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Luanda Capital da Cultura da CPLP 2022

Luanda Capital da Cultura da CPLP 2022

NOTÍCIA DA CPLP

Uma série de eventos vão assinalar a cidade de Luanda, capital da República de Angola, como «Capital da Cultura da CPLP», entre 29 e 5 de maio de 2022, em formato híbrido, com atividades temáticas presenciais e em formato virtual. 

No âmbito estatutário, vão decorrer a XI Reunião de Ministros do Turismo da CPLP e a XII Reunião de Ministros da Cultura da CPLP, respetivamente, a 3 e 4 de maio de 2022. No dia 5 de maio, está em agenda a cerimónia solene de celebração do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP e Dia Mundial da Língua Portuguesa.

O programa previsto da «Capital da Cultura da CPLP – Luanda 2022» contempla, também, atividades culturais performativas nas áreas da música, dança, teatro, cinema e exposições.

De igual forma, enquanto espaço de encontro e de promoção da diversidade de expressões culturais, preveem-se ainda iniciativas de carácter reflexivo sobre a gastronomia típica de cada Estados-Membro, a Cultura e a Língua Portuguesa. Estas atividades serão materializadas através da realização de um Ciclo de Debates, do Encontro de Escritores, do Encontro das Academias de Letras da CPLP, do Mercado Cultural da CPLP (feira de produtos culturais), de uma Feira do Livro e de uma Feira Gastronómica.

A realização da «Capital da Cultura da CPLP» ambiciona o reforço dos laços históricos, de promoção da diversidade cultural e da Língua Portuguesa, reafirmando a importância da cultura na relação e na aproximação entre os povos dos Estados-Membros da CPLP.

O Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente de Angola, no âmbito do exercício da presidência rotativa da CPLP, assume a coordenação e organização da Capital da Cultura da CPLP – Luanda 2022, tendo sido criada uma Comissão Organizadora com representantes de todos os Estados-Membros da CPLP, designadamente, os pontos focais da Cultura, entidades das Direções Gerais das Artes ou estruturas nacionais congéneres. 

Recorde-se que, em 2014, em Maputo, a IX Reunião de Ministros da Cultura da CPLP decidiu instituir a «Capital da Cultura da CPLP» como iniciativa a implementar no âmbito da cooperação cultural multilateral e estabeleceram que o Estado-Membro que detém a Presidência em exercício da Organização Internacional vai acolher o evento na vigência do seu mandato.

Fortaleza encheu para um encontro inesquecível com a História

No primeiro dia de Abril anunciámos a apresentação pública em Luanda, do Tratado de História de Angola “Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação“, do Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel. Um monumental trabalho científico publicado com a mais elevada qualidade e que representa para o Autor e para o Editor uma oportunidade para construirmos caminhos mais sólidos na unidade nacional e almejar o reencontro com os valores Bantu e Humanistas, sem esquecer a oportunidade de contribuirmos para o aumento da auto-estima de todos os Angolanos.

Há acontecimentos que são inesquecíveis. Depois do sucesso no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, ver a Fortaleza de São Miguel a encher para um encontro inédito e inesquecível com a História, ouvir a generosa participação do Senhor Ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, do cientista social Dr. José Luís Mendonça, público, representantes da Liga Africana e sobreviventes da Luta de Libertação nacional.

A editora fica eternamente agradecido aos “magníficos, muito honrados e soberanos senhores da República de Angola”.

Canto da Sereia chega a Luanda

Canto da Sereia chega a Luanda

A necessidade dos músicos angolanos apostarem na qualidade das composições, da produção e edição das obras discográficas, para um melhor e maior consumo da população, foi recomendado, em Luanda, pelo compositor Filipe Zau.

O também ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, que falava a imprensa, quarta-feira, no final da cerimonia do lançamento da obra discográfica “Canto terceiro da sereia: O encanto”, de sua autoria e de Filipe Mukenga, sublinhou que os artistas devem fazer trabalhos com maior qualidade e brio possível, para o legado das futuras gerações.

“Os músicos não devem ter pressa para compor, produzir, editar e lançar uma obra, o produto deve ter qualidade necessária e apresentar conteúdo consumível e que não perde actualidade”, referiu.

Conforme o autor do disco “Canto terceiro da sereia: O encanto”, a qualidade de uma obra discográfica depende, igualmente, do investimento feito na produção.

Por outro lado, fez saber que o CD lançado surge de uma amizade de 44 anos com Filipe Mukenga  e o mesmo retrata as vivencias, as histórias dos povos, bem como o reencontro de dois irmãos.

Acrescentou que o CD, uma opera jazz, faz parte de uma trilogia musical iniciada nos anos 90 e inspirada na “Kianda”, figura mitologia dos pescadores da Ilha de Luanda.

“A obra discográfica lítero-musical tem como pano de fundo as memórias de um tripulante em navios da antiga marinha mercante e de um seu irmão, condutor de uma máquina a vapor na antiga linha férrea do Amboim (Cuanza Sul)”, realçou.

O CD foi gravado entre 2014 e 2019, em estúdios em Luanda, Paris, Amesterdão, Lisboa, Faro e Los Angeles.

Filipe Mukenga e Filipe Zau mantêm, há 36 anos, uma parceria da qual resultou na composição de mais de 80 músicas inéditas.

Filipe Mukenga é natural de Luanda, cantor e compositor há mais de 45 anos, tem no mercado quatro álbuns discográficos, sendo que o primeiro, intitulado “Novo Som”, foi lançado em 1990.

Já o músico Filipe Silvino de Pina Zau, compositor, poeta e investigador nascido em Lisboa, é doutorado em Ciências da Educação.

Ministro da Cultura, Turismo e Ambiente Filipe Zau, assina autógrafo © Fotografia por: António Escrivão (ANGOP)

Fonte: ANGOP

3ª edição (2022) do livro/disco “Marítimos” que inclui o disco “Canto terceiro da sereia: O encanto” está disponível para encomendar.

Encerramento de exposição no Museu Nacional de Arte Antiga

Encerramento de exposição no Museu Nacional de Arte Antiga

Termina no dia 30 de Janeiro de 2022 a exposição BOBA KANA MUTHU WZELA: AQUI É PROIBIDO FALAR!

Reunindo algumas obras das diferentes séries do projeto Revelar a memória a partir do esquecimento, iniciado em 2010, o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) acolhe a exposição Boba Kana Muthu Wzela: Aqui é Proibido Falar!, de JRicardo Rodrigues. Partindo do lugar ocupado pelo MNAA, nas imediações do outrora bairro africano do Mocambo, território de “línguas proibidas” nascido no século XVI e hoje praticamente apagado, a exposição reimagina uma presença africana esquecida, evocando personagens e contextos reais ou alegóricos, como os sonhos e pesadelos de um Marquês de Pombal com uma outra biografia. Em encenações fotográficas de grande formato que dialogam com a tradição artística presente na coleção do Museu (mesmo que não de forma explícita), JRicardo Rodrigues reconfigura a memória a partir da ausência, cruzando o passado com a contemporaneidade e questionando continuidades, contrastes e heranças.

No Domingo 23 de Janeiro de 2022 foi realizado um último encontro com o artista para descobrir o “quinto neto da rainha Ginga” e o grande bairro do Mocambo, de Lisboa. Foram duas horas e meia de conversa sobre Arte e as raízes angolanas da cidade. Na intervenção foi dada uma atenção ao tema da escravatura. De apoio à informação dada, fica aqui a visita à exposição do investigador de economia política no Atlântico Sul, Jonuel Gonçalves, e o seu estudo sobre a Escravatura, e na transmissão de que houve gente que se indignou com o comércio de escravos no tempo da escravatura.

Debate: “Economia e Poder no Atlântico Sul”

Debate: “Economia e Poder no Atlântico Sul”

Não foi o frio nem a nova variante da COVID que impediram um caloroso encontro/debate “Economia e poder no Atlântico Sul“, com Jonuel Gonçalves, na Biblioteca Municipal Palácio dos Coruchéus. Este encontro realizado a 13 de Janeiro de 2022 marca o arranque das nossas actividades neste Ano Novo. Com a sala cheia destacamos a presença do jornalista Luís Costa, a trabalhar em Washington (EUA), e do Senhor Adido Cultural na Embaixada de Angola, em Paris, Carlos Ferreira (Cassé). Fotografias © Andreia Filipa.

Surpreendente publicação científica da História de Angola reconhecida pelo seu mérito

Surpreendente publicação científica da História de Angola reconhecida pelo seu mérito
Monumental edição sobre a História de Angola
Monumental edição de grande prestígio sobre a História de Angola

No dia da Cultura, 8 de Janeiro de 2022, a República de Angola, pela mão do Senhor Ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, Prof. Doutor Filipe Silvino de Pina Zau, reconhece que a surpreendente edição sobre a História de Angola, apresentada em Lisboa, a 29 de Outubro de 2021, é uma importante contribuição para a História do País.

De referir que esta monumental edição, “Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação”, do Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, publicada por duas editoras independentes, no seguimento de uma investigação de 25 anos, e agora acolhida, é um extraordinário e inédito exemplo das Ciências e de Cidadania, de um autor angolano, natural do Uíge, de identidade e ascendência bantu, que sempre residiu, estudou e trabalhou em Angola.

Esta edição, publicada, e agora reconhecida, no centenário do nascimento do Presidente António Agostinho Neto, está pronta para ser apresentada no Bengo, Benguela, Bié, Cabinda, Cuando-Cubango, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Cunene, Huambo, Huíla, Luanda, Lunda Norte, Lunda Sul, Malanje, Moxico, Namibe, Uíge e Zaire.

Uma verdadeira epopeia cultural cujos autor e editor exortam todas as instituições, em especial as de educação e cultura, à sua promoção por todo o País.

Porque sem conhecer o passado não é possível construir o futuro, e muita atenção que a “História é uma grande parábola”.

O músico e ministro Filipe Zau oferece a sua guitarra ao talentoso jovem guitarrista Mário Gomes
Evento realizado sob o lema “Identidade, Diversidade e Cultura da Angolanidade”, no qual o Prof. Doutor Filipe Zau considerou a identidade cultural como o principal valor da soberania dos povos por representar uma oportunidade ímpar na reflexão sobre a idiossincracia sociocultural dos grupos etnolinguísticos de uma sociedade. Na fotografia o músico e ministro Filipe Zau oferece a sua guitarra ao talentoso jovem guitarrista Mário Gomes. Fotografia de João Gomes/Jornal de Angola/Edições Novembro

No deserto chamado Lisboa

No deserto chamado Lisboa

No deserto chamado Lisboa, para o João Ricardo Rodrigues, navegador

Por FERNANDO DA GLÓRIA DIAS (Braga, 11/11/21)

Fui lá, no deserto chamado Lisboa

e cheguei completo
mais completo ainda quando saí,
meus bolsos atulhados, não tens emenda Nandinho,
menino de sempre,

tomei cacilheiro no cais do Sodré
entrei pela penumbra na rápida derrota de Cacilhas,
na outra margem das eras,
vinha de volta a casa sem saber aonde
trazia passado de candonga, minha camanga de brilhos
lossengas pequeninas, luboias maiores
mas de fingir, mais gostosas e quentes na alma dos tempos,
remexi nos bolsos, tanta coisa!, brinquedos inteiros,
o jogo da macaca, touradas de morte, a caça ao índio
e eu era o índio,
gajajas madurinhas, poemas, escola oito, meu primo Zé Maria,
o canivete que deu tio Fernando,
e meu tio Fernando
Nandinho não andes descalço, Nandinho isso não se diz, isso não se faz,
fecha a geleira Nandinho,
e o embondeiro da estrada do Dondo dizendo amanhã,
o cacilheiro rumando a Cacilhas por mil vezes que o tomei
de um só trago amargado por ausências de cheiros e cores,
cadê a terra vermelha, o rubro das acácias e buganvílias
cadê o óleo de palma recendendo e as mangas e goiabas,
tudo em meus bolsos, as perguntas e as respostas, que vou remexendo
com meus dedos pequenitos, ai Nandinho essas unhas!

Aqui por perto apanhei numa tarde o paquete Quanza
da Companhia Colonial de Navegação,
largara amarras, soava o apito da despedida por três vezes
aparvoando gaivotas desocupadas pelos ares.
No deque da terceira classe olhava a gare do cais de Alcântara
com chuvinha de cajueiro esbatendo a imagem de meus pais
sob uma sombrinha vermelha
carregada de acenos,
eu regressava a Luanda e eles viriam após
e os acenos era assim felizes, brilhavam também,
tudo isso em meu bolso, na minha praia morena,
no meu Sul, na minha duna, em meu deserto.

Agora, no cacilheiro cruzando o Tejo
retomo a tarde de hoje acabada entre acepipes
na vasta sala de pé alto do Museu de Arte Antiga
bastante cheia de gente atenta, brancos com ar de negros
resplandecentes,
e negros da tribo dos brancos,
botara discurso de sapiência com entremeios de risos
de humor descontraído um professor catedrático,
angolano do Uíge, de Cabinda ao Cunene,
médico e investigador de história de Angola
com obra publicada em três cartapácios de muitos quilos

Não encontrei monangambas vergados ao peso dos sacos
é só para isso que servem, dissera um historiador precipitado
que também não estava presente,
e afinal botavam também discurso académico, esses monangambas,
a voz bem timbrada, nasalada, segura,
um bom humor solto aqui e ali despertando quem ouve,
palavras sérias de oração desnovelando fios e tramas,
na capital que fora de império e escravatura, ali, em Mocambo,
onde afinal era proibido falar,
que eu mal ouvi, estou surdo, não importa
mas acordado e vivo e o momento tem um peso e uma força
de padrão deixado como quem planta
isso me basta, é quinda de que colho mangas e sorrisos

Depois comoveu ainda o canto em quimbundo onde fora proibido falar,
o violoncelo sublinhando a dor da voz de Rosa, uma flor, uma marca, um grito
um padrão também,
entre paredes tomadas de fotos enormes de negros e negras com perucas brancas
e vestes de brancos, tudo porque afinal plantado o padrão na foz do Zaire,
para diante navegou um grande navegador

No cacilheiro trago pois toda essa tralha em meus bolsos,
passo na prancha para o cais,
Cacilhas é um pasmo parado no tempo, que não existe, a noite está fria
espero que me venham buscar…

… fico remexendo nos bolsos meus brinquedos, meus sonhos, minha alma
minha estória, meus trilhos, esta forma sinuosa de me afirmar
pátria, cada vez mais livre,
lavra fecunda plantada agora de padrões dos netos da rainha Ginga,
que vão acontecendo com uma grande vontade de riso,

Molha uma chuva pequena quando justo chega quem me vem buscar,
traz sombrinha vermelha.


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