Uma leitura crítica de Faro e Enigmas

Uma leitura crítica de Faro e Enigmas

Texto de Mário Máximo | Leitura por Fátima Gorete de Pina

A apresentação do livro Faro e Enigmas — Poesia, de Elsa Major, realizada no Auditório 11 de Novembro, foi marcada por uma leitura crítica profunda e sensível do escritor Mário Máximo, interpretada pela escritora são-tomense Fátima Gorete de Pina.

No seu texto, Mário Máximo destacou a obra como um corpo poético estruturado e de forte intensidade emocional, sublinhando a presença de uma autora que “aloja um coração enorme em cada verso”. Considerou Faro e Enigmas um livro que, embora de leitura inicial fluida, se revela progressivamente mais denso e exigente, convidando o leitor a permanecer em cada poema e a interrogar o sentido profundo das palavras.

O escritor salientou a capacidade da autora em construir uma poesia que convoca todos os sentidos, em consonância com a leitura crítica de Sara Jona Laisse, e que articula sensualidade, reflexão e identidade numa linguagem simultaneamente íntima e universal. Referiu ainda a importância dos prefácios, incluindo o olhar sensorial de Kátia Guerreiro , como portas de entrada para a compreensão da obra.

Na sua análise, Faro e Enigmas surge como um manifesto poético íntimo, marcado por uma alternância entre versos de forte carga sensorial e momentos de reflexão existencial. Mário Máximo destacou a presença de uma “estética da serenidade”, mesmo nos momentos de maior intensidade, e identificou na obra um eixo central onde a poesia se constrói como travessia interior, entre memória, desejo, corpo e paisagem.

A leitura evidenciou também a dimensão simbólica da escrita de Elsa Major, onde cada poema pode funcionar como uma “máscara estética”, revelando e ocultando simultaneamente o universo interior da autora. Ao longo da obra, sobressai uma tensão entre permanência e despedida, amor e ausência, num movimento contínuo que confere unidade ao livro.

O verso “A vida é uma dama completamente nua”, destacado pelo autor, foi apresentado como chave interpretativa da obra, sintetizando a exposição emocional e a entrega total que atravessam a poesia de Elsa Major.

A interpretação de Fátima Gorete de Pina acrescentou expressividade e musicalidade ao texto, reforçando a dimensão oral e performativa da poesia, num momento que celebrou a língua portuguesa como espaço de encontro entre diferentes geografias da lusofonia.

Regresso à música do Sul

Regresso à música do Sul

NOTAS DO EDITOR

Há geografias que permanecem na memória como um eco antigo. Há vozes que regressam como o mar. Com Faro e Enigmas, regressamos ao sul, a Moçâmedes, terra de vento, sal, deserto e poesia. É desse território de paisagens intensas que surge Elsa Major, uma voz que celebramos e revelamos.
Filha de uma grande família, nove meninas e três rapazes, cresceu entre leituras, canto e tradições populares. Ainda jovem integrou o Grupo Carnavalesco da Torre do Tombo, influenciada pelos pais e a família onde a música, o ritmo e a palavra começaram a moldar a sua sensibilidade artística.
Aos 12 anos ingressou na organização dos pioneiros de Angola, onde por meio de actividades culturais centradas na literatura nacional, desenvolveu de forma decisiva a sua formação. A sua vida cruza-se com a própria história nacional. Em 1975, no turbilhão da independência, o pai, pescador de atum, conduz a família na sua embarcação até Benguela e depois Luanda. Mais tarde regressaria ao lugar da origem pelo mesmo mar.
Estudou Linguística da Língua Portuguesa e tornou-se professora aos 17 anos, aprendendo com a mãe a disciplina do trabalho, guardada no segredo dos “dez anõezinhos”, as mãos.
O seu percurso foi marcado por uma carreira profissional tendo exercido funções de direcção em vários ministérios e assumindo funções de liderança desportiva. Iniciou-se como atleta de andebol, tendo-se depois tornado dirigente da Federação Angolana de Andebol. Foi ainda membro de organismos desportivos nacionais e africanos. Desempenhou também funções diplomáticas na África do Sul.
A poesia, porém, permaneceu sempre o seu território mais íntimo. O primeiro livro surge em 2010, nascido de rascunhos.
Agora, em Faro e Enigmas (2026), Elsa Major oferece-nos uma obra de maturidade poética. Amor, sensualidade, memória e paisagem africana atravessam estes poemas, onde o Namibe, o Atlântico e o deserto dialogam com o corpo e a alma.
Como escreve Sara Jona Laisse no prefácio, esta obra recorda-nos que “a vida é amiga da arte”, num encontro profundo entre experiência e criação.
Este livro é, acima de tudo, um regresso: um regresso à música do Sul.

Convite para o lançamento oficial em Portugal

A poetisa Elsa Major, a Embaixada da República de Angola em Portugal e o editor da Perfil Criativo | AUTORES.club têm o prazer de convidar V. Exa. para a apresentação em Portugal do livro:

FARO E ENIGMAS – POESIA

O evento terá lugar na quinta-feira, 30 de abril (2026), às 17h30, no Auditório 11 de Novembro, localizado na Rua Leopoldo de Almeida, 6-A, Lumiar, Lisboa.

Contamos com a sua presença!

Uma poesia que respira Angola e dialoga com o mundo

Faro e Enigmas: a poesia que vem do Sul e atravessa o mundo

Faro e Enigmas: a poesia que vem do Sul e atravessa o mundo

Faro e Enigmas” – Novo livro de poesia de Elsa Major apresentado em Portugal a 30 de abril, no auditório 11 de novembro (Lumiar, Lisboa)

A poetisa angolana Elsa Major lança em Portugal a sua mais recente obra, Faro e Enigmas, um livro de poesia que afirma uma voz intensa, sensorial e profundamente enraizada na identidade cultural africana.

A apresentação oficial terá lugar no final do mês de abril, marcando o encontro entre a autora e o público português, num momento que celebra a literatura lusófona contemporânea e o diálogo cultural entre Portugal e Angola.

Uma poesia entre o corpo, a terra e a memória

Em Faro e Enigmas, Elsa Major conduz o leitor por uma viagem poética onde o amor, a sensualidade, a espiritualidade e a memória se entrelaçam com paisagens marcantes como o Namibe, o Atlântico e o deserto do Kalahari.

A obra revela uma escrita madura, onde a experiência de vida se transforma em linguagem simbólica e emocional, convocando todos os sentidos. Os poemas oscilam entre o íntimo e o coletivo, entre o corpo e a terra, entre o silêncio e a revelação.

Como sublinha a Nota do Editor, trata-se de um verdadeiro regresso à música do Sul, evocando Moçâmedes como espaço de origem, memória e criação, onde a poesia nasce da fusão entre vida, território e identidade.

Prefácios que iluminam a obra

O livro conta com prefácios que enriquecem a leitura e contextualizam a sua dimensão estética e humana.
A escritora Sara Jona Laisse destaca a força da obra ao sublinhar o diálogo entre vida e arte, evocando a ideia de que “a vida é amiga da arte”, numa reflexão que atravessa toda a construção poética do livro.
Já a interpretação sensível da fadista Katia Guerreiro reforça a dimensão emocional da obra, conduzindo o leitor por memórias, paisagens e afetos que ressoam para além das palavras, aproximando poesia e música numa experiência sensorial profunda.

Uma voz da lusofonia contemporânea

Com um percurso consolidado na poesia e participação em diversas antologias lusófonas, Elsa Major afirma-se como uma autora que cruza geografias, experiências e linguagens.
A sua escrita revela uma forte ligação à tradição oral, à cultura angolana e à expressão feminina contemporânea, tornando Faro e Enigmas uma obra relevante no panorama literário atual.

Público-alvo

O público-alvo de Faro e Enigmas centra-se em leitores adultos, sobretudo entre os 30 e os 65 anos, com interesse pela poesia contemporânea e pela literatura lusófona. Trata-se de um público sensível à linguagem simbólica, à expressão emocional e à reflexão sobre temas como o amor, a memória, a identidade e a espiritualidade.

A obra dirige-se também a leitores ligados à realidade cultural entre Angola e Portugal, incluindo a comunidade angolana e todos aqueles que se interessam por referências africanas, tradição oral e paisagem identitária. Paralelamente, encontra particular ressonância junto de mulheres leitoras que valorizam uma escrita intimista e sensorial.

Além do público leitor, o livro tem potencial de alcance junto de artistas, mediadores culturais e meio académico, dada a sua riqueza temática e estética, posicionando-se como uma obra relevante no panorama da poesia de língua portuguesa contemporânea.

Escritores de Portugal e Angola celebram Faro e Enigmas

A apresentação de Faro e Enigmas, no próximo 30 de abril, no auditório 11 de novembro (Lumiar), contará com a presença de dois convidados de reconhecido mérito literário, reforçando a dimensão cultural e a língua portuguesa.

Participará o escritor português Mário Máximo, convidado pela autora Elsa Major. Nascido em Lisboa, em 1956, possui uma vasta obra publicada nos géneros da poesia, romance, teatro, conto, crónica e ensaio, somando cerca de trinta livros. Figura destacada da promoção da cidadania de língua portuguesa e da lusofonia, desenvolveu intensa atividade cultural em Portugal e no espaço CPLP, sendo distinguido, entre outros reconhecimentos, com o Prémio Lusofonia 2017.

Convidado pela editora Perfil Criativo | AUTORES.club estará igualmente presente o escritor angolano João Fernando André, conhecido literariamente por Kalunga, doutorado em Literatura pela Universidade de Lisboa. Escritor, professor e consultor cultural, é autor de obras como Matéria Negra, Evangelho BantuO Dia em que uma Pedra Virou Lua e Lumbu – a Alquimia das Palavras. Com presença regular em jornais e antologias internacionais, destaca-se como uma das vozes jovens mais relevantes da literatura angolana contemporânea.

A participação destes dois autores confere à sessão de lançamento um especial significado, promovendo o diálogo entre gerações, geografias e sensibilidades literárias no espaço da língua portuguesa.

Faro e Enigmas — Poesia