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Obituário — Manuel Vitória Pereira

Obituário — Manuel Vitória Pereira

Foi com profunda tristeza que recebemos a notícia do falecimento de Manuel Vitória Pereira, anunciada numa breve e sentida mensagem de Raimundo Salvador, do programa cultural “Conversa à sombra da Mulemba“, que partilhamos, como homenagem à força das suas palavras:

“Óbito: morreu um angolano de primeira grandeza.
Poeta, professor, cronista, homem de mil ofícios, também cantava e compunha.
Manuel Vitória Pereira foi uma figura central do sindicalismo independente angolano, activista incansável da circulação do conhecimento e da dignidade do pensamento crítico.
Partiu ontem um homem que, enquanto esteve entre nós, fez a sua parte para deixar o mundo melhor do que o encontrou.
Moçâmedes, Lubango e Luanda foram quartéis-generais do seu activismo multidisciplinar, territórios de palavra, de escuta, de intervenção cívica e cultural.
Angola perde um cidadão de excelência.
Na Sentada do Manel, na Rua 7 do Bairro Mártires do Kifangondo, toca hoje um batuque de choro.
O óbito foi anunciado na poesia e no canto de gente jovem, que vê partir um angolano que soube honrar a Pátria que o viu nascer.”

Conhecido entre pares como o nosso poeta maldito, Frei Maneco, Manuel Vitória Pereira deixou um testemunho literário marcante e irreverente com o livro Versos Sacanas, publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club em fevereiro de 2024. Trata-se de uma obra espontânea e frontal, profundamente crítica da vida contemporânea, uma poesia sem concessões, inquieta e humana, como sublinhou E. Bonavena.

Figura central do sindicato do professores angolanos, foi um activista incansável e, segundo os amigos, um verdadeiro pacifista, sempre envolvido com os mais pobres e desprotegidos. A sua coerência de vida manifestou-se desde cedo: no início dos anos setenta, ainda antes da independência, frequentava o Bairro Popular como se fosse a sua própria casa, num exercício quotidiano de proximidade, escuta e partilha.

A sua trajetória ficou também marcada por um episódio de violência e injustiça que viria a ter consequências dramáticas. Durante uma manifestação de professores nos anos noventa, Manuel Vitória Pereira foi maltratado pela polícia e abandonado a mais de 40 quilómetros de Luanda. Amigos e companheiros acreditam que as sequelas desse episódio tornaram a sua vida particularmente difícil nos últimos tempos, agravando fragilidades físicas e materiais, sem nunca lhe retirarem a lucidez crítica nem a fidelidade aos seus princípios.

Moçâmedes, Lubango e Luanda foram territórios centrais do seu activismo multidisciplinar, lugares de palavra, de intervenção cívica e de criação cultural. Por onde passou, deixou marcas de generosidade intelectual, rigor ético e coragem moral.

Angola perde um cidadão de excelência. Manuel Vitória Pereira permanecerá vivo na memória coletiva, na sua obra e no exemplo raro de uma vida inteira dedicada à dignidade humana, à justiça e à liberdade do pensamento.

Homenagem a Manuel Fonseca de Victória Pereira

Versos Sacanas
Versos Sacanas

Da África Austral ao Mundo: o livro que revela a outra face da expansão portuguesa

Da África Austral ao Mundo: o livro que revela a outra face da expansão portuguesa

A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte, não é apenas o relato de uma viagem excecional através do continente africano. É, acima de tudo, um livro que surpreende ao mostrar como essa travessia se insere num fenómeno muito mais vasto: a extraordinária e improvável colonização portuguesa que alcançou os quatro cantos do mundo.

Revelando a primeira travessia documentada da África Austral, de Angola ao Índico , o autor constrói uma narrativa que cruza exploração, política, geografia e destino histórico, revelando como um pequeno país europeu conseguiu projetar-se, durante séculos, em territórios tão distantes como África, Ásia, América e Oceânia.

Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte
Lançamento em 2025 do livro A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte

Apresentação do autor no lançamento de “A Primeira Travessia da África Austral” Padrão dos Descobrimentos, Lisboa — 29 de outubro de 2025

Uma travessia que explica um mundo

O livro acompanha a jornada africana não como um episódio isolado, mas como parte de um sistema global de rotas, decisões e encontros culturais. A travessia do sul de África surge como um eixo estratégico que ajuda a compreender a lógica da expansão portuguesa:
uma colonização feita de persistência, adaptação, alianças locais, erros, conflitos e surpreendente capacidade de sobrevivência política e cultural.

José Bento Duarte mostra que a história da colonização portuguesa não se explica apenas pelo mar, mas também pela terra, pelos caminhos interiores, pelos rios, pelas rotas esquecidas e pelos homens, muitos deles luso-africanos, que ligaram oceanos, povos e impérios.

História global contada a partir de África

Ao longo das páginas de A Primeira Travessia da África Austral, o leitor descobre como a presença portuguesa em África se articula com acontecimentos decisivos noutros pontos do globo:
as disputas imperiais europeias, o comércio intercontinental, a rivalidade entre potências, as missões religiosas, os equilíbrios diplomáticos e as estratégias de sobrevivência de um império disperso.

África não surge como periferia, mas como centro de gravidade de uma história global. É a partir do continente africano que se compreende melhor a ligação entre o Atlântico e o Índico, entre o Brasil e a Índia, entre Lisboa e os territórios longínquos onde a língua portuguesa deixou marcas duradouras.

Rigor histórico com pulsação narrativa

Sem abdicar do rigor documental, José Bento Duarte escreve com um ritmo que prende o leitor. O livro combina investigação em arquivos, leitura crítica de fontes e uma escrita clara e envolvente, capaz de transformar a História num relato vivo, acessível a especialistas e ao público geral.

Mais do que um livro sobre exploradores, é um livro sobre processos históricos, sobre como se construiu, e se manteve, uma presença global improvável, frequentemente contraditória, mas profundamente marcante.

Um livro para ler o passado com outros olhos

Num tempo em que a história da colonização é frequentemente reduzida a slogans ou simplificações, A Primeira Travessia da África Austral propõe algo diferente:
uma leitura informada, crítica e abrangente, que reconhece a complexidade dos factos e devolve profundidade a uma história que continua a influenciar o presente.

Este é um livro para quem se interessa por Angola, Moçambique, por Portugal, pela história global, pelas rotas do mundo, e para quem acredita que ainda há muito por descobrir nos arquivos, nos mapas e nas narrativas esquecidas.

Livros de José Bento Duarte

Peregrinos da Eternidade
Peregrinos da Eternidade
Senhores do Sol e do Vento
Senhores do Sol e do Vento
A primeira Travessia da África Austral
A primeira Travessia da África Austral

Fernando Kawendimba distinguido entre os psicólogos angolanos mais influentes dos últimos 50 anos

Fernando Kawendimba distinguido entre os psicólogos angolanos mais influentes dos últimos 50 anos

Revista Psicólogos Angola lançou recentemente uma edição especial que assinala 10 anos do projeto editorial e celebra 50 anos de Independência Nacional, reunindo e homenageando dezenas de profissionais ligados à saúde mental.

Nesta publicação Fernando Kawendimba foi indicado como um dos psicólogos em destaque em Angola, reconhecimento que reforça o seu percurso simultaneamente ligado à psicologia clínica e à criação artística e literária.

No catálogo da Perfil Criativo | AUTORES.club, Fernando Kawendimba assina o livro Mãe Nossa que Sois o Céu – Contos, publicado em novembro de 2020 (1.ª edição). Fernando Kawendimba que se encontra em Lisboa a desenvolver os seus estudos académicos representou a nossa editora na apresentação do terceiro volume da obra de Mafrano em 2025, em Luanda.

Além do trabalho editorial, o autor tem aparecido em espaços de debate público como psicólogo e comentador, sublinhando a ligação entre experiência humana, saúde mental e narrativa.

Mãe Nossa que Sois o Céu - Contos
Mãe Nossa que Sois o Céu – Contos

“Um interlúdio chamado João Lourenço”

“Um interlúdio chamado João Lourenço”

Livro de bolso ANGOLA: POR UMA NOVA PARTIDA: Uma leitura urgente para tempos de transição política em Angola

O “pensador angolano” Marcolino Moco é chamado a público para explicar as ideias expressas na edição em formato de bolso de ANGOLA: POR UMA NOVA PARTIDA, uma obra originalmente publicada em 2020 e que agora ganha nova vida e urgência num momento crítico da história política angolana. Com estilo claro, perspicaz e profundamente reflexivo, Marcolino Moco propõe uma reflexão abrangente sobre os desafios estruturais que moldam o Estado angolano, a dinâmica de poder dentro do partido-Estado e as urgentes necessidades de renovação e institucionalização democrática.

No cerne desta edição está o capítulo que aqui emprestamos como título: “Um Interlúdio Chamado João Lourenço”. Uma análise que transcende o indivíduo e se concentra nas tensões e paradoxos que caracterizam a sufocante liderança contemporânea em Angola. Marcolino Moco desvenda como, nas últimas décadas, as estruturas de poder tendem a personalizar-se, concentrando autoridade no aparelho do Estado e, em particular, no comando do MPLA, gerando uma fricção permanente entre a necessidade de reforma e a manutenção do statu quo político.

Desde a sua eleição, João Lourenço prometeu romper com práticas arraigadas de corrupção e patrimonialismo, ganhando algum reconhecimento internacional pela sua campanha de combate à corrupção e pela busca de modernização económica. Contudo, suas reformas internamente têm sido interpretadas por muitos analistas como um esforço para consolidar poder, ao mesmo tempo em que enfrenta crescente descontentamento popular face às dificuldades socioeconómicas e à desigualdade persistente. 

O contexto político de Angola em 2025-2026 é marcado por episódios de mobilização social, incluindo protestos e greves desencadeados por políticas de preços de combustíveis e custos de vida, que expõem uma crescente tensão entre o governo e vastos segmentos da juventude e da sociedade civil.

Ao anunciar publicamente que deixará o poder em 2027, o general João Lourenço lançou um novo capítulo de incerteza e debates dentro do próprio MPLA, gerando expectativas e preocupações sobre a sucessão, a renovação interna do partido e o futuro político do país. Estas declarações, embora cumpram dispositivos constitucionais, também colocam em evidência a necessidade de uma transição mais ampla que permita maior participação das vozes emergentes na sociedade angolana. 

Angola: Por Uma Nova Partida
Angola: Por Uma Nova Partida um livro disponível para encomendar nas livrarias Bertrand, Worten, Stanford University Libraries e Wook

ANGOLA: POR UMA NOVA PARTIDA não é apenas um livro de análise política: é um convite à introspeção, ao diálogo e à ação coletiva. A versão de bolso, acessível e incisiva, coloca nas mãos do leitor uma ferramenta de compreensão crítica sobre a natureza do poder, a governança e o futuro de Angola, num momento em que o país se debate entre a tradição de um partido-Estado dominante e as aspirações por maior abertura democrática e justiça social.

Este livro dirige-se a todos os leitores interessados em entender não só o passado e presente de Angola, mas sobretudo o futuro que a nação pode, e deve, construir. Com linguagem acessível e rigor analítico, Marcolino Moco oferece um retrato lúcido dos dilemas do poder, das oportunidades de mudança e das forças que moldam a perspetiva de uma nova partida para Angola.

Últimos exemplares disponíveis nas livrarias Worten, Bertrand e Wook

5 ideas for the continuation of the construction of Angola, as a modern African nation-state – contribution. Criticism of the elections as an end in itself and political opportunism. Angola in Africa, For a New Start

Público-alvo

Cidadãos politicamente conscientes (25–65 anos)

  • Leitores que acompanham a vida política angolana.
  • Pessoas críticas em relação ao partido-Estado, à governação e ao funcionamento das instituições.
  • Interessados em compreender as dinâmicas internas do poder, para além do discurso oficial.

Este é o núcleo duro do público do livro.


Quadros políticos e institucionais

  • Militantes e dirigentes do MPLA e da oposição.
  • Deputados, assessores políticos, juristas, diplomatas e funcionários superiores do Estado.
  • Decisores que refletem sobre transições de poder, sucessão política e reformas institucionais.

O livro funciona aqui como texto de reflexão estratégica, não panfletário.


Juventude universitária e jovens ativistas (20–35 anos)

  • Estudantes de Direito, Ciência Política, Relações Internacionais, Sociologia e História.
  • Jovens envolvidos em movimentos cívicos, associações e debates públicos.
  • Leitores que procuram chaves de leitura para compreender por que as eleições, por si só, não resolvem os problemas estruturais.

Especialmente atraídos pelo tom crítico e pelo capítulo
“Um Interlúdio Chamado João Lourenço”, que dialoga com o presente.


Intelectuais, académicos e formadores de opinião

  • Professores, investigadores, jornalistas, cronistas e analistas políticos.
  • Leitores que valorizam obras de pensamento político africano produzido por africanos.
  • Público interessado em democracia, constitucionalismo, Estado-nação e pós-colonialismo.

O livro posiciona-se como obra de referência no debate político angolano contemporâneo.


Diáspora angolana

  • Angolanos residentes em Portugal, Brasil, França e outros países.
  • Leitores de língua portuguesa interessados em África, política e geopolítica.
  • Comunidade internacional ligada a ONG, cooperação, diplomacia e estudos africanos.

O formato livro de bolso facilita o acesso e a circulação internacional.


Lisboa acolhe debate inédito sobre as Independências Africanas e os desafios da estabilidade em África

Lisboa acolhe debate inédito sobre as Independências Africanas e os desafios da estabilidade em África

Na próxima sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, a partir das 18h00, a Biblioteca Palácio Galveias será palco de um acontecimento cultural e académico sem precedentes em Lisboa: a apresentação dos livros 50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos e Angola e os desafios da estabilidade em África, num encontro que reunirá vozes de vários países africanos de língua oficial portuguesa.

A sessão será transmitida em direto através da plataforma Zoom, permitindo a participação de numerosos autores que se encontram fora de Lisboa, residentes em Angola, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Este formato híbrido reforça o caráter inovador do evento e alarga o debate a uma verdadeira dimensão transnacional.

50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos
50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos

50 anos de Independências Africanas vistos por quem as viveu

A obra coletiva 50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos, coordenada por Eugénio da Costa Almeida e Rui Verde, reúne um vasto e plural conjunto de autores, académicos, escritores, jornalistas e responsáveis políticos, que refletem, a partir da experiência direta, sobre meio século de independência nos países africanos.

Com contributos de Alcides Sakala, Ana “Margoso”, Anastácio Sicato, Arlete Chimbinda, Belarmino Van-Dúnem, Carlos Veiga, Celso Malavoloneke, Denilaide Cunha, Domingos Kimpolo Nzau, Domingos Simões Pereira, Eusébio Sanjane, Gilvanete Chantre, Humberto Macaringue, Isaac Paxe, Jacques dos Santos, Jerónimo Belo, João Carlos do Rosário, João Carlos, João Craveirinha Jr, João Sicato Kandjo, Joaquim Rafael Branco, Jorge Castelo David, José Luís Mendonça, José Maria Neves, José Miguel Ferro, José Ulisses Correia e Silva, Manuel Fragata de Morais, Maria da Imaculada Melo, Maria João Teles Grilo, Maria Olinda Beja, Mihaela Webba, Onofre dos Santos, Orlando de Castro, Sandra Poulson, Sedrick de Carvalho, Sónia Santos Silva, Tomás Lima Coelho, Victor Hugo Mendes, William Tonet e Zeferino Boal, o livro traça um retrato crítico e multifacetado dos sucessos, frustrações, continuidades e ruturas que marcaram as últimas cinco décadas.

Trata-se de uma obra de memória, análise e projeção futura, onde se cruzam perspetivas históricas, políticas, sociais e culturais, sempre a partir do olhar dos próprios cidadãos africanos.

Angola e os desafios da estabilidade em África

O segundo livro em destaque, Angola e os desafios da estabilidade em África, de Zeferino Pintinho, centra-se no papel de Angola no contexto regional e continental, analisando os desafios da estabilidade política, da segurança, da diplomacia e do desenvolvimento sustentável em África.

A obra propõe uma leitura estratégica do posicionamento angolano num continente em transformação, sublinhando responsabilidades, oportunidades e riscos num cenário internacional cada vez mais complexo.

Um debate da África Latina sem precedentes em Lisboa

Este encontro assume um caráter inédito ao colocar, num mesmo espaço físico e digital, uma reflexão conjunta sobre os países africanos de língua oficial portuguesa, cruzando experiências nacionais, trajetórias históricas e desafios comuns.

A apresentação na Biblioteca Palácio Galveias afirma-se, assim, como um momento de diálogo aberto entre África e Europa, entre gerações e entre diferentes campos do saber, convidando o público presencial e online a participar numa análise profunda sobre o passado, o presente e o futuro das independências africanas.

Data: sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Hora: 18h00
Local: Biblioteca Palácio Galveias, Lisboa
Transmissão: em direto via Zoom

Um acontecimento imperdível para leitores, investigadores, estudantes e todos os interessados no pensamento africano contemporâneo e no espaço de língua portuguesa.

O prefaciador preso: a atualidade dramática de um livro sobre África

O livro Angola e os desafios da estabilidade em África conta com um prefácio assinado por Domingos Simões Pereira, uma das figuras políticas mais relevantes do momento.

À data da apresentação desta obra em LisboaDomingos Simões Pereira encontra-se detido na Guiné-Bissau, no contexto da instabilidade política vivida naquele país desde o final de 2025. A sua ausência no evento resulta, assim, de uma situação de violência política, amplamente noticiada por órgãos de comunicação social internacionais e acompanhada com preocupação.

Este facto confere um significado político e simbólico acrescido à apresentação do livro, reforçando a atualidade do debate em torno da estabilidade, da governação democrática e da segurança em África, temas centrais da obra agora apresentada.

A sessão na Biblioteca Palácio Galveias será também um momento de reflexão, reafirmando o papel do livro, do pensamento crítico e do diálogo como instrumentos essenciais na construção de sociedades mais justas e estáveis.

Egosismo: A poesia como testemunho de uma independência traída

Egosismo: A poesia como testemunho de uma independência traída

Poemas escritos entre 1975 e 1980, no exílio forçado de um jovem jornalista angolano

A poesia pode ser um grito, um arquivo da memória e um acto de resistência. É nesse território que se inscreve Egosismo (o sismo de magnitude máxima que atingiu o meu ego), livro de poesia de Orlando Castro, jornalista angolano e refugiado de guerra no sangrento processo de independência de Angola.

Escritos entre 1975, ano da saída forçada de Angola, e 1980, estes poemas nascem num dos períodos mais violentos e silenciados da história contemporânea angolana. Após o Acordo do Alvor, o processo de independência rapidamente se desfez: o MPLA avançou unilateralmente para a tomada do poder político, apoiado pela União Soviética, Cuba e a República Democrática Alemã, precipitando o país numa violenta guerra fratricida. A prometida libertação deu lugar à perseguição, ao exílio, à repressão e a práticas de limpeza política e étnica que marcaram gerações.

É nesse contexto que o jovem poeta, ainda com Angola viva no sangue, fixa no papel a dor colectiva, o desterro, a morte e a traição do sonho independentista. Egosismo é mais do que um livro de poesia: é um documento humano, político e histórico.

No prefácio, o investigador e ensaísta Eugénio Costa Almeida sublinha a natureza indomável desta escrita, afirmando:

“Quando o poeta é livre como o Catuituí, nada há que o engaiole…”

A liberdade do poeta é aqui inseparável da sua recusa do silêncio e da submissão. Orlando Castro escreve como quem sobrevive, como quem denuncia, como quem se recusa a aceitar a normalização da barbárie.

Ao longo de duas partes, o livro reúne poemas de forte impacto emocional e simbólico, entre os quais se destacam:

  • “Minha Irmã Vala Comum”, um dos textos mais violentos e lúcidos sobre a morte colectiva, onde o poeta afirma, sem concessões, que a vala comum é “multirracial”, denunciando a mentira ideológica da guerra;
  • “Angola Desespero”, um retrato seco e devastador de um país entregue ao sofrimento de mães, crianças e velhos;
  • “A Minha Guerra”, onde a experiência individual se funde com a tragédia nacional;
  • “Não Sou Português”, poema de identidade ferida, escrito no exílio, entre a rejeição e a perda;
  • “Missão Para Minha Filha”, texto de denúncia frontal contra os responsáveis pela destruição do país, lançado como herança ética às gerações futuras;
  • “Quem Canta o Meu Povo?”, um violento ajuste de contas com os mitos revolucionários e com a descolonização feita à custa do massacre do próprio povo.

A par da denúncia, há também espaço para a esperança, o amor, a memória e a utopia, como em “Cântico para o Amanh㔓O Amor e a Paz” ou “Não Chores Poeta”, onde a poesia insiste em sobreviver mesmo no meio das ruínas.

Egosismo é, assim, a voz de um poeta-jornalista que recusou ser cúmplice da amnésia histórica. Um livro incómodo, necessário e profundamente actual, que devolve à poesia a sua função primordial: dizer o que muitos quiseram apagar.

Ficha técnica resumida
Autor: Orlando Castro
Título: Egosismo (o sismo de magnitude máxima que atingiu o meu ego)
Ano: 2022
Poemas escritos entre 1975 e 1980
Prefácio: Eugénio Costa Almeida
Preço: 15 euros

O livro Egosismo (o sismo de magnitude máxima que atingiu o meu ego) está disponível para encomendar nas livrarias BertrandWook e Komutú (Angola)

Público-alvo | Egosismo – Orlando Castro

Egosismo dirige-se a leitores de poesia e pensamento crítico, em particular:

  • Leitores de poesia social e política, interessados em literatura de denúncia, memória e resistência.
  • Público angolano e da diáspora, especialmente gerações marcadas pela guerra, pelo exílio e pela descolonização.
  • Académicos, investigadores e estudantes das áreas de Estudos Africanos, História Contemporânea, Literatura e Estudos Pós-Coloniais.
  • Jornalistas, historiadores e leitores de ensaio político, atentos às narrativas silenciadas do processo de independência de Angola.
  • Leitores portugueses interessados nas consequências humanas e históricas da descolonização.
  • Ativistas e instituições ligadas aos direitos humanos e à memória histórica.

Um livro para quem recusa o esquecimento e procura compreender, através da poesia, a violência, o exílio e a traição dos ideais da independência angolana.

Matemática com Angola lá dentro: tarefas que transformam números, sequências e padrões em aprendizagem viva

Matemática com Angola lá dentro: tarefas que transformam números, sequências e padrões em aprendizagem viva

Foi publicado em 2022 o livro Ensino dos Números, Sequências e Padrões: Tarefas para o 2.º Ciclo do Ensino Secundário em Angola, da autoria de Jerónimo Sanchos Mendes Evaristo, Paula Maria Machado Cruz Catarino, Ana Paula Florêncio Aires e Helena Maria Barros de Campos, uma obra concebida como ferramenta prática de apoio ao professor para o ensino das sequências numéricas e padrões, tópico integrante do programa do 2.º Ciclo do Ensino Secundário Geral (CESG) em Angola. Este livro o primeiro a ser promovido em 2026 está disponível em Luanda nas livrarias Komutú.

Um livro pensado para a sala de aula

A obra parte de um princípio pedagógico claro: o uso de tarefas como estratégia para promover raciocínio, resolução de problemas, comunicação matemática e aprendizagem ativa, defendendo a integração de tarefas contextualizadas no dia a dia dos alunos para aumentar motivação e compreensão.

O que o livro traz (conteúdo e estrutura)

O volume está organizado em três blocos principais:

  • Introdução e enquadramento do tema (números, sequências e padrões), reforçando a importância da Matemática como linguagem transversal e o papel das sequências (como a de Fibonacci) no ensino e na motivação dos alunos.
  • A importância do uso de tarefas no ensino da Matemática, com foco na necessidade de práticas pedagógicas que desenvolvam criatividade, pensamento crítico e competências do século XXI no contexto angolano.
  • Propostas de tarefas (núcleo do livro), divididas em dois grandes grupos

Grupo 1 — Tarefas contextualizadas com vivências do dia a dia em Angola

Este grupo apresenta tarefas com introdução ao contexto e atividades sequenciais, concebidas para serem implementadas em sala de aula e ligadas à realidade dos alunos.

Inclui ainda atividades introdutórias para trabalhar o número de prata e o número de ouro, como ponto de partida.

Exemplos de tarefas (entre outras):

  • Sequência de Pell em bijutaria (a partir de formas geométricas observadas em peças usadas nos PALOP). 
  • Sequência de Fibonacci num campo de futebol (com medição e exploração do retângulo e da proporção áurea).
  • Fibonacci numa estrela (a partir de símbolos, incluindo a análise de uma estrela na Insígnia de Angola).
  • Fibonacci numa samacaca (padrões geométricos e proporção áurea em tecido angolano).
  • Fibonacci e o ananás (contagem de espirais e relação com a sequência).
  • Introdução aos números de Padovan em artesanato (a partir de triângulos e referências a balaios/artefactos).
  • Procura de padrões no número de ouro e procura do número de ouro num luando, promovendo investigação e ligação a objetos culturais.

Grupo 2 — Tarefas com construções geométricas elementares

Este grupo foca-se em tarefas baseadas em construções geométricas (régua e compasso), usando a Geometria como elemento de motivação e transposição didática para chegar ao conceito de sucessão/sequência, com contactos com sequências como Fibonacci, Pell e Padovan

Inclui tarefas como:

  • Construção do retângulo de ouro a partir de um quadrado;
  • Construção do retângulo de prata;
  • Construção rigorosa da sequência de Padovan a partir de um triângulo equilátero;
  • Construção de um triângulo dourado a partir de um pentágono;
  • Triângulo de Pascal e a sequência de Fibonacci;
  • Ligação do número de prata à trigonometria via construção de um octógono

Um recurso alinhado com o contexto angolano

O livro foi desenvolvido com a preocupação explícita de apoiar um ensino da Matemática contextualizado, incorporando cultura, linguagem, experiências e objetos do quotidiano, com tarefas pensadas para maior envolvimento dos alunos.

O livro Ensino dos Números, Sequências e Padrões: Tarefas para o 2.º Ciclo do Ensino Secundário em Angola está disponível para encomendar nas livrarias Bertrand, Wook e Komutú (Angola)

Professores, escolas e colégios do ensino secundário estão convidados a descobrir e aplicar em sala de aula o livro Ensino dos Números, Sequências e Padrões, uma obra pensada para apoiar a prática pedagógica quotidiana e enriquecer o ensino da Matemática em Angola. Com propostas de tarefas concretas, contextualizadas e alinhadas com os programas curriculares, este livro oferece ferramentas que promovem o raciocínio matemático, a participação ativa dos alunos e a ligação entre a Matemática e o quotidiano angolano, contribuindo para aulas mais dinâmicas, significativas e eficazes.

Lançamento do Livro: 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos

Lançamento do Livro: 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos

PRESS RELEASE

Em 2025, assinalaram-se os 50 anos das independências dos cinco Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) — Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Para celebrar e refletir sobre esta efeméride histórica, os coordenadores Eugénio da Costa Almeida e Rui Verde reuniram uma obra coletiva inédita:
50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos.

Mais de 40 personalidades, entre antigos chefes de Estado e de Governo, académicos, escritores, jornalistas, artistas e representantes da sociedade civil, dão voz a este livro, partilhando memórias, análises e reflexões sobre meio século de soberania, conquistas e desafios. Entre os participantes destacam-se:

Alcides Sakala Simões | Ana Gonçalves da Silva “Margoso” | Anastácio Artur Ruben Sicato | Arlete Leona Chimbinda | Belarmino Van-Dúnem | Carlos Alberto Wahnon de Carvalho Veiga | Celso Domingos José Malavoloneke | Denilaide Miguel Correia da Cunha | Domingos Kimpolo Nzau | Domingos Simões Pereira | Eusébio Sanjane | Gilvanete Madelene Neves Chantre Montrond | Humberto Francisco Mandevo Macaringue | Isaac Paxe | Jacques Arlindo dos Santos | Jerónimo Octávio Xavier Belo | João Carlos do Rosário | João Carlos | João Craveirinha Jr | João Sicato Kandjo | Joaquim Rafael Branco | Jorge Castelo David | José Luís Mendonça | José Maria Neves | José Miguel Ferro | José Ulisses Correia e Silva | Manuel Augusto Fragata de Morais | Maria da Imaculada Melo | Maria João Teles Grilo | Maria Olinda Beja Martins Assunção | Mihaela Neto Webba | Onofre dos Santos | Orlando de Sousa Castro | Sandra Poulson | Sedrick de Carvalho | Sónia Cristina Cardoso dos Santos Silva | Tomás Daniel Gavino Lima Coelho | Victor Hugo Mendes | William Afonso Tonet | Zeferino Augusto Lourenço Boal.

A obra traz textos inéditos que vão além da celebração histórica, abrindo espaço para uma leitura crítica do percurso das independências, do legado político e cultural, das transições democráticas e dos desafios económicos e sociais ainda presentes. Como salientam os coordenadores, esta não é apenas uma coletânea de memórias, mas um convite à reflexão sobre o passado, o presente e os caminhos futuros das nações africanas lusófonas.

Com testemunhos de figuras como José Maria NevesJosé Ulisses Correia e SilvaDomingos Simões PereiraJoaquim Rafael Branco e Alcides Sakala Simões, o livro combina diferentes perspetivas, de estadistas a intelectuais, oferecendo um mosaico plural das conquistas e fragilidades de meio século de independência.

50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos
Lançamento oficial do livro 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos a 9 de janeiro de 2025, na Biblioteca Palácio Galveias – Sala Polivalente, às 18h00

Um testemunho plural e inédito

O livro reúne mais de 40 personalidades dos cinco PALOP, incluindo antigos chefes de Estado, políticos, diplomatas, académicos, escritores, artistas e representantes da sociedade civil.

Cada autor partilha uma visão pessoal e crítica sobre os caminhos percorridos desde as independências até hoje, trazendo vozes diversas e perspectivas complementares.

Um balanço histórico de 50 anos

A obra revisita meio século de soberania, assinalando conquistas políticas, económicas e sociais, mas também os desafios persistentes: desigualdade, crises políticas, fragilidades institucionais e necessidade de reconciliação nacional.

Textos de figuras como José Maria NevesJosé Ulisses Correia e Silva ou Domingos Simões Pereira oferecem análises de alto nível sobre Cabo Verde e Guiné-Bissau.

Temas estruturantes abordados

  • Transição para a independência e desafios dos primeiros governos.
  • Experiências democráticas e autoritarismos ao longo das décadas.
  • O papel da cultura e da arte na construção da identidade nacional.
  • Conflitos, reconciliação e desenvolvimento: entre o passado colonial e os caminhos para o futuro.

Público-Alvo

Académicos, investigadores e estudantes

  • Historiadores, cientistas políticos, sociólogos e estudantes interessados na história contemporânea de África, pós-colonialismo e processos de independência.
  • Faculdades e centros de investigação em Estudos Africanos, Relações Internacionais, Ciências Políticas, História e Cultura.

Decisores políticos e diplomatas

  • Líderes e quadros políticos dos PALOP e da Lusofonia em geral.
  • Diplomatas, organizações internacionais e entidades governamentais envolvidas na cooperação internacional e na reflexão sobre desenvolvimento, democracia e governação.

Professores e formadores

  • Docentes de História, Ciências Sociais e Língua Portuguesa, que podem usar o livro como recurso pedagógicopara debater temas como descolonização, construção do Estado e cidadania.

Jornalistas, escritores e agentes culturais

  • Profissionais da comunicação social, escritores, artistas e produtores culturais interessados nas vozes e narrativas africanas e na relação entre cultura, identidade e política.

Leitores em geral

  • Cidadãos dos PALOP, da diáspora africana e de países lusófonos que procuram compreender melhor os últimos 50 anos de história e refletir sobre os desafios para o futuro.

Editora reforça eixo atlântico em 2025 e abre 2026 com novas pontes culturais

Editora reforça eixo atlântico em 2025 e abre 2026 com novas pontes culturais

Entre lançamentos, reedições históricas, estreias literárias e parcerias culturais, a Perfil Criativo | AUTORES.club transformou 2025 num ano de circulação intensa entre Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Portugal. Do resgate de memórias africanas à projecção de novas vozes, a editora consolidou um mapa literário verdadeiramente atlântico, preparando o terreno para um início de 2026 marcado por prémios, novos autores e projectos que reforçam ainda mais o diálogo cultural no espaço da língua portuguesa.

Tratado de História de Angola: Entrega de Prémio em Luanda

A editora encerra este ano as suas actividades com o público regressa a 9 de janeiro de 2026 na Biblioteca Palácio Galveias.

Que este Natal aqueça as páginas da sua vida e que o Ano Novo comece com histórias inesperadas, ideias luminosas e leituras que surpreendem a cada capítulo. Boas festas e ótimas leituras!

Estamos a preparar livros especiais que vão marcar 2026 — novas obras, novas vozes e leituras pensadas para surpreender e inspirar. Na loja on-line de 6 a 20 de dezembro 2025 temos descontos exclusivos de 50% para leitores registados. Novos títulos em promoção todos os dias.

Angola: lançamentos estratégicos e aproximação aos leitores

Em Luanda, o ano de 2025 abriu com forte aposta em obras técnicas e de reflexão estratégica. No final de Fevereiro, o Hotel EPIC SANA acolheu o lançamento de Refinação, Armazenagem, Distribuição e Comercialização de Derivados do Petróleo. O Papel dos Biocombustíveis, do Eng. António Feijó Júnior, reunindo especialistas, académicos e reguladores do sector energético angolano.

Lançamento do livro Refinação, Armazenagem, Distribuição e Comercialização de Derivados do Petróleo. O Papel dos Biocombustíveis, do Eng. António Feijó Júnior
Lançamento do livro Refinação, Armazenagem, Distribuição e Comercialização de Derivados do Petróleo. O Papel dos Biocombustíveis, do Eng. António Feijó Júnior

A meio do ano a foi revelado em Luanda o terceiro e último volume da trilogia póstuma Os Bantu na Visão de Mafrano – Quase Memórias, do escritor e antropólogo angolano Maurício Francisco Caetano, conhecido como “Mafrano”, na Escola Nacional de Administração e Políticas Públicas (ENAPP).

Família de Maurício Francisco Caetano recebe terceiro volume em Luanda
Família de Maurício Francisco Caetano recebe terceiro volume em Luanda

Ainda no eixo Luanda–Angola, 2025 fica marcado pela edição e lançamento de Angola e os Desafios da Estabilidade em África, do Prof. Doutor Zeferino Pintinho, no Auditório do Arquivo Nacional de Angola, a 5 de Novembro. A obra, publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club, discute o papel estratégico de Angola na promoção da paz e estabilidade no continente.

Lançamento de Angola e os Desafios da Estabilidade em África, do Prof. Doutor Zeferino Pintinho, no Auditório do Arquivo Nacional de Angola

No final do ano, a editora anunciou uma parceria estrutural com a Livraria Komutú, garantindo a presença regular das suas obras nas livrarias em Luanda, um passo decisivo na criação de um circuito estável para os leitores angolanos.

Livraria Komutú
Livraria Komutú em Luanda

Portugal: Lisboa como grande palco das edições de 2025

Em Portugal, a cidade de Lisboa foi o coração das apresentações de 2025.

Logo em Fevereiro, a cidade acolheu duas sessões emblemáticas na Biblioteca Palácio Galveias: a apresentação da reedição de Kimamuenho – Intelectual Rural 1913-1922, de Eugénio Monteiro Ferreira, e um encontro em torno do códice nº 2337 de Custódio Dias Bento de Azevedo, reforçando a vertente de investigação histórica da editora.

Eugénio Monteiro Ferreira
Eugénio Monteiro Ferreira

Poucos dias antes, a 1 de Fevereiro, o Salão da Igreja do Sacramento recebera a apresentação de Direito Eclesiástico Angolano à luz do Acordo-Quadro entre a Santa Sé e a República de Angola, do padre Clément Mulewu Munuma Yôk, numa sessão que juntou figuras de relevo do mundo académico e religioso.

Clément Mulewu Munuma Yôk
Clément Mulewu Munuma Yôk

Em Maio, o portal anunciou a reedição de Nuvem Negra – O Drama do 27 de Maio de 1977, de Miguel Francisco “Michel”, com lançamento oficial a 27 de Maio na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa, sublinhando a importância desta obra na revisitação de um dos episódios mais traumáticos da história contemporânea de Angola

Michel em Lisboa
O sobrevivente Michel em Lisboa

Na data histórica de 29 de Outubro o Padrão dos Descobrimentos acolheu o livro A Primeira Travessia da África Austral [De como se chegou à grande viagem dos luso-angolanos Pedro João Baptista e Anastácio Francisco (Angola-Moçambique, 1802-1811) e de como dela se originou um intrigante mistério nas ruas de Lisboa], de José Bento Duarte, um contributo para o entendimento da história das explorações africanas. Este evento colocou em destaque um feito extraordinário, durante demasiado tempo ignorado ou menosprezado: a travessia efetuada no início do século XIX por dois pombeiros angolanos – Pedro João Baptista e Anastácio Francisco — entre o planalto de Malange (Angola) e o planalto de Tete (Moçambique).

Padrão dos Descobrimentos 2025
Padrão dos Descobrimentos 2025

95.ª Feira do Livro de Lisboa

A 95.ª Feira do Livro de Lisboa foi um dos momentos altos do ano. A programação da Perfil Criativo | AUTORES.club no Auditório Norte e no stand partilhado da PROMOBOOKS reuniu autores angolanos e portugueses em torno de temas como história, economia, literatura e memória.

Presidente da República na Feira do Livro de Lisboa
Presidente da República na Feira do Livro de Lisboa
João Armando e Armindo laureano na Feira do Livro de Lisboa
Os jornalista angolanos João Armando e Armindo Laureano na Feira do Livro de Lisboa

Entre os destaques, estiveram:

  • o relevo dado ao histórico testemunho Nuvem Negra – O Drama do 27 de Maio de 1977, do sobrevivente Michel, na programação oficial da Feira;
  • o pré-lançamento do livro Editoriais do Expansão, do jornalista João Armando, director do jornal Expansão, de Angola;
  • a presença de autores como Armindo Laureano, Eugénio Costa Almeida, Sedrick de Carvalho e Tomás Lima Coelho, num grande encerramento dedicado à reflexão sobre Angola
Feira do Livro de Lisboa
Feira do Livro de Lisboa

Feira do Livro do Porto 2024
Feira do Livro do Porto 2024

11.ª Feira do Livro do Porto

Nas vésperas da celebração dos cinquenta anos de independência da República de Angola, o editor João Ricardo Rodrigues reuniu um grupo de jornalistas e autores da Perfil Criativo | AUTORES.club, com o objetivo de revelar aos cidadãos portuenses a atual realidade angolana. Armindo Laureano destacou que “há dez anos fui o primeiro autor da Perfil Criativo” e que, juntos, passámos a celebrar uma “Angola que acontece fora de Angola”. Com este esforço, Angola passou a estar representada em Portugal por um leque alargado de autores, escritores e poetas, mostrando uma Angola culta e adulta.

Feira do Livro do Porto
Feira do Livro do Porto

Nutriterapia é tema de conversa na Feira do Livro do Porto. Em representação da Perfil Criativo | AUTORES.club, o poeta angolano Kalunga (João Fernando André) lançou o diálogo com o autor sobre a micro nutrição, conduzindo uma reflexão envolvente sobre a relação entre aquilo que comemos e o que realmente é absorvido pelo organismo durante a digestão. A intervenção de Luís Philippe Jorge abriu espaço para questões e comentários do público, criando um ambiente de grande curiosidade e partilha de experiências.

São Tomé e Príncipe: novos afectos e circulação académica

Em 2025, São Tomé e Príncipe destacou-se como espaço privilegiado para a afirmação de autores ligados à Perfil Criativo | AUTORES.club.

O portal destaca a preparação e o lançamento, em Maio, do livro Meu Gastoso, Minha Gostosa, Meu Amor – Crónicas Íntimas, de Rafael Branco, com apresentação pública em São Tomé. A obra, publicada pela Perfil Criativo – Edições, explora afectos, sexualidade e relações contemporâneas, cruzando crónica íntima e retrato social.

Meu Gastoso, minha Gostosa, meu Amor — Crónicas Íntimas
Meu Gastoso, minha Gostosa, meu Amor — Crónicas Íntimas apresentação em São Tomé e Príncipe

Ao longo do ano, a Universidade de São Tomé e Príncipe recebeu também obras de Maurício Francisco Caetano, num movimento que reforça a presença da produção intelectual angolana no arquipélago e aprofunda os laços culturais entre os dois países. 

Cabo Verde: pontes atlânticas e o documentário Marina

Em Cabo Verde, a presença da Perfil Criativo | AUTORES.club fez-se sentir através da parceria com a editora Noz Raiz, representante da chancela no arquipélago.

Em Julho, a Cidade da Praia recebeu a exibição do documentário Marina, de Ricardo Leote, sobre a vida de Marina Vaz, “Vovó Marina”, considerada uma das batucadeiras mais antigas do país. O filme, produzido pela Noz Raiz no quadro da colaboração com a Perfil Criativo, integrou sessões que cruzaram cinema, memória e música tradicional.

Mafrano em Cabo Verde
Mafrano em Cabo Verde

Ao longo do segundo semestre, o portal registou também actividades com a histórica memória de Mafrano, tanto na Universidade de Cabo Verde como em iniciativas conjuntas com São Tomé e Príncipe, num circuito que evidencia a dimensão verdadeiramente atlântica deste catálogo. 

Catálogo de 2025: obras-chave da Perfil Criativo | AUTORES.club

Com base nas notícias e press releases publicados no portal, sobressaem, entre as edições e reedições de 2025, os seguintes títulos:

ENSAIOS I — (COMPILAÇÃO DE TEXTOS, COMENTÁRIOS, PALESTRAS E CONFERÊNCIAS – ENTRE 2007 E 2018), de Eugénio Costa Almeida REF. 120 – 12|2024 ISBN 978-989-9209-08-4

KIMAMUENHO UM INTELECTUAL RURAL DO PERÍODO 1913-1922, de Eugénio Monteiro Ferreira REF. 121 – 1|2025 ISBN 978-989-9209-09-1

— E-BOOK: Eu e a UNITA, de Orlando Castro REF. 122 – 2|2025 E-BOOK 005 ISBN 978-989-9209-12-1

— E-BOOK: SUL, de Álvaro Poeira REF. 123 – 3|2025 E-BOOK 006 ISBN 978-989-9209-13-8;

— E-BOOK:  AMOR VERDADEIRO AMOR, de Hugo Henriques REF. 124 – 4|2025 E-BOOK 007 ISBN 978-989-9209-25-1

— E-BOOK:  AS CONTAS DA REPÚBLICA (1919-29) E OS ANOS LOUCOS DE WALL STREET OU COMO CRASH DE 1929 INFLUENCIOU O ACTO COLONIAL E ADIOU A AUTONOMIA DE ANGOLA, de Álvaro Henriques do Vale REF. 125 – 6|2025 E-BOOK 009 ISBN 978-989-9209-23-7

— E-BOOK:  CHÃO DE KANÂMBUA (OU “O FEITIÇO DE KANGOMBE”, de Tomás Lima Coelho REF. 126 – 7|2025 E-BOOK 010 ISBN 978-989-9209-24-4

NUVEM NEGRA — O DRAMA DO 27 DE MAIO DE 1977, de Miguel Francisco “Michel” REF. 127 – 8|2025 ISBN 978-989-9209-15-2

CRÓNICAS DO HOMEM — PENSAMENTOS SOBRE A NOSSA SOCIEDADE E O NOSSO PAÍS, de Manuel Homem REF. 128 – 9|2025 ISBN 978-989-9209-17-6

MEU GASTOSO, MINHA GOSTOSA, MEU AMOR — CRÓNICAS ÍNTIMAS, de Rafael Branco REF. 129 – 10|2025 ISBN 978-989-9209-16-9

MEMÓRIAS DAS FALA — O AVANÇO NO NORTE E A GUERRA PSICOLÓGICA (1975-1992), de Fonseca Chindondo REF. 130 – 11|2025 ISBN 978-989-9209-21-3

EDITORIAIS DO EXPANSÃO 2019-2021, de João Armando REF. 131 – 12|2025 ISBN 978-989-9209-14-5

OS BANTU NA VISÃO DE MAFRANO — QUASE MEMÓRIAS — VOLUME III, de Maurício Francisco Caetano REF. 132 – 13|2025 ISBN 978-989-9209-18-3

A PRIMEIRA TRAVESSIA DA ÁFRICA AUSTRAL, de José Bento Duarte REF. 133 – 14|2025 ISBN 978-989-9209-19-0

NUTRITERAPIA, de Luis Philippe Jorge REF. 134 – 15|2025 ISBN 978-989-9209-20-6

O “RECONHECIMENTO” DO GOVERNO ANGOLANO PELO ESTADO PORTUGUÊS (1976), de Domingos Cúnua Alberto REF. 135 – 16|2025 ISBN 978-989-9209-22-0

HOLOVIDA, de Lívio Honório REF. 136 – 17|2025 ISBN 978-989-9209-27-5

ANGOLA E OS DESAFIOS DA ESTABILIDADE EM ÁFRICA, de Zeferino Pintinho REF. 137 – 18|2025 ISBN 978-989-9209-29-9

ECOS DA LIBERDADE, de Joaquim Sequeira REF. 138 – 19|2025 ISBN 978-989-9209-28-2

50 ANOS DE INDEPENDÊNCIAS AFRICANAS VISTOS PELOS SEUS CIDADÃOS, de Eugénio da Costa Almeida e Rui Verde (coordenadores), Alcides Sakala, Ana “Margoso”, Anastácio Sicato, Arlete Chimbinda, Belarmino Van-Dúnem, Carlos Veiga, Celso Malavoloneke, Denilaide Cunha, Domingos Kimpolo Nzau, Domingos Simões Pereira, Eusébio Sanjane, Gilvanete Chantre, Humberto Macaringue, Isaac Paxe, Jacques dos Santos, Jerónimo Belo, João Carlos do Rosário, João Carlos, João Craveirinha Jr, João Sicato Kandjo, Joaquim Rafael Branco, Jorge Castelo David, José Luís Mendonça, José Maria Neves, José Miguel Ferro, José Ulisses Correia e Silva, Manuel Fragata de Morais, Maria da Imaculada Melo, Maria João Teles Grilo, Maria Olinda Beja, Mihaela Webba, Onofre dos Santos, Orlando de Castro, Sandra Poulson, Sedrick de Carvalho, Sónia Santos Silva, Tomás Lima Coelho, Victor Hugo Mendes, William Tonet, Zeferino Boal REF. 139 – 20|2025 ISBN 978-989-9209-30-5

— E-BOOK:  FOREIGN OFFICE E A PENÍNSULA IBÉRICA: LISBOA, MADRID… GIBRALTAR (1919-1962), de Álvaro Henriques do Vale REF. 140 – 21|2025 E-BOOK 008 ISBN 978-989-9209-26-8

Olhando para os primeiros dias de 2026

Com uma quantidade considerável de projectos literários em preparação a editora independente projecta que o arranque de 2026 será marcado, sobretudo, pela dinamização de apresentações e lançamentos que vão alimentar o ecossistema literário:

  • 09/01/2026 às 18h00 – Biblioteca Palácio Galveias: 50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos;
  • 09/01/2026 às 19h00 – Biblioteca Palácio Galveias: Angola e os Desafios da Estabilidade em África;
  • 16/01/2026 às 18h00 – Biblioteca Palácio Galveias: Ecos da Liberdade.

A Perfil Criativo | AUTORES.club continuará, nos primeiros meses de 2026, a apostar numa linha editorial que cruza investigação histórica, pensamento crítico e novas vozes da literatura, aprofundando a presença em Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Portugal.