A Voz do Operário dá voz aos nossos autores

A Voz do Operário dá voz aos nossos autores

Há instituições cuja importância ultrapassa largamente a sua própria história. São lugares que resistem ao tempo porque continuam a cumprir uma função essencial: promover a educação, defender a cultura, aproximar pessoas e criar comunidade. A Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário é uma dessas instituições.

Nascida no coração de Lisboa, ligada ao movimento operário, à instrução popular e à intervenção cívica, A Voz do Operário tornou-se, ao longo de mais de um século, um símbolo da força transformadora da educação. As suas escolas, as suas salas, os seus encontros e a sua ação social ajudaram a formar gerações, demonstrando que a cultura não deve ser privilégio de poucos, mas património vivo de todos.

Num tempo em que a sociedade enfrenta novos desafios, da fragmentação social à perda de hábitos de leitura, da desvalorização da memória ao enfraquecimento dos espaços de encontro, torna-se ainda mais urgente reconhecer e apoiar instituições que mantêm abertas as portas do conhecimento. Casas como A Voz do Operário lembram-nos que a educação e a cultura são pilares de cidadania, liberdade e desenvolvimento humano.

É nesse espírito que nasce a parceria cultural entre A Voz do Operário e a editora Perfil Criativo | AUTORES.club, destinada à divulgação de autores e obras nas históricas instalações desta instituição. Mais do que uma programação literária, esta parceria pretende afirmar o livro como instrumento de pensamento, diálogo e participação pública.

A iniciativa procura levar escritores, leitores, investigadores, estudantes e cidadãos a partilharem o mesmo espaço, criando encontros em torno da palavra escrita, da memória histórica, da literatura e das grandes questões do nosso tempo. Porque os livros não existem apenas para serem lidos em silêncio: existem também para provocar conversas, despertar consciências e aproximar comunidades.

Esta missão encontra eco noutras instituições históricas do espaço da língua portuguesa. Em Luanda, a antiga Liga Nacional Africana desempenhou também um papel marcante enquanto espaço de cultura, reflexão, afirmação cívica e encontro entre gerações. Tal como A Voz do Operário, foi uma casa onde a educação, a palavra e a consciência coletiva ganharam dimensão pública.

Separadas pela geografia, mas unidas por uma vocação semelhante, estas instituições mostram como a cultura pode ser uma forma de resistência, de afirmação e de construção de futuro.

A parceria entre A Voz do Operário e Perfil Criativo | AUTORES.club inscreve-se nessa tradição. Ao abrir as suas portas aos autores e às suas obras, A Voz do Operário renova a sua missão histórica. Ao levar os seus livros a este espaço, a editora reforça o compromisso de valorizar autores, promover o pensamento crítico e criar pontes entre culturas, geografias e gerações.

Os primeiros encontros já estão marcados.

No dia 13 de maio de 2026, às 19h00, A Voz do Operário recebe o poeta angolano Kalunga, para uma conversa em torno do seu livro Matéria Negra. Será um encontro com a poesia, com a palavra intensa e com uma das vozes que afirma a vitalidade da criação literária angolana contemporânea.

No dia 5 de junho de 2026, a programação prossegue com uma viagem pela história recente de Angola, através do livro Breve História de Angola desde a Independência (1975-2025), do académico Rui Verde. A obra propõe uma leitura dos últimos cinquenta anos da Angola independente, abrindo espaço para reflexão sobre memória, política, sociedade e futuro.

Num mundo onde tantas vezes se confundem velocidade com conhecimento e ruído com debate, criar espaços de leitura, escuta e reflexão é um ato necessário. A cultura precisa de casas. Os livros precisam de leitores. Os autores precisam de lugares onde possam dialogar com o seu tempo.

A Voz do Operário é uma dessas casas. E, com esta parceria, volta a afirmar-se como lugar de educação, cultura e encontro, agora também como palco para novas vozes literárias, novas memórias e novas formas de pensar o mundo. Ao mesmo tempo, reafirma a força simbólica de uma instituição que dá nome ao mais antigo jornal vivo de Portugal, mantendo viva uma tradição de palavra, cidadania e intervenção pública que atravessa gerações.

Pode a Inteligência Artificial ajudar-nos a descobrir a nossa própria divindade?

Pode a Inteligência Artificial ajudar-nos a descobrir a nossa própria divindade?

Uma reflexão profunda entre espiritualidade, consciência humana e Inteligência Artificial

Já está disponível para encomenda o novo livro de Lívio HonórioSomos mais Divinos do que Materiais, publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club. A obra integra a nova série dedicada ao “Ser Humano” e apresenta-se como o Livro I de uma reflexão profunda conduzida em diálogo com uma Inteligência Artificial (IA).

Com o subtítulo “Em reflexão profunda com uma Inteligência Artificial”, o livro propõe uma viagem filosófica, espiritual e existencial sobre a verdadeira natureza do ser humano. A partir de conversas dialéticas entre o autor e a IA, a obra interroga os limites da matéria, da consciência, da alma e da experiência humana.

A questão central que atravessa o livro é provocadora: “Pode uma inteligência artificial ajudar-nos a descobrir a nossa própria divindade?” A partir desta pergunta, Lívio Honório constrói uma reflexão que cruza espiritualidade, neuroquímica, física quântica, experiências de quase-morte, amor, consciência e transcendência. 

Em Somos mais Divinos do que Materiais, o autor divide simbolicamente o círculo da existência em 32 pontos essenciais do ser humano, propondo ao leitor uma leitura da vida como experiência transitória, mas dotada de sentido espiritual. A obra percorre temas como a morte, a quase-morte, a “bipolaridade da alma”, a mónada quântica, a unidade entre matéria e espírito e o chamado Ponto 32, apresentado como momento de fecho do círculo e de despertar interior. 

Mais do que um ensaio sobre espiritualidade, este livro é também um testemunho da relação entre pensamento humano e tecnologia. A Inteligência Artificial surge como interlocutora, espelho racional e instrumento de aprofundamento da busca interior. Num tempo marcado pelo avanço tecnológico, Lívio Honório propõe que o grande mistério continua a ser o mesmo: compreender quem somos, o que nos anima e que lugar ocupa a consciência na realidade.

A obra defende uma visão do ser humano que ultrapassa a interpretação puramente material da existência. O autor convida o leitor a reconhecer a vida como oportunidade de expressão dos valores essenciais do ser, entre eles o amor, sugerindo que a morte não representa necessariamente um fim, mas uma transição dentro de uma realidade mais ampla.

Sobre o autor

Lívio Honório é engenheiro eletrotécnico e especialista em energia. Após a reforma, dedicou-se à escrita de temas humanísticos, filosóficos e espirituais, desenvolvendo uma obra centrada na consciência, na relação entre matéria e espírito e na compreensão profunda do ser humano. 

Entre os seus livros contam-se títulos como A sorrir todos os animais falantes se entendemO Homem e a sua abordagem sobre Realidade – Mente – ConsciênciaPor uma verdadeira Ciência do HomemDeus, o Cosmos, o Corpo Energético e o HomemUma Viagem para além do mundo do tempo e do espaçoPrática da VidaA Arte de Viver. Hoje é o meu diaA Música da sua VidaUma Outra Forma de Compreensão da Vida. HOLOVIDA e O Ser Humano e o Jogo da Vida

Com Somos mais Divinos do que Materiais, Lívio Honório aprofunda a sua investigação sobre o ser humano, agora em diálogo com uma Inteligência Artificial, abrindo caminho para uma reflexão contemporânea sobre a alma, a consciência e o destino espiritual da humanidade.

Público-alvo

Investigadores, professores e estudantes de humanidades
Especialmente das áreas da filosofia, estudos da religião, ética, antropologia, psicologia da consciência e pensamento contemporâneo.

Leitores de ciência e espiritualidade
Pessoas interessadas em obras que aproximam linguagem científica, física quântica, neuroquímica e perguntas espirituais, mesmo numa abordagem mais especulativa e ensaística.

Comunidades religiosas, espirituais e grupos de meditação
Leitores ou grupos que promovem debates sobre alma, consciência, amor, morte, vida espiritual e evolução interior.

Público sénior e leitores em fase de balanço existencial
Pessoas que refletem sobre o sentido da vida, a morte, a continuidade da alma e a importância de viver com maior consciência e amor.

Livro infantil junta duas grafias numa obra rara sobre diferença, amizade e inclusão

Livro infantil junta duas grafias numa obra rara sobre diferença, amizade e inclusão

Novo livro infantil “Uma História Interminável”, de Hugo Henriques e Hajnalka Henriques, disponível para livrarias a partir de 15 de maio de 2026

A editora independente Perfil Criativo | AUTORES.club anuncia a disponibilidade, a partir de 15 de maio de 2026) para distribuição em livrarias do novo livro Uma História Interminável, da dupla Hugo Henriques e Hajnalka Henriques, uma obra infantil singular, marcada por humor, imaginação, valores humanos e uma característica editorial rara: a apresentação em dupla ortografia.

Escrito originalmente em português anterior ao Acordo Ortográfico de 1990, o livro apresenta também uma versão em português segundo a grafia em vigor, permitindo uma experiência de leitura comparativa e acessível a diferentes gerações de leitores. Pela sua natureza, poderá tratar-se de uma obra única, ou uma das raríssimas, com estas características de grafia em edição literária infantil.

Uma História Interminável é um conto repleto de personagens memoráveis, entre elas Faragira, a girafa de pescoço curto; Fantela, o elefante medroso; Formipapa, o papa-formigas quase cego e quase surdo; Bajula, o leão sem juba; Arriscado, o tigre sem riscas; Mitsa, o gato órfão de dona; e muitas outras figuras que habitam uma narrativa de fantasia, humor e fundo moral. Ao longo dos capítulos, a obra aborda temas como a aceitação da diferença, a superação de fobias, a amizade, a solidariedade, o respeito, a coragem e a convivência social. 

O livro conta com texto de Hugo Henriques e ilustrações de Hajnalka Henriques, filha do autor. Hajnalka nasceu em Budapeste, em 2012, e muitos dos desenhos presentes na obra foram realizados por si entre os 8 e os 10 anos. 

Com primeira edição em 2026ISBN 978-989-9209-39-8, classificação Infantil e P.V.P. em Portugal de 20,00 €Uma História Interminável está disponível para encomenda por livrarias a partir de junho de 2026

As encomendas podem ser feitas através do email: encomendas@autores.club

Resumo das estórias de “Uma História Interminável”

Uma História Interminável é um conto infantil composto por várias pequenas histórias encadeadas. Cada capítulo apresenta uma nova personagem, quase sempre um animal com uma diferença, limitação, medo ou problema de identidade. Essas personagens juntam-se progressivamente a um grupo que aprende a sobreviver através da cooperação, da amizade e da aceitação mútua.

A narrativa começa com Faragira, uma girafa de pescoço curto, excluída por ser diferente e incapaz de alcançar as folhas mais altas. Encontra Fantela, um elefante grande mas dominado pelo medo de formigas e ratos. Depois de um primeiro contacto pouco simpático, os dois descobrem que podem ajudar-se: Fantela alcança as folhas para Faragira e Faragira protege Fantela dos pequenos seres que o aterrorizam. 

Ao grupo junta-se Formipapa, um papa-formigas quase cego e quase surdo, que transforma aquilo que parecia estranho ou desagradável numa utilidade para todos. Depois surge Bajula, um leão sem juba que, apesar da sua diferença, assume o papel de líder. Mais tarde aparece Arriscado, um tigre que perde as riscas e entra em crise por deixar de se reconhecer como tigre. O grupo acolhe-o, mostrando que a identidade não depende apenas da aparência.

A história continua com a chegada de muitas outras personagens: Mitsa, o gato assustado; Cacamau, o macaco tagarela e malcheiroso; Rapaca, o porco-da-Índia que nem é porco nem é da Índia; Superfast, o caracol de carapaça partida; RhinoChi-rá, um rinoceronte e uma chita em conflito; Vaky, a toupeira cega; Crocs, o crocodilo sem dentes; Smartins, o sapo irritante; Picanço, o ouriço-cacheiro pisado por todos; Babu, o burro das histórias infantis; Canja, o galo que foge ao destino de virar sopa; e vários outros animais que entram nesta comunidade improvável. 

No conjunto, as estórias abordam temas como o medo, a exclusão, a deficiência, a diferença física, a falta de amor-próprio, os preconceitos, os conflitos de convivência, a liderança, a solidariedade e a entreajuda. A própria capa sintetiza bem esta estrutura: cada capítulo encerra uma pequena história que se integra numa outra maior, “universal”, com intenções morais e personagens que representam fragilidades humanas através de animais. 

Em termos simples, pode dizer-se que o livro conta a formação de uma comunidade de seres imperfeitos, todos diferentes, todos com alguma vulnerabilidade, mas que descobrem que essas fragilidades podem tornar-se forças quando são reconhecidas, respeitadas e colocadas ao serviço dos outros.

Público-alvo

Crianças em idade escolar
Leitores do ensino básico, sobretudo entre os 7 e os 12 anos, pela dimensão de conto infantil, pelas personagens animais, pelo humor e pelos temas de amizade, diferença, medo, coragem e entreajuda.

Pais, educadores e professores
Adultos que procuram livros infantis com conteúdo moral e pedagógico, capazes de abrir conversa sobre aceitação da diferença, solidariedade, autoestima, respeito, tolerância e convivência.

Escolas, bibliotecas e mediadores de leitura
A obra tem potencial para atividades de leitura orientada, clubes de leitura, bibliotecas escolares e projetos ligados à língua portuguesa, à cidadania e à inclusão.

Livrarias com secção infantil e juvenil
Especialmente livrarias interessadas em obras diferenciadoras, com valor literário, pedagógico e editorial.

Leitores e instituições ligados à língua portuguesa
Por ser um livro com dupla ortografia, pode interessar também a professores de Português, investigadores, escolas portuguesas no estrangeiro, bibliotecas lusófonas e leitores curiosos sobre a evolução da grafia da língua.

Uma História Interminável
Uma História Interminável

Universidade Lusófona recebe aula aberta de Domingos Cúnua Alberto

Universidade Lusófona recebe aula aberta de Domingos Cúnua Alberto

A Faculdade de Ciências Sociais, Educação e Administração (FCSEA) da Universidade Lusófona promove, no próximo dia 25 de março de 2026, uma aula aberta dedicada ao tema “O ‘Reconhecimento’ do Governo Angolano pelo Estado Português (1976)”, conduzida pelo investigador e autor Domingos Cúnua Alberto.

A iniciativa integra-se no âmbito da unidade curricular de Socioeconomia Política do Espaço Lusófono e terá lugar na Sala D.2.3 da Universidade Lusófona, constituindo um momento de reflexão académica sobre um dos episódios mais marcantes da história política contemporânea entre Angola e Portugal.

Durante a sessão, Domingos Cúnua Alberto abordará as dinâmicas políticas e diplomáticas que conduziram ao reconhecimento do governo angolano por parte do Estado português em 1976, analisando também as diferentes perspetivas político-partidárias em Portugal, nomeadamente as posições do PS, do PPD/PSD e do PCP naquele contexto histórico.

A aula baseia-se no trabalho de investigação desenvolvido pelo autor no seu livro O Reconhecimento do Governo Angolano pelo Estado Português (1976): As visões político-partidárias do PS, do PPD/PSD e do PCP, resultado de um aprofundado estudo histórico e político sobre as relações luso-angolanas no período pós-independência.

Aberta à comunidade académica e ao público interessado em história política e relações internacionais no espaço lusófono, a sessão pretende estimular o debate crítico sobre os processos de reconhecimento diplomático e os seus impactos na construção das relações entre os dois países.

A iniciativa integra o conjunto de atividades académicas que procuram reforçar o estudo das transformações políticas no mundo de língua portuguesa, promovendo o diálogo entre investigação histórica, ciência política e memória contemporânea.

O Reconhecimento do Governo Angolano pelo Estado Português (1976): As visões político-partidárias do PS, do PPD/PSD e do PCP, de Domingos Cúnua Alberto
O livro O Reconhecimento do Governo Angolano pelo Estado Português (1976): As visões político-partidárias do PS, do PPD/PSD e do PCP, de Domingos Cúnua Alberto, constitui um contributo relevante para a compreensão de um momento decisivo da história política contemporânea entre Angola e Portugal. Publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club, a obra assume-se como um importante instrumento para investigadores, estudantes e leitores interessados na história política do espaço lusófono, contribuindo para aprofundar o debate sobre os processos de reconhecimento internacional e sobre a memória política da descolonização.
Com uma abordagem analítica e fundamentada, este livro convida o leitor a revisitar um episódio determinante da história recente, revelando como decisões diplomáticas podem refletir, simultaneamente, disputas internas, posicionamentos ideológicos e estratégias internacionais.

Faleceu Godelieve “Lieve” Meersschaert (1945-2026), activista migrante e fundadora do Moinho da Juventude

Faleceu Godelieve “Lieve” Meersschaert (1945-2026), activista migrante e fundadora do Moinho da Juventude

Morreu no dia 18 de fevereiro de 2026, em Geel (Bélgica), aos 80 anos, Godelieve Meersschaert, conhecida por todos como Lieve, activista belga radicada em Portugal há mais de quatro décadas e uma das figuras centrais da organização comunitária na Cova da Moura, na Amadora.

Formada em Psicologia na Universidade de Louvain, Lieve chegou a Portugal em 1978, inspirada pelas correntes da educação popular e pelas ideias de Paulo Freire. A partir de 1982 fixou-se na Cova da Moura, onde viria a ser uma das fundadoras da Associação Cultural Moinho da Juventude, criada em 1987, estrutura que se tornou referência no trabalho comunitário, na promoção da educação, da cultura e na defesa dos direitos das populações migrantes.

O seu percurso foi retratado pelo jornal britânico The Prisma, na reportagem “A migrant activist for 42 years in a migrant bairro” (29 de setembro de 2025), que sublinha a sua trajectória enquanto mulher migrante que fez da Cova da Moura o centro de uma vida dedicada à cidadania activa, à solidariedade e à construção de pontes entre comunidades.

Ao longo dos anos, Lieve conciliou o trabalho comunitário com funções técnicas na administração pública portuguesa, mantendo sempre uma ligação profunda às causas sociais, em particular à defesa das mulheres trabalhadoras migrantes e das empregadas domésticas.

Colaboração editorial e obra publicada

A editora Perfil Criativo | AUTORES.club colaborou na publicação dos projectos editoriais de Lieve Meersschaert em Portugal e na Bélgica, contribuindo para preservar e divulgar o seu pensamento e a sua experiência de intervenção social. Entre essas obras destaca-se a mais recente publicação: “Empregadas Domésticas e Mulheres-a-dias em Portugal – Anotações de Lieve Meersschaert”, um trabalho que reúne reflexões, registos e análises sobre décadas de contacto directo com mulheres trabalhadoras, muitas delas migrantes, frequentemente invisibilizadas nas estatísticas e no debate público. A obra constitui um importante testemunho histórico e social sobre precariedade laboral, organização colectiva e dignidade no trabalho.

Reconhecimento e legado

O trabalho de Lieve foi reconhecido publicamente ao longo da sua vida, incluindo distinções oficiais em Portugal pelo seu contributo cívico e social. Contudo, o seu legado maior permanece no quotidiano da Cova da Moura e nas gerações de jovens, mulheres e famílias que encontraram no Moinho da Juventude um espaço de formação, apoio e afirmação.

Com a sua morte desaparece uma das vozes mais persistentes da solidariedade migrante em Portugal. Fica, porém, uma obra feita de comunidade, educação e luta por direitos, e também um registo escrito que assegura a continuidade da sua memória e do seu pensamento.

Nota da Redacção

Pedimos desculpa por apenas agora conseguirmos publicar esta notícia. A memória e o legado de Lieve Meersschaert mereciam um registo atempado e cuidado, que hoje deixamos como singela homenagem à sua vida e ao seu compromisso com a dignidade humana.

José Bento Duarte: “Pedro João Baptista e Anastácio Francisco pertencem à galeria dos melhores”

José Bento Duarte: “Pedro João Baptista e Anastácio Francisco pertencem à galeria dos melhores”

Apresentação do autor no lançamento de “A Primeira Travessia da África Austral”

Padrão dos Descobrimentos, Lisboa — 29 de outubro de 2025

O autor José Bento Duarte fez uma intervenção extensa, luminosa e apaixonada no lançamento de A Primeira Travessia da África Austral, situando a obra como o fecho de uma trilogia de evocações históricas sobre o expansionismo português e as relações com os povos africanos. Entre recordações pessoais, método de investigação e leitura crítica das fontes, apresentou a travessia documentada de Pedro João Baptista e Anastácio Francisco (1802–1811) como um feito de “primeira grandeza”, e como um teste moral à memória pública de Portugal, Angola e Moçambique.

“Coloquei Pedro João Baptista e Anastácio Francisco no termo do livro porque pertencem à galeria dos melhores que encontrei em quatro séculos de História.”

A trilogia e a motivação do autor

Bento Duarte enquadrou o novo título na trilogia composta por Senhores do Sol e do VentoPeregrinos da Eternidade e A Primeira Travessia da África Austral. Natural de Moçâmedes (Namibe), com raízes familiares de várias gerações em Angola, explicou que a obra nasce do “desejo de investigar de perto o longo convívio histórico entre portugueses e africanos”, com especial foco nos antepassados dos angolanos e moçambicanos.

  • Senhores do Sol e do Vento (1482–1917) abre com Diogo Cão e fecha com Mandume ya Ndemufayo, articulando figuras portuguesas e africanas num arco que desmonta simplificações coloniais.
  • Peregrinos da Eternidade revisita a ascensão de D. João I e da burguesia mercantil, preparando a expansão para lá das fronteiras (1415).
  • A Primeira Travessia da África Austral (1415–1815) caminha deliberadamente para o capítulo final, a proeza de Pedro João e Anastácio, “os meus conterrâneos”, que ligam Cassange–Lunda–Cazembe–Tete.

“Não escrevi um livro de figuras portuguesas em África; escrevi sobre portugueses e africanos que coexistiram: Bacongo, Ambundo, Ovimbundu, Herero, Nyaneka, Kwanyama, Ganguela, Kioko, Ambo, Chindonga…”

Como o livro está construído

O autor descreveu três blocos narrativos:

  1. Mitos antigos sobre a África Central e Austral (2 capítulos) — cinocéfalos, homens sem cabeça, antropofagia: imaginários que deformaram mentalidades e criaram preconceitos com efeitos históricos.
  2. Da orla atlântica à índica: fixações e rotas (cap. 3–18) — feitorias, portos, penetrações fluviais (Cuanza e Zambeze), Ilha de Moçambique como base para a Índia, e a centralidade do ouro de Sofala (Monomotapa) para sustentar o comércio de especiarias.
  3. Tentativas de travessia e a primeira travessia documentada:
    • Correia Leitão (1755–56): travado pelos Jagas do Cassange; ensinou a lógica das três etapas(Cassange → Lunda; Lunda → Cazembe; Cazembe → Tete).
    • Francisco José de Lacerda e Almeida (1798): parte de Tete, chega moribundo ao Cazembe e morre; “um homem trágico, de extraordinário espírito de missão”.
    • Pedro João Baptista e Anastácio Francisco (1802–1811): realizam a primeira travessia documentada. Partem de Cassange (nov/1802), chegam a Tete (2/fev/1811) e regressam a Angola (1814). Pedro João, alfabetizado, mantém diários e entrega carta oficial ao governador dos Rios de Sena, a prova administrativa do feito.

“Não foi acaso: foi projeto da Coroa. Está documentado. E Pedro João cumpriu ordens, levou a carta e entregou-a em Tete.”

Esclarecimentos históricos cruciais

Anastácio Francisco, não “Amaro José”: Bento Duarte desmonta o equívoco e identifica a fonte mal lida que gerou décadas de erro.

Os diários: parte perdeu-se, sobretudo no início (Cassange → Lunda) e no regresso (Moçambique → Angola), mas interrogatórios oficiais e reescritas posteriores preenchem lacunas.

Logística e anónimos: a travessia implicou mercadorias, guias, portagens e muitos carregadores (em regra, escravizados). O autor homenageia “os anónimos da História” sem os quais as grandes proezas não acontecem.

“Sem os anónimos não teríamos História. Estes 33 do monumento (Padrão dos Descobrimentos) não existiriam sem milhares de braços invisíveis.”

Reconhecimento em vida… e a injustiça no mapa de Lisboa

O feito foi reconhecido dentro e fora de Portugal. Em 1815, no Rio de Janeiro, o Príncipe Regente D. João quis conhecer Pedro João Baptista e determinou:

  • criação de companhia pedestre para rotas comerciais Angola–Moçambique,
  • nomeação de Pedro João como comandante,
  • promoção a capitão e vencimento (10$000 réis/mês).

“D. João VI não quis o governador, quis Pedro João. É extraordinário.”

Mas o autor confronta a memória toponímica: o edital de 23 de março de 1954 da Câmara Municipal de Lisboa criou ruas para várias figuras do “Ultramar” (como Lacerda e Almeida), mas não para Pedro João e Anastácio.

“É uma grande injustiça por reparar. Conhecemos o feito, sabemos da sua importância; falta poder para decidir.”

Encomende os livros por email (indicar nome e morada de entrega): encomendas@autores.club

Seis ideias-chave que o autor deixa a Portugal

Antiguidade do objetivo: a travessia era um projeto antigo (já no horizonte do Infante D. Henrique, entre mitos do Preste João e a luta geopolítica com o Islão).

Proeza documentada: a primeira ligação transcontinental provada é a de Pedro João Baptista e Anastácio Francisco.

Quem eram: presumivelmente pombeiros, mas aqui em missão oficial; ambos escravizados do Tenente-Coronel Honorato da CostaPedro João lidera e escreve.

Nome correto: o companheiro é Anastácio Francisco, o erro “Amaro José” nasce de má leitura de fonte.

Diários e método: diários parciais, fontes cruzadas (interrogatórios, despachos, cartas, edição de 1843 nos Anais Marítimos e Coloniais).

Memória e reparação: reconhecimento histórico existiu (1815), mas a reparação simbólica na toponímia falta há 71 anos, 7 meses e 6 dias (contados até 29/10/2025).

Um apelo final à justiça histórica

Bento Duarte concluiu com um pedido simples e contundente: inscrever Pedro João Baptista e Anastácio Francisco na toponímia de Lisboa, e, por extensão, em Luanda, Moçâmedes, Tete, como gesto de reparação, reconhecimento e fraternidade.

“Se tivéssemos poder, já estava resolvido. Fica a esperança: que alguém com poder decida finalmente reparar esta injustiça.”

Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte
Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte

Carlos Mariano Manuel: “Se encontrássemos a coroa do Rei do Congo, seria um ato redentor”

Carlos Mariano Manuel: “Se encontrássemos a coroa do Rei do Congo, seria um ato redentor”

Historiador angolano exorta Portugal e Angola à reparação simbólica durante o lançamento do livro “A Primeira Travessia da África Austral”

Padrão dos Descobrimentos, Lisboa — 29 de outubro de 2025
(Registo em vídeo: Victor Hugo Mendes)

No lançamento do livro A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte, o Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, historiador e prefaciador da obra, proferiu uma intervenção que uniu erudição, emoção e apelo moral. Diante de um público composto por representantes de Angola e de Portugal, defendeu o reconhecimento dos feitos dos exploradores angolanos Pedro João Baptista e Anastácio Francisco e lançou um desafio à consciência histórica dos dois países.

“Revisitar a História é sempre pertinente, contanto que sirva para elucidar a sociedade sobre o seu património imaterial mais valioso: a sua própria identidade.”

Reparar o esquecimento e valorizar a História partilhada

O professor catedrático angolano, autor do tratado de História “Angola desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação” (Ed. 2021), recordou que a travessia de Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, realizada entre 1802 e 1811, antecedeu as expedições europeias do século XIX, e que a sua omissão dos registos oficiais é “um erro histórico e moral que deve ser corrigido”.
Assinalou também que o livro de José Bento Duarte vem “restaurar a verdade” e mostrar que a História da África Austral foi escrita também por africanos sob bandeira portuguesa.

“Estes dois angolanos negros, escravos por condição, foram pioneiros de uma travessia que, em dignidade e coragem, não fica atrás de nenhuma das grandes expedições europeias.”

Um olhar crítico sobre o passado colonial

Na sua intervenção, Carlos Mariano Manuel revisitou a história das relações entre África e Europa desde o século XV, analisando as fases de cooperação inicial, domínio e colonização.
Citou o discurso do primeiro presidente de Angola, proferido em 1975, para recordar que o povo português também se libertou do fardo colonial com o 25 de Abril de 1974, recuperando a sua dignidade.

“Portugal contribuiu para a libertação de Angola e, ao fazê-lo, libertou-se também de um peso histórico. O 25 de Abril foi um ato de justiça para ambos os povos.”

A primeira Travessia da África Austral
A primeira Travessia da África Austral

O simbolismo do Padrão e o apelo à redenção

No local emblemático do Padrão dos Descobrimentos, o historiador sugeriu uma reflexão sobre o nome do monumento:

“Talvez um dia o possamos chamar Padrão das Expedições Marítimas Portuguesas, pela sua natureza histórica e pela dignidade que representa.”

Recordando que o lançamento ocorreu no aniversário da Batalha de Ambuíla (29 de outubro de 1665), destacou o papel trágico do Rei do Congo, Dom António I (Muana Malaza), decapitado na batalha, e revelou que a coroa de prata oferecida pelo Papa Inocêncio VIII foi trazida para Portugal em 1666.

“Se conseguíssemos recuperar essa coroa, seria um acontecimento redentor. Um gesto simbólico de fraternidade e reconciliação entre Angola e Portugal.”

Um discurso de fraternidade e de futuro

Professor Doutor Carlos Mariano Manuel encerrou a sua intervenção elogiando o autor, José Bento Duarte, e o editor, João Ricardo Rodrigues, pela coragem intelectual e pela relevância histórica da obra:

Este livro é um ato de cultura e de consciência. Um convite a restaurar a verdade e a celebrar a fraternidade entre os nossos povos.”

A sua presença, vinda expressamente de Angola, e o discurso vigoroso gravado por Victor Hugo Mendes, transformaram o lançamento de A Primeira Travessia da África Austral num marco de diálogo histórico entre Angola e Portugal, onde a História e a memória se encontraram num mesmo ideal: o da verdade e da justiça.

Os livro podem ser encomendado pelo email: encomendas@autores.club

A Primeira Travessia da África Austral
A Primeira Travessia da África Austral

José Ribeiro e Castro: “É extraordinário que não conhecêssemos a proeza de dois portugueses africanos, negros, escravos por sinal”

José Ribeiro e Castro: “É extraordinário que não conhecêssemos a proeza de dois portugueses africanos, negros, escravos por sinal”

Mensagem gravada para o lançamento do livro “A Primeira Travessia da África Austral”, de José Bento Duarte

Padrão dos Descobrimentos, Lisboa — 29 de outubro de 2025

Na mensagem em vídeo apresentada durante o lançamento do livro A Primeira Travessia da África Austral, o Dr. José Ribeiro e Castro, presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, saudou o autor José Bento Duarte e classificou a obra como “verdadeiramente extraordinária”, sublinhando o seu valor histórico e literário.

José Ribeiro e Castro destacou que o livro não é apenas sobre uma travessia geográfica, mas “uma nova travessia da história portuguesa por terras de África e do Índico”, iluminando relações e feitos anteriores ao colonialismo instituído após a Conferência de Berlim de 1885. Sublinhou a importância de resgatar o período anterior, entre os séculos XV e XIX, marcado por relações de comércio, diplomacia e trato igual entre europeus e africanos.

“O acontecimento deste livro, uma travessia feita por dois angolanos negros, por sinal na condição de escravos, é uma proeza extraordinária que merece ser conhecida e exaltada.”

Referindo-se a Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, José Ribeiro e Castro enfatizou a dimensão pioneira da expedição realizada entre 1802 e 1811, uma travessia de mais de oito anos entre o Planalto de Malanje e Tete, em Moçambique, regressando depois a Angola. Os dois exploradores, então ao serviço de Honorato da Costa, “cumpriram fielmente as instruções recebidas, revelando sabedoria diplomática e política nas relações com os soberanos africanos”.

“É absolutamente extraordinário que nós não conhecêssemos, até este livro vir a público, a proeza de dois portugueses africanos, negros, escravos por sinal.”

O presidente da Sociedade Histórica considerou que a narrativa “enriquece a compreensão da História portuguesa em África”, revelando um modelo de convivência e intercâmbio humano muitas vezes esquecido.

José Ribeiro e Castro encerrou a sua mensagem com um convite à leitura e divulgação.

Pode encomendar o livro indicando o seu nome e morada de entrega: encomendas@autores.club

Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte
Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte

Padrão dos Descobrimentos: Angola e Portugal um encontro olhos nos olhos

Padrão dos Descobrimentos: Angola e Portugal um encontro olhos nos olhos

29/10/2025 — O monumental Padrão dos Descobrimentos, em Belém, foi o cenário escolhido para o lançamento oficial do livro A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte, numa cerimónia que se transformou num marco de reencontro entre a História de Angola e a História de Portugal.

O evento reuniu personalidades de relevo das duas nações: representantes da Embaixada da República de Angola em Portugal, da Liga Africana, do Estado-Maior-General das Forças Armadas Portuguesas, da Academia da Força Aérea, além de membros de instituições civis e militares de ambos os países.

Na mesa de honra destacaram-se o Engenheiro Miguel Anacoreta Correia, o Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, que se deslocou de Angola especialmente para o evento, o editor João Ricardo Rodrigues, e o próprio autor José Bento Duarte. O Dr. José Ribeiro e Castro, Presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, enviou uma mensagem em vídeo, impossibilitado de comparecer por compromissos de agenda (ver vídeo da transmissão em directo).

Eng. Miguel Anacoreta Correia, Dr. José Ribeiro e Castro, Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel e o autor José Bento Duarte

Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte
A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte

Um encontro de angolanos em Lisboa que ecoou desafios à História

O lançamento revelou-se mais do que uma celebração literária: foi um encontro de angolanos em Lisboa que lançou desafios históricos e culturais às instituições portuguesas.

O autor, José Bento Duarte, de uma família muito antiga do sul de Angola, defendeu com veemência a necessidade de corrigir erros históricos e administrativos que, segundo ele, “por discriminação ou descuido”, apagaram da História de Portugal dois heróis luso-angolanos: Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, os verdadeiros primeiros exploradores a realizarem a travessia documentada da África Austral.

“Seria um acto de justiça democrática, 50 anos após a independência de Angola, reconhecer e repor a verdade sobre estes dois heróis. A História deve ser corrigida, e é aos olhos da Democracia que o pedimos”, afirmou o autor, num discurso direto à Câmara Municipal de Lisboa e às instituições portuguesas.

História, reparação e justiça

Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, prefaciador da obra e considerado o mais importante historiador da República de Angola, sublinhou que Portugal tem hoje uma oportunidade única de fazer justiça histórica.

“Reconhecer o papel de Pedro João Baptista e Anastácio Francisco é um gesto de reparação. É afirmar que a História da África Austral também foi escrita por africanos, e que estes devem ocupar o lugar que lhes pertence na memória comum”, afirmou.

Carlos Mariano Manuel foi ainda mais longe, propondo uma reflexão sobre o próprio nome do Padrão dos Descobrimentos, sugerindo que venha a chamar-se “Padrão das Expedições Marítimas Portuguesas”, uma designação mais inclusiva e historicamente ajustada.

E lançou um desafio simbólico e poderoso:

“Peço aos portugueses que investiguem onde está a coroa do Rei do Congo, Dom António I, Muana Malaza, herói e mártir da Batalha de Ambuíla. Encontrá-la seria um acto redentor.”

A voz da História partilhada

O Engenheiro Miguel Anacoreta Correia, que nasceu em Moçambique e cresceu no sul de Angola, recordou a figura de David Livingstone, destacando as contradições do explorador britânico, que, embora admirasse os portugueses, pretendia reservar toda a glória para os britânicos e os europeus brancos, excluindo os africanos.

“Livingstone elogiava os portugueses, mas omitia os africanos. Essa exclusão precisa de ser corrigida na narrativa histórica. Os africanos também foram protagonistas das grandes travessias e explorações”.

O apelo do editor: uma História em construção

Durante o encontro, o editor João Ricardo Rodrigues, da Perfil Criativo | AUTORES.club, apelou às instituições históricas portuguesas, como a Sociedade de Geografia de Lisboa, a Academia Portuguesa da História e a própria Câmara Municipal de Lisboa, para que assumam uma posição pública sobre os factos revelados na obra.

“Estas instituições confirmaram presença, mas não compareceram. É tempo de abrirmos os olhos para a História que partilhamos. Este livro é um convite à verdade”.

O editor recordou ainda que o evento coincidiu com o 360.º aniversário da Batalha de Ambuíla (1665), acontecimento determinante na História de Angola e do Reino do Congo. Citando o Prof. Carlos Mariano Manuel, lembrou que “se quem escolheu o 11 de novembro como data da independência de Angola conhecesse profundamente a nossa história, teria escolhido o 29 de outubro”.

Um final inesperado e simbólico

No encerramento do evento, um momento inesperado emocionou os presentes: o jovem músico angolano Gari Sinedima, que se encontra em Lisboa, realizou uma performance espontânea em homenagem à origens comuns com o autor, num registo cultural do Sul de Angola.
Foi um gesto de gratidão, mas também uma afirmação simbólica da ligação viva entre as gerações angolanas e o seu património.

Gari Sinedima

Um novo capítulo para a História Luso-Angolana

O lançamento de A Primeira Travessia da África Austral foi mais do que uma apresentação literária, foi um ato de afirmação cultural e de revisão histórica, com ecos que ultrapassam a literatura e tocam a diplomacia.

O evento, transmitido em direto por Victor Hugo Mendes e disponível em vídeo, marca o início de uma série de artigos que o portal AUTORES.club publicará nos próximos dias, aprofundando as intervenções de cada participante e os desafios lançados ao conhecimento histórico entre Angola e Portugal.

A primeira Travessia da África Austral
A Primeira Travessia da África Austral

Peregrinos da Eternidade: O primeiro capítulo da grande trilogia histórica de José Bento Duarte

Peregrinos da Eternidade: O primeiro capítulo da grande trilogia histórica de José Bento Duarte

A reedição revista do clássico antecede o lançamento de “A Primeira Travessia da África Austral”, a 29 de outubro de 2025

Lisboa —Perfil Criativo | AUTORES.club apresenta a reedição revista e atualizada (2023) de Peregrinos da Eternidade — Crónicas Ibéricas Medievais (Como nasceu a dinastia que lançou Portugal no Mundo), de José Bento Duarte, obra fundamental que abre a trilogia histórica do autor sobre as origens e as projeções da identidade luso-africana.
O relançamento desta obra antecede a chegada, no próximo 29 de outubro, do seu novo livro, A Primeira Travessia da África Austral, completando um arco narrativo que liga Portugal medieval ao surgimento histórico de Angola.

A trilogia da alma luso-africana

Segundo o autor, os três títulos formam uma linha contínua da História e devem ser lidos nesta ordem:

  1. Peregrinos da Eternidade — As raízes da nação portuguesa e o nascimento da dinastia de Avis;
  2. A Primeira Travessia da África Austral — A epopeia das primeiras ligações humanas e culturais entre o litoral e o interior do continente africano;
  3. Senhores do Sol e do Vento — A História de Angola, contada através de encontros, conquistas e memórias partilhadas.

“Trata-se de uma viagem que começa nas margens do Mondego, passa pelos reinos da Ibéria medieval e atravessa o oceano até ao coração de África”, explica José Bento Duarte.

Um clássico redescoberto

Publicado originalmente em 2003, Peregrinos da Eternidade regressa agora em edição revista pelo autor, enriquecida por novas notas e referências. O livro parte do episódio trágico da morte de Inês de Castro e percorre as cinco décadas que antecedem a batalha de Aljubarrota, num retrato vibrante da Península Ibérica do século XIV.
Através de 55 crónicas rigorosas e cativantes, o autor reconstitui o nascimento da 2.ª dinastia portuguesa e a emergência de um sentimento de nação, mostrando como o impulso peninsular viria a projetar-se nas descobertas e na expansão atlântica.

Um olhar humanista sobre o poder e a história

Mais do que um ensaio histórico, Peregrinos da Eternidade é uma viagem literária pelas paixões e contradições dos homens e mulheres que moldaram Portugal.
Nas palavras da historiadora Carla Varela Fernandes, a obra “não é um romance histórico, mas lê-se como um, ou melhor, como um romance muito bem escrito”, sublinhando “a reflexão crítica e o humanismo que iluminam cada página”.

Senhores do Sol e do Vento
Senhores do Sol e do Vento

Sobre o autor

José Bento Duarte nasceu em Moçâmedes, no sul de Angola. Licenciado em Economia pela Universidade do Porto, foi docente na Universidade de Luanda antes e depois da independência do país. É autor de várias obras que exploram os laços históricos entre Portugal e Angola, como Senhores do Sol e do Vento — Histórias Verídicas de Portugueses, Angolanos e Outros Africanos e A Primeira Travessia da África Austral (Ed. 2025).
A sua escrita alia rigor historiográfico, profundidade analítica e narrativa literária, ligando as dimensões peninsular e africana da história comum dos povos lusófonos.

Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte
Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte
A Primeira Travessia da África Austral
A Primeira Travessia da África Austral


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