«Faro e Enigmas» transformou o Memorial num encontro especial

«Faro e Enigmas» transformou o Memorial num encontro especial

A poeta angolana Elsa Major apresentou oficialmente, na tarde de quarta-feira, 29 de Julho, em Luanda, o livro Faro e Enigmas, numa sessão realizada no Memorial Dr. António Agostinho Neto. Perto de uma centena de convidados participou num encontro marcado pela poesia, pela música, pela performance e pela reflexão em torno da mulher e da cultura angolana.

Depois da apresentação pública realizada a 30 de Abril, em Lisboa, com o apoio da Embaixada da República de Angola em PortugalFaro e Enigmas chegou finalmente ao país que inspira grande parte da sua linguagem poética. O Namibe, o Atlântico, o deserto, o amor, a espiritualidade, a memória e as inquietações do mundo contemporâneo atravessam uma obra profundamente ligada às experiências e às raízes culturais da autora.

A sessão contou com as participações especiais de Conceição Cristóvão e Agnela Barros, responsáveis por diferentes leituras da obra, e do escritor, crítico literário e investigador João Fernando André, que representou a Perfil Criativo | AUTORES.club, editora responsável pela publicação.

Embora o auditório principal do Memorial tenha capacidade para cerca de 300 pessoas, a grandeza do encontro não se mediu pela lotação da sala. O escritor e jornalista José Soares Caetano, também conhecido literariamente como Tazuary Nkeita, classificou o lançamento como um momento de «Cultura Angolana em Grande», considerando que a qualidade e a riqueza cultural da sessão superaram todas as expectativas.

Conceição Cristóvão entre a razão e a emoção

Na sua intervenção, o professor Conceição Cristóvão dirigiu-se a Elsa Major a partir de duas perspectivas complementares: a razão e a emoção. Por um lado, propôs uma leitura reflexiva da obra, destacando a diversidade de interpretações que a poesia de Faro e Enigmas permite; por outro, assumiu uma abordagem afectiva, próxima e profundamente ligada à sensibilidade poética da autora.

A intervenção ganhou uma dimensão especialmente emotiva com a declamação de poemas de outros poetas, escolhidos e dedicados a Elsa Major. Este diálogo entre diferentes vozes literárias transformou a homenagem numa celebração colectiva da poesia, aproximando a autora de outras tradições, sensibilidades e experiências da palavra.

Agnela Barros destaca a artista, a mulher e a mãe

Na sua intervenção, a professora Agnela Barros propôs uma leitura de Faro e Enigmas a partir da condição da mulher africana, recordando a proximidade do Dia da Mulher Africana, assinalado a 31 de Julho.

Agnela Barros identificou na obra um forte hibridismo cultural, traduzido no diálogo permanente com diferentes realidades, culturas, civilizações e expressões artísticas. A música, a dança, a literatura, as línguas angolanas e as referências a diferentes geografias surgem interligadas numa poesia que recusa fronteiras rígidas.

Sem ignorar a presença do amor erótico, a professora preferiu destacar aquilo que considerou ser um dos elementos fundamentais do livro: o amor pela humanidade e a atenção da autora ao sofrimento dos outros. Esta dimensão humanista cruza-se com o amor pelo Namibe, por Luanda, pela história e pelas memórias individuais e colectivas.

Agnela Barros sintetizou a sua leitura em três dimensões fundamentais de Elsa Major: «artista, mulher e mãe». Na sua perspectiva, a autora manifesta uma particular capacidade para acolher as dores e as alegrias do mundo, estabelecendo pontes entre pessoas, lugares, tempos e diferentes formas de conhecimento.

João Fernando André reafirma a missão da editora

Em representação da Perfil Criativo | AUTORES.club, João Fernando André começou por agradecer a todos os que contribuíram para a realização do lançamento, bem como a Conceição Cristóvão e Agnela Barros pelas leituras e interpretações apresentadas.

O escritor e investigador recordou que a editora, embora esteja sediada em Lisboa, definiu como uma das suas prioridades a publicação e divulgação de autores angolanos e de trabalhos dedicados a Angola. Segundo referiu, o catálogo já reúne mais de cinquenta títulos ligados ao país, com especial incidência nas humanidades, na literatura, na poesia e no conto. (Nota do editor: rectificação, são mais de cento e cinquenta títulos)

Para João Fernando AndréFaro e Enigmas é uma «obra aberta», capaz de receber diferentes sensibilidades e interpretações. O livro valoriza o amor nas suas várias dimensões, da fraternidade ao erotismo, e recupera a sensibilidade como resposta a um mundo cada vez mais marcado pelo individualismo, pela violência e pela simplificação dos seres humanos.

A intervenção destacou igualmente a intertextualidade da obra, o diálogo com outros campos do saber e aquilo que Conceição Cristóvão definiu como um exercício de «inversão do olhar»: a capacidade de observar a realidade a partir de outras perspectivas, estabelecendo relações entre elementos aparentemente separados.

Outro aspecto salientado foi a incorporação de línguas angolanas, elementos da tradição oral e referências à angolanidade. Numa altura em que muitas línguas nacionais necessitam de maior apoio e valorização, João Fernando André considerou particularmente relevante que Elsa Major lhes conceda espaço dentro da sua criação poética.

O representante da editora chamou ainda a atenção para a desigualdade existente entre homens e mulheres na publicação literária. Citando o levantamento realizado no livro Autores e Escritores de Angola, de Tomás Lima Coelho, referiu que, num universo de aproximadamente 3.300 autores identificados até 2021, apenas 607 eram mulheres. Nesse sentido, apelou à continuidade da produção literária feminina e à valorização do trabalho intelectual das mulheres angolanas.

Elsa Major entrega o livro aos leitores

Visivelmente emocionada, Elsa Major agradeceu aos familiares, amigos, convidados e a todos os que aceitaram participar naquele momento. Dirigiu palavras especiais ao filho, à nora, à neta e aos músicos da Orquestra Camerata de Luanda, que considera companheiros do seu percurso e cuja música também inspira a sua escrita.

Depois de ouvir as intervenções de Conceição Cristóvão, Agnela Barros e João Fernando André, a autora reconheceu ter descoberto novas possibilidades de leitura dentro dos próprios poemas. Afirmou ter sentido, nos rostos e nos gestos do público, que ainda havia muitas palavras por dizer, entregando simbolicamente a continuidade do livro aos leitores.

Elsa Major manifestou o desejo de que o público transportasse consigo o sentido humanitário da obra: a pertença, o respeito pelas tradições, pela cultura, pelas línguas angolanas e pela ancestralidade. Defendeu igualmente a valorização das capacidades individuais e colectivas de Angola, recordando que escolheu as letras como o seu território de intervenção.

A autora explicou ainda que começou a escrever grande parte de Faro e Enigmas durante a pandemia de Covid-19, quando se encontrava a cumprir uma missão diplomática na África do Sul. Separada de parte da família e confrontada com o isolamento e o medo da morte, encontrou na escrita uma forma de enfrentar aquele período profundamente conturbado.

Essa experiência levou-a a reflectir sobre a fragilidade humana, o sofrimento, a violência e aquilo que considera ser uma preocupante perda do amor ao próximo. Para Elsa Major, o mundo tem espaço para todos, independentemente das diferenças, desde que a humanidade recupere a capacidade de cuidar, respeitar e amar.

A intervenção terminou com uma declaração que resume o espírito do livro e do próprio lançamento: «amor é vida, amor é Deus».

De “Manjoro” a “Major”: uma memória familiar recuperada

Um dos momentos mais surpreendentes da tarde surgiu através da intervenção de um membro mais velho da família da autora, que revelou a origem do apelido «Major».

Segundo o testemunho partilhado durante a sessão, «Major» é uma corruptela aportuguesada da palavra cuanhama «Manjoro». O nome original terá sido rejeitado pelos serviços de registo civil durante o regime colonial, acabando por ser adaptado à forma portuguesa pela qual a família passou a ser oficialmente identificada.

A revelação conferiu ao encontro uma dimensão histórica e inesperada. Num livro marcado pela memória, pela pertença e pelas raízes africanas, a recuperação do nome «Manjoro» permitiu também recordar os mecanismos através dos quais a administração colonial alterou nomes africanos e interferiu na transmissão das identidades familiares.

Publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.clubFaro e Enigmas conta com prefácios de Sara Jona Laisse e Kátia Guerreiro. Ao chegar oficialmente a Luanda, a obra deixou de pertencer apenas à autora e passou definitivamente para as mãos dos seus leitores, como um faro destinado a iluminar os enigmas do amor, da memória e da condição humana.

Elsa Major leva «Faro e Enigmas» ao programa Janela Aberta antes do lançamento em Luanda

Elsa Major leva «Faro e Enigmas» ao programa Janela Aberta antes do lançamento em Luanda

A poeta angolana Elsa Major foi convidada do programa Janela Aberta, da Televisão Pública de Angola (TPA), onde apresentou o seu percurso literário e anunciou o lançamento oficial, em Luanda, do livro «Faro e Enigmas», publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club.

A obra será lançada hoje, 29 de Julho, às 16h30, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, num encontro dedicado à poesia, à palavra, à dramatização e à música. Esta será a primeira apresentação do livro em Angola, depois do lançamento realizado em Portugal, que contou com o apoio da Embaixada da República de Angola em Portugal.

Durante a conversa no Janela Aberta, Elsa Major recordou que começou a escrever ainda na adolescência e falou das quatro obras que integram o seu percurso como autora. Para além dos livros publicados, participa regularmente em antologias de autores de diferentes países de língua portuguesa, experiência que considera essencial para manter o diálogo e o intercâmbio entre as várias geografias da lusofonia.

A poeta abordou também a sua ligação à família, à educação e à transmissão do gosto pela leitura às novas gerações. A neta Ainara, uma das suas fontes de inspiração, dá nome a uma colecção de contos infanto-juvenis ilustrados que a autora está a preparar.

Outro dos momentos marcantes da entrevista foi a declamação de um poema dedicado à sua terra natal. Elsa Major destacou Moçâmedes, o mar e o deserto como elementos permanentes da sua criação literária, afirmando que são paisagens inseparáveis da sua memória, da sua sensibilidade e da sua escrita.

A autora pronunciou-se igualmente sobre o actual panorama literário angolano, que considera dinâmico e enriquecido pela participação de uma nova geração de escritores. Contudo, chamou a atenção para os elevados custos de edição e para as dificuldades que muitos autores e artistas enfrentam para publicar e divulgar os seus trabalhos. Na sua perspectiva, são necessárias políticas capazes de apoiar a criação e de levar os valores culturais angolanos para além das fronteiras do país.

No final da entrevista, Elsa Major ofereceu um exemplar de «Faro e Enigmas» ao programa e escolheu «Força Estranha», na voz de Gal Costa, como uma das músicas marcantes da sua vida — uma escolha associada à força, ao amor e à energia que também atravessam a sua poesia.

O público terá hoje a oportunidade de conhecer essa «força estranha» da palavra poética no lançamento oficial de «Faro e Enigmas», às 16h30, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda.

Elsa Major leva Faro e Enigmas às ondas da rádio CEFOJOR

Elsa Major leva Faro e Enigmas às ondas da rádio CEFOJOR

Na manhã de 25 de junho de 2026, a poetisa angolana Elsa Major esteve na rádio CEFOJOR para uma breve entrevista dedicada à sua mais recente obra poética, Faro e Enigmas. A conversa decorreu no espaço «Páginas e Vozes», integrado no programa Manhã de Cacimbo, e serviu também para anunciar a apresentação oficial do livro em Luanda.

Parceira na divulgação da literatura e da cultura, a rádio CEFOJOR recebeu a autora num ambiente que Elsa Major considerou já familiar. Cumprindo uma promessa anteriormente assumida, a poeta regressou à estação não apenas para falar da obra, mas também para oferecer um exemplar à rádio e ao programa.

Publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.clubFaro e Enigmas reúne poemas atravessados pelo amor, pela sensualidade, pela memória, pela identidade e pelas paisagens africanas. A presença do Namibe, terra natal da autora, do deserto e do mar constitui uma das marcas mais fortes do livro, prolongando uma ligação afectiva e literária ao Sul de Angola.

A obra não se limita, porém, à contemplação da paisagem ou à dimensão íntima dos sentimentos. Durante a entrevista, Elsa Major destacou igualmente as inquietações sociais presentes nos poemas, incluindo a guerra, a instabilidade internacional e os seus efeitos sobre a vida das pessoas, mesmo quando os conflitos decorrem longe das nossas fronteiras.

A espiritualidade e a fé ocupam também um lugar central. Para a autora, num mundo afectado pela violência e pela incerteza, o amor continua a ser uma força necessária à convivência humana: «O mundo precisa de amor», afirmou, deixando igualmente um apelo para que não se perca a fé.

Poesia escrita, dramatizada e cantada

Depois da primeira apresentação pública, realizada a 30 de abril de 2026, no Auditório 11 de Novembro, em PortugalFaro e Enigmas conhecerá a sua apresentação oficial em Angola na quarta-feira, 29 de julho de 2026, às 16h30, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda.

A sessão contará com as participações de Conceição Cristóvão, Agnela Barros e João Fernando André, escritor, crítico literário e autor de Matéria Negra, que já havia intervindo na apresentação da obra em Portugal. Elsa Major recordou ainda o contributo do escritor e crítico Mário Máximo, responsável pelo texto principal de apresentação na sessão realizada em Lisboa.

O encontro no Memorial pretende ultrapassar o formato convencional de lançamento literário. O público será convidado a experimentar três dimensões complementares da criação artística: a poesia escrita, a poesia dramatizada e a poesia transformada em música. Estão previstas interpretações cénicas dos poemas por estudantes ligados ao ensino das artes, bem como um momento musical.

Será, nas palavras da autora, uma oportunidade para aproximar diferentes linguagens e mostrar como a literatura pode conviver com o teatro e a música, dando uma nova vida ao texto poético.

Com entrada livre, a apresentação de Faro e Enigmas propõe-se como um momento solene de celebração da palavra e da cultura. Elsa Major deixou, através dos microfones da rádio CEFOJOR, um convite aos leitores, aos amantes da poesia e a todos os que desejem partilhar consigo este novo percurso da obra em Angola.

Luanda prepara-se para receber o lançamento oficial de Faro e Enigmas, de Elsa Major

Luanda prepara-se para receber o lançamento oficial de Faro e Enigmas, de Elsa Major

Depois da apresentação em Portugal, a poeta Elsa Major regressa para o lançamento oficial em Angola da sua mais recente obra, Faro e Enigmas — Poesia. A sessão terá lugar no próximo 29 de julho de 2026, às 16h30, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, um dos mais importantes espaços de promoção da cultura e da memória nacional. 

Publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.clubFaro e Enigmas afirma-se como uma das mais significativas obras poéticas da autora, reunindo poemas onde o amor, a memória, a espiritualidade, a identidade e a paisagem se cruzam numa escrita profundamente sensorial. Inspirada pelo Namibe, pelo Atlântico e pelo deserto do Kalahari, Elsa Major propõe uma poesia que convida à contemplação e à reflexão sobre a condição humana. 

A sessão contará com a participação de convidados especiais, entre os quais Conceição CristóvãoAgnela Barros e o escritor e investigador João Fernando André, cuja presença reforça a dimensão literária do encontro.

O livro conta com o apoio de diversas instituições e órgãos de comunicação social, entre os quais a Rádio Escola 88.5 FM, o Sistema Akwa Kisanji, a Rádio MFM 91.7 e outros parceiros culturais.

Depois da excelente receção em Lisboa, onde a obra reuniu escritores, académicos, diplomatas e leitores num momento de celebração da literatura, Faro e Enigmas chega agora a Luanda para um encontro, de acesso livre, com o público angolano, num regresso particularmente simbólico da autora às suas raízes e ao universo cultural que inspira grande parte da sua criação poética.

Mais do que um lançamento literário, esta apresentação constitui uma celebração da poesia contemporânea e da crescente afirmação das vozes femininas na literatura nacional, reforçando o papel do livro como espaço de diálogo entre memória, identidade e futuro.

Elsa Major
Elsa Major na apresentação em Lisboa
Faro e Enigmas
Faro e Enigmas

Entre o silêncio e a entrega: a voz de Elsa Major

Entre o silêncio e a entrega: a voz de Elsa Major

Apresentação de Faro e Enigmas, 30 de abril de 2026, no Auditório 11 de Novembro, com o apoio da Embaixada da República de Angola

No encerramento da sessão de apresentação de Faro e Enigmas, no Auditório 11 de Novembro, a poetisa Elsa Major dirigiu-se ao público com emoção e gratidão, assinalando aquele momento como um marco profundamente significativo no seu percurso literário e pessoal.

A autora começou por agradecer o apoio institucional da Embaixada de Angola, bem como a todos os que contribuíram para a concretização do evento, destacando o papel do editor e dos intervenientes que enriqueceram a apresentação, nomeadamente o texto de Mário Máximo, lido por Fátima Gorete de Pina, e a intervenção crítica de João Fernando André.

Visivelmente tocada pela presença de diplomatas, familiares, amigos, escritores e jornalistas, Elsa Major sublinhou a importância coletiva daquele encontro, reconhecendo na partilha da palavra um gesto essencial da criação literária.

Na sua intervenção, definiu Faro e Enigmas como uma obra nascida de diferentes tempos da sua vida, “dos silêncios em tempos difíceis” e das vivências mais recentes, revelando uma escrita profundamente ligada à experiência humana. A autora afirmou ver poesia em tudo, assumindo a escrita como forma de interpretar um mundo que, embora marcado por inquietações, pode ainda ser transformado pela sensibilidade.

Destacou que o livro é, sobretudo, um convite à reflexão sobre aquilo que nos define enquanto seres humanos: o amor, a memória, a identidade, a fé e a relação com a natureza. Mais do que respostas, a obra propõe inquietações, motor essencial da sua criação poética.

Num dos momentos mais marcantes da intervenção, Elsa Major declarou que, a partir daquele instante, o livro deixava de lhe pertencer exclusivamente, passando a ser entregue aos leitores: “não quero ficar com ela, quero entregá-la a todos”. Sublinhou ainda o desejo de que cada leitor encontre na vida um verso, tornando-a “mais bela, mais sensível e mais humana”.

A autora dedicou a obra à sua neta, evocando simbolicamente todas as crianças do mundo, numa mensagem de forte dimensão ética e afetiva, onde o apelo ao cuidado, ao amor e à responsabilidade coletiva se tornou evidente.

A sessão encerrou com a leitura de alguns poemas, iniciando-se com “Descoberta”, num momento de partilha íntima que reforçou a ligação entre autora, obra e público.

Literatura feminina em Angola: Quando a poesia convoca a terra, o corpo e o espírito

Literatura feminina em Angola: Quando a poesia convoca a terra, o corpo e o espírito

Apresentação do livro “Faro e Enigmas”, de Elsa Major, no Auditório “11 de Novembro”, na tarde de 30 de abril de 2026

Na apresentação de Faro e Enigmas, o escritor e investigador angolano João Fernando André destacou a obra de Elsa Major como um contributo relevante para o crescimento da literatura feminina em Angola, sublinhando o aumento significativo da produção literária de autoria feminina no país.

Na sua intervenção, enquadrou o livro num contexto mais amplo da criação literária angolana contemporânea, caracterizada por dinamismo e expansão, apesar dos desafios estruturais. Considerou que Elsa Major se insere neste movimento, enriquecendo-o com uma voz própria, marcada pela sensibilidade e pela reflexão.

Do ponto de vista temático, evidenciou que Faro e Enigmas percorre eixos centrais da experiência humana, como o amor, nas suas dimensões erótica e fraternas, a memória, a espiritualidade, a guerra e as suas consequências, bem como a desigualdade social. Destacou ainda a presença de uma poética questionadora, próxima da metalinguagem, onde a autora interroga o próprio fazer poético.

Um dos aspetos mais relevantes da análise foi o destaque dado ao hibridismo linguístico e cultural da obra. João Fernando André sublinhou o uso de elementos das línguas vernáculas angolanas, bem como referências à tradição oral, à gastronomia, à cosmovisão africana e aos códigos culturais endógenos, conferindo à poesia uma identidade enraizada e simultaneamente universal.

A intervenção evidenciou também a dimensão social e crítica da obra, nomeadamente na abordagem ao papel da mulher numa sociedade ainda marcada por estruturas patriarcais, sugerindo uma leitura da poesia como espaço de afirmação e liberdade.

Foi igualmente salientada a presença da paisagem angolana, em particular do Namibe, como elemento estruturante da obra, permitindo não só uma leitura estética, mas também uma valorização simbólica e cultural do território.

Por fim, o orador destacou a dimensão ética e humanista da poesia de Elsa Major, que convoca questões contemporâneas como a violência, os conflitos, a degradação ambiental e a perda de valores, propondo a reflexão, o diálogo e a espiritualidade como caminhos possíveis para um mundo mais equilibrado.

Uma leitura crítica de Faro e Enigmas

Uma leitura crítica de Faro e Enigmas

Texto de Mário Máximo | Leitura por Fátima Gorete de Pina

A apresentação do livro Faro e Enigmas — Poesia, de Elsa Major, realizada no Auditório 11 de Novembro, foi marcada por uma leitura crítica profunda e sensível do escritor Mário Máximo, interpretada pela escritora são-tomense Fátima Gorete de Pina.

No seu texto, Mário Máximo destacou a obra como um corpo poético estruturado e de forte intensidade emocional, sublinhando a presença de uma autora que “aloja um coração enorme em cada verso”. Considerou Faro e Enigmas um livro que, embora de leitura inicial fluida, se revela progressivamente mais denso e exigente, convidando o leitor a permanecer em cada poema e a interrogar o sentido profundo das palavras.

O escritor salientou a capacidade da autora em construir uma poesia que convoca todos os sentidos, em consonância com a leitura crítica de Sara Jona Laisse, e que articula sensualidade, reflexão e identidade numa linguagem simultaneamente íntima e universal. Referiu ainda a importância dos prefácios, incluindo o olhar sensorial de Kátia Guerreiro , como portas de entrada para a compreensão da obra.

Na sua análise, Faro e Enigmas surge como um manifesto poético íntimo, marcado por uma alternância entre versos de forte carga sensorial e momentos de reflexão existencial. Mário Máximo destacou a presença de uma “estética da serenidade”, mesmo nos momentos de maior intensidade, e identificou na obra um eixo central onde a poesia se constrói como travessia interior, entre memória, desejo, corpo e paisagem.

A leitura evidenciou também a dimensão simbólica da escrita de Elsa Major, onde cada poema pode funcionar como uma “máscara estética”, revelando e ocultando simultaneamente o universo interior da autora. Ao longo da obra, sobressai uma tensão entre permanência e despedida, amor e ausência, num movimento contínuo que confere unidade ao livro.

O verso “A vida é uma dama completamente nua”, destacado pelo autor, foi apresentado como chave interpretativa da obra, sintetizando a exposição emocional e a entrega total que atravessam a poesia de Elsa Major.

A interpretação de Fátima Gorete de Pina acrescentou expressividade e musicalidade ao texto, reforçando a dimensão oral e performativa da poesia, num momento que celebrou a língua portuguesa como espaço de encontro entre diferentes geografias da lusofonia.

Mário Máximo

Nascido em Lisboa em setembro de 1956, o escritor Mário Máximo tem uma vasta bibliografia: poesia, romance, teatro, crónica, conto e ensaio. Ao todo, são já cerca de trinta os livros publicados, para além da participação em diversas Antologias. 

Os últimos livros editados foramAntologia – Poemas Escolhidos – 30 Anos de Poesia” (Edições Fénix, 2016); “O Heterónimo de Camões” (Romance, Edições Fénix, 2017); “A Era dos Versos” (Poesia, Edições Fénix, 2018); “O Diário dos Silêncios” (Romance, Edições Fénix, 2019); “Quarentena ou a Liberdade Dentro de Uma Caixa” (Conto, Edições Fénix, 2020); “As Portas da Noite” (Poesia, Edições Fénix, 2020) e o livro “O Pêndulo, A Poesia, O labirinto” (Poesia, Edições Fénix, 2022). Em 2024 publica o romance “A Viagem Para a Literatura ou o Destino de Ferreira de Castro” (Edições Fénix). Ainda em 2024 sai o livro de poesia “A Linguagem das Nuvens” (Edições Fénix). Em 2025 é publicado o romance “A Mulher Construída” (Edições Fénix).

Mário Máximo, tem desenvolvido, de modo continuado, um intenso trabalho na área da cidadania de língua portuguesa e da lusofonia. Foi Comissário estratégico da Bienal de Culturas Lusófonas de Odivelas durante dez anos (2006 a 2016), Bienal que contou com a Drª. Maria Barroso como Presidente da respetiva Comissão de Honra. Participou, nacional e internacionalmente, em diversos outros projetos nas áreas da lusofonia. É atualmente o coordenador da Administração da “Gala Prémios da Lusofonia”, bem como do “Fórum Permanente Debates da Lusofonia”. Estabeleceu relacionamento e parcerias ativas com as instituições de maior relevo ligadas ao mundo lusófono, nomeadamente a CPLP, a CE-CPLP e a UCCCLA, para além de outras instituições atuando em áreas confinantes. Foi, ainda, vereador e vice-presidente da Câmara Municipal de Odivelas (2009-2013), bem como Presidente do Conselho de Administração do Centro Cultural Malaposta (2005-2009 e 2013-2014). Durante cinco anos, foi Presidente da Direção da Associação Fernando Pessoa (que contava, aliás, com os sobrinhos do poeta). É cidadão honorário da C. M. da Ribeira Grande de Santiago (Cidade Velha – Cabo Verde). Entre outros, foi agraciado com o Prémio Lusofonia 2017. 

Regresso à música do Sul

Regresso à música do Sul

NOTAS DO EDITOR

Há geografias que permanecem na memória como um eco antigo. Há vozes que regressam como o mar. Com Faro e Enigmas, regressamos ao sul, a Moçâmedes, terra de vento, sal, deserto e poesia. É desse território de paisagens intensas que surge Elsa Major, uma voz que celebramos e revelamos.
Filha de uma grande família, nove meninas e três rapazes, cresceu entre leituras, canto e tradições populares. Ainda jovem integrou o Grupo Carnavalesco da Torre do Tombo, influenciada pelos pais e a família onde a música, o ritmo e a palavra começaram a moldar a sua sensibilidade artística.
Aos 12 anos ingressou na organização dos pioneiros de Angola, onde por meio de actividades culturais centradas na literatura nacional, desenvolveu de forma decisiva a sua formação. A sua vida cruza-se com a própria história nacional. Em 1975, no turbilhão da independência, o pai, pescador de atum, conduz a família na sua embarcação até Benguela e depois Luanda. Mais tarde regressaria ao lugar da origem pelo mesmo mar.
Estudou Linguística da Língua Portuguesa e tornou-se professora aos 17 anos, aprendendo com a mãe a disciplina do trabalho, guardada no segredo dos “dez anõezinhos”, as mãos.
O seu percurso foi marcado por uma carreira profissional tendo exercido funções de direcção em vários ministérios e assumindo funções de liderança desportiva. Iniciou-se como atleta de andebol, tendo-se depois tornado dirigente da Federação Angolana de Andebol. Foi ainda membro de organismos desportivos nacionais e africanos. Desempenhou também funções diplomáticas na África do Sul.
A poesia, porém, permaneceu sempre o seu território mais íntimo. O primeiro livro surge em 2010, nascido de rascunhos.
Agora, em Faro e Enigmas (2026), Elsa Major oferece-nos uma obra de maturidade poética. Amor, sensualidade, memória e paisagem africana atravessam estes poemas, onde o Namibe, o Atlântico e o deserto dialogam com o corpo e a alma.
Como escreve Sara Jona Laisse no prefácio, esta obra recorda-nos que “a vida é amiga da arte”, num encontro profundo entre experiência e criação.
Este livro é, acima de tudo, um regresso: um regresso à música do Sul.

Convite para o lançamento oficial em Portugal

A poetisa Elsa Major, a Embaixada da República de Angola em Portugal e o editor da Perfil Criativo | AUTORES.club têm o prazer de convidar V. Exa. para a apresentação em Portugal do livro:

FARO E ENIGMAS – POESIA

O evento terá lugar na quinta-feira, 30 de abril (2026), às 17h30, no Auditório 11 de Novembro, localizado na Rua Leopoldo de Almeida, 6-A, Lumiar, Lisboa.

Contamos com a sua presença!

Uma poesia que respira Angola e dialoga com o mundo

Faro e Enigmas: a poesia que vem do Sul e atravessa o mundo

Faro e Enigmas: a poesia que vem do Sul e atravessa o mundo

Faro e Enigmas” – Novo livro de poesia de Elsa Major apresentado em Portugal a 30 de abril, no auditório 11 de novembro (Lumiar, Lisboa)

A poetisa angolana Elsa Major lança em Portugal a sua mais recente obra, Faro e Enigmas, um livro de poesia que afirma uma voz intensa, sensorial e profundamente enraizada na identidade cultural africana.

A apresentação oficial terá lugar no final do mês de abril, marcando o encontro entre a autora e o público português, num momento que celebra a literatura lusófona contemporânea e o diálogo cultural entre Portugal e Angola.

Uma poesia entre o corpo, a terra e a memória

Em Faro e Enigmas, Elsa Major conduz o leitor por uma viagem poética onde o amor, a sensualidade, a espiritualidade e a memória se entrelaçam com paisagens marcantes como o Namibe, o Atlântico e o deserto do Kalahari.

A obra revela uma escrita madura, onde a experiência de vida se transforma em linguagem simbólica e emocional, convocando todos os sentidos. Os poemas oscilam entre o íntimo e o coletivo, entre o corpo e a terra, entre o silêncio e a revelação.

Como sublinha a Nota do Editor, trata-se de um verdadeiro regresso à música do Sul, evocando Moçâmedes como espaço de origem, memória e criação, onde a poesia nasce da fusão entre vida, território e identidade.

Prefácios que iluminam a obra

O livro conta com prefácios que enriquecem a leitura e contextualizam a sua dimensão estética e humana.
A escritora Sara Jona Laisse destaca a força da obra ao sublinhar o diálogo entre vida e arte, evocando a ideia de que “a vida é amiga da arte”, numa reflexão que atravessa toda a construção poética do livro.
Já a interpretação sensível da fadista Katia Guerreiro reforça a dimensão emocional da obra, conduzindo o leitor por memórias, paisagens e afetos que ressoam para além das palavras, aproximando poesia e música numa experiência sensorial profunda.

Uma voz da lusofonia contemporânea

Com um percurso consolidado na poesia e participação em diversas antologias lusófonas, Elsa Major afirma-se como uma autora que cruza geografias, experiências e linguagens.
A sua escrita revela uma forte ligação à tradição oral, à cultura angolana e à expressão feminina contemporânea, tornando Faro e Enigmas uma obra relevante no panorama literário atual.

Público-alvo

O público-alvo de Faro e Enigmas centra-se em leitores adultos, sobretudo entre os 30 e os 65 anos, com interesse pela poesia contemporânea e pela literatura lusófona. Trata-se de um público sensível à linguagem simbólica, à expressão emocional e à reflexão sobre temas como o amor, a memória, a identidade e a espiritualidade.

A obra dirige-se também a leitores ligados à realidade cultural entre Angola e Portugal, incluindo a comunidade angolana e todos aqueles que se interessam por referências africanas, tradição oral e paisagem identitária. Paralelamente, encontra particular ressonância junto de mulheres leitoras que valorizam uma escrita intimista e sensorial.

Além do público leitor, o livro tem potencial de alcance junto de artistas, mediadores culturais e meio académico, dada a sua riqueza temática e estética, posicionando-se como uma obra relevante no panorama da poesia de língua portuguesa contemporânea.

Escritores de Portugal e Angola celebram Faro e Enigmas

A apresentação de Faro e Enigmas, no próximo 30 de abril, no auditório 11 de novembro (Lumiar), contará com a presença de dois convidados de reconhecido mérito literário, reforçando a dimensão cultural e a língua portuguesa.

Participará o escritor português Mário Máximo, convidado pela autora Elsa Major. Nascido em Lisboa, em 1956, possui uma vasta obra publicada nos géneros da poesia, romance, teatro, conto, crónica e ensaio, somando cerca de trinta livros. Figura destacada da promoção da cidadania de língua portuguesa e da lusofonia, desenvolveu intensa atividade cultural em Portugal e no espaço CPLP, sendo distinguido, entre outros reconhecimentos, com o Prémio Lusofonia 2017.

Convidado pela editora Perfil Criativo | AUTORES.club estará igualmente presente o escritor angolano João Fernando André, conhecido literariamente por Kalunga, doutorado em Literatura pela Universidade de Lisboa. Escritor, professor e consultor cultural, é autor de obras como Matéria Negra, Evangelho BantuO Dia em que uma Pedra Virou Lua e Lumbu – a Alquimia das Palavras. Com presença regular em jornais e antologias internacionais, destaca-se como uma das vozes jovens mais relevantes da literatura angolana contemporânea.

A participação destes dois autores confere à sessão de lançamento um especial significado, promovendo o diálogo entre gerações, geografias e sensibilidades literárias no espaço da língua portuguesa.

Faro e Enigmas — Poesia