Rui Verde apela a novo paradigma entre governos e povos

Rui Verde apela a novo paradigma entre governos e povos

Lisboa – 9 de Janeiro de 2026 — Na sua intervenção na Biblioteca Palácio Galveias, que encheu o auditório com mais de uma centena de leitores e autores, o Prof. Doutor Rui Verde sublinhou que o livro 50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos representa, acima de tudo, uma expressão da sociedade civil africana, reunindo contributos maioritariamente independentes do poder político instalado.

Durante o lançamento, Rui Verde destacou que o grande impulso da obra pertence a Eugénio da Costa Almeida, assumindo o seu próprio papel como complementar no processo de coordenação. Mais do que um balanço histórico, o académico afirmou que o livro procura lançar um desafio político e cívico para o futuro das independências africanas.

O coordenador chamou ainda a atenção para a ausência significativa de representantes do poder governamental em países centrais como Angola e Moçambique, reforçando a leitura da obra como um espaço de reflexão livre. Nesse sentido, defendeu que os próximos 50 anos devem marcar o início de um novo paradigma, no qual governos e povos caminhem lado a lado, comprometidos com o bem comum, superando lógicas de distanciamento e isolamento mútuo.

A intervenção terminou com uma mensagem de esperança, expressando o desejo de que as próximas décadas sejam pautadas por maior convergência, participação cívica e cooperação entre o poder político e as sociedades africanas.

O evento foi organizado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, afirmando-se como mais um relevante encontro de reflexão e diálogo sobre África no espaço cultural de Lisboa.

50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos
50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos

O livro uma edição conjunta da Elivulu e da Perfil Criativo reúne mais de 40 personalidades dos cinco PALOP, incluindo antigos chefes de Estado, políticos, diplomatas, académicos, escritores, artistas e representantes da sociedade civil. Cada autor partilha uma visão pessoal e crítica sobre os caminhos percorridos desde as independências até hoje, trazendo vozes diversas e perspectivas complementares.

Autores: Eugénio da Costa Almeida e Rui Verde (coordenadores), Alcides Sakala, Ana “Margoso”, Anastácio Sicato, Arlete Chimbinda, Belarmino Van-Dúnem, Carlos Veiga, Celso Malavoloneke, Denilaide Cunha, Domingos Kimpolo Nzau, Domingos Simões Pereira, Eusébio Sanjane, Gilvanete Chantre, Humberto Macaringue, Isaac Paxe, Jacques dos Santos, Jerónimo Belo, João Carlos do Rosário, João Carlos, João Craveirinha Jr, João Sicato Kandjo, Joaquim Rafael Branco, Jorge Castelo David, José Luís Mendonça, José Maria Neves, José Miguel Ferro, José Ulisses Correia e Silva, Manuel Fragata de Morais, Maria da Imaculada Melo, Maria João Teles Grilo, Maria Olinda Beja, Mihaela Webba, Onofre dos Santos, Orlando de Castro, Sandra Poulson, Sedrick de Carvalho, Sónia Santos Silva, Tomás Lima Coelho, Victor Hugo Mendes, William Tonet, Zeferino Boal

Lisboa acolhe debate inédito sobre as Independências Africanas e os desafios da estabilidade em África

Lisboa acolhe debate inédito sobre as Independências Africanas e os desafios da estabilidade em África

Na próxima sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, a partir das 18h00, a Biblioteca Palácio Galveias será palco de um acontecimento cultural e académico sem precedentes em Lisboa: a apresentação dos livros 50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos e Angola e os desafios da estabilidade em África, num encontro que reunirá vozes de vários países africanos de língua oficial portuguesa.

A sessão será transmitida em direto através da plataforma Zoom, permitindo a participação de numerosos autores que se encontram fora de Lisboa, residentes em Angola, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Este formato híbrido reforça o caráter inovador do evento e alarga o debate a uma verdadeira dimensão transnacional.

50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos
50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos

50 anos de Independências Africanas vistos por quem as viveu

A obra coletiva 50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos, coordenada por Eugénio da Costa Almeida e Rui Verde, reúne um vasto e plural conjunto de autores, académicos, escritores, jornalistas e responsáveis políticos, que refletem, a partir da experiência direta, sobre meio século de independência nos países africanos.

Com contributos de Alcides Sakala, Ana “Margoso”, Anastácio Sicato, Arlete Chimbinda, Belarmino Van-Dúnem, Carlos Veiga, Celso Malavoloneke, Denilaide Cunha, Domingos Kimpolo Nzau, Domingos Simões Pereira, Eusébio Sanjane, Gilvanete Chantre, Humberto Macaringue, Isaac Paxe, Jacques dos Santos, Jerónimo Belo, João Carlos do Rosário, João Carlos, João Craveirinha Jr, João Sicato Kandjo, Joaquim Rafael Branco, Jorge Castelo David, José Luís Mendonça, José Maria Neves, José Miguel Ferro, José Ulisses Correia e Silva, Manuel Fragata de Morais, Maria da Imaculada Melo, Maria João Teles Grilo, Maria Olinda Beja, Mihaela Webba, Onofre dos Santos, Orlando de Castro, Sandra Poulson, Sedrick de Carvalho, Sónia Santos Silva, Tomás Lima Coelho, Victor Hugo Mendes, William Tonet e Zeferino Boal, o livro traça um retrato crítico e multifacetado dos sucessos, frustrações, continuidades e ruturas que marcaram as últimas cinco décadas.

Trata-se de uma obra de memória, análise e projeção futura, onde se cruzam perspetivas históricas, políticas, sociais e culturais, sempre a partir do olhar dos próprios cidadãos africanos.

Angola e os desafios da estabilidade em África

O segundo livro em destaque, Angola e os desafios da estabilidade em África, de Zeferino Pintinho, centra-se no papel de Angola no contexto regional e continental, analisando os desafios da estabilidade política, da segurança, da diplomacia e do desenvolvimento sustentável em África.

A obra propõe uma leitura estratégica do posicionamento angolano num continente em transformação, sublinhando responsabilidades, oportunidades e riscos num cenário internacional cada vez mais complexo.

Um debate da África Latina sem precedentes em Lisboa

Este encontro assume um caráter inédito ao colocar, num mesmo espaço físico e digital, uma reflexão conjunta sobre os países africanos de língua oficial portuguesa, cruzando experiências nacionais, trajetórias históricas e desafios comuns.

A apresentação na Biblioteca Palácio Galveias afirma-se, assim, como um momento de diálogo aberto entre África e Europa, entre gerações e entre diferentes campos do saber, convidando o público presencial e online a participar numa análise profunda sobre o passado, o presente e o futuro das independências africanas.

Data: sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Hora: 18h00
Local: Biblioteca Palácio Galveias, Lisboa
Transmissão: em direto via Zoom

Um acontecimento imperdível para leitores, investigadores, estudantes e todos os interessados no pensamento africano contemporâneo e no espaço de língua portuguesa.

O prefaciador preso: a atualidade dramática de um livro sobre África

O livro Angola e os desafios da estabilidade em África conta com um prefácio assinado por Domingos Simões Pereira, uma das figuras políticas mais relevantes do momento.

À data da apresentação desta obra em LisboaDomingos Simões Pereira encontra-se detido na Guiné-Bissau, no contexto da instabilidade política vivida naquele país desde o final de 2025. A sua ausência no evento resulta, assim, de uma situação de violência política, amplamente noticiada por órgãos de comunicação social internacionais e acompanhada com preocupação.

Este facto confere um significado político e simbólico acrescido à apresentação do livro, reforçando a atualidade do debate em torno da estabilidade, da governação democrática e da segurança em África, temas centrais da obra agora apresentada.

A sessão na Biblioteca Palácio Galveias será também um momento de reflexão, reafirmando o papel do livro, do pensamento crítico e do diálogo como instrumentos essenciais na construção de sociedades mais justas e estáveis.

 Rui Verde (Lusotopie): O processo dos 15+2

 Rui Verde (Lusotopie): O processo dos 15+2

O artigo do jurista e académico Rui Verde, publicado na Lusotopie, analisa o livro “Prisão Política” de Sedrick de Carvalho, que narra a prisão de 15 ativistas angolanos pelo regime de José Eduardo dos Santos entre 2015 e 2016. Rui Verde destaca a incompetência do regime, evidenciada pelas acusações infundadas e processos judiciais arbitrários. A obra expõe as torturas físicas e psicológicas sofridas pelos presos políticos, e critica o sistema judicial submisso ao poder político.

Para mais detalhes, veja o artigo completo aqui.

Prisão Política
Prisão Política

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