Archives em Junho 9, 2026

Livro com mais de 40 vozes africanas apresentado na Feira do Livro de Lisboa

Livro com mais de 40 vozes africanas apresentado na Feira do Livro de Lisboa

O livro 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos Seus Cidadãos, coordenado pelos académicos Rui Verde e Eugénio Costa Almeida, foi apresentado no passado domingo, 7 de junho de 2026, num encontro especial realizado no Auditório Norte da Feira do Livro de Lisboa.

A obra reúne mais de 40 autores e propõe uma leitura plural dos cinquenta anos de independência dos países africanos de língua oficial portuguesa. Em vez de apresentar uma narrativa única ou uma interpretação fechada da História, o livro abre espaço a diferentes experiências, memórias, opiniões e balanços sobre os caminhos percorridos desde as independências.

Na sua intervenção, o Prof. Doutor Rui Verde destacou precisamente o carácter plural do projeto, defendendo a necessidade de ultrapassar as leituras maniqueístas que dividem o debate entre versões consideradas absolutamente certas ou erradas.

Segundo o coordenador, a obra procura ouvir todas as expressões, incluindo aquelas com as quais os leitores, os autores ou os próprios coordenadores possam não concordar. O objetivo é criar um espaço onde diferentes perspetivas possam ser apresentadas e confrontadas com liberdade.

“É preciso ouvir o outro, quem quer que seja o outro”, afirmou Rui Verde, sublinhando que o livro assume também, nesse sentido, uma dimensão política. Não por defender uma determinada força partidária, mas por transmitir um sinal de tolerância, pluralidade e abertura ao diálogo num tempo em que, segundo observou, muitas pessoas tendem a refugiar-se nas suas próprias zonas de conforto.

Para Rui Verde, o “eu” e o “outro” devem ter igualmente o direito de ser ouvidos. Esta será uma das mensagens essenciais de uma obra que pretende contribuir para um debate mais amplo sobre as independências africanas, reconhecendo que a construção da História exige a presença de vozes diferentes, algumas próximas e outras profundamente divergentes.

O Prof. Doutor Eugénio Costa Almeida recordou, por sua vez, a origem do projeto. A ideia nasceu em 2024, quando apresentou a proposta de realização de uma conferência dedicada aos cinquenta anos das independências africanas. Perante a impossibilidade de concretizar essa iniciativa no âmbito inicialmente previsto, decidiu transformar a proposta num livro.

Em fevereiro, contactou Rui Verde, que aceitou associar-se ao projeto. A partir desse momento, foram enviados cerca de cem convites a personalidades das mais diversas áreas e dos cinco países africanos de língua oficial portuguesa, incluindo chefes de Estado, chefes de Governo, ministros, deputados, académicos, investigadores e representantes da sociedade civil.

Apesar da dimensão do convite, apenas cerca de 40 pessoas acabaram por responder e entregar os seus contributos. Eugénio Costa Almeida explicou que alguns convidados recusaram participar, enquanto outros alegaram incompatibilidades institucionais, responsabilidades governativas ou dificuldades em assumir publicamente determinadas posições.

O coordenador destacou igualmente a reduzida participação feminina. Cerca de 30 convites terão sido dirigidos a mulheres, mas apenas oito responderam positivamente, um número que revela também os obstáculos ainda existentes à representação equilibrada em projetos desta natureza.

Eugénio Costa Almeida referiu ainda as dificuldades sentidas na obtenção de contributos provenientes de alguns países. No caso de Moçambique, contou que chegaram a existir manifestações iniciais de interesse, mas algumas participações acabaram por não se concretizar, aparentemente condicionadas por orientações ou estruturas partidárias.

Em sentido contrário, destacou a colaboração de personalidades de Cabo Verde, que, apesar de atrasos provocados por circunstâncias externas e por uma tempestade que atingiu o país, cumpriram o compromisso assumido e enviaram os seus textos.

O resultado é uma obra coletiva que procura observar meio século de independências africanas através dos próprios cidadãos, reunindo testemunhos, análises e interpretações provenientes de diferentes geografias, gerações, profissões e sensibilidades políticas.

A apresentação na Feira do Livro de Lisboa confirmou a importância de criar espaços onde a História de África possa ser discutida sem silêncios impostos e sem a exigência de uma narrativa única. Mais do que procurar uma conclusão definitiva sobre os últimos cinquenta anos, 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos Seus Cidadãos convida o leitor a conhecer a diversidade de experiências que marcaram a construção dos novos Estados africanos.

Ao reunir mais de 40 autores, o livro transforma-se num exercício de memória, cidadania e liberdade de expressão, dando voz tanto às perspetivas consensuais como às interpretações incómodas ou contraditórias. Uma obra que afirma a necessidade de ouvir, compreender e debater o passado para pensar criticamente o presente e o futuro de África.

Cancelados encontros de literatura angolana previstos para 12 e 14 de junho em Lisboa

Cancelados encontros de literatura angolana previstos para 12 e 14 de junho em Lisboa

A editora Perfil Criativo | AUTORES.club informa, com muita tristeza e frustração, que foram cancelados os encontros literários previstos para os dias 12 e 14 de junho de 2026, na Biblioteca Orlando Ribeiro e na Feira do Livro de Lisboa.

O encontro especial «A Surpreendente e Desconhecida Literatura Angolana», marcado para o dia 12 de junho, às 18h00, na Biblioteca Orlando Ribeiro, não poderá realizar-se devido à impossibilidade de deslocação a Portugal do jornalista sénior e escritor angolano José Soares Caetano, que assina os seus textos literários com o pseudónimo Tazuary Nkeita.

Pelo mesmo motivo, fica igualmente cancelada a programação prevista para o dia 14 de junho, na Praça Roxa e no Auditório Norte da Feira do Livro de Lisboa 2026.

Estava agendada para as 18h00, no Auditório Norte, a apresentação da trilogia Os Bantu na Visão de Mafrano — Volumes I, II e III, de Maurício Francisco Caetano (1916–1982), representado pelo filho e responsável pela edição e preparação dos três volumes da colectânea, José Soares Caetano, seguida de uma sessão de autógrafos às 19h00.

Informamos que José Soares Caetano não recebeu, até ao momento, o necessário visto de entrada em Portugal por parte dos serviços consulares portugueses em Luanda. O pedido foi apresentado em maio de 2026, com a identificação dos diferentes eventos literários agendados em Portugal e acompanhado de um pedido de máxima colaboração na marcação e tramitação do processo.

Apesar dos esforços realizados pela organização, não foi possível assegurar atempadamente a presença do autor em Lisboa, circunstância que inviabiliza a realização dos encontros nas condições inicialmente previstas.

Informamos também que às 19h00, no mesmo auditório, estava prevista a apresentação do livro Mãe Nossa Que Sois o Céu, de Fernando Kawendimba, com sessão de autógrafos marcada para as 20h00. Fernando Kawendimba teve de viajar de urgência para Luanda.

Lamentamos profundamente uma situação inteiramente alheia à vontade dos autores, da editora e das entidades que acolheriam as iniciativas. Apresentamos as nossas sinceras desculpas à equipa da Biblioteca Orlando Ribeiro, às Bibliotecas de Lisboa, à organização da Feira do Livro de Lisboa, aos autores envolvidos em especial ao Presidente da Academia Angolana de Letras, aos leitores e a todas as pessoas que acompanharam a preparação e divulgação destes encontros.

Agradecemos toda a disponibilidade, colaboração e compreensão demonstradas e esperamos poder anunciar, futuramente, novas datas para a realização destas apresentações, logo que estejam reunidas as condições necessárias.