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Angola encerrou a Feira do Livro de Lisboa

Angola encerrou a Feira do Livro de Lisboa

A programação da Perfil Criativo | AUTORES.club, representada pela Promobooks no stand D48, encerrou-se no passado domingo, 14 de junho de 2026, na Feira do Livro de Lisboa, com a apresentação de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), do académico e jurista Rui Verde.

O encontro, realizado na Praça Roxa, contou com a presença especial do histórico jurista, constitucionalista, professor universitário e antigo candidato às eleições presidenciais angolanas de 1992, António Alberto Neto. Perante leitores e membros da comunidade angolana residente em Portugal, os dois intervenientes protagonizaram uma conversa intensa sobre a escrita da História, a construção do Estado angolano, a herança colonial, a educação, a emancipação africana e os desafios que Angola continua a enfrentar.

Rui Verde começou por reconhecer que a obra tem vindo a ser apresentada gradualmente, em diferentes espaços, num percurso que espera levar até Luanda, em novembro. O autor observou que o interesse por Angola em Portugal já não tem hoje a dimensão que possuía há quarenta ou cinquenta anos, tornando-se progressivamente um interesse mais especializado.

Para o académico, uma das principais conclusões retiradas das apresentações já realizadas é a inexistência de um consenso sobre uma História de Angola construída como ciência, baseada em factos, provas, metodologia e confronto crítico de fontes. Na sua perspetiva, a História angolana continua frequentemente a ser utilizada como instrumento do poder ou do contrapoder, através de narrativas políticas antagónicas.

De um lado, explicou, permanece uma leitura próxima da narrativa oficial do MPLA, segundo a qual as decisões tomadas pelo partido são apresentadas como essencialmente corretas. Do outro, surge uma narrativa da oposição que tende a considerar erradas todas as decisões do MPLA. Entre estas posições, Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025) procura encontrar um espaço central, apresentando os factos menos disputados e, nos acontecimentos mais controversos, expondo versões distintas.

Rui Verde admitiu que o livro será necessariamente objeto de críticas: por aquilo que inclui, pelo que deixa de fora, pela importância concedida a determinadas personalidades e pela forma como interpreta alguns acontecimentos. No entanto, sublinhou que a obra não pretende ser um projeto definitivo, mas o início de uma discussão que considera ainda insuficientemente desenvolvida.

Segundo o autor, não existia até agora uma história compacta dedicada ao período compreendido entre 1975 e 2025. Há obras monumentais sobre a História de Angola, como as de Alberto Oliveira Pinto e Carlos Mariano Manuel, e estudos estrangeiros relevantes, mas muitos desses trabalhos terminam nos anos 1980 ou 1990, não oferecendo uma reflexão continuada até ao presente.

Por ser uma obra breve, Rui Verde reconheceu a existência de lacunas. Por ter sido escrita por um autor estrangeiro, admitiu também que não contém a mesma carga emocional que os angolanos atribuem aos acontecimentos que viveram diretamente. Ainda assim, identificou como principal virtude do livro o facto de ser uma primeira tentativa de síntese sobre os cinquenta anos da Angola independente e de abrir caminho para uma discussão afastada das leituras exclusivamente partidárias.

A primeira parte da obra, sobretudo até 2002, apoia-se maioritariamente em estudos, documentos e interpretações de outros autores. A segunda parte incorpora também a experiência direta de Rui Verde, que acompanha com proximidade a vida política, económica e quotidiana de Angola desde 2012, incluindo observações pessoais e entrevistas realizadas ao longo desse período.

O livro começa na excitação e na esperança que acompanharam a independência, em 1975, e termina naquilo que o autor designa como a “curva apertada” em que Angola se encontra atualmente. A análise não conclui que o país não tem futuro, mas também não afirma que tudo esteja bem.

Rui Verde considera que, depois de 2017, existiu uma tentativa de alterar e melhorar a situação do país, mas que esse processo ficou “a meio da ponte”. Angola aproxima-se agora, na sua leitura, de um período em que terá de tomar opções difíceis, sobretudo a partir de 2027.

“O objetivo essencial desta obra não é o fim, mas o princípio”, afirmou o autor, convidando os leitores a enviarem ao editor críticas, correções e testemunhos. Esse contributo poderá permitir que uma futura segunda edição seja mais ampla, mais representativa e enriquecida pelas experiências daqueles que viveram diretamente os acontecimentos.

António Alberto Neto: a História exige verdade, educação e emancipação

Na segunda parte da sessão, António Alberto Neto respondeu à questão colocada pelo editor João Ricardo Rodrigues: qual foi, afinal, o resultado da construção de Angola ao longo destes cinquenta anos?

O histórico jurista começou por refletir sobre a dicotomia entre as diferentes histórias e narrativas. Para António Alberto Neto, a diferença reside muitas vezes na posição de quem relata os acontecimentos. Uma narrativa construída a partir de uma perspetiva europeia ou ocidental pode ser diferente da narrativa daqueles que participaram diretamente na luta pela emancipação dos povos africanos.

Segundo o constitucionalista, uma narrativa que defenda o apartheid nunca poderá ser igual à narrativa de quem defende os princípios da Liberdade, da Democracia e da Paz. Por essa razão, introduziu no debate o conceito de “esquecimento histórico”, entendido como a ausência de uma narrativa fundada na verdade dos factos.

António Alberto Neto afirmou não falar como historiador, mas como alguém que examinou, viveu e, em certos momentos, ajudou a produzir os próprios acontecimentos. Nascido em 1943, atravessou pessoalmente vários dos períodos abordados no livro e conviveu com algumas das principais figuras da História política angolana.

Referindo-se às fotografias incluídas na obra, recordou que esteve próximo de personalidades com as quais partilhou momentos políticos, mas também diferenças profundas. Essas figuras, salientou, não foram imortais, cometeram erros, criaram situações difíceis e tiveram responsabilidades políticas, económicas, sociais e militares num conflito em que morreram muitas pessoas.

Apesar do fim da guerra civil, António Alberto Neto lembrou que Angola continua confrontada com problemas de emancipação, fome, pobreza e discriminação. Para o jurista, a ausência de uma guerra de grande dimensão não significa que os principais problemas do país estejam resolvidos, sendo igualmente necessário continuar a falar da situação de Cabinda e dos conflitos que persistem noutros territórios africanos.

Assumindo-se como pan-africanista, defendeu que os africanos observam a História a partir de uma conceção própria. África, afirmou, deve participar plenamente no progresso mundial, não apenas como fornecedora de matérias-primas ou como continente permanentemente dependente.

António Alberto Neto criticou o modelo de independências formais que permitiu aos países africanos terem bandeiras, presidentes, parlamentos e representação nas Nações Unidas, sem alcançarem uma verdadeira independência económica, social e política. Na sua leitura, muitos Estados africanos foram colocados numa situação de dívida permanente, tendo os seus recursos naturais como principal garantia perante o sistema económico internacional.

Foi neste contexto que relacionou as guerras e interferências externas em Angola com a disputa pelo petróleo e pelos diamantes. Para o jurista, o endividamento externo continua a limitar a soberania e as possibilidades de desenvolvimento do país.

O antigo candidato presidencial manifestou também preocupação com a possibilidade de o livro chegar a Luanda e permanecer circunscrito à nomenclatura política e administrativa, sem alcançar a maioria da população. Por isso, defendeu a realização de uma edição popular, acessível aos angolanos que normalmente não conseguem comprar ou conhecer obras desta natureza.

A educação ocupou uma parte central da sua intervenção. A partir de uma passagem da página 59 do livro, António Alberto Neto recordou que o número de angolanos com formação universitária, em 1975, era extremamente reduzido. Durante o período colonial, o acesso ao ensino superior pela população angolana foi muito limitado, sendo a maioria dos licenciados portugueses ou estrangeiros residentes no território.

A pergunta essencial, afirmou, é compreender por que razão Angola chegou à independência com um número tão reduzido de quadros formados. Para António Alberto Neto, a resposta encontra-se nas limitações impostas pelo sistema colonial à educação e à emancipação dos povos africanos.

O jurista considerou que, caso Angola tivesse sido independente durante séculos, poderia possuir hoje mais cientistas, engenheiros, investigadores e uma classe política mais preparada. Sublinhou que a educação é um elemento determinante para o progresso e que os dirigentes angolanos herdaram um país marcado por profundas carências educativas.

Recordou igualmente o contributo de países como a União Soviética, a Checoslováquia, a Hungria e a China para a formação de estudantes angolanos, contrastando esse apoio com as limitações que, segundo afirmou, as autoridades coloniais colocaram à formação superior dos angolanos, moçambicanos, guineenses e cabo-verdianos.

Para António Alberto Neto, o baixo nível de educação herdado do colonialismo continua a produzir consequências no desenvolvimento de Angola. A emancipação, defendeu, deve abranger a educação, a economia, a saúde, a participação política e a dignidade humana.

A propósito do Dia Mundial do Dador de Sangue, assinalado a 14 de junho, o constitucionalista recorreu à universalidade do sangue humano como símbolo da cooperação entre os povos. Independentemente da nacionalidade, afirmou, o sangue compatível pode salvar qualquer pessoa, demonstrando que a humanidade deve prevalecer sobre as divisões políticas, nacionais e raciais.

Na conclusão, António Alberto Neto recordou ter sido candidato às eleições presidenciais de 1992, nas quais ficou em terceiro lugar, um facto que considera frequentemente afastado da memória pública devido ao “esquecimento histórico”.

“Os angolanos estão a resistir. E quem resiste é para vencer”, declarou, acrescentando que essa resistência tem como finalidade conquistar a paz, a dignidade e uma verdadeira emancipação.

Um encerramento marcado pela pluralidade

A apresentação de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025) encerrou, assim, a participação da Perfil Criativo | AUTORES.club e da Promobooks na Feira do Livro de Lisboa de 2026.

Mais do que uma sessão de lançamento, o encontro colocou frente a frente duas formas complementares de olhar para Angola: a investigação e a tentativa de síntese histórica de Rui Verde; e a memória vivida, a experiência política e o pensamento pan-africanista de António Alberto Neto.

Num ambiente aberto à participação do público, ficou evidente que a História da Angola independente permanece um campo em construção, atravessado por memórias concorrentes, disputas políticas, silêncios e testemunhos ainda por recolher.

O encerramento da Feira do Livro transformou-se, deste modo, num convite à leitura, ao confronto de ideias e à preservação das memórias das várias gerações que participaram na construção do país. Uma conversa que não procurou encerrar a História de Angola, mas abrir novas possibilidades para a compreender e continuar a escrevê-la.

Uma História Interminável despertou a curiosidade dos visitantes na Feira do Livro de Lisboa

Uma História Interminável despertou a curiosidade dos visitantes na Feira do Livro de Lisboa

O livro Uma História Interminável, de Hugo Henriques e Hajnalka Henriques, foi apresentado ao final da tarde de sábado, 13 de junho de 2026, na Feira do Livro de Lisboa.

O encontro despertou a curiosidade de muitos visitantes que circulavam pelo recinto e que se aproximaram para conhecer esta obra dedicada à amizade, à diferença, à inclusão e ao respeito pelos outros.

Durante a sessão, Hugo Henriques apresentou o percurso de criação do livro e a colaboração desenvolvida com Hajnalka Henriques, responsável pelas ilustrações. Mereceu também destaque a particularidade editorial da obra, publicada com duas grafias da língua portuguesa: a anterior e a posterior ao Acordo Ortográfico de 1990.

Num ambiente próximo e descontraído, autores e leitores partilharam um momento especial em torno da literatura infantil, encerrando o sábado com uma história que convida crianças e adultos a reconhecerem o valor das diferenças e da solidariedade.

Kalunga regressa à Feira do Livro de Lisboa com a palavra transformada em sabedoria

Kalunga regressa à Feira do Livro de Lisboa com a palavra transformada em sabedoria

O poeta angolano Kalunga, nome literário de João Fernando André, marcou presença na Feira do Livro de Lisboa no passado dia 4 de junho de 2026, protagonizando mais uma intervenção impactante, marcada pela lucidez, pela profundidade do pensamento e por uma forma muito própria de olhar para a vida.

Perante o público reunido no Parque Eduardo VII, Kalunga voltou a demonstrar que a sua poesia não se limita à leitura de versos. Cada intervenção transforma-se numa reflexão sobre a existência, a identidade, a memória, o sofrimento, o amor e a responsabilidade de cada ser humano perante o mundo.

Com uma comunicação serena, mas intensa, o poeta partilhou ideias que nasceram da literatura, mas rapidamente se alargaram à vida. Com a palavra, construída a partir da experiência angolana e de uma permanente interrogação sobre a condição humana, encontrou em Lisboa um público atento e disponível para escutar.

A presença de Kalunga na edição de 2026 da Feira do Livro de Lisboa constituiu mais uma etapa de um percurso editorial e cultural iniciado há vários anos. Para o editor da Perfil Criativo | Alende | AUTORES.club, o encontro despertou inevitavelmente a memória de outra sessão extraordinária: a apresentação de Evangelho Bantu, realizada pela Alende — Edições, no dia 17 de maio de 2019, na Biblioteca Nacional de Angola, em Luanda.

Aquela tarde de 2019 permanece como um momento inesquecível. Na Biblioteca Nacional de Angola, Kalunga apresentou-se como uma nova voz da poesia angolana, revelando uma escrita que unia a afirmação da identidade bantu, a espiritualidade, o amor, a valorização da mulher, a crítica social e a esperança numa humanidade mais consciente.

Foi também o início de uma relação editorial construída em torno da confiança na palavra e da convicção de que a poesia angolana contemporânea precisava de atravessar fronteiras, chegar a novos leitores e ocupar o seu lugar no espaço literário de língua portuguesa.

Desde então, as apresentações de Kalunga têm adquirido uma dinâmica muito particular. Em vez de sessões convencionais, o poeta cria momentos de participação, diálogo, declamação e pensamento colectivo. O público não permanece apenas como espectador: é frequentemente chamado a entrar no poema, a questionar o seu próprio lugar no mundo e a descobrir a literatura como experiência viva.

Depois da apresentação de Evangelho Bantu em Luanda, em 2019, Kalunga continuou a desenvolver um percurso literário marcado pela publicação, pelo ensino, pela crítica cultural e pela participação em diferentes iniciativas dedicadas à literatura.

O regresso de Evangelho Bantu aos encontros públicos ganhou especial significado em Lisboa. No dia 4 de fevereiro de 2025, a Biblioteca Palácio Galveias recebeu uma apresentação do livro que ultrapassou o formato tradicional e culminou numa surpreendente performance colectiva, com a participação de poetas presentes na sala. A palavra de Kalunga transformou o público numa comunidade momentânea de vozes, ritmos e experiências.

Ainda em 2025, o autor levou Evangelho Bantu à Feira do Livro de Lisboa. A sessão, realizada a 10 de junho, converteu-se numa conversa aberta entre o poeta, o editor e os leitores, permitindo abordar as culturas de Angola, os bantu, a criação literária e o lugar da nova poesia.

Em 2026, esse percurso entrou numa nova fase com a publicação de Matéria Negra. A obra aprofunda a dimensão filosófica e contemplativa da escrita de Kalunga, cruzando memória, resistência, identidade, espiritualidade, fragilidade humana e inquietação perante os problemas do presente.

A apresentação oficial do livro, realizada no dia 13 de maio, na histórica sede d’A Voz do Operário, em Lisboa, abriu o ciclo cultural «A Desconhecida e Surpreendente Literatura Angolana». A sessão contou com a participação da professora e ensaísta Ana Mafalda Leite, que estabeleceu uma ponte entre Evangelho Bantu e Matéria Negra, mostrando a evolução de uma poesia que preserva as suas raízes, mas amplia continuamente os seus territórios.

A passagem de Kalunga pela Feira do Livro de Lisboa de 2026 confirmou essa evolução. A sua presença no dia 4 de junho e a posterior apresentação de Matéria Negra, no dia 7, integraram uma programação dedicada à divulgação da literatura, da história e do pensamento angolanos.

No mesmo dia da apresentação de Matéria Negra,Jornal de Angola publicou uma extensa análise de Luísa Fresta, intitulada «Kalunga transforma a palavra em contemplação e resistência». O texto reconheceu a densidade simbólica da obra e a capacidade do poeta para transformar experiências pessoais e colectivas numa linguagem de grande força estética e humana.

De Luanda a Lisboa, da Biblioteca Nacional de Angola à Biblioteca Palácio Galveias, d’A Voz do Operário à Feira do Livro de Lisboa, as apresentações de Kalunga revelam um poeta que não repete simplesmente os seus livros: recria-os diante do público.

Em cada encontro, João Fernando André demonstra que a poesia pode ser escuta, confronto, memória, conhecimento e aproximação entre pessoas. A sua palavra nasce de Angola, mas dirige-se ao ser humano, às suas contradições e à sua permanente procura de sentido.

Para a Perfil Criativo | Alende | AUTORES.club, acompanhar este percurso desde 2019 representa muito mais do que publicar livros. Representa testemunhar o crescimento de uma voz poética singular e renovar, a cada apresentação, a certeza de que a literatura angolana contemporânea possui autores capazes de transformar a palavra em contemplação, resistência e sabedoria.

Professor Carlos Mariano Manuel Joins International Cancer Control Mission in Namibia

Professor Carlos Mariano Manuel Joins International Cancer Control Mission in Namibia

Angolan physician, pathologist, researcher and author Professor Carlos Mariano Manuel is participating in the international imPACT Review Mission taking place in Namibia from 8 to 13 June 2026.

The mission brings together international specialists and Namibian health authorities to conduct a comprehensive assessment of the country’s capacity to prevent, diagnose and treat cancer, as well as to provide appropriate follow-up and palliative care to patients.

Professor Carlos Mariano Manuel is contributing to the mission through his extensive medical and scientific experience, particularly in the field of pathology, which plays a decisive role in the accurate diagnosis and classification of cancer. His participation represents an important recognition of Angolan expertise within a multidisciplinary international initiative dedicated to strengthening public health systems and improving cancer care.

The imPACT Review — the integrated mission of the Programme of Action for Cancer Therapy — is coordinated by the International Atomic Energy Agency, in collaboration with the World Health Organization and the International Agency for Research on Cancer. It is designed to evaluate a country’s existing cancer-control services, identify institutional and technical gaps, and propose priority interventions suited to its public-health needs and available resources.

During the mission in Namibia, international experts are expected to hold consultations with government representatives, healthcare professionals, hospital administrators, academic institutions and other stakeholders involved in cancer prevention and care. The programme also includes the assessment of health facilities and services related to cancer registration, screening, pathology, medical imaging, surgery, chemotherapy, radiotherapy, nuclear medicine and palliative care.

The conclusions of the review will contribute to a detailed analysis of Namibia’s strengths, challenges and opportunities in cancer control. Its recommendations may support the development or reinforcement of national strategies, specialised training, investment priorities, access to diagnostic and therapeutic technologies, and cooperation with international partners.

Alongside his distinguished career in medicine and pathology, Professor Carlos Mariano Manuel is the author of Treatise on the History of Angola, an ambitious work that reflects his broad intellectual engagement with the political, social and cultural formation of Angola. His presence in Namibia therefore highlights the remarkable profile of a scholar whose work bridges medical science, historical research and African knowledge production.

The participation of Professor Carlos Mariano Manuel in this international mission also strengthens the visibility of Angolan specialists in major African and global cooperation networks. It demonstrates the valuable contribution that Angolan scientific knowledge and professional experience can make to the development of sustainable responses to the growing burden of cancer across the African continent.

Taking place from 8 to 13 June 2026, the imPACT Review Mission represents an important step in Namibia’s efforts to strengthen cancer prevention, early detection, diagnosis, treatment and patient care. Professor Carlos Mariano Manuel’s involvement gives this international initiative a significant Angolan presence and reinforces the importance of scientific cooperation between African countries.

The mission also includes the participation of Angolan physician Nilton Caetano da Rosa, grandson of the distinguished Angolan intellectual and author Mafrano. He represents the Angolan Institute for Cancer Control, where he serves as Director of Education and Training.

Highlighting the importance of his contribution, Professor Carlos Mariano Manuel stated: “I have witnessed the highly valuable contribution that Nilton Caetano da Rosa is making to the mission in the field of oncological surgery, further strengthening the international prestige of Angolan medicine.”

The participation of both specialists underlines the quality of Angola’s medical expertise and reinforces the country’s contribution to international cooperation in cancer prevention, diagnosis and treatment.

Feira do Livro de Lisboa: O Livro continua, a História também

Feira do Livro de Lisboa: O Livro continua, a História também

A programação da editora Perfil Criativo | AUTORES.club, representada pela Promobooks no stand D48 da Feira do Livro de Lisboa, aproxima-se do final com duas apresentações especiais, nos dias 13 e 14 de junho, acompanhadas por sessões de autógrafos e pelo encontro direto entre autores e leitores.

No sábado, 13 de junho, às 20h00, na Praça Vermelha, os autores Hugo Henriques e Hajnalka Henriques apresentam o livro Uma História Interminável, uma obra escrita a duas vozes e marcada pela particularidade de reunir textos em dupla ortografia. O encontro permitirá conhecer o percurso de criação do livro, as histórias que atravessam as suas páginas e o trabalho conjunto desenvolvido pelos dois autores. A sessão de autógrafos realiza-se às 21h00.

No domingo, 14 de junho, às 14h00, na Praça Roxa, o jurista e académico Rui Verde apresenta Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), uma obra que percorre cinco décadas decisivas da história política, económica e institucional do país.

Este último encontro contará com a presença de mais-velhos nacionalistas ligados à luta pela independência de Angola, que irão partilhar os seus testemunhos e experiências sobre vários momentos da história do país. Será uma oportunidade para cruzar a investigação e a interpretação histórica apresentadas no livro com as memórias de quem acompanhou ou participou diretamente na luta de libertação, na independência e nas diferentes fases da construção da República Popular de Angola e da República de Angola.

A apresentação pretende promover um diálogo aberto entre todos, reunindo protagonistas, investigadores, leitores e membros da comunidade angolana em Portugal para refletirem sobre as governações de Agostinho Neto, José Eduardo dos Santos e João Lourenço, os conflitos que marcaram o país e os desafios enfrentados ao longo de cinquenta anos de independência.

A sessão de autógrafos com Rui Verde está marcada para as 15h00.

Estão todos convidados para participarem nestes últimos encontros, conhecerem os autores e celebrarem a literatura, a memória e a história de Angola na Feira do Livro de Lisboa.

Livro com mais de 40 vozes africanas apresentado na Feira do Livro de Lisboa

Livro com mais de 40 vozes africanas apresentado na Feira do Livro de Lisboa

O livro 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos Seus Cidadãos, coordenado pelos académicos Rui Verde e Eugénio Costa Almeida, foi apresentado no passado domingo, 7 de junho de 2026, num encontro especial realizado no Auditório Norte da Feira do Livro de Lisboa.

A obra reúne mais de 40 autores e propõe uma leitura plural dos cinquenta anos de independência dos países africanos de língua oficial portuguesa. Em vez de apresentar uma narrativa única ou uma interpretação fechada da História, o livro abre espaço a diferentes experiências, memórias, opiniões e balanços sobre os caminhos percorridos desde as independências.

Na sua intervenção, o Prof. Doutor Rui Verde destacou precisamente o carácter plural do projeto, defendendo a necessidade de ultrapassar as leituras maniqueístas que dividem o debate entre versões consideradas absolutamente certas ou erradas.

Segundo o coordenador, a obra procura ouvir todas as expressões, incluindo aquelas com as quais os leitores, os autores ou os próprios coordenadores possam não concordar. O objetivo é criar um espaço onde diferentes perspetivas possam ser apresentadas e confrontadas com liberdade.

“É preciso ouvir o outro, quem quer que seja o outro”, afirmou Rui Verde, sublinhando que o livro assume também, nesse sentido, uma dimensão política. Não por defender uma determinada força partidária, mas por transmitir um sinal de tolerância, pluralidade e abertura ao diálogo num tempo em que, segundo observou, muitas pessoas tendem a refugiar-se nas suas próprias zonas de conforto.

Para Rui Verde, o “eu” e o “outro” devem ter igualmente o direito de ser ouvidos. Esta será uma das mensagens essenciais de uma obra que pretende contribuir para um debate mais amplo sobre as independências africanas, reconhecendo que a construção da História exige a presença de vozes diferentes, algumas próximas e outras profundamente divergentes.

O Prof. Doutor Eugénio Costa Almeida recordou, por sua vez, a origem do projeto. A ideia nasceu em 2024, quando apresentou a proposta de realização de uma conferência dedicada aos cinquenta anos das independências africanas. Perante a impossibilidade de concretizar essa iniciativa no âmbito inicialmente previsto, decidiu transformar a proposta num livro.

Em fevereiro, contactou Rui Verde, que aceitou associar-se ao projeto. A partir desse momento, foram enviados cerca de cem convites a personalidades das mais diversas áreas e dos cinco países africanos de língua oficial portuguesa, incluindo chefes de Estado, chefes de Governo, ministros, deputados, académicos, investigadores e representantes da sociedade civil.

Apesar da dimensão do convite, apenas cerca de 40 pessoas acabaram por responder e entregar os seus contributos. Eugénio Costa Almeida explicou que alguns convidados recusaram participar, enquanto outros alegaram incompatibilidades institucionais, responsabilidades governativas ou dificuldades em assumir publicamente determinadas posições.

O coordenador destacou igualmente a reduzida participação feminina. Cerca de 30 convites terão sido dirigidos a mulheres, mas apenas oito responderam positivamente, um número que revela também os obstáculos ainda existentes à representação equilibrada em projetos desta natureza.

Eugénio Costa Almeida referiu ainda as dificuldades sentidas na obtenção de contributos provenientes de alguns países. No caso de Moçambique, contou que chegaram a existir manifestações iniciais de interesse, mas algumas participações acabaram por não se concretizar, aparentemente condicionadas por orientações ou estruturas partidárias.

Em sentido contrário, destacou a colaboração de personalidades de Cabo Verde, que, apesar de atrasos provocados por circunstâncias externas e por uma tempestade que atingiu o país, cumpriram o compromisso assumido e enviaram os seus textos.

O resultado é uma obra coletiva que procura observar meio século de independências africanas através dos próprios cidadãos, reunindo testemunhos, análises e interpretações provenientes de diferentes geografias, gerações, profissões e sensibilidades políticas.

A apresentação na Feira do Livro de Lisboa confirmou a importância de criar espaços onde a História de África possa ser discutida sem silêncios impostos e sem a exigência de uma narrativa única. Mais do que procurar uma conclusão definitiva sobre os últimos cinquenta anos, 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos Seus Cidadãos convida o leitor a conhecer a diversidade de experiências que marcaram a construção dos novos Estados africanos.

Ao reunir mais de 40 autores, o livro transforma-se num exercício de memória, cidadania e liberdade de expressão, dando voz tanto às perspetivas consensuais como às interpretações incómodas ou contraditórias. Uma obra que afirma a necessidade de ouvir, compreender e debater o passado para pensar criticamente o presente e o futuro de África.

Cancelados encontros de literatura angolana previstos para 12 e 14 de junho em Lisboa

Cancelados encontros de literatura angolana previstos para 12 e 14 de junho em Lisboa

A editora Perfil Criativo | AUTORES.club informa, com muita tristeza e frustração, que foram cancelados os encontros literários previstos para os dias 12 e 14 de junho de 2026, na Biblioteca Orlando Ribeiro e na Feira do Livro de Lisboa.

O encontro especial «A Surpreendente e Desconhecida Literatura Angolana», marcado para o dia 12 de junho, às 18h00, na Biblioteca Orlando Ribeiro, não poderá realizar-se devido à impossibilidade de deslocação a Portugal do jornalista sénior e escritor angolano José Soares Caetano, que assina os seus textos literários com o pseudónimo Tazuary Nkeita.

Pelo mesmo motivo, fica igualmente cancelada a programação prevista para o dia 14 de junho, na Praça Roxa e no Auditório Norte da Feira do Livro de Lisboa 2026.

Estava agendada para as 18h00, no Auditório Norte, a apresentação da trilogia Os Bantu na Visão de Mafrano — Volumes I, II e III, de Maurício Francisco Caetano (1916–1982), representado pelo filho e responsável pela edição e preparação dos três volumes da colectânea, José Soares Caetano, seguida de uma sessão de autógrafos às 19h00.

Informamos que José Soares Caetano não recebeu, até ao momento, o necessário visto de entrada em Portugal por parte dos serviços consulares portugueses em Luanda. O pedido foi apresentado em maio de 2026, com a identificação dos diferentes eventos literários agendados em Portugal e acompanhado de um pedido de máxima colaboração na marcação e tramitação do processo.

Apesar dos esforços realizados pela organização, não foi possível assegurar atempadamente a presença do autor em Lisboa, circunstância que inviabiliza a realização dos encontros nas condições inicialmente previstas.

Informamos também que às 19h00, no mesmo auditório, estava prevista a apresentação do livro Mãe Nossa Que Sois o Céu, de Fernando Kawendimba, com sessão de autógrafos marcada para as 20h00. Fernando Kawendimba teve de viajar de urgência para Luanda.

Lamentamos profundamente uma situação inteiramente alheia à vontade dos autores, da editora e das entidades que acolheriam as iniciativas. Apresentamos as nossas sinceras desculpas à equipa da Biblioteca Orlando Ribeiro, às Bibliotecas de Lisboa, à organização da Feira do Livro de Lisboa, aos autores envolvidos em especial ao Presidente da Academia Angolana de Letras, aos leitores e a todas as pessoas que acompanharam a preparação e divulgação destes encontros.

Agradecemos toda a disponibilidade, colaboração e compreensão demonstradas e esperamos poder anunciar, futuramente, novas datas para a realização destas apresentações, logo que estejam reunidas as condições necessárias.

Jornal de Angola destaca a poesia de Kalunga no dia da sua apresentação na Feira do Livro de Lisboa

Jornal de Angola destaca a poesia de Kalunga no dia da sua apresentação na Feira do Livro de Lisboa

Jornal de Angola publicou hoje, 7 de junho, no suplemento Fim-de-Semana, um amplo texto de Luísa Fresta dedicado ao livro Matéria Negra, de João Fernando André, conhecido nos movimentos literários angolanos como Kalunga.

Sob o título «Kalunga transforma a palavra em contemplação e resistência», a autora apresenta o mais recente livro do poeta angolano como uma obra que alia intensidade, musicalidade, consciência social e reflexão sobre a condição humana.

Luísa Fresta sublinha que, em Matéria Negra, o verso transforma-se num espaço de contemplação e resistência, onde convivem a memória, a dor, a esperança, a espiritualidade e a inquietação perante os grandes desafios do presente.

A análise destaca igualmente a riqueza da linguagem de Kalunga, marcada pelo uso de imagens, símbolos, ritmos e referências culturais diversas. A língua portuguesa surge enriquecida por sonoridades, expressões e memórias angolanas, numa escrita que procura abrir novos caminhos de leitura e interpretação.

Ao longo do artigo, a poesia de Kalunga é apresentada como uma voz atenta às desigualdades, à fragilidade da vida, à liberdade, ao amor, à identidade e à necessidade de reconstrução humana. Luísa Fresta considera que o poeta transforma experiências individuais e colectivas numa linguagem de forte dimensão estética e social.

A publicação acontece precisamente no dia em que Kalunga apresenta Matéria Negra na Feira do Livro de Lisboa. O encontro está marcado para hoje, às 20h00, no Auditório Norte, constituindo uma oportunidade especial para conhecer o autor, ouvir a sua poesia e participar numa conversa sobre uma das mais recentes propostas da literatura angolana contemporânea.

Para o editor da Perfil Criativo | AUTORES.club João Fernando André é um representante da nova poesia de Angola e um verdadeiro embaixador cultural.

Depois da apresentação, Kalunga estará disponível para uma sessão de autógrafos, às 21h00.

7 de junho de 2026, às 20h00
Auditório Norte — Feira do Livro de Lisboa
Sessão de autógrafos às 21h00

Matéria Negra
Matéria Negra

Descobrir a nova literatura de Angola hoje na Feira do Livro de Lisboa

Descobrir a nova literatura de Angola hoje na Feira do Livro de Lisboa

Perfil Criativo | AUTORES.club convida todos os leitores a participarem, neste domingo, 7 de junho, em três encontros especiais dedicados à política, à memória, à poesia e à literatura contemporânea de Angola e dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

A programação decorre a partir das 18h00, no Auditório Norte da Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII. Depois de cada apresentação, os autores estarão no Pavilhão D48 — Pavilhão Papa-Letras | Promobooks.net, para conversarem com os leitores e autografarem as suas obras.

Às 18h00, será apresentada a obra coletiva 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos, coordenada por Rui Verde e Eugénio Costa Almeida. O livro reúne cerca de 40 autores e personalidades dos países africanos de língua portuguesa, que fazem um balanço plural de meio século de independências. Através da memória, do testemunho, da história, da análise política e da reflexão sobre a cidadania, a obra aborda os sonhos das libertações nacionais, os caminhos percorridos pelos novos Estados, os conflitos, os autoritarismos, os processos de democratização e os desafios ainda presentes no desenvolvimento das sociedades africanas. A sessão de autógrafos realiza-se às 19h00.

Às 19h00, terá lugar o lançamento de 42.4 — A Voz dos Dibengo, de Tazuary Nkeita, pseudónimo literário do jornalista José da Costa Soares Caetano. Nesta nova edição revista, o autor dá voz aos Dibengo e a outras experiências humanas ligadas à memória, ao território, à identidade e à consciência social. A obra cruza literatura, cultura e história, revelando uma escrita profundamente ligada às comunidades angolanas e aos seus modos de compreender a vida, a pertença e as transformações da sociedade. Autógrafos às 20h00.

Às 20h00, será apresentado o poemário Matéria Negra, de Kalunga, nome literário de João Fernando André. Numa poesia intensa, contemporânea e surpreendente, Kalunga transforma a palavra num espaço de interrogação sobre Angola, a identidade africana, a memória, o corpo, a ancestralidade e a condição humana. O livro afirma uma voz poética própria, simultaneamente inquieta e consciente, que recupera referências culturais africanas e as coloca em diálogo com as grandes questões do mundo atual. A sessão de autógrafos decorre às 21h00.

Este será um encontro especial para descobrir a nova literatura de Angola, conhecer diferentes gerações de autores e aproximar os leitores de obras que interrogam o passado, interpretam o presente e ajudam a imaginar o futuro.

Hoje, 7 de junho de 2026
Auditório Norte — Feira do Livro de Lisboa
18h00 — 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos
19h00 — 42.4 — A Voz dos Dibengo
20h00 — Matéria Negra

Sessões de autógrafos no Pavilhão D48 — Pavilhão Papa-Letras | Promobooks.net.

História de Angola Independente em debate num animado fim de tarde na Voz do Operário

História de Angola Independente em debate num animado fim de tarde na Voz do Operário

Num momento em que se multiplicam em Lisboa os encontros dedicados à literatura, à história e ao pensamento angolano, o académico e escritor Rui Verde apresentou, em sessão informal de pré-lançamento, o seu novo livro Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), num encontro participado que decorreu na Voz do Operário, em pleno ambiente festivo dos Santos Populares.

Perante uma assistência atenta e interventiva, o autor foi convidado a explicar as opções que orientaram a construção da obra. Questionado sobre se a narrativa não estaria excessivamente centrada nas questões económicas, Rui Verde rejeitou essa leitura, sublinhando que o livro procura articular os desenvolvimentos económicos com a evolução política do país, dedicando particular atenção ao período posterior a 2010, fase que acompanhou mais de perto enquanto observador da realidade angolana.

Outra das questões colocadas incidiu sobre as fontes utilizadas e sobre a eventual realização de entrevistas para a preparação da obra. O autor explicou a metodologia seguida, centrada sobretudo na análise documental, bibliográfica e na observação dos acontecimentos ao longo das últimas décadas.

O debate ganhou especial intensidade quando um dos participantes, antigo militar das FAPLA, recordou episódios relacionados com perseguições étnicas ocorridas no processo de independência angolana, defendendo que estes temas merecem maior aprofundamento nos trabalhos historiográficos. Já a filha do histórico nacionalista Mário Pinto de Andrade questionou a forma como é retratada a fundação do partido-Estado, o MPLA, considerando que determinadas leituras da história contemporânea podem contribuir para a consolidação de narrativas que, na sua opinião, não refletem ta verdade dos acontecimentos.

As intervenções revelaram que, cinquenta anos após a independência, a história recente de Angola continua a suscitar interpretações diversas, memórias contraditórias e debates apaixonados, demonstrando a importância de obras que promovam o confronto de perspetivas e a reflexão crítica.

Também o editor foi chamado a intervir, desta vez sobre a circulação e distribuição da obra em Angola. Questionado sobre as possibilidades de chegar aos leitores angolanos, recordou o enorme potencial de um país com mais de 30 milhões de habitantes, lamentando, contudo, que o reduzido poder de compra de grande parte da população continue a impedir milhões de pessoas de aceder aos livros e à leitura.

Entre perguntas, comentários e testemunhos pessoais, o encontro prolongou-se por mais de duas horas, transformando-se numa conversa aberta sobre história, memória, política e cidadania. Num fim de tarde marcado pelo ambiente popular das festas lisboetas, a sessão confirmou o crescente interesse do público pelos temas angolanos e antecipou o lançamento de uma obra que promete alimentar novas discussões sobre os cinquenta anos da Angola independente.

O autor, Rui Verde, e o editor da Perfil Criativo | AUTORES.club