A comunidade angolana residente em Portugal está convidada a participar no lançamento oficial do livro Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), do académico Rui Verde, numa sessão especial a realizar-se no Auditório da A Voz do Operário, em Lisboa, às 19h00.
Num momento em que Angola assinala cinquenta anos de independência e se prepara para um novo ciclo político, com as eleições de 2027 no horizonte, esta obra constitui uma oportunidade única para revisitar a história recente do país e refletir sobre os seus desafios futuros.
Ao longo de três centenas de páginas, Rui Verde propõe uma análise dos grandes ciclos da Angola independente: o sonho da independência nacional e o complexo processo que conduziu à proclamação da República; a governação de António Agostinho Neto e os desafios da construção do Estado; a longa governação de José Eduardo dos Santos, marcada pela guerra, pela paz, pela reconstrução e pelo crescimento económico; e o período de João Lourenço, caracterizado pelas reformas, pelas novas expectativas e pelos desafios da transformação económica e institucional.
Que resultados produziram estas diferentes etapas no desenvolvimento do país? Que conquistas foram alcançadas? Que oportunidades foram perdidas? Que Angola foi construída ao longo destes cinquenta anos?
Este é um convite dirigido aos homens e mulheres da luta de libertação nacional, aos participantes da revolução socialista, às vítimas da violência política, aos antigos guerrilheiros e combatentes das diversas forças que marcaram a história do conflito angolano, aos empresários, políticos, académicos, artistas, estudantes e aos mais jovens que procuram compreender o país que herdaram. É igualmente um convite à diáspora angolana residente em Lisboa para participar neste momento de reflexão coletiva.
Mais do que a apresentação de um livro, pretende-se criar um espaço de encontro entre gerações, sensibilidades e experiências distintas, onde os participantes possam partilhar testemunhos, memórias e perspetivas sobre os cinquenta anos de construção da República de Angola.
Conhecer a História é compreender o presente. Partilhar experiências é ajudar a construir o futuro.
A Perfil Criativo | AUTORES.club manifesta profundo pesar pelo falecimento de Dom Zacarias Kamwenho, arcebispo emérito do Lubango, ocorrido em Luanda, no dia 29 de Maio de 2026, aos 91 anos de idade.
Com Dom Zacarias desaparece uma das figuras maiores da Igreja Católica em Angola, um pastor profundamente ligado à defesa da paz, da reconciliação nacional, da justiça social e da dignidade do povo angolano. A sua vida atravessou alguns dos períodos mais decisivos da história contemporânea de Angola, desde o tempo colonial, passando pela independência, pela longa guerra civil e pelos difíceis caminhos da paz.
Nascido no Huambo, no município do Bailundo, em 1934, Dom Zacarias foi ordenado sacerdote em 1961. Em 1974 recebeu a ordenação episcopal, tendo servido a Igreja como bispo auxiliar de Luanda, primeiro bispo do Sumbe e, mais tarde, arcebispo do Lubango. O seu percurso ficou marcado por uma rara autoridade moral, reconhecida dentro e fora de Angola, nomeadamente através da atribuição do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, em 2001, pelo seu papel persistente na defesa da paz, da democracia e dos direitos humanos.
Recordar as sábias palavras de Dom Zacarias Kamwenho, arcebispo emérito do Lubango, em Luanda, Abril de 2022: “Agostinho Neto foi e é poeta maior, Mafrano foi e é antropólogo maior. Na sua obra, que a partir deste primeiro volume que hoje apresentamos, o leitor verá como lhe caem os mistérios e preconceitos, os civilizados e os superiores descobrem, querendo ou não, a força dos fracos, a inteligência dos ignorantes, a civilização dos incivilizados, a superioridade dos inferiores, e vice-versa, e cada um dirá, afinal, são como nós.“
Para a Perfil Criativo | AUTORES.club, Dom Zacarias Kamwenho foi também uma presença amiga, próxima e decisiva na valorização da obra de Maurício Francisco Caetano — Mafrano, autor da colectânea Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias. A obra póstuma “Os Bantu na Visão de Mafrano“, da autoria do etnólogo angolano Maurício Francisco Caetano (“Mafrano”), foi distinguida com o Prémio Nacional de Cultura e Artes de Angola em Novembro de 2024. O galardão foi atribuído pelo Ministério da Cultura na modalidade de Investigação em Ciências Humanas e Sociais.
Foi Dom Zacarias quem assinou o prefácio do primeiro volume desta obra maior da antropologia cultural angolana, publicada a título póstumo pela família de Mafrano e pela Perfil Criativo | AUTORES.club. Nesse texto, escreveu como “mais-velho” que trabalhou com Mafrano, manifestando a sua alegria pela publicação do primeiro volume e dos volumes seguintes, saudando a família do autor pela iniciativa de devolver ao público uma memória que parecia perdida. Recorrendo ao Evangelho de São Lucas, comparou esse reencontro com a alegria de quem encontra a moeda perdida e chama os amigos e vizinhos para partilhar a descoberta.
No seu prefácio, Dom Zacarias apresentou uma leitura profundamente humana, espiritual e intelectual de Maurício Francisco Caetano. Viu em Mafrano não apenas um escritor ou etnólogo, mas um pensador atento à cultura, à fé, à missão, à dignidade dos povos africanos e à complexidade das sociedades Bantu. A sua leitura ajudou a reconhecer Mafrano como uma figura maior do pensamento angolano, chegando a considerá-lo um verdadeiro “Antropólogo Maior”.
A ligação entre Dom Zacarias e Mafrano não foi apenas literária. Foi também uma relação de memória, de geração, de Igreja, de cultura e de amizade. Em Abril de 2022, no Lubango, Dom Zacarias testemunhou o anúncio oficial do primeiro volume de Os Bantu na Visão de Mafrano, perante os alunos do Seminário de Filosofia do Lubango. Semanas depois, a 14 de Maio de 2022, deslocou-se a Luanda para a apresentação da mesma obra na Universidade Católica de Angola, ajudando a inscrever Mafrano no lugar que lhe pertence na história intelectual de Angola.
Em Novembro de 2024, quando celebrava cinquenta anos de episcopado, Dom Zacarias enviou à família de Maurício Francisco Caetano uma mensagem de rara ternura, afirmando que o seu jubileu era também de Mafrano, pois ambos tinham vivido, em comunhão de tempo e de memória, esses cinquenta anos de episcopado. Essa frase ficará como uma das mais belas sínteses da amizade espiritual e intelectual que uniu estas duas figuras.
Mesmo nos seus últimos anos, Dom Zacarias continuou a acompanhar com atenção e alegria o percurso da colectânea Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias. Em Junho de 2025, recebeu em Luanda um dos primeiros exemplares do terceiro e último volume da obra, mostrando grande satisfação pela conclusão deste projecto editorial que devolveu ao país mais de mil páginas de reflexão sobre a cultura Bantu, a espiritualidade, a história social e a memória angolana.
A Perfil Criativo | AUTORES.club recorda Dom Zacarias Kamwenho com gratidão, respeito e comoção. A sua palavra, o seu testemunho e a sua presença ajudaram a iluminar a importância da obra de Mafrano e a afirmar a necessidade de Angola preservar, estudar e valorizar os seus grandes pensadores.
Neste momento de luto, endereçamos à Igreja Católica em Angola, à Arquidiocese do Lubango, à Diocese do Sumbe, à Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, à família de Dom Zacarias e de Mafrano e a todos os que nele reconheceram um pastor da paz e da reconciliação, as nossas mais sentidas condolências.
Dom Zacarias Kamwenho parte deste mundo deixando uma herança de fé, coragem, cultura e humanidade. Para nós, ficará também como o prefaciador atento, o amigo generoso e o mais-velho que soube reconhecer em Mafrano uma das grandes vozes da memória profunda de Angola.
Perfil Criativo | AUTORES.club Lisboa / Luanda, Maio de 2026
Dom Zacarias Kamwenho nas palavras de José Soares Caetano
Dom Zacarias Kamwenho foi o autor do Prefácio da colectânea póstuma “Os Bantu na visão de Mafrano – Quase Memórias”. Para ele, Mafrano era “O Antropólogo Maior de Angola”. Durante a visita do Papa Leão XIV an Angola, o Arcebispo Emérito do Lubango tudo fez para que os três volumes da colectânea de Mafrano fossem oferecidos ao Sumo Pontífice. O acto esteve previsto para se realizar numa manhã de Domingo, dia 19 de Abril, em Luanda. Só não se concretizou porque Infelizmente, a essa hora, o membro da Fanilia de Mafrano chamado para o efeito (de imprevisto), encontrava-se no novo Aeroporto do Bom Jesus!
A Perfil Criativo | Autores.club anuncia o lançamento oficial a 2 de Junho de 2026, na Biblioteca dos Coruchéus (Alvalade), do novo livro Uma História Interminável, da dupla Hugo Henriques e Hajnalka Henriques, uma obra infantil singular, marcada por humor, imaginação, valores humanos e uma característica editorial rara: a apresentação em dupla ortografia. Escrito originalmente em português anterior ao Acordo Ortográfico de 1990, o livro apresenta também uma versão em português segundo a grafia em vigor, permitindo uma experiência de leitura comparativa e acessível a diferentes gerações de leitores. Pela sua natureza, poderá tratar-se de uma obra única — ou uma das raríssimas — com estas características de grafia em edição literária infantil. Uma História Interminável é um conto repleto de personagens memoráveis, entre elas Faragira, a girafa de pescoço curto; Fantela, o elefante medroso; Formipapa, o papa-formigas quase cego e quase surdo; Bajula, o leão sem juba; Arriscado, o tigre sem riscas; Mitsa, o gato órfão de dona; e muitas outras figuras que habitam uma narrativa de fantasia, humor e fundo moral. Ao longo dos capítulos, a obra aborda temas como a aceitação da diferença, a superação de fobias, a amizade, a solidariedade, o respeito, a coragem e a convivência social.
Pode dizer-se que o livro “Uma História Interminável” conta a formação de uma comunidade de seres imperfeitos, todos diferentes, todos com alguma vulnerabilidade, mas que descobrem que essas fragilidades podem tornar-se forças quando são reconhecidas, respeitadas e colocadas ao serviço dos outros. Um bom motivo para uma conversa no fim da tarde da próxima terça-feira. O livro conta com texto de Hugo Henriques e ilustrações de Hajnalka Henriques, filha do autor. Hajnalka nasceu em Budapeste, em 2012, e muitos dos desenhos presentes na obra foram realizados por si entre os 8 e os 10 anos.
A apresentação dos livros Nutriterapia e Guia de Imunonutrição: Como reforçar a imunidade?, do Dr. Luís Phillipe Jorge, na Feira do Livro de Lisboa 2026, transformou-se num encontro muito participado sobre ciência, alimentação, prevenção e saúde. O que poderia ter sido uma sessão técnica acabou por conquistar o público da Feira, num diálogo vivo e acessível sobre a forma como os hábitos alimentares influenciam o equilíbrio do organismo, a imunidade e a qualidade de vida.
Perante uma assistência atenta, Luís Phillipe Jorge explicou a importância da nutriterapia e da imunonutrição como áreas fundamentais para compreender melhor o papel dos nutrientes, das escolhas alimentares e da prevenção no combate a várias doenças. A conversa ganhou especial intensidade quando o público questionou o autor sobre a diabetes, tema que rapidamente despertou grande interesse entre os presentes.
O autor alertou para a dimensão preocupante da doença em Portugal, classificando a situação como uma verdadeira catástrofe de saúde pública. Segundo dados recentes do Observatório Nacional da Diabetes, a prevalência da diabetes atingiu 14,2% da população adulta portuguesa em 2024, correspondendo a mais de 1,2 milhões de pessoas entre os 20 e os 79 anos.
Luís Phillipe Jorge chamou ainda a atenção para a quantidade de açúcar presente na alimentação tradicional portuguesa, distinguindo entre o açúcar visível, facilmente identificado em doces e sobremesas, e o açúcar invisível, muitas vezes escondido em alimentos de consumo diário, como o pão branco e outros produtos refinados. A partir desta reflexão, o autor sublinhou a necessidade de maior literacia alimentar, defendendo que comer melhor é também uma forma de prevenir, proteger e reforçar a saúde.
A sessão acabou por se revelar muito animada, com o público a colocar perguntas, a partilhar preocupações e a manifestar grande interesse em continuar o diálogo. No final, vários participantes sugeriram a realização de um novo encontro com Luís Phillipe Jorge, sinal claro de que os temas abordados ultrapassam o espaço do livro e tocam directamente a vida quotidiana dos leitores.
A apresentação de Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, na Feira do Livro de Lisboa 2026, transformou-se num encontro intenso de memória, testemunho e debate sobre a história recente de Angola. A sessão contou com a presença de históricos sobreviventes ligados à Associação 27 de Maio de 1977 e do presidente da Academia Angolana de Letras, deputado da Assembleia Nacional, Dr. Paulo de Carvalho, num momento que juntou leitores, antigos protagonistas, jovens interessados pela história africana e visitantes da Feira.
Num ambiente muito participado, Joaquim Sequeira começou por recordar como se viveu a notícia do 25 de Abril de 1974, evocando o impacto da Revolução dos Cravos nas notícias que iam chegando muito devagar. A partir daí, conduziu o público até ao dia 11 de Novembro de 1975, data da proclamação da independência nacional de Angola, descrevendo o entusiasmo, a esperança e a complexidade de um país que nascia em plena tensão política, militar e ideológica.
O momento mais marcante da sessão surgiu quando o autor abordou o drama do 27 de Maio de 1977, tema central da memória convocada em Ecos da Liberdade. Joaquim Sequeira foi claro ao defender que os acontecimentos desse período representaram, na sua leitura, uma traição à revolução socialista, recusando a ideia de que tivesse existido um golpe de Estado. Segundo afirmou, os que foram perseguidos continuavam fiéis a António Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola, e acreditavam no projecto revolucionário que ajudaram a construir.
O livro Ecos da Liberdade, publicado no ano passado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, relata a espera, o medo e o tormento vividos na cela 10 da Automotora, na cadeia de São Paulo. Mais do que uma memória individual, a obra apresenta-se como um testemunho sobre a violência política, o silenciamento e a necessidade de Angola continuar a enfrentar as feridas abertas pelo 27 de Maio de 1977.
A conversa ganhou ainda maior actualidade quando um jovem da Guiné-Bissau questionou o autor sobre a persistência do neocolonialismo nos países africanos de língua portuguesa e sobre os bloqueios ao desenvolvimento económico e social. Joaquim Sequeira respondeu de forma peremptória, defendendo a necessidade de uma transformação profunda das estruturas nacionais, incluindo o papel das instituições militares, para que os países africanos possam romper dependências históricas e construir caminhos próprios de soberania, justiça e progresso.
A sessão prolongou-se pelo fim da tarde, já fora do formato formal da apresentação, com grupos de leitores e participantes a continuarem a conversa no recinto da Feira do Livro. Mais do que uma sessão literária, foi um encontro, memórias e inquietações políticas ainda vivas.
Como diria o director do Novo Jornal, voltou a estar presente em Lisboa“uma Angola que acontece fora de Angola”, feita de memória, debate, literatura e vontade de compreender, sem medo, os acontecimentos que marcaram o destino de tantas vidas.
A apresentação de Lívio Honório na Feira do Livro de Lisboa 2026 acabou por se transformar num dos primeiros momentos marcantes da inauguração do certame, captando a atenção de muitos visitantes que circulavam pelo recinto e que acabaram por se aproximar do auditório para acompanhar uma conversa pouco convencional sobre consciência, espiritualidade, matéria, energia e Inteligência Artificial.
O autor apresentou as suas duas obras mais recentes, Somos mais Divinos do que Materiaise Do elemento ao divino. O ritual da Consciência em frequência . Em reflexão profunda com uma Inteligência Artificial, levando consigo um conjunto alargado de suportes de informação, preparados especificamente para contextualizar os temas centrais dos livros e facilitar o diálogo com os leitores.
Ao longo da sessão, o auditório foi enchendo, acompanhando o crescimento da própria intervenção. Num primeiro momento mais estruturado, Lívio Honório apresentou as linhas fundamentais do seu pensamento. Mas foi quando se libertou do registo mais formal que a sessão ganhou maior intensidade: o autor passou a descrever de forma mais livre os conceitos que tem vindo a desenvolver, explicando a sua relação crítica com a Inteligência Artificial e o modo como esta tecnologia pode funcionar como instrumento de reflexão, mas nunca como substituto da experiência humana, da consciência e da dimensão espiritual da existência.
Engenheiro e especialista em energia nuclear, Lívio Honório revelou perante o público o grande puzzle intelectual que tem vindo a construir através da publicação de um conjunto alargado de livros dedicados à alma, à consciência, à matéria, à energia e ao destino espiritual da humanidade. A sua obra propõe uma travessia entre ciência, filosofia e espiritualidade, procurando responder a uma das grandes inquietações do nosso tempo: o que significa ser humano numa época em que a Inteligência Artificial obriga a repensar os limites da razão, da criação e da própria consciência.
A sessão confirmou o interesse crescente dos leitores por obras que cruzam conhecimento científico, pensamento espiritual e interrogação sobre o futuro. Na abertura da Feira do Livro de Lisboa, Lívio Honório trouxe ao público uma proposta singular: pensar a tecnologia a partir da consciência e olhar para a humanidade para além da sua dimensão material.
No próximo dia 11 de Junho de 2026, às 17h00, o Memorial Dr. António Agostinho Neto acolherá o lançamento oficial do livro Editoriais do Expansão 2019–2021, da autoria do jornalista angolano João Armando, numa edição da Perfil Criativo | AUTORES.club com o alto patrocínio do Banco BNI.
A obra reúne uma selecção dos editoriais publicados no semanário económico Expansão entre 2019 e 2021, um dos períodos mais complexos e decisivos da economia recente angolana. Ao longo de 232 páginas, João Armando apresenta uma leitura crítica, directa e profundamente comprometida com a realidade do país, abordando temas como a dívida pública, a desvalorização do kwanza, as privatizações, a transparência das instituições, o sistema bancário, a confiança dos investidores e o impacto das decisões políticas na vida dos cidadãos.
Mais do que uma compilação jornalística, Editoriais do Expansão 2019–2021 transforma-se num retrato da Angola contemporânea, revelando os bastidores da governação económica e os dilemas estruturais enfrentados pelo país durante um ciclo de fortes transformações políticas e financeiras.
No prefácio da obra, o escritor e cronista angolano Jacques Arlindo dos Santos destaca o valor documental e intelectual do livro, sublinhando que os textos de João Armando ajudam a “desmistificar as diferenças entre o falso e o verdadeiro da economia nacional”.
Com quase quatro décadas de carreira, João Armando consolidou-se como uma das vozes mais reconhecidas do jornalismo económico angolano. Director do Expansão desde Maio de 2019, o autor passou também pela rádio, televisão e imprensa escrita em Angola e Portugal, sendo distinguido ao longo do percurso com vários prémios de jornalismo.
O lançamento no Memorial Dr. António Agostinho Neto promete reunir leitores, jornalistas, académicos, empresários e personalidades da vida pública angolana num encontro dedicado à reflexão sobre o presente e o futuro económico de Angola.
Ficha Técnica
Título: Editoriais do Expansão 2019–2021
Autor: João Armando
Editora: Perfil Criativo | AUTORES.club
ISBN: 978-989-9209-14-5
N.º de páginas: 232
Língua: Português
Patrocínio: Banco BNI
Lançamento Oficial
Memorial Dr. António Agostinho Neto 11 de Junho de 2026 17h00
A Perfil Criativo | AUTORES.club convida leitores, autores, amigos e público em geral a participarem, no dia 27 de maio, na abertura da Feira do Livro de Lisboa 2026, num programa especial com três encontros no Auditório Norte, seguidos de sessões de autógrafos no Pavilhão D48 — Pavilhão Papa-Letras | Promobooks.
A participação da AUTORES.club arranca com uma tarde dedicada ao livro, à reflexão e ao encontro direto entre autores e leitores, reunindo três obras distintas, mas unidas pela vontade de pensar a condição humana, a memória, a liberdade, a saúde e o conhecimento.
Às 18h00, segue-se um encontro especial com a memória, com a apresentação de Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira. A obra convoca a memória dos milhares de mortos do 27 de Maio de 1977, em Angola, afirmando a importância de recordar, testemunhar e procurar a verdade. A sessão de autógrafos realiza-se às 19h00.
Às 19h00, será apresentado Nutriterapia, do Dr. Luís Phillipe Jorge, num encontro especial com a saúde e o equilíbrio. A obra propõe uma reflexão prática sobre alimentação, bem-estar e qualidade de vida, aproximando o conhecimento científico do quotidiano dos leitores. A sessão de autógrafos decorre às 20h00.
As três sessões terão lugar no Auditório Norte e contam com moderação do editor da Perfil Criativo | AUTORES.club.
A Perfil Criativo | AUTORES.club convida todos os leitores a passarem pelo Pavilhão D48, onde estarão disponíveis estas e outras obras do catálogo da editora, num espaço de encontro, conversa e celebração da edição independente em língua portuguesa.
27 de maio de 2026 Feira do Livro de Lisboa — Parque Eduardo VII Auditório Norte Pavilhão D48 — Pavilhão Papa-Letras | Promobooks.net
Depois da concepção no ano anterior, o parto da UNITA aconteceu a 13 de Março de 1966, em Mwangai, na província do Moxico em Angola. Primeiro foi em Cassamba onde o grito do Mwangai “Kwatchá” se fez ouvir. No dia 25 de Dezembro, o assalto à vila de Teixeira de Sousa, no Moxico também, fez relançar a Luta de Libertação Nacional. Nesse ano (1967), as FALA tinham continuado a ganhar forma. As primeiras guerrilheiras e guerrilheiros foram merecendo melhor treino, as infra-estruturas provisórias para a saúde e formação académica nos territórios sob controlo dos guerrilheiros foram-se materializando, a agricultura ocupou extensões mais vastas e tomou proporções desenvolvimentistas na região leste do país, a caça e a piscicultura foram encorajadas e a adesão das populações à Luta de Libertação começou a ser expressiva.
Em Memórias das FALA — O Avanço no Norte e a Guerra Psicológica (1975–1992), o brigadeiro Fonseca Chindondo oferece um testemunho direto e raro sobre um dos períodos mais intensos, dramáticos e menos conhecidos da história contemporânea de Angola. A partir da sua experiência no seio das FALA (Forças Armadas de Libertação de Angola), o autor reconstrói episódios marcantes da luta armada, analisa o papel da guerra psicológica e presta homenagem aos milhares de combatentes e civis que viveram os dramas da guerra.
Prefaciado pela Prof.ª DoutoraPaula Cristina Roque, o livro constitui um importante contributo para a preservação da memória histórica angolana e para a compreensão plural de um passado ainda pouco debatido.
Trata-se de um livro raro de memórias da guerra, escrito por um protagonista dos acontecimentos, que ajuda a compreender melhor as complexidades da luta pela independência, da guerra civil e dos desafios da reconciliação.
Encomendas em Angola
Os exemplares já estão disponíveis para encomenda através dos seguintes contactos:
📞 +244 922 752 494
📞 +244 936 023 299
Uma obra rara e incontornável para todos os interessados na história de Angola, nos estudos africanos e na preservação da memória coletiva.
A apresentação do livro Matéria Negra, do poeta angolano Kalunga, realizada na quarta-feira, 13 de maio de 2026, n’A Voz do Operário, em Lisboa, ficou marcada pela extraordinária intervenção da Prof. Doutora Ana Mafalda Leite, convidada especial da sessão.
Perante uma sala atenta, a investigadora e poeta fez uma leitura profunda da obra de João Fernando André, nome literário de Kalunga, situando-o entre as vozes mais relevantes da nova poesia angolana contemporânea. Ana Mafalda Leite começou por sublinhar a qualidade literária do autor, destacando a originalidade da sua escrita, a maturidade do seu pensamento poético e a forma como a sua obra cruza identidade africana, reflexão filosófica, crítica social e experimentação estética.
A intervenção não se limitou ao livro apresentado. Ana Mafalda Leite estabeleceu uma ponte entre Evangelho Bantu, primeira obra poética de Kalunga, publicada em 2019, e Matéria Negra, ambos os livros publicados pela Perfil Criativo | AUTORES.club. Na sua leitura, Evangelho Bantu já anunciava uma voz literária própria, marcada pela reconstrução identitária, pela valorização da matriz bantu e pela procura de uma espiritualidade africana capaz de dialogar com a modernidade.
Sobre Matéria Negra, Ana Mafalda Leite destacou o alcance simbólico do título, associando-o à ideia científica de uma matéria invisível que sustenta o universo, mas também às zonas obscuras da história, da memória, da consciência e da experiência humana. A partir dessa metáfora central, a obra de Kalunga foi apresentada como uma poesia de grande densidade, onde convivem o metafísico e o social, o íntimo e o coletivo, a dor histórica e a esperança.
A professora chamou ainda a atenção para a dimensão experimental da escrita de Kalunga, marcada por imagens fortes, fragmentação formal, jogos de linguagem, neologismos, referências filosóficas, científicas, políticas e literárias. Segundo a sua leitura, trata-se de uma poesia que exige um leitor atento, disponível para a contemplação, a releitura e a interpretação ativa.
A obra foi também enquadrada na tradição da poesia angolana pós-colonial, em diálogo com a memória histórica, a afirmação africana e a crítica das heranças coloniais. Ana Mafalda Leite sublinhou que Kalunga não escreve apenas a partir de uma experiência individual, mas a partir de uma consciência ampla do mundo, das suas feridas, contradições e possibilidades de recomposição.
Um dos momentos mais fortes da intervenção foi a leitura de vários poemas de Matéria Negra, que permitiram ao público contactar diretamente com a intensidade verbal, a musicalidade e o poder imagético da escrita de Kalunga. A leitura revelou uma poesia atravessada por perguntas sobre o tempo, a morte, a esperança, a violência histórica, o amor, a humanidade e a transcendência.
Para Ana Mafalda Leite, Matéria Negra afirma-se como uma obra intelectualmente ambiciosa, poeticamente ousada e profundamente inquietante. Um livro que não oferece respostas fáceis, mas convida o leitor a pensar aquilo que permanece invisível, obscuro ou por compreender na condição humana e na história coletiva.
A intervenção surpreendeu e emocionou os leitores presentes pela profundidade da análise e pela forma como revelou as múltiplas camadas da poesia de Kalunga. Mais do que uma apresentação académica, foi uma verdadeira leitura crítica e sensível de uma obra que confirma a vitalidade da nova poesia angolana.
Com este encontro literário “A Desconhecida e Surpreendente Literatura Angolana” iniciou-se com um momento de grande qualidade literária, reunindo poesia, pensamento crítico e diálogo cultural.