Canto da Sereia chega a Luanda

Canto da Sereia chega a Luanda

A necessidade dos músicos angolanos apostarem na qualidade das composições, da produção e edição das obras discográficas, para um melhor e maior consumo da população, foi recomendado, em Luanda, pelo compositor Filipe Zau.

O também ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, que falava a imprensa, quarta-feira, no final da cerimonia do lançamento da obra discográfica “Canto terceiro da sereia: O encanto”, de sua autoria e de Filipe Mukenga, sublinhou que os artistas devem fazer trabalhos com maior qualidade e brio possível, para o legado das futuras gerações.

“Os músicos não devem ter pressa para compor, produzir, editar e lançar uma obra, o produto deve ter qualidade necessária e apresentar conteúdo consumível e que não perde actualidade”, referiu.

Conforme o autor do disco “Canto terceiro da sereia: O encanto”, a qualidade de uma obra discográfica depende, igualmente, do investimento feito na produção.

Por outro lado, fez saber que o CD lançado surge de uma amizade de 44 anos com Filipe Mukenga  e o mesmo retrata as vivencias, as histórias dos povos, bem como o reencontro de dois irmãos.

Acrescentou que o CD, uma opera jazz, faz parte de uma trilogia musical iniciada nos anos 90 e inspirada na “Kianda”, figura mitologia dos pescadores da Ilha de Luanda.

“A obra discográfica lítero-musical tem como pano de fundo as memórias de um tripulante em navios da antiga marinha mercante e de um seu irmão, condutor de uma máquina a vapor na antiga linha férrea do Amboim (Cuanza Sul)”, realçou.

O CD foi gravado entre 2014 e 2019, em estúdios em Luanda, Paris, Amesterdão, Lisboa, Faro e Los Angeles.

Filipe Mukenga e Filipe Zau mantêm, há 36 anos, uma parceria da qual resultou na composição de mais de 80 músicas inéditas.

Filipe Mukenga é natural de Luanda, cantor e compositor há mais de 45 anos, tem no mercado quatro álbuns discográficos, sendo que o primeiro, intitulado “Novo Som”, foi lançado em 1990.

Já o músico Filipe Silvino de Pina Zau, compositor, poeta e investigador nascido em Lisboa, é doutorado em Ciências da Educação.

Ministro da Cultura, Turismo e Ambiente Filipe Zau, assina autógrafo © Fotografia por: António Escrivão (ANGOP)

Fonte: ANGOP

A Liga Africana e o Partido Nacional Africano

A Liga Africana e o Partido Nacional Africano

Marítimos (Ed. 2020)

Rating: 5 out of 5.

Canto Terceiro da Sereia: O Encanto (Ed. 2020)

Rating: 3.5 out of 5.

A Liga Africana e o Partido Nacional Africano

Capítulo II: Filipe Zau

Após a Revolução de Outubro na Rússia (1917) e do fim da I Guerra Mundial (1918), o intelectual afro-americano William E. Burghardt Du Bois (1868-1963) organizava em Paris o I Congresso Pan-Africano (19 de Fevereiro de 1919) e “reivindicava um Código Internacional que garantisse, na África tropical, o direito dos nativos, bem como um plano gradual que conduzisse à emancipação final das colónias”. 


No segundo decénio do século XX, surgiam duas outras associações de africanos em Lisboa:

— A Liga Africana, em 1920, que se assumia como uma continuadora da JDDA;
— O Partido Nacional Africano (PNA) que, em 1921, se apresentava como o representante dos povos das colónias portuguesas em África e como partido aglutinador para a união dos povos africanos.

A Liga Africana mantinha estreitos contactos com as correntes pan-africanas americanas e francesas, era mais elitista e, tanto na metrópole como nas colónias, era mais influente do que o PNA. Em 1921, após a realização, em várias sessões, do 2º Congresso Pan-Africano (Londres e Paris), teve lugar, em 1923, o 3º Congresso Pan-Africano com uma primeira sessão em Londres e outra em Lisboa. Apesar da sessão de Lisboa nunca se ter realizado, na sessão de Londres participaram membros da Liga Africana, que levantaram a questão do trabalho forçado em Angola e em S. Tomé. 

Ciclo da Terra (o reencontro) – “Canto Terceiro da Sereia: O Encanto” (Ed. 2020), de Filipe Zau e Filipe Mukenga


Não se apresentando apenas como um conjunto de associações e/ou de indivíduos, o PNA tinha um programa considerado utópico e radical para a época. O seu projecto político reivindicativo exigia alterações à Constituição Portuguesa, no sentido de que, através de uma confederação, os povos africanos (incluindo as chamadas “populações gentílicas”) e o povo português passassem a estar no mesmo pé de igualdade. Porém, ainda no decurso da 1ª República, o sentido de uma maior liberdade, igualdade e fraternidade entre portugueses e africanos processava-se numa direcção oposta. 

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