Toponímia, memória bantu e literatura dos Dibengo juntaram leitores na UCAN

Toponímia, memória bantu e literatura dos Dibengo juntaram leitores na UCAN

A Universidade Católica de Angola acolheu, na passada quarta-feira, 24 de junho, no Edifício Michael Lemony Kennedy, no Largo das Escolas, em Luanda, uma concorrida sessão de apresentação e autógrafos que juntou três obras dedicadas à História, à Cultura, à memória e à identidade angolana: Toponímia de Angola: Origem, Sentido e Identidade, da Prof.ª Doutora Jeanine SilveiraOs Bantu na Visão de Mafrano, de Maurício Francisco Caetano; e 42.4 — A Voz dos Dibengo, crónicas romanceadas do escritor e jornalista Tazuary Nkeita, pseudónimo literário de José Soares Caetano.

Num ambiente marcado pelo interesse dos leitores e pela presença de estudantes, académicos, investigadores e amantes da literatura angolana, a sessão transformou-se num momento de encontro entre diferentes gerações e diferentes formas de pensar Angola. A toponímia, a tradição bantu, a memória histórica e a ficção inspirada na vida social dos Dibengo cruzaram-se numa tarde dedicada à palavra, ao conhecimento e à valorização das raízes culturais do país.

A obra Toponímia de Angola: Origem, Sentido e Identidade, da Prof.ª Doutora Jeanine Silveira, docente da Universidade Católica de Angola, propõe uma leitura aprofundada dos nomes dos lugares angolanos, resgatando sentidos, origens e marcas identitárias muitas vezes esquecidas ou pouco estudadas. Ao lado desta investigação, Os Bantu na Visão de Mafrano trouxe para o centro da conversa o pensamento de Maurício Francisco Caetano, figura essencial para a compreensão das culturas bantu e das estruturas sociais, filosóficas e espirituais que atravessam a memória angolana.

Já 42.4 — A Voz dos Dibengo, de Tazuary Nkeita, levou ao encontro a força da crónica romanceada, num registo literário que dá corpo, voz e humanidade a personagens, territórios e experiências sociais profundamente ligados à realidade angolana. A presença conjunta destas três obras permitiu criar um diálogo raro entre investigação académica, memória cultural e criação literária.

A forte adesão do público confirmou a importância de iniciativas que aproximam os livros dos leitores e que ajudam a colocar a História, a Cultura e a identidade de Angola no centro da conversa pública. As sessões de autógrafos prolongaram esse ambiente de proximidade, permitindo o contacto direto entre autores, leitores e participantes.

“É sempre bom participar destes eventos; foi muito interessante ter obras deste género, com autores de várias gerações comprometidos com a História, a Cultura e a identidade de Angola”, afirmou uma jovem estudante presente na sessão, sintetizando o espírito de uma tarde em que a literatura voltou a cumprir a sua missão maior: reunir pessoas, despertar perguntas e fortalecer a consciência sobre o país.

A atividade na UCAN mostrou que há um público atento e disponível para obras que pensam Angola a partir das suas raízes, dos seus nomes, das suas línguas, das suas memórias e das suas vozes. No Largo das Escolas, a literatura fez jus ao seu papel: guardar, interrogar e projetar Angola.

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