Economia, História e Diplomacia encerram a Festa do Livro em Belém com três sessões de autógrafos

Economia, História e Diplomacia encerram a Festa do Livro em Belém com três sessões de autógrafos

Oscar da Mata, Álvaro Henriques do Vale e Rui Verde protagonizaram as três sessões de autógrafos promovidas pela Perfil Criativo | AUTORES.club no último dia do festival literário realizado nos jardins do Palácio de Belém

A Perfil Criativo | AUTORES.club encerrou a sua participação na Festa do Livro em Belém 2026 com três sessões de autógrafos que aproximaram autores e leitores em torno da economia, da história contemporânea de Angola e das relações diplomáticas que marcaram Portugal e a Península Ibérica ao longo do século XX.

No domingo, 20 de Setembro, último dia do evento, passaram pelo espaço da editora Oscar da Mata, Álvaro Henriques do Vale e Rui Verde, três autores com percursos distintos, mas unidos pela vontade de questionar interpretações estabelecidas e contribuir para um debate público mais informado.

Oscar da Mata desmonta os mitos da economia angolana

Economista, professor universitário e profissional com experiência na banca e na consultoria financeira, Oscar da Mataapresentou e autografou a sua mais recente obra, Mitos Económicos de Angola — Ensaio sobre Liberdade e Criação de Riqueza.

Publicado em Setembro de 2026, o livro identifica e desmonta dezoito ideias profundamente enraizadas no debate económico angolano. A inflação, o controlo dos preços, os bancos públicos, os subsídios, o endividamento, a tributação, o planeamento centralizado e a intervenção do Estado são alguns dos temas analisados à luz da teoria económica, da experiência histórica e da realidade africana.

Partindo da afirmação de que, antes de distribuir riqueza, é necessário criá-la, Oscar da Mata convida o leitor a distinguir racionalidade económica de conveniência política. A obra propõe uma reflexão exigente sobre as condições necessárias para construir uma economia produtiva, assente em instituições estáveis, responsabilidade individual, iniciativa privada e liberdade económica.

Álvaro Henriques do Vale revela os bastidores da diplomacia britânica

O jornalista e investigador Álvaro Henriques do Vale levou a Belém duas obras publicadas pela Perfil Criativo | AUTORES.club, nas quais cruza história económica, diplomacia e relações internacionais.

A novidade editorial, O Foreign Office e a sua Influência na Península Ibérica — Portugal, Espanha, Gibraltar (1919–1962), conduz o leitor aos bastidores da política externa britânica e da sua influência sobre Portugal e Espanha. O livro percorre mais de quatro décadas de acontecimentos, da reorganização europeia posterior à Primeira Guerra Mundial à Guerra Civil de Espanha, à Segunda Guerra Mundial e aos primeiros anos da Guerra Fria.

Diplomatas, governantes e agentes dos serviços secretos atravessam uma investigação que inclui figuras como Armindo Monteiro, Pedro Theotónio Pereira, Samuel Hoare, Franklin D. Roosevelt e Ian Fleming, o futuro criador de James Bond, revelando a importância estratégica da Península Ibérica, de Gibraltar e das rotas marítimas britânicas.

Também esteve em destaque As Contas da República (1919–29) e os Anos Loucos de Wall Street. Nesta obra, Álvaro Henriques do Vale revisita a crise financeira portuguesa da década de 1920 e analisa as ligações entre as contas públicas da República, Angola, o sistema bancário, o golpe de 28 de Maio de 1926 e as consequências internacionais do colapso de Wall Street em 1929.

Rui Verde percorre cinquenta anos de Angola independente

A última das três sessões teve como protagonista o jurista, académico e investigador Rui Verde, autor de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025).

Publicada em Junho de 2026, a obra apresenta uma leitura clara, crítica e acessível dos primeiros cinquenta anos da República de Angola. Rui Verde acompanha o percurso do país desde os antecedentes da independência e a proclamação de 11 de Novembro de 1975 até à guerra civil, à construção do Estado, aos acordos de paz, à reconstrução nacional, ao crescimento impulsionado pelo petróleo, às crises económicas e às recentes tentativas de reforma.

Ao longo de 320 páginas, o autor organiza cinco décadas de acontecimentos políticos, económicos e sociais, permitindo compreender melhor a estrutura política da Angola contemporânea e os desafios que o país enfrenta no presente. Trata-se de uma introdução rigorosa à história recente angolana, dirigida tanto aos leitores que procuram uma primeira visão de conjunto como aos que pretendem aprofundar o debate sobre o futuro do país.

Livros que prolongam as conversas iniciadas em Belém

As três sessões de autógrafos encerraram quatro dias de participação da Perfil Criativo | AUTORES.club na Festa do Livro em Belém, realizada entre 17 e 20 de Setembro nos jardins da Presidência da República.

O contacto directo entre escritores, investigadores e leitores voltou a demonstrar que o livro permanece um ponto de partida privilegiado para o diálogo sobre a economia, a história, a diplomacia, a liberdade e o desenvolvimento das sociedades.

As obras de Oscar da Mata, Álvaro Henriques do Vale e Rui Verde encontram-se disponíveis através da loja da AUTORES.club, prolongando para além de Belém as conversas, perguntas e reflexões despertadas durante as sessões de autógrafos.

Três autores, muitas memórias: autógrafos transformam Festa do Livro de Belém em espaço de debate

Três autores, muitas memórias: autógrafos transformam Festa do Livro de Belém em espaço de debate

Tomás Lima Coelho, Joaquim Sequeira e Xavier de Figueiredo protagonizaram, no Palácio de Belém, uma sessão marcada por encontros com leitores, conversas sobre a História de Angola e uma renovada procura pelo livro dedicado à conquista portuguesa de Ceuta

A participação da Perfil Criativo | AUTORES.club na Festa do Livro de Belém 2026 viveu, no sábado, 19 de setembro, mais um momento especial com uma tripla sessão de autógrafos que reuniu os autores Tomás Lima CoelhoJoaquim Sequeira e Xavier de Figueiredo.

Ao longo da tarde e do princípio da noite, a Zona da Cascata — Arcadas, nos jardins do Palácio Nacional de Belém, tornou-se um animado ponto de encontro entre autores, leitores e visitantes. Mais do que uma sucessão de assinaturas, a iniciativa deu origem a numerosas conversas sobre literatura, História, memória, identidade, independência e os desafios contemporâneos das sociedades africanas.

O editor e jornalista Sedrick de Carvalho esteve igualmente presente e participou ativamente nos diálogos que se foram formando em redor dos autores e dos livros. A sua presença contribuiu para alargar as conversas à liberdade de expressão, ao papel do jornalismo, à preservação da memória histórica e à responsabilidade dos editores na divulgação de testemunhos que nem sempre encontram espaço nas narrativas oficiais.

Tomás Lima Coelho: uma vida dedicada à investigação da literatura angolana

Um dos autores presentes foi Tomás Lima Coelho, reconhecido como o mais persistente e profundo investigador da literatura angolana publicada desde os seus primórdios.

Ao longo de décadas de investigação, o autor tem realizado um levantamento minucioso de escritores, obras, periódicos e documentos fundamentais para compreender a formação e a evolução da literatura angolana. O seu trabalho recupera títulos esquecidos, identifica autores pouco estudados e devolve visibilidade a uma produção literária que começou muito antes da consolidação das instituições culturais contemporâneas.

Autor de Chão de Kanâmbua, obra já na sua terceira edição, Tomás Lima Coelho cruza investigação, memória cultural e vivências pessoais. O livro conduz o leitor através de diferentes épocas e ambientes da sociedade angolana, preservando referências, personagens e experiências que ajudam a compreender a construção da identidade literária e cultural do país.

Durante a sessão, o investigador conversou com leitores interessados nas origens da literatura angolana, na imprensa que lhe serviu de suporte e na necessidade de proteger um património bibliográfico ainda disperso por bibliotecas, arquivos e coleções particulares.

Cada conversa confirmou a importância de um trabalho paciente e continuado: localizar, registar e estudar os livros publicados por autores angolanos, impedindo que uma parte essencial da memória cultural do país desapareça.

Joaquim Sequeira: o testemunho de um sobrevivente do 27 de Maio

A sessão contou também com a presença de Joaquim Sequeira, sobrevivente dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, uma das páginas mais dolorosas e ainda insuficientemente esclarecidas da história contemporânea de Angola.

Em Ecos da Liberdade, o autor transporta o leitor para um período marcado pelo entusiasmo revolucionário, mas também pelo medo, pela repressão, pelas perseguições e pelo silêncio imposto a milhares de famílias angolanas.

A sua escrita nasce da experiência vivida e da necessidade de preservar a memória dos que foram atingidos pelos acontecimentos e pelas suas consequências. O relato individual transforma-se, assim, num contributo para a compreensão de um trauma coletivo que atravessou gerações e continua presente na sociedade angolana.

Na Festa do Livro de Belém, Joaquim Sequeira teve oportunidade de conversar diretamente com leitores sobre a importância de escutar os sobreviventes, preservar os testemunhos e transmitir às novas gerações aquilo que durante demasiado tempo permaneceu ausente do debate público.

Cada exemplar autografado tornou-se um convite à leitura, mas também ao reconhecimento das vítimas e à construção de uma memória histórica fundada na verdade, na dignidade e na reconciliação.

Xavier de Figueiredo e uma viagem às origens da expansão portuguesa

A tripla sessão ficou completa com a presença do histórico jornalista Xavier de Figueiredo, que aproveitou o encontro para autografar Ceuta: Primeira Conquista de Portugal Além-Mar, livro que tem registado uma procura crescente nos últimos dias.

Nascido no Huambo, em 1947, Xavier de Figueiredo iniciou a carreira jornalística em 1971, no diário A Província de Angola. Especialista em assuntos africanos, acompanhou durante décadas importantes acontecimentos políticos e militares do continente, tornando-se uma presença reconhecida na imprensa e na televisão portuguesas.

Em Ceuta: Primeira Conquista de Portugal Além-Mar, o jornalista e investigador regressa a 1415, ano da conquista portuguesa da cidade norte-africana. A obra revisita as motivações políticas, económicas, religiosas e militares que estiveram na origem da expedição e analisa um acontecimento tradicionalmente apresentado como o ponto de partida da expansão marítima portuguesa.

Mais do que celebrar uma vitória militar, Xavier de Figueiredo procura compreender o significado histórico de Ceuta, as ambiguidades do empreendimento e as suas consequências para Portugal, para o Norte de África e para a posterior expansão europeia.

A atualidade geopolítica de Ceuta e o renovado debate sobre as relações entre a Europa e África ajudam a explicar o interesse crescente pelo livro. Situada no continente africano e administrada por Espanha, a cidade continua a concentrar tensões históricas, políticas e migratórias que tornam particularmente pertinente o regresso às origens da sua ocupação europeia.

Sedrick de Carvalho junta-se à conversa e à investigação literária

O editor e jornalista Sedrick de Carvalho, autor do livro Prisão Política, acompanhou a sessão e participou nas muitas conversas que surgiram espontaneamente entre os autores e os leitores que visitavam os jardins do Palácio de Belém.

Sedrick de Carvalho é também, neste momento, coautor com Tomás Lima Coelho da publicação permanentemente atualizada, em formato de livro, intitulada Autores e Escritores de Angola. O projeto procura identificar, reunir e organizar informação sobre os autores angolanos e as respetivas obras, constituindo um instrumento aberto ao contínuo aparecimento de novos dados, títulos, edições e percursos literários.

A natureza permanentemente atualizada desta publicação responde à amplitude e à dispersão da produção bibliográfica angolana. Mais do que fixar uma lista definitiva, Autores e Escritores de Angola pretende acompanhar uma história literária em movimento, recuperar nomes esquecidos, corrigir omissões e proporcionar a investigadores, estudantes e leitores uma fonte de consulta progressivamente mais completa.

A colaboração entre Tomás Lima Coelho e Sedrick de Carvalho associa a experiência acumulada de um dos maiores investigadores da literatura angolana à prática jornalística e editorial de uma geração empenhada em tornar o conhecimento mais acessível. A presença de ambos na Festa do Livro permitiu, por isso, que muitas das conversas abordassem também os critérios de pesquisa, identificação, organização e valorização dos autores de Angola.

As intervenções ultrapassaram rapidamente os limites de uma sessão convencional de autógrafos. Falou-se das origens e da actualidade da literatura angolana.

Os livros como ponto de partida

A tarde demonstrou que uma sessão de autógrafos pode ser muito mais do que o breve momento de assinatura de um exemplar. Em redor de Tomás Lima Coelho, Joaquim Sequeira, Xavier de Figueiredo e Sedrick de Carvalho formaram-se pequenos círculos de leitores nos quais se cruzaram perguntas, memórias, interpretações históricas e diferentes experiências de vida.

As diferenças de geração e de percurso entre os participantes não impediram o diálogo. Pelo contrário, mostraram como a literatura, o testemunho, o jornalismo, a edição e a investigação histórica se podem complementar na procura de um conhecimento mais livre, plural e rigoroso.

Realizada nos jardins do Palácio Nacional de Belém, a Festa do Livro voltou assim a cumprir uma das suas missões fundamentais: retirar os livros das estantes e colocá-los nas mãos dos leitores, aproximando-os de quem os escreveu.

Entre a investigação das origens da literatura angolana, o testemunho de um sobrevivente do 27 de Maio e uma viagem à Ceuta de 1415, a tarde terminou com muitos livros assinados, reencontros inesperados e debates que continuaram mesmo depois de concluídas as sessões.

Porque há livros que resgatam autores esquecidos. Outros guardam testemunhos que o silêncio tentou apagar. E há encontros em que autores, editores e leitores descobrem que a leitura é apenas o princípio de uma conversa muito maior.

Bisneto de Francisco Castelbranco encontra no presente uma nova História de Angola

Bisneto de Francisco Castelbranco encontra no presente uma nova História de Angola

Visita inesperada ao stand da Perfil Criativo | AUTORES.club, na Festa do Livro de Belém, uniu simbolicamente duas gerações dedicadas a escrever e preservar a memória histórica angolana

Minutos antes do encerramento da Festa do Livro de Belém, no sábado, 19 de setembro de 2026, o stand da Perfil Criativo | AUTORES.club recebeu uma visita tão inesperada quanto simbólica: o bisneto de Francisco Castelbranco, autor de uma das primeiras sínteses históricas escritas por um intelectual angolano, publicada em Luanda em 1932.

O encontro estabeleceu uma ponte singular entre duas épocas da historiografia de Angola. De um lado, a memória de Francisco Castelbranco, membro da geração de intelectuais angolanos que, entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, procurou intervir na vida cultural e política através da imprensa e da escrita. Do outro, o monumental trabalho contemporâneo do Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, investigador que assumiu o ambicioso propósito de reconstruir a longa trajetória histórica do território e dos povos que formaram Angola.

Francisco Castelbranco: uma História de Angola escrita a partir de Luanda

Publicada por conta do próprio autor, em Luanda, no ano de 1932, a obra intitula-se integralmente História de Angola: desde o descobrimento até à implantação da República, 1492–1910. Com cerca de 300 páginas, acompanha mais de quatro séculos de acontecimentos, desde os primeiros contactos com os portugueses até à implantação da República em Portugal e às suas repercussões no território angolano.

Francisco Castelbranco pertenceu à pequena burguesia mestiça de Angola e esteve ligado ao movimento intelectual e jornalístico angolano do princípio do século XX. Foi colaborador de publicações e participou no ambiente cultural associado a títulos como Luz e CrençaEnsaios Literários e Voz de Angola clamando no deserto.

Embora não possuísse formação académica especializada em História, construiu uma narrativa mais fluida, descritiva e “africanizada” do que muitos trabalhos coloniais da mesma época. A sua obra representa, por isso, uma tentativa importante de contar a História de Angola a partir de Luanda e do olhar de um intelectual profundamente ligado à sociedade angolana.

Quase um século depois da publicação do livro do seu bisavô, o visitante encontrou no stand da www.AUTORES.club uma nova e vasta tentativa de interpretar o passado angolano.

Uma obra monumental atravessa gerações

O bisneto de Francisco Castelbranco levou consigo o segundo volume do tratado de História de Angola, de Carlos Mariano Manuel, intitulado Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação.

Com 606 páginas, o segundo volume percorre o século XIX e parte do século XX, analisando a abolição formal do tráfico de escravos, a persistência da resistência africana, a expansão colonial portuguesa, a Conferência de Berlim, o regime do indigenato, a formação da economia colonial, os caminhos de ferro e as viagens presidenciais portuguesas a Angola.

Um lugar central é reservado à Conferência de Berlim sobre África, realizada entre 15 de novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885. Carlos Mariano Manuel reconstitui as sessões, os interesses diplomáticos em confronto e as decisões que legitimaram a expansão europeia, apesar de os povos africanos não terem sido chamados a participar na redefinição política e territorial do continente.

A editora apresenta este volume como o trabalho mais exaustivo publicado em língua portuguesa sobre a Conferência de Berlim e as suas consequências em Angola. A obra não se limita a relatar o encontro diplomático: procura mostrar como as decisões tomadas na Europa alteraram profundamente a ocupação territorial, a administração colonial, a economia e a vida das populações africanas. 

Índice do segundo volume

Prefácio II, por Onofre dos Santos

Capítulo XIII — A conjuntura internacional na transição para o século XIX e a abolição formal do tráfico de escravos

  • Acontecimentos históricos iniciados no continente americano e as suas repercussões globais;
  • legislação portuguesa abolicionista do tráfico de escravos;
  • extinção formal da condição de liberto;
  • criação do estatuto de pessoa livre e do regime de trabalho compelido.

Capítulo XIV — A ocupação portuguesa e a resistência africana no século XIX

  • A sedentarização esparsa e tardia dos portugueses no Sul de Angola;
  • a resistência das populações nativas observada através dos relatórios dos governadores-gerais;
  • a invicta região dos Dembos até à segunda década do século XX;
  • a administração colonial assente na guerra e na preparação militar;
  • a incorporação do Leste do atual território na antiga colónia de Angola.

Capítulo XV — A Conferência de Berlim sobre África

  • Organização e funcionamento da Conferência;
  • assuntos tratados nas reuniões preparatórias;
  • análise das sessões plenárias;
  • a proposta norte-americana, recusada, de abordagem do direito inalienável dos africanos a disporem dos seus territórios;
  • a diplomacia que conduziu à criação do Estado Livre do Congo;
  • encerramento formal da Conferência.

Capítulo XVI — Os efeitos da Conferência de Berlim em Angola

  • Contextualização geral das consequências da Conferência;
  • a política de “portas abertas”;
  • a possibilidade de Angola ter passado para a jurisdição colonial alemã;
  • o novo paradigma da colonização portuguesa;
  • comércio colonial e promoção do consumo de álcool;
  • conceção e aplicação do regime do indigenato;
  • Bilhete de Identidade e Estatuto de Assimilado como instrumentos de diferenciação social;
  • impostos da cubata, imposto indígena e taxa anual única como mecanismos de domínio sobre as populações.

Capítulo XVII — História económica de Angola: da pilhagem à valorização colonial

  • O projeto colonial da chamada “Nova Lusitânia”;
  • as épocas do zimbo, da makuta, do angolar, do real, do escudo e das moedas estrangeiras;
  • instituição da atividade bancária;
  • infraestruturas de transporte terrestre;
  • caminhos de ferro de Ambaca/Luanda, Moçâmedes e Benguela;
  • consequências da independência do Congo para o projetado caminho de ferro do Norte de Angola;
  • circulação rodoviária e abertura das primeiras estradas;
  • empreendedorismo e talento profissional dos indígenas;
  • crise económica entre as décadas de 1920 e 1940;
  • primeiro e segundo Planos de Fomento;
  • planos económicos intercalar, terceiro e quarto;
  • contradição entre o crescimento económico colonial e a degradação social da maioria da população africana.

Capítulo XVIII — Do orgulho imperial ao canto do cisne

  • As três viagens de soberania de chefes de Estado portugueses a Angola;
  • evolução demográfica, económica, social e política do território;
  • geografia histórica da cidade de Luanda;
  • Tratados de Simulambuco e do Soio;
  • insalubridade de Luanda e presença de condenados degredados;
  • visita do Presidente António Óscar de Fragoso Carmona;
  • visita do Presidente Francisco Higino Craveiro Lopes;
  • última expressão do império colonial durante a visita do Presidente Américo Tomás.

Uma investigação reconhecida dentro e fora de Angola

Médico, professor catedrático, investigador e historiador, Carlos Mariano Manuel, também conhecido pelo nome Uina yo Nkuau Mbuta, tem desenvolvido uma obra de grande amplitude documental sobre a formação histórica de Angola.

O seu trabalho foi distinguido com o Diploma de Mérito atribuído pelo Ministério da Cultura de Angola por ocasião do Dia da Cultura Nacional, em 2022. Em 2023, recebeu o Prémio MIL — Personalidade Lusófona, atribuído no âmbito do Encontro do Observatório SEDES da CPLP. Em 2025, o tratado foi distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Ciências Humanas e Sociais, uma das mais importantes distinções culturais angolanas.

A obra passou também a integrar coleções de instituições académicas internacionais, incluindo as universidades norte-americanas da Califórnia e de Princeton, além de universidades, bibliotecas e instituições públicas angolanas.

Quando um livro prolonga a memória de uma família

A visita do bisneto de Francisco Castelbranco, quando faltavam apenas alguns minutos para o encerramento, transformou-se num dos momentos mais significativos da participação da Perfil Criativo | AUTORES.club na Festa do Livro de Belém.

Ao escolher o segundo volume do tratado de Carlos Mariano Manuel, o descendente de um dos pioneiros da escrita histórica angolana levou mais do que um livro: levou consigo a continuidade de uma interrogação iniciada pelo seu bisavô há quase cem anos, como contar Angola, compreender o seu passado e devolver aos angolanos o conhecimento da sua própria história?

A resposta de Carlos Mariano Manuel ergue-se em milhares de páginas, documentos, testemunhos e interpretações. É uma obra majestosa pela dimensão, mas sobretudo pela coragem intelectual do seu propósito. Não oferece uma leitura breve nem simplificada: convida o leitor a entrar na longa duração da História, a questionar versões consagradas e a observar Angola para além dos limites impostos pela narrativa colonial.

Entre o livro publicado por Francisco Castelbranco em 1932 e o tratado contemporâneo de Carlos Mariano Manuel existe quase um século de distância. No stand da AUTORES.club, em Belém, essa distância desapareceu por alguns instantes. Restaram dois livros, duas gerações e a mesma vontade de preservar, estudar e transmitir a História de Angola.

Hugo Henriques e Hajnalka Henriques em sessão de autógrafos: fantasia, afecto e livros que cruzam gerações

Hugo Henriques e Hajnalka Henriques em sessão de autógrafos: fantasia, afecto e livros que cruzam gerações

A Perfil Criativo | AUTORES.club promoveu uma sessão de autógrafos com Hugo Henriques e Hajnalka Henriques, na Festa do Livro de Belém, a 18 de setembro de 2026, dando especial destaque ao livro infantil Uma História Interminável, uma obra rara no panorama editorial português, assinada por pai e filha, que junta literatura, ilustração, humor e uma invulgar proposta de leitura em dupla ortografia.

O grande destaque da sessão foi Uma História Interminável, livro infantil de Hugo Henriques, com ilustrações de Hajnalka Henriques. A obra apresenta uma comunidade divertida e improvável de animais diferentes entre si, uma girafa de pescoço curto, um elefante medroso, um leão sem juba, um tigre sem riscas, um papa-formigas quase cego e quase surdo, entre muitas outras personagens, que vão descobrindo, ao longo da narrativa, o valor da amizade, da coragem, da entreajuda e da aceitação da diferença.

Mais do que um livro para crianças, Uma História Interminável é uma obra para ser lida em família, nas escolas e nas bibliotecas. Cada capítulo apresenta uma pequena história com fundo moral, abordando temas como o medo, a exclusão, a deficiência, a falta de amor-próprio, os conflitos de convivência, a solidariedade e o respeito pelos outros. Com fantasia e humor, o livro convida os mais novos a pensar o mundo através de personagens inesquecíveis e convida os adultos a reencontrarem, na literatura infantil, uma forma simples e profunda de falar sobre valores humanos.

Um dos aspectos mais singulares desta edição é a sua dupla ortografia. A obra foi originalmente escrita em português anterior ao Acordo Ortográfico de 1990 e apresenta também uma versão adaptada à grafia actualmente em vigor, criando uma experiência de leitura rara e de grande interesse pedagógico, linguístico e cultural. Esta característica faz de Uma História Interminável um livro invulgar, eventualmente único no seu género, capaz de interessar não apenas crianças e famílias, mas também professores, mediadores de leitura, bibliotecas e instituições ligadas ao ensino da língua portuguesa.

A sessão permitiu ainda dar a conhecer, em segundo plano, o romance Verdadeiro Amor Verdadeiro, também de Hugo Henriques. Trata-se de uma obra dirigida a leitores adultos, centrada nos caminhos da memória, dos afectos, das relações humanas e das escolhas que marcam a vida. Depois da dimensão infantil, moral e fantasiosa de Uma História Interminável, este romance mostra outra faceta literária do autor, mais intimista e narrativa, revelando a amplitude do seu percurso criativo.

Hugo Henriques tem desenvolvido um caminho autoral diversificado, entre a ficção, a memória e a escrita técnica. A sua colaboração com Hajnalka Henriques em Uma História Interminável acrescenta uma dimensão familiar e artística particularmente especial ao livro: o texto nasce da imaginação do autor e as ilustrações transportam para a obra o olhar criativo de uma jovem ilustradora, cuja participação reforça a ligação entre gerações, leitura e criação.

Com esta sessão de autógrafos, Hugo Henriques e Hajnalka Henriques aproximaram os seus livros dos leitores nos jardins do Palácio de Belém, afirmando Uma História Interminável como uma proposta editorial original, sensível e necessária: um livro infantil sobre animais, mas sobretudo sobre pessoas; sobre diferenças, fragilidades, medos e a possibilidade de transformar tudo isso em amizade, comunidade e descoberta.

Encontro entre os autores e uma leitora nos jardins do Palácio de Belém

Uma História Interminável
Uma História Interminável

Um encontro improvável entre Ciência, Consciência e Ser Humano nos jardins de Belém

Um encontro improvável entre Ciência, Consciência e Ser Humano nos jardins de Belém

Lívio Honório e Luís Philippe Jorge juntaram-se numa sessão de autógrafos onde duas formações científicas distintas encontraram um território comum: a procura de uma visão integral do ser humano

Há encontros improváveis que, depois de acontecerem, parecem fazer todo o sentido. Lívio Honório e Luís Philippe Jorge encontraram-se ontem, 17 de setembro, nos jardins do Palácio de Belém, em Lisboa, para uma sessão conjunta de autógrafos promovida pela Perfil Criativo | AUTORES.club, no primeiro dia da Festa do Livro em Belém 2026. A sessão decorreu na Praça dos Autores, integrada num certame que reúne este ano 70 participantes e 346 marcas editoriais.

De um lado, Lívio Honório, engenheiro eletrotécnico e especialista em energia; do outro, Luís Philippe Jorge, psicoterapeuta com formação em nutriterapia, bioquímica nutricional, medicina ortomolecular, naturopatia e outras áreas complementares. Percursos distintos que convergem numa inquietação comum: será suficiente uma leitura exclusivamente material e compartimentada para compreender o ser humano?

Os dois autores partem de campos diferentes e desenvolvem propostas próprias, algumas de natureza filosófica ou metafísica, procurando estabelecer pontes entre conhecimento científico, consciência, saúde, espiritualidade e uma visão holística do indivíduo.

Lívio Honório: da engenharia à consciência

A extensa obra de Lívio Honório desenvolve-se progressivamente em torno da relação entre matéria, energia, mente, consciência e transcendência. Em O Homem e a sua abordagem sobre Realidade–Mente–Consciência e Por uma Verdadeira Ciência do Homem, procura construir uma leitura global do ser humano, relacionando corpo, alma e espírito. A esse percurso juntaram-se Deus, o Cosmos, o Corpo Energético e o Homem e Uma Viagem para Além do Mundo do Tempo e do Espaço, aprofundando as suas interrogações sobre consciência, existência e realidade.

Outras obras — Prática da Vida, A Arte de Viver. Hoje é o Meu DiaA Música da sua Vida, Uma Outra Forma de Compreensão da Vida. HOLOVIDA e O Ser Humano e o Jogo da Vida — transportam essa reflexão para a experiência concreta da existência humana. Em 2026, o autor deu um novo passo com Somos mais Divinos do que Materiais e Do Elemento ao Divino — O Ritual da Consciência em Frequência, introduzindo a Inteligência Artificial como interlocutora de uma reflexão sobre consciência, espiritualidade, matéria, energia, morte e transcendência.

Luís Philippe Jorge: alimentar não é necessariamente nutrir

Luís Philippe Jorge percorre outro caminho. Em Da Psicologia da Escrita à Descoberta da Grafologia investiga a escrita enquanto expressão da personalidade; em O Desapego aborda os mecanismos psicológicos e espirituais associados ao apego, defendendo a descoberta dos recursos interiores do indivíduo. Como Reforçar a Imunidade, posteriormente revisto como Guia de Imunonutrição — Como Reforçar a Imunidade?, concentra-se na relação entre alimentação, micronutrientes, estilo de vida, inflamação e sistema imunitário.

A sua obra mais recente, Nutriterapia, resulta de mais de três décadas de prática clínica e investigação e propõe uma abordagem centrada na nutrição celular. Ao longo de mais de 600 referências científicas, Luís Philippe Jorge percorre a bioquímica celular, a micronutrição, o metabolismo, a imunidade e diferentes doenças crónicas, defendendo uma abordagem funcional, preventiva, personalizada e integradora da saúde.

O encontro de ontem nos jardins da Presidência da República acabou, assim, por juntar dois autores que chegam de territórios científicos diferentes, mas que partilham uma atitude crítica perante visões excessivamente fragmentadas do conhecimento. Lívio Honório procura compreender o ser humano para além da matéria; Luís Philippe Jorge procura compreender a saúde para além do tratamento isolado dos sintomas.

Entre ciência, filosofia e metafísica, as suas propostas não são coincidentes, nem pretendem ser. Mas encontram-se numa mesma pergunta: quanto falta ainda conhecer para compreendermos verdadeiramente o ser humano na sua totalidade?

Nutriterapia
Nutriterapia

Marcolino Moco: «Este livro é um apelo à coragem para se repensar Angola»

Marcolino Moco: «Este livro é um apelo à coragem para se repensar Angola»

Antigo primeiro-ministro de Angola destaca a dimensão político-institucional de Mitos Económicos de Angola, de Oscar da Mata, apresentado em Lisboa

O antigo primeiro-ministro de Angola Marcolino Moco publicou, no passado dia 7 de setembro, uma reflexão sobre Mitos Económicos de Angola — Ensaio sobre Liberdade e Criação de Riqueza, do economista e professor universitário Oscar da Mata, apresentado oficialmente em Portugal quatro dias antes, na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa.

Presente no lançamento, que reuniu uma sala lotada para discutir os caminhos da economia angolana, Marcolino Moco encontrou na obra uma dimensão que ultrapassa o debate estritamente económico: a relação entre desenvolvimento, instituições, sistema político e liberdade.

Na sua leitura, o mérito do livro está precisamente em não separar os problemas económicos do enquadramento político e institucional em que as decisões são tomadas. Moco parte da sua própria experiência como antigo governante, político e académico para defender que a discussão sobre o desenvolvimento de Angola deve incluir também questões como a alternância, a organização constitucional do poder e a capacidade das instituições para favorecer a mudança.

A conclusão que retira da leitura é particularmente expressiva: Mitos Económicos de Angola não deve ser entendido apenas como um ensaio sobre liberdade económica e criação de riqueza. Para Marcolino Moco, é também “um ensaio de apelo à coragem para se repensar Angola nos planos político e jurídico-institucional. Para que possamos caminhar.”

COMENTÁRIO | MARCOLINO MOCO

“Mitos Económicos de Angola: ensaio sobre liberdade e criação de riqueza”

Há dias, o professor Óscar da Mata, da Universidade Católica de Angola lançou, em Lisboa, o livro “Mitos Económicos de Angola: ensaio sobre liberdade e criação de riqueza”. Sabendo da minha estadia por cá, o editor, nosso conterrâneo, o luso-benguelense Ricardo Rodrigues da Editora www.Autores.club, convidou-me para lá estar, no bela e sumptuosa Biblioteca Palácio Galveias.

Habitualmente, não me animo muito com as discussões de economistas angolanos, quando abordam a possível génese dos problemas económicos do país, inserindo-a (a génese)quase sempre no âmbito exclusivo do suposto desvio do seguimento de teorias económicas testadas, que poderiam ser, eventualmente, benéficas para a nossa situação concreta. Bom, e a talhe de foice, muito menos me entusiasmo com as discussões de meus colegas juristas – e são muitos deles aqueles que mais encontram espaço na media oficial e não só – quando enquadram os problemas jurídico-económicos de Angola, na falta de cultura jurídica da “jovem e inexperiente” sociedade angolana; como quem diz: ela mesmo ( a sociedade) a culpada.

Para mim, não só na base da minha experiência como actor político/governante que evoluiu no quadro da ideia de que “Só não muda de opinião quem está morto, ou é burro o suficiente para morrer e se afogar em sua própria e insignificante existência. “, atribuída a Aurilene Damaceno; mas também na base da investigação e pesquisa como académico, na área do Direito e da Ciência política, os problemas económicos de Angola (e vários outros problemas relevantes), à semelhança do que se passa em muitos outros países africanos, reside, antes de mais, no bloqueio à alternância política.

No falo em alternância, apenas no sentido estrito que se atribui, habitualmente, ao termo, que consistiria apenas na substituição do partido político no poder por qualquer outro partido na oposição, como factor de sã competição na governação do país. Para referir um caso que nos é familiar, em que esse conceito tem funcionado reconhecidamente bem, desde a chamada “democratização” de África, subsequente à Queda do Muro de Berlim, em 1989, falaríamos da situação de Cabo Verde, onde praticamente, à semelhança dos países da democracia ocidental, a “alternância” ajuda a estabilizar o sistema político, económico e social do país, dentro das possibilidades ditadas pelos seus recursos económicos e financeiros. Confrangedor, em Angola, é que mesmo outro tipo de “alternância” de sentido mais amplo e flexível – como no caso presente da África do Sul, em que o partido relativamente maioritário, depois de muito desgaste no poder, decide governar em coligação integrada pelo maior partido da oposição, à procura da eficácia governativa – não é permitida. Isso é assim, quer no plano formal constitucional, em que (art. 109 do CRA) o PR é eleito, sem ter que negociar com ninguém, mesmo que o seu partido obtenha uma vitória apenas relativa; quer, particularmente, no campo dos mitos políticos arreigados, alguns do quais aceites aqui na Europa, como o que diz que só é competente para governar Angola, quem for indicado pela ala do presidente vigente do MPLA, sendo ele próprio ou o que for da sua exclusiva conveniência.

Assim, o mérito que saúdo na obra do Professor Óscar da Mata, é que essa ideia de o problema da economia angolana residir na “fechadura política”, está lá bem patente. Desde logo no dedo em riste, apontado para a sociedade pensante, a partir do angélico rosto de um – suponho – conhecido político, na capa. Mais explicito não se poderia ser, alertado mesmo pelo próprio autor, sob o risco de ser-se apodado como conspirador contra o insubstituível sistema que nos rege, formalizado na Constituição de 2010. Até porque, pelo que sabemos – passe a cacofonia para enquadrar aqui Fernando Pessoa – nem todas “as almas” que abarrotavam aquela sala até não caber mais ninguém, eram assim tão “não pequenas”.

Por isso considero que este livro não é apenas um “ensaio sobre liberdade e criação de riqueza”; é, antes de mais, um ensaio de apelo à coragem para se repensar Angola nos planos político e jurídico-institucional. Para que possamos caminhar.



Quem é Marcolino Moco?

Marcolino José Carlos Moco é jurista, académico e uma das figuras históricas da vida política angolana. Nascido em 1953, exerceu importantes responsabilidades no Estado, tendo sido primeiro-ministro de Angola entre 1992 e 1996, num período particularmente complexo da história política do país. Foi posteriormente o primeiro Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), cargo que desempenhou entre 1996 e 2000. Ao longo das últimas décadas tem mantido uma intervenção pública regular sobre democracia, Estado de Direito, instituições, governação e futuro político de Angola.

Sobre o livro

Em Mitos Económicos de Angola — Ensaio sobre Liberdade e Criação de RiquezaOscar da Mata questiona dezoito ideias profundamente instaladas no debate económico angolano. Inflação, controlo de preços, banca pública, subsídios, dívida, planeamento central, tributação, instituições, desigualdade e liberdade económica são alguns dos temas colocados em discussão.

A obra parte de uma ideia central: antes de distribuir riqueza, é necessário criá-la. Oscar da Mata procura demonstrar como a racionalidade política de curto prazo pode entrar em conflito com a racionalidade económica e como determinadas ideias, repetidas ao longo do tempo, acabam por adquirir o estatuto de verdades aparentemente indiscutíveis.

Mais do que oferecer receitas imediatas, o livro convida o leitor a questionar essas certezas e a discutir as condições institucionais e económicas necessárias para que Angola consiga transformar os seus recursos e capacidades em criação sustentável de riqueza, liberdade económica e desenvolvimento humano.

Mitos Económicos de Angola — Ensaio sobre Liberdade e Criação de Riqueza
Autor: Oscar da Mata
Prefácio: Jesús Huerta de Soto
Editora: Perfil Criativo – Edições | AUTORES.club
1.ª edição: Setembro de 2026
116 páginas | ISBN 978-989-9209-43-5

Perfil Criativo leva autores à Festa do Livro em Belém 2026

Perfil Criativo leva autores à Festa do Livro em Belém 2026

Editora promove sessões de autógrafos todos os dias, entre 17 e 20 de setembro, nos jardins do Palácio Nacional de Belém

A Perfil Criativo | AUTORES.club volta a marcar presença na Festa do Livro em Belém, que decorrerá entre os dias 17 e 20 de setembro de 2026, nos jardins do Palácio Nacional de Belém, em Lisboa. Ao longo dos quatro dias, a editora apresentará ao público uma seleção do seu catálogo e promoverá sessões de autógrafos diárias com 14 autores, a partir do período da tarde.

História, economia, poesia, literatura, espiritualidade, saúde e memória contemporânea estarão representadas num programa que aproxima escritores e leitores num dos espaços mais emblemáticos da Presidência da República. As sessões decorrerão na Praça dos Autores e na Zona da Cascata — Arcadas.

Em 2024, sessão de autógrafos com o director do Novo Jornal revelou momentos inéditos

Programa de sessões de autógrafos

Data e hora — Autores — Local
17 de setembro, 17h00 — Lívio Honório e Luís Philippe Jorge — Praça dos Autores
18 de setembro, 17h00 — Hugo Henriques e Hajnalka Henriques — Praça dos Autores
19 de setembro, 16h00 — Tomás Lima Coelho e Salomão Arão Chipeco — Zona da Cascata — Arcadas
19 de setembro, 18h00 — Joaquim Sequeira e Eugénio Monteiro Ferreira — Zona da Cascata — Arcadas
19 de setembro, 19h00 — Tazuary Nkeita e Xavier de Figueiredo — Zona da Cascata — Arcadas
20 de setembro, 16h00 — Oscar da Mata e Álvaro Henriques do Vale — Zona da Cascata — Arcadas
20 de setembro, 19h00 — Rui Verde e José Bento Duarte — Zona da Cascata — Arcadas

A presença da Perfil Criativo | AUTORES.club reforça a missão editorial de divulgar autores, criar espaços de diálogo entre diferentes geografias e gerações e tornar o conhecimento mais próximo e acessível. Os visitantes poderão conhecer as novidades da editora, conversar diretamente com os autores e adquirir exemplares autografados.

Quatro dias de celebração do livro e da leitura

Criada em 2016, a Festa do Livro em Belém é organizada pela Presidência da República, em parceria com a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros — APEL, e já recebeu mais de 145 mil visitantes. Durante quatro dias, os jardins do Palácio Nacional de Belém transformam-se num grande espaço cultural, com editoras, livreiros, apresentações de obras, debates, sessões de autógrafos, concertos e jogos didáticos. A entrada é livre.

O recinto estará aberto nos seguintes horários:

  • 17 de setembro: das 16h00 às 21h30;
  • 18, 19 e 20 de setembro: das 11h00 às 21h30.

Como entrar nos jardins do Palácio de Belém

O público poderá aceder à Festa do Livro por duas entradas:

  • pela Loja do Museu da Presidência da República, situada na fachada principal do Palácio Nacional de Belém, na Praça Afonso de Albuquerque;
  • pelo Jardim Botânico Tropical, junto ao Largo dos Jerónimos.

A zona é facilmente alcançada através da estação ferroviária de Belém, na Linha de Cascais, do elétrico 15E e de diferentes carreiras da Carris. A Estação Fluvial de Belém encontra-se igualmente a curta distância.

Por se tratar de um espaço sensível de segurança, não é permitida a entrada com facas, garrafas de vidro, ferramentas ou outros objetos considerados perigosos. Também não é autorizado o acesso de animais, com exceção de cães-guia.

Entre 17 e 20 de setembro, a Perfil Criativo | AUTORES.club espera pelos leitores em Belém para quatro dias de livros, encontros e conversas com os seus autores. Durante o evento, os visitantes poderão ainda beneficiar de descontos especiais de 50% nos livros editados há mais de 24 meses e de 20% nas publicações mais recentes, uma iniciativa promocional realizada nos termos do Regime Jurídico do Preço Fixo do Livro. Uma oportunidade especial para conhecer, adquirir e levar para casa algumas das obras mais representativas do catálogo da editora.

Encontros especiais nos jardins do Palácio de Belém

Presidente da Casa de Angola em Itália
Presidente da Casa de Angola em Itália com o editor da Perfil Criativo AUTORES.club, em 2025

Sala esgotada na apresentação do livro Mitos Económicos de Angola

Sala esgotada na apresentação do livro Mitos Económicos de Angola

Oscar da Mata levou à Biblioteca Palácio Galveias um debate aberto sobre liberdade económica, intervenção do Estado e criação de riqueza em Angola

Fotografias: Ricardo Leote — NOS RAIZ

A apresentação oficial em Portugal do livro Mitos Económicos de Angola — Ensaio sobre Liberdade e Criação de Riqueza, do economista e professor universitário angolano Oscar da Mata, realizou-se no dia 3 de setembro de 2026, na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa, perante uma sala completamente esgotada várias horas antes do início do encontro.

A forte adesão do público confirmou o interesse despertado por uma obra que questiona algumas das ideias mais persistentes do debate económico angolano e que propõe uma reflexão exigente sobre a liberdade de empreender, o funcionamento dos mercados, a intervenção do Estado e as condições necessárias para transformar os recursos de Angola em riqueza, desenvolvimento e bem-estar para a população.

Entre académicos, economistas, autores, leitores e membros da comunidade angolana, estiveram também presentes várias personalidades ligadas à história política e institucional de Angola, entre as quais o Dr. Onofre dos Santos e o Professor Doutor Marcolino Moco.

O encontro, promovido pela Perfil Criativo | AUTORES.club, contou com quatro intervenções principais: a abertura do editor João Ricardo; uma mensagem gravada do Prof. Doutor Manuel Alves da Rocha, enviada a partir de Luanda; a apresentação crítica do Prof. Doutor Fernando Jorge Cardoso; e, por fim, a intervenção do autor, Oscar da Mata. Como é habitual nos encontros organizados pela editora, a sessão terminou com um pequeno debate com o público.

Um livro publicado para provocar reflexão e debate

Na abertura, o editor da Perfil Criativo | AUTORES.club agradeceu à equipa da Biblioteca Palácio Galveias e à cidade de Lisboa a possibilidade de realizar mais um encontro entre autores, leitores, académicos e cidadãos. Foram igualmente dirigidos agradecimentos ao Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, ao Prof. Doutor Manuel Alves da Rocha, ao Prof. Doutor Jesús Huerta de Soto, autor do prefácio, e ao Prof. Doutor Fernando Jorge Cardoso, responsável pela apresentação da obra.

Ao apresentar Oscar da Mata, o editor destacou o seu percurso como economista, gestor e professor universitário, com experiência nos sectores da banca, do investimento e da consultoria estratégica, bem como a sua atividade docente na Universidade Católica de Angola.

João Ricardo sublinhou que Mitos Económicos de Angolanão pretende encerrar uma discussão nem impor uma interpretação única sobre a economia angolana. Pelo contrário, a publicação procura criar condições para que diferentes ideias possam circular, ser confrontadas e debatidas publicamente.

“Não esperamos que todos concordem com o autor. Esperamos, isso sim, que o leiam, que o questionem e que debatam as suas ideias”, afirmou.

A intervenção do editor enquadrou a obra no compromisso assumido pela Perfil Criativo | AUTORES.club de democratizar o acesso ao conhecimento e de publicar trabalhos científicos e de ensaio capazes de analisar Angola com liberdade, identificar problemas e apresentar novos caminhos para o desenvolvimento.

Angola, recordou, possui um território vasto, importantes recursos naturais, uma população jovem, conhecimento acumulado e uma extraordinária energia humana. A questão decisiva é compreender de que modo todo esse potencial pode ser convertido em desenvolvimento humano, prosperidade e oportunidades efetivas para os cidadãos.

É neste espaço de interrogação que a nova obra de Oscar da Mata procura intervir: questionando certezas, contrariando ideias instaladas e abrindo caminho à discussão de alternativas.

Manuel Alves da Rocha: uma obra para uma universidade de pensamento livre

A segunda intervenção chegou de Luanda, através de uma mensagem gravada pelo Professor Doutor Manuel Alves da Rocha, economista, investigador e antigo colega de Oscar da Mata na Universidade Católica de Angola.

Manuel Alves da Rocha começou por reconhecer o carácter abrangente e potencialmente polémico da obra, sobretudo porque o autor coloca em confronto diferentes conceções sobre o funcionamento da economia, o papel do Estado, a liberdade económica, o investimento privado, a formação dos preços e a capacidade do mercado para orientar decisões.

O académico considerou que o livro realiza uma análise dos principais equívocos associados aos modelos económicos que atribuem ao Estado uma posição dominante na dinamização do circuito económico. Ao transportar essa discussão para a realidade angolana, a obra ganha particular relevância devido à permanência de práticas e referências herdadas do período da economia centralizada.

“O livro é excelente”, declarou Manuel Alves da Rocha, descrevendo a leitura como “uma viagem muito interessante pelos mitos da economia”.

Apesar de reconhecer que praticamente já ninguém defenderá em Angola um modelo integralmente centralizado no Estado, Alves da Rocha advertiu que a realidade do país continua a exigir uma discussão cuidadosa sobre os limites e as responsabilidades da intervenção pública. Angola permanece, nas suas palavras, uma “economia por fazer”, com grandes necessidades ao nível das infraestruturas, da educação e da saúde.

A sua mensagem não procurou, por isso, reduzir a questão a uma oposição simples entre Estado e mercado. Chamou antes a atenção para a necessidade de estudar qual o modelo económico mais adequado às condições concretas do país.

No final, deixou um desafio aos docentes e investigadores das áreas da macroeconomia, da política monetária e da política financeira: que encontrem na obra novos elementos para prosseguir o debate académico e para afirmar a Universidade Católica de Angola como uma instituição de pensamento livre.

Fernando Jorge Cardoso: “O livro é deliberadamente polémico e defende uma tese”

Seguiu-se a intervenção do Professor Doutor Fernando Jorge Cardoso, professor catedrático da Universidade Autónoma de Lisboa e diretor executivo do Clube de Lisboa, que começou por recordar a relação académica que mantém com Oscar da Mata desde os finais do século passado: primeiro, na condição de professor e estudante; agora, como apresentador e autor.

Fernando Jorge Cardoso definiu desde logo a natureza da obra: “Mitos Económicos de Angola não é um tratado académico de economia.” Trata-se, como indica o subtítulo, de um ensaio sobre liberdade e criação de riqueza.

“O livro é deliberadamente polémico e defende uma tese”, acrescentou.

Na sua leitura, o autor parte da convicção de que determinadas ideias, profundamente enraizadas na sociedade angolana e repetidas ao longo de décadas, adquiriram o estatuto de verdades aparentemente evidentes. Entre elas encontram-se explicações sobre a inflação, os efeitos dos controlos administrativos de preços, os subsídios, a criação de emprego público, as margens de lucro, o planeamento centralizado, a tributação e a própria relação entre socialismo, pobreza e proteção social.

Fernando Jorge Cardoso identificou três méritos fundamentais na obra. O primeiro é a clareza do argumento em defesa da liberdade económica e contra o excesso de intervenção administrativa do Estado. O segundo é a atenção dada aos incentivos, lembrando que cidadãos, empresas, funcionários públicos e investidores adaptam os seus comportamentos às condições criadas pelas políticas económicas. O terceiro é a insistência numa ideia essencial: a riqueza precisa de ser criada antes de poder ser distribuída.

Nas economias muito dependentes dos recursos naturais, observou, existe o risco de confundir a apropriação de rendimentos provenientes desses recursos com a verdadeira criação de riqueza. Receber receitas da exportação de petróleo não equivale a construir uma economia capaz de produzir bens e serviços de forma sustentável, inovar, aumentar a produtividade, criar empresas e elevar os rendimentos das famílias.

O apresentador aproximou algumas das ideias do livro do pensamento de Friedrich Hayek e de Milton Friedman. Destacou, em particular, a importância atribuída ao sistema de preços como mecanismo de transmissão de informação e a crítica às decisões administrativas que podem distorcer os sinais recebidos pelos produtores, consumidores e investidores.

“O preço não é apenas aquilo que se paga por uma mercadoria, é também informação”, afirmou.

Fernando Jorge Cardoso introduziu, contudo, importantes elementos de problematização. Recordou que os mercados necessitam de instituições sólidas, regras previsíveis e uma governação capaz de garantir a concorrência. “A concorrência não nasce espontaneamente da privatização. Mercados eficientes pressupõem governação eficiente”, salientou.

Defendeu ainda que um monopólio público pode ser privatizado e continuar a funcionar como monopólio, sintetizando a questão numa formulação particularmente expressiva: “O oposto de mercado é monopólio, não é Estado.”

A partir das experiências de desenvolvimento da Coreia do Sul, de Taiwan, de Singapura e da China, Fernando Jorge Cardoso colocou uma das questões centrais da sua intervenção: talvez o problema não seja apenas determinar se uma economia necessita de mais ou de menos Estado, mas perceber que tipo de Estado existe, qual é a sua capacidade de atuação, a quem serve e perante quem responde.

A análise avançou depois para a ligação entre economia, instituições e poder político. A liberdade económica, argumentou, só pode ser exercida plenamente quando existem condições institucionais que garantam que as mesmas regras se aplicam a todos, e não apenas aos agentes que dispõem de acesso privilegiado ao poder.

Neste contexto, abordou também a ética, a corrupção, o clientelismo e a competição pelo acesso às rendas públicas. Quando a proximidade do poder oferece maiores vantagens do que a inovação, o investimento produtivo ou o risco empresarial, os agentes económicos respondem racionalmente a esse sistema de incentivos. A competição pela criação de riqueza pode, então, ser substituída pela competição pelo acesso a contratos, licenças, créditos, concessões e privatizações.

Fernando Jorge Cardoso concluiu que o livro deve ser entendido “menos [como] um ponto de chegada do que um excelente ponto de partida”. O seu mérito está em incomodar, questionar ideias instaladas e deixar o leitor com vontade de prosseguir a discussão.

Oscar da Mata: transformar recursos em bem-estar

Na intervenção final, Oscar da Mata agradeceu a presença do público e reconheceu o contributo de Fernando Jorge Cardoso, recordando a relação de muitos anos que os une.

O autor explicou que a decisão de escrever o livro nasceu de um “imperativo de consciência”. Ao longo de sucessivas gerações, afirmou, muitos angolanos foram confrontados com a distância entre as expectativas criadas em torno de um país com enormes possibilidades e os resultados efetivamente alcançados.

A obra foi sendo construída a partir de notas acumuladas durante anos, da experiência profissional do autor no sector financeiro e da observação direta da economia angolana. Oscar da Mata esclareceu também que procurou escrever numa linguagem acessível, apoiada em exemplos concretos e dirigida a um público mais vasto.

“Eu não escrevi para economistas”, afirmou, explicando que o seu objetivo foi tornar a reflexão compreensível e intuitiva, sem abandonar o rigor do raciocínio económico.

Acima de tudo, acrescentou, “o que me moveu foi tentar estabelecer um ponto de discussão, uma visão diferente sobre o país, e tentar que essa discussão fosse aberta”.

O autor reconheceu que o livro foi concebido para provocar, retirar os leitores de uma certa zona de conforto e suscitar discordâncias, mas insistiu que essa provocação deve conduzir a um debate construtivo.

Oscar da Mata rejeitou uma leitura simplista da sua posição: “Eu não tenho nenhum dogma contra o Estado.” A questão central da obra não é definir, de forma abstrata, todos os sectores pelos quais o Estado deve ou não ser responsável. O problema é compreender o paradoxo de um país dotado de tantos recursos que continua a revelar dificuldades em convertê-los em riqueza e bem-estar para a população.

Para que os recursos naturais possam adquirir verdadeiro valor económico e social, explicou, é necessário que existam condições para investir, arriscar capital, empreender, produzir, criar empregos e transformar esses recursos em bens úteis à sociedade. Sem segurança jurídica, regras claras, proteção dos contratos, estabilidade monetária e condições favoráveis ao investimento produtivo, a riqueza pode permanecer no subsolo sem produzir desenvolvimento.

O autor afirmou que o referencial da economia angolana continuou fortemente centrado no Estado, mesmo depois do abandono formal do planeamento central. Na sua leitura, a abertura ao mercado não foi acompanhada por uma transferência efetiva de protagonismo para a sociedade civil e para a iniciativa empresarial independente.

A forte gravitação da economia em torno do Orçamento Geral do Estado, os processos de licenciamento, a imprevisibilidade das regras e as dificuldades na proteção dos contratos foram apontados como obstáculos à atração de investimento estruturado e de longo prazo.

Oscar da Mata deu especial atenção à moeda e aos problemas monetários. A instabilidade cambial, observou, obriga muitos empresários a desviarem tempo e recursos da produção, da gestão e da criação de emprego para a proteção financeira do capital acumulado. Sem previsibilidade monetária, torna-se muito mais difícil planear investimentos e construir uma economia orientada para o futuro.

A formação dos preços surgiu igualmente como um elemento central. Para o autor, os preços transportam conhecimento e permitem que produtores e consumidores avaliem custos, escassez, procura e oportunidades. A sua manipulação administrativa pode esconder problemas e produzir decisões económicas desajustadas.

Na parte final, Oscar da Mata defendeu que os chamados mitos económicos persistem porque podem ser convenientes e porque, muitas vezes, a racionalidade política se sobrepõe ao diagnóstico económico. Sem um diagnóstico correto, advertiu, as políticas públicas dificilmente encontrarão soluções adequadas.

O autor terminou deixando claro que a obra não foi escrita apenas para interpretar o caminho percorrido por Angola desde a independência. “Eu não escrevi este livro para interpretar 50 anos de história”, declarou, projetando a reflexão para as decisões que irão marcar as próximas décadas do país.

O debate continuou com o público

Depois das quatro intervenções, a sessão abriu-se à participação da assistência. Mais do que procurar respostas definitivas, o encontro confirmou o objetivo central da obra: criar um espaço livre para confrontar ideias, rever diagnósticos e discutir o futuro económico de Angola.

Com a lotação esgotada muito antes da abertura das portas, a apresentação de Mitos Económicos de Angola transformou a Sala Polivalente da Biblioteca Palácio Galveias num lugar de reflexão intensa sobre um dos maiores desafios do país: como construir uma economia mais produtiva, mais livre, institucionalmente mais sólida e capaz de colocar a criação de riqueza ao serviço do desenvolvimento humano.

Mitos Económicos de Angola de Oscar da Mata
Mitos Económicos de Angola de Oscar da Mata

Este livro pode ser encomendado na Bertrand e Wook

«Em Angola não se lê pouco, lê-se mal»: Kalunga alerta para uma crise cultural e ontológica

O escritor, poeta e académico João Fernando André, conhecido literariamente como Kalunga, foi o convidado da “Grande Entrevista” da Rádio Mais. Numa conversa dedicada à literatura, à educação e à sociedade angolana, o autor de Matéria Negra apresentou um diagnóstico frontal sobre os principais desafios culturais do país.

Ao longo da entrevista, o Prof. Doutor João Fernando André destacou a força histórica da literatura angolana, que considera uma das mais robustas do espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. No entanto, advertiu que Angola começa a perder terreno para países como Moçambique, devido à ausência de uma verdadeira indústria cultural, à fragilidade do mercado editorial e à falta de políticas consistentes de apoio ao livro, à leitura, aos escritores e aos editores.

Kalunga chamou igualmente a atenção para o elevado preço do livro, a inexistência de uma indústria nacional de papel e celulose e as dificuldades enfrentadas pelos editores no acesso ao crédito. Para o escritor, Angola precisa de criar condições estruturais que permitam transformar a sua tradição literária numa indústria cultural sólida, capaz de ampliar a produção, a circulação e o acesso ao livro.

Um dos momentos mais marcantes da conversa surgiu quando afirmou: «Eu não acho que se esteja a ler pouco; acho que se esteja a ler mal.» O problema, explicou, não reside apenas na quantidade de informação consumida, mas sobretudo na qualidade das leituras e na relação cada vez mais frágil entre os cidadãos, o livro e o pensamento crítico. Nesse sentido, defendeu a presença de bibliotecas nas escolas, a inclusão da grande literatura angolana nos manuais de Língua Portuguesa e a implementação efetiva de uma política nacional do livro e da leitura.

O escritor foi também contundente ao abordar as insuficiências do sistema educativo: «Temos de deixar de inaugurar salas de aula. Temos de começar a inaugurar escolas.» Para João Fernando André, uma verdadeira escola não pode limitar-se às salas de aula: deve possuir bibliotecas, espaços desportivos, condições sanitárias adequadas e recursos que favoreçam uma aprendizagem completa e despertem, desde cedo, o gosto pela leitura.

A entrevista avança ainda para uma reflexão mais profunda sobre aquilo que Kalunga identifica como uma crise ontológica na sociedade angolana: uma progressiva valorização do “ter” em detrimento do “ser”, visível na perda de referências, na corrupção, no plágio e no enfraquecimento dos valores cívicos e morais. A inversão desse processo, sustenta o poeta, exige mais educação, instituições sólidas, uma comunicação social responsável e espaços de debate capazes de devolver centralidade ao conhecimento, à memória e à cultura.

Autor de Matéria Negra, obra publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club, Kalunga reafirma nesta entrevista a dimensão crítica e interventiva do seu pensamento. 

Vale a pena escutar o áudio da “Grande Entrevista” da Rádio Mais e acompanhar, na voz do próprio autor, esta importante reflexão sobre literatura, sociedade, educação e o futuro cultural de Angola.

Matéria Negra
Matéria Negra

Loja dos Autores regressa com segurança reforçada, novas campanhas e novidades editoriais

Loja dos Autores regressa com segurança reforçada, novas campanhas e novidades editoriais

Loja dos Autores | AUTORES.club está novamente disponível e preparada para receber encomendas dos livros publicados pela editora Perfil Criativo | AUTORES.club.

O regresso da loja online assinala uma nova etapa, depois de um período de instabilidade provocado por sucessivos ataques informáticos. O reforço das medidas de segurança e a melhoria do funcionamento da plataforma permitem agora proporcionar aos leitores uma experiência de compra mais segura, estável e eficiente.

Além das novidades editoriais, a reabertura será acompanhada por novas campanhas promocionais. Entre as iniciativas previstas encontra-se a disponibilização, a preços muito acessíveis, de obras raras e de títulos publicados há mais de dois anos. Será uma excelente oportunidade para descobrir livros que permanecem atuais, completar coleções e reencontrar autores fundamentais do catálogo da editora.

História, literatura, poesia, ensaio, investigação académica, cultura e pensamento continuam a ocupar um lugar central na seleção da Loja dos Autores.

As campanhas serão anunciadas progressivamente nos canais da editora, no AUTORES.club — Boletim Informativo em papel e postais de novidades Os leitores deverão, por isso, permanecer atentos: vêm aí novas publicações, condições especiais de compra e oportunidades únicas para adquirir títulos do catálogo da Perfil Criativo | AUTORES.club.

A Loja dos Autores está de volta. Visite-nos, descubra os nossos livros e fique atento às próximas novidades editoriais.

Informações e encomendas: encomendas@autores.club