Archives em Junho 2026

Tomás Lima Coelho leva a História de Angola à Feira do Livro de Lisboa

Tomás Lima Coelho leva a História de Angola à Feira do Livro de Lisboa

A Feira do Livro de Lisboa recebeu, no passado dia 4 de junho, a apresentação da obra Chão de Kanâmbua ou O Feitiço de Kangombe, do escritor e investigador angolano Tomás Lima Coelho, numa sessão que se transformou numa verdadeira viagem pela memória histórica, literária e cultural de Angola. A apresentação integrou o programa oficial do Auditório Norte da feira, reunindo leitores e membros da comunidade angolana em Portugal.

Ao apresentar o romance, Tomás Lima Coelho destacou a importância de revisitar o final do século XIX e o início do século XX angolanos através da literatura. A obra acompanha a trajetória de Manuel Justino, um degredado português que se estabelece em Angola, servindo de fio condutor para uma narrativa onde se cruzam história, oralidade africana, espiritualidade, comércio e memória coletiva.

A sessão permitiu igualmente ao autor abordar uma das suas obras de referência, Autores e Escritores de Angola 1642-2022, considerada uma das mais importantes contribuições para o levantamento e preservação da memória literária angolana. O trabalho reúne centenas de autores de diferentes épocas, correntes e sensibilidades, constituindo um instrumento indispensável para investigadores, estudantes e leitores interessados na evolução da literatura produzida por angolanos ao longo de quase quatro séculos.

Tomás Lima Coelho aproveitou ainda a ocasião para recordar outros autores e investigadores que têm contribuído para a valorização da história e da cultura angolanas. Entre eles destacou Eugénio Monteiro Ferreira, autor da obra Kimamuenho — Intelectual Rural 1913-1922, cuja apresentação estava prevista para o mesmo dia na Feira do Livro de Lisboa. No entanto, devido aos constrangimentos provocados pela greve geral dos transportes, o autor acabou por não conseguir estar presente na sessão.

Num encontro marcado pelo diálogo entre literatura e história, Tomás Lima Coelho reafirmou a necessidade de preservar a memória das diferentes gerações de escritores, investigadores e protagonistas da vida cultural angolana, sublinhando que compreender o passado continua a ser uma condição essencial para pensar o futuro de Angola.

A sessão terminou com um período de conversa com os leitores e uma sessão de autógrafos, confirmando o interesse crescente do público português e angolano por obras que ajudam a compreender as múltiplas dimensões da história de Angola.

“Uma História Interminável” apresentado na Biblioteca dos Coruchéus

“Uma História Interminável” apresentado na Biblioteca dos Coruchéus

A Biblioteca dos Coruchéus, em Lisboa, acolheu na tarde de 2 de junho de 2026 a sessão oficial de lançamento do livro Uma História Interminável, de Hugo Henriques e Hajnalka Henriques, uma obra infantil marcada pela fantasia, pelo humor, pela defesa dos valores humanos e pela rara apresentação em dupla ortografia.

A sessão foi aberta pelo editor João Ricardo Rodrigues, que destacou a singularidade do livro no catálogo da Perfil Criativo | AUTORES.club. Na sua intervenção, sublinhou tratar-se de uma obra especial, não apenas pela dimensão literária e pedagógica, mas também pelo facto de reunir duas formas de escrita da língua portuguesa, permitindo aos leitores contactar com a grafia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990 e com a versão actualmente em uso. O editor salientou ainda o valor simbólico da colaboração entre pai e filha: Hugo Henriques como autor do texto e Hajnalka Henriques como ilustradora, com desenhos realizados em idade muito jovem.

Perante o público presente, Hugo Henriques fez uma apresentação detalhada do percurso de preparação de Uma História Interminável, explicando que a obra resultou de um processo longo, exigente e amadurecido ao longo do tempo. O autor partilhou também aspectos ligados à edição de outros livros da sua autoria, nomeadamente Verdadeiro Amor VerdadeiroPonte Infante D. Henrique, recordando os desafios de transformar ideias, memórias e investigação em livros publicados.

Durante a conversa, ficou evidente o desejo de dar continuidade ao diálogo com leitores, escolas, famílias e bibliotecas. No ar ficou também a ambição de levar Uma História Interminável a novos públicos, incluindo a possibilidade de trabalhar para que a obra possa vir a ser considerada no âmbito do Plano Nacional de Leitura.

Com esta apresentação, Uma História Interminável inicia o seu caminho junto dos leitores, afirmando-se como um livro infantil raro, criativo e profundamente humano, capaz de falar às crianças através das histórias de animais diferentes entre si, mas também aos adultos que reconhecem na fantasia uma forma de pensar a amizade, a inclusão, a coragem e a aceitação da diferença.

50 Anos de Angola Independente: Um Convite à Memória, ao Debate e ao Futuro

50 Anos de Angola Independente: Um Convite à Memória, ao Debate e ao Futuro

A comunidade angolana residente em Portugal está convidada a participar no lançamento oficial do livro Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), do académico Rui Verde, numa sessão especial a realizar-se no Auditório da A Voz do Operário, em Lisboa, às 19h00.

Num momento em que Angola assinala cinquenta anos de independência e se prepara para um novo ciclo político, com as eleições de 2027 no horizonte, esta obra constitui uma oportunidade única para revisitar a história recente do país e refletir sobre os seus desafios futuros.

Ao longo de três centenas de páginas, Rui Verde propõe uma análise dos grandes ciclos da Angola independente: o sonho da independência nacional e o complexo processo que conduziu à proclamação da República; a governação de António Agostinho Neto e os desafios da construção do Estado; a longa governação de José Eduardo dos Santos, marcada pela guerra, pela paz, pela reconstrução e pelo crescimento económico; e o período de João Lourenço, caracterizado pelas reformas, pelas novas expectativas e pelos desafios da transformação económica e institucional.

Que resultados produziram estas diferentes etapas no desenvolvimento do país? Que conquistas foram alcançadas? Que oportunidades foram perdidas? Que Angola foi construída ao longo destes cinquenta anos?

Este é um convite dirigido aos homens e mulheres da luta de libertação nacional, aos participantes da revolução socialista, às vítimas da violência política, aos antigos guerrilheiros e combatentes das diversas forças que marcaram a história do conflito angolano, aos empresários, políticos, académicos, artistas, estudantes e aos mais jovens que procuram compreender o país que herdaram. É igualmente um convite à diáspora angolana residente em Lisboa para participar neste momento de reflexão coletiva.

Mais do que a apresentação de um livro, pretende-se criar um espaço de encontro entre gerações, sensibilidades e experiências distintas, onde os participantes possam partilhar testemunhos, memórias e perspetivas sobre os cinquenta anos de construção da República de Angola.

Conhecer a História é compreender o presente. Partilhar experiências é ajudar a construir o futuro.

Entrada livre.


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