Bisneto de Francisco Castelbranco encontra no presente uma nova História de Angola

Bisneto de Francisco Castelbranco encontra no presente uma nova História de Angola

Visita inesperada ao stand da Perfil Criativo | AUTORES.club, na Festa do Livro de Belém, uniu simbolicamente duas gerações dedicadas a escrever e preservar a memória histórica angolana

Minutos antes do encerramento da Festa do Livro de Belém, no sábado, 19 de setembro de 2026, o stand da Perfil Criativo | AUTORES.club recebeu uma visita tão inesperada quanto simbólica: o bisneto de Francisco Castelbranco, autor de uma das primeiras sínteses históricas escritas por um intelectual angolano, publicada em Luanda em 1932.

O encontro estabeleceu uma ponte singular entre duas épocas da historiografia de Angola. De um lado, a memória de Francisco Castelbranco, membro da geração de intelectuais angolanos que, entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, procurou intervir na vida cultural e política através da imprensa e da escrita. Do outro, o monumental trabalho contemporâneo do Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, investigador que assumiu o ambicioso propósito de reconstruir a longa trajetória histórica do território e dos povos que formaram Angola.

Francisco Castelbranco: uma História de Angola escrita a partir de Luanda

Publicada por conta do próprio autor, em Luanda, no ano de 1932, a obra intitula-se integralmente História de Angola: desde o descobrimento até à implantação da República, 1492–1910. Com cerca de 300 páginas, acompanha mais de quatro séculos de acontecimentos, desde os primeiros contactos com os portugueses até à implantação da República em Portugal e às suas repercussões no território angolano.

Francisco Castelbranco pertenceu à pequena burguesia mestiça de Angola e esteve ligado ao movimento intelectual e jornalístico angolano do princípio do século XX. Foi colaborador de publicações e participou no ambiente cultural associado a títulos como Luz e Crença, Ensaios Literários e Voz de Angola clamando no deserto.

Embora não possuísse formação académica especializada em História, construiu uma narrativa mais fluida, descritiva e “africanizada” do que muitos trabalhos coloniais da mesma época. A sua obra representa, por isso, uma tentativa importante de contar a História de Angola a partir de Luanda e do olhar de um intelectual profundamente ligado à sociedade angolana.

Quase um século depois da publicação do livro do seu bisavô, o visitante encontrou no stand da www.AUTORES.club uma nova e vasta tentativa de interpretar o passado angolano.

Uma obra monumental atravessa gerações

O bisneto de Francisco Castelbranco levou consigo o segundo volume do tratado de História de Angola, de Carlos Mariano Manuel, intitulado Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação.

Com 606 páginas, o segundo volume percorre o século XIX e parte do século XX, analisando a abolição formal do tráfico de escravos, a persistência da resistência africana, a expansão colonial portuguesa, a Conferência de Berlim, o regime do indigenato, a formação da economia colonial, os caminhos de ferro e as viagens presidenciais portuguesas a Angola.

Um lugar central é reservado à Conferência de Berlim sobre África, realizada entre 15 de novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885. Carlos Mariano Manuel reconstitui as sessões, os interesses diplomáticos em confronto e as decisões que legitimaram a expansão europeia, apesar de os povos africanos não terem sido chamados a participar na redefinição política e territorial do continente.

A editora apresenta este volume como o trabalho mais exaustivo publicado em língua portuguesa sobre a Conferência de Berlim e as suas consequências em Angola. A obra não se limita a relatar o encontro diplomático: procura mostrar como as decisões tomadas na Europa alteraram profundamente a ocupação territorial, a administração colonial, a economia e a vida das populações africanas. 

Índice do segundo volume

Prefácio II, por Onofre dos Santos

Capítulo XIII — A conjuntura internacional na transição para o século XIX e a abolição formal do tráfico de escravos

  • Acontecimentos históricos iniciados no continente americano e as suas repercussões globais;
  • legislação portuguesa abolicionista do tráfico de escravos;
  • extinção formal da condição de liberto;
  • criação do estatuto de pessoa livre e do regime de trabalho compelido.

Capítulo XIV — A ocupação portuguesa e a resistência africana no século XIX

  • A sedentarização esparsa e tardia dos portugueses no Sul de Angola;
  • a resistência das populações nativas observada através dos relatórios dos governadores-gerais;
  • a invicta região dos Dembos até à segunda década do século XX;
  • a administração colonial assente na guerra e na preparação militar;
  • a incorporação do Leste do atual território na antiga colónia de Angola.

Capítulo XV — A Conferência de Berlim sobre África

  • Organização e funcionamento da Conferência;
  • assuntos tratados nas reuniões preparatórias;
  • análise das sessões plenárias;
  • a proposta norte-americana, recusada, de abordagem do direito inalienável dos africanos a disporem dos seus territórios;
  • a diplomacia que conduziu à criação do Estado Livre do Congo;
  • encerramento formal da Conferência.

Capítulo XVI — Os efeitos da Conferência de Berlim em Angola

  • Contextualização geral das consequências da Conferência;
  • a política de “portas abertas”;
  • a possibilidade de Angola ter passado para a jurisdição colonial alemã;
  • o novo paradigma da colonização portuguesa;
  • comércio colonial e promoção do consumo de álcool;
  • conceção e aplicação do regime do indigenato;
  • Bilhete de Identidade e Estatuto de Assimilado como instrumentos de diferenciação social;
  • impostos da cubata, imposto indígena e taxa anual única como mecanismos de domínio sobre as populações.

Capítulo XVII — História económica de Angola: da pilhagem à valorização colonial

  • O projeto colonial da chamada “Nova Lusitânia”;
  • as épocas do zimbo, da makuta, do angolar, do real, do escudo e das moedas estrangeiras;
  • instituição da atividade bancária;
  • infraestruturas de transporte terrestre;
  • caminhos de ferro de Ambaca/Luanda, Moçâmedes e Benguela;
  • consequências da independência do Congo para o projetado caminho de ferro do Norte de Angola;
  • circulação rodoviária e abertura das primeiras estradas;
  • empreendedorismo e talento profissional dos indígenas;
  • crise económica entre as décadas de 1920 e 1940;
  • primeiro e segundo Planos de Fomento;
  • planos económicos intercalar, terceiro e quarto;
  • contradição entre o crescimento económico colonial e a degradação social da maioria da população africana.

Capítulo XVIII — Do orgulho imperial ao canto do cisne

  • As três viagens de soberania de chefes de Estado portugueses a Angola;
  • evolução demográfica, económica, social e política do território;
  • geografia histórica da cidade de Luanda;
  • Tratados de Simulambuco e do Soio;
  • insalubridade de Luanda e presença de condenados degredados;
  • visita do Presidente António Óscar de Fragoso Carmona;
  • visita do Presidente Francisco Higino Craveiro Lopes;
  • última expressão do império colonial durante a visita do Presidente Américo Tomás.

Uma investigação reconhecida dentro e fora de Angola

Médico, professor catedrático, investigador e historiador, Carlos Mariano Manuel, também conhecido pelo nome Uina yo Nkuau Mbuta, tem desenvolvido uma obra de grande amplitude documental sobre a formação histórica de Angola.

O seu trabalho foi distinguido com o Diploma de Mérito atribuído pelo Ministério da Cultura de Angola por ocasião do Dia da Cultura Nacional, em 2022. Em 2023, recebeu o Prémio MIL — Personalidade Lusófona, atribuído no âmbito do Encontro do Observatório SEDES da CPLP. Em 2025, o tratado foi distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Ciências Humanas e Sociais, uma das mais importantes distinções culturais angolanas.

A obra passou também a integrar coleções de instituições académicas internacionais, incluindo as universidades norte-americanas da Califórnia e de Princeton, além de universidades, bibliotecas e instituições públicas angolanas.

Quando um livro prolonga a memória de uma família

A visita do bisneto de Francisco Castelbranco, quando faltavam apenas alguns minutos para o encerramento, transformou-se num dos momentos mais significativos da participação da Perfil Criativo | AUTORES.club na Festa do Livro de Belém.

Ao escolher o segundo volume do tratado de Carlos Mariano Manuel, o descendente de um dos pioneiros da escrita histórica angolana levou mais do que um livro: levou consigo a continuidade de uma interrogação iniciada pelo seu bisavô há quase cem anos, como contar Angola, compreender o seu passado e devolver aos angolanos o conhecimento da sua própria história?

A resposta de Carlos Mariano Manuel ergue-se em milhares de páginas, documentos, testemunhos e interpretações. É uma obra majestosa pela dimensão, mas sobretudo pela coragem intelectual do seu propósito. Não oferece uma leitura breve nem simplificada: convida o leitor a entrar na longa duração da História, a questionar versões consagradas e a observar Angola para além dos limites impostos pela narrativa colonial.

Entre o livro publicado por Francisco Castelbranco em 1932 e o tratado contemporâneo de Carlos Mariano Manuel existe quase um século de distância. No stand da AUTORES.club, em Belém, essa distância desapareceu por alguns instantes. Restaram dois livros, duas gerações e a mesma vontade de preservar, estudar e transmitir a História de Angola.

Professor Carlos Mariano Manuel Joins International Cancer Control Mission in Namibia

Professor Carlos Mariano Manuel Joins International Cancer Control Mission in Namibia

Angolan physician, pathologist, researcher and author Professor Carlos Mariano Manuel is participating in the international imPACT Review Mission taking place in Namibia from 8 to 13 June 2026.

The mission brings together international specialists and Namibian health authorities to conduct a comprehensive assessment of the country’s capacity to prevent, diagnose and treat cancer, as well as to provide appropriate follow-up and palliative care to patients.

Professor Carlos Mariano Manuel is contributing to the mission through his extensive medical and scientific experience, particularly in the field of pathology, which plays a decisive role in the accurate diagnosis and classification of cancer. His participation represents an important recognition of Angolan expertise within a multidisciplinary international initiative dedicated to strengthening public health systems and improving cancer care.

The imPACT Review — the integrated mission of the Programme of Action for Cancer Therapy — is coordinated by the International Atomic Energy Agency, in collaboration with the World Health Organization and the International Agency for Research on Cancer. It is designed to evaluate a country’s existing cancer-control services, identify institutional and technical gaps, and propose priority interventions suited to its public-health needs and available resources.

During the mission in Namibia, international experts are expected to hold consultations with government representatives, healthcare professionals, hospital administrators, academic institutions and other stakeholders involved in cancer prevention and care. The programme also includes the assessment of health facilities and services related to cancer registration, screening, pathology, medical imaging, surgery, chemotherapy, radiotherapy, nuclear medicine and palliative care.

The conclusions of the review will contribute to a detailed analysis of Namibia’s strengths, challenges and opportunities in cancer control. Its recommendations may support the development or reinforcement of national strategies, specialised training, investment priorities, access to diagnostic and therapeutic technologies, and cooperation with international partners.

Alongside his distinguished career in medicine and pathology, Professor Carlos Mariano Manuel is the author of Treatise on the History of Angola, an ambitious work that reflects his broad intellectual engagement with the political, social and cultural formation of Angola. His presence in Namibia therefore highlights the remarkable profile of a scholar whose work bridges medical science, historical research and African knowledge production.

The participation of Professor Carlos Mariano Manuel in this international mission also strengthens the visibility of Angolan specialists in major African and global cooperation networks. It demonstrates the valuable contribution that Angolan scientific knowledge and professional experience can make to the development of sustainable responses to the growing burden of cancer across the African continent.

Taking place from 8 to 13 June 2026, the imPACT Review Mission represents an important step in Namibia’s efforts to strengthen cancer prevention, early detection, diagnosis, treatment and patient care. Professor Carlos Mariano Manuel’s involvement gives this international initiative a significant Angolan presence and reinforces the importance of scientific cooperation between African countries.

The mission also includes the participation of Angolan physician Nilton Caetano da Rosa, grandson of the distinguished Angolan intellectual and author Mafrano. He represents the Angolan Institute for Cancer Control, where he serves as Director of Education and Training.

Highlighting the importance of his contribution, Professor Carlos Mariano Manuel stated: “I have witnessed the highly valuable contribution that Nilton Caetano da Rosa is making to the mission in the field of oncological surgery, further strengthening the international prestige of Angolan medicine.”

The participation of both specialists underlines the quality of Angola’s medical expertise and reinforces the country’s contribution to international cooperation in cancer prevention, diagnosis and treatment.

50 Anos de República de Angola: A Ciência e a História iluminam o Prémio Nacional de Cultura e Artes

50 Anos de República de Angola: A Ciência e a História iluminam o Prémio Nacional de Cultura e Artes

Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel distinguido pelo monumental estudo em três volumes Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação

O diploma da 26.ª edição do Prémio Nacional de Cultura e Artes da República de Angola, na categoria de Ciências Humanas e Sociais, foi entregue ao Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, durante a gala realizada a 20 de novembro de 2025, no Hotel EPIC Sana Luanda, numa noite que reuniu representantes das artes, da academia e das instituições do Estado, integrada nas comemorações dos 50 anos da Independência Nacional.

O Ministério da Cultura havia anunciado os vencedores da 26.ª edição no dia 7 de novembro, em conferência de imprensa no Palácio de Ferro, em Luanda, sublinhando o papel do prémio como a mais alta distinção do Estado angolano para criadores, investigadores e agentes culturais que se destacam na preservação e valorização dos valores nacionais.

O autor do tratado de História de Angola recebe diploma do Prémio Nacional de Cultura e Artes pela mão do Ministro da Cultura da República de Angola, Prof. Doutor Filipe Zau

Na disciplina de Ciências Humanas e Sociais, o júri distinguiu a obra Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação, um trabalho de investigação em três volumes, com mais de 2.200 páginas, em que Carlos Mariano Manuel revisita séculos de história angolana, das formações políticas e culturais pré-coloniais à afirmação contemporânea do país. O estudo tem sido destacado pelo seu rigor documental, pela amplitude interpretativa e pelo contributo para uma leitura descolonizada da história de Angola.

Publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, editora sediada em Lisboa com forte presença na produção intelectual angolana, o trabalho de Carlos Mariano Manuel dá continuidade ao reconhecimento internacional da investigação histórica e das ciências sociais produzidas em língua portuguesa, reforçando a centralidade de Angola no debate académico sobre o passado colonial e os processos de independência. 

Durante a gala, foram igualmente entregues os diplomas das restantes categorias do Prémio Nacional de Cultura e Artes — Literatura, Artes Visuais e Plásticas, Teatro, Dança, Música, Cinema e Audiovisual — numa cerimónia em que o Ministério da Cultura voltou a destacar o papel dos “operários da cultura” na construção da memória colectiva e na afirmação da identidade angolana. 

O autor premiado, Carlos Mariano Manuel, com a Ministra da Educação, Luísa Maria Alves Grilo, e o pai Manuel, no momento especial de entrega do diploma assinado pelo Presidente da República, em nome do Estado Angolano, e que documenta a atribuição do Prémio Nacional, como distinção mais importante da República

Nota final do editor

João Ricardo Rodrigues exprime o seu profundo agradecimento à República de Angola pelo prémio atribuído por um júri independente e outorgado por Sua Excelência o Presidente da República de Angola. Recorda o enorme esforço do autor na preparação, edição e publicação deste monumental tratado da história de Angola, que muito em breve será ampliado com novos volumes dedicados à história da República.

O editor felicita igualmente Sua Excelência o Ministro da Cultura, Prof. Doutor Filipe Zau, pela concretização bem-sucedida de novas estruturas de apoio às artes e à cultura, bem como pela capacidade de assegurar a independência do júri desde 2024. Essa mudança tornou possível um feito inédito: uma editora independente, sediada longe de Angola mas fundada por um filho da terra, ver os seus autores reconhecidos em 2024 e 2025 na categoria de Ciências Humanas e Sociais, motivo de enorme orgulho para toda a equipa.

Primeira edição, especial para coleccionadores

Edição Especial: Coleção História de Angola – Primeira Edição – 3 volumes – Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação

Carlos Mariano Manuel distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes 2025

Carlos Mariano Manuel distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes 2025

Professor catedrático, médico patologista e investigador premiado pelo monumental tratado de História Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação

O Ministério da Cultura da República de Angola anunciou, no sábado 7 de novembro de 2025, durante uma conferência de imprensa no Palácio de Ferro, em Luanda, os vencedores da 26.ª edição do Prémio Nacional de Cultura e Artes, a mais alta distinção atribuída pelo Estado angolano a criadores, investigadores e agentes culturais que se destacam na preservação dos valores nacionais, no ano em que o país celebra o cinquentenário da Independência.

Na categoria de Ciências Humanas e Sociais, o prémio foi atribuído ao Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel pela obra Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação, uma edição monumental em três volumes que totaliza mais de 2.200 páginas.

Primeira edição, especial para coleccionadores
Prémio Nacional de Cultura e Artes 2025

A obra foi publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club, editora independente sediada em Lisboa, que tem vindo a afirmar-se como uma das mais consistentes promotoras do pensamento e da criação intelectual angolana contemporânea.

O reconhecimento do Prof. Carlos Mariano Manuel vem reforçar a continuidade do prestígio editorial da casa, que já havia sido distinguida na edição de 2024 do Prémio Nacional de Cultura e Artes, quando o júri premiou Maurício Francisco Caetano na mesma categoria, pela trilogia Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias, uma obra igualmente de grande fôlego, com cerca de 800 páginas em três volumes.

Prémio Nacional de Cultura
Prémio Nacional de Cultura 2024

Um prémio que valoriza a investigação e o pensamento angolano

A escolha de Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação reconhece o alcance académico e simbólico de uma investigação que percorre séculos de história, da formação das estruturas políticas e culturais pré-coloniais até à afirmação nacional contemporânea.
O trabalho de Carlos Mariano Manuel é notável pelo rigor documental, amplitude interpretativa e contributo para uma leitura descolonizada da história angolana.

Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel
Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel

O autor, de passagem por Lisboa a caminho dos EUA, protagonizou no dia 29 de outubro de 2025 uma extraordinária intervenção pública no Padrão dos Descobrimentos, precisamente 360 anos após a Batalha de Ambuíla, sublinhando a necessidade de revisitar criticamente o passado colonial e de reinscrever Angola no centro da sua própria narrativa histórica.

Cerimónia de entrega

A cerimónia de entrega oficial do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2025 decorrerá no dia 20 de novembro, em gala no Hotel EPIC Sana Luanda, reunindo personalidades das artes, letras e ciências do país.

Cartas que Atravessam Histórias

Cartas que Atravessam Histórias

A historiadora Constança Ceita escreve sobre a intervenção do Prof. Carlos Mariano Manuel: “Um gesto simbólico de fraternidade e reconciliação”

AUTORES.club | Perfil Criativo — Novembro de 2025

A Perfil Criativo | AUTORES.club inaugura um novo espaço de diálogo, “Cartas que Atravessam Histórias”, dedicado a textos de reflexão, recensão e crítica provenientes de académicos, cientistas, escritores, artistas e cidadãos do mundo.
Um espaço aberto a quem deseja pensar os livros, os autores e as intervenções que têm marcado o reencontro entre Angola, Portugal e o mundo lusófono, a partir das publicações editadas pela Perfil Criativo | AUTORES.club.

O primeiro contributo chega da Professora Catedrática Doutora Constança Ceita, historiadora angolana, regente da Cadeira de História de Angola na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, que escreve sobre a intervenção do Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, prefaciador e orador no lançamento do livro A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte, apresentado no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, a 29 de outubro de 2025.

Carta da Prof. Doutora Constança Ceita

(Reprodução integral)

Prezado Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel,

Permita-me, como historiadora que acompanha atentamente a investigação e a redação científica da África Central/ Austral, expressar a minha profunda admiração pelo seu artigo intitulado “Se encontrássemos a coroa do Rei do Congo, seria um acto redentor”. A sua intervenção — que reflecte não apenas um domínio rigoroso das fontes como também uma consciência crítica da dimensão simbólica da História — revela-se um contributo de excepcional relevo para a nossa compreensão do passado colonial, da memória e da identidade.

Em particular, valorizo:

A sua delicada articulação entre os factos históricos — em especial ao referir-se à morte por decapitação de Dom António I (Nkanga Vita Lwa Mvemba/Mwana Nlaza) e ao percurso da Coroa de prata que poderá ter sido levada para Portugal em 1666 — e o chamamento a uma reparação simbólica entre Angola e Portugal.

O modo como associa a narrativa histórica à noção de “redenção”: não se trata apenas de recuperar artefactos ou factos esquecidos, silenciados, mas de restituir dignidade às vozes e aos agentes históricos africanos que o cânone colonizador marginalizou.

O tom científico e ao mesmo tempo humanista da abordagem — que conjuga erudição, rigor crítico e sensibilidade perante as implicações morais e identitárias da história partilhada de ambas as margens do Atlântico.

Este tipo de escrita — que não se limita à catalogação de factos mas avança para a reflexão sobre o significado social e simbólico da História — constitui um verdadeiro exemplo para a comunidade científica.

A sua proposta de redefinir, por exemplo, o Monumento do Padrão dos “Descobrimentos” como “Padrão das Expedições Marítimas Portuguesas”, ou de considerar a recuperação da Coroa do Soberano do Reino do Kongo como “gesto simbólico de fraternidade e reconciliação”, são indicações fortes de como a História pode (e deve) intervir no mundo contemporâneo, para além do arquivo.

Em nome da academia e em reconhecimento do seu contributo valioso, gratidão pelo seu trabalho.

Espero que esta reflexão inspire novas pesquisas que sigam a mesma linha — exigente no método, audaz no tema e sensível ao impacto histórico-social.

CONSTANÇA CEITA
Professora Catedrática

Regente da Cadeira de História de Angola
Faculdade de Ciências Sociais — Universidade Agostinho Neto

“É tempo de repor a verdade histórica”, a intervenção do editor João Ricardo Rodrigues

“É tempo de repor a verdade histórica”, a intervenção do editor João Ricardo Rodrigues

Lançamento oficial de “A Primeira Travessia da África Austral”, de José Bento Duarte

Padrão dos Descobrimentos, Lisboa — 29 de outubro de 2025

No Padrão dos Descobrimentos, o editor João Ricardo Rodrigues (Perfil Criativo | AUTORES.club) assinou uma intervenção emotiva e assertiva, enquadrando o lançamento do livro A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte, como um ato de memória, de comunhão e de justiça para com Pedro João Baptista e Anastácio Francisco — os luso-angolanos que, entre 1802 e 1811, realizaram a travessia terrestre entre Cassange (Atlântico) e Tete (Índico).

Perante representantes da Embaixada da República de Angola em Portugal, da Liga Africana, do Estado-Maior-General das Forças Armadas e de diversas entidades civis e militares de ambos os países, o editor agradeceu a presença e recordou a simbologia do local e da data, 29 de outubro, também aniversário da Batalha de Ambuíla (1665). Sublinhou a trilogia histórica do autor ( Peregrinos da Eternidade | A Primeira Travessia da África Austral | Senhores do Sol e do Vento ) como um arco de reflexão.

Ausências que interpelam

João Ricardo Rodrigues registou, com estranheza, a ausência de instituições portuguesas previamente confirmadas, nomeadamente a Câmara Municipal de Lisboa, a Sociedade de Geografia de Lisboa e a Academia Portuguesa de História. Para o editor, essas ausências “não diminuem” o sentido do encontro; sublinham antes a urgência de um diálogo público sobre a reposição da verdade histórica e o reconhecimento de Pedro João Baptista e Anastácio Francisco no espaço da memória coletiva.

“A Perfil Criativo | AUTORES.club procura ser mais do que uma editora: um território de reencontros, onde a palavra faz pontes entre Angola e Portugal, entre o que fomos e o que queremos continuar a ser.”

Nota do Editor (integral, publicada no livro)

É TEMPO DE REPOR A VERDADE HISTÓRICA

Com enorme júbilo apresentamos “A Primeira Travessia da África Austral”, de José Bento Duarte — uma obra que resgata um feito extraordinário da História: a travessia terrestre entre Angola e Moçambique, realizada pelos luso-angolanos Pedro João Baptista e Anastácio Francisco entre 1802 e 1811. Este episódio pioneiro, amplamente documentado mas longamente silenciado, constitui a primeira ligação transcontinental entre as margens do Atlântico (Cassange) e do Índico (Tete) feita por dois homens africanos sob bandeira portuguesa — um feito maior, que merece justo reconhecimento no espaço público e na memória coletiva.
O prefácio é assinado por Uina yo Nkuau Mbuta (Carlos Mariano Manuel), catedrático, investigador e autor do tratado de história “Angola desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação”, distinguido como Personalidade Lusófona 2023 pelo Movimento Internacional Lusófono. A sua participação confere a esta edição uma força simbólica e científica ímpar, num momento em que se assinalam os cinquenta e um anos da Democracia Portuguesa e os cinquenta anos de independência da República de Angola.
Neste espírito, convidamos o senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa a tomar iniciativa para que os nomes de Pedro João Baptista e Anastácio Francisco sejam dignamente inscritos na toponímia da cidade, como homenagem a dois heróis que dignificam Portugal, Angola e Moçambique.
Estendemos igualmente este apelo ao senhor Presidente da República Portuguesa e aos corpos diretivos da Sociedade de Geografia de Lisboa e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, instituições com longa tradição na preservação e valorização do património, para que se associem ao reconhecimento e divulgação deste extraordinário feito.

Síntese editorial

A intervenção de João Ricardo Rodrigues reafirmou a missão do projeto editorial: repor a verdade histórica, dar nome aos pioneiros africanos e convocar as instituições a um gesto concreto de reconhecimento público. Entre presenças significativas e ausências eloquentes, o lançamento transformou-se numa travessia moral e cultural que continua, das páginas do livro para a toponímia, para as salas académicas e para a consciência coletiva.

Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte
Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte

Carlos Mariano Manuel: “Se encontrássemos a coroa do Rei do Congo, seria um ato redentor”

Carlos Mariano Manuel: “Se encontrássemos a coroa do Rei do Congo, seria um ato redentor”

Historiador angolano exorta Portugal e Angola à reparação simbólica durante o lançamento do livro “A Primeira Travessia da África Austral”

Padrão dos Descobrimentos, Lisboa — 29 de outubro de 2025
(Registo em vídeo: Victor Hugo Mendes)

No lançamento do livro A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte, o Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, historiador e prefaciador da obra, proferiu uma intervenção que uniu erudição, emoção e apelo moral. Diante de um público composto por representantes de Angola e de Portugal, defendeu o reconhecimento dos feitos dos exploradores angolanos Pedro João Baptista e Anastácio Francisco e lançou um desafio à consciência histórica dos dois países.

“Revisitar a História é sempre pertinente, contanto que sirva para elucidar a sociedade sobre o seu património imaterial mais valioso: a sua própria identidade.”

Reparar o esquecimento e valorizar a História partilhada

O professor catedrático angolano, autor do tratado de História “Angola desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação” (Ed. 2021), recordou que a travessia de Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, realizada entre 1802 e 1811, antecedeu as expedições europeias do século XIX, e que a sua omissão dos registos oficiais é “um erro histórico e moral que deve ser corrigido”.
Assinalou também que o livro de José Bento Duarte vem “restaurar a verdade” e mostrar que a História da África Austral foi escrita também por africanos sob bandeira portuguesa.

“Estes dois angolanos negros, escravos por condição, foram pioneiros de uma travessia que, em dignidade e coragem, não fica atrás de nenhuma das grandes expedições europeias.”

Um olhar crítico sobre o passado colonial

Na sua intervenção, Carlos Mariano Manuel revisitou a história das relações entre África e Europa desde o século XV, analisando as fases de cooperação inicial, domínio e colonização.
Citou o discurso do primeiro presidente de Angola, proferido em 1975, para recordar que o povo português também se libertou do fardo colonial com o 25 de Abril de 1974, recuperando a sua dignidade.

“Portugal contribuiu para a libertação de Angola e, ao fazê-lo, libertou-se também de um peso histórico. O 25 de Abril foi um ato de justiça para ambos os povos.”

A primeira Travessia da África Austral
A primeira Travessia da África Austral

O simbolismo do Padrão e o apelo à redenção

No local emblemático do Padrão dos Descobrimentos, o historiador sugeriu uma reflexão sobre o nome do monumento:

“Talvez um dia o possamos chamar Padrão das Expedições Marítimas Portuguesas, pela sua natureza histórica e pela dignidade que representa.”

Recordando que o lançamento ocorreu no aniversário da Batalha de Ambuíla (29 de outubro de 1665), destacou o papel trágico do Rei do Congo, Dom António I (Muana Malaza), decapitado na batalha, e revelou que a coroa de prata oferecida pelo Papa Inocêncio VIII foi trazida para Portugal em 1666.

“Se conseguíssemos recuperar essa coroa, seria um acontecimento redentor. Um gesto simbólico de fraternidade e reconciliação entre Angola e Portugal.”

Um discurso de fraternidade e de futuro

O Professor Doutor Carlos Mariano Manuel encerrou a sua intervenção elogiando o autor, José Bento Duarte, e o editor, João Ricardo Rodrigues, pela coragem intelectual e pela relevância histórica da obra:

Este livro é um ato de cultura e de consciência. Um convite a restaurar a verdade e a celebrar a fraternidade entre os nossos povos.”

A sua presença, vinda expressamente de Angola, e o discurso vigoroso gravado por Victor Hugo Mendes, transformaram o lançamento de A Primeira Travessia da África Austral num marco de diálogo histórico entre Angola e Portugal, onde a História e a memória se encontraram num mesmo ideal: o da verdade e da justiça.

Os livro podem ser encomendado pelo email: encomendas@autores.club

A Primeira Travessia da África Austral
A Primeira Travessia da África Austral

Padrão dos Descobrimentos: Angola e Portugal um encontro olhos nos olhos

Padrão dos Descobrimentos: Angola e Portugal um encontro olhos nos olhos

29/10/2025 — O monumental Padrão dos Descobrimentos, em Belém, foi o cenário escolhido para o lançamento oficial do livro A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte, numa cerimónia que se transformou num marco de reencontro entre a História de Angola e a História de Portugal.

O evento reuniu personalidades de relevo das duas nações: representantes da Embaixada da República de Angola em Portugal, da Liga Africana, do Estado-Maior-General das Forças Armadas Portuguesas, da Academia da Força Aérea, além de membros de instituições civis e militares de ambos os países.

Na mesa de honra destacaram-se o Engenheiro Miguel Anacoreta Correia, o Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, que se deslocou de Angola especialmente para o evento, o editor João Ricardo Rodrigues, e o próprio autor José Bento Duarte. O Dr. José Ribeiro e Castro, Presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, enviou uma mensagem em vídeo, impossibilitado de comparecer por compromissos de agenda (ver vídeo da transmissão em directo).

Eng. Miguel Anacoreta Correia, Dr. José Ribeiro e Castro, Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel e o autor José Bento Duarte

Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte
A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte

Um encontro de angolanos em Lisboa que ecoou desafios à História

O lançamento revelou-se mais do que uma celebração literária: foi um encontro de angolanos em Lisboa que lançou desafios históricos e culturais às instituições portuguesas.

O autor, José Bento Duarte, de uma família muito antiga do sul de Angola, defendeu com veemência a necessidade de corrigir erros históricos e administrativos que, segundo ele, “por discriminação ou descuido”, apagaram da História de Portugal dois heróis luso-angolanos: Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, os verdadeiros primeiros exploradores a realizarem a travessia documentada da África Austral.

“Seria um acto de justiça democrática, 50 anos após a independência de Angola, reconhecer e repor a verdade sobre estes dois heróis. A História deve ser corrigida, e é aos olhos da Democracia que o pedimos”, afirmou o autor, num discurso direto à Câmara Municipal de Lisboa e às instituições portuguesas.

História, reparação e justiça

O Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, prefaciador da obra e considerado o mais importante historiador da República de Angola, sublinhou que Portugal tem hoje uma oportunidade única de fazer justiça histórica.

“Reconhecer o papel de Pedro João Baptista e Anastácio Francisco é um gesto de reparação. É afirmar que a História da África Austral também foi escrita por africanos, e que estes devem ocupar o lugar que lhes pertence na memória comum”, afirmou.

Carlos Mariano Manuel foi ainda mais longe, propondo uma reflexão sobre o próprio nome do Padrão dos Descobrimentos, sugerindo que venha a chamar-se “Padrão das Expedições Marítimas Portuguesas”, uma designação mais inclusiva e historicamente ajustada.

E lançou um desafio simbólico e poderoso:

“Peço aos portugueses que investiguem onde está a coroa do Rei do Congo, Dom António I, Muana Malaza, herói e mártir da Batalha de Ambuíla. Encontrá-la seria um acto redentor.”

A voz da História partilhada

O Engenheiro Miguel Anacoreta Correia, que nasceu em Moçambique e cresceu no sul de Angola, recordou a figura de David Livingstone, destacando as contradições do explorador britânico, que, embora admirasse os portugueses, pretendia reservar toda a glória para os britânicos e os europeus brancos, excluindo os africanos.

“Livingstone elogiava os portugueses, mas omitia os africanos. Essa exclusão precisa de ser corrigida na narrativa histórica. Os africanos também foram protagonistas das grandes travessias e explorações”.

O apelo do editor: uma História em construção

Durante o encontro, o editor João Ricardo Rodrigues, da Perfil Criativo | AUTORES.club, apelou às instituições históricas portuguesas, como a Sociedade de Geografia de Lisboa, a Academia Portuguesa da História e a própria Câmara Municipal de Lisboa, para que assumam uma posição pública sobre os factos revelados na obra.

“Estas instituições confirmaram presença, mas não compareceram. É tempo de abrirmos os olhos para a História que partilhamos. Este livro é um convite à verdade”.

O editor recordou ainda que o evento coincidiu com o 360.º aniversário da Batalha de Ambuíla (1665), acontecimento determinante na História de Angola e do Reino do Congo. Citando o Prof. Carlos Mariano Manuel, lembrou que “se quem escolheu o 11 de novembro como data da independência de Angola conhecesse profundamente a nossa história, teria escolhido o 29 de outubro”.

Um final inesperado e simbólico

No encerramento do evento, um momento inesperado emocionou os presentes: o jovem músico angolano Gari Sinedima, que se encontra em Lisboa, realizou uma performance espontânea em homenagem à origens comuns com o autor, num registo cultural do Sul de Angola.
Foi um gesto de gratidão, mas também uma afirmação simbólica da ligação viva entre as gerações angolanas e o seu património.

Gari Sinedima

Um novo capítulo para a História Luso-Angolana

O lançamento de A Primeira Travessia da África Austral foi mais do que uma apresentação literária, foi um ato de afirmação cultural e de revisão histórica, com ecos que ultrapassam a literatura e tocam a diplomacia.

O evento, transmitido em direto por Victor Hugo Mendes e disponível em vídeo, marca o início de uma série de artigos que o portal AUTORES.club publicará nos próximos dias, aprofundando as intervenções de cada participante e os desafios lançados ao conhecimento histórico entre Angola e Portugal.

A primeira Travessia da África Austral
A Primeira Travessia da África Austral

 “É tempo de repor a verdade histórica” 

 “É tempo de repor a verdade histórica” 

O autor, José Bento Duarte, e o editor da Perfil Criativo I AUTORES.club têm a honra de convidar os nossos leitores para a cerimónia oficial de lançamento do livro A Primeira Travessia da África Austral que terá lugar no Auditório do Padrão dos Descobrimentos, na quarta-feira, 29 de Outubro de 2025, às 16h30. (Avenida Brasília, Belém) Este inédito encontro em Lisboa contará com a participação especial de Dr. José Ribeiro e Castro, Eng. Miguel Anacoreta Correia e Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel (República de Angola). Devido à limitação do espaço no Auditório do Padrão dos Descobrimentos solicitamos aos interessados que devem antecipadamente reservar o seu lugar pelo email encomendas@autores.club ou pelo telefone 214 001 788.

Nota do Editor

É tempo de repor a verdade histórica

Com enorme júbilo apresentamos “A Primeira Travessia da África Austral”, de José Bento Duarte — uma obra que resgata um feito extraordinário da História: a travessia terrestre entre Angola e Moçambique, realizada pelos luso-angolanos Pedro João Baptista e Anastácio Francisco entre 1802 e 1811. Este episódio pioneiro, amplamente documentado mas longamente silenciado, constitui a primeira ligação transcontinental entre as margens do Atlântico (Cassange) e do Índico (Tete) feita por dois homens africanos sob bandeira portuguesa — um feito maior, que merece justo reconhecimento no espaço público e na memória coletiva. 

O prefácio é assinado por Uina yo Nkuau Mbuta (Carlos Mariano Manuel), catedrático, investigador e autor do tratado de história “Angola desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação”, distinguido como Personalidade Lusófona 2023 pelo Movimento Internacional Lusófono. A sua participação confere a esta edição uma força simbólica e científica ímpar, num momento em que se assinalam os cinquenta e um anos da democracia portuguesa e os cinquenta anos de independência da República de Angola. 

Neste espírito, convidamos o eleito Presidente da Câmara Municipal de Lisboa a tomar iniciativa para que os nomes de Pedro João Baptista e Anastácio Francisco sejam dignamente inscritos na toponímia da cidade, como homenagem a dois heróis que dignificam Portugal, Angola e Moçambique. 

Estendemos igualmente este apelo ao senhor Presidente da República Portuguesa e aos corpos directivos da Sociedade de Geografia de Lisboa e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, instituições com longa tradição na preservação e valorização do património, para que se associem ao reconhecimento e divulgação deste extraordinário feito. 

Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte
Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte

A Primeira Travessia da África Austral

A travessia de África constituiu, por razões que foram evoluindo ao longo do tempo, um desígnio dos portugueses desde o começo da sua expansão marítima, no século XV. Após um decepcionante registo de fracassos, e por acção de dois corajosos luso-angolanos, eles alcançaram finalmente o objectivo no dealbar do século XIX. Este feito admirável precedeu, em cerca de quarenta anos, as caminhadas de renomados exploradores, como David Livingstone e outros, cuja exaltada glorificação foi empurrando para uma injusta obscuridade os verdadeiros vencedores da corrida. 

Este livro envolvente, emotivo e rigorosamente documentado contempla as diversas fases do expansionismo luso — focando-se na interpenetração de culturas e nas interacções de seres humanos que se encontravam pela primeira vez —, até desembocar na épica e inesquecível viagem dos homens que comprovadamente inauguraram a ligação terrestre entre Angola e Moçambique. Abordando momentos históricos determinantes no continente africano e na Ásia, A Primeira Travessia da África Austral assume-se, acima de tudo, como uma expressiva e merecida homenagem a esses homens — Pedro João Baptista e Anastácio Francisco.

José Bento Duarte 

Nasceu em Angola, na cidade de Moçâmedes, província do Namibe. Licenciado em Economia pela Universidade do Porto. Exerceu funções de docência na Universidade de Luanda antes e depois da independência do país. Foi quadro superior numa empresa pública portuguesa. 

Para além da presente obra, tem outros livros publicados sobre temas históricos: Peregrinos da Eternidade — Crónicas Ibéricas Medievais e Senhores do Sol e do Vento – Histórias Verídicas de Portugueses, Angolanos e Outros Africanos (já reeditados pela Perfil Criativo – Edições e disponíveis na plataforma online www.AUTORES.club). Colaborou ainda em publicações de carácter colectivo com textos de temática histórica luso-angolana, como: Mandume, os Portugueses e a Definição do Sul de Angola; Missões no Planalto Central de Angola; Namibe – Das Origens à Independência. 

Ler PRESS RELEASE — Informação de Julho de 2025

Os livros de José Bento Duarte podem ser encomendados na Livraria Bertrand, Wook, FNAC e AUTORES.club

Uma história esquecida. Um feito notável. Um reencontro com a verdade

Uma história esquecida. Um feito notável. Um reencontro com a verdade

Lançamento oficial do livro “A Primeira Travessia da África Austral” (Ed. 2025) de José Bento Duarte

Padrão dos Descobrimentos, Belém – Lisboa
29 de Outubro de 2025 (quarta-feira), 16h30
Entrada livre (sujeita a reserva)

No coração da História de África, há uma travessia épica que o tempo tentou apagar. Dois homens africanos sob bandeira portuguesa, Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, pombeiros angolanos, atravessaram o continente, de Malange a Tete, entre 1802 e 1814. Fizeram-no sem mapas, sem tecnologias modernas, mas com conhecimento profundo das rotas, povos e geografia do interior africano. Foram os primeiros a realizar e a documentar uma travessia completa da África Austral, de ida e volta.

Curiosamente, exploradores europeus como o escocês David Livingstone ou o português Francisco de Lacerda e Almeida, cujos nomes foram imortalizados na História oficial, beneficiaram das informações, rotas e registos produzidos por estes dois africanos — cuja memória, porém, foi injustamente silenciada. Este livro vem corrigir essa omissão histórica, devolvendo a Pedro João Baptista e Anastácio Francisco o lugar que lhes pertence.

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS

O lançamento contará com a presença de personalidades de relevo de Portugal, Angola e Moçambique, num momento simbólico de reencontro entre os dois países e de justa homenagem ao protagonismo africano na História.

SOBRE O LIVRO

A Primeira Travessia da África Austral (Ed. 2025) propõe uma leitura crítica e rigorosa da expansão portuguesa em África, desde os mitos europeus sobre o continente até à instalação do sistema colonial. O autor percorre os episódios fundamentais das descobertas, da ocupação e do contacto entre civilizações, culminando na epopeia dos dois pombeiros, baseada em fontes documentais e análises historiográficas.

A obra inclui ainda um prefácio de Uina yo Nkuau Mbuta (Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel), médico patologia, investigador e Prémio Personalidade Lusófona 2023, que sublinha a relevância histórica e política desta recuperação da memória.

SOBRE O AUTOR

José Bento Duarte, natural de Moçâmedes, é ensaísta e investigador, com um percurso dedicado ao estudo da História de Angola e Portugal. Autor de três livros que aliam rigor e sensibilidade humanista, tem sido uma voz ativa na divulgação de episódios esquecidos da História Portugal em África.

Em A Primeira Travessia da África Austral, José Bento Duarte recupera com lucidez e profundidade uma narrativa que honra a coragem de dois luso-angolanos e reequilibra o olhar sobre o passado comum, revelando os fundamentos de uma História partilhada que urge ser contada com verdade.

Peregrinos da Eternidade
Peregrinos da Eternidade — Crónicas Ibéricas Medievais
A primeira Travessia da África Austral
A Primeira Travessia da África Austral
Senhores do Sol e do Vento
Senhores do Sol e do Vento

RESERVAS

A entrada é livre, mas o espaço é limitado.
Reserve com antecedência através do telefone: 214 001 788
Ou envie um e-mail para: encomendas@autores.club

Organização: Autores.club | com o apoio do Padrão dos Descobrimentos
Data: Quarta-feira, 29 de Outubro de 2025
Hora: 16h30
Local: Auditório do Padrão dos Descobrimentos, Belém – Lisboa

Padrão dos Descobrimentos
Padrão dos Descobrimentos em Belém, Lisboa

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