Planeamento, Orçamentação e Gestão Financeira Pública e sua Monitorização e Avaliação – a propósito do “Estado da Nação”

Planeamento, Orçamentação e Gestão Financeira Pública e sua Monitorização e Avaliação – a propósito do “Estado da Nação”

Que escolhas podem marcar o futuro de Angola? A propósito do encontro com M. Neto Costa, que terá lugar no próximo dia 15 de Outubro, às 18h30, na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa, publicamos um artigo de opinião integrado no seu livro Angola: Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023), editado pela Perfil Criativo | AUTORES.club.

Este texto é um convite à leitura e à participação no debate «Angola: Que Escolhas para o Futuro?», que assinala o lançamento oficial da obra em Portugal. Com a participação especial de Xavier de Figueiredo e Rui Verde, a sessão será uma conversa aberta ao público, com espaço para perguntas e diferentes perspectivas sobre os desafios do país.

Venha ouvir. Traga as suas perguntas. Faça parte da conversa.


M. Neto Costa — 21 de Outubro de 2021

Processos de planeamento, monitorização e avaliação adequados demandam informações sobre a situação de partida e sobre a dinâmica das variáveis do objecto, de modo a que, sendo os objectivos determinados, se possa avaliar o que é necessário fazer-se e a capacidade e a possibilidade de o fazer, o que determinará o progresso alcançável. Tal é importante também por permitir a avaliação da situação a cada momento e a monitorização da evolução. E isso é tanto mais importante quando se trate da provisão de serviços públicos, seja de saúde, educação, electricidade, água ou saneamento, entre outros, o que implica saber-se sobre: o nível da oferta (que deve incluir a qualidade e a cobertura), da demanda e do défice dos serviços; a dinâmica passiva (comportamento no tempo sem intervenção de natureza diferente) da oferta e da demanda e, logo, do défice. Conhecidos os elementos determinantes para a melhoria da oferta (comportando a qualidade e a abrangência) por meio de diagnósticos, assim como os que informam o comportamento da demanda, podem ser determinadas as acções requeridas e fazer-se a valoração destas. Com isso se pode avaliar o que é necessário fazer-se e eleger-se as acções a desenvolver consoante a sua eficácia e eficiência, assim como a restrição orçamental existente (capacidade de as financiar), mas tendo em vista o princípio do financiamento de uma despesa permanente por uma fonte de receita também permanente.

Numa situação de défice – seja de qualidade ou quantidade –, seria esperado que, em cada período, o aumento da oferta ultrapassasse o da demanda, permitindo assim, a prazo – tanto menor quanto maior fosse a diferença de crescimento da oferta em relação à demanda –, a sua cobertura. E seria imperioso que se desse conhecimento disso à sociedade.


Por outro lado, a eficácia e a eficiência da despesa pública envolvida – entendidas, respectivamente, como o alcance dos resultados antecipados com tal despesa e com o menor dispêndio de recursos possível – deve ser uma preocupação permanente da gestão financeira pública. Por isso, no seu processo, a par de se assegurar o controle do défice fiscal e da dívida pública dentro de limites sustentáveis, é de fundamental importância também que se garanta que dos recursos despendidos se obtenham os resultados esperados (produtos e impactos) e com a maior economia daqueles, sobretudo quando se trata da provisão de serviços públicos. Para o efeito, é fundamental que as acções desenvolvidas sejam susceptíveis de dar resposta aos problemas existentes – o que se traduz em racionalidade –, o que pressupõe a existência de diagnósticos correctos. Matematicamente poderia expressar-se por meio de uma função implícita do tipo Y = f(x), onde: Y seria o resultado (produto ou impacto) pretendido; f seria a acção ou as acções (programa, projecto ou actividade – cuja especificação requer diagnóstico) a desenvolver e que conduz ou conduzem à obtenção do resultado almejado; e x seria os recursos a empregar no desenvolvimento da acção ou das acções requerida(s).


Ora, nas instituições públicas angolanas parece haver uma tendência generalizada de se privilegiar reportar sobre as acções (f) e recursos despendidos (x) ao invés dos resultados. Daí se pode compreender que, para o “Estado da Nação” apresentado a 15 de Outubro de 2021 pelo Presidente da República, sobretudo no que aos serviços públicos diz respeito, tenham provido como inputs uma profusão de dados sobre acções desenvolvidas em detrimento de informações sobre qual era a situação de partida, quais eram os objectivos, como se evoluiu em função das acções empreendidas (resultados, impactos), qual a situação do momento, bem como a perspectiva de evolução futura e as correspondentes acções a desenvolver para o efeito. Por exemplo, no que aos serviços públicos de saúde (ou da saúde) diz respeito, o Presidente da República reportou como “Estado da Nação”, resumidamente, os investimentos efectuados e em perspectiva no sector, os quais incluíram desde o recrutamento e formação de profissionais, até a reabilitação, construção e equipamento de novas unidades sanitárias. E relevou que “Com este investimento colossal em infraestruturas de saúde a este nível central e provincial que poderá ficar concluído entre 2023/2024, nossa perspectiva é passar para a fase seguinte, investindo em unidades menores de proximidade, na rede de cuidados primários de saúde, no município e no bairro.”; e rematou que seriam “…infra-estruturas sanitárias que vão contribuir bastante para a melhoria dos serviços de saúde no nosso país”.


Como se perceberá, toda essa informação prestada sobre os investimentos efectuados, pouco terá dito à sociedade, de facto, sobre o estado dos serviços públicos de saúde (ou da saúde) – mas cuja abordagem é transversal a todos os serviços públicos – e mesmo a referência de que eles contribuirão para a melhoria dos serviços foi vaga, pois não referiu em que medida e em quê se traduzirá tal melhoria. De resto, emergiu uma questão – que, entretanto, não cabe aqui – que é a das prioridades: não era suposto, tendo em atenção a perspectiva no PDN 2018-2022, de abordagem dos determinantes de saúde, ter-se priorizado a “rede de cuidados de saúde primários, no município e no bairro”, além do saneamento básico, ao invés dos colossais “investimentos em infraestruturas de saúde a nível central e provincial”?


Por outro lado, é esperado que os serviços públicos providos melhorem continuamente, ano após ano, orçamento após orçamento. Entretanto, na esteira da necessidade de se assegurar a eficácia e eficiência da despesa pública, no caso dos serviços públicos de saúde, não é suficiente, para o efeito, a agregação de novas unidades sanitárias. A agregação de valor por novas unidades sanitárias só pode ser assegurada desde que se garanta que as unidades de prestação dos serviços já existentes estejam capazes de prestar os serviços que deles é esperado, o que pressupõe estarem suficientemente financiadas nos seus custos de operação e manutenção para poderem dispor dos recursos humanos, dos equipamentos e meios médicos, dos medicamentos e do material de consumo corrente de que careçam para o efeito. Mas não parece que tem sido este o quadro, pelas constantes queixas de condições precárias de assistência e de trabalho por parte, respectivamente, dos utentes e dos profissionais que laboram nos referidos serviços. É que não parece racional – salvo se por questões de ‘transaccionabilidade’ – que se agreguem novas unidades sanitárias quando não se é capaz de garantir e consolidar o nível de serviços das unidades já em operação. E a propósito disso, seria interessante ver reportagens dos órgãos de comunicação social – que geralmente reportam com ‘pompa e circunstância’ as inaugurações, sobretudo as que contam com a presença do Presidente da República – sobre as condições de funcionamento das unidades inauguradas seis meses ou um, dois e três anos depois da inauguração, de modo a ter-se uma percepção.


De resto, Angola já teve, alegadamente, no período da “construção do socialismo científico”: a maior fábrica têxtil de África – a África Têxtil, em Benguela; e a maior panificadora da África – a Panificadora Kaxicane, na Estrada de Catete, em Luanda. E hoje tem, alegadamente, a maior infraestrutura de adução e tratamento de água da África subsahariana, em Luanda (a crer nas palavras de um antigo PCA da EPAL que o declarara à imprensa numa altura em que a mesma estaria ainda em construção) e o 4.º maior aproveitamento hidroeléctrico de África – a barragem de Laúca, conforme havia noticiado a Rádio Nacional de Angola em Dezembro de 2020. O facto, entretanto, é que tais empreendimentos, não obstante a sua ‘grandiosidade’ regional, continental e, quiçá, mundial, não resolveram o défice dos serviços oferecidos. Mas haverá, entretanto, países autosuficientes mesmo com empreendimentos muito menores – quiçá, das menores a nível regional, continental ou mundial… E isso é o que importa: “resolver os problemas do povo”.

A alegria e as gargalhadas estão de volta ao Nacional

A alegria e as gargalhadas estão de volta ao Nacional

Dança, música, canto e boa disposição marcaram a apresentação de «AKOMBE», pela Companhia de Artes Kupolo Njila, no renovado Nacional Cine-Teatro, em Luanda. Fomos ver e gostámos: um reencontro com a alegria num palco que guarda uma parte importante da memória cultural da cidade. Foi pena a sala não estar cheia

O Nacional voltou a receber artistas e público, e com eles regressaram a música, a dança e as gargalhadas. No dia 10 de Outubro, a Companhia de Artes Kupolo Njila apresentou «AKOMBE», integrado no programa de reabertura deste espaço histórico, conhecido por muitos luandenses pela sua ligação à Associação Cultural Chá de Caxinde.

Foi uma noite de celebração, com a energia dos artistas a dar vida ao palco e a proporcionar momentos de alegria e boa disposição. Entre dança, música e canto, o espectáculo recordou como as artes podem criar uma ligação imediata entre quem se apresenta e quem assiste. A nossa impressão foi clara: gostámos e queremos voltar.

Esta apresentação aconteceu dois dias depois da reabertura oficial do Nacional, realizada a 8 de Outubro de 2026, após obras de reabilitação e modernização. A intervenção melhorou as condições de conforto, segurança e funcionamento do edifício, preservando as características Art Déco que fazem parte da sua identidade.

Um palco com quase um século de história

Inaugurado em 1 de Janeiro de 1932, o Nacional Cine-Teatro atravessou diferentes épocas da vida de Luanda e tornou-se uma referência para o cinema e as artes de palco. A sua importância foi oficialmente reconhecida em 27 de Setembro de 1994, quando foi classificado como Património Histórico-Cultural. No ano seguinte, a Associação Chá de Caxinde assumiu a gestão do espaço, contribuindo para a sua recuperação e dinamização. Entre dificuldades, encerramentos e regressos, o Nacional manteve um lugar especial na memória cultural angolana.

Chá de Caxinde: unir pela cultura

A história da Associação Cultural Chá de Caxinde começou em 28 de Janeiro de 1989, por iniciativa de um grupo de cidadãos. A proclamação formal aconteceu um ano depois, subscrita por uma centena de pessoas. Num país marcado pela guerra e pelas limitações à vida cultural, a associação nasceu para abrir espaço ao encontro, à criação e ao debate.

Sob o lema «Unir pela Cultura», associado a Pepetela, a Chá de Caxinde desenvolveu actividades ligadas à literatura, à edição de livros, à música, ao teatro e à reflexão pública. As noites da Banda Maravilha tornaram-se uma das suas marcas. A ligação ao Nacional, sede da associação desde 1995, ajudou a aproximar o nome Chá de Caxinde da própria identidade do edifício.

Kupolo Njila: as tradições ganham vida em palco

Também conhecida pelo trabalho desenvolvido como Bailados Kupolo Njila, a companhia tem apostado na valorização da identidade tradicional angolana. Entre as figuras centrais desse percurso encontra-se Felicidade Manuel Cassule, «Fely», apresentada numa entrevista de 2024 como directora-geral e coreógrafa do grupo.

Uma das suas criações, «Antropogéneses», cruza dança, música e teatro, apoiando-se na pesquisa de canções, rituais, indumentárias e costumes de diferentes regiões de Angola. Um trabalho que procura transmitir conhecimento através do espectáculo e aproximar o público da diversidade cultural do país.

Com «AKOMBE», esse encontro entre expressão artística e público ganhou lugar no regresso do Nacional. Para quem esteve presente, ficou a alegria de voltar a ver este palco vivo. Que venham mais espectáculos, mais encontros e mais motivos para regressar.

De Angola para Oxford: «Breve História de Angola» em destaque na newsletter do African Studies Centre

De Angola para Oxford: «Breve História de Angola» em destaque na newsletter do African Studies Centre

A newsletter 2025–2026 do African Studies Centre da Universidade de Oxford dedica uma página ao trabalho de Rui Verde, com referência e destaque visual à capa de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club. Uma presença que leva esta edição em língua portuguesa ao encontro de uma comunidade internacional dedicada ao estudo de África

A história recente de Angola encontra espaço na newsletter do African Studies Centre da Universidade de Oxford. Na página 17, Rui Verde apresenta um balanço da sua actividade de investigação e das suas publicações, aproximando dois universos que se complementam: a produção académica especializada e a divulgação do conhecimento junto de um público mais amplo.

É neste segundo domínio que o autor enquadra Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), publicada em Lisboa em Junho de 2026. No texto, apresenta a obra como uma síntese histórica acessível, destinada a um público alargado de língua portuguesa. A reprodução da capa, junto de uma fotografia de Rui Verde, reforça a visibilidade do livro nesta publicação.

Para a Perfil Criativo | AUTORES.club, esta presença constitui uma oportunidade de ampliar a divulgação de uma obra que convida a conhecer e a discutir o percurso político de Angola ao longo de cinquenta anos de independência. Dirigido a leitores que procuram uma introdução à história contemporânea do país, o livro aproxima o conhecimento histórico de estudantes, membros da diáspora e de todos os que desejam compreender melhor a realidade angolana.

Angola no centro da investigação de Rui Verde

O contributo de Rui Verde, integrado na secção dedicada aos investigadores associados, revela um trabalho que cruza história, política, relações internacionais e os desafios da fiscalização democrática.

O autor apresenta dois artigos científicos, desenvolvidos em co-autoria e com apoio da British Academy, destinados ao Journal of Contemporary African Studies. Os estudos analisam a influência das heranças coloniais na supervisão pública da vigilância digital na África Austral e comparam as respostas institucionais aos conflitos em torno da vigilância na África do Sul, em Angola e na República Democrática do Congo.

A estes trabalhos junta-se um capítulo publicado na obra colectiva Democratising Spy Watching, no qual Rui Verde examina o caso angolano dos «15+2». A análise explora as tensões entre legados autoritários e mecanismos de escrutínio público, interrogando os limites e as possibilidades de fiscalização em regimes híbridos.

Outro destaque é o livro Redefining the China–Angola Relationship: Privatization, Development, and Disenchantment, da Bloomsbury Academic. Segundo o resumo apresentado na newsletter, a obra reavalia duas décadas de envolvimento chinês em Angola: da cooperação em grandes infra-estruturas a uma relação mais complexa, marcada pela renegociação da dívida, pela diversificação de parcerias e por mudanças nos alinhamentos geopolíticos.

Ao lado desta produção especializada, Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025) surge como uma ponte para os leitores de língua portuguesa. Rui Verde sublinha ainda a dimensão colectiva da investigação, reconhecendo a importância das redes de colaboração, dos seminários, do acesso a fontes e do ambiente interdisciplinar de Oxford. O texto identifica também dificuldades decorrentes do Brexit e das limitações de financiamento, sobretudo em projectos que exigem trabalho de campo e cooperação internacional.

Uma newsletter que aproxima a investigação dos debates sobre África

Ao longo de 32 páginas, a newsletter apresenta um panorama da actividade do African Studies Centre no ano lectivo de 2025–2026, reunindo investigação, conferências, publicações, testemunhos de antigos alunos e projectos dos estudantes.

Entre os principais destaques encontra-se a conferência anual de Mahmood Mamdani, dedicada à descolonização e à experiência do Uganda pós-colonial. A publicação aborda também as relações entre produção de cacau, alterações climáticas e condições de trabalho na África Ocidental, o ensino da história e dos legados imperiais, a diplomacia africana e os debates sobre as transformações políticas e sociais do continente.

Particularmente próxima da missão de divulgação cultural e editorial da Perfil Criativo | AUTORES.club é a apresentação do Oxford Africa Forum, uma plataforma que procura tornar a investigação sobre África mais acessível. Através de textos breves e claros, a iniciativa pretende aproximar o trabalho académico de leitores, jornalistas, decisores e comunidades africanas, alargando a circulação do conhecimento para além das universidades.

A newsletter assinala igualmente os dez anos da Africa Oxford Initiative, dedicada à cooperação entre Oxford e instituições africanas, e dá conta de encontros e investigações que ligam diferentes regiões, disciplinas e gerações.

É neste contexto de diálogo internacional que surge o trabalho de Rui Verde e a referência à edição da Perfil Criativo | AUTORES.club: um convite a colocar a história de Angola ao alcance de mais leitores e a fazer do livro um ponto de partida para novas perguntas sobre o país.

Conheça «Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025)», de Rui Verde, em www.AUTORES.club.

Angola: que escolhas para o futuro? M. Neto Costa à conversa em Lisboa

Angola: que escolhas para o futuro? M. Neto Costa à conversa em Lisboa

O antigo ministro da Economia e Planeamento do Governo de João Lourenço é o convidado de um encontro promovido pela Perfil Criativo | AUTORES.club, com Xavier de Figueiredo e Rui Verde. Uma conversa sobre política, economia e governação, aberta às perguntas do público, que parte do livro Angola — Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023) para reflectir os caminhos do país

Que decisões podem transformar o potencial de Angola em melhores condições de vida? Que lições oferece a experiência de governação e que alternativas merecem ser debatidas? Estas são algumas das perguntas que dão o mote a «Angola: que escolhas para o futuro?», encontro com M. Neto Costa na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa.

A iniciativa propõe um formato próximo de um podcast ao vivo: o jornalista Xavier de Figueiredo e o jurista e analista político Rui Verde conduzem uma conversa com o autor, cruzando a sua experiência governativa com a reflexão crítica que tem desenvolvido no espaço público. Os participantes poderão colocar perguntas e trazer outras perspectivas para o debate.

No centro da conversa estará também o livro Angola — Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023). Antes de chegarem às páginas desta edição, os textos passaram pelo crivo dos leitores do Novo Jornal, em Angola. Reunidos em livro, ganham uma continuidade que permite revisitar argumentos, relacionar decisões e acompanhar três anos de reflexão sobre as políticas públicas e os seus efeitos na vida do país.

O encontro será, assim, uma oportunidade para descobrir o conteúdo da obra e interrogar o seu autor: retomar questões levantadas na imprensa, aprofundar ideias e discutir a sua pertinência para o futuro de Angola.

Ao reunir experiência política, análise e participação do público, a Perfil Criativo | AUTORES.club convida leitores, estudantes, investigadores, empresários e representantes institucionais a integrar uma conversa plural. Um espaço para ouvir posições diferentes, confrontar argumentos e pensar nas escolhas que o país tem pela frente.

15 de Outubro de 2026 · 18h30
Biblioteca Palácio Galveias · Lisboa
Entrada livre

Venha ouvir. Traga as suas perguntas. Faça parte da conversa.

Durante o encontro, estarão também disponíveis livros sobre Angola com descontos especiais, numa oportunidade para descobrir autores e aprofundar leituras sobre a história, a cultura e os desafios do país.

Angola nas estantes da FNAC: dois livros para descobrir uma história que merece ser lida

Angola nas estantes da FNAC: dois livros para descobrir uma história que merece ser lida

A secção de História das lojas FNAC recebe duas obras da Perfil Criativo | AUTORES.club que convidam a conhecer Angola por diferentes caminhos: a surpreendente viagem que ligou o território angolano a Moçambique e os cinquenta anos de independência que moldaram o país contemporâneo

A primeira travessia da África Austral, de José Bento Duarte, e Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), de Rui Verde, estão disponíveis nas estantes da FNAC, aproximando dos leitores portugueses duas perspectivas complementares sobre a História de Angola e a sua relação com o mundo.

Entre os vários títulos que propõem uma «breve história», de Portugal à guerra, há agora espaço para descobrir o percurso da República de Angola. Uma oportunidade para alargar horizontes e conhecer melhor um país cuja proximidade linguística e cultural com Portugal nem sempre corresponde a um verdadeiro conhecimento da sua História.

Em Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), Rui Verde propõe uma leitura acessível e crítica de cinquenta anos decisivos. Da independência aos conflitos e às transformações políticas e económicas, o autor percorre o caminho da construção do Estado angolano e convida a reflectir sobre os desafios do presente. A obra abre espaço à discussão e ao confronto de perspectivas, oferecendo ao leitor uma base para compreender como se chegou à Angola de hoje.

É uma introdução particularmente relevante para a diáspora angolana, incluindo as gerações que cresceram fora do país, mas também para quem mantém relações profissionais, desenvolve negócios ou planeia viajar para Angola. Conhecer o seu percurso ajuda a compreender melhor a sociedade, a interpretar o presente e a estabelecer relações mais informadas.

Já A primeira travessia da África Austral, de José Bento Duarte, transporta o leitor para uma aventura histórica pouco conhecida. No centro da narrativa estão Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, dois pombeiros luso-angolanos, na condição de comandantes escravizados, que percorreram o caminho de Angola a Moçambique entre 1802 e 1811, regressando a Angola em 1814. Muito antes das célebres expedições europeias da segunda metade do século XIX, estes homens atravessaram extensos territórios, enfrentaram dificuldades e negociaram a passagem com poderes locais.

Ao reconstituir os antecedentes e o desenrolar desta surpreendente viagem, José Bento Duarte dá visibilidade aos protagonistas africanos e aos conhecimentos que tornaram possível a travessia. Uma leitura que combina aventura, investigação histórica e descoberta, revelando uma África Austral feita de povos, caminhos comerciais e relações políticas que importa conhecer.

Dois livros, duas portas de entrada para Angola. Com a chegada destas edições à secção de História da FNAC, os leitores portugueses ganham uma nova oportunidade de descobrir episódios de uma História menos conhecidos e de aprofundar a compreensão do país para além das notícias habituais.

Na próxima visita à FNAC, procure estes títulos da Perfil Criativo | AUTORES.club. A viagem pode começar numa estante, e continuar muito para além da última página.

Perfil Criativo | AUTORES.club abre nova etapa com encontros em Lisboa e Luanda e novidades na FNAC

Uma comunicação mais próxima com autores e leitores, encontros em Lisboa e Luanda e uma presença crescente nas livrarias marcam a nova etapa da editora

A editora Perfil Criativo | AUTORES.club deu início a uma profunda reestruturação da sua equipa, criando condições para melhorar a comunicação com os seus autores e leitores e reforçar a divulgação das obras que publica.

Este processo acompanha o desenvolvimento de um projecto editorial dedicado à divulgação de autores, à valorização da memória e à promoção do debate. O objectivo é aproximar cada vez mais os livros dos seus públicos, tanto através do contacto directo como de uma distribuição mais ampla.

Para o mês de Outubro, estão programados dois encontros especiais em Lisboa: na Biblioteca Palácio Galveias e no Palácio da Independência, lugar de memória dos conjurados de 1640 e sede da Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP). Em Luanda, está igualmente previsto um encontro na Universidade Católica de Angola. As iniciativas darão continuidade ao diálogo entre autores, leitores e instituições, abrindo espaço à apresentação de obras e à troca de ideias. Os programas e os detalhes de participação serão divulgados oportunamente.

A aproximação aos leitores ganha também expressão nas lojas da FNAC, onde estão disponíveis três novidades do catálogo: Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), de Rui Verde; A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte; e Nutriterapia, de Luís Philippe Jorge. História, exploração e saúde compõem esta selecção, que reflecte a diversidade temática da editora.

Durante os próximos meses, a Perfil Criativo | AUTORES.club prevê colocar mais novidades editoriais nas estantes das lojas da FNAC, ampliando o acesso às suas publicações.

Em paralelo, a editora considera necessário reactivar uma rede de livrarias em várias capitais de distrito de Portugal, para que as suas edições cheguem a mais leitores e beneficiem da proximidade e do conhecimento de quem trabalha diariamente na divulgação do livro. Esta ligação poderá também abrir caminho à realização de apresentações, conversas com autores e outras iniciativas locais.

Fica, por isso, aberto o convite às livrarias interessadas em integrar esta rede para contactarem a equipa editorial da Perfil Criativo | AUTORES.club, através dos contactos disponíveis em www.AUTORES.club. Queremos construir novas parcerias e dar aos nossos livros mais lugares de encontro com os leitores.

Em Londres Mafrano fez cumprir uma narrativa bíblica…

Em Londres Mafrano fez cumprir uma narrativa bíblica…

POR JOSÉ SOARES CAETANO

26 de Setembro de 2026 — Aqui, em Londres, a capital do Reino Unido, a apresentação do volume três da colectânea de Mafrano, o “Antropólogo Maior de Angola, na opinião de Dom Zacarias Kamwenho, quase fez cumprir a frase biblica segundo a qual o “melhor vinho foi servido já no fim da festa, com o primeiro milagre de Jesus Cristo!”.
Tudo isto aconteceu, de facto, quando leitores ansiosos questionaram a família para saber quando seria publicada a versão inglesa desta colectânea.
“Esse trabalho já está a ser feito e é irreversível”, anunciou Anete Caetano, neta de Mafrano, ao encerrar a cerimónia.
Já na sessão de assinatura de autógrafos, e com os livros completamente esgotados, uma das presentes, na imagem acima, não conteve a emoção e disse:
“Sou casada, mas hoje vou confessar ao meu marido que me apaixonei por outro homem e pela sua trajectória histórica: MAFRANO!” – , e apontou o dedo para a “Capa!” do livro do antropólogo maior de Angola, hoje Prémio Nacional de Cultura e Artes 2024, na modalidade de investigação em Ciências Humanas e Sociais.
Momento alto neste 26 de Setembro foi a subida ao palco de uma forte comitiva da Associação das Mulheres de São Tomé e Príncipe que, de surpresa, exibiu danças tradicionais animadas pela bandeira do seu país, numa singela homenagem a Mafrano.
“Maurício Francisco Caetano, “Mafrano” (1916-1982), teve como tutor o sacerdote são-tomense José Pereira da Costa Frotta que o recolheu órfão aos 5 anos de idade e acompanhou toda a sua formação até a idade adulta”, conforme referiu também Luisíndia Caetano, igualmente neta do autor.
A Embaixada de Angola no Reino Unido fez-se representar neste evento por uma delegação encabeçada por Emanuel Nteca, Primeiro Secretário dessa Missão Diplomática. A apresentação da obra esteve a cargo de Agostinho Mané Sadja, um Sociologo da Guiné-Bissau residente em Londres.

Momento alto neste 26 de Setembro foi a subida ao palco de uma forte comitiva da Associação das Mulheres de São Tomé e Príncipe que, de surpresa, exibiu danças tradicionais animadas pela bandeira do seu país, numa singela homenagem a Mafrano

Embaixador José Patrício recebeu em Londres família de Maurício Francisco Caetano, “Mafrano”

Londres, 25 de Setembro de 2026 — A família do escritor e etnólogo Maurício Caetano ofereceu nesta última quinta-feira, 24, dois dos exemplares da colectânea «Os Bantu na visão de Mafrano – Quase Memórias» ao embaixador de Angola no Reino Unido, José Patrício, justamente 48 horas antes da apresentação solene em Londres do terceiro e volume desta obra histórica.

Tendo sido contemporâneos no Bairro Popular, em Luanda, até 1972, o encontro entre José Patrício e José Soares Caetano, filho do autor desta colectânea póstuma, e ainda por coincidência ambos jornalistas da primeira geração pós-independência, decorreu num ambiente informal e extremamente cordial, com os dois os interlocutores a recordarem memórias da adolescência, do bairro e da profissão de jornalista desde 1975.

Vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2004 em Angola, o terceiro e último volume da colectânea de Mafrano será apresentado na manhã de sábado, 26, no «CENTRO DE CONFERÊNCIAS ADVENTURE PLAYGROUND», Avenida Willington, no sul de Londres, e espera-se reunir membros da comunidade angolana residente no Reino Unido, assim como representantes dos Estados Membros CPLP, PALOLP, países amigos, académicos, artistas e fazedores de opinião. Sendo Londres uma cidade cosmopolita, prevê-se igualmente a participação de pessoas provenientes de diversos países e de diferentes grupos culturais residentes no Reino Unido.

Na mesma ocasião, a família de Mafrano vai anunciar publicamente a publicação de uma nova versão em Língua Inglesa desta mesma obra, com uma estimativa de duzentas páginas, e cuja temática continuará a ter como foco a civilização bantu, questões Sociais e episódios vividos pelo autor entre os anos de 1947 e 1982, data do seu passamento físico.

Os dois primeiros volumes desta obra haviam sido já apresentados em Londres em Novembro de 2024, numa concorrida cerimónia que decorreu na «BIRKBECK UNIVERSITY». Até à data, a colectânea chegou a países como Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Alemanha e Portugal, assim como por vídeo conferencias a universidades das cidades de Curitiba e Rio de Janeiro, no Brasil. Dentre as conhecidas personalidades com acesso a esta obra destacam-se o Secretário Geral das Nações Unidas, Eng.º António Guterres, o ex-Chefe de Estado Português, Manuel Rebelo de Sousa, o responsável do Vaticano para o pelouro da cultura e educação, o cardeal do Vaticano Dom José Tolentino de Mendonça; Bispo Cardeal Emérito de Santiago, Cardeal Dom Arlindo Gomes Furtado, a família do falecido escritor e ex-diplomata cabo-verdiano Eugénio Inocêncio e o casal presidencial de São Tomé e Príncipe, Carlos e Fátima Vila Nova.

(FONTE: Texto elaborado pela Embaixada de Angola no Reino Unido e complementado pela Família de Mafrano)

Coincidências que fazem História

Em Setembro de 2026, o incrível aconteceu, aqui, no Reino Unido, juntando caprichosas coincidências que já se haviam cruzado e deixado, em 1972, em Angola!
Será fácil adivinhar…?!
Sim, mas vamos passo a passo, porque a emoção é forte!
Coincidências, não só com José Patrício, o honorável Embaixador de Angola aqui em Londres, que foi vizinho da família no Bairro Popular, em Luanda, mas também com o Manuel Morais que voltou a ser, novamente “vizinho”, também nesta cidade capital do Reino Unido, depois de já o ter sido em Angola.
De facto, o “Nelo” Morais que já havia sido vizinho porta à porta, da família Mafrano na Rua de Mavinga, do também Bairro Popular, em Luanda, até 1972, com direitos à foto histórica inserida na página 798, do Volume III da colectânea de Mafrano sobre os Bantu, vive muito perto da Bedford Road, em “Clapham North”, onde a família do Antropólogo Maior de Dom Zacarias Kamwenho estará hospedada até 28 de Setembro de 2026.
“Zé, eu moro perto daí….”, gritou ele quando um membro da família lhe enviou o endereço da rua Bedford, em North Clapham, aqui em Londres.
Que belas coincidências que a chama de Mafrano tem feito acontecer nesta trajectória histórica…

Prémio Nacional de Cultura
Prémio Nacional de Cultura

Raízes de Esperança: Cosme Rita abre o arquivo vivo da política são-tomense

Raízes de Esperança: Cosme Rita abre o arquivo vivo da política são-tomense

Chegaram à editora Perfil Criativo | AUTORES.club os primeiros exemplares de Raízes de Esperança, memórias da construção da República de São Tomé e Príncipe e perspectivas de desenvolvimento nos próximos anos, na voz de Cosme Rita.

A obra integra-se num amplo movimento cultural de recuperação da memória política de São Tomé e Príncipe, dando continuidade ao trabalho editorial iniciado com a publicação das memórias de Rafael Branco. Ao trazer para livro a voz de protagonistas que viveram por dentro diferentes momentos da construção do Estado são-tomense, a Perfil Criativo | AUTORES.club reforça a importância de fixar em papel testemunhos que, de outro modo, poderiam permanecer dispersos na oralidade, na lembrança familiar ou nos bastidores da vida pública.

Na Nota do Editor, a pergunta que atravessa toda a obra é directa e profundamente humana: “Porque é que te meteste na política?” A interrogação nasce no ambiente familiar, a partir das conversas entre Cosme Rita e os seus filhos, que insistiram para que as suas histórias, episódios, convicções e inquietações fossem registados em livro. 

Mais do que uma autobiografia política, Raízes de Esperança apresenta-se como um contributo para o conhecimento público sobre São Tomé e Príncipe. O livro percorre as raízes familiares do autor, a infância, a formação, o serviço militar, a vida profissional, a entrada na política, a criação do Grupo de Reflexão, a governação do PCD-GR, as tensões institucionais, a experiência na Câmara do Comércio e as reflexões sobre o futuro do país. 

Um dos pontos centrais da obra é o registo da transição política são-tomense, em particular o surgimento do Grupo de Reflexão, apresentado como espaço de debate e construção de alternativas, no contexto da contestação ao regime de partido único e da abertura democrática. O manuscrito enquadra esse movimento como uma força que viria a reunir intelectuais, técnicos, jovens reformistas e membros da sociedade civil em torno da transição pacífica para a democracia, do Estado de direito e de reformas económicas. 

O livro revisita também a governação do Partido de Convergência Democrática — Grupo de Reflexão (PCD-GR), situando-a no processo de consolidação democrática iniciado em 1991. Cosme Rita aborda a passagem do regime de partido único para o multipartidarismo, a tentativa de modernização administrativa, a abertura económica e o esforço de recuperação de infra-estruturas públicas, como escolas, estradas e outros equipamentos básicos. 

Mas Raízes de Esperança não é apenas um livro de evocação. É também uma reflexão sobre liderança, responsabilidade pública e desenvolvimento. A partir da sua experiência política e académica, Cosme Rita defende que os desafios africanos não são apenas políticos, mas também de gestão pública, planeamento estratégico, controlo, transparência e competência institucional. 

Cosme Rita é uma figura da vida política e institucional de São Tomé e Príncipe. Ao longo do seu percurso, desempenhou várias funções públicas e políticas, entre as quais Primeiro Secretário da Embaixada de São Tomé e Príncipe em Portugal, Ministro do Comércio, Secretário-Geral da Câmara do Comércio e Presidente do Grupo Parlamentar de um partido político. Essas experiências marcaram a sua visão sobre o país, a política, a governação e o serviço público. 

Com esta nova edição, a Perfil Criativo | AUTORES.club reafirma a sua aposta na publicação de obras que ajudam a preservar a memória contemporânea dos países africanos de língua portuguesa. Raízes de Esperança chega agora à editora como mais um documento essencial para compreender a construção da República de São Tomé e Príncipe, os seus impasses, as suas aprendizagens e as possibilidades de desenvolvimento nos próximos anos.

Mafrano em Londres 2026 uma cerimónia para a História

Mafrano em Londres 2026 uma cerimónia para a História

Dia 26 de Setembro, às 11:30, o Adventure Playground Conference Centre, em Londres, vai testemunhar a subida de representantes da família de Maurício Francisco Caetano ao palco, convidando todos os presentes a repetir uma das frases mais emblemáticas do autor da colectânea «Os Bantu na Visão de Mafrano – Quase Memórias», e, também em sua MEMÓRIA:

”Deixemos O Bantu Crescer Intelectualmente”, Vol. I, página 172 (in jornal «O APOSTOLADO» de 27 de Novembro de 1971)

Mafrano: uma viagem ao coração da civilização bantu

Terceiro volume da colectânea “Os Bantu na Visão de Mafrano” reúne memórias, ensaios e reflexões sobre ancestralidade, cultura, religião e sociedade africana

O terceiro e último volume da colectânea “Os Bantu na Visão de Mafrano”, de Maurício Francisco Caetano, constitui uma oportunidade rara para revisitar o pensamento de um dos mais importantes investigadores angolanos da cultura bantu. Publicada postumamente, a obra encerra um percurso editorial dedicado à preservação da memória africana, ao estudo das tradições e à valorização das sociedades bantu no contexto angolano e continental.

Distinguido com o Prémio Nacional da Cultura e Artes 2024, na modalidade de Investigação em Ciências Humanas e Sociais, Maurício Francisco Caetano, conhecido literariamente como Mafrano, deixou uma vasta produção intelectual marcada pela observação directa, pela reflexão crítica e pelo compromisso com a dignificação do património cultural africano. O terceiro volume, intitulado “Os Bantu na Visão de Mafrano – Quase Memórias”, confirma essa dimensão de autor atento às raízes, aos costumes, às crenças e às transformações sociais do seu tempo.

Com 327 páginas e 18 capítulos, este volume está organizado em três partes e reúne textos dedicados à civilização bantu, à temática religiosa, às questões sociais e a episódios vividos pelo autor entre 1947 e 1982. Mais do que uma simples compilação de escritos, o livro apresenta-se como um testemunho intelectual e humano, no qual a memória individual se cruza com a história colectiva dos povos africanos.

Ao longo da obra, Mafrano aborda temas como a ancestralidade, os hábitos, os costumes, a religiosidade, a organização social, as tradições orais e os modos de vida de diferentes comunidades. O autor percorre ainda domínios como a antropologia, a arqueologia, o direito costumeiro, a mitologia, a linguagem e as crenças populares, oferecendo ao leitor uma visão ampla e profundamente enraizada no universo cultural bantu.

A leitura deste terceiro volume permite compreender melhor a importância de Mafrano enquanto investigador e escritor. A sua escrita não se limita ao registo académico: há nela uma dimensão narrativa, memorialística e vivencial que aproxima o leitor dos temas tratados. Os episódios, observações e reflexões reunidos neste livro revelam um autor que conheceu, estudou e viveu intensamente os ambientes culturais que procurou interpretar.

A colectânea “Os Bantu na Visão de Mafrano” soma, nos seus três volumes, 799 páginas de reflexão sobre a ancestralidade, os hábitos e os costumes de vários povos africanos. O terceiro volume encerra esse projecto com um conjunto de textos que reforça a actualidade do pensamento de Mafrano e a necessidade de continuar a estudar, divulgar e debater o património cultural bantu.

Responsável pela edição dos três volumes, o jornalista e escritor José Soares Caetano, filho do autor, tem desempenhado um papel decisivo na recuperação e divulgação deste legado. A publicação da colectânea permite que novas gerações de leitores, investigadores, estudantes e interessados pela cultura africana tenham acesso a uma obra fundamental para compreender a riqueza e a complexidade das sociedades bantu.

“Os Bantu na Visão de Mafrano – Quase Memórias” é, por isso, uma leitura indispensável para quem procura conhecer melhor Angola, África e os fundamentos culturais que atravessam a história, a espiritualidade e a identidade dos povos bantu. Mais do que um livro de memória, é uma obra de estudo, reflexão e reencontro com uma herança cultural que continua viva.

Mafrano em Malanje
O livro pode ser encomendado na livrarias

Economia, História e Diplomacia encerram a Festa do Livro em Belém com três sessões de autógrafos

Economia, História e Diplomacia encerram a Festa do Livro em Belém com três sessões de autógrafos

Oscar da Mata, Álvaro Henriques do Vale e Rui Verde protagonizaram as três sessões de autógrafos promovidas pela Perfil Criativo | AUTORES.club no último dia do festival literário realizado nos jardins do Palácio de Belém

A Perfil Criativo | AUTORES.club encerrou a sua participação na Festa do Livro em Belém 2026 com três sessões de autógrafos que aproximaram autores e leitores em torno da economia, da história contemporânea de Angola e das relações diplomáticas que marcaram Portugal e a Península Ibérica ao longo do século XX.

No domingo, 20 de Setembro, último dia do evento, passaram pelo espaço da editora Oscar da Mata, Álvaro Henriques do Vale e Rui Verde, três autores com percursos distintos, mas unidos pela vontade de questionar interpretações estabelecidas e contribuir para um debate público mais informado.

Oscar da Mata desmonta os mitos da economia angolana

Economista, professor universitário e profissional com experiência na banca e na consultoria financeira, Oscar da Mataapresentou e autografou a sua mais recente obra, Mitos Económicos de Angola — Ensaio sobre Liberdade e Criação de Riqueza.

Publicado em Setembro de 2026, o livro identifica e desmonta dezoito ideias profundamente enraizadas no debate económico angolano. A inflação, o controlo dos preços, os bancos públicos, os subsídios, o endividamento, a tributação, o planeamento centralizado e a intervenção do Estado são alguns dos temas analisados à luz da teoria económica, da experiência histórica e da realidade africana.

Partindo da afirmação de que, antes de distribuir riqueza, é necessário criá-la, Oscar da Mata convida o leitor a distinguir racionalidade económica de conveniência política. A obra propõe uma reflexão exigente sobre as condições necessárias para construir uma economia produtiva, assente em instituições estáveis, responsabilidade individual, iniciativa privada e liberdade económica.

Álvaro Henriques do Vale revela os bastidores da diplomacia britânica

O jornalista e investigador Álvaro Henriques do Vale levou a Belém duas obras publicadas pela Perfil Criativo | AUTORES.club, nas quais cruza história económica, diplomacia e relações internacionais.

A novidade editorial, O Foreign Office e a sua Influência na Península Ibérica — Portugal, Espanha, Gibraltar (1919–1962), conduz o leitor aos bastidores da política externa britânica e da sua influência sobre Portugal e Espanha. O livro percorre mais de quatro décadas de acontecimentos, da reorganização europeia posterior à Primeira Guerra Mundial à Guerra Civil de Espanha, à Segunda Guerra Mundial e aos primeiros anos da Guerra Fria.

Diplomatas, governantes e agentes dos serviços secretos atravessam uma investigação que inclui figuras como Armindo Monteiro, Pedro Theotónio Pereira, Samuel Hoare, Franklin D. Roosevelt e Ian Fleming, o futuro criador de James Bond, revelando a importância estratégica da Península Ibérica, de Gibraltar e das rotas marítimas britânicas.

Também esteve em destaque As Contas da República (1919–29) e os Anos Loucos de Wall Street. Nesta obra, Álvaro Henriques do Vale revisita a crise financeira portuguesa da década de 1920 e analisa as ligações entre as contas públicas da República, Angola, o sistema bancário, o golpe de 28 de Maio de 1926 e as consequências internacionais do colapso de Wall Street em 1929.

Rui Verde percorre cinquenta anos de Angola independente

A última das três sessões teve como protagonista o jurista, académico e investigador Rui Verde, autor de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025).

Publicada em Junho de 2026, a obra apresenta uma leitura clara, crítica e acessível dos primeiros cinquenta anos da República de Angola. Rui Verde acompanha o percurso do país desde os antecedentes da independência e a proclamação de 11 de Novembro de 1975 até à guerra civil, à construção do Estado, aos acordos de paz, à reconstrução nacional, ao crescimento impulsionado pelo petróleo, às crises económicas e às recentes tentativas de reforma.

Ao longo de 320 páginas, o autor organiza cinco décadas de acontecimentos políticos, económicos e sociais, permitindo compreender melhor a estrutura política da Angola contemporânea e os desafios que o país enfrenta no presente. Trata-se de uma introdução rigorosa à história recente angolana, dirigida tanto aos leitores que procuram uma primeira visão de conjunto como aos que pretendem aprofundar o debate sobre o futuro do país.

Livros que prolongam as conversas iniciadas em Belém

As três sessões de autógrafos encerraram quatro dias de participação da Perfil Criativo | AUTORES.club na Festa do Livro em Belém, realizada entre 17 e 20 de Setembro nos jardins da Presidência da República.

O contacto directo entre escritores, investigadores e leitores voltou a demonstrar que o livro permanece um ponto de partida privilegiado para o diálogo sobre a economia, a história, a diplomacia, a liberdade e o desenvolvimento das sociedades.

As obras de Oscar da Mata, Álvaro Henriques do Vale e Rui Verde encontram-se disponíveis através da loja da AUTORES.club, prolongando para além de Belém as conversas, perguntas e reflexões despertadas durante as sessões de autógrafos.