Archives em Junho 26, 2026

Quando Angola tomou a palavra junto à antiga Lota de Portimão

A Feira do Livro de Portimão 2026 recebeu, no passado dia 24 de junho, na Zona Ribeirinha de Portimão, junto à antiga Lota, o encontro especial “Angola Toma a Palavra”, uma conversa plural dedicada à literatura, à memória, à história e à força criativa de Angola.

Integrado na programação cultural da Feira, o encontro reuniu Tomás Lima Coelho, Sedrick Carvalho, Kalunga, João Ricardo Rodrigues, Graça Sousa, Valério Guerra e João Carranca, num momento de partilha que levou ao público algarvio diferentes olhares sobre Angola, a sua produção literária, os seus autores, as suas inquietações históricas e a importância de abrir novos espaços de diálogo entre Portugal, Angola e a diáspora.

A sessão decorreu num ambiente de grande proximidade com os leitores, permitindo cruzar testemunhos, percursos pessoais, obras publicadas e reflexões sobre a literatura angolana contemporânea. Mais do que uma simples apresentação de livros, “Angola Toma a Palavra” afirmou-se como um encontro de vozes: escritores, editores, leitores e comunicadores reunidos em torno de uma ideia comum, dar visibilidade à diversidade cultural angolana e ao contributo dos seus autores para a língua portuguesa.

A presença da Perfil Criativo | AUTORES.club nesta edição da Feira do Livro de Portimão reforçou esse compromisso editorial de continuar a divulgar autores de Angola aproximando livros, leitores e a diáspora. Num ano em que Angola celebra cinquenta anos de independência, o encontro ganhou também uma dimensão simbólica: pensar Angola através da palavra escrita, da memória histórica, da poesia, da ficção e do debate público.

A conversa teve ainda o registo especial da Rádio Portimão, com captação em direto por João Carranca, permitindo ampliar o alcance do encontro e levar a discussão para além do recinto da Feira. Esse registo deu voz aos primeiros momentos da sessão, fixando a energia de uma conversa que partiu dos livros, mas rapidamente se abriu para temas mais amplos: identidade, história, pertença, criação literária e circulação cultural.

A Feira do Livro de Portimão, organizada pela Câmara Municipal de Portimão e pela Promobooks.net, em parceria com Bookas.pt, Páginas Otimistas e a agente cultural Analita Alves dos Santos, decorre entre 19 de junho e 5 de julho de 2026, com uma programação diversificada de apresentações, conversas literárias, debates, atividades para crianças, música e ações de promoção da leitura.

Ao receber “Angola Toma a Palavra”, Portimão abriu espaço a uma literatura que atravessa geografias e gerações, confirmando que os livros continuam a ser uma ponte viva entre povos, memórias e futuros possíveis.

“Angola Toma a Palavra” gravação do encontro realizado a 24 de junho de 2026 na Feira do livro de Portimão, uma realização e locação em directo de João Carranca na Rádio Portimão

Toponímia, memória bantu e literatura dos Dibengo juntaram leitores na UCAN

Toponímia, memória bantu e literatura dos Dibengo juntaram leitores na UCAN

A Universidade Católica de Angola acolheu, na passada quarta-feira, 24 de junho, no Edifício Michael Lemony Kennedy, no Largo das Escolas, em Luanda, uma concorrida sessão de apresentação e autógrafos que juntou três obras dedicadas à História, à Cultura, à memória e à identidade angolana: Toponímia de Angola: Origem, Sentido e Identidade, da Prof.ª Doutora Jeanine SilveiraOs Bantu na Visão de Mafrano, de Maurício Francisco Caetano; e 42.4 — A Voz dos Dibengo, crónicas romanceadas do escritor e jornalista Tazuary Nkeita, pseudónimo literário de José Soares Caetano.

Num ambiente marcado pelo interesse dos leitores e pela presença de estudantes, académicos, investigadores e amantes da literatura angolana, a sessão transformou-se num momento de encontro entre diferentes gerações e diferentes formas de pensar Angola. A toponímia, a tradição bantu, a memória histórica e a ficção inspirada na vida social dos Dibengo cruzaram-se numa tarde dedicada à palavra, ao conhecimento e à valorização das raízes culturais do país.

A obra Toponímia de Angola: Origem, Sentido e Identidade, da Prof.ª Doutora Jeanine Silveira, docente da Universidade Católica de Angola, propõe uma leitura aprofundada dos nomes dos lugares angolanos, resgatando sentidos, origens e marcas identitárias muitas vezes esquecidas ou pouco estudadas. Ao lado desta investigação, Os Bantu na Visão de Mafrano trouxe para o centro da conversa o pensamento de Maurício Francisco Caetano, figura essencial para a compreensão das culturas bantu e das estruturas sociais, filosóficas e espirituais que atravessam a memória angolana.

Já 42.4 — A Voz dos Dibengo, de Tazuary Nkeita, levou ao encontro a força da crónica romanceada, num registo literário que dá corpo, voz e humanidade a personagens, territórios e experiências sociais profundamente ligados à realidade angolana. A presença conjunta destas três obras permitiu criar um diálogo raro entre investigação académica, memória cultural e criação literária.

A forte adesão do público confirmou a importância de iniciativas que aproximam os livros dos leitores e que ajudam a colocar a História, a Cultura e a identidade de Angola no centro da conversa pública. As sessões de autógrafos prolongaram esse ambiente de proximidade, permitindo o contacto direto entre autores, leitores e participantes.

“É sempre bom participar destes eventos; foi muito interessante ter obras deste género, com autores de várias gerações comprometidos com a História, a Cultura e a identidade de Angola”, afirmou uma jovem estudante presente na sessão, sintetizando o espírito de uma tarde em que a literatura voltou a cumprir a sua missão maior: reunir pessoas, despertar perguntas e fortalecer a consciência sobre o país.

A atividade na UCAN mostrou que há um público atento e disponível para obras que pensam Angola a partir das suas raízes, dos seus nomes, das suas línguas, das suas memórias e das suas vozes. No Largo das Escolas, a literatura fez jus ao seu papel: guardar, interrogar e projetar Angola.