
Apresentação do livro “Faro e Enigmas”, de Elsa Major, no Auditório “11 de Novembro”, na tarde de 30 de abril de 2026
Na apresentação de Faro e Enigmas, o escritor e investigador angolano João Fernando André destacou a obra de Elsa Major como um contributo relevante para o crescimento da literatura feminina em Angola, sublinhando o aumento significativo da produção literária de autoria feminina no país.
Na sua intervenção, enquadrou o livro num contexto mais amplo da criação literária angolana contemporânea, caracterizada por dinamismo e expansão, apesar dos desafios estruturais. Considerou que Elsa Major se insere neste movimento, enriquecendo-o com uma voz própria, marcada pela sensibilidade e pela reflexão.
Do ponto de vista temático, evidenciou que Faro e Enigmas percorre eixos centrais da experiência humana, como o amor, nas suas dimensões erótica e fraternas, a memória, a espiritualidade, a guerra e as suas consequências, bem como a desigualdade social. Destacou ainda a presença de uma poética questionadora, próxima da metalinguagem, onde a autora interroga o próprio fazer poético.
Um dos aspetos mais relevantes da análise foi o destaque dado ao hibridismo linguístico e cultural da obra. João Fernando André sublinhou o uso de elementos das línguas vernáculas angolanas, bem como referências à tradição oral, à gastronomia, à cosmovisão africana e aos códigos culturais endógenos, conferindo à poesia uma identidade enraizada e simultaneamente universal.

A intervenção evidenciou também a dimensão social e crítica da obra, nomeadamente na abordagem ao papel da mulher numa sociedade ainda marcada por estruturas patriarcais, sugerindo uma leitura da poesia como espaço de afirmação e liberdade.
Foi igualmente salientada a presença da paisagem angolana, em particular do Namibe, como elemento estruturante da obra, permitindo não só uma leitura estética, mas também uma valorização simbólica e cultural do território.
Por fim, o orador destacou a dimensão ética e humanista da poesia de Elsa Major, que convoca questões contemporâneas como a violência, os conflitos, a degradação ambiental e a perda de valores, propondo a reflexão, o diálogo e a espiritualidade como caminhos possíveis para um mundo mais equilibrado.

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