Archives em Outubro 2023

Prémio lusófono traz valores culturais angolanos a Lisboa

Prémio lusófono traz valores culturais angolanos a Lisboa

28/10/2023 — Um grande encontro na Casa de Angola de homenagem ao professor catedrático angolano, Carlos Mariano Manuel ou Uina yo Nkuau Mbuta, que irá receber na próxima terça-feira, 31/10/2023) o Prémio Personalidade Lusófona 2023, atribuído pelo Movimento Internacional Lusófono.

Uma Angola moderna, culta e sem preconceitos, revelou-se em Lisboa.

Este encontro foi limitado aos familiares do autor, do editor e de amigos que colaboraram e apoiaram a monumental edição do tratado de História “Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação” (Ed. 2021), de Carlos Mariano Manuel.

Amanhã, 31 de Outubro, na sede da SEDES, na rua Duque de Palmela, nº 2, 4º Drtº, em Lisboa, durante o 2º Encontro do Observatório SEDES da CPLP | IX Congresso da Cidadania Lusófona, será entregue às 16h30 o Prémio MIL Personalidade Lusófona 2023 ao Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, Patologista e Historiador da República de Angola.

Linha do Tempo nos últimos cinco anos

JOÃO RICARDO RODRIGUES

Conforme referi na Nota do Editor, “Uma grande parábola”, publicada na primeira edição do tratado de história “Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação”, em Outubro de 2018 (chovia, faz agora cinco anos), recebi em Lisboa, pela mão de um familiar do nacionalista Emanuel Kunzika (antigo vice-primeiro-ministro do Governo Revolucionário de Angola no Exílio, foi o primeiro angolano a discursar na Assembleia das Nações Unidas), a visita do ilustre médico angolano e catedrático em Patologia, Carlos Mariano Manuel ou Uina yo Nkuau Mbuta, que em Kikongo quer dizer “está melhor quem está com o outro”.

O encontro, foi centrado na colossal Batalha de Ambuíla, ocorrida em 29 de Outubro de 1665, há 358 anos, e que opôs o reino do Congo às forças portuguesas estabelecidas em Luanda, que decidiram avançar para a guerra à revelia das indicações do rei, D. Afonso VI.

Em Maio de 2019 voltámos a encontrar-nos, desta vez em Luanda, num local muito especial, a Liga Africana, herdeira da Liga Nacional Africana. Na qualidade de Presidente desta centenária e histórica organização angolana da sociedade civil de natureza mutualista, cultural e recreativa, recebia-nos, com a sala cheia, de uma forma muito calorosa, num grande evento literário, de apresentação da nossa editora, com um livro dedicado à construção do Estado-Nação, do Prof. Doutor Marcolino Moco. A apresentação esteve a cargo do Dr. Alberto Santos que nos falou da História, da organização social dos povos descendentes das antigas Nações Africanas, terminou com uma reflexão, sobre um tabu, a representatividade política das diferentes nações angolanas.  Um verdadeiro sonho que se tornou realidade, revelando uma outra Angola, culta e moderna. 

Foi seguramente o nosso primeiro sopro inspirador para o “gigante” que teima em continuar adormecido. 

De regresso a Lisboa no final do dia 20 de Outubro de 2021, o Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, realizou o seu primeiro grande discurso, sobre esta obra, no Museu Nacional de Arte Antiga, integrado numa surpreendente exposição, instalada pela nossa equipa, com título em kimbundu, “Boba Kana Muthu Wzela: Aqui é Proibido Falar!

O auditório do Museu Nacional de Arte Antiga ficou apinhado para ouvirem o tema da conferência “A criação da Colónia de Angola e a Batalha de Ambuíla” que terminou com a declamação do poema “Nambuangongo”, de Manuel Alegre:

Em Nambuangongo tu não viste nada
Não viste nada nesse dia longo longo
A cabeça cortada
E a flor bombardeada
Não tu não viste nada em Nambuangongo

Na manhã do dia 29 de Outubro de 2021, ainda marcada pela pandemia do Covid-19, celebrámos, em Lisboa, uma histórica e inédita homenagem ao rei Muana Malaza ou Nevita Nkanga ou D. António I, no mosteiro de Santa Maria de Belém, conhecido como Jerónimos. 

A missa foi conduzida pelo cónego, doutor José Manuel dos Santos Ferreira, que surpreendeu, em Lisboa, os devotos com a memória dos trágicos acontecimentos de1665.

Nessa tarde de 29 de Outubro de 2021, com o Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, completamente esgotado e com uma parte do público em pé, apresentámos as duas primeiras edições do tratado de História, composto por 3 volumes com mais de 2.200 páginas, 25 anos de investigação e quase 2 anos de preparação editorial. 

Na mesa de honra estiveram presentes o Doutor Onofre dos Santos, Juiz Conselheiro jubilado do Tribunal Constitucional de Angola; o editor; Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, investigador em História e autor; Prof. Doutor Hans Muski da Universidade de Humboldt, antiga Universidade de Berlim; Prof. Doutor Marcolino Moco, antigo Primeiro-Ministro de Angola. (Estão disponíveis no portal.autores.club os audios destas intervenções).

Sobre este acontecimento o jornalista Xavier de Figueiredo escreveu no Observador, a 16 de Dezembro de 2021, o artigo com o título “A lição de Carlos Mariano Manuel”; 

“Carlos Mariano Manuel exalta o Padrão dos Descobrimentos na visão serena que cultiva da História do seu país, Angola. É uma “carapuça” na cabeça dos que veem na história de Portugal um infame buraco negro”.

Aproveito para recordar que o autor, ainda criança, com quatro anos, após os trágicos acontecimentos de 15 de Março de 1961, foi obrigado a fugir e a esconder-se, na floresta, devido aos bombardeamentos da força aérea. 

E que falhou a prova da 4ª classe devido ao cansaço da viagem a pé, de cerca de 64 Km, de ida e volta, uma verdadeira maratona durante o exame. Apesar disso, em 1971 foi homenageado pelo governador do Distrito por ter realizado o melhor exame de todas as escolas do território sob sua jurisdição.

A 5 de Novembro de 2021, o campus Gualtar, na Universidade do Minho, foi surpreendido pela aula magna sobre a Conferência de Berlim para a África: “Os efeitos hodiernos da Conferência de Berlim sobre África do século XIX nos estados pós-coloniais da África Central e Austral. (Está disponível no portal.autores.club o audio desta intervenção).

A 8 de Janeiro de 2022, o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente outorga o diploma de mérito ao Historiador Carlos Mariano Manuel pela publicação dos 3 volumes, que constituem uma importante contribuição para a História de Angola. Foi um passo importante para conseguirmos realizar a apresentação em Angola com sucesso.

A 8 de Abril de 2022, a antiga Fortaleza de São Miguel, hoje é Museu das Forças Armadas, encheu para um encontro inédito e inesquecível com a História, ouvir a generosa participação do Senhor Ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, Prof. Doutor Filipe Zau, o autor, Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, o escritor e cientista social, Dr. José Luís Mendonça, representantes da Liga Africana, sobreviventes da Luta de Libertação Nacional e a minha família. 

Creio que ficará eternamente na fortaleza, o refrão da música “Pala ka nu abesa ô Muxima” de Carlos Lamartine.

Quem esteve presente na fortaleza sabe que ficarei eternamente agradecido aos “magníficos, muito honrados e soberanos senhores da República de Angola”. 

Agradecido por ter estado na cidade alta de Luanda, como um homem livre, filho da terra, convicto na partilha dos valores mais altos e Humanistas. 

E muito vaidoso por termos surpreendido a administração do País, com uma outra Angola, culta, generosa e multicultural.

Recordo que esta obra é o exemplo maior de alguém que não se conformou com a ausência de trabalho científico, organizado, e publicado, e que em 2021 o entregou, generosamente, ao País. Um padrão de cidadania raro que obriga a uma profunda reflexão e que deve motivar os mais-jovens estudantes a não desistirem das suas convicções.

Qual é o papel do Historiador?” É um debate que fica por realizar, e que vem no seguimento de questões pertinentes levantadas, durante a finalização deste projecto editorial, pelo Dr. Cornélio Caley, que envolvem a profissão, as instituições, o estudo e o desenvolvimento do pensamento no campo da História.

História é uma grande parábola”, muito obrigado, meu irmão mais-velho, Uina yo Nkuau Mbuta,  Personalidade Lusófona de 2023, pelo Movimento Internacional Lusófono.

“Radio Oremoh” en Barcelona: 11 de noviembre

“Radio Oremoh” en Barcelona: 11 de noviembre

Intervenção cultural e poesia na rádio “OremOh” a 11 de Novembro, com a participação do poeta, Danilo Facelli, autor do livro “Material Inflamable. Veinte años extendiendo palabras en voz alta” publicado pela Perfil Criativo, estará disponível para entrega nos primeiros dias de Novembro.

SERGIO ARTERO PÉREZ

Por primera vez en Barcelona: 11 de noviembre. 
Nuevo programa-recital de “Radio Oremoh”, reflexión y antología de mi poesía. Con la intervención de las geniales aedas Sholeh Wolpe, Danilo Facelli, Mónica Caldeiro y Ale Oseguera: que sea encuentro en el aire, que radie la poesía. 

“OremOh” es leer Homero al revés, ir hacia atrás, a los orígenes míticos, regresar a los poetas oyentes, a una poesía que no se ve sino que se escucha, que fona y afronta lo efímero y lo polisémico. ¡Oh!

Entendemos que en Homero se une la era prealfabética -la evidencia, lo oracular, la ceguera, la voz- y la alfabética -la videncia, lo ocular, lo que puede leerse-. Videncia y evidencia colapsan en el mito de Homero para comenzar una tradición: los poetas que escriben lo que cantan, o que cantan lo que escriben. Los poetas entre el libro y los caminos; los poetas que se encuentran para desaparecer; los poetas también del aquí una voz por todas. ¡Oh!

Que irradie la poesía. Que sea rabia. Que sea labia. Que sea radio.
Que sea el radio
al menos
entre tú y yo.

Así que mira sin miras. Así que ve sin ver. 
Pero, mira, ve.

No te lo pierdas.

Tratado de História de Angola

Tratado de História de Angola

Dois anos depois do lançamento em Lisboa das colecções “Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação” (Ed. 2021), do professor catedrático angolano, Carlos Mariano Manuel, a editora anuncia que deu início à produção de uma terceira edição. De referir que a primeira edição, em capa dura, com uma apresentação de prestígio é especial para coleccionadores. A segunda edição, em capa mole, é uma versão económica tendo esgotado o primeiro volume em Portugal. A terceira edição será também uma edição económica.

Recordamos que esta importante obra foi lançada no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, no dia 29 de Outubro de 2021.

Na mesa de honra estiveram presentes o Doutor Onofre dos Santos, Juiz Conselheiro jubilado do Tribunal Constitucional de Angola; João Ricardo Rodrigues, editor; Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, investigador em História e autor; Prof. Doutor Hans Muski da Universidade de Humboldt, antiga Universidade de Berlim; Prof. Doutor Marcolino Moco, antigo Primeiro-Ministro de Angola.

A seguir é possível ouvir as intervenções no Padrão dos Descobrimentos, a 29 de Outubro de 2021.


Este ano de 2023 o Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel viu-lhe atribuído o Prémio Personalidade Lusófona de 2023, pelo Movimento Internacional Lusófono. Aproveitando esta ocasião para fortalecer as pontes culturais entre a sociedade civil, dos dois países, que partilham a mesma língua, será realizado um grande encontro com ao autor, no dia 28 de Outubro, na Casa de Angola, em Lisboa.

Aproveitamos este encontro para informar que está também em desenvolvimento o conteúdo do quarto volume, primeiro da História da República de Angola.

Prémio MIL Personalidade Lusófona de 2023: Carlos Mariano Manuel

RENATO EPIFÂNIO*

Por decisão unânime dos vários Órgãos Sociais do MIL, decidimos entregar o Prémio MIL Personalidade Lusófona 2023 ao Doutor Carlos Mariano Manuel, ex-Presidente da Liga Africana – em reconhecimento de todo o seu trabalho à frente da Liga em prol da cooperação lusófona entre Angola, Portugal e todos os demais povos de língua portuguesa. O Prémio será entregue no final deste ano, em data e local a acordar.

Recordamos os anteriores premiados: Lauro Moreira (2010), Ximenes Belo (2011), Adriano Moreira (2012), Domingos Simões Pereira (2013), Ângelo Cristóvão (2014), Gilvan Müller de Oliveira (2015), Duarte de Bragança (2016), Ruy Mingas (2017), Manuel de Araújo (2018), Manuel Pinto da Costa (2019), Alarcão Troni (2020), Francisco Ribeiro Telles (2021) e Jorge Carlos da Fonseca (2022).

*Presidente do Movimento Internacional Lusófono

Durante a manhã de 29 de Outubro de 2021, ainda marcada pela pandemia do Covid-19, realizou-se uma histórica homenagem ao rei Muana Malaza ou Nevita Nkanga ou D. António I, no mosteiro de Santa Maria de Belém (Mosteiro dos Jerónimos) em Lisboa, onde estiveram presentes importantes figuras da Cultura de Angola. A missa foi conduzida pelo cónego, doutor José Manuel dos Santos Ferreira, que surpreendeu os devotos com a memória dos trágicos acontecimentos de 29 de Outubro de 1665.

Apresentação pública em Luanda, do Tratado de História de Angola “Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação“, do Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel. Um monumental trabalho científico publicado com a mais elevada qualidade e que representa para o Autor e para o Editor uma oportunidade para construir caminhos mais sólidos na unidade nacional e almejar o reencontro com os valores Bantu e Humanistas, sem esquecer a oportunidade de contribuirmos para o aumento da auto-estima de todos os Angolanos.

Lançamento em Luanda

No dia 29 de Outubro de 2021, foi apresentada no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, a obra de carácter científico “Angola desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação” (ed. 2021), do Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel.

A Orla de Orlando que não é Jesus 

A Orla de Orlando que não é Jesus 

WILLIAM TONET*

O livro começa, quando a leitura nos aloja nas nuvens! 

É uma sublime lufada de ar fresco de e para Angola! 

Um verdadeiro selo de povoamento, parido nas entranhas da Rua 66, zona alta de Nova Lisboa (Huambo), onde estão enterradas as secundinas do autor, sob o olhar cúmplice do “gavião”** que as não consegue resgatar.

1975, emerge como marco do pico identitário dos ventos de mudança, que não se endeusam em si mesmo, porque o horizonte está aí. 

“Ao longo dos anos defendo aquilo que considero o mais correcto para a minha terra, Angola. Consigo não agradar nem a gregos (MPLA) nem a troianos (UNITA)”, assegura.

O autor coloca a carruagem, nos trilhos do Caminho de Ferro, percorrendo todos os interiores até ao litoral, visionando, em cada apeadeiro a euforia e o declínio de ideologias, responsáveis pelo descarrilamento da soberania de sonhos de uma multirracialidade, nunca desembarcada no hoje/futuro.

“Sou angolano, nasci em Angola, lá estudei, brinquei, cresci e me fiz homem. Mesmo que tenha sido obrigado pelos acontecimentos históricos a abandonar o país onde nasci, e a utilizar a nacionalidade portuguesa dos meus pais, o meu coração esteve lá, está lá e estará sempre lá”.

As letras dedilhadas não merecem embaciamento de quem no fim de um princípio, também, se comove, com a maestria do “EU” do autor, qual túnica de uma bíblia, na mão “apostólica” de quem nos faz desfilar, em “vários livros”, de um só, cuja geografia de uma longa língua de terra informativa, faz desabrochar, em cada borda, suculentas realidades vivenciais. 

“A transparência política é uma das premissas a serem implantadas desde já, para que os angolanos acreditem que a UNITA não pactua com a corrupção e cumpre as promessas eleitorais, colocando em primeiro lugar os interesses dos desfavorecidos e controlando os que ocupam cargos públicos para que estes sirvam o povo e não usem as suas funções em proveito próprio”.    

“EU E A UNITA” é lida com a mesma sensação, da mulher que estava doente havia 12 anos, segundo a Bíblia, acreditando que se tocasse na orla (túnica) de Jesus se curaria… 

Qualquer leitor, acredito, ante a intensidade narrativa banhar-se-á nas águas termas, “curando-se” com as ondas informativas sobre os épicos momentos da história de Angola, tão sublimemente esmerados na obra.  

“Não se sabe, embora eles saibam, onde é que o regime do MPLA (por sinal no poder desde 1975) quis e quer chegar ao construir monumentos que enaltecem os contributos dos angolanos que consideram de primeira (todos os que são do MPLA) e, é claro, amesquinham todos os outros. Mas agora que as comadres (do MPLA) se zangaram – ou parece que se zangaram – talvez venhamos a saber a verdade”. 

A verdade que me leva a agradecer a escolha amiga, para tão hercúlea tarefa de não fechar o infinito…

Uma verdade que esvoaça sobre as nuvens montanhosas do Mbave (Huambo) espalhando-se desse centro geográfico numa “KANAF” (hebraico), ASA, para os judeus, significando, ainda e também, ORLA, que quem a toca se cura da saudade e utopia dos húmus identitários, muitas vezes arredios da biblioteca mental, de cada um de nós, pese a vigorosidade da nossa terra prometida: ANGOLA! 

Ler é terapia. Ler é cura para se entranhar nas profundezas cúmplices de um passado/presente, que destruiu (ontem), destrói (hoje), mas não apaga a força de acreditar que os impios não vencem, não vencerão, todas as intempéries, porque no amanhã dos povos, estes, dedilharão, como nesta obra, o irreversível hino da MUDANÇA.

Twanpandula sekulu…

* In Prefácio. William Tonet é jornalista e director do jornal “Folha 8”

**Gavião (águia)


Orlando Castro nasceu em 1954 em Nova Lisboa, Huambo, Angola.
Jornalista, licenciado em História, é autor dos livros:

«Algemas da Minha Traição» (1975),
«Açores – Realidades Vulcânicas» (1995)
«Ontem, Hoje… e Amanhã?» (1997).
«Memórias da Memória» (2001).
«Alto Hama – Crónicas (diz)traídas» (2006).
«Cabinda – ontem protectorado, hoje colónia, amanhã Nação» (2011).

Co-autor dos 16 volumes da colecção “Guerra Colonial – A História na Primeira Pessoa”, distribuída em 2011 pelo “Jornal de Notícias” e “Diário de Notícias”.

«António Marinho e Pinto – Mudar Portugal» (2015).
«Egosismo» (2022).
«Eu e a UNITA» (2023).

Universidades brasileiras promovem debates sobre a colectânea de Mafrano

Universidades brasileiras promovem debates sobre a colectânea de Mafrano

JORNAL DE ANGOLA (17/10/2023)

O docente universitário Kabengele Munanga, considerado o pai da moderna Antropologia Cultural no Brasil, confirmou a sua participação numa vídeo-conferência sobre a colectânea “Os Bantu na visão de Mafrano”, que está a ser organizada pela docente Lima Sueli de Lima, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

A vídeo-conferência está agendada para o dia 10 de Novembro deste ano, às 10h00, horário de Brasília (14h00 em Angola). Um dia antes, a 9 de Novembro, pelas 19h30 (horário de Brasília), Kabengele Munanga vai animar um debate idêntico com o Centro Universitário Campos de Andrade, de Curitiba (Uniandrade), a convite da docente universitária Greicy Pinto Bellin.

Ambos os encontros terão a participação de estudantes, académicos, público interessado e membros da família de Maurício Francisco Caetano “Mafrano”.

Os Bantu na visão de Mafrano”, colectânea póstuma em três volumes e mais de 700 páginas, foi compilada a partir de trabalhos dispersos em vários jornais e revistas, entre 1947 e 1982, com ênfase para os jornais “O Apostolado”, “Angola Norte”, “O Angolense”, a Revista Angola da Liga Nacional Africana e o “Boletim de Finanças”, de que Maurício Caetano, o autor, foi correspondente, redactor e colaborador.

O seu vasto espólio literário inclui temas como Antropologia Cultural, “Crónicas ligeiras”, “Notas a lápis”, “Episódios Vividos”, “Tertúlias”, contos e textos lidos aos microfones da “Rádio Ecclesia de Angola”, a emissora católica. 

O autor estudou e observou hábitos e costumes autóctones em províncias como Malanje, Uíge, Cabinda, Cuanza-Norte, Bengo, além de Luanda, onde trabalhou como oficial de impostos dos então “Serviços de Fazenda e Contabilidade”, mais tarde Ministério das Finanças, a partir de Novembro de 1975.  

Mafrano nasceu na cidade do Dondo, em Angola, onde teve como tutor o sacerdote santomense José Pereira da Costa Frotta, que acompanhou toda a sua formação até à idade adulta.

O autor de “Os Bantu na visão de Mafrano” faleceu a 25 de Julho de 1982, aos 65 anos.

Poesia de Álvaro Poeira* na “Sanzala dos Brancos”

Poesia de Álvaro Poeira* na “Sanzala dos Brancos”

“Tem gente que levita na duna

que nunca comprou,

Tem alma que almeja areia ou grão

que nunca doou…

Tem ser humano que sabe de cor a corrente

do rio onde se banha a lágrima

e onde se brinca com o crocodilo, 

Tem mulher Himba que no calor

do meu ser é minha sem a ter, 

É bebé, é mãe, avó, é a natureza

que me serena… nem que seja num dia já

deitado, num livro pleno de frases sem hiena, leões, palancas, zebra, macaco, planta ou seca, mesmo sem pó…

Aiuê, aiuê, “tou” numa margem que

“tu não me vê…”

(…)

ÁLVARO POEIRA* in Minha Terra!

*Alberto Poeira e Álvaro Poeira, são pseudónimos de António Manuel Monteiro Mendes

António Manuel Monteiro Mendes

VICTOR TORRES**

Rua Paulo Inácio Guerreiro, na Sanzala dos Brancos, em frente ao Rádio Clube do Namibe, com um areal convidativo para umas futeboladas e umas corridas aos “papa-areia” que por lá andavam a debicar a semente do capim, os pequenos passaritos que sempre nos enganavam com os seus movimentos repentinos, esses movimentos que nos deveriam ter servido de antecipação ao fim de um sonho que só soubemos depois que era um sonho nunca sonhado nem imaginado, tal a inocência que nos assomava.

Foram assim os últimos tempos. Os que nunca julgámos que iam acontecer.

E que nos serviram para os outros tempos na terra dos outros. E que nos ensinaram a sobreviver na chamada civilização e a ter uma capacidade de resiliência, a que chamo mais de teimosia, que nos levou a vencer as dificuldades da vida material, mas não da espiritual ou a do sonho.

Porque esse ficou lá, na terra, no sítio onde nascemos, onde brincámos, onde nos formámos moralmente, sim, lá na nossa terra, a que temos cá dentro e a que nunca nos podem tirar do nosso sentimento, pois lá está por amor, é esse o segredo.

Entendo o teu recuo quando te digo: “vamos, vai ver o que sobrou de ti, vai olhar para a baía, para a praia, vai poetar o teu íntimo com o que os teus olhos vêem, abre-te, vai com o coração e deixa a incerteza fechada no teu bolso, não percas o que ainda podes fazer”.

Será que ias desconseguir? Será que ali, já não te saía a poesia de dor que te transporta, mas antes a alegria do amor escondido desde que chegaste à Tuga, como lhe chamávamos?

E o que farias? Será que te ias reencontrar neste retorno? Ou que ficarias de novo a vaguear feito Cazumbi? 

Vamos só mesmo tratar dos nossos no nosso Kimbo e continuar a viver nos sonhos, agora que sabemos que podemos contorná-los e adaptá-los a nós.

É esse o nosso poder, o de transformarmos, a nosso favor, o que acharmos…

…e a nunca mais nos expulsarem, pois o que temos no coração não se rende.

Vamo só na Poeira do Alberto poeirando no quintal do jipe, felizes, ao sol, de cabelos compridos ao vento como se o amanhã não existisse.

Companheiro, uma boa jornada!  

** In Prefácio do livro “SUL“. Victor Torres é autor do livro “Caraculo a minha paixão | Deserto de Moçâmedes (Namibe) | Álbum fotográfico do século XIX e XX” (Ed. 2020). Kamba do autor em menino.


Álvaro Poeira***

Todos os textos são da autoria de António Manuel Monteiro Mendes, bem como os seus pseudónimos.

Nasceu em 1959. Numa pequena povoação no norte de Angola. Mavoio. Junto ao rio Tetelo. Filho de pais sem posses, mãe doméstica e pai serralheiro mecânico, viajou com eles e sua irmã, por Angola. Pouco tempo foi.

Em 1974, foi expulso da sua terra Natal.

Não conheceu a casa nem a terra onde a sua mãe o deu à luz. Veio como refugiado para Portugal. Quebrado.

Em estilhaços que ainda hoje tenta colar.

Tem três filhas de dois casamentos.

Viveu em tantas casas que só algumas retêm a sua memória.

Escreve desde sempre. Este é um pequeno grito de outros milhares que redigiu. Sabe, tem consciência que outros contos, lendas, prosas poéticas e poemas barafustar sob um Embondeiro,aclamando na sua justiça, pela identidade do autor, que aqui teriam lugar.

Não dá… Um dia, todas letras voarão por lá…

*** Alberto Poeira e Álvaro Poeira, são pseudónimos de António Manuel Monteiro Mendes

Danilo Facelli Fierro: “primera recopilación de lo inacabado”

Danilo Facelli Fierro: “primera recopilación de lo inacabado”

DANILO FACELLI FIERRO*

En Marzo de 2003 leí por primera vez mis escritos ante un público. Veinte años después sigo haciéndolo. De hecho, la columna vertebral de mi trayectoria en el mundo del arte es la sucesión de palabras que se han ido juntando una detrás de otra.

Pero hace mucho más de veinte años, quizás hasta haga más de treinta, que empecé a trazar el recorrido desde y por la palabra. Aquí se recoge un pequeño puñado de este kilometraje casi infinito.

La recopilación que os presento es de escritos nacidos para ser recitados.

De hecho, algunos como te dejo o cuña publicitaria salieron primero de manera oral y se escribieron después. El grueso del libro se ha hecho en directo. Los textos han experimentado transformaciones a fuerza de presentarlos en escena.

¿Se le puede llamar poemas a lo que encontraréis aquí? Esto lo dejo a vuestro gusto y criterio. Yo todavía no lo sé. El papel y el escenario son soportes distintos, que necesitan distintas maneras de accionar con la palabra sobre ellos. Por mi parte, después de buscar múltiples maneras de nombrarlos, no he encontrado ninguna que se le acerque más. Así que de momento, lo dejo en poemas. Si alguien da con un término más acertado, por favor, que me lo haga saber para próximas ediciones.

Lo poco que puedo decir sobre los textos que componen Material Inflamable, es que después de recitarlos o leerlos en voz alta, por un lado me siento mejor y por otro se produce un acto comunicativo con el público, que va más allá del intercambio de información. Algo se mueve en el grupo que somos, y ese movimiento genera una sensación más agradable a la que había antes de empezar el recital. Así que poner en carne las palabras genera una mejora colectiva. Esta es la razón principal por la que sigo escribiendo.

Volviendo a la selección del libro, deciros que los poemas elegidos, ni están puestos por orden cronológico (Excepto el último) ni ninguno de ellos es de antes de 2008. Los textos que han decidido quedar impresos en estas páginas, son aquellos que se han ganado un hueco en mi repertorio recital tras recital y otros a los que les tengo un cariño especial. Eso sí, no he puesto poemas que ya estuvieran o vayan a estar en otros libros.

En esta públicación solo hay agrupaciones de palabras sin hogar familiar sólido (Varios de los poemas han salido en fanzines y plaquettes, pero nunca en formato libro).

También, cuando lleguéis al final, encontraréis una invitación a invitarme: una cronología en enunciados que se escribirá por capítulos, si recibo veinte invitaciones distintas de las personas que hayáis leído el libro. Ahora no creo que se entienda, pero cuando llegue el momento estará bien explicado.

Espero que disfrutéis de Material Inflamable tanto como yo disfruto escribiendo, recitando y leyendo en voz alta ante personas, animales, microorganismos diversos, plantas y árboles. 

Muchas gracias por estar con los ojos puestos sobre estas palabras, nacidas siempre al borde del precipicio.

Pero el prólogo no acaba todavía. Continuará como una enredadera apareciendo por aquí y por allá durante toda la publicación.

Esta frase me genera otra pregunta:

¿Un prólogo que se desarrolla entre las páginas del libro, es un prólogo?…

*In prologo


Danilo Facelli Fierro

Ser humano que ejerce de poeta a tiempo completo. Desde 2004 distribuye su obra poética en la calle. Entre 2005 y 2010 forma parte de las compañías aQúTeatro y Los Estupendos Estúpidos. En 2007 crea Vivir del Bolo, un proyecto escénico que combina poesía, teatro y música en directo. En 2016 dirige el espectáculo de circo (In)*finit de la compañía Zero. En 2017 publica el poemario Soñando Con y en 2018 el libro de aforismos Chupitos. En 2019 presenta la verbena poética del Festival Barcelona Poesía y es seleccionado para crear y representar Aldarri, una obra de teatro de calle creada para el Festival Eztena en Rentería, Gipúzkoa.

En 2013 diseña los contenidos de la formación teatral intensiva La Palabra Viva que continúa impartiendo hasta el día de hoy. Desde 2014 coordina el ciclo de poesía escénica Perifèric Poetry Mataró y entre 2017 y 2021 fue presentador, junto a Marc Rodrigo del Lokal de Risc, cabaret trimestral que se celebra al Ateneu Popular de 9 Barris

El año 2020 co-dirige Toca Toc de la compañía Pakí Payá y ganan el premio Zirkólika al mejor espectáculo de circo en carpa, también publica el poemario La Tierra y el Barrio y entra en El Laboratorio de los imposibles: un grupo de performers que se reúne para llevar a cabo acciones artísticas en diferentes ciudades de Catalunya. En 2021 ejerce de presentador virtual de Vociferio, Festival de poesía de València, participa en la performance téxtil Kapada de Georgina Marqués y actúa en el espectáculo de circo-teatro Shake, Shake, Shake de la compañía Pakí Payá

En 2022 estrenó los espectáculos La Tierra y el Barrio (Marzo) y La Vida es una Fuerza Oscura (Octubre). En 2023 ha dirigido el Combinat de Circ 59 del Ateneu popular de 9 Barris y celebra que hace veinte años de su primer recital de poesía.

O nosso TOP de vendas nas lojas da FNAC

O nosso TOP de vendas nas lojas da FNAC

17/10/2023 — Top de vendas das nossas edições nas lojas FNAC durante a segunda semana de Outubro (Alfragide, Colombo, Norteshopping):

1º (Primeiro Classificado)

Senhores do Sol e do Vento — Histórias verídicas de Portugueses, Angolanos e outros Africanos”, de José Bento Duarte;

2º (Segundo Classificado)

Caraculo, a Minha Paixão | Deserto de Moçâmedes (Namibe) | Álbum Fotográfico do Século XIX E XX”, de Victor Torres.

3º (Terceiros Classificados)

 “Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação” — 2ª Edição — Vol. I, de Carlos Mariano Manuel;

Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação” — 2ª Edição — Vol. II, de Carlos Mariano Manuel;

Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação” — 2ª Edição — Vol. III, de Carlos Mariano Manuel;

“Peregrinos da Eternidade | Crónicas Ibéricas Medievais (Como nasceu a dinastia que lançou Portugal no Mundo)”, de José Bento Duarte.

Os nossos livros mais lidos nas lojas da FNAC na primeira semana de Outubro

Os nossos livros mais lidos nas lojas da FNAC na primeira semana de Outubro

10/10/2023 — Top de vendas das nossas edições nas lojas FNAC durante a primeira semana de Outubro:

Este TOP representa uma tendência para os autores preferidos dos leitores da lojas FNAC-

1º (Primeiro Classificado)

Senhores do Sol e do Vento — Histórias verídicas de Portugueses, Angolanos e outros Africanos”, de José Bento Duarte;

2º (Segundos Classificados)

Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação” — 2ª Edição — Vol. II, de Carlos Mariano Manuel;

Crónica da fundação do Huambo | Nova Lisboa” — 5ª edição, de Xavier de Figueiredo.

3º (Terceiro Classificado)

Caraculo, a Minha Paixão | Deserto de Moçâmedes (Namibe) | Álbum Fotográfico do Século XIX E XX”, de Victor Torres.

Incentivar os mais novos a ler

Incentivar os mais novos a ler

NOS RAIZ – Sábado na Biblioteca (Cabo Verde) — No passado sábado 7 de Outubro a NOS RAIZ e o Plano Nacional de Leitura de Cabo Verde (PNLCV) realizaram com o apoio da Biblioteca Nacional de Cabo Verde um encontro de actividades dirigido ao público infanto-juvenil para incentivo à Leitura – “Sábado na Biblioteca

O encontro apresentado pela coordenadora do PNLCV, Odete Almeida, contou com a presença de alunos, professores e encarregados de educação, onde juntos participaram activamente nesta manhã dedicada ao Livro. 

No final proporcionou-se um momento muito especial de debate com a bióloga e escritora Nathalie Melo autora do livro “Detective Timóteo Lobo e os Ovos de Ouro” com ilustrações e co-autoria de Eliezer Drawn Andrade, que recebeu o selo distinção Plano Nacional de Leitura. 

Em ambiente de partilha retomamos da melhor forma os ciclos de actividades “Sábado na Biblioteca“, com o próximo encontro agendado para 21 Outubro 2023.


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