Categoria em Actividades 2026

Livros atravessam o Atlântico e chegam à Praia na Livraria Nhô Eugénio

Livros atravessam o Atlântico e chegam à Praia na Livraria Nhô Eugénio

Livros da Perfil Criativo | AUTORES.club e distribuídos em Cabo Verde pela NOS RAIZ elevam ponte cultural entre Angola, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde

REPORTAGEM DE RICARDO LEOTE (NOS RAIZ)

Livraria Nhô Eugénio, na cidade da Praia, em Cabo Verde, acaba de receber mais um conjunto de títulos de autores dos países africanos de língua portuguesa, disponíveis para leitores cabo-verdianos, reforçando os laços culturais entre Angola, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde. A presença destas obras resulta de uma parceria editorial entre a Perfil Criativo | AUTORES.club, com representação e distribuição em Cabo Verde pela NOS RAIZ, promotora cultural focada em literatura, cinema, música e artes plásticas.

Livraria Nhô Eugénio
Livraria Nhô Eugénio

Livraria Nhô Eugénio

Livraria Nhô Eugénio foi inaugurada em 2008, com o objetivo de promover a leitura e apoiar autores locais e internacionais em Cabo Verde. O espaço funciona como livraria, café e ponto de encontro cultural, reunindo livros, discos, eventos literários e exposições de arte num ambiente acolhedor com esplanada, transformando-se num verdadeiro polo cultural da cidade da Praia

O nome “Nhô Eugénio” evoca a figura do poeta e ativista cultural Eugénio Tavares, referência maior da cultura cabo-verdiana, cujo legado inspirou encontros e tertúlias no espaço.

Novos títulos disponíveis na Livraria Nhô Eugénio

Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias — Volume III

Autor: Maurício Francisco Caetano (Angola)
Uma obra monumental em três volumes que explora a cultura, organização social e tradições dos povos bantu, afirmando a centralidade desta civilização na formação cultural africana. A coleção reúne textos antropológicos e históricos reunidos a partir dos escritos do autor, que demonstram a profundidade e a diversidade dos sistemas sociais bantu e o seu impacto cultural em África e na diáspora. O autor, também conhecido como Mafrano, é considerado um dos mais importantes etnólogos angolanos do século XX. A obra foi distinguida com o Prémio Nacional de Cultura e Artes 2024 da República de Angola

Meu Gastoso, minha Gostosa, meu Amor — Crónicas Íntimas

Autor: Rafael Branco (São Tomé e Príncipe)
Uma coletânea de crónicas que exploram afetos, relações e experiências íntimas da vida contemporânea. Com uma prosa sensível e acessível, o autor desenha retratos de encontros, amores e vivências pessoais que ecoam universais emoções humanas. 

Nuvem Negra — O Drama do 27 de Maio de 1977

Autor: Miguel Francisco “Michel” (Angola)
Este livro revisita o 27 de maio de 1977, um dos momentos mais dramáticos da história de Angola, através de uma narrativa potente construída a partir de testemunhos e memórias vividas. O autor, sobrevivente dos campos de concentração, oferece um retrato profundamente humano e crítico dos eventos que marcaram a nação angolana. 

Editorias do Expansão 2019-2021

Autor: João Armando (Angola)
Uma coletânea de editoriais publicados no periódico Expansão entre 2019 e 2021. A obra reúne análises e comentários sobre questões sociopolíticas contemporâneas, oferecendo perspetivas críticas sobre temas atuais que atravessam a sociedade. 

Há Dias Assim…

Autor: Armindo Laureano (Angola)
Uma coleção de editoriais do Novo Jornal que capturam episódios, pensamentos e sensações do quotidiano, revelando a habilidade do autor para encontrar poesia e sentido nas experiências diárias. 

Memórias das FALA — O Avanço no Norte e a Guerra Psicológica (1975-1992)

Autor: Fonseca Chindondo (Angola)
Uma obra que combina memória histórica com análise do papel das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA) durante o processo de libertação e nos anos subsequentes. O autor mapeia, com detalhe, o avanço militar no norte de Angola e as operações de guerra psicológica que marcaram aquela fase crucial. 

A primeira travessia da África Austral

Autor: José Bento Duarte (Angola)
Um livro que revisita a história das grandes explorações africanas, defendendo a restituição de protagonistas africanos frequentemente invisibilizados nas narrativas tradicionais. A obra destaca a importância de revisitar a História da África Austral, propondo uma nova leitura dos feitos pioneiros e das interações entre povos e culturas. 

Kinthwêni na tradição e na poética — Um enquadramento filosófico

Autor: João Ramos Piúla Casimiro (Angola)

Nesta obra de forte densidade intelectual, João Ramos Piúla Casimiro propõe uma reflexão aprofundada sobre o Kinthwêni enquanto conceito cultural, estético e filosófico enraizado nas tradições africanas. O autor articula pensamento filosófico, oralidade, tradição e poética, valorizando saberes endógenos frequentemente marginalizados pelos cânones académicos ocidentais. O livro constitui um contributo relevante para o debate contemporâneo sobre epistemologias africanas, identidade cultural e formas próprias de produção de conhecimento no espaço africano e afro-diaspórico.

Encerramento temporário do Bunker Cultural devido às condições meteorológicas

As nossas instalações na Avenida Rio de Janeiro, nº 27 C, conhecidas como Bunker Cultural, encontram-se temporariamente encerradas ao público nos próximos dias, na sequência da forte precipitação provocada pela tempestade associada à depressão Kristin, que afetou várias zonas do país.

Esta medida preventiva visa garantir a segurança de todos, enquanto são avaliadas e asseguradas as condições necessárias para a reabertura do espaço.

Durante este período, todos os contactos com a nossa equipa deverão ser realizados exclusivamente por email e telefone, cujos canais permanecem ativos e disponíveis para responder a qualquer solicitação.

Agradecemos a compreensão de todos e informaremos assim que estejam reunidas as condições para a reabertura ao público.

O encerramento prolonga-se durante o mês de Março para realização de obras. Contamos abrir ao publico no início do mês de abril de 2026.

Viajante angolano apela à quebra do silêncio

Viajante angolano apela à quebra do silêncio

A participação do público no lançamento do livro Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, voltou a revelar-se um dos momentos mais significativos da sessão, com intervenções que ampliaram o alcance cívico e geográfico do debate.

Entre elas destacou-se a de João St., que se encontrava em Lisboa de passagem e foi surpreendido pelo encontro. Natural de Angola e residente no Lubango, João St. explicou que chegou ao evento por sugestão de amigos, confessando a emoção sentida ao assistir aos testemunhos ali partilhados.

Na sua intervenção, sublinhou o contraste entre a abertura do debate em Lisboa e o silêncio que ainda envolve, em Angola, os acontecimentos do 27 de Maio de 1977. Referindo-se à região da Tundavala, no sul do país, evocou a memória de um local de grande beleza natural, mas também marcado por uma história trágica, associada à morte de milhares de pessoas atiradas para a ravina durante o processo repressivo. Segundo afirmou, trata-se de uma realidade conhecida localmente, mas nunca investigada nem discutida publicamente.

O interveniente lançou um apelo claro à replicação, em Angola, de iniciativas semelhantes às realizadas em Lisboa, defendendo que este tipo de encontro constitui uma forma necessária de catarse coletiva e de reconhecimento das vítimas. Recordou ainda os muitos órfãos e famílias que continuam sem respostas, sem certidões de óbito e sem qualquer forma de reparação ou esclarecimento.

Num registo emotivo, agradeceu o trabalho desenvolvido por autores, associações e editores, sublinhando que “as lágrimas não são vergonha”, mas antes sinal de fertilidade, de vida e de esperança. A sua intervenção reforçou a ideia de que Ecos da Liberdade não é apenas um livro, mas um ponto de partida para levar o debate sobre o 27 de Maio para dentro de Angola, onde o silêncio continua a pesar sobre a memória coletiva.

"Ecos da Liberdade", de Joaquim Sequeira
Ecos da Liberdade“, de Joaquim Sequeira

Zeca Ribeiro Telmo evoca Angola plural

Zeca Ribeiro Telmo evoca Angola plural

Como é habitual nos eventos da Perfil Criativo | AUTORES.club, o público foi convidado a intervir no lançamento do livro Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, dando voz a testemunhos que reforçaram o sentido cívico e memorial do encontro.

Entre as intervenções destacou-se a de Zeca Ribeiro Telmo, que evocou a experiência coletiva da geração que viveu a independência de Angola e os seus desdobramentos. Recordando o entusiasmo de 1975, sublinhou que muitos dos presentes não eram colonos, mas angolanos que acreditaram, e continuam a acreditar, numa Angola livre, justa e democrática para todos.

Na sua intervenção, Zeca Ribeiro Telmo chamou a atenção para as desigualdades estruturais do país, lembrando que, apesar da riqueza proclamada, a pobreza sempre esteve presente no quotidiano da maioria da população. Defendeu que os “ecos da liberdade” não se esgotaram com a independência política e continuam a manifestar-se na exigência de mais democracia e inclusão social.

Num tom emocionado, destacou a resiliência dos sobreviventes dos acontecimentos trágicos do pós-independência, afirmando que a sua presença e o seu silêncio quebrado são, em si mesmos, uma afirmação de liberdade. “A liberdade é uma sede que nunca é saciada”, afirmou, agradecendo a Joaquim Sequeira a coragem de transformar a experiência da dor num testemunho público.

A intervenção foi recebida com atenção e aplausos, reforçando a ideia de que Ecos da Liberdade é também um livro que convoca a participação dos cidadãos e prolonga, para além das páginas, o debate sobre o passado, o presente e o futuro de Angola.

"Ecos da Liberdade", de Joaquim Sequeira
“Ecos da Liberdade”, de Joaquim Sequeira

Entre lágrimas e silêncio, a memória falou mais alto

Entre lágrimas e silêncio, a memória falou mais alto

A apresentação do livro Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, transformou-se num momento de profunda comoção e reflexão coletiva, com a sala cheia de leitores, sobreviventes e familiares marcados pelos acontecimentos trágicos dos primeiros anos da República Popular de Angola, a tragédia do 27 de Maio de 1977.

Desde as primeiras palavras, ficou claro que não se tratava apenas de um lançamento literário. A sessão assumiu-se como um ato de memória viva. “A vossa presença transforma este encontro num momento de reconhecimento e de dignidade”, foi afirmado na abertura, dirigida especialmente aos sobreviventes dos acontecimentos de 1977, cuja presença conferiu ao evento uma intensidade que ultrapassou o plano cultural.

Foi prestada uma homenagem sentida a Manuel Vidigal, sublinhando o seu percurso de quase cinco décadas na exigência de uma Comissão da Verdade e na afirmação pública de que não existiu qualquer golpe de Estado contra o MPLA ou contra o então Presidente Agostinho Neto. A sua voz foi descrita como “uma voz de resistência democrática e de exigência moral”.

Associação 27 de Maio foi igualmente destacada como um pilar da luta contra a amnésia coletiva, pela preservação da memória das vítimas, pela verdade histórica e pelo direito ao reconhecimento público. A sua intervenção reafirmou que, quase cinquenta anos depois, “continuamos a pugnar pela verdade, pela justiça e pelo fim da impunidade”.

Enquanto editor, João Ricardo Rodrigues, da Perfil Criativo | AUTORES.club, reafirmou o compromisso da edição independente com a publicação de obras sobre os episódios violentos da história angolana, sublinhando que Ecos da Liberdade não nasce do ressentimento, mas da necessidade ética de testemunhar para que a violência não se repita.

A intervenção de José Fuso, autor do prefácio da obra, constituiu um dos momentos mais intensos da sessão. Falando como sobrevivente e como companheiro de percurso do autor, José Fuso destacou a dimensão ética e poética do livro, sublinhando que o testemunho de Joaquim Sequeira transforma a experiência do cárcere e da repressão numa narrativa de resistência e liberdade de pensamento. Afirmou que escrever, e publicar, é um ato político de memória, essencial para impedir o apagamento histórico e para devolver humanidade às vítimas silenciadas.

O testemunho mais cru surgiu também nas palavras do Presidente da Associação 27 de Maio, José Reis, que descreveu com detalhe o sequestro, a tortura, a humilhação e os desaparecimentos forçados ocorridos nas cadeias de São Paulo, na DISA e na Casa de Reclusão. Recordou a chamada “noite das facas longas”, em março de 1978, e afirmou: “Hoje estou a prestar este depoimento para que não fiquem dúvidas quanto ao que vem escrito em Ecos da Liberdade”.

Quando tomou a palavra, Joaquim Sequeira falou não apenas como autor, mas como sobrevivente. Num discurso profundamente literário e humano, evocou a infância, a cidade perdida, os companheiros de prisão e os laços forjados na adversidade. “Este livro é um mapa daquele território sagrado que só nós conhecemos”, afirmou, explicando que Ecos da Liberdade é um gesto coletivo, um “barquinho de papel lançado no rio do nosso passado comum”.

Num dos momentos mais emotivos da sessão, o autor dedicou o livro aos filhos, às netas e aos companheiros de sequestro, afirmando que escreveu para transformar a dor em palavra e a ausência em presença literária. “O corpo pode ser aprisionado, mas o espírito jamais se rendeu”, declarou, resumindo o sentido profundo da obra.

Ao longo da sessão, foi visível a comoção do público. Houve lágrimas contidas, silêncios densos e longos aplausos. Ecos da Liberdade revelou-se não apenas como um testemunho histórico inédito, particularmente sobre a Casa de Reclusão, mas como um ato de resistência contra o apagamento da memória. Um acontecimento extraordinário de reflexão sobre um dos períodos mais trágicos da história contemporânea de Angola, aquele que muitos tentaram, durante décadas, apagar da História.

Gravação do evento por Fernando Kawendimba

"Ecos da Liberdade", de Joaquim Sequeira
Ecos da Liberdade“, de Joaquim Sequeira

Escrever para não desaparecer: “Ecos da Liberdade” apresentado em Lisboa

Escrever para não desaparecer: “Ecos da Liberdade” apresentado em Lisboa

O livro Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, será apresentado na próxima sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, às 18h00, na sala polivalente da Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa. A sessão será marcada por um encontro com sobreviventes do 27 de Maio de 1977 em Angola, num momento de partilha, memória e reflexão histórica.

Publicada no final de 2025, a obra é um testemunho direto e profundamente humano sobre a repressão política que se seguiu aos acontecimentos de 27 de Maio de 1977. Joaquim Sequeira, preso político e sobrevivente desse período, reconstrói a experiência do cárcere, da violência institucional e do silêncio imposto, sem abdicar de uma escrita literária marcada pela poesia e pela dignidade.

Ao longo de sete capítulos intensos, Ecos da Liberdade conduz o leitor desde a prisão física até à resistência interior, mostrando como, mesmo nas condições mais desumanas, a palavra, a memória e a solidariedade se tornam formas de sobrevivência. A obra aborda episódios marcantes como a vida na Casa de Reclusão, a chamada “Noite das Facas Longas” e o impacto duradouro da repressão na identidade individual e coletiva.

“A liberdade não é apenas a ausência de grilhões; é a presença do que é possível. Ela conquista-se a cada acto de resistência, a cada momento em que o ser humano recusa ser silenciado.”

Mais do que um relato pessoal, o livro afirma-se como um manifesto contra o esquecimento, num contexto em que a sociedade angolana continua a interrogar-se sobre esse passado traumático. O encontro na Biblioteca Palácio Galveias pretende precisamente abrir espaço ao diálogo entre gerações, dando voz aos sobreviventes e convocando o público para uma escuta ativa da história recente de Angola.

A apresentação é aberta ao público e dirige-se a leitores interessados em História Contemporânea de Angola, Direitos Humanos, memória política, bem como a estudantes, investigadores e todos os que acreditam que recordar é também um acto de justiça.

Ecos da Liberdade

Ecos da Liberdade
Ecos da Liberdade

Entre consenso e crítica, os cidadãos reclamaram o seu lugar na história

Entre consenso e crítica, os cidadãos reclamaram o seu lugar na história

O lançamento do livro 50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos, na Biblioteca Palácio Galveias, terminou com um momento de participação ativa do público, que veio confirmar, na prática, uma das ideias centrais defendidas pelos coordenadores da obra: a necessidade de pensar os 50 anos das independências africanas a partir da cidadania e de múltiplos olhares plurais.

Entre as intervenções, registámos a de António Feijó Jr., engenheiro e especialista da indústria petrolífera angolana, que apelou a uma leitura positiva e construtiva do percurso dos países africanos independentes. Reconhecendo que nem tudo foi perfeito ao longo destas cinco décadas, sublinhou, ainda assim, a importância de valorizar o que foi alcançado e de encarar o balanço histórico com espírito crítico, mas também com confiança no futuro.

Já a arquiteta Maria João Teles Grilo reforçou a ideia de que a democracia constrói-se a partir da cidadania e não apenas das estruturas políticas formais. Na sua intervenção, defendeu que a história contemporânea dos países africanos está ainda em construção e que essa história será tanto mais verdadeira quanto mais resultar de contributos plurais, vindos da vida real das pessoas e da sua experiência quotidiana. Para a arquiteta, a riqueza da cidadania é um dos principais recursos para pensar o futuro coletivo.

Num registo mais crítico, o editor Manuel Rodrigues Vaz, da Pangeia, chamou a atenção para a composição do público presente, observando que a sala refletia sobretudo a participação de cidadãos angolanos. Embora reconhecendo o mérito da iniciativa, considerou importante que futuros encontros consigam envolver de forma mais equilibrada cidadãos dos restantes países africanos de língua oficial portuguesa, reforçando a dimensão verdadeiramente plural e transnacional do projeto.

Estas intervenções dialogaram diretamente com as palavras de Eugénio da Costa Almeida, que, na sua apresentação, havia desafiado autores e leitores a não deixarem o livro “morrer numa prateleira”, mas antes a lê-lo, debatê-lo e criticá-lo, transformando-o num instrumento vivo de reflexão cívica. O envolvimento do público no final da sessão confirmou esse apelo, mostrando que o livro já cumpre a sua função essencial: gerar debate, pensamento crítico e participação ativa da sociedade civil.

Organizado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, o lançamento encerrou assim com um diálogo aberto entre autores, leitores e convidados, reforçando a ideia de que os próximos capítulos da história das independências africanas continuam a ser escritos, sobretudo, pelos seus cidadãos.

Biblioteca Palácio Galveias
Biblioteca Palácio Galveias

Entre livros, vozes e cânticos: Lisboa refletiu sobre os desafios da estabilidade em África

Entre livros, vozes e cânticos: Lisboa refletiu sobre os desafios da estabilidade em África

A apresentação do livro Angola e os desafios da estabilidade em África — Lições da Missão de Cooperação para a Reforma das Forças Armadas da Guiné-Bissau, da autoria do Prof. Doutor Zeferino Pintinho, decorreu na Biblioteca Palácio Galveias, numa sessão solene marcada por reflexão académica, dimensão institucional e momentos culturais de grande intensidade.

A sessão teve início com a saudação da moderadora Catarina Furtado, que apresentou o programa e enquadrou o significado da obra no contexto dos desafios contemporâneos da segurança e da estabilidade no continente africano.

Seguiu-se um momento de abertura religiosa, com uma oração conduzida pelo Padre Samuel Docho, da Igreja Assembleia de Deus Pentecostal do Maculusso – Campo Grande, sublinhando a dimensão espiritual e comunitária do encontro.

Na mensagem de boas-vindas, o editor João Ricardo Rodrigues, da Perfil Criativo | AUTORES.club, destacou a importância da publicação de trabalhos académicos em livro, evocando as palavras do General José Luís Caetano Higino de Sousa, proferidas no lançamento da obra em Luanda. Segundo o editor, a edição de teses de doutoramento constitui um contributo essencial para a democratização do conhecimento e para a avaliação pública da qualidade da investigação académica.

Reportagem de Fernando Kawendimba

A sessão integrou ainda um momento musical com o Grupo Coral de Gospel Alfa, que apresentou duas interpretações de elevado nível artístico, criando um espaço de comunhão cultural e espiritual que marcou profundamente o público presente.

Foi também exibida uma breve mensagem em vídeo do prefaciador da obra, Domingos Simões Pereira, atualmente detido na sequência do golpe de Estado na Guiné-Bissau, cuja intervenção foi recebida com particular atenção e respeito pelos presentes.

O momento central da sessão coube à apresentação da obra pelo Prof. Doutor Eugénio da Costa Almeida, que sublinhou tratar-se de um trabalho que ultrapassa o exercício académico convencional, resultando de uma investigação profunda, baseada na tese de doutoramento do autor, e sustentada por uma rara articulação entre teoria e prática. Eugénio Costa Almeida destacou a relevância estratégica do livro para a compreensão da segurança, da defesa e da estabilidade política em África, com especial incidência no papel de Angola enquanto actor regional.

Na sua intervenção, o apresentador valorizou a análise crítica desenvolvida ao longo da obra, em particular o estudo da cooperação Angola–Guiné-Bissau e da MISSANG, recusando leituras triunfalistas e sublinhando a importância de reconhecer limitações, erros e fragilidades como parte integrante de qualquer processo sério de construção da paz e da estabilidade. Para Eugénio Costa Almeida, o livro afirma-se como uma obra de referência, exigente mas necessária, destinada a académicos, decisores políticos, militares e todos os interessados nos desafios africanos contemporâneos. 

A sessão encerrou com breves palavras do autor, Zeferino Pintinho, que agradeceu a presença do público, dos intervenientes e da editora, sublinhando a importância de continuar a pensar África a partir de África, com responsabilidade, rigor científico e compromisso com o bem comum.

Organizado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, o lançamento afirmou-se como um dos momentos altos do programa cultural dedicado ao pensamento africano contemporâneo em Lisboa, reforçando o papel do livro enquanto instrumento de reflexão crítica e diálogo interdisciplinar.

Angola e os desafios da estabilidade em África — Lições da Missão de Cooperação para a Reforma das Forças Armadas da Guiné-Bissau,

Eugénio da Costa Almeida desafia cidadãos a prolongar o debate sobre as independências

Eugénio da Costa Almeida desafia cidadãos a prolongar o debate sobre as independências

Na apresentação do livro 50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos, realizada na Biblioteca Palácio Galveias, o Prof. Doutor Eugénio da Costa Almeida sublinhou o carácter coletivo e plural da obra, coordenada em parceria com Rui Verde e que reúne contributos de cerca de 40 autores dos países africanos de língua oficial portuguesa.

Na sua intervenção, Eugénio da Costa Almeida destacou que o livro, apesar de já se encontrar à venda há cerca de mês e meio, apenas agora pôde ser formalmente apresentado, sublinhando a dimensão “monumental” da obra, tanto pelo volume como pela diversidade analítica dos ensaios reunidos. Segundo o coordenador, trata-se de uma coletânea construída a partir da amizade intelectual, do compromisso cívico e do contributo voluntário de autores que quiseram refletir criticamente sobre os 50 anos das independências africanas.

O académico explicou ainda que a estrutura final do livro acabou por integrar uma secção específica de ensaios, não prevista inicialmente, devido à extensão e qualidade dos textos recebidos. Respondendo a uma questão colocada pelo jornalista Luís Guita, da Radio France Internationale, Eugénio da Costa Almeida lançou um desafio direto aos autores: transformar alguns destes textos em futuros ensaios políticos, económicos e sociais mais desenvolvidos, aprofundando o debate iniciado nesta obra.

Radio France Internationale

Num apelo direto aos leitores, o coordenador deixou uma metáfora marcante, defendendo que o livro não deve ser “um pássaro morto”, esquecido numa prateleira, mas antes uma obra viva, a ser lida, estudada, debatida e criticada, como instrumento ativo de reflexão e intervenção cívica.

O evento, organizado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, contou com uma forte presença de público, mas ficou também marcado por dificuldades técnicas na comunicação via Zoom, que impediram vários convidados localizados em diferentes países da CPLP de acompanharem e participarem plenamente na sessão.

A partir do público, Manuel Rodrigues Vaz, editor da Pangeia, chamou a atenção para o facto de a plateia refletir maioritariamente a presença de cidadãos angolanos, com participação ainda reduzida dos restantes países, considerando tratar-se de um pormenor relevante a melhorar em futuros encontros dedicados à reflexão conjunta no espaço da língua portuguesa.

Apesar destes constrangimentos, a sessão afirmou-se como um momento significativo de debate, reforçando o papel da sociedade civil e da produção académica independente na análise crítica do passado, do presente e dos desafios futuros das independências africanas.

50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos
50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos

Um testemunho plural e inédito

O livro reúne mais de 40 personalidades dos cinco PALOP, incluindo antigos chefes de Estado, políticos, diplomatas, académicos, escritores, artistas e representantes da sociedade civil. Cada autor partilha uma visão pessoal e crítica sobre os caminhos percorridos desde as independências até hoje, trazendo vozes diversas e perspectivas complementares.

Autores: Eugénio da Costa Almeida e Rui Verde (coordenadores), Alcides Sakala, Ana “Margoso”, Anastácio Sicato, Arlete Chimbinda, Belarmino Van-Dúnem, Carlos Veiga, Celso Malavoloneke, Denilaide Cunha, Domingos Kimpolo Nzau, Domingos Simões Pereira, Eusébio Sanjane, Gilvanete Chantre, Humberto Macaringue, Isaac Paxe, Jacques dos Santos, Jerónimo Belo, João Carlos do Rosário, João Carlos, João Craveirinha Jr, João Sicato Kandjo, Joaquim Rafael Branco, Jorge Castelo David, José Luís Mendonça, José Maria Neves, José Miguel Ferro, José Ulisses Correia e Silva, Manuel Fragata de Morais, Maria da Imaculada Melo, Maria João Teles Grilo, Maria Olinda Beja, Mihaela Webba, Onofre dos Santos, Orlando de Castro, Sandra Poulson, Sedrick de Carvalho, Sónia Santos Silva, Tomás Lima Coelho, Victor Hugo Mendes, William Tonet, Zeferino Boal

50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos

Rui Verde apela a novo paradigma entre governos e povos

Rui Verde apela a novo paradigma entre governos e povos

Lisboa – 9 de Janeiro de 2026 — Na sua intervenção na Biblioteca Palácio Galveias, que encheu o auditório com mais de uma centena de leitores e autores, o Prof. Doutor Rui Verde sublinhou que o livro 50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos representa, acima de tudo, uma expressão da sociedade civil africana, reunindo contributos maioritariamente independentes do poder político instalado.

Durante o lançamento, Rui Verde destacou que o grande impulso da obra pertence a Eugénio da Costa Almeida, assumindo o seu próprio papel como complementar no processo de coordenação. Mais do que um balanço histórico, o académico afirmou que o livro procura lançar um desafio político e cívico para o futuro das independências africanas.

O coordenador chamou ainda a atenção para a ausência significativa de representantes do poder governamental em países centrais como Angola e Moçambique, reforçando a leitura da obra como um espaço de reflexão livre. Nesse sentido, defendeu que os próximos 50 anos devem marcar o início de um novo paradigma, no qual governos e povos caminhem lado a lado, comprometidos com o bem comum, superando lógicas de distanciamento e isolamento mútuo.

A intervenção terminou com uma mensagem de esperança, expressando o desejo de que as próximas décadas sejam pautadas por maior convergência, participação cívica e cooperação entre o poder político e as sociedades africanas.

O evento foi organizado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, afirmando-se como mais um relevante encontro de reflexão e diálogo sobre África no espaço cultural de Lisboa.

50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos
50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos

O livro uma edição conjunta da Elivulu e da Perfil Criativo reúne mais de 40 personalidades dos cinco PALOP, incluindo antigos chefes de Estado, políticos, diplomatas, académicos, escritores, artistas e representantes da sociedade civil. Cada autor partilha uma visão pessoal e crítica sobre os caminhos percorridos desde as independências até hoje, trazendo vozes diversas e perspectivas complementares.

Autores: Eugénio da Costa Almeida e Rui Verde (coordenadores), Alcides Sakala, Ana “Margoso”, Anastácio Sicato, Arlete Chimbinda, Belarmino Van-Dúnem, Carlos Veiga, Celso Malavoloneke, Denilaide Cunha, Domingos Kimpolo Nzau, Domingos Simões Pereira, Eusébio Sanjane, Gilvanete Chantre, Humberto Macaringue, Isaac Paxe, Jacques dos Santos, Jerónimo Belo, João Carlos do Rosário, João Carlos, João Craveirinha Jr, João Sicato Kandjo, Joaquim Rafael Branco, Jorge Castelo David, José Luís Mendonça, José Maria Neves, José Miguel Ferro, José Ulisses Correia e Silva, Manuel Fragata de Morais, Maria da Imaculada Melo, Maria João Teles Grilo, Maria Olinda Beja, Mihaela Webba, Onofre dos Santos, Orlando de Castro, Sandra Poulson, Sedrick de Carvalho, Sónia Santos Silva, Tomás Lima Coelho, Victor Hugo Mendes, William Tonet, Zeferino Boal


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