Da Ruptura ao Diálogo: Portugal e Angola vistos pela imprensa da época

Da Ruptura ao Diálogo: Portugal e Angola vistos pela imprensa da época

A Perfil Criativo | AUTORES.club publica, em Setembro de 2026, o livro Portugal e Angola: O Difícil Reencontro. Relações político-diplomáticas no pós-independência, 1976–1985, de Salomão Arão Chipeco.

Integrada na colecção “Trabalhos Académicos”, a obra resulta da tese de doutoramento em História, Estudos de Segurança e Defesa desenvolvida pelo autor no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, sob orientação do Professor Catedrático Luís Nuno Rodrigues. O estudo analisa um dos períodos mais sensíveis e menos explorados da história contemporânea das relações entre Angola e Portugal: a primeira década que se seguiu à independência angolana e à consolidação do regime democrático português. 

Entre 1976 e 1985, Lisboa e Luanda viveram uma relação marcada por desconfianças herdadas do passado colonial, tensões políticas, suspensões diplomáticas, tentativas de normalização e interesses económicos que mantiveram abertos os canais de diálogo. O livro acompanha o reconhecimento da República Popular de Angola pelo Governo português, a suspensão e o restabelecimento das relações diplomáticas, a nomeação de embaixadores, o papel da Presidência da República Portuguesa, o Acordo Geral de Cooperação e os trabalhos da Comissão Mista Luso-Angolana. Analisa ainda o impacto da Guerra Fria e das actividades desenvolvidas em Portugal pela UNITA e pela FNLA no relacionamento entre os dois Estados. 

Os jornais como fonte da História

Um dos aspectos mais relevantes desta investigação é o amplo levantamento da imprensa portuguesa e angolana da época. Salomão Arão Chipeco consultou inúmeros artigos de jornais e revistas, cruzando-os com documentação diplomática, correspondência oficial, relatórios governamentais, debates parlamentares, programas dos governos constitucionais e testemunhos contemporâneos. Este confronto entre diferentes fontes permite reconstruir, com maior minúcia, a forma como as decisões políticas foram tomadas, divulgadas e interpretadas nos dois países. 

A imprensa não surge apenas como registo dos acontecimentos. O livro demonstra que os jornais participaram activamente na construção das percepções políticas, na divulgação das actividades dos movimentos angolanos em Portugal e, em determinados momentos, no agravamento das tensões entre os governos de Lisboa e Luanda. Entre os periódicos mobilizados encontram-se títulos como A Província de Angola, o Diário de Lisboa, o Diário de Notícias, o Expresso, o Jornal de Angola e o África Jornal, entre outros. Um exemplo analisado é a cobertura das actividades da UNITA em Portugal e a forma como essas notícias interferiram no debate sobre as relações “Estado a Estado”. 

Ao colocar lado a lado notícias, documentos oficiais e decisões governamentais, o autor permite ao leitor observar não apenas o que aconteceu, mas também como os acontecimentos foram apresentados à opinião pública e utilizados no confronto diplomático. A obra revela, assim, o valor dos jornais como fonte histórica e como intervenientes na própria evolução das relações luso-angolanas.

No prefácio, Luís Nuno Rodrigues destaca a amplitude do levantamento documental, o rigor metodológico e a capacidade do autor para cruzar perspectivas frequentemente divergentes, considerando a publicação um contributo duradouro para o conhecimento histórico das relações entre os dois países.

Com esta nova edição da colecção “Trabalhos Académicos”, a Perfil Criativo | AUTORES.club reforça o seu compromisso de aproximar investigações universitárias rigorosas de um público leitor mais vasto e de fortalecer as pontes históricas, culturais e intelectuais entre Angola e Portugal.

Uma obra destinada a investigadores, estudantes, diplomatas, jornalistas e leitores interessados na história contemporânea de Angola e Portugal, nas relações internacionais e no papel da imprensa na construção do debate político-diplomático.

Ficha técnica

Título: Portugal e Angola: O Difícil Reencontro. Relações político-diplomáticas no pós-independência, 1976–1985
Autor: Salomão Arão Chipeco
Prefácio: Luís Nuno Rodrigues
Editora: Perfil Criativo – Edições | AUTORES.club
Colecção: Trabalhos Académicos
Primeira edição: Setembro de 2026
ISBN: 978-989-9209-44-2
Número de páginas: 310
Língua: Português

Índice

Prefácio de Luís Nuno Rodrigues
Resumo

Abstract
Glossário de Siglas


INTRODUÇÃO
Objeto de Estudo e Escolha do Tema
Escolha da Cronologia
Objetivos da Investigação
A Problemática
Hipóteses
Metodologia de Investigação
Fontes
Estado da Questão


CAPÍTULO I – CONTEXTO HISTÓRICO DAS RELAÇÕES ENTRE PORTUGAL E ANGOLA
Nota Introdutória
O Golpe de Estado do 25 de abril de 1974 em Lisboa
Angola, período da transferência do poder: Do 25 de abril ao Alvor
Acordos de Cessar-fogo entre autoridades portuguesas com FNLA e o MPLA
Do Alvor à independência da República Popular de Angola
A internacionalização da Guerra Civil
Proclamação da Independência e Reconhecimento da RPA
Campanha Diplomática dos EUA para não reconhecer a R.P. de Angola
Nota Conclusiva do Capítulo


CAPÍTULO II – CONTEXTO INTERNACIONAL DAS RELAÇÕES ENTRE PORTUGAL E ANGOLA
Nota Introdutória
A legitimação Internacional da RPA junto da OUA, dos países da CEE e Portugal
Reconhecimento da RPA pelos países da CEE e pelo Governo português
Estabelecimento de relações diplomáticas entre Portugal e Angola
As tropas sul-africanas retiram-se de Angola
Deterioração das Relações Luso-Angolanas
Suspensão das Relações Diplomáticas por iniciativa de Angola
Nota Conclusiva do Capítulo

CAPÍTULO III – I E II GOVERNOS CONSTITUCIONAIS E AS RELAÇÕES COM ANGOLA
Nota Introdutória
Portugal: Breve Contextualização Política
Angola: Breve Contextualização Política
Contactos bilaterais Portugal e Angola
Portugal e a Admissão de Angola na ONU
Institucionalização da normalização das relações Portugal e Angola
Chegada do primeiro Embaixador angolano em Portugal
Importância da Cimeira de Bissau na normalização das Relações Luso-Angolanas
Nota Conclusiva do Capítulo


CAPÍTULO IV – III, IV E V GOVERNOS CONSTITUCIONAIS DE INICIATIVA PRESIDENCIAL E AS RELAÇÕES COM ANGOLA
Nota Introdutória
Portugal: Breve Contextualização Política
Angola: Breve Contextualização Política
Contactos bilaterais entre Portugal e Angola
4.1. Ratificação do Acordo Geral de Cooperação
Início dos Trabalhos da Comissão Mista Luso-Angolana
Nota Conclusiva do Capítulo


CAPÍTULO V – VI, VII E VIII GOVERNOS CONSTITUCIONAIS E AS RELAÇÕES COM ANGOLA
Nota Introdutória
Portugal: Breve Contextualização Política
Angola: Breve Contextualização Política
Contactos bilaterais Portugal e Angola
Incremento das relações Luso-Angolanas
Fases do desbloqueamento nas Relações Luso-Angolanas
II Sessão da Comissão Mista Permanente Luso-Angolana
Nota Conclusiva do capítulo


CAPÍTULO VI – IX GOVERNO CONSTITUCIONAL E AS RELAÇÕES COM ANGOLA
Nota Introdutória
Portugal: Breve Contextualização Política
Angola: Breve Contextualização Política
Contactos bilaterais Portugal e Angola
Dificuldades nas Relações Luso-Angolanas
A RPA opta pelo incremento da Cooperação com Espanha em vez de Lisboa
Nota Conclusiva do capítulo
Conclusão Geral
Referências Bibliográficas


ANEXOS
ANEXO A – Quadro I – Evolução da Balança Comercial entre Portugal e a República Papular de Angola (1982-1985)
ANEXO B – Quadro II – Principais Produtos Importados de Angola (1982-1985)
ANEXO C – Quadro III – Principais Produtos Exportados de Angola (por classe e produtos)
ANEXO D – Quadro IV – Principais Produtos Exportados para Angola (por artigos e pauta)

Cosmopolitismo e palavra: «Matéria Negra» esgota na União dos Escritores Angolanos

Cosmopolitismo e palavra: «Matéria Negra» esgota na União dos Escritores Angolanos

Edmira Cariango destacou o diálogo entre civilizações e a ousadia estética de uma obra que transforma a palavra num instrumento de conhecimento, crítica e esperança

O livro Matéria Negra, de Kalunga, foi apresentado na quarta-feira, 22 de Julho de 2026, na União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda, numa sessão marcada pela leitura crítica de Edmira Cariango e pelo forte interesse do público. Os raros exemplares disponíveis esgotaram-se, confirmando a procura em torno de uma obra especial, tanto pela singularidade da sua proposta poética como pela reduzida disponibilidade no mercado.

Editado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, o poemário constitui a quarta obra a solo de Kalunga, nome literário de João Fernando André. Na sua intervenção, Edmira Cariango enquadrou o autor na geração literária angolana do pós-quatro de Abril, cuja presença se tornou mais visível a partir da década de 2010, e destacou o trabalho exigente que o poeta realiza sobre a palavra, simultaneamente matéria, instrumento e tema da sua criação.

Segundo a apresentadora, a «matéria negra» evocada no título remete para uma energia invisível que sustenta o todo e funciona, na obra, como metáfora de uma força profunda, difícil de apreender, mas perceptível nos seres, na História e na consciência. É a partir dessa substância que Kalunga procura forjar uma sabedoria capaz de afirmar a autonomia dos conhecimentos africanos, sem os isolar da experiência universal.

Edmira Cariango salientou que a poesia de Kalunga estabelece um diálogo constante entre o património tradicional e as linguagens da modernidade. A palavra surge como meio de interpretar a experiência humana, ultrapassar a aparência das coisas e revelar as contradições entre o belo e o feio, o natural e o artificial, o justo e o injusto. Por isso, a leitura de Matéria Negra exige atenção, releitura e disponibilidade para descobrir os vários sentidos contidos nos poemas.

Na dimensão estética, a obra combina verso livre, repetições, jogos de palavras, imagens simbólicas, paradoxos e outros recursos sonoros e semânticos. Essa construção formal não é apresentada como um simples exercício de estilo: serve uma poesia interventiva, atenta aos mecanismos que produzem desigualdade, sofrimento, guerra e exclusão.

Ao analisar o poema «Para Onde Vão os Sinos», Edmira Cariango mostrou como as imagens do mar, dos peixes e dos coletes salva-vidas podem sugerir um mundo em que muitos são asfixiados por desigualdades persistentes e por promessas continuamente adiadas:

«Peixes em fragmentos, em afogamento, procurando coletes salva-vidas na retina dos corações. Mosseques abissais espreitando-se no tempo, fedem de promessas. A dor, a dor, a dor assedia.»

Para a oradora, a literatura é uma construção humana e racional que obriga quem escreve e quem lê a questionar o mundo. Em Matéria Negra, essa dimensão adquire também um sentido histórico e político: os poemas observam criticamente os discursos do poder, recordam experiências de guerra, interrogam o capitalismo e alertam para a possibilidade de novas formas de autoritarismo ou colonialismo surgirem sob a aparência da igualdade e da autonomia cultural.

Mas a poesia de Kalunga não se limita à denúncia. Entre a inquietação e o desconforto, abre espaço à reconstrução, à renovação das crenças e à possibilidade de «refazer amanhãs». Edmira Cariango sublinhou a presença de uma voz poética que aconselha o leitor a enfrentar a dureza da vida, a transpor caminhos e, se necessário, a «reinventar o sol».

O cosmopolitismo de Matéria Negra manifesta-se precisamente nessa capacidade de fazer conviver referências africanas e universais, experiências terrestres e celestes, memória histórica e interrogações contemporâneas. Ao valorizar diferentes vozes e saberes, o livro contesta hierarquias culturais e crenças de superioridade, propondo uma ideia de humanidade para além das divisões raciais e das linhas abissais que continuam a organizar o mundo.

O interesse demonstrado pelos leitores na UEA teve uma expressão imediata: todos os exemplares disponíveis esgotaram-se. Perante a procura, João Ricardo Rodrigues, editor da Perfil Criativo | AUTORES.club, comprometeu-se a enviar mais exemplares raros para Luanda, de modo a responder ao interesse manifestado e a permitir que Matéria Negra chegue a um número mais alargado de leitores.

Matéria Negra
Matéria Negra

M. Neto Costa apresentou em Luanda um «perfil do Estado» traçado pelas políticas públicas

M. Neto Costa apresentou em Luanda um «perfil do Estado» traçado pelas políticas públicas

O economista M. Neto Costa apresentou oficialmente, na quinta-feira, 9 de Julho de 2026, na Academia BAI, em Luanda, o livro Angola — Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023), uma edição da Perfil Criativo | AUTORES.club que reúne artigos de opinião e análise económica publicados no Novo Jornal entre 2021 e 2023.

A mesa de honra foi constituída por Armindo Laureano, Director do Novo Jornal, em representação da editora; pelo Doutor Fernandes Wanda, Coordenador do Centro de Investigação Social e Económica (CISE) da Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto; e pelo autor, M. Neto Costa.

Na sua intervenção, Armindo Laureano recordou as circunstâncias que estiveram na origem da colaboração de M. Neto Costa com o Novo Jornal. O convite surgiu depois de o economista apresentar uma espécie de «defesa de honra», na sequência de um artigo publicado pelo semanário sobre a sua participação num concurso para juízes do Tribunal de Contas.
O Director do Novo Jornal destacou igualmente que a obra reúne textos dedicados à economia e às políticas públicas angolanas, publicados ao longo de três anos. O livro ficou preparado para edição em 2024, mas, devido a constrangimentos editoriais, apenas viria a ser publicado, pela Perfil Criativo | AUTORES.club, em Maio de 2026.

Uma crítica fundamentada que aponta alternativas

Responsável pela apresentação e comentário da obra, Fernandes Wanda salientou o carácter diversificado dos textos e a apreciação crítica da governação, sustentada por fundamentos técnicos e acompanhada pela apresentação de possíveis soluções.

Embora escritos entre 2021 e 2023, muitos dos artigos mantêm plena actualidade. Algumas matérias analisadas pelo autor foram entretanto objecto de intervenção governativa, pelo menos no plano legal, designadamente as Parcerias Público-Privadas enquanto instrumento de financiamento do investimento público e a criação de uma base de dados dos beneficiários efectivos das empresas.

Para Fernandes Wanda, os textos reunidos no livro constituem um contributo relevante para a reflexão e para o debate nacional em torno das respostas aos problemas económicos e sociais que Angola continua a enfrentar.

Das instituições aos resultados concretos

M. Neto Costa estabeleceu uma relação entre esta obra e o seu primeiro livro. Se, no trabalho anterior, analisou a situação económica de Angola após 45 anos de Independência através de uma abordagem top-down, começando pela natureza das instituições políticas e económicas que definiram o quadro político-institucional e condicionaram as políticas públicas, em Angola — Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023) parte de exemplos concretos.

Os artigos apresentam resultados de políticas públicas consideradas ineficientes ou ineficazes, cujos efeitos, quando observados em conjunto, permitem traçar o perfil do Estado existente. O autor sintetizou, assim, o sentido da obra:

«Um livro; o perfil de um Estado traçado pelas suas acções e omissões; e as alternativas para o futuro.»

Liberdade técnica e responsabilidade pública

A apresentação prosseguiu com uma animada interacção entre o autor e os participantes. Uma das questões colocadas procurou saber se M. Neto Costa se sentia inteiramente à vontade para assumir uma posição crítica perante a governação, tendo em conta que integrou anteriormente o Governo angolano.

O economista respondeu que sempre manifestou os seus pontos de vista com liberdade técnica, autonomia e independência. Enquanto membro do Executivo, explicou, defendia as suas posições através dos canais institucionais adequados.

A sessão confirmou a importância de preservar espaços públicos de análise e contraditório sobre a governação. Ao reunir três anos de observação crítica das políticas públicas, a obra não se limita a registar os problemas: procura identificar as suas causas e colocar em debate alternativas para o futuro de Angola.

Angola — Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023) encontra-se disponível em Luanda, na Livraria e Papelaria Komutú, no Largo das Escolas, com entrada pelo pátio da União dos Escritores Angolanos.

Kalunga regressa à União dos Escritores Angolanos

Kalunga regressa à União dos Escritores Angolanos

A União dos Escritores Angolanos (UEA) recebe, no dia 22 de Julho de 2026, quarta-feira, às 16h30, mais uma edição da iniciativa cultural “Maka à Quarta-Feira”. A sessão, marcada para a Sala de Conferências da instituição, em Luanda, será dedicada ao tema “Gerações Literárias em Angola: o caso do Ohandanji” e culminará com a apresentação de Matéria Negra, a mais recente obra poética de Kalunga.

O encontro propõe uma reflexão sobre a evolução da literatura angolana, o contributo das sucessivas gerações de escritores e o lugar ocupado pelo Ohandanji. Surgido em Luanda, em 1984, este colectivo ficou associado à chamada Geração de 80 e à procura de novas linguagens e rupturas estéticas no período posterior à Independência.

A prelecção estará a cargo do escritor, investigador e crítico literário João Fernando André, nome do poeta Kalunga, que analisará o surgimento, os propósitos, o manifesto e os principais protagonistas do Ohandanji. A escolha do prelector aproxima duas gerações: a que procurou renovar a literatura angolana nos anos 1980 e uma nova geração que continua a interrogar a história, a identidade e as transformações da sociedade através da palavra.

Natural da Cahama, província do Cunene, João Fernando André é professor, investigador, ensaísta, jornalista cultural e consultor. Mestre em Literaturas em Língua Portuguesa pela Universidade Agostinho Neto, encontra-se a realizar o doutoramento em Literaturas, Artes e Culturas Modernas na Universidade de Lisboa. É membro da União dos Escritores Angolanos, instituição em que se destacou como um dos membros mais jovens, e tem desenvolvido uma presença regular em encontros, conferências, feiras do livro e projectos culturais em Angola e Portugal. É também autor de títulos como Evangelho BantuO Dia em que uma Pedra Virou Lua e Lumbu — A Alquimia das Palavras.

Depois da reflexão sobre o Ohandanji, será apresentada a obra Matéria Negra, por Edmira Cariango Manuel. Publicado em 2026 pela editora Perfil Criativo | AUTORES.club, com sede em Portugal e um catálogo fortemente dedicado aos autores angolanos, o livro assinala uma nova etapa na trajectória literária de Kalunga.

Em Matéria Negra, a palavra assume-se como espaço de contemplação, inquietação e resistência. A experiência individual cruza-se com uma consciência mais ampla das feridas do mundo, da memória africana e das tensões do presente. Depois da apresentação oficial realizada em Maio, no histórico edifício de A Voz do Operário, em Lisboa, e da sua passagem pela Feira do Livro de Lisboa, a obra chega agora à UEA, reencontrando o espaço institucional da literatura.

Durante a sessão, Matéria Negra poderá ser adquirida pelo preço de 10.000 kwanzas. Para compra antecipada, os interessados poderão enviar uma mensagem através do Messenger ou WhatsApp. A edição é limitada.

Integrada no programa cultural permanente da União dos Escritores Angolanos, a “Maka à Quarta-Feira” procura fomentar o diálogo literário, incentivar a leitura e aproximar escritores, investigadores, estudantes e leitores.

Data: 22 de Julho de 2026
Hora: 16h30
Local: Sala de Conferências da União dos Escritores Angolanos, Luanda
Entrada: aberta ao público

Orquestra Nacional de Angola: quando a música se transforma numa referência

Orquestra Nacional de Angola: quando a música se transforma numa referência

A institucionalização da Orquestra Nacional de Angola representa um dos mais relevantes investimentos culturais realizados pela República de Angola nos últimos anos. Mais do que criar uma formação destinada a interpretar música clássica, o projecto abre caminho para a formação de músicos, para a valorização do património musical nacional e para uma presença mais afirmativa nos grandes palcos internacionais.

A Orquestra Nacional de Angola, abreviadamente designada por ONA, recebeu enquadramento jurídico através do Decreto Presidencial n.º 69/26, de 20 de Abril, publicado no Diário da República. O diploma reconhece-a como um serviço de interesse público do Estado, sujeito a gestão privada e habilitado a desenvolver actividades em todo o território nacional.

O documento estabelece como finalidades da ONA a promoção da cultura e da música clássica angolana, a realização de concertos no país e no estrangeiro e a formação artística e profissional de músicos, gestores e técnicos. A instituição deverá igualmente fomentar a música erudita nas suas diferentes manifestações, aproximá-la de outras expressões artísticas e contribuir para que um público mais amplo possa participar na criação e fruição cultural.

Uma orquestra construída com jovens angolanos

O projecto começou a ganhar visibilidade pública antes da sua institucionalização formal. Em Janeiro de 2025, a Orquestra Nacional apresentou-se no Centro de Conferências de Belas, em Luanda.

A formação reuniu então 107 adolescentes e jovens, com idades entre os 14 e os 30 anos, provenientes de várias províncias e seleccionados através de um processo de inscrição e avaliação. Sob a direcção do maestro brasileiro Ricardo Castro, os jovens interpretaram o Hino Nacional e obras de compositores angolanos e internacionais, dos séculos XVII ao XXI. 

A iniciativa foi inicialmente impulsionada pela Fundação Ngana Zenza para o Desenvolvimento Comunitário, instituição que tem desenvolvido programas dirigidos às comunidades, aos jovens e a outros grupos socialmente vulneráveis. A passagem de um projecto apoiado pela sociedade civil para uma instituição reconhecida pelo Estado permite-lhe agora adquirir maior continuidade, responsabilidade pública e capacidade de intervenção nacional. 

Em Março de 2026, o Conselho de Ministros apreciou formalmente o projecto de criação da ONA, definindo-a como uma instituição centrada na inclusão social e na formação artística, destinada a divulgar a tradição musical angolana através de uma actividade sinfónica de dimensão internacional. A institucionalização seria confirmada no mês seguinte pelo Decreto Presidencial

Levar a música angolana para o universo sinfónico

A importância da Orquestra Nacional não deve ser medida apenas pelo número de concertos realizados. A sua verdadeira dimensão estará na capacidade de construir uma escola, formar profissionais e criar um repertório que transporte para a linguagem sinfónica a diversidade cultural.

Angola possui uma extraordinária riqueza musical, resultante das culturas e línguas presentes no seu território, dos instrumentos tradicionais, das expressões religiosas, dos cantos de trabalho, das músicas urbanas e da criação de sucessivas gerações de compositores e intérpretes.

Uma Orquestra Nacional pode estudar, transcrever, preservar e reinterpretar esse património. Pode aproximar a música erudita das tradições populares, encomendar obras a compositores angolanos e criar novas leituras de géneros como a semba, a rebita, a kazukuta, o kilapanga e outras manifestações musicais das diferentes regiões do país.

O próprio diploma de institucionalização aponta para o cruzamento da música erudita com outras expressões artísticas. Esta abertura será essencial para evitar que a Orquestra Nacional se limite à reprodução do repertório clássico europeu. O seu maior contributo poderá estar precisamente na construção de uma linguagem sinfónica angolana, contemporânea e reconhecível.

Formar músicos, técnicos e públicos

Uma orquestra desta natureza necessita de violinistas, violoncelistas, contrabaixistas, instrumentistas de sopro, percussionistas, pianistas e maestros. Mas depende igualmente de afinadores, técnicos de som e iluminação, arquivistas musicais, produtores, gestores culturais, compositores e professores.

Por esse motivo, a ONA pode tornar-se uma verdadeira plataforma de profissionalização do sector musical. A criação de bolsas de estudo, academias, programas de iniciação musical, estágios e parcerias com instituições nacionais e estrangeiras ajudaria a consolidar carreiras que ainda encontram poucas oportunidades profissionais no país.

O projecto poderá também desempenhar um papel decisivo na formação de públicos. Concertos pedagógicos nas escolas, apresentações nas províncias, programas para crianças e famílias e transmissões através da televisão, rádio e plataformas digitais permitiriam retirar a música sinfónica dos espaços exclusivamente institucionais e colocá-la ao alcance da população.

O facto de o regime jurídico determinar que a ONA pode actuar em qualquer parte do território nacional é especialmente relevante. A sua verdadeira vocação nacional dependerá da capacidade de realizar concertos para além de Luanda, identificar talentos nas diferentes províncias e colaborar com escolas, igrejas, grupos corais, bandas e projectos musicais locais.

Uma responsabilidade para o futuro

A criação da Orquestra Nacional é uma conquista cultural, mas representa igualmente uma grande responsabilidade. Uma orquestra não se constrói apenas com uma apresentação solene ou com a aquisição de instrumentos. Exige financiamento regular, direcção artística competente, instalações apropriadas, programas de formação permanentes e critérios transparentes de recrutamento e gestão.

Será também importante tornar públicos o plano de actividades, o modelo de financiamento, a programação anual e a estratégia de implantação territorial. A continuidade do projecto dependerá da sua capacidade de se afirmar como uma instituição nacional aberta, profissional e independente dos ciclos políticos.

Ao institucionalizar a ONA, Angola reconhece que a música não é apenas entretenimento: é educação, memória, conhecimento, disciplina, criação e representação nacional.

Num país jovem, diverso e com uma tradição musical de enorme vitalidade, a Orquestra Nacional pode transformar-se num espaço onde diferentes gerações, províncias e sensibilidades culturais aprendem a escutar-se mutuamente. Tal como numa orquestra, cada voz mantém a sua identidade, mas contribui para uma obra comum.

A grande expectativa é que este projecto seja capaz de colocar a riqueza musical angolana no centro do seu repertório e de mostrar, dentro e fora do país, que Angola também pode contar a sua História através da força universal da música.

Orquestra Nacional de Angola durante uma apresentação em Luanda. Fotografia cedida pela Orquestra Nacional de Angola.

A Cultura nos cinquenta anos da República

Este projecto ganha também particular significado por decorrer sob a tutela do ministro da Cultura, Filipe Silvino de Pina Zau, académico, escritor, músico e investigador com uma longa ligação à educação e à reflexão sobre a identidade cultural angolana.

Filipe Zau, que é igualmente autor publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, tem defendido uma compreensão da cultura que ultrapassa o entretenimento e coloca-a no centro da educação, da construção da cidadania e do desenvolvimento nacional. A consolidação da Orquestra Nacional de Angola poderá, assim, representar uma das expressões mais relevantes dessa visão: formar jovens, preservar a memória musical do país e projectar a criação angolana no mundo.

"Marítimos" de Filipe Zau
Marítimos” de Filipe Zau
"O Canto Terceiro da Sereia — O Encanto" de Filipe Zau e Filipe Mukenga
O Canto Terceiro da Sereia — O Encanto” de Filipe Zau e Filipe Mukenga

Memórias das FALA chegam às mãos da investigadora brasileira Jéssica Höring

Memórias das FALA chegam às mãos da investigadora brasileira Jéssica Höring

O brigadeiro Fonseca Chindondo recebeu recentemente a visita da investigadora brasileira Jéssica da Silva Höring, num encontro dedicado à História contemporânea de Angola e à preservação da memória dos seus protagonistas.

Na biblioteca pessoal do autor, Jéssica Höring teve acesso ao livro Memórias das FALA — O Avanço no Norte e a Guerra Psicológica (1975–1992), publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club. A obra constitui uma importante fonte documental para as investigações que a académica vem desenvolvendo sobre a trajectória da UNITA, os seus militantes e os diferentes momentos da luta de libertação e do conflito armado angolano.

Doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo e licenciada em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Jéssica Höring tem dedicado uma parte significativa do seu percurso académico ao estudo de Angola. Entre os seus trabalhos encontram-se investigações sobre o processo constitucional angolano, as origens da UNITA e as trajectórias de diferentes gerações de activistas ligados ao movimento.

Escrito a partir da experiência directa do brigadeiro Fonseca ChindondoMemórias das FALA recupera episódios relacionados com o avanço militar no Norte de Angola, a organização das Forças Armadas de Libertação de Angola e o papel da guerra psicológica entre 1975 e 1992. Prefaciado pela investigadora Paula Cristina Roque, o livro contribui para uma leitura mais ampla e plural de um período determinante da história nacional.

O encontro ficou registado numa fotografia para memória futura, na biblioteca do autor, simbolizando a necessária aproximação entre os testemunhos dos protagonistas e o trabalho rigoroso da investigação académica.

Em Angola, o livro está disponível pelo preço de 22.000,00 Kz e pode ser encomendado através dos contactos:

  • +244 922 752 494
  • +244 936 023 299
Memórias das FALA — O Avanço no Norte e a Guerra Psicológica (1975-1992)", do brigadeiro Fonseca Chindondo
Memórias das FALA — O Avanço no Norte e a Guerra Psicológica (1975-1992), do brigadeiro Fonseca Chindondo

Luanda prepara-se para receber o lançamento oficial de Faro e Enigmas, de Elsa Major

Luanda prepara-se para receber o lançamento oficial de Faro e Enigmas, de Elsa Major

Depois da apresentação em Portugal, a poeta Elsa Major regressa para o lançamento oficial em Angola da sua mais recente obra, Faro e Enigmas — Poesia. A sessão terá lugar no próximo 29 de julho de 2026, às 16h30, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, um dos mais importantes espaços de promoção da cultura e da memória nacional. 

Publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.clubFaro e Enigmas afirma-se como uma das mais significativas obras poéticas da autora, reunindo poemas onde o amor, a memória, a espiritualidade, a identidade e a paisagem se cruzam numa escrita profundamente sensorial. Inspirada pelo Namibe, pelo Atlântico e pelo deserto do Kalahari, Elsa Major propõe uma poesia que convida à contemplação e à reflexão sobre a condição humana. 

A sessão contará com a participação de convidados especiais, entre os quais Conceição CristóvãoAgnela Barros e o escritor e investigador João Fernando André, cuja presença reforça a dimensão literária do encontro.

O livro conta com o apoio de diversas instituições e órgãos de comunicação social, entre os quais a Rádio Escola 88.5 FM, o Sistema Akwa Kisanji, a Rádio MFM 91.7 e outros parceiros culturais.

Depois da excelente receção em Lisboa, onde a obra reuniu escritores, académicos, diplomatas e leitores num momento de celebração da literatura, Faro e Enigmas chega agora a Luanda para um encontro, de acesso livre, com o público angolano, num regresso particularmente simbólico da autora às suas raízes e ao universo cultural que inspira grande parte da sua criação poética.

Mais do que um lançamento literário, esta apresentação constitui uma celebração da poesia contemporânea e da crescente afirmação das vozes femininas na literatura nacional, reforçando o papel do livro como espaço de diálogo entre memória, identidade e futuro.

Elsa Major
Elsa Major na apresentação em Lisboa
Faro e Enigmas
Faro e Enigmas

Editoriais do Expansão em livro: um retrato crítico da economia apresentado no Memorial

Editoriais do Expansão em livro: um retrato crítico da economia apresentado no Memorial

A apresentação, em Luanda, de Editoriais do Expansão 2019–2021, de João Armando, constituiu um momento importante para a editora, para o jornalismo económico angolano e para a preservação da memória crítica de um período particularmente exigente da vida do país.

O jornalista e director do semanário Expansão apresentou oficialmente a obra no dia 11 de junho de 2026, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda. Publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, o livro reúne editoriais escritos entre 2019 e 2021, anos marcados por profundas dificuldades económicas, reformas estruturais e pelos efeitos sociais e empresariais da pandemia da Covid-19.

A editora Perfil Criativo | AUTORES.club esteve mais uma vez representada na cerimónia por Armindo Laureano, director do Novo Jornal e autor da editora, que destacou a importância de transformar os editoriais de João Armando num livro capaz de preservar textos que, de outro modo, permaneceriam dispersos nas sucessivas edições do semanário.

O evento contou também com a participação do engenheiro Patrício Wanderley Quingongo, especialista angolano na indústria petrolífera e autor do livro Gestão da Indústria Petrolífera.

A presença de Patrício Quingongo assumiu um significado especial, atendendo à sua ligação ao debate económico e energético e à colaboração que tem mantido ao longo dos anos com João Armando e com o próprio Expansão. Como especialista do sector petrolífero, Patrício Quingongo tem defendido publicamente a importância da informação, da formação e da reflexão estratégica para aproximar esta indústria dos cidadãos e para melhorar a compreensão do seu peso na economia nacional.

A cerimónia reuniu membros do Executivo angolano, representantes diplomáticos, empresários, jornalistas e diferentes personalidades da sociedade civil. Entre os presentes encontrava-se o ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, que enalteceu o percurso profissional de João Armando e o contributo do Expansão para a consolidação do jornalismo económico.

Com mais de 260 páginas e cerca de 130 editoriais do Expansão entre 2019–2021, revisita decisões políticas, reformas económicas, privatizações, finanças públicas, dívida, sistema bancário, confiança institucional e as dificuldades enfrentadas pelas famílias e pelas empresas.

Mais do que reunir textos publicados, João Armando acrescentou à obra notas explicativas sobre as circunstâncias em que cada editorial foi escrito. O livro permite, assim, compreender não apenas as posições assumidas pelo director do jornal, mas também o contexto económico, político e social que esteve na origem de cada reflexão.

Durante a apresentação, João Armando definiu a obra como um contributo para o desenvolvimento da República de Angola, sublinhando a necessidade de pensar o país com responsabilidade, rigor, independência e capacidade para reconhecer os erros.

Entre os textos destacados encontram-se “Não Há Soluções Mágicas”, no qual o autor defende uma governação realista e assente em decisões fundamentadas, e “A Panela da Sopa”, uma reflexão crítica sobre os processos de privatização e as parcerias público-privadas.

Através de uma metáfora simples e expressiva, João Armando alerta para a necessidade de transparência, regras claras e igualdade de oportunidades na gestão dos activos públicos. A credibilidade dos processos económicos é apresentada como uma condição essencial para atrair investimento e reforçar a confiança dos cidadãos nas instituições.

A intervenção de Armindo Laureano sublinhou também o valor do editorial enquanto uma das formas mais exigentes e genuínas do exercício jornalístico. Ao assumir posições, interpretar acontecimentos e interpelar os poderes públicos, o editorial transforma-se num registo do seu tempo e numa contribuição para o debate.

Depois de uma pré-apresentação na Feira do Livro de Lisboa, o lançamento oficial no Memorial Dr. António Agostinho Neto representou uma nova etapa na divulgação da obra junto dos leitores. João Armando manifestou ainda a intenção de levar o livro a outras províncias do país.

Editoriais do Expansão 2019–2021 afirma-se, deste modo, como muito mais do que uma compilação jornalística. É um testemunho de um período complexo da história recente e um convite à reflexão sobre a economia, a governação, a transparência das instituições e os caminhos necessários para a construção de uma sociedade mais informada, participativa e exigente.

Fontes: Reportagem da Baía Magazine, publicada em 15 de junho de 2026, com texto de Idianete Tavares e fotografias de Mello Silva

"Editoriais do Expansão" de João Armando
Editoriais do Expansão” de João Armando

Três anos de políticas públicas. Um debate que não pode esperar

Três anos de políticas públicas. Um debate que não pode esperar

Angola vai receber, no próximo dia 9 de julho, um dos mais relevantes encontros de reflexão sobre a governação e a economia nacional dos últimos anos.

O autor M. Neto Costa e a Perfil Criativo | AUTORES.club convidam todos os leitores, investigadores, estudantes, gestores, responsáveis públicos e cidadãos interessados para o lançamento oficial do livro Angola: Derivas de Políticas Públicas e Arredores (2021–2023), que terá lugar na quinta-feira, 9 de julho de 2026, às 16h30, na Academia BAI, em Luanda.

Resultado de uma análise rigorosa da realidade angolana entre 2021 e 2023, a obra reúne 52 textos que convidam ao debate sobre a administração pública, a política económica, as finanças públicas e os desafios do desenvolvimento nacional.

A apresentação estará a cargo do Prof. Doutor Fernandes Wanda e contará com a participação especial de Armindo Laureano, Director do Novo Jornal, publicação onde estes textos foram originalmente dados a conhecer ao público.

Para o editor da Perfil Criativo | AUTORES.club, este lançamento representa muito mais do que a apresentação de um novo livro:

“Angola e M. Neto Costa estão de parabéns. Poder analisar, discutir e compreender, de forma livre, as vitórias e os fracassos da administração pública da República de Angola, sem pressões nem censura, é um sinal de maturidade democrática que merece ser celebrado. O facto deste debate reunir um antigo Ministro da Economia e Planeamento, o Prof. Doutor Fernandes Wanda e o Director do Novo Jornal transforma este lançamento num momento de extraordinário valor cívico e intelectual para o país.”

Num tempo em que o debate público exige mais conhecimento, mais independência e maior capacidade de escrutínio, este encontro pretende afirmar o livro como um espaço de diálogo aberto sobre o presente e o futuro de Angola.

A entrada é livre, sujeita à lotação da sala.

Contamos com a sua presença.

Quando Angola tomou a palavra junto à antiga Lota de Portimão

Quando Angola tomou a palavra junto à antiga Lota de Portimão

A Feira do Livro de Portimão 2026 recebeu, no passado dia 24 de junho, na Zona Ribeirinha de Portimão, junto à antiga Lota, o encontro especial “Angola Toma a Palavra”, uma conversa plural dedicada à literatura, à memória, à história e à força criativa de Angola.

Integrado na programação cultural da Feira, o encontro reuniu Tomás Lima Coelho, Sedrick Carvalho, Kalunga, João Ricardo Rodrigues, Graça Sousa, Valério Guerra e João Carranca, num momento de partilha que levou ao público algarvio diferentes olhares sobre Angola, a sua produção literária, os seus autores, as suas inquietações históricas e a importância de abrir novos espaços de diálogo entre Portugal, Angola e a diáspora.

A sessão decorreu num ambiente de grande proximidade com os leitores, permitindo cruzar testemunhos, percursos pessoais, obras publicadas e reflexões sobre a literatura angolana contemporânea. Mais do que uma simples apresentação de livros, “Angola Toma a Palavra” afirmou-se como um encontro de vozes: escritores, editores, leitores e comunicadores reunidos em torno de uma ideia comum, dar visibilidade à diversidade cultural angolana e ao contributo dos seus autores para a língua portuguesa.

A presença da Perfil Criativo | AUTORES.club nesta edição da Feira do Livro de Portimão reforçou esse compromisso editorial de continuar a divulgar autores de Angola aproximando livros, leitores e a diáspora. Num momento em que Angola celebra cinquenta anos de independência, o encontro ganhou também uma dimensão simbólica: pensar Angola através da palavra escrita, da memória histórica, da poesia, da ficção e do debate público.

A conversa teve ainda o registo especial da Rádio Portimão, com captação em direto por João Carranca, permitindo ampliar o alcance do encontro e levar a discussão para além do recinto da Feira. Esse registo deu voz aos grandes momentos da sessão, fixando a energia de uma conversa que partiu dos livros, mas rapidamente se abriu para temas mais amplos: liberdade, história, pertença, criação literária e circulação cultural.

A Feira do Livro de Portimão, organizada pela Câmara Municipal de Portimão e pela Promobooks.net, em parceria com Bookas.pt, Páginas Otimistas e a agente cultural Analita Alves dos Santos, decorre entre 19 de junho e 5 de julho de 2026, com uma programação diversificada de apresentações, conversas literárias, debates, atividades para crianças, música e ações de promoção da leitura.

Ao receber “Angola Toma a Palavra”, Portimão abriu espaço a uma literatura que atravessa geografias e gerações, confirmando que os livros continuam a ser uma ponte viva entre povos, memórias e futuros possíveis.

“Angola Toma a Palavra” gravação do encontro realizado a 24 de junho de 2026 na Feira do livro de Portimão, uma realização e locação em directo de João Carranca na Rádio Portimão