Faro e Enigmas: a poesia que vem do Sul e atravessa o mundo

Faro e Enigmas: a poesia que vem do Sul e atravessa o mundo

Faro e Enigmas” – Novo livro de poesia de Elsa Major apresentado em Portugal no final de abril

A poetisa angolana Elsa Major lança em Portugal a sua mais recente obra, Faro e Enigmas, um livro de poesia que afirma uma voz intensa, sensorial e profundamente enraizada na identidade cultural africana.

A apresentação oficial terá lugar no final do mês de abril, marcando o encontro entre a autora e o público português, num momento que celebra a literatura lusófona contemporânea e o diálogo cultural entre Portugal e Angola.

Uma poesia entre o corpo, a terra e a memória

Em Faro e Enigmas, Elsa Major conduz o leitor por uma viagem poética onde o amor, a sensualidade, a espiritualidade e a memória se entrelaçam com paisagens marcantes como o Namibe, o Atlântico e o deserto do Kalahari.

A obra revela uma escrita madura, onde a experiência de vida se transforma em linguagem simbólica e emocional, convocando todos os sentidos. Os poemas oscilam entre o íntimo e o coletivo, entre o corpo e a terra, entre o silêncio e a revelação.

Como sublinha a Nota do Editor, trata-se de um verdadeiro regresso à música do Sul, evocando Moçâmedes como espaço de origem, memória e criação, onde a poesia nasce da fusão entre vida, território e identidade.

Prefácios que iluminam a obra

O livro conta com prefácios que enriquecem a leitura e contextualizam a sua dimensão estética e humana.
A escritora Sara Jona Laisse destaca a força da obra ao sublinhar o diálogo entre vida e arte, evocando a ideia de que “a vida é amiga da arte”, numa reflexão que atravessa toda a construção poética do livro.
Já a interpretação sensível da fadista Katia Guerreiro reforça a dimensão emocional da obra, conduzindo o leitor por memórias, paisagens e afetos que ressoam para além das palavras, aproximando poesia e música numa experiência sensorial profunda.

Uma voz da lusofonia contemporânea

Com um percurso consolidado na poesia e participação em diversas antologias lusófonas, Elsa Major afirma-se como uma autora que cruza geografias, experiências e linguagens.
A sua escrita revela uma forte ligação à tradição oral, à cultura angolana e à expressão feminina contemporânea, tornando Faro e Enigmas uma obra relevante no panorama literário atual.

Público-alvo

O público-alvo de Faro e Enigmas centra-se em leitores adultos, sobretudo entre os 30 e os 65 anos, com interesse pela poesia contemporânea e pela literatura lusófona. Trata-se de um público sensível à linguagem simbólica, à expressão emocional e à reflexão sobre temas como o amor, a memória, a identidade e a espiritualidade.

A obra dirige-se também a leitores ligados à realidade cultural entre Angola e Portugal, incluindo a comunidade angolana e todos aqueles que se interessam por referências africanas, tradição oral e paisagem identitária. Paralelamente, encontra particular ressonância junto de mulheres leitoras que valorizam uma escrita intimista e sensorial.

Além do público leitor, o livro tem potencial de alcance junto de artistas, mediadores culturais e meio académico, dada a sua riqueza temática e estética, posicionando-se como uma obra relevante no panorama da poesia de língua portuguesa contemporânea.

Faro e Enigmas — Poesia

Angola do Século XIX: Palavra, Imprensa e Consciência — Segunda Parte

Angola do Século XIX: Palavra, Imprensa e Consciência — Segunda Parte

Segunda parte de reportagem | Intervenção de Alberto Oliveira Pinto

Dando continuidade ao registo do encontro realizado no dia 1 de abril de 2026, na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa, este segundo texto de reportagem centra-se na intervenção do historiador angolano Alberto Oliveira Pinto, uma das vozes mais dinâmicas na divulgação da História de Angola.

Após a análise literária proposta por Jorge Arrimar, a intervenção de Alberto Oliveira Pinto trouxe ao debate uma leitura mais diretamente ancorada na investigação histórica, evidenciando como o romance Chão de Kanâmbua / O Feitiço de Kangombe dialoga com processos reais e complexos do século XIX.

Leitura histórica de um romance

Alberto Oliveira Pinto começou por reconhecer o impacto da leitura da obra, confessando que desta vez a leu “de ponta a ponta”, sem interrupções, sublinhando o seu carácter envolvente e a capacidade de captar a atenção do leitor.

Destacou ainda que já recomendara o livro a várias pessoas, antecipando uma ampla receção e circulação da obra, sobretudo entre leitores interessados na História de Angola.

Temas centrais destacados

A intervenção do historiador organizou-se em torno de alguns eixos fundamentais que, segundo ele, fazem do romance um contributo relevante para a compreensão do século XIX:

Degredo e sistema penal

  • A obra evidencia o papel do degredo como instrumento central da política penal portuguesa.
  • Muitos dos degredados enviados para Angola estavam condenados por crimes como homicídio ou falsificação de moeda.
  • O degredo funcionava também como estratégia de ocupação e povoamento, incluindo o envio de famílias para o território.

Escravatura e tráfico

  • Distinção entre tráfico de escravos e sistema esclavagista interno, frequentemente confundidos.
  • Referência ao processo de abolição e às suas ambiguidades, sublinhando que o fim formal do tráfico não significou o desaparecimento imediato das práticas de exploração.

Dinâmicas comerciais e territoriais

  • O romance capta o momento de transição económica, entre o comércio de escravos e o chamado “comércio legítimo”.
  • Destaque para o papel de regiões como Cassange, que funcionavam como zonas de mediação e controlo das rotas comerciais.
  • Referência às feiras e redes africanas que estruturavam o comércio interno.

Expansão colonial e ocupação do interior

  • A narrativa acompanha o avanço das forças portuguesas para o interior, num contexto de reorganização do domínio colonial.
  • Integração de personagens em expedições militares e administrativas, refletindo processos históricos documentados.

Identidade e mestiçagem

  • Ênfase na formação de identidades híbridas, envolvendo africanos, europeus e descendentes de degredados.
  • Referência à presença, ainda difusa, de ideias libertárias, republicanas e maçónicas, que só se afirmariam plenamente no início do século XX.

Ficção e rigor histórico

O Prof. Doutor Alberto Oliveira Pinto sublinhou que o romance consegue articular, com consistência, elementos ficcionais e dados históricos, tornando-se um ponto de partida relevante para a reflexão académica e pedagógica.

Referiu mesmo que a obra poderá ser utilizada nos seus cursos sobre Angola, reconhecendo-lhe valor formativo e interpretativo.

Um final aberto à história

Um dos aspetos que mais destacou foi o enquadramento temporal do romance, que culmina em 1910, ano da implantação da República em Portugal. Este momento abre novas possibilidades de leitura, sugerindo continuidades e ruturas que poderiam ser exploradas em futuras narrativas.

O historiador confessou, aliás, a expectativa de uma continuação da obra, interessando-se pelo que poderá acontecer às personagens nesse novo contexto político.

Conclusão

A intervenção do historiador Alberto Oliveira Pinto reforçou a dimensão histórica do romance de Tomás Lima Coelho, mostrando como a literatura pode funcionar como instrumento de compreensão de processos complexos, como o degredo, a escravatura, a ocupação territorial e a formação de identidades.

Com uma leitura crítica e fundamentada, o historiador destacou Chão de Kanâmbua como uma obra relevante não apenas no campo literário, mas também no domínio da reflexão histórica sobre Angola.

Este segundo registo confirma a riqueza do encontro, onde diferentes abordagens, literárias e historiográficas, se cruzaram para pensar um dos períodos mais decisivos da história angolana.

Chão de Kanâmbua
Edição em papel de Chão de Kanâmbua
Chão de Kanâmbua (ou “O Feitiço de Kangombe”)
Chão de Kanâmbua (ou “O Feitiço de Kangombe”)

Angola do Século XIX: Palavra, Imprensa e Consciência — Primeira Parte

Angola do Século XIX: Palavra, Imprensa e Consciência — Primeira Parte

Reportagem — Primeira Parte

No dia 1 de abril de 2026, entre as 18h00 e as 20h00, a Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa, acolheu o encontro “Angola do Século XIX: Palavra, Imprensa e Consciência”, organizado a partir da apresentação do livro Chão de Kanâmbua / O Feitiço de Kangombe, de Tomás Lima Coelho.

Este evento propôs um debate aberto sobre o final do século XIX em Angola, um período marcado pela introdução da imprensa, pela presença dos degredados, pelo surgimento dos primeiros intelectuais africanos e pela formação de uma consciência crítica que antecipa a ideia de país.

O encontro reuniu diferentes vozes, académicas, literárias e ensaísticas, num cruzamento entre literatura, história e pensamento político-cultural, refletindo sobre os imaginários de modernidade, pertença e contestação que começaram a emergir nesse contexto.

Este texto constitui o primeiro registo de reportagem do encontro, centrando-se na intervenção do escritor angolano Jorge Arrimar.

Uma intervenção entre crítica literária e reflexão histórica

Jorge Arrimar iniciou a sua intervenção com um tom próximo e cúmplice, evocando a relação de amizade e reconhecimento mútuo com Tomás Lima Coelho. Sublinhou desde logo o percurso do autor, destacando-o como “um angolano de toda a Angola”, cuja vivência em diferentes regiões do país contribuiu para uma visão ampla e enraizada da realidade angolana.

Ao abordar o romance Chão de Kanâmbua, Jorge Arrimar destacou-o como uma obra que vai além da ficção histórica convencional, propondo uma leitura densa do século XIX angolano. Entre os principais pontos da sua análise, salientam-se:

  • A centralidade da personagem Manuel Justino, um degradado português que se reinventa em Angola, simbolizando processos de transformação individual e cultural.
  • A coexistência de universos culturais distintos, africanos e coloniais, em permanente tensão e negociação.
  • O diálogo entre oralidade africana e escrita europeia, como elemento estruturante da narrativa.
  • O papel das missões religiosas como espaços de mediação cultural.
  • O nascimento de uma consciência crítica, associada ao surgimento de elites africanas com formação ocidental.

Jorge Arrimar enfatizou que o romance funciona como um “dispositivo narrativo” que permite observar o período histórico não apenas nas suas estruturas formais, mas sobretudo na experiência humana, marcada por deslocações, adaptações e reinvenções.

Literatura como espaço de conhecimento

Um dos eixos mais fortes da intervenção foi a ideia de que a ficção histórica desempenha uma função epistemológica. Segundo Jorge Arrimar, obras como Chão de Kanâmbua não se limitam a reconstituir o passado, mas procuram interrogá-lo, ampliá-lo e reinscrevê-lo na memória contemporânea.

Nesse sentido, destacou que a modernidade angolana não deve ser entendida como mera importação de modelos europeus, mas como um processo histórico próprio, resultante de:

  • encontros culturais
  • conflitos e resistências
  • apropriações e reinvenções simbólicas

A literatura como diálogo contínuo

Num momento final particularmente marcante, Jorge Arrimar rompeu com o protocolo habitual e introduziu uma dimensão pessoal à sua intervenção. Refletiu sobre o modo como os livros se influenciam mutuamente, afirmando:

“Um livro nunca nasce isolado, é sempre resposta, continuidade, por vezes ruptura.”

Evocou então o seu próprio romance Cuéle, o pássaro troçador (Ed. 2022), revelando como uma imagem presente na obra de Tomás Lima Coelho, uma fotografia do avô do autor, inspirou a criação de uma personagem no seu livro.

Este gesto sublinhou uma ideia central:
A literatura como uma longa conversa entre autores, tempos e memórias.

A leitura de um excerto do seu romance encerrou a intervenção, num momento que cruzou ficção, história e memória, reforçando o espírito do encontro.

Jorge Arrimar

Jorge Arrimar nasceu em Angola. Na Universidade de Luanda, iniciou os estudos superiores em Letras, concluindo-os em Portugal. Para além de trabalhos de história e de biblioteconomia, é autor de onze títulos de poesia e seis de ficção.

A intervenção de Jorge Arrimar destacou-se pela clareza analítica e pela capacidade de articular literatura e história como campos complementares de conhecimento. Ao centrar-se na obra de Tomás Lima Coelho, abriu também caminhos para uma reflexão mais ampla sobre o século XIX angolano e sobre os processos de formação da identidade cultural do país.

Este primeiro registo deixa evidente que o encontro na Biblioteca Palácio Galveias foi mais do que uma apresentação de livro, foi um espaço de pensamento vivo sobre Angola, a sua história e as suas narrativas.

Jorge Arrimar, Tomás Lima Coelho e João Ricardo Rodrigues

Chão de Kanâmbua (ou “O Feitiço de Kangombe”)
Chão de Kanâmbua (ou “O Feitiço de Kangombe”)

Chão de Kanâmbua
Chão de Kanâmbua

“Crónica da Fundação do Huambo | Nova Lisboa” esgota 5ª edição e reafirma-se como obra essencial da História de Angola

“Crónica da Fundação do Huambo | Nova Lisboa” esgota 5ª edição e reafirma-se como obra essencial da História de Angola

O livro Crónica da Fundação do Huambo | Nova Lisboa, do jornalista angolano Xavier de Figueiredo, está prestes a esgotar a sua 5ª edição, enriquecido com um notável conjunto de fotografias históricas da época, reforçando o seu valor documental e patrimonial.

Publicado originalmente em 2014, no contexto das comemorações da fundação da cidade do Huambo (1912), este livro consolidou-se como uma das mais importantes referências sobre a formação do território angolano moderno e o papel de Portugal no processo colonial em África.

Uma obra de referência histórica

Mais do que uma simples narrativa, esta obra oferece uma leitura profunda e rigorosa da fundação do Huambo, posteriormente Nova Lisboa, revelando:

  • O contexto geopolítico e colonial do início do século XX
  • O papel estratégico do Caminho-de-Ferro de Benguela
  • As decisões políticas e militares que moldaram o território
  • A construção de uma cidade “em condições inéditas, em tempos de mudança” 

A obra baseia-se em fontes primárias da História, evitando leituras ideológicas simplificadas e propondo uma abordagem factual, crítica e documentada.

Prefácios que enquadram uma nova leitura da História

O livro inclui prefácios de elevado valor interpretativo, com destaque para a reflexão de Marcolino Moco, que sublinha a importância da obra como instrumento de compreensão histórica:

“Este é um livro que… não deixa qualquer espaço para especulações de outra natureza que não a História em si, nua e crua.”

O prefácio destaca ainda a relevância da obra para as novas gerações, apontando para uma crescente necessidade de revisitar a História de Angola sem filtros ideológicos:

“Nota-se uma curiosidade em relação a um conhecimento da história do país não sujeito a reduções políticas ou ideológicas.” 

Na parte final do livro é possível ainda descobrir no prefácio da primeira edição escrito por Jaime Nogueira Pinto:

“Outros tempos. A História veio decidir de outro modo — e é com a História, com a história acontecida, que temos de viver o presente e preparar o futuro.”

Destaques do conteúdo

A obra percorre, de forma estruturada, os momentos-chave da fundação e consolidação da cidade, incluindo:

  • O auto da fundação (1912), presidido por Norton de Matos
  • Os primórdios da ocupação do Planalto Central
  • O papel determinante do Caminho-de-Ferro de Benguela
  • As tensões internacionais e a ameaça alemã no sul de Angola
  • A integração das populações locais (Ovimbundu) no processo histórico
  • A evolução de Huambo para Nova Lisboa e a “miragem da capital”

Inclui ainda um importante acervo fotográfico histórico, que documenta visualmente a fundação e os primeiros anos da cidade, tornando esta edição particularmente valiosa para investigadores, leitores e colecionadores.

Uma obra entre memória, identidade e História

Mais do que um registo histórico, este livro assume-se como uma ponte entre gerações e memórias:

“Este livro é uma singela homenagem à memória de uma terra a que muitos ficaram para sempre ligados – pelas raízes, pelo afecto. Por tudo.”

Ao revelar os bastidores da construção do Estado colonial e a sua continuidade no Estado moderno, a obra contribui para uma compreensão mais ampla da identidade angolana contemporânea.

Disponibilidade

Com a 5ª edição praticamente esgotada, esta obra afirma-se como um título indispensável para:

  • Historiadores e investigadores
  • Estudantes e académicos
  • Leitores interessados na História de Angola e de África

Ficha técnica

  • Título: Crónica da Fundação do Huambo | Nova Lisboa
  • Autor: Xavier de Figueiredo
  • Edição: 5ª edição (com fotografias históricas)
  • Ano de lançamento da primeira edição: 2014
  • Tema: História de Angola / História colonial / Urbanismo histórico

Literatura angolana chega a Portugal com o romance “42.4 – A Voz dos Dibengo”

Literatura angolana chega a Portugal com o romance “42.4 – A Voz dos Dibengo”

O romance 42.4 – A Voz dos Dibengo, do escritor angolano Tazuary Nekeita, acaba de chegar a Portugal, trazendo consigo uma narrativa surpreendente que promete despertar a curiosidade dos leitores interessados na nova literatura africana. A obra apresenta uma crítica social incisiva e pouco conhecida fora de Angola, explorando com humor, ironia e imaginação os desafios, contradições e memórias que marcaram o país nas últimas décadas.

Ambientado em torno da emblemática Casa 42.4, o livro conduz o leitor por um universo onde realidade e metáfora se cruzam para revelar episódios da vida angolana, desde a independência até aos dias actuais. No centro da narrativa surge a figura simbólica dos Dibengo, uma metáfora poderosa para os males que corroem silenciosamente a sociedade, da corrupção à ganância, mas também para a resistência e criatividade de um povo que encontra no humor uma forma de sobreviver às adversidades.

Com personagens marcantes, histórias inesperadas e uma linguagem rica em referências culturais angolanas, 42.4 – A Voz dos Dibengo afirma-se como uma das revelações da nova literatura da República de Angola. A chegada do livro ao mercado português abre agora a possibilidade de um público mais vasto descobrir uma obra que combina sátira, memória histórica e imaginação literária, confirmando Tazuary Nekeita como uma voz singular e provocadora no panorama literário contemporâneo.

42.4 – A Voz dos Dibengo de Tazuary Nkeita e prefácio de Tomás Lima Coelho

Universidade Lusófona recebe aula aberta de Domingos Cúnua Alberto

Universidade Lusófona recebe aula aberta de Domingos Cúnua Alberto

A Faculdade de Ciências Sociais, Educação e Administração (FCSEA) da Universidade Lusófona promove, no próximo dia 25 de março de 2026, uma aula aberta dedicada ao tema “O ‘Reconhecimento’ do Governo Angolano pelo Estado Português (1976)”, conduzida pelo investigador e autor Domingos Cúnua Alberto.

A iniciativa integra-se no âmbito da unidade curricular de Socioeconomia Política do Espaço Lusófono e terá lugar na Sala D.2.3 da Universidade Lusófona, constituindo um momento de reflexão académica sobre um dos episódios mais marcantes da história política contemporânea entre Angola e Portugal.

Durante a sessão, Domingos Cúnua Alberto abordará as dinâmicas políticas e diplomáticas que conduziram ao reconhecimento do governo angolano por parte do Estado português em 1976, analisando também as diferentes perspetivas político-partidárias em Portugal, nomeadamente as posições do PS, do PPD/PSD e do PCP naquele contexto histórico.

A aula baseia-se no trabalho de investigação desenvolvido pelo autor no seu livro O Reconhecimento do Governo Angolano pelo Estado Português (1976): As visões político-partidárias do PS, do PPD/PSD e do PCP, resultado de um aprofundado estudo histórico e político sobre as relações luso-angolanas no período pós-independência.

Aberta à comunidade académica e ao público interessado em história política e relações internacionais no espaço lusófono, a sessão pretende estimular o debate crítico sobre os processos de reconhecimento diplomático e os seus impactos na construção das relações entre os dois países.

A iniciativa integra o conjunto de atividades académicas que procuram reforçar o estudo das transformações políticas no mundo de língua portuguesa, promovendo o diálogo entre investigação histórica, ciência política e memória contemporânea.

O Reconhecimento do Governo Angolano pelo Estado Português (1976): As visões político-partidárias do PS, do PPD/PSD e do PCP, de Domingos Cúnua Alberto
O livro O Reconhecimento do Governo Angolano pelo Estado Português (1976): As visões político-partidárias do PS, do PPD/PSD e do PCP, de Domingos Cúnua Alberto, constitui um contributo relevante para a compreensão de um momento decisivo da história política contemporânea entre Angola e Portugal. Publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club, a obra assume-se como um importante instrumento para investigadores, estudantes e leitores interessados na história política do espaço lusófono, contribuindo para aprofundar o debate sobre os processos de reconhecimento internacional e sobre a memória política da descolonização.
Com uma abordagem analítica e fundamentada, este livro convida o leitor a revisitar um episódio determinante da história recente, revelando como decisões diplomáticas podem refletir, simultaneamente, disputas internas, posicionamentos ideológicos e estratégias internacionais.

Angola do Século XIX: Palavra, Imprensa e Consciência

Angola do Século XIX: Palavra, Imprensa e Consciência

A partir da apresentação do livro Chão de Kanâmbua / O Feitiço de Kangombe, este encontro propõe um debate livre sobre o final do século XIX em Angola, um período marcado pela introdução da imprensa, pela presença dos degredados, pela emergência dos primeiros intelectuais africanos e pela formação de uma consciência crítica que antecipa a ideia de país.

Num cruzamento entre literatura, história e pensamento político-cultural, abre-se espaço para refletir sobre as vozes, os textos e os contextos, africanos, coloniais e mestiços, que, em tensão e diálogo, contribuíram para moldar os primeiros imaginários angolanos de modernidade, pertença e contestação.

Convidados: Tomás Lima Coelho (autor), Jorge Arrimar, Alberto Oliveira Pinto, João Fernando André

Data: 1 de Abril de 2026, das 18h00 às 20h00

Local: Biblioteca Palácio Galveias

Exposição e venda de livros a preços especiais. Entrada livre.

Chão de Kanâmbua / O Feitiço de Kangombe,

Criar é governar: a Cultura no centro da República

Criar é governar: a Cultura no centro da República

A Cultura começa a afirmar-se como um dos pilares estratégicos do futuro da República de Angola. Essa visão ganha especial relevo na grande entrevista concedida pelo Ministro da Cultura, Filipe Zau, ao jornal EXPANSÃO, dirigida pelo jornalista e director João Armando, ambos autores da Perfil Criativo | AUTORES.club.

Na conversa, Filipe Zau defende com clareza que “a cultura pode e vai contribuir para a diversificação económica”, sublinhando o papel decisivo das indústrias culturais e criativas na geração de riqueza, emprego e coesão social. Para o governante, não se trata apenas de valor simbólico: a cultura deve ser encarada como factor económico estruturante, capaz de integrar cadeias de valor e atrair investimento.

Entre os principais eixos destacados na entrevista estão:

  • a necessidade de organização e profissionalização do sector cultural;
  • a criação de condições legais e institucionais para o florescimento das indústrias criativas;
  • o reforço da formação artística e técnica, desde a base até ao nível superior;
  • e a valorização da cultura como elemento central da identidade nacional e da cidadania.

Filipe Zau é peremptório ao afirmar que Angola precisa de passar da informalidade à sustentabilidade cultural, defendendo modelos de financiamento mais claros, o envolvimento responsável do mecenato e uma política pública que reconheça o valor económico da criação artística.

A entrevista, conduzida por João Armando com profundidade e sentido estratégico, constitui um marco no debate sobre políticas culturais em Angola, mostrando que a Cultura não é um acessório do Estado, mas um dos seus alicerces para o desenvolvimento.

Quando autores, pensamento crítico e visão de futuro se encontram, a Cultura começa, de facto, a mudar a República.

"Marítimos" de Filipe Zau
Marítimos” de Filipe Zau
"O Canto Terceiro da Sereia — O Encanto" de Filipe Zau e Filipe Mukenga
O Canto Terceiro da Sereia — O Encanto” de Filipe Zau e Filipe Mukenga
"Editoriais do Expansão" de João Armando
Editoriais do Expansão” de João Armando

Viajante angolano apela à quebra do silêncio

Viajante angolano apela à quebra do silêncio

A participação do público no lançamento do livro Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, voltou a revelar-se um dos momentos mais significativos da sessão, com intervenções que ampliaram o alcance cívico e geográfico do debate.

Entre elas destacou-se a de João St., que se encontrava em Lisboa de passagem e foi surpreendido pelo encontro. Natural de Angola e residente no Lubango, João St. explicou que chegou ao evento por sugestão de amigos, confessando a emoção sentida ao assistir aos testemunhos ali partilhados.

Na sua intervenção, sublinhou o contraste entre a abertura do debate em Lisboa e o silêncio que ainda envolve, em Angola, os acontecimentos do 27 de Maio de 1977. Referindo-se à região da Tundavala, no sul do país, evocou a memória de um local de grande beleza natural, mas também marcado por uma história trágica, associada à morte de milhares de pessoas atiradas para a ravina durante o processo repressivo. Segundo afirmou, trata-se de uma realidade conhecida localmente, mas nunca investigada nem discutida publicamente.

O interveniente lançou um apelo claro à replicação, em Angola, de iniciativas semelhantes às realizadas em Lisboa, defendendo que este tipo de encontro constitui uma forma necessária de catarse coletiva e de reconhecimento das vítimas. Recordou ainda os muitos órfãos e famílias que continuam sem respostas, sem certidões de óbito e sem qualquer forma de reparação ou esclarecimento.

Num registo emotivo, agradeceu o trabalho desenvolvido por autores, associações e editores, sublinhando que “as lágrimas não são vergonha”, mas antes sinal de fertilidade, de vida e de esperança. A sua intervenção reforçou a ideia de que Ecos da Liberdade não é apenas um livro, mas um ponto de partida para levar o debate sobre o 27 de Maio para dentro de Angola, onde o silêncio continua a pesar sobre a memória coletiva.

"Ecos da Liberdade", de Joaquim Sequeira
Ecos da Liberdade“, de Joaquim Sequeira

Zeca Ribeiro Telmo evoca Angola plural

Zeca Ribeiro Telmo evoca Angola plural

Como é habitual nos eventos da Perfil Criativo | AUTORES.club, o público foi convidado a intervir no lançamento do livro Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, dando voz a testemunhos que reforçaram o sentido cívico e memorial do encontro.

Entre as intervenções destacou-se a de Zeca Ribeiro Telmo, que evocou a experiência coletiva da geração que viveu a independência de Angola e os seus desdobramentos. Recordando o entusiasmo de 1975, sublinhou que muitos dos presentes não eram colonos, mas angolanos que acreditaram, e continuam a acreditar, numa Angola livre, justa e democrática para todos.

Na sua intervenção, Zeca Ribeiro Telmo chamou a atenção para as desigualdades estruturais do país, lembrando que, apesar da riqueza proclamada, a pobreza sempre esteve presente no quotidiano da maioria da população. Defendeu que os “ecos da liberdade” não se esgotaram com a independência política e continuam a manifestar-se na exigência de mais democracia e inclusão social.

Num tom emocionado, destacou a resiliência dos sobreviventes dos acontecimentos trágicos do pós-independência, afirmando que a sua presença e o seu silêncio quebrado são, em si mesmos, uma afirmação de liberdade. “A liberdade é uma sede que nunca é saciada”, afirmou, agradecendo a Joaquim Sequeira a coragem de transformar a experiência da dor num testemunho público.

A intervenção foi recebida com atenção e aplausos, reforçando a ideia de que Ecos da Liberdade é também um livro que convoca a participação dos cidadãos e prolonga, para além das páginas, o debate sobre o passado, o presente e o futuro de Angola.

"Ecos da Liberdade", de Joaquim Sequeira
“Ecos da Liberdade”, de Joaquim Sequeira