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O poeta Kalunga abriu o ciclo literário “A Desconhecida e Surpreendente Literatura Angolana”

O poeta Kalunga abriu o ciclo literário “A Desconhecida e Surpreendente Literatura Angolana”

A histórica sede d’A Voz do Operário, em Lisboa, acolheu na quarta-feira, 13 de maio de 2026, o primeiro encontro literário “A Desconhecida e Surpreendente Literatura Angolana” da editora Perfil Criativo | AUTORES.club. A sessão foi dedicada à apresentação do livro Matéria Negra, do poeta angolano Kalunga, nome literário de João Fernando André.

O encontro marcou o início de uma programação pensada para aproximar autores, leitores e obras num espaço profundamente ligado à educação, à cultura e à intervenção pública. Na abertura da sessão, o editor da Perfil Criativo | AUTORES.club sublinhou precisamente a importância de instituições como A Voz do Operário, lugares históricos que continuam a cumprir uma missão essencial: criar comunidade, promover o conhecimento e manter viva a palavra como instrumento de cidadania.

Num ambiente de grande atenção e proximidade, a convidada especial, Prof. Doutora Ana Mafalda Leite, fez uma apresentação exaustiva e profundamente informada de dois livros do poeta KalungaEvangelho Bantu e Matéria Negra. A sua intervenção surpreendeu os leitores presentes pela densidade da análise, pela sensibilidade crítica e pela forma como situou a obra de Kalunga.

A sessão terminou com uma intervenção do próprio autor. Kalunga conquistou o público com uma presença marcada pela cultura, pelo domínio da palavra e por um virtuosismo raro, transformando a apresentação num momento de grande humanismo.

Foi um encontro inédito e memorável, que confirmou a força da poesia de Kalunga e inaugurou, da melhor forma, este novo ciclo de encontros.

INTER(IN)VENÇÃO DA MATÉRIA NEGRA

KALUNGA (JOÃO FERNANDO ANDRÉ)

Insigne editor João Ricardo, distinta professora Ana Mafalda, dignos convidados, minhas camaradas e meus camaradas da linha da frente cultural, amados leitores, todo o protocolo observado!

Ora, depois da apresentação da minha dileta professora, amiga e camarada Ana Mafalda Leite, cabe-me usar uma outra filosofia com a qual tenho levado a vida: o pragmatismo. Para dizer o seguinte: nestes aproximados 10.958 dias de exercício de viver, dei conta que nasci num mundo violento e capitalista. Até aos 14 anos, não sabia como viver neste mundo. Então, passei a dedicar-me à leitura e aos estudos. Diziam-me “estuda para ser alguém”. Sempre que me diziam esta frase, perguntava-me: “mas já não sou alguém? Foi-me dado um nome, documentos e data de nascimento. Como é que ainda não sou alguém?

Como o personagem do meu grande mestre Fiódor Dostoiévski, percebi então que a vida é como o sonho de um homem rídiculo e que me devia dedicar a aprender e ser melhor para mim mesmo cada dia ao longo do exercício de viver. Estudei o essencial sobre a vida e descobri com o meu grande mestre Charles Munger que “para quem só tem um martelo todo o problema parece um prego.” Então, dediquei-me a ter uma visão multidisciplinar, estudar as terríveis histórias do mundo. Das ideias do surgimento do homem ao surgimento da propriedade privada. Da produção de bens a produção do mal. Da criação dos capitais à obsolescência programada. Dos erros dos julgamentos humanos aos preconceitos. Dos filósofos-reis à Síndrome de Hubris. 

Descobri que “o mundo jaz no maligno”, como o outro João, o que foi decapitado. Mas surgiu outra pergunta: o que é o maligno? Descobri que o maligno é a ganância, a inveja, a violência nas suas várias dimensões e a identidade que pode ser assassina por não buscar a empatia cognitiva e cristalizar os neurónios espelhos. Mas descobri também que a maior parte das pessoas – alfabetizadas e não-alfabetizadas – não sabe o que são neurónios espelhos. Aí percebi que a vida é uma comédia que acaba sempre em tragédia. Percebi que a vida é um milagre perigoso e que, mais importante do que ter exemplos para seguir, é ter exemplos para não seguir. Como alerta o princípio da inversão de Munger. 

Segundo o departamento de Astrofísica da USP, “a matéria negra é uma forma invisível de matéria que compõe cerca de 85% da massa do universo, não emitindo, absorvendo ou refletindo luz. Detectada apenas por sua influência gravitacional em estrelas e galáxias, ela impede que estruturas cósmicas se dispersem, sendo um dos maiores mistérios da física actual.” Daí resultou o grande problema do Agricultor de Imagem João Ricardo: como representar a Matéria Negra? 

Na semiótica, o branco é a cor neutra e o preto representa a absorção da luz visível. Nos primórdios da humanidade, a cor branca representava a vida e a cor preta remetia para a imaginação, a criatividade, a cognição e o divino. Nas sociedades africanas, o branco representa o ficcional, os seres invisíveis e possíveis que nos rodeiam. Enquanto que a vitalidade é representada pelo vermelho. Vê-se isso em memento mori, quando se colocam pedras vermelhas sobre pedras brancas, representando estas pedras um texto lapidar que conecta os seres presentes com os seres ausentes.

Neste misto de significações, este poemário, Matéria Negra, ao contrário das associações que alguns leitores da maravilhosa capa do Agricultor de Imagens da Perfil Criativo, o camarada João Ricardo, fizeram com o “fumus albus papal” ou com rituais místicos, representa o pouco que conhecemos diante do muito que não sabemos do universo, em geral, e da experiência humana, em particular. Deixo aqui um caso como exemplo: raramente veremos um escritor que entende de economia e raramente veremos um economista que entende de literatura no seu sentido mais ficcional.

Quanto às estéticas, trabalho aqui com a estética da existência, da resistência e da regeneração, com fundamentos da ontologia, das teorias das literaturas, da filosofia da linguagem, da filosofia do direito e da filosofia da economia em busca da soberania emocional, da solitude, do amor fati e da luta contra a empresa do mal que governa o mundo.

No que à forma diz respeito, se nas três séries do Evangelho Bantu deslocava o título do texto do princípio para o fim, transformando-o numa espécie de ata-finda, pois primeiro escreve-se o poema e só depois é que se lhe dá título normalmente, em Matéria Negra amplifico este fundamento. O poema resulta da persistência da observação da realidade aumentada e sentida ao longo do exercício de viver. Daí as reticências iniciais. Ele é finalizado num laboratório de dizer mais e escrever menos. Daí a polifonia paremiológica. Cada texto é burilado até à exaustão do predicador, não até a exaustão do texto que ruma ao infinito. Daí as reticências finais. O título aqui é um jogador ou peregrino, para trazer à colação a teoria dos viajantes de Bauman, ele pode ser o primeiro verso, o verso do meio ou os últimos versos, mas é sempre o conjunto lexical fundador do texto-matéria negra. Daí o negrito a iluminar o corpo poético.

O meu acrisolado agradecimento pela vossa presença e camaradagem ao longo do exercício de viver que vamos enfrentando, como Paulo, “combatendo o bom combate e guardando a fé” nas coisas do espírito e na humanidade, esta espécie tão bondosa e tão perigosa que nomeou um planeta composto por 71 por cento de água por Terra, simplesmente porque os homens vivem na terra, que representa só 29 por cento da superfície deste mesmo planeta. Em verdade em verdade, não seria planeta ÁGUA?

Gratidão a todos e boas leituras, pois o texto poético não termina ao contrário da crónica, do conto, do drama e do bem capitalizado romance. Grato! Grato! Grato! Ngasakidila! Ndapandula! Dizemos lá em Angola!

Matéria Negra
Matéria Negra

“A Voz do Operário, Sem Maka”: Kalunga apresenta “Matéria Negra”

“A Voz do Operário, Sem Maka”: Kalunga apresenta “Matéria Negra”

Na próxima quarta-feira, 13 de Maio, Lisboa recebe um encontro especial com a nova poesia angolana contemporânea. O auditório d’ A Voz do Operário acolhe a apresentação oficial do livro Matéria Negra, do poeta angolano Kalunga, numa sessão integrada no ciclo cultural “A Surpreendente e Desconhecida Literatura Angolana”.

Membro da União dos Escritores Angolanos, João Fernando André (Kalunga) é hoje considerado uma das vozes mais inquietas e representativas da nova geração de autores angolanos, afirmando-se como uma referência na intervenção cultural.

Com humor e cumplicidade, o autor já confirmou que este encontro de quarta-feira n’ A Voz do Operário “será sem maka”, prometendo uma conversa aberta, intensa e próxima do público, em torno da poesia, da palavra e dos desafios do presente.

Em Matéria Negra, Kalunga propõe uma escrita de grande densidade simbólica e filosófica, atravessando temas como identidade, memória, esperança, espiritualidade e condição humana. A obra surge como um convite à reflexão e ao mergulho nas zonas invisíveis da existência contemporânea.

O ciclo “A Surpreendente e Desconhecida Literatura Angolana” quer afirmar-se como um dos mais importantes encontros de divulgação da criação literária angolana, aproximando leitores, autores e investigadores de obras que revelam a vitalidade cultural de Angola no século XXI.

Matéria Negra
Matéria Negra

Convidada Especial

A sessão contará com a presença especial de Ana Mafalda Leite, poeta e investigadora científica portuguesa, reconhecida pelo seu importante trabalho académico na área das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa.

Professora universitária, ensaísta e uma das mais respeitadas especialistas no estudo das literaturas africanas contemporâneas, Ana Mafalda Leite tem desenvolvido um percurso de investigação e divulgação fundamental para a aproximação entre os espaços culturais africanos e portugueses, contribuindo activamente para o reconhecimento internacional de autores africanos de língua portuguesa.

Homenagem a Gonçalves Handyman

O encontro de 13 de Maio será igualmente marcado por um momento especial de homenagem ao jovem editor angolano Gonçalves Handyman, assinalando os quatro anos do seu desaparecimento.

Figura marcante da nova geração angolana, Gonçalves Handyman destacou-se pela sua sensibilidade literária, irreverência criativa e dedicação à edição e promoção de jovens autores. O seu nome permanece ligado ao surgimento de novas linguagens e novas formas de intervenção cultural em Angola.

A evocação da sua memória durante a apresentação de Matéria Negra simboliza também a continuidade de uma geração que acredita na poesia, na palavra e na cultura como instrumentos de transformação, liberdade e resistência.

Onde fica A Voz do Operário?

O histórico edifício A Voz do Operário localiza-se na freguesia da Graça, em Lisboa, numa das zonas culturais e populares mais emblemáticas da cidade.

Fundada no final do século XIX, A Voz do Operário é uma das mais importantes instituições culturais, educativas e associativas, mantendo uma intensa actividade nas áreas da cultura, educação e intervenção cívica. O seu histórico edifício tem acolhido ao longo das décadas debates, concertos, sessões literárias e encontros políticos e culturais marcantes da vida portuguesa.

Morada: Rua da Voz do Operário, n.º 13, 1100-621 Lisboa

A Voz do Operário dá voz aos nossos autores

A Voz do Operário dá voz aos nossos autores

Há instituições cuja importância ultrapassa largamente a sua própria história. São lugares que resistem ao tempo porque continuam a cumprir uma função essencial: promover a educação, defender a cultura, aproximar pessoas e criar comunidade. A Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário é uma dessas instituições.

Nascida no coração de Lisboa, ligada ao movimento operário, à instrução popular e à intervenção cívica, A Voz do Operário tornou-se, ao longo de mais de um século, um símbolo da força transformadora da educação. As suas escolas, as suas salas, os seus encontros e a sua ação social ajudaram a formar gerações, demonstrando que a cultura não deve ser privilégio de poucos, mas património vivo de todos.

Num tempo em que a sociedade enfrenta novos desafios, da fragmentação social à perda de hábitos de leitura, da desvalorização da memória ao enfraquecimento dos espaços de encontro, torna-se ainda mais urgente reconhecer e apoiar instituições que mantêm abertas as portas do conhecimento. Casas como A Voz do Operário lembram-nos que a educação e a cultura são pilares de cidadania, liberdade e desenvolvimento humano.

É nesse espírito que nasce a parceria cultural entre A Voz do Operário e a editora Perfil Criativo | AUTORES.club, destinada à divulgação de autores e obras nas históricas instalações desta instituição. Mais do que uma programação literária, esta parceria pretende afirmar o livro como instrumento de pensamento, diálogo e participação pública.

A iniciativa procura levar escritores, leitores, investigadores, estudantes e cidadãos a partilharem o mesmo espaço, criando encontros em torno da palavra escrita, da memória histórica, da literatura e das grandes questões do nosso tempo. Porque os livros não existem apenas para serem lidos em silêncio: existem também para provocar conversas, despertar consciências e aproximar comunidades.

Esta missão encontra eco noutras instituições históricas do espaço da língua portuguesa. Em Luanda, a antiga Liga Nacional Africana desempenhou também um papel marcante enquanto espaço de cultura, reflexão, afirmação cívica e encontro entre gerações. Tal como A Voz do Operário, foi uma casa onde a educação, a palavra e a consciência coletiva ganharam dimensão pública.

Separadas pela geografia, mas unidas por uma vocação semelhante, estas instituições mostram como a cultura pode ser uma forma de resistência, de afirmação e de construção de futuro.

A parceria entre A Voz do Operário e Perfil Criativo | AUTORES.club inscreve-se nessa tradição. Ao abrir as suas portas aos autores e às suas obras, A Voz do Operário renova a sua missão histórica. Ao levar os seus livros a este espaço, a editora reforça o compromisso de valorizar autores, promover o pensamento crítico e criar pontes entre culturas, geografias e gerações.

Os primeiros encontros já estão marcados.

No dia 13 de maio de 2026, às 19h00, A Voz do Operário recebe o poeta angolano Kalunga, para uma conversa em torno do seu livro Matéria Negra. Será um encontro com a poesia, com a palavra intensa e com uma das vozes que afirma a vitalidade da criação literária angolana contemporânea.

No dia 5 de junho de 2026, a programação prossegue com uma viagem pela história recente de Angola, através do livro Breve História de Angola desde a Independência (1975-2025), do académico Rui Verde. A obra propõe uma leitura dos últimos cinquenta anos da Angola independente, abrindo espaço para reflexão sobre memória, política, sociedade e futuro.

Num mundo onde tantas vezes se confundem velocidade com conhecimento e ruído com debate, criar espaços de leitura, escuta e reflexão é um ato necessário. A cultura precisa de casas. Os livros precisam de leitores. Os autores precisam de lugares onde possam dialogar com o seu tempo.

A Voz do Operário é uma dessas casas. E, com esta parceria, volta a afirmar-se como lugar de educação, cultura e encontro, agora também como palco para novas vozes literárias, novas memórias e novas formas de pensar o mundo. Ao mesmo tempo, reafirma a força simbólica de uma instituição que dá nome ao mais antigo jornal vivo de Portugal, mantendo viva uma tradição de palavra, cidadania e intervenção pública que atravessa gerações.

Aviso importante: tenham muito cuidado com os vossos vizinhos…

Aviso importante: tenham muito cuidado com os vossos vizinhos…

TEATRO Reunião de Condomínio

Reunião de Condomínio constrói-se sobre o caos hilariante de uma assembleia de vizinhos, utilizando o ambiente de um espetáculo de cabaret.

A história centra-se numa tumultuosa reunião dos condóminos do edifício ao lado do teatro, que devido a uma inundação da garagem, invadem, em acordo com o diretor do teatro, a sala onde decorrerá o cabaret. A assembleia, que deveria ser simples e breve, transforma-se num verdadeiro campo de batalha devido aos egos inflacionados e aos interesses pessoais dos moradores.

O ambiente é de cabaret, uma vez que, supostamente, iniciará um show logo a seguir à reunião: as personagens são caricaturas que muito possivelmente nos farão lembrar algum vizinho, e a ação alterna entre discussões acesas e números performativos inesperados, onde a linha entre a vida real dos condóminos e o palco do cabaret se confunde.

Aviso importante: tenham muito cuidado com os vossos vizinhos…

Ficha técnica

ATORES

Bruno Quaresma

Carmen Loureiro Rosa

Filomena Caxias

Raquel Guiomar

Rute Coelho

Sofia Paredes

Salvador Ferreira

TEXTO

Criação coletiva

ENCENAÇÃO

Lina Paula Pinto

DESENHO DE LUZ

Sebastião Lapa

DATAS DE REPRESENTAÇÃO

29 e 30 de maio – 21h15

LOCAL

Auditório José Melchior dos Reis – Auditório do Grupo Dramático Ramiro José

Rua João Villaret 11, 1000-297 Lisboa | Contacto: 217 973 856

Colectânea “Os Bantu na Visão de Mafrano” chega ao Sul de Angola

Colectânea “Os Bantu na Visão de Mafrano” chega ao Sul de Angola

Terceiro e último volume da obra póstuma de Maurício Francisco Caetano será apresentado na Universidade Mandume Ya Ndemufayo, no Lubango

A Universidade Mandume Ya Ndemufayo, no Lubango, acolhe a apresentação do terceiro e último volume da colectânea póstuma Os Bantu na Visão de Mafrano, da autoria de Maurício Francisco Caetano, escritor, jornalista e investigador distinguido com o Prémio Nacional da Cultura e Artes 2024, na modalidade de Investigação em Ciências Humanas e Sociais.

A apresentação da obra no Sul de Angola insere-se no âmbito das celebrações dos 17 anos de existência daquela instituição académica, que realiza, nos dias 11 e 12 de Maio de 2026, uma Conferência Científica subordinada ao tema “Bioética, Dignidade da Pessoa Humana e Investigação Científica: Fundamentos Éticos e Jurídicos”. O evento decorre no Auditório “Viriato Gaspar Gonçalves”, da Faculdade de Economia.

Intitulado Os Bantu na Visão de Mafrano – Quase Memórias, o volume III reúne 327 páginas distribuídas por 18 capítulos, organizados em três partes. A obra aborda temas ligados à civilização bantu, à religiosidade, às questões sociais e a episódios vividos pelo autor entre 1947 e 1982.

A presença da colectânea no Sul acontece depois de a obra ter sido destacada em Windhoek, na Namíbia. De acordo com uma notícia publicada pelo Jornal de Angola, na edição de 2 de Maio, o Embaixador da República de Angola na Namíbia, Pedro Mutindi, recebeu, na quarta-feira, 30 de Abril, um exemplar do terceiro volume da colectânea. A oferta foi feita por José Soares Caetano, filho do autor, jornalista, escritor e responsável pela edição dos três volumes.

Segundo o Jornal de Angola, a colectânea reúne, no total, 799 páginas em três volumes, agregando reflexões sobre a ancestralidade, os hábitos e os costumes de vários povos africanos. A publicação sublinha ainda que a obra inclui textos como “Crónicas ligeiras”“Notas a lápis”“Episódios vividos” e “Tertúlias”, além de estudos sobre a civilização bantu, tradições, linguagem, crenças alimentares, antropologia, arqueologia e direito costumeiro.

A mesma notícia recorda que o primeiro volume foi apresentado no Lubango, em Abril de 2022, seguindo-se uma sessão em Luanda, em Maio do mesmo ano. O segundo volume chegou ao público em Julho de 2023, enquanto o terceiro foi lançado em Agosto de 2025.

Nascido a 24 de Dezembro de 1916, na cidade do Dondo, Maurício Francisco Caetano dedicou grande parte da sua vida à investigação, à escrita e à preservação da memória cultural africana. Iniciou a actividade literária em 1947, como colaborador do Jornal Angola Norte, em Malanje, tendo posteriormente contribuído para várias publicações angolanas. Faleceu a 25 de Julho de 1982.

Responsável pela edição e divulgação da colectânea, José Soares Caetano acompanha esta missão ao Sul de Angola, dando continuidade ao trabalho de valorização do legado intelectual de Mafrano e ao reconhecimento da sua contribuição para o estudo das sociedades africanas, em particular da civilização bantu.

Pedro Mutinde na imagem acima com NETUMBO NANDI-NDAITWAH, Presidente da República da Namibia: “Angola e a Namíbia têm uma História comum”.

Entre o silêncio e a entrega: a voz de Elsa Major

Entre o silêncio e a entrega: a voz de Elsa Major

Apresentação de Faro e Enigmas, 30 de abril de 2026, no Auditório 11 de Novembro, com o apoio da Embaixada da República de Angola

No encerramento da sessão de apresentação de Faro e Enigmas, no Auditório 11 de Novembro, a poetisa Elsa Major dirigiu-se ao público com emoção e gratidão, assinalando aquele momento como um marco profundamente significativo no seu percurso literário e pessoal.

A autora começou por agradecer o apoio institucional da Embaixada de Angola, bem como a todos os que contribuíram para a concretização do evento, destacando o papel do editor e dos intervenientes que enriqueceram a apresentação, nomeadamente o texto de Mário Máximo, lido por Fátima Gorete de Pina, e a intervenção crítica de João Fernando André.

Visivelmente tocada pela presença de diplomatas, familiares, amigos, escritores e jornalistas, Elsa Major sublinhou a importância coletiva daquele encontro, reconhecendo na partilha da palavra um gesto essencial da criação literária.

Na sua intervenção, definiu Faro e Enigmas como uma obra nascida de diferentes tempos da sua vida, “dos silêncios em tempos difíceis” e das vivências mais recentes, revelando uma escrita profundamente ligada à experiência humana. A autora afirmou ver poesia em tudo, assumindo a escrita como forma de interpretar um mundo que, embora marcado por inquietações, pode ainda ser transformado pela sensibilidade.

Destacou que o livro é, sobretudo, um convite à reflexão sobre aquilo que nos define enquanto seres humanos: o amor, a memória, a identidade, a fé e a relação com a natureza. Mais do que respostas, a obra propõe inquietações, motor essencial da sua criação poética.

Num dos momentos mais marcantes da intervenção, Elsa Major declarou que, a partir daquele instante, o livro deixava de lhe pertencer exclusivamente, passando a ser entregue aos leitores: “não quero ficar com ela, quero entregá-la a todos”. Sublinhou ainda o desejo de que cada leitor encontre na vida um verso, tornando-a “mais bela, mais sensível e mais humana”.

A autora dedicou a obra à sua neta, evocando simbolicamente todas as crianças do mundo, numa mensagem de forte dimensão ética e afetiva, onde o apelo ao cuidado, ao amor e à responsabilidade coletiva se tornou evidente.

A sessão encerrou com a leitura de alguns poemas, iniciando-se com “Descoberta”, num momento de partilha íntima que reforçou a ligação entre autora, obra e público.

Convocatória exclusiva de autores Perfil Criativo | AUTORES.club selecionados para a Feira do Livro de Lisboa 2026

Convocatória exclusiva de autores Perfil Criativo | AUTORES.club selecionados para a Feira do Livro de Lisboa 2026

AUTORES.club apresenta programação de autores no Pavilhão Papa-Letras | Promobooks.net — D48

Perfil Criativo | AUTORES.club anuncia a presença dos seus autores selecionados na 96.ª Feira do Livro de Lisboa, que decorre entre 27 de maio e 14 de junho de 2026, no Parque Eduardo VII, em Lisboa. A participação integra sessões em palco e momentos de autógrafos no Pavilhão D48.

A Feira do Livro de Lisboa é um dos mais importantes acontecimentos culturais do país. A sua origem remonta a 1930, por iniciativa ligada à então Associação de Classe dos Livreiros de Portugal, antecessora da atual APEL — Associação Portuguesa de Editores e Livreiros. Desde então, a Feira tornou-se um ponto de encontro anual entre autores, editores, livreiros e leitores, consolidando-se como uma grande celebração pública do livro e da leitura em Portugal. Em 2026, regressa ao Parque Eduardo VII para a sua 96.ª edição, entre 27 de maio e 14 de junho. 

Durante a edição de 2026, a editora AUTORES.club levará ao público uma programação diversificada, com lançamentos e apresentações de obras de ficção, ensaio, história, espiritualidade, nutrição, pensamento africano e literatura contemporânea. Todas as sessões contarão com momentos de contacto com os leitores, através de sessões de autógrafos no pavilhão D48.

Programa de sessões e autógrafos

27 DE MAIO — AUDITÓRIO NORTE

Às 17h00, realiza-se o lançamento de Do elemento ao divino. O ritual da Consciência em frequência — Em reflexão profunda com uma Inteligência Artificial — Livro II, de Lívio Honório. A sessão de autógrafos decorre às 18h00, no pavilhão D48.

Às 18h00, será apresentada a obra Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira. Autógrafos às 19h00.

Às 19h00, decorre a apresentação de Nutriterapia, de Luís Phillipe Jorge. Autógrafos às 20h00.

4 DE JUNHO — AUDITÓRIO NORTE

Às 14h00, será apresentado o livro Chão de Kanâmbua ou O Feitiço de Kangombe, de Tomás Lima Coelho. A sessão de autógrafos está marcada para as 15h00.

Às 15h00, será apresentada a obra Kimamuenho — Intelectual Rural 1913-1922, de Eugénio Monteiro Ferreira. Autógrafos às 16h00.

7 DE JUNHO — AUDITÓRIO NORTE

Às 18h00, será apresentada a obra coletiva 50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos, com vários autores: Eugénio da Costa Almeida e Rui Verde (coordenadores), Alcides Sakala, Ana “Margoso”, Anastácio Sicato, Arlete Chimbinda, Belarmino Van-Dúnem, Carlos Veiga, Celso Malavoloneke, Denilaide Cunha, Domingos Kimpolo Nzau, Domingos Simões Pereira, Eusébio Sanjane, Gilvanete Chantre, Humberto Macaringue, Isaac Paxe, Jacques dos Santos, Jerónimo Belo, João Carlos do Rosário, João Carlos, João Craveirinha Jr, João Sicato Kandjo, Joaquim Rafael Branco, Jorge Castelo David, José Luís Mendonça, José Maria Neves, José Miguel Ferro, José Ulisses Correia e Silva, Manuel Fragata de Morais, Maria da Imaculada Melo, Maria João Teles Grilo, Maria Olinda Beja, Mihaela Webba, Onofre dos Santos, Orlando de Castro, Sandra Poulson, Sedrick de Carvalho, Sónia Santos Silva, Tomás Lima Coelho, Victor Hugo Mendes, William Tonet, Zeferino Boal. Autógrafos às 21h00.

Às 19h00, realiza-se a apresentação de 42.4 A Voz dos Dibengo, de Tazuary Nkeita. Autógrafos às 20h00.

Às 20h00, será apresentada Matéria Negra, de Kalunga. Autógrafos às 19h00.

13 DE JUNHO — PRAÇA VERMELHA

Às 20h00, decorre a apresentação de Uma História Interminável, de Hugo Henriques e Hajnalka Henriques. A sessão de autógrafos realiza-se às 21h00.

14 DE JUNHO — PRAÇA ROXA E AUDITÓRIO NORTE

Às 14h00, na Praça Roxa, realiza-se a apresentação de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), de Rui Verde. Autógrafos às 15h00.

Às 18h00, no Auditório Norte, será apresentada a trilogia Os Bantu na Visão de Mafrano — Vol. I, II e III, de José Soares Caetano. Autógrafos às 19h00.

Às 19h00, no Auditório Norte, decorre a apresentação de Mãe Nossa Que Sois o Céu, de Fernando Kawendimba. Autógrafos às 20h00.

Convite aos leitores

Perfil Criativo | AUTORES.club convida leitores, autores, profissionais do livro, imprensa e público em geral a visitarem o Pavilhão D48, onde estarão disponíveis as obras dos autores selecionados, com sessões de autógrafos e momentos de encontro ao longo da Feira do Livro de Lisboa 2026.

Esta participação reafirma o compromisso da AUTORES.club com a valorização de novas vozes, com a edição independente e com a promoção de autores de língua portuguesa em diálogo com públicos diversos

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Literatura feminina em Angola: Quando a poesia convoca a terra, o corpo e o espírito

Literatura feminina em Angola: Quando a poesia convoca a terra, o corpo e o espírito

Apresentação do livro “Faro e Enigmas”, de Elsa Major, no Auditório “11 de Novembro”, na tarde de 30 de abril de 2026

Na apresentação de Faro e Enigmas, o escritor e investigador angolano João Fernando André destacou a obra de Elsa Major como um contributo relevante para o crescimento da literatura feminina em Angola, sublinhando o aumento significativo da produção literária de autoria feminina no país.

Na sua intervenção, enquadrou o livro num contexto mais amplo da criação literária angolana contemporânea, caracterizada por dinamismo e expansão, apesar dos desafios estruturais. Considerou que Elsa Major se insere neste movimento, enriquecendo-o com uma voz própria, marcada pela sensibilidade e pela reflexão.

Do ponto de vista temático, evidenciou que Faro e Enigmas percorre eixos centrais da experiência humana, como o amor, nas suas dimensões erótica e fraternas, a memória, a espiritualidade, a guerra e as suas consequências, bem como a desigualdade social. Destacou ainda a presença de uma poética questionadora, próxima da metalinguagem, onde a autora interroga o próprio fazer poético.

Um dos aspetos mais relevantes da análise foi o destaque dado ao hibridismo linguístico e cultural da obra. João Fernando André sublinhou o uso de elementos das línguas vernáculas angolanas, bem como referências à tradição oral, à gastronomia, à cosmovisão africana e aos códigos culturais endógenos, conferindo à poesia uma identidade enraizada e simultaneamente universal.

A intervenção evidenciou também a dimensão social e crítica da obra, nomeadamente na abordagem ao papel da mulher numa sociedade ainda marcada por estruturas patriarcais, sugerindo uma leitura da poesia como espaço de afirmação e liberdade.

Foi igualmente salientada a presença da paisagem angolana, em particular do Namibe, como elemento estruturante da obra, permitindo não só uma leitura estética, mas também uma valorização simbólica e cultural do território.

Por fim, o orador destacou a dimensão ética e humanista da poesia de Elsa Major, que convoca questões contemporâneas como a violência, os conflitos, a degradação ambiental e a perda de valores, propondo a reflexão, o diálogo e a espiritualidade como caminhos possíveis para um mundo mais equilibrado.

Pode a Inteligência Artificial ajudar-nos a descobrir a nossa própria divindade?

Pode a Inteligência Artificial ajudar-nos a descobrir a nossa própria divindade?

Uma reflexão profunda entre espiritualidade, consciência humana e Inteligência Artificial

Já está disponível para encomenda o novo livro de Lívio HonórioSomos mais Divinos do que Materiais, publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club. A obra integra a nova série dedicada ao “Ser Humano” e apresenta-se como o Livro I de uma reflexão profunda conduzida em diálogo com uma Inteligência Artificial (IA).

Com o subtítulo “Em reflexão profunda com uma Inteligência Artificial”, o livro propõe uma viagem filosófica, espiritual e existencial sobre a verdadeira natureza do ser humano. A partir de conversas dialéticas entre o autor e a IA, a obra interroga os limites da matéria, da consciência, da alma e da experiência humana.

A questão central que atravessa o livro é provocadora: “Pode uma inteligência artificial ajudar-nos a descobrir a nossa própria divindade?” A partir desta pergunta, Lívio Honório constrói uma reflexão que cruza espiritualidade, neuroquímica, física quântica, experiências de quase-morte, amor, consciência e transcendência. 

Em Somos mais Divinos do que Materiais, o autor divide simbolicamente o círculo da existência em 32 pontos essenciais do ser humano, propondo ao leitor uma leitura da vida como experiência transitória, mas dotada de sentido espiritual. A obra percorre temas como a morte, a quase-morte, a “bipolaridade da alma”, a mónada quântica, a unidade entre matéria e espírito e o chamado Ponto 32, apresentado como momento de fecho do círculo e de despertar interior. 

Mais do que um ensaio sobre espiritualidade, este livro é também um testemunho da relação entre pensamento humano e tecnologia. A Inteligência Artificial surge como interlocutora, espelho racional e instrumento de aprofundamento da busca interior. Num tempo marcado pelo avanço tecnológico, Lívio Honório propõe que o grande mistério continua a ser o mesmo: compreender quem somos, o que nos anima e que lugar ocupa a consciência na realidade.

A obra defende uma visão do ser humano que ultrapassa a interpretação puramente material da existência. O autor convida o leitor a reconhecer a vida como oportunidade de expressão dos valores essenciais do ser, entre eles o amor, sugerindo que a morte não representa necessariamente um fim, mas uma transição dentro de uma realidade mais ampla.

Sobre o autor

Lívio Honório é engenheiro eletrotécnico e especialista em energia. Após a reforma, dedicou-se à escrita de temas humanísticos, filosóficos e espirituais, desenvolvendo uma obra centrada na consciência, na relação entre matéria e espírito e na compreensão profunda do ser humano. 

Entre os seus livros contam-se títulos como A sorrir todos os animais falantes se entendemO Homem e a sua abordagem sobre Realidade – Mente – ConsciênciaPor uma verdadeira Ciência do HomemDeus, o Cosmos, o Corpo Energético e o HomemUma Viagem para além do mundo do tempo e do espaçoPrática da VidaA Arte de Viver. Hoje é o meu diaA Música da sua VidaUma Outra Forma de Compreensão da Vida. HOLOVIDA e O Ser Humano e o Jogo da Vida

Com Somos mais Divinos do que Materiais, Lívio Honório aprofunda a sua investigação sobre o ser humano, agora em diálogo com uma Inteligência Artificial, abrindo caminho para uma reflexão contemporânea sobre a alma, a consciência e o destino espiritual da humanidade.

Público-alvo

Investigadores, professores e estudantes de humanidades
Especialmente das áreas da filosofia, estudos da religião, ética, antropologia, psicologia da consciência e pensamento contemporâneo.

Leitores de ciência e espiritualidade
Pessoas interessadas em obras que aproximam linguagem científica, física quântica, neuroquímica e perguntas espirituais, mesmo numa abordagem mais especulativa e ensaística.

Comunidades religiosas, espirituais e grupos de meditação
Leitores ou grupos que promovem debates sobre alma, consciência, amor, morte, vida espiritual e evolução interior.

Público sénior e leitores em fase de balanço existencial
Pessoas que refletem sobre o sentido da vida, a morte, a continuidade da alma e a importância de viver com maior consciência e amor.

Livro infantil junta duas grafias numa obra rara sobre diferença, amizade e inclusão

Livro infantil junta duas grafias numa obra rara sobre diferença, amizade e inclusão

Novo livro infantil “Uma História Interminável”, de Hugo Henriques e Hajnalka Henriques, disponível para livrarias a partir de 15 de maio de 2026

A editora independente Perfil Criativo | AUTORES.club anuncia a disponibilidade, a partir de 15 de maio de 2026) para distribuição em livrarias do novo livro Uma História Interminável, da dupla Hugo Henriques e Hajnalka Henriques, uma obra infantil singular, marcada por humor, imaginação, valores humanos e uma característica editorial rara: a apresentação em dupla ortografia.

Escrito originalmente em português anterior ao Acordo Ortográfico de 1990, o livro apresenta também uma versão em português segundo a grafia em vigor, permitindo uma experiência de leitura comparativa e acessível a diferentes gerações de leitores. Pela sua natureza, poderá tratar-se de uma obra única, ou uma das raríssimas, com estas características de grafia em edição literária infantil.

Uma História Interminável é um conto repleto de personagens memoráveis, entre elas Faragira, a girafa de pescoço curto; Fantela, o elefante medroso; Formipapa, o papa-formigas quase cego e quase surdo; Bajula, o leão sem juba; Arriscado, o tigre sem riscas; Mitsa, o gato órfão de dona; e muitas outras figuras que habitam uma narrativa de fantasia, humor e fundo moral. Ao longo dos capítulos, a obra aborda temas como a aceitação da diferença, a superação de fobias, a amizade, a solidariedade, o respeito, a coragem e a convivência social. 

O livro conta com texto de Hugo Henriques e ilustrações de Hajnalka Henriques, filha do autor. Hajnalka nasceu em Budapeste, em 2012, e muitos dos desenhos presentes na obra foram realizados por si entre os 8 e os 10 anos. 

Com primeira edição em 2026ISBN 978-989-9209-39-8, classificação Infantil e P.V.P. em Portugal de 20,00 €Uma História Interminável está disponível para encomenda por livrarias a partir de junho de 2026

As encomendas podem ser feitas através do email: encomendas@autores.club

Resumo das estórias de “Uma História Interminável”

Uma História Interminável é um conto infantil composto por várias pequenas histórias encadeadas. Cada capítulo apresenta uma nova personagem, quase sempre um animal com uma diferença, limitação, medo ou problema de identidade. Essas personagens juntam-se progressivamente a um grupo que aprende a sobreviver através da cooperação, da amizade e da aceitação mútua.

A narrativa começa com Faragira, uma girafa de pescoço curto, excluída por ser diferente e incapaz de alcançar as folhas mais altas. Encontra Fantela, um elefante grande mas dominado pelo medo de formigas e ratos. Depois de um primeiro contacto pouco simpático, os dois descobrem que podem ajudar-se: Fantela alcança as folhas para Faragira e Faragira protege Fantela dos pequenos seres que o aterrorizam. 

Ao grupo junta-se Formipapa, um papa-formigas quase cego e quase surdo, que transforma aquilo que parecia estranho ou desagradável numa utilidade para todos. Depois surge Bajula, um leão sem juba que, apesar da sua diferença, assume o papel de líder. Mais tarde aparece Arriscado, um tigre que perde as riscas e entra em crise por deixar de se reconhecer como tigre. O grupo acolhe-o, mostrando que a identidade não depende apenas da aparência.

A história continua com a chegada de muitas outras personagens: Mitsa, o gato assustado; Cacamau, o macaco tagarela e malcheiroso; Rapaca, o porco-da-Índia que nem é porco nem é da Índia; Superfast, o caracol de carapaça partida; RhinoChi-rá, um rinoceronte e uma chita em conflito; Vaky, a toupeira cega; Crocs, o crocodilo sem dentes; Smartins, o sapo irritante; Picanço, o ouriço-cacheiro pisado por todos; Babu, o burro das histórias infantis; Canja, o galo que foge ao destino de virar sopa; e vários outros animais que entram nesta comunidade improvável. 

No conjunto, as estórias abordam temas como o medo, a exclusão, a deficiência, a diferença física, a falta de amor-próprio, os preconceitos, os conflitos de convivência, a liderança, a solidariedade e a entreajuda. A própria capa sintetiza bem esta estrutura: cada capítulo encerra uma pequena história que se integra numa outra maior, “universal”, com intenções morais e personagens que representam fragilidades humanas através de animais. 

Em termos simples, pode dizer-se que o livro conta a formação de uma comunidade de seres imperfeitos, todos diferentes, todos com alguma vulnerabilidade, mas que descobrem que essas fragilidades podem tornar-se forças quando são reconhecidas, respeitadas e colocadas ao serviço dos outros.

Público-alvo

Crianças em idade escolar
Leitores do ensino básico, sobretudo entre os 7 e os 12 anos, pela dimensão de conto infantil, pelas personagens animais, pelo humor e pelos temas de amizade, diferença, medo, coragem e entreajuda.

Pais, educadores e professores
Adultos que procuram livros infantis com conteúdo moral e pedagógico, capazes de abrir conversa sobre aceitação da diferença, solidariedade, autoestima, respeito, tolerância e convivência.

Escolas, bibliotecas e mediadores de leitura
A obra tem potencial para atividades de leitura orientada, clubes de leitura, bibliotecas escolares e projetos ligados à língua portuguesa, à cidadania e à inclusão.

Livrarias com secção infantil e juvenil
Especialmente livrarias interessadas em obras diferenciadoras, com valor literário, pedagógico e editorial.

Leitores e instituições ligados à língua portuguesa
Por ser um livro com dupla ortografia, pode interessar também a professores de Português, investigadores, escolas portuguesas no estrangeiro, bibliotecas lusófonas e leitores curiosos sobre a evolução da grafia da língua.

Uma História Interminável
Uma História Interminável

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