da luta de libertação nacional, aos participantes da revolução socialista, às vítimas da violência política, aos antigos guerrilheiros e combatentes das diversas forças que marcaram a história do conflito angolano, aos empresários, políticos, académicos, artistas, estudantes e aos mais jovens que procuram compreender o país que herdaram. É igualmente um convite à diáspora angolana residente em Lisboa para participar neste momento de reflexão coletiva.

Mais do que a apresentação de um livro, pretende-se criar um espaço de encontro entre gerações, sensibilidades e experiências distintas, onde os participantes possam partilhar testemunhos, memórias e perspetivas sobre os cinquenta anos de construção da República de Angola.

Conhecer a História é compreender o presente. Partilhar experiências é ajudar a construir o futuro.

Entrada livre.