
A Feira do Livro de Lisboa recebeu, no passado dia 4 de junho, a apresentação da obra Chão de Kanâmbua ou O Feitiço de Kangombe, do escritor e investigador angolano Tomás Lima Coelho, numa sessão que se transformou numa verdadeira viagem pela memória histórica, literária e cultural de Angola. A apresentação integrou o programa oficial do Auditório Norte da feira, reunindo leitores e membros da comunidade angolana em Portugal.
Ao apresentar o romance, Tomás Lima Coelho destacou a importância de revisitar o final do século XIX e o início do século XX angolanos através da literatura. A obra acompanha a trajetória de Manuel Justino, um degredado português que se estabelece em Angola, servindo de fio condutor para uma narrativa onde se cruzam história, oralidade africana, espiritualidade, comércio e memória coletiva.
A sessão permitiu igualmente ao autor abordar uma das suas obras de referência, Autores e Escritores de Angola 1642-2022, considerada uma das mais importantes contribuições para o levantamento e preservação da memória literária angolana. O trabalho reúne centenas de autores de diferentes épocas, correntes e sensibilidades, constituindo um instrumento indispensável para investigadores, estudantes e leitores interessados na evolução da literatura produzida por angolanos ao longo de quase quatro séculos.
Tomás Lima Coelho aproveitou ainda a ocasião para recordar outros autores e investigadores que têm contribuído para a valorização da história e da cultura angolanas. Entre eles destacou Eugénio Monteiro Ferreira, autor da obra Kimamuenho — Intelectual Rural 1913-1922, cuja apresentação estava prevista para o mesmo dia na Feira do Livro de Lisboa. No entanto, devido aos constrangimentos provocados pela greve geral dos transportes, o autor acabou por não conseguir estar presente na sessão.
Num encontro marcado pelo diálogo entre literatura e história, Tomás Lima Coelho reafirmou a necessidade de preservar a memória das diferentes gerações de escritores, investigadores e protagonistas da vida cultural angolana, sublinhando que compreender o passado continua a ser uma condição essencial para pensar o futuro de Angola.
A sessão terminou com um período de conversa com os leitores e uma sessão de autógrafos, confirmando o interesse crescente do público português e angolano por obras que ajudam a compreender as múltiplas dimensões da história de Angola.

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