Um livro, muitas perguntas: que escolhas podem transformar Angola?

Um livro, muitas perguntas: que escolhas podem transformar Angola?

Manuel Neto Costa esteve na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa, para uma conversa sobre as decisões que condicionam o desenvolvimento de Angola. A apresentação do seu livro Angola: Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023) reuniu o autor, o jornalista Xavier de Figueiredo e o investigador Rui Verde, com participação do público e uma intervenção de Armindo Laureano, a partir de Luanda

A distância entre os investimentos anunciados e as condições concretas de vida da população marcou o encontro «Angola: Que Escolhas para o Futuro?», promovido pela Perfil Criativo | AUTORES.club em 15 de Outubro, na Biblioteca Palácio Galveias. Num formato de conversa e entrevista ao vivo, a sessão colocou em discussão o investimento produtivo, o emprego, as prioridades da despesa pública, a confiança nas instituições e o papel da imprensa independente.

Na abertura, o editor João Ricardo Rodrigues explicou o sentido do encontro: criar um espaço onde diferentes experiências e opiniões pudessem contribuir para uma reflexão sobre o país. A apresentação de um livro seria, assim, o ponto de partida para ouvir perguntas, críticas e propostas.

«Estamos longe da nossa terra natal, mas Angola nunca está verdadeiramente longe de nós», afirmou. Evocando as notícias de grandes obras e novos investimentos, mas também os relatos de familiares e amigos sobre o custo de vida, a falta de oportunidades e a pobreza, deixou as perguntas que orientariam a conversa: «Estão a fazer as escolhas certas? Estão a investir nas prioridades certas? E como podem transformar os recursos de Angola em desenvolvimento que chegue efectivamente aos angolanos?»

Uma edição que venceu dois anos de dificuldades

João Ricardo Rodrigues recordou que a publicação nasceu no seguimento de uma iniciativa do Novo Jornal, reconhecendo o contributo do seu director, Armindo Laureano. O projecto sofreu um atraso de cerca de dois anos, durante os quais as circunstâncias e o enquadramento editorial se alteraram, obrigando a encontrar novas soluções.

Publicado em 2026 e já apresentado em Luanda, na Academia BAI, o livro chegou a Lisboa para um encontro há muito desejado.

«Conseguir publicar um livro que questiona as políticas públicas e convida os cidadãos a discutir as decisões dos seus governantes é uma responsabilidade editorial que assumimos com particular orgulho», salientou o editor.

A obra reúne 52 artigos publicados no Novo Jornal entre Setembro de 2021 e Setembro de 2023, organizados em oito capítulos. A dependência do petróleo, o Orçamento Geral do Estado, a corrupção, a inflação, o investimento privado e a diversificação económica cruzam-se com questões directamente ligadas à vida dos cidadãos, como a educação, a saúde, os serviços públicos e a desigualdade social.

Da experiência governativa ao escrutínio público

Economista formado pela Universidade Agostinho Neto e mestre em Assuntos Internacionais pela Universidade Columbia, Manuel Neto Costa foi Secretário de Estado do Tesouro, Secretário de Estado para o Planeamento e Ministro da Economia e Planeamento. Essa experiência no interior da administração pública deu particular significado às perguntas iniciais do editor: como viveu o exercício de publicar livremente análises críticas depois de desempenhar responsabilidades governativas e que importância atribui a uma imprensa independente?

Na resposta, o autor sublinhou o valor da independência técnica e apresentou a escrita como uma forma de continuar a contribuir para a discussão dos problemas do país. Destacou também o papel da imprensa no escrutínio das políticas públicas e na abertura do debate à sociedade.

A expressão «derivas», que dá título à obra, ganhou depois uma explicação concreta: na perspectiva de Manuel Neto Costa, os resultados podem ser comprometidos por diagnósticos incorrectos, por soluções inadequadas ou por ambos. A qualidade das instituições e as condições de execução das políticas são, por isso, determinantes para compreender a distância entre os objectivos anunciados e os efeitos alcançados.

Investir, criar emprego e recuperar a confiança

Xavier de Figueiredo centrou a sua intervenção nas condições necessárias para atrair investimento. O jornalista e escritor chamou a atenção para a segurança jurídica, a aplicação das leis e os obstáculos burocráticos, destacando o papel dos pequenos e médios investidores na criação de riqueza e emprego.

Manuel Neto Costa colocou a fome, a pobreza e os rendimentos das famílias no centro da resposta. Defendeu a necessidade de investimento produtivo com horizonte de longo prazo e questionou a eficácia de medidas pontuais quando permanecem por resolver problemas estruturais.

A discussão estendeu-se à qualidade da despesa pública e à sua capacidade de melhorar infra-estruturas, formar pessoas e apoiar a actividade económica. Mais do que avaliar intenções, o autor propôs olhar para os resultados das decisões e para a sua tradução em melhores condições de vida.

Rui Verde trouxe ao debate a leitura dos indicadores económicos, alertando para a necessidade de distinguir alterações reais na economia de mudanças nas metodologias estatísticas. Sublinhou a importância de conhecer os critérios de construção dos números e de assegurar comparações rigorosas antes de retirar conclusões sobre os progressos do país.

A diferença entre a letra das leis e a sua aplicação prática foi outro dos temas abordados, pela influência que exerce sobre a confiança dos cidadãos, dos empresários e dos investidores.

A imprensa como espaço de liberdade

A partir de Luanda, Armindo Laureano recordou a colaboração de Manuel Neto Costa com o Novo Jornal, destacando a regularidade dos seus textos, a liberdade com que foram publicados e o interesse despertado junto de diferentes leitores.

O director enquadrou a obra como o registo de uma primeira etapa dessa colaboração e valorizou a presença de uma voz crítica com experiência governativa no espaço de opinião do jornal. A publicação em livro permite agora reler esses artigos em conjunto, relacionar temas e prolongar uma discussão que ultrapassa a actualidade em que cada texto foi escrito.

As intervenções da assistência alargaram a conversa à educação, à preparação dos jovens para o mercado de trabalho e às perspectivas de futuro das famílias. Os obstáculos quotidianos à actividade produtiva também foram abordados, aproximando o debate económico das dificuldades concretas de quem procura produzir, trabalhar e investir.

Um convite para continuar a conversa

Na abertura, João Ricardo Rodrigues agradeceu o acolhimento da Câmara Municipal de Lisboa e da equipa da Biblioteca Palácio Galveias, assim como o acompanhamento da Rádio Marginal e da Rádio France Internacional. Destacou ainda o contributo de Víctor Hugo Mendes, cujo canal de YouTube, VHMendes, assegurou a transmissão em directo, permitindo acompanhar o encontro à distância, nomeadamente em Angola.

«Não esperamos encontrar hoje todas as respostas. Mas esperamos sair daqui com melhores perguntas, mais conhecimento e, sobretudo, com vontade de continuar esta discussão», afirmou João Ricardo Rodrigues.

A sessão concretizou o propósito anunciado pelo editor: fazer da apresentação uma conversa aberta, plural e participada. O livro de Manuel Neto Costa ficou no centro desse exercício, como instrumento para compreender problemas, confrontar escolhas e discutir alternativas.

É esse convite que Angola: Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023) prolonga: ler, questionar e participar num debate sobre o desenvolvimento de Angola e sobre a forma de o fazer chegar efectivamente aos seus cidadãos.

Cancelamento do lançamento de «Portugal e Angola: O Difícil Reencontro»

Cancelamento do lançamento de «Portugal e Angola: O Difícil Reencontro»

COMUNICADO

A Perfil Criativo | AUTORES.club informa que, por indicação do autor, Salomão Arão Chipeco, não será possível realizar o lançamento do livro Portugal e Angola: O Difícil Reencontro. Relações político-diplomáticas no pós-independência, 1976–1985, previsto para o dia 30 de Outubro de 2026, no Palácio da Independência, em Lisboa.

Lamentamos os eventuais transtornos e agradecemos a compreensão da Direcção da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, dos nossos convidados especiais, da comunicação social, dos amigos e dos leitores.

O livro encontra-se disponível na loja online da editora, em www.AUTORES.club.

Perfil Criativo | AUTORES.club

Planeamento, Orçamentação e Gestão Financeira Pública e sua Monitorização e Avaliação – a propósito do “Estado da Nação”

Planeamento, Orçamentação e Gestão Financeira Pública e sua Monitorização e Avaliação – a propósito do “Estado da Nação”

Que escolhas podem marcar o futuro de Angola? A propósito do encontro com M. Neto Costa, que terá lugar no próximo dia 15 de Outubro, às 18h30, na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa, publicamos um artigo de opinião integrado no seu livro Angola: Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023), editado pela Perfil Criativo | AUTORES.club.

Este texto é um convite à leitura e à participação no debate «Angola: Que Escolhas para o Futuro?», que assinala o lançamento oficial da obra em Portugal. Com a participação especial de Xavier de Figueiredo e Rui Verde, a sessão será uma conversa aberta ao público, com espaço para perguntas e diferentes perspectivas sobre os desafios do país.

Venha ouvir. Traga as suas perguntas. Faça parte da conversa.


M. Neto Costa — 21 de Outubro de 2021

Processos de planeamento, monitorização e avaliação adequados demandam informações sobre a situação de partida e sobre a dinâmica das variáveis do objecto, de modo a que, sendo os objectivos determinados, se possa avaliar o que é necessário fazer-se e a capacidade e a possibilidade de o fazer, o que determinará o progresso alcançável. Tal é importante também por permitir a avaliação da situação a cada momento e a monitorização da evolução. E isso é tanto mais importante quando se trate da provisão de serviços públicos, seja de saúde, educação, electricidade, água ou saneamento, entre outros, o que implica saber-se sobre: o nível da oferta (que deve incluir a qualidade e a cobertura), da demanda e do défice dos serviços; a dinâmica passiva (comportamento no tempo sem intervenção de natureza diferente) da oferta e da demanda e, logo, do défice. Conhecidos os elementos determinantes para a melhoria da oferta (comportando a qualidade e a abrangência) por meio de diagnósticos, assim como os que informam o comportamento da demanda, podem ser determinadas as acções requeridas e fazer-se a valoração destas. Com isso se pode avaliar o que é necessário fazer-se e eleger-se as acções a desenvolver consoante a sua eficácia e eficiência, assim como a restrição orçamental existente (capacidade de as financiar), mas tendo em vista o princípio do financiamento de uma despesa permanente por uma fonte de receita também permanente.

Numa situação de défice – seja de qualidade ou quantidade –, seria esperado que, em cada período, o aumento da oferta ultrapassasse o da demanda, permitindo assim, a prazo – tanto menor quanto maior fosse a diferença de crescimento da oferta em relação à demanda –, a sua cobertura. E seria imperioso que se desse conhecimento disso à sociedade.


Por outro lado, a eficácia e a eficiência da despesa pública envolvida – entendidas, respectivamente, como o alcance dos resultados antecipados com tal despesa e com o menor dispêndio de recursos possível – deve ser uma preocupação permanente da gestão financeira pública. Por isso, no seu processo, a par de se assegurar o controle do défice fiscal e da dívida pública dentro de limites sustentáveis, é de fundamental importância também que se garanta que dos recursos despendidos se obtenham os resultados esperados (produtos e impactos) e com a maior economia daqueles, sobretudo quando se trata da provisão de serviços públicos. Para o efeito, é fundamental que as acções desenvolvidas sejam susceptíveis de dar resposta aos problemas existentes – o que se traduz em racionalidade –, o que pressupõe a existência de diagnósticos correctos. Matematicamente poderia expressar-se por meio de uma função implícita do tipo Y = f(x), onde: Y seria o resultado (produto ou impacto) pretendido; f seria a acção ou as acções (programa, projecto ou actividade – cuja especificação requer diagnóstico) a desenvolver e que conduz ou conduzem à obtenção do resultado almejado; e x seria os recursos a empregar no desenvolvimento da acção ou das acções requerida(s).


Ora, nas instituições públicas angolanas parece haver uma tendência generalizada de se privilegiar reportar sobre as acções (f) e recursos despendidos (x) ao invés dos resultados. Daí se pode compreender que, para o “Estado da Nação” apresentado a 15 de Outubro de 2021 pelo Presidente da República, sobretudo no que aos serviços públicos diz respeito, tenham provido como inputs uma profusão de dados sobre acções desenvolvidas em detrimento de informações sobre qual era a situação de partida, quais eram os objectivos, como se evoluiu em função das acções empreendidas (resultados, impactos), qual a situação do momento, bem como a perspectiva de evolução futura e as correspondentes acções a desenvolver para o efeito. Por exemplo, no que aos serviços públicos de saúde (ou da saúde) diz respeito, o Presidente da República reportou como “Estado da Nação”, resumidamente, os investimentos efectuados e em perspectiva no sector, os quais incluíram desde o recrutamento e formação de profissionais, até a reabilitação, construção e equipamento de novas unidades sanitárias. E relevou que “Com este investimento colossal em infraestruturas de saúde a este nível central e provincial que poderá ficar concluído entre 2023/2024, nossa perspectiva é passar para a fase seguinte, investindo em unidades menores de proximidade, na rede de cuidados primários de saúde, no município e no bairro.”; e rematou que seriam “…infra-estruturas sanitárias que vão contribuir bastante para a melhoria dos serviços de saúde no nosso país”.


Como se perceberá, toda essa informação prestada sobre os investimentos efectuados, pouco terá dito à sociedade, de facto, sobre o estado dos serviços públicos de saúde (ou da saúde) – mas cuja abordagem é transversal a todos os serviços públicos – e mesmo a referência de que eles contribuirão para a melhoria dos serviços foi vaga, pois não referiu em que medida e em quê se traduzirá tal melhoria. De resto, emergiu uma questão – que, entretanto, não cabe aqui – que é a das prioridades: não era suposto, tendo em atenção a perspectiva no PDN 2018-2022, de abordagem dos determinantes de saúde, ter-se priorizado a “rede de cuidados de saúde primários, no município e no bairro”, além do saneamento básico, ao invés dos colossais “investimentos em infraestruturas de saúde a nível central e provincial”?


Por outro lado, é esperado que os serviços públicos providos melhorem continuamente, ano após ano, orçamento após orçamento. Entretanto, na esteira da necessidade de se assegurar a eficácia e eficiência da despesa pública, no caso dos serviços públicos de saúde, não é suficiente, para o efeito, a agregação de novas unidades sanitárias. A agregação de valor por novas unidades sanitárias só pode ser assegurada desde que se garanta que as unidades de prestação dos serviços já existentes estejam capazes de prestar os serviços que deles é esperado, o que pressupõe estarem suficientemente financiadas nos seus custos de operação e manutenção para poderem dispor dos recursos humanos, dos equipamentos e meios médicos, dos medicamentos e do material de consumo corrente de que careçam para o efeito. Mas não parece que tem sido este o quadro, pelas constantes queixas de condições precárias de assistência e de trabalho por parte, respectivamente, dos utentes e dos profissionais que laboram nos referidos serviços. É que não parece racional – salvo se por questões de ‘transaccionabilidade’ – que se agreguem novas unidades sanitárias quando não se é capaz de garantir e consolidar o nível de serviços das unidades já em operação. E a propósito disso, seria interessante ver reportagens dos órgãos de comunicação social – que geralmente reportam com ‘pompa e circunstância’ as inaugurações, sobretudo as que contam com a presença do Presidente da República – sobre as condições de funcionamento das unidades inauguradas seis meses ou um, dois e três anos depois da inauguração, de modo a ter-se uma percepção.


De resto, Angola já teve, alegadamente, no período da “construção do socialismo científico”: a maior fábrica têxtil de África – a África Têxtil, em Benguela; e a maior panificadora da África – a Panificadora Kaxicane, na Estrada de Catete, em Luanda. E hoje tem, alegadamente, a maior infraestrutura de adução e tratamento de água da África subsahariana, em Luanda (a crer nas palavras de um antigo PCA da EPAL que o declarara à imprensa numa altura em que a mesma estaria ainda em construção) e o 4.º maior aproveitamento hidroeléctrico de África – a barragem de Laúca, conforme havia noticiado a Rádio Nacional de Angola em Dezembro de 2020. O facto, entretanto, é que tais empreendimentos, não obstante a sua ‘grandiosidade’ regional, continental e, quiçá, mundial, não resolveram o défice dos serviços oferecidos. Mas haverá, entretanto, países autosuficientes mesmo com empreendimentos muito menores – quiçá, das menores a nível regional, continental ou mundial… E isso é o que importa: “resolver os problemas do povo”.

A alegria e as gargalhadas estão de volta ao Nacional

A alegria e as gargalhadas estão de volta ao Nacional

Dança, música, canto e boa disposição marcaram a apresentação de «AKOMBE», pela Companhia de Artes Kupolo Njila, no renovado Nacional Cine-Teatro, em Luanda. Fomos ver e gostámos: um reencontro com a alegria num palco que guarda uma parte importante da memória cultural da cidade. Foi pena a sala não estar cheia

O Nacional voltou a receber artistas e público, e com eles regressaram a música, a dança e as gargalhadas. No dia 10 de Outubro, a Companhia de Artes Kupolo Njila apresentou «AKOMBE», integrado no programa de reabertura deste espaço histórico, conhecido por muitos luandenses pela sua ligação à Associação Cultural Chá de Caxinde.

Foi uma noite de celebração, com a energia dos artistas a dar vida ao palco e a proporcionar momentos de alegria e boa disposição. Entre dança, música e canto, o espectáculo recordou como as artes podem criar uma ligação imediata entre quem se apresenta e quem assiste. A nossa impressão foi clara: gostámos e queremos voltar.

Esta apresentação aconteceu dois dias depois da reabertura oficial do Nacional, realizada a 8 de Outubro de 2026, após obras de reabilitação e modernização. A intervenção melhorou as condições de conforto, segurança e funcionamento do edifício, preservando as características Art Déco que fazem parte da sua identidade.

Um palco com quase um século de história

Inaugurado em 1 de Janeiro de 1932, o Nacional Cine-Teatro atravessou diferentes épocas da vida de Luanda e tornou-se uma referência para o cinema e as artes de palco. A sua importância foi oficialmente reconhecida em 27 de Setembro de 1994, quando foi classificado como Património Histórico-Cultural. No ano seguinte, a Associação Chá de Caxinde assumiu a gestão do espaço, contribuindo para a sua recuperação e dinamização. Entre dificuldades, encerramentos e regressos, o Nacional manteve um lugar especial na memória cultural angolana.

Chá de Caxinde: unir pela cultura

A história da Associação Cultural Chá de Caxinde começou em 28 de Janeiro de 1989, por iniciativa de um grupo de cidadãos. A proclamação formal aconteceu um ano depois, subscrita por uma centena de pessoas. Num país marcado pela guerra e pelas limitações à vida cultural, a associação nasceu para abrir espaço ao encontro, à criação e ao debate.

Sob o lema «Unir pela Cultura», associado a Pepetela, a Chá de Caxinde desenvolveu actividades ligadas à literatura, à edição de livros, à música, ao teatro e à reflexão pública. As noites da Banda Maravilha tornaram-se uma das suas marcas. A ligação ao Nacional, sede da associação desde 1995, ajudou a aproximar o nome Chá de Caxinde da própria identidade do edifício.

Kupolo Njila: as tradições ganham vida em palco

Também conhecida pelo trabalho desenvolvido como Bailados Kupolo Njila, a companhia tem apostado na valorização da identidade tradicional angolana. Entre as figuras centrais desse percurso encontra-se Felicidade Manuel Cassule, «Fely», apresentada numa entrevista de 2024 como directora-geral e coreógrafa do grupo.

Uma das suas criações, «Antropogéneses», cruza dança, música e teatro, apoiando-se na pesquisa de canções, rituais, indumentárias e costumes de diferentes regiões de Angola. Um trabalho que procura transmitir conhecimento através do espectáculo e aproximar o público da diversidade cultural do país.

Com «AKOMBE», esse encontro entre expressão artística e público ganhou lugar no regresso do Nacional. Para quem esteve presente, ficou a alegria de voltar a ver este palco vivo. Que venham mais espectáculos, mais encontros e mais motivos para regressar.

De Angola para Oxford: «Breve História de Angola» em destaque na newsletter do African Studies Centre

De Angola para Oxford: «Breve História de Angola» em destaque na newsletter do African Studies Centre

A newsletter 2025–2026 do African Studies Centre da Universidade de Oxford dedica uma página ao trabalho de Rui Verde, com referência e destaque visual à capa de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club. Uma presença que leva esta edição em língua portuguesa ao encontro de uma comunidade internacional dedicada ao estudo de África

A história recente de Angola encontra espaço na newsletter do African Studies Centre da Universidade de Oxford. Na página 17, Rui Verde apresenta um balanço da sua actividade de investigação e das suas publicações, aproximando dois universos que se complementam: a produção académica especializada e a divulgação do conhecimento junto de um público mais amplo.

É neste segundo domínio que o autor enquadra Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), publicada em Lisboa em Junho de 2026. No texto, apresenta a obra como uma síntese histórica acessível, destinada a um público alargado de língua portuguesa. A reprodução da capa, junto de uma fotografia de Rui Verde, reforça a visibilidade do livro nesta publicação.

Para a Perfil Criativo | AUTORES.club, esta presença constitui uma oportunidade de ampliar a divulgação de uma obra que convida a conhecer e a discutir o percurso político de Angola ao longo de cinquenta anos de independência. Dirigido a leitores que procuram uma introdução à história contemporânea do país, o livro aproxima o conhecimento histórico de estudantes, membros da diáspora e de todos os que desejam compreender melhor a realidade angolana.

Angola no centro da investigação de Rui Verde

O contributo de Rui Verde, integrado na secção dedicada aos investigadores associados, revela um trabalho que cruza história, política, relações internacionais e os desafios da fiscalização democrática.

O autor apresenta dois artigos científicos, desenvolvidos em co-autoria e com apoio da British Academy, destinados ao Journal of Contemporary African Studies. Os estudos analisam a influência das heranças coloniais na supervisão pública da vigilância digital na África Austral e comparam as respostas institucionais aos conflitos em torno da vigilância na África do Sul, em Angola e na República Democrática do Congo.

A estes trabalhos junta-se um capítulo publicado na obra colectiva Democratising Spy Watching, no qual Rui Verde examina o caso angolano dos «15+2». A análise explora as tensões entre legados autoritários e mecanismos de escrutínio público, interrogando os limites e as possibilidades de fiscalização em regimes híbridos.

Outro destaque é o livro Redefining the China–Angola Relationship: Privatization, Development, and Disenchantment, da Bloomsbury Academic. Segundo o resumo apresentado na newsletter, a obra reavalia duas décadas de envolvimento chinês em Angola: da cooperação em grandes infra-estruturas a uma relação mais complexa, marcada pela renegociação da dívida, pela diversificação de parcerias e por mudanças nos alinhamentos geopolíticos.

Ao lado desta produção especializada, Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025) surge como uma ponte para os leitores de língua portuguesa. Rui Verde sublinha ainda a dimensão colectiva da investigação, reconhecendo a importância das redes de colaboração, dos seminários, do acesso a fontes e do ambiente interdisciplinar de Oxford. O texto identifica também dificuldades decorrentes do Brexit e das limitações de financiamento, sobretudo em projectos que exigem trabalho de campo e cooperação internacional.

Uma newsletter que aproxima a investigação dos debates sobre África

Ao longo de 32 páginas, a newsletter apresenta um panorama da actividade do African Studies Centre no ano lectivo de 2025–2026, reunindo investigação, conferências, publicações, testemunhos de antigos alunos e projectos dos estudantes.

Entre os principais destaques encontra-se a conferência anual de Mahmood Mamdani, dedicada à descolonização e à experiência do Uganda pós-colonial. A publicação aborda também as relações entre produção de cacau, alterações climáticas e condições de trabalho na África Ocidental, o ensino da história e dos legados imperiais, a diplomacia africana e os debates sobre as transformações políticas e sociais do continente.

Particularmente próxima da missão de divulgação cultural e editorial da Perfil Criativo | AUTORES.club é a apresentação do Oxford Africa Forum, uma plataforma que procura tornar a investigação sobre África mais acessível. Através de textos breves e claros, a iniciativa pretende aproximar o trabalho académico de leitores, jornalistas, decisores e comunidades africanas, alargando a circulação do conhecimento para além das universidades.

A newsletter assinala igualmente os dez anos da Africa Oxford Initiative, dedicada à cooperação entre Oxford e instituições africanas, e dá conta de encontros e investigações que ligam diferentes regiões, disciplinas e gerações.

É neste contexto de diálogo internacional que surge o trabalho de Rui Verde e a referência à edição da Perfil Criativo | AUTORES.club: um convite a colocar a história de Angola ao alcance de mais leitores e a fazer do livro um ponto de partida para novas perguntas sobre o país.

Conheça «Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025)», de Rui Verde, em www.AUTORES.club.

Angola: que escolhas para o futuro? M. Neto Costa à conversa em Lisboa

Angola: que escolhas para o futuro? M. Neto Costa à conversa em Lisboa

O antigo ministro da Economia e Planeamento do Governo de João Lourenço é o convidado de um encontro promovido pela Perfil Criativo | AUTORES.club, com Xavier de Figueiredo e Rui Verde. Uma conversa sobre política, economia e governação, aberta às perguntas do público, que parte do livro Angola — Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023) para reflectir os caminhos do país

Que decisões podem transformar o potencial de Angola em melhores condições de vida? Que lições oferece a experiência de governação e que alternativas merecem ser debatidas? Estas são algumas das perguntas que dão o mote a «Angola: que escolhas para o futuro?», encontro com M. Neto Costa na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa.

A iniciativa propõe um formato próximo de um podcast ao vivo: o jornalista Xavier de Figueiredo e o jurista e analista político Rui Verde conduzem uma conversa com o autor, cruzando a sua experiência governativa com a reflexão crítica que tem desenvolvido no espaço público. Os participantes poderão colocar perguntas e trazer outras perspectivas para o debate.

No centro da conversa estará também o livro Angola — Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023). Antes de chegarem às páginas desta edição, os textos passaram pelo crivo dos leitores do Novo Jornal, em Angola. Reunidos em livro, ganham uma continuidade que permite revisitar argumentos, relacionar decisões e acompanhar três anos de reflexão sobre as políticas públicas e os seus efeitos na vida do país.

O encontro será, assim, uma oportunidade para descobrir o conteúdo da obra e interrogar o seu autor: retomar questões levantadas na imprensa, aprofundar ideias e discutir a sua pertinência para o futuro de Angola.

Ao reunir experiência política, análise e participação do público, a Perfil Criativo | AUTORES.club convida leitores, estudantes, investigadores, empresários e representantes institucionais a integrar uma conversa plural. Um espaço para ouvir posições diferentes, confrontar argumentos e pensar nas escolhas que o país tem pela frente.

15 de Outubro de 2026 · 18h30
Biblioteca Palácio Galveias · Lisboa
Entrada livre

Venha ouvir. Traga as suas perguntas. Faça parte da conversa.

Durante o encontro, estarão também disponíveis livros sobre Angola com descontos especiais, numa oportunidade para descobrir autores e aprofundar leituras sobre a história, a cultura e os desafios do país.

Angola nas estantes da FNAC: dois livros para descobrir uma história que merece ser lida

Angola nas estantes da FNAC: dois livros para descobrir uma história que merece ser lida

A secção de História das lojas FNAC recebe duas obras da Perfil Criativo | AUTORES.club que convidam a conhecer Angola por diferentes caminhos: a surpreendente viagem que ligou o território angolano a Moçambique e os cinquenta anos de independência que moldaram o país contemporâneo

A primeira travessia da África Austral, de José Bento Duarte, e Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), de Rui Verde, estão disponíveis nas estantes da FNAC, aproximando dos leitores portugueses duas perspectivas complementares sobre a História de Angola e a sua relação com o mundo.

Entre os vários títulos que propõem uma «breve história», de Portugal à guerra, há agora espaço para descobrir o percurso da República de Angola. Uma oportunidade para alargar horizontes e conhecer melhor um país cuja proximidade linguística e cultural com Portugal nem sempre corresponde a um verdadeiro conhecimento da sua História.

Em Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), Rui Verde propõe uma leitura acessível e crítica de cinquenta anos decisivos. Da independência aos conflitos e às transformações políticas e económicas, o autor percorre o caminho da construção do Estado angolano e convida a reflectir sobre os desafios do presente. A obra abre espaço à discussão e ao confronto de perspectivas, oferecendo ao leitor uma base para compreender como se chegou à Angola de hoje.

É uma introdução particularmente relevante para a diáspora angolana, incluindo as gerações que cresceram fora do país, mas também para quem mantém relações profissionais, desenvolve negócios ou planeia viajar para Angola. Conhecer o seu percurso ajuda a compreender melhor a sociedade, a interpretar o presente e a estabelecer relações mais informadas.

Já A primeira travessia da África Austral, de José Bento Duarte, transporta o leitor para uma aventura histórica pouco conhecida. No centro da narrativa estão Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, dois pombeiros luso-angolanos, na condição de comandantes escravizados, que percorreram o caminho de Angola a Moçambique entre 1802 e 1811, regressando a Angola em 1814. Muito antes das célebres expedições europeias da segunda metade do século XIX, estes homens atravessaram extensos territórios, enfrentaram dificuldades e negociaram a passagem com poderes locais.

Ao reconstituir os antecedentes e o desenrolar desta surpreendente viagem, José Bento Duarte dá visibilidade aos protagonistas africanos e aos conhecimentos que tornaram possível a travessia. Uma leitura que combina aventura, investigação histórica e descoberta, revelando uma África Austral feita de povos, caminhos comerciais e relações políticas que importa conhecer.

Dois livros, duas portas de entrada para Angola. Com a chegada destas edições à secção de História da FNAC, os leitores portugueses ganham uma nova oportunidade de descobrir episódios de uma História menos conhecidos e de aprofundar a compreensão do país para além das notícias habituais.

Na próxima visita à FNAC, procure estes títulos da Perfil Criativo | AUTORES.club. A viagem pode começar numa estante, e continuar muito para além da última página.

Perfil Criativo | AUTORES.club abre nova etapa com encontros em Lisboa e Luanda e novidades na FNAC

Uma comunicação mais próxima com autores e leitores, encontros em Lisboa e Luanda e uma presença crescente nas livrarias marcam a nova etapa da editora

A editora Perfil Criativo | AUTORES.club deu início a uma profunda reestruturação da sua equipa, criando condições para melhorar a comunicação com os seus autores e leitores e reforçar a divulgação das obras que publica.

Este processo acompanha o desenvolvimento de um projecto editorial dedicado à divulgação de autores, à valorização da memória e à promoção do debate. O objectivo é aproximar cada vez mais os livros dos seus públicos, tanto através do contacto directo como de uma distribuição mais ampla.

Para o mês de Outubro, estão programados dois encontros especiais em Lisboa: na Biblioteca Palácio Galveias e no Palácio da Independência, lugar de memória dos conjurados de 1640 e sede da Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP). Em Luanda, está igualmente previsto um encontro na Universidade Católica de Angola. As iniciativas darão continuidade ao diálogo entre autores, leitores e instituições, abrindo espaço à apresentação de obras e à troca de ideias. Os programas e os detalhes de participação serão divulgados oportunamente.

A aproximação aos leitores ganha também expressão nas lojas da FNAC, onde estão disponíveis três novidades do catálogo: Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), de Rui Verde; A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte; e Nutriterapia, de Luís Philippe Jorge. História, exploração e saúde compõem esta selecção, que reflecte a diversidade temática da editora.

Durante os próximos meses, a Perfil Criativo | AUTORES.club prevê colocar mais novidades editoriais nas estantes das lojas da FNAC, ampliando o acesso às suas publicações.

Em paralelo, a editora considera necessário reactivar uma rede de livrarias em várias capitais de distrito de Portugal, para que as suas edições cheguem a mais leitores e beneficiem da proximidade e do conhecimento de quem trabalha diariamente na divulgação do livro. Esta ligação poderá também abrir caminho à realização de apresentações, conversas com autores e outras iniciativas locais.

Fica, por isso, aberto o convite às livrarias interessadas em integrar esta rede para contactarem a equipa editorial da Perfil Criativo | AUTORES.club, através dos contactos disponíveis em www.AUTORES.club. Queremos construir novas parcerias e dar aos nossos livros mais lugares de encontro com os leitores.

Em Londres Mafrano fez cumprir uma narrativa bíblica…

Em Londres Mafrano fez cumprir uma narrativa bíblica…

POR JOSÉ SOARES CAETANO

26 de Setembro de 2026 — Aqui, em Londres, a capital do Reino Unido, a apresentação do volume três da colectânea de Mafrano, o “Antropólogo Maior de Angola, na opinião de Dom Zacarias Kamwenho, quase fez cumprir a frase biblica segundo a qual o “melhor vinho foi servido já no fim da festa, com o primeiro milagre de Jesus Cristo!”.
Tudo isto aconteceu, de facto, quando leitores ansiosos questionaram a família para saber quando seria publicada a versão inglesa desta colectânea.
“Esse trabalho já está a ser feito e é irreversível”, anunciou Anete Caetano, neta de Mafrano, ao encerrar a cerimónia.
Já na sessão de assinatura de autógrafos, e com os livros completamente esgotados, uma das presentes, na imagem acima, não conteve a emoção e disse:
“Sou casada, mas hoje vou confessar ao meu marido que me apaixonei por outro homem e pela sua trajectória histórica: MAFRANO!” – , e apontou o dedo para a “Capa!” do livro do antropólogo maior de Angola, hoje Prémio Nacional de Cultura e Artes 2024, na modalidade de investigação em Ciências Humanas e Sociais.
Momento alto neste 26 de Setembro foi a subida ao palco de uma forte comitiva da Associação das Mulheres de São Tomé e Príncipe que, de surpresa, exibiu danças tradicionais animadas pela bandeira do seu país, numa singela homenagem a Mafrano.
“Maurício Francisco Caetano, “Mafrano” (1916-1982), teve como tutor o sacerdote são-tomense José Pereira da Costa Frotta que o recolheu órfão aos 5 anos de idade e acompanhou toda a sua formação até a idade adulta”, conforme referiu também Luisíndia Caetano, igualmente neta do autor.
A Embaixada de Angola no Reino Unido fez-se representar neste evento por uma delegação encabeçada por Emanuel Nteca, Primeiro Secretário dessa Missão Diplomática. A apresentação da obra esteve a cargo de Agostinho Mané Sadja, um Sociologo da Guiné-Bissau residente em Londres.

Momento alto neste 26 de Setembro foi a subida ao palco de uma forte comitiva da Associação das Mulheres de São Tomé e Príncipe que, de surpresa, exibiu danças tradicionais animadas pela bandeira do seu país, numa singela homenagem a Mafrano

Embaixador José Patrício recebeu em Londres família de Maurício Francisco Caetano, “Mafrano”

Londres, 25 de Setembro de 2026 — A família do escritor e etnólogo Maurício Caetano ofereceu nesta última quinta-feira, 24, dois dos exemplares da colectânea «Os Bantu na visão de Mafrano – Quase Memórias» ao embaixador de Angola no Reino Unido, José Patrício, justamente 48 horas antes da apresentação solene em Londres do terceiro e volume desta obra histórica.

Tendo sido contemporâneos no Bairro Popular, em Luanda, até 1972, o encontro entre José Patrício e José Soares Caetano, filho do autor desta colectânea póstuma, e ainda por coincidência ambos jornalistas da primeira geração pós-independência, decorreu num ambiente informal e extremamente cordial, com os dois os interlocutores a recordarem memórias da adolescência, do bairro e da profissão de jornalista desde 1975.

Vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2004 em Angola, o terceiro e último volume da colectânea de Mafrano será apresentado na manhã de sábado, 26, no «CENTRO DE CONFERÊNCIAS ADVENTURE PLAYGROUND», Avenida Willington, no sul de Londres, e espera-se reunir membros da comunidade angolana residente no Reino Unido, assim como representantes dos Estados Membros CPLP, PALOLP, países amigos, académicos, artistas e fazedores de opinião. Sendo Londres uma cidade cosmopolita, prevê-se igualmente a participação de pessoas provenientes de diversos países e de diferentes grupos culturais residentes no Reino Unido.

Na mesma ocasião, a família de Mafrano vai anunciar publicamente a publicação de uma nova versão em Língua Inglesa desta mesma obra, com uma estimativa de duzentas páginas, e cuja temática continuará a ter como foco a civilização bantu, questões Sociais e episódios vividos pelo autor entre os anos de 1947 e 1982, data do seu passamento físico.

Os dois primeiros volumes desta obra haviam sido já apresentados em Londres em Novembro de 2024, numa concorrida cerimónia que decorreu na «BIRKBECK UNIVERSITY». Até à data, a colectânea chegou a países como Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Alemanha e Portugal, assim como por vídeo conferencias a universidades das cidades de Curitiba e Rio de Janeiro, no Brasil. Dentre as conhecidas personalidades com acesso a esta obra destacam-se o Secretário Geral das Nações Unidas, Eng.º António Guterres, o ex-Chefe de Estado Português, Manuel Rebelo de Sousa, o responsável do Vaticano para o pelouro da cultura e educação, o cardeal do Vaticano Dom José Tolentino de Mendonça; Bispo Cardeal Emérito de Santiago, Cardeal Dom Arlindo Gomes Furtado, a família do falecido escritor e ex-diplomata cabo-verdiano Eugénio Inocêncio e o casal presidencial de São Tomé e Príncipe, Carlos e Fátima Vila Nova.

(FONTE: Texto elaborado pela Embaixada de Angola no Reino Unido e complementado pela Família de Mafrano)

Coincidências que fazem História

Em Setembro de 2026, o incrível aconteceu, aqui, no Reino Unido, juntando caprichosas coincidências que já se haviam cruzado e deixado, em 1972, em Angola!
Será fácil adivinhar…?!
Sim, mas vamos passo a passo, porque a emoção é forte!
Coincidências, não só com José Patrício, o honorável Embaixador de Angola aqui em Londres, que foi vizinho da família no Bairro Popular, em Luanda, mas também com o Manuel Morais que voltou a ser, novamente “vizinho”, também nesta cidade capital do Reino Unido, depois de já o ter sido em Angola.
De facto, o “Nelo” Morais que já havia sido vizinho porta à porta, da família Mafrano na Rua de Mavinga, do também Bairro Popular, em Luanda, até 1972, com direitos à foto histórica inserida na página 798, do Volume III da colectânea de Mafrano sobre os Bantu, vive muito perto da Bedford Road, em “Clapham North”, onde a família do Antropólogo Maior de Dom Zacarias Kamwenho estará hospedada até 28 de Setembro de 2026.
“Zé, eu moro perto daí….”, gritou ele quando um membro da família lhe enviou o endereço da rua Bedford, em North Clapham, aqui em Londres.
Que belas coincidências que a chama de Mafrano tem feito acontecer nesta trajectória histórica…

Prémio Nacional de Cultura
Prémio Nacional de Cultura

Raízes de Esperança: Cosme Rita abre o arquivo vivo da política são-tomense

Raízes de Esperança: Cosme Rita abre o arquivo vivo da política são-tomense

Chegaram à editora Perfil Criativo | AUTORES.club os primeiros exemplares de Raízes de Esperança, memórias da construção da República de São Tomé e Príncipe e perspectivas de desenvolvimento nos próximos anos, na voz de Cosme Rita.

A obra integra-se num amplo movimento cultural de recuperação da memória política de São Tomé e Príncipe, dando continuidade ao trabalho editorial iniciado com a publicação das memórias de Rafael Branco. Ao trazer para livro a voz de protagonistas que viveram por dentro diferentes momentos da construção do Estado são-tomense, a Perfil Criativo | AUTORES.club reforça a importância de fixar em papel testemunhos que, de outro modo, poderiam permanecer dispersos na oralidade, na lembrança familiar ou nos bastidores da vida pública.

Na Nota do Editor, a pergunta que atravessa toda a obra é directa e profundamente humana: “Porque é que te meteste na política?” A interrogação nasce no ambiente familiar, a partir das conversas entre Cosme Rita e os seus filhos, que insistiram para que as suas histórias, episódios, convicções e inquietações fossem registados em livro. 

Mais do que uma autobiografia política, Raízes de Esperança apresenta-se como um contributo para o conhecimento público sobre São Tomé e Príncipe. O livro percorre as raízes familiares do autor, a infância, a formação, o serviço militar, a vida profissional, a entrada na política, a criação do Grupo de Reflexão, a governação do PCD-GR, as tensões institucionais, a experiência na Câmara do Comércio e as reflexões sobre o futuro do país. 

Um dos pontos centrais da obra é o registo da transição política são-tomense, em particular o surgimento do Grupo de Reflexão, apresentado como espaço de debate e construção de alternativas, no contexto da contestação ao regime de partido único e da abertura democrática. O manuscrito enquadra esse movimento como uma força que viria a reunir intelectuais, técnicos, jovens reformistas e membros da sociedade civil em torno da transição pacífica para a democracia, do Estado de direito e de reformas económicas. 

O livro revisita também a governação do Partido de Convergência Democrática — Grupo de Reflexão (PCD-GR), situando-a no processo de consolidação democrática iniciado em 1991. Cosme Rita aborda a passagem do regime de partido único para o multipartidarismo, a tentativa de modernização administrativa, a abertura económica e o esforço de recuperação de infra-estruturas públicas, como escolas, estradas e outros equipamentos básicos. 

Mas Raízes de Esperança não é apenas um livro de evocação. É também uma reflexão sobre liderança, responsabilidade pública e desenvolvimento. A partir da sua experiência política e académica, Cosme Rita defende que os desafios africanos não são apenas políticos, mas também de gestão pública, planeamento estratégico, controlo, transparência e competência institucional. 

Cosme Rita é uma figura da vida política e institucional de São Tomé e Príncipe. Ao longo do seu percurso, desempenhou várias funções públicas e políticas, entre as quais Primeiro Secretário da Embaixada de São Tomé e Príncipe em Portugal, Ministro do Comércio, Secretário-Geral da Câmara do Comércio e Presidente do Grupo Parlamentar de um partido político. Essas experiências marcaram a sua visão sobre o país, a política, a governação e o serviço público. 

Com esta nova edição, a Perfil Criativo | AUTORES.club reafirma a sua aposta na publicação de obras que ajudam a preservar a memória contemporânea dos países africanos de língua portuguesa. Raízes de Esperança chega agora à editora como mais um documento essencial para compreender a construção da República de São Tomé e Príncipe, os seus impasses, as suas aprendizagens e as possibilidades de desenvolvimento nos próximos anos.