A Cultura começa a afirmar-se como um dos pilares estratégicos do futuro da República de Angola. Essa visão ganha especial relevo na grande entrevista concedida pelo Ministro da Cultura, Filipe Zau, ao jornalEXPANSÃO, dirigida pelo jornalista e director João Armando, ambos autores da Perfil Criativo | AUTORES.club.
Na conversa, Filipe Zau defende com clareza que “a cultura pode e vai contribuir para a diversificação económica”, sublinhando o papel decisivo das indústrias culturais e criativas na geração de riqueza, emprego e coesão social. Para o governante, não se trata apenas de valor simbólico: a cultura deve ser encarada como factor económico estruturante, capaz de integrar cadeias de valor e atrair investimento.
Entre os principais eixos destacados na entrevista estão:
a necessidade de organização e profissionalização do sector cultural;
a criação de condições legais e institucionais para o florescimento das indústrias criativas;
o reforço da formação artística e técnica, desde a base até ao nível superior;
e a valorização da cultura como elemento central da identidade nacional e da cidadania.
Filipe Zau é peremptório ao afirmar que Angola precisa de passar da informalidade à sustentabilidade cultural, defendendo modelos de financiamento mais claros, o envolvimento responsável do mecenato e uma política pública que reconheça o valor económico da criação artística.
A entrevista, conduzida por João Armando com profundidade e sentido estratégico, constitui um marco no debate sobre políticas culturais em Angola, mostrando que a Cultura não é um acessório do Estado, mas um dos seus alicerces para o desenvolvimento.
Quando autores, pensamento crítico e visão de futuro se encontram, a Cultura começa, de facto, a mudar a República.
Livraria Lulendo & Fábrica Braço de Prata apresentam “AFRO-SUL…” Feira do Livro de África e Sul Global.
É com grande entusiasmo que convidamos editoras, livrarias, escritores e jornalistas a juntarem-se a nós para um momento especial de pré-anúncio da Feira do Livro de África e Sul Global. Este projeto inovador é organizado pela Livraria Lulendo e a Fábrica Braço de Prata, e será oficialmente lançado no dia 24 de janeiro, dia mundial da cultura africana e afrodescendente.
O evento terá lugar na Fábrica Braço de Prata e contará com a presença de todos aqueles que se interessem pela literatura africana e a do Sul Global. A Feira do Livro será um espaço mensal de celebração, onde exploraremos as diversas vozes e narrativas que emergem do nosso continente e suas diásporas.
Programação Anual Inclui: • Feira com foco em autores africanos e do Sul Global. • Lançamentos de livros. • Conversas e debates com autores. • Conferências. • Leituras de poesia e contos. • Apresentações de spoken word. • Exposições e concertos. • Sessões de DJ e open mic/karaoke. • Cinema e stand up comedy. • Feira de vinil com música africana e Sul Global. • Delícias da gastronomia local. • Desfiles de trajes. • Feira de artesanato e design. • Workshops e oficinas interativas.
A Feira do Livro de África e Sul Global visa fortalecer e posicionar a literatura do “SUL “ nas suas próprias narrativas e saberes, criando um espaço de diálogo e intercâmbio cultural. O Objetivo é Sulear o pensamento.
Para assinalar esta data significativa, teremos uma pequena cerimónia para o pré-anúncio do projeto e gostaríamos muito de contar com a sua presença. Junte-se a nós neste evento especial, onde o futuro da literatura Africana e Sul Global será celebrado!
Data: 24 de Janeiro Local: Fábrica Braço de Prata Horário: 16h – 1h. Sala: NIETZSCHE R. Fábrica de Material de Guerra 1, 1950-128 Lisboa A FBP- tem condições para acolher a feira no inverno.
A participação do público no lançamento do livro Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, voltou a revelar-se um dos momentos mais significativos da sessão, com intervenções que ampliaram o alcance cívico e geográfico do debate.
Entre elas destacou-se a de João St., que se encontrava em Lisboa de passagem e foi surpreendido pelo encontro. Natural de Angola e residente no Lubango, João St. explicou que chegou ao evento por sugestão de amigos, confessando a emoção sentida ao assistir aos testemunhos ali partilhados.
Na sua intervenção, sublinhou o contraste entre a abertura do debate em Lisboa e o silêncio que ainda envolve, em Angola, os acontecimentos do 27 de Maio de 1977. Referindo-se à região da Tundavala, no sul do país, evocou a memória de um local de grande beleza natural, mas também marcado por uma história trágica, associada à morte de milhares de pessoas atiradas para a ravina durante o processo repressivo. Segundo afirmou, trata-se de uma realidade conhecida localmente, mas nunca investigada nem discutida publicamente.
O interveniente lançou um apelo claro à replicação, em Angola, de iniciativas semelhantes às realizadas em Lisboa, defendendo que este tipo de encontro constitui uma forma necessária de catarse coletiva e de reconhecimento das vítimas. Recordou ainda os muitos órfãos e famílias que continuam sem respostas, sem certidões de óbito e sem qualquer forma de reparação ou esclarecimento.
Num registo emotivo, agradeceu o trabalho desenvolvido por autores, associações e editores, sublinhando que “as lágrimas não são vergonha”, mas antes sinal de fertilidade, de vida e de esperança. A sua intervenção reforçou a ideia de que Ecos da Liberdade não é apenas um livro, mas um ponto de partida para levar o debate sobre o 27 de Maio para dentro de Angola, onde o silêncio continua a pesar sobre a memória coletiva.
Como é habitual nos eventos da Perfil Criativo | AUTORES.club, o público foi convidado a intervir no lançamento do livro Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, dando voz a testemunhos que reforçaram o sentido cívico e memorial do encontro.
Entre as intervenções destacou-se a de Zeca Ribeiro Telmo, que evocou a experiência coletiva da geração que viveu a independência de Angola e os seus desdobramentos. Recordando o entusiasmo de 1975, sublinhou que muitos dos presentes não eram colonos, mas angolanos que acreditaram, e continuam a acreditar, numa Angola livre, justa e democrática para todos.
Na sua intervenção, Zeca Ribeiro Telmo chamou a atenção para as desigualdades estruturais do país, lembrando que, apesar da riqueza proclamada, a pobreza sempre esteve presente no quotidiano da maioria da população. Defendeu que os “ecos da liberdade” não se esgotaram com a independência política e continuam a manifestar-se na exigência de mais democracia e inclusão social.
Num tom emocionado, destacou a resiliência dos sobreviventes dos acontecimentos trágicos do pós-independência, afirmando que a sua presença e o seu silêncio quebrado são, em si mesmos, uma afirmação de liberdade. “A liberdade é uma sede que nunca é saciada”, afirmou, agradecendo a Joaquim Sequeira a coragem de transformar a experiência da dor num testemunho público.
A intervenção foi recebida com atenção e aplausos, reforçando a ideia de que Ecos da Liberdade é também um livro que convoca a participação dos cidadãos e prolonga, para além das páginas, o debate sobre o passado, o presente e o futuro de Angola.
A apresentação do livro Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, foi também marcada por um anúncio de grande relevância histórica e cívica. Durante a sessão, a Associação 27 de Maio revelou que se encontra a desenvolver uma plataforma dedicada à identificação e mapeamento das dezenas de milhares de desaparecidos na sequência dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, em Angola.
Segundo foi explicado, a plataforma pretende reunir informação dispersa ao longo de quase cinco décadas, cruzando testemunhos, nomes, locais de detenção, datas e circunstâncias de desaparecimento, com o objetivo de construir uma base de dados rigorosa que contribua para a verdade histórica, o reconhecimento das vítimas e a preservação da memória coletiva. Nesse sentido, foi lançado um apelo público para que todos os angolanos, dentro e fora do país, reportem casos de familiares ou conhecidos desaparecidos durante o processo repressivo que se seguiu ao 27 de Maio.
Durante a sua intervenção, Verónica Leite de Castro, membro da Associação27 de Maio, chamou a atenção para uma dimensão ainda pouco conhecida desta tragédia: o caso das mulheres angolanas que foram torturadas, presas e desapareceram, muitas delas sem qualquer reconhecimento público ou registo oficial. Sublinhou igualmente a situação dos órfãos, vítimas diretas e indiretas da repressão, que cresceram marcados pela ausência forçada dos pais e pelo silêncio imposto em torno destes acontecimentos.
A intervenção destacou que a repressão não atingiu apenas militantes ou suspeitos políticos, mas alastrou a famílias inteiras, produzindo um legado de trauma intergeracional que continua a marcar a sociedade angolana. Para a Associação, dar visibilidade às mulheres e aos órfãos é um passo essencial para uma abordagem mais justa e completa da memória do 27 de Maio.
Integrado no lançamento de Ecos da Liberdade, este anúncio reforçou o caráter do evento como espaço de denúncia, reflexão e ação cívica. Mais do que um momento literário, a sessão afirmou-se como um apelo à participação ativa da sociedade na construção da verdade histórica, numa altura em que se aproxima o cinquentenário de uma das páginas mais trágicas da história contemporânea de Angola.
A apresentação do livro Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, transformou-se num momento de profunda comoção e reflexão coletiva, com a sala cheia de leitores, sobreviventes e familiares marcados pelos acontecimentos trágicos dos primeiros anos da República Popular de Angola, a tragédia do 27 de Maio de 1977.
Desde as primeiras palavras, ficou claro que não se tratava apenas de um lançamento literário. A sessão assumiu-se como um ato de memória viva. “A vossa presença transforma este encontro num momento de reconhecimento e de dignidade”, foi afirmado na abertura, dirigida especialmente aos sobreviventes dos acontecimentos de 1977, cuja presença conferiu ao evento uma intensidade que ultrapassou o plano cultural.
Foi prestada uma homenagem sentida a Manuel Vidigal, sublinhando o seu percurso de quase cinco décadas na exigência de uma Comissão da Verdade e na afirmação pública de que não existiu qualquer golpe de Estado contra o MPLA ou contra o então PresidenteAgostinho Neto. A sua voz foi descrita como “uma voz de resistência democrática e de exigência moral”.
A Associação 27 de Maio foi igualmente destacada como um pilar da luta contra a amnésia coletiva, pela preservação da memória das vítimas, pela verdade histórica e pelo direito ao reconhecimento público. A sua intervenção reafirmou que, quase cinquenta anos depois, “continuamos a pugnar pela verdade, pela justiça e pelo fim da impunidade”.
Enquanto editor, João Ricardo Rodrigues, da Perfil Criativo | AUTORES.club, reafirmou o compromisso da edição independente com a publicação de obras sobre os episódios violentos da história angolana, sublinhando que Ecos da Liberdade não nasce do ressentimento, mas da necessidade ética de testemunhar para que a violência não se repita.
A intervenção de José Fuso, autor do prefácio da obra, constituiu um dos momentos mais intensos da sessão. Falando como sobrevivente e como companheiro de percurso do autor, José Fuso destacou a dimensão ética e poética do livro, sublinhando que o testemunho de Joaquim Sequeira transforma a experiência do cárcere e da repressão numa narrativa de resistência e liberdade de pensamento. Afirmou que escrever, e publicar, é um ato político de memória, essencial para impedir o apagamento histórico e para devolver humanidade às vítimas silenciadas.
O testemunho mais cru surgiu também nas palavras do Presidente da Associação 27 de Maio, José Reis, que descreveu com detalhe o sequestro, a tortura, a humilhação e os desaparecimentos forçados ocorridos nas cadeias de São Paulo, na DISA e na Casa de Reclusão. Recordou a chamada “noite das facas longas”, em março de 1978, e afirmou: “Hoje estou a prestar este depoimento para que não fiquem dúvidas quanto ao que vem escrito em Ecos da Liberdade”.
Quando tomou a palavra, Joaquim Sequeira falou não apenas como autor, mas como sobrevivente. Num discurso profundamente literário e humano, evocou a infância, a cidade perdida, os companheiros de prisão e os laços forjados na adversidade. “Este livro é um mapa daquele território sagrado que só nós conhecemos”, afirmou, explicando que Ecos da Liberdade é um gesto coletivo, um “barquinho de papel lançado no rio do nosso passado comum”.
Num dos momentos mais emotivos da sessão, o autor dedicou o livro aos filhos, às netas e aos companheiros de sequestro, afirmando que escreveu para transformar a dor em palavra e a ausência em presença literária. “O corpo pode ser aprisionado, mas o espírito jamais se rendeu”, declarou, resumindo o sentido profundo da obra.
Ao longo da sessão, foi visível a comoção do público. Houve lágrimas contidas, silêncios densos e longos aplausos. Ecos da Liberdade revelou-se não apenas como um testemunho histórico inédito, particularmente sobre a Casa de Reclusão, mas como um ato de resistência contra o apagamento da memória. Um acontecimento extraordinário de reflexão sobre um dos períodos mais trágicos da história contemporânea de Angola, aquele que muitos tentaram, durante décadas, apagar da História.
A notícia publicada hoje pelo Jornal de Angola sobre o lançamento em Lisboa da obra 50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos assinala um momento significativo no percurso editorial deste livro coletivo, que propõe um balanço plural e crítico de meio século de independências nos países africanos de língua portuguesa.
O livro Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, será apresentado na próxima sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, às 18h00, na sala polivalente da Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa. A sessão será marcada por um encontro com sobreviventes do 27 de Maio de 1977 em Angola, num momento de partilha, memória e reflexão histórica.
Publicada no final de 2025, a obra é um testemunho direto e profundamente humano sobre a repressão política que se seguiu aos acontecimentos de 27 de Maio de 1977. Joaquim Sequeira, preso político e sobrevivente desse período, reconstrói a experiência do cárcere, da violência institucional e do silêncio imposto, sem abdicar de uma escrita literária marcada pela poesia e pela dignidade.
Ao longo de sete capítulos intensos, Ecos da Liberdade conduz o leitor desde a prisão física até à resistência interior, mostrando como, mesmo nas condições mais desumanas, a palavra, a memória e a solidariedade se tornam formas de sobrevivência. A obra aborda episódios marcantes como a vida na Casa de Reclusão, a chamada “Noite das Facas Longas” e o impacto duradouro da repressão na identidade individual e coletiva.
“A liberdade não é apenas a ausência de grilhões; é a presença do que é possível. Ela conquista-se a cada acto de resistência, a cada momento em que o ser humano recusa ser silenciado.”
Mais do que um relato pessoal, o livro afirma-se como um manifesto contra o esquecimento, num contexto em que a sociedade angolana continua a interrogar-se sobre esse passado traumático. O encontro na Biblioteca Palácio Galveias pretende precisamente abrir espaço ao diálogo entre gerações, dando voz aos sobreviventes e convocando o público para uma escuta ativa da história recente de Angola.
A apresentação é aberta ao público e dirige-se a leitores interessados em História Contemporânea de Angola, Direitos Humanos, memória política, bem como a estudantes, investigadores e todos os que acreditam que recordar é também um acto de justiça.
O lançamento do livro 50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos, na Biblioteca Palácio Galveias, terminou com um momento de participação ativa do público, que veio confirmar, na prática, uma das ideias centrais defendidas pelos coordenadores da obra: a necessidade de pensar os 50 anos das independências africanas a partir da cidadania e de múltiplos olhares plurais.
Entre as intervenções, registámos a de António Feijó Jr., engenheiro e especialista da indústria petrolífera angolana, que apelou a uma leitura positiva e construtiva do percurso dos países africanos independentes. Reconhecendo que nem tudo foi perfeito ao longo destas cinco décadas, sublinhou, ainda assim, a importância de valorizar o que foi alcançado e de encarar o balanço histórico com espírito crítico, mas também com confiança no futuro.
Já a arquiteta Maria João Teles Grilo reforçou a ideia de que a democracia constrói-se a partir da cidadania e não apenas das estruturas políticas formais. Na sua intervenção, defendeu que a história contemporânea dos países africanos está ainda em construção e que essa história será tanto mais verdadeira quanto mais resultar de contributos plurais, vindos da vida real das pessoas e da sua experiência quotidiana. Para a arquiteta, a riqueza da cidadania é um dos principais recursos para pensar o futuro coletivo.
Num registo mais crítico, o editor Manuel Rodrigues Vaz, da Pangeia, chamou a atenção para a composição do público presente, observando que a sala refletia sobretudo a participação de cidadãos angolanos. Embora reconhecendo o mérito da iniciativa, considerou importante que futuros encontros consigam envolver de forma mais equilibrada cidadãos dos restantes países africanos de língua oficial portuguesa, reforçando a dimensão verdadeiramente plural e transnacional do projeto.
Estas intervenções dialogaram diretamente com as palavras de Eugénio da Costa Almeida, que, na sua apresentação, havia desafiado autores e leitores a não deixarem o livro “morrer numa prateleira”, mas antes a lê-lo, debatê-lo e criticá-lo, transformando-o num instrumento vivo de reflexão cívica. O envolvimento do público no final da sessão confirmou esse apelo, mostrando que o livro já cumpre a sua função essencial: gerar debate, pensamento crítico e participação ativa da sociedade civil.
Organizado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, o lançamento encerrou assim com um diálogo aberto entre autores, leitores e convidados, reforçando a ideia de que os próximos capítulos da história das independências africanas continuam a ser escritos, sobretudo, pelos seus cidadãos.
A sessão teve início com a saudação da moderadora Catarina Furtado, que apresentou o programa e enquadrou o significado da obra no contexto dos desafios contemporâneos da segurança e da estabilidade no continente africano.
Seguiu-se um momento de abertura religiosa, com uma oração conduzida pelo Padre Samuel Docho, da Igreja Assembleia de Deus Pentecostal do Maculusso – Campo Grande, sublinhando a dimensão espiritual e comunitária do encontro.
Na mensagem de boas-vindas, o editor João Ricardo Rodrigues, da Perfil Criativo | AUTORES.club, destacou a importância da publicação de trabalhos académicos em livro, evocando as palavras do General José Luís Caetano Higino de Sousa, proferidas no lançamento da obra em Luanda. Segundo o editor, a edição de teses de doutoramento constitui um contributo essencial para a democratização do conhecimento e para a avaliação pública da qualidade da investigação académica.
Reportagem de Fernando Kawendimba
A sessão integrou ainda um momento musical com o Grupo Coral de Gospel Alfa, que apresentou duas interpretações de elevado nível artístico, criando um espaço de comunhão cultural e espiritual que marcou profundamente o público presente.
Foi também exibida uma breve mensagem em vídeo do prefaciador da obra, Domingos Simões Pereira, atualmente detido na sequência do golpe de Estado na Guiné-Bissau, cuja intervenção foi recebida com particular atenção e respeito pelos presentes.
O momento central da sessão coube à apresentação da obra pelo Prof. Doutor Eugénio da Costa Almeida, que sublinhou tratar-se de um trabalho que ultrapassa o exercício académico convencional, resultando de uma investigação profunda, baseada na tese de doutoramento do autor, e sustentada por uma rara articulação entre teoria e prática. Eugénio Costa Almeida destacou a relevância estratégica do livro para a compreensão da segurança, da defesa e da estabilidade política em África, com especial incidência no papel de Angola enquanto actor regional.
Na sua intervenção, o apresentador valorizou a análise crítica desenvolvida ao longo da obra, em particular o estudo da cooperação Angola–Guiné-Bissau e da MISSANG, recusando leituras triunfalistas e sublinhando a importância de reconhecer limitações, erros e fragilidades como parte integrante de qualquer processo sério de construção da paz e da estabilidade. Para Eugénio Costa Almeida, o livro afirma-se como uma obra de referência, exigente mas necessária, destinada a académicos, decisores políticos, militares e todos os interessados nos desafios africanos contemporâneos.
A sessão encerrou com breves palavras do autor, Zeferino Pintinho, que agradeceu a presença do público, dos intervenientes e da editora, sublinhando a importância de continuar a pensar África a partir de África, com responsabilidade, rigor científico e compromisso com o bem comum.
Organizado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, o lançamento afirmou-se como um dos momentos altos do programa cultural dedicado ao pensamento africano contemporâneo em Lisboa, reforçando o papel do livro enquanto instrumento de reflexão crítica e diálogo interdisciplinar.