No passado dia 1 de abril de 2026, a Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa, foi palco do encontro “Angola do Século XIX: Palavra, Imprensa e Consciência”, uma iniciativa centrada na apresentação do livro Chão de Kanâmbua / O Feitiço de Kangombe, de Tomás Lima Coelho.
O evento reuniu investigadores, escritores e público interessado numa reflexão aprofundada sobre um período decisivo da história de Angola, marcado pela introdução da imprensa, pela presença dos degredados, pela emergência dos primeiros intelectuais africanos e pela formação de uma consciência crítica que antecipa a ideia de nação. Ao longo da sessão, destacou-se o cruzamento entre literatura, história e pensamento político-cultural, num diálogo que permitiu revisitar os contextos, as vozes e os processos que contribuíram para a construção dos primeiros imaginários modernos angolanos.
No âmbito da cobertura do encontro, apresentamos agora os vídeos das intervenções dos convidados especiais, permitindo acompanhar de forma integral os principais momentos de reflexão e debate, com participações de Jorge Arrimar, Alberto Oliveira Pinto, Tomás Lima Coelho e João Fernando André.
A iniciativa confirmou a relevância de revisitar o século XIX angolano como momento fundacional de processos culturais e políticos que continuam a marcar o presente. Com a disponibilização dos registos audiovisuais, prolonga-se agora o alcance deste debate, permitindo que um público mais amplo aceda às ideias e interpretações partilhadas na Biblioteca Palácio Galveias.
Tomás Lima Coelho nos agradecimentos durante o encontro “Angola do Século XIX: Palavra, Imprensa e Consciência”, momento que serviu para a apresentação da obra Chão de Kanâmbua / O Feitiço de Kangombe
Intervenção de Jorge Arrimar na apresentação do livro Chão de Kanambua, de Tomás Lima Coelho
Intervenção do historiador angolano Alberto Oliveira Pinto, uma das vozes mais dinâmicas na divulgação da História de Angola
João Fernando André (Kalunga): a voz crítica de uma nova geração angolana
João Fernando André (Kalunga): literatura, história e consciência crítica de Angola
No passado dia 1 de abril, a Biblioteca Palácio Galveias recebeu o encontro “Angola do Século XIX: Palavra, Imprensa e Consciência”, momento que serviu para a apresentação da obra Chão de Kanâmbua / O Feitiço de Kangombe, de Tomás Lima Coelho.
Entre as intervenções, destacou-se a participação do académico angolano João Fernando André, conhecido no campo literário como Kalunga, escritor, consultor cultural e professor de língua portuguesa e literaturas, atualmente em fase final do seu doutoramento em Lisboa.
Uma leitura crítica do romance histórico
Partindo de uma abordagem sistemática da obra, João Fernando André propõe uma verdadeira “dissecação” do romance, destacando a sua densidade histórica e social.
A obra é apresentada como um romance histórico sobre o florescimento de Malanje, centrado nas relações entre autóctones, degredados e autoridades coloniais.
A narrativa estrutura-se através de memória e movimento, recorrendo a analépses e prolepses que acompanham a trajetória do protagonista Manuel Justino.
O romance oferece um panorama detalhado da sociedade angolana entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX.
Degredo, violência e formação da sociedade colonial
Um dos eixos centrais da intervenção prende-se com a análise do sistema de degredo e do seu impacto na formação social de Angola.
Os degredados são descritos como “indesejados do reino”, enviados para África como instrumento de colonização penal.
A obra revela uma sociedade marcada por exploração, desigualdade social, violência, preconceito e epistemicídio.
Apesar disso, evidencia também relações de fraternidade e humanidade entre degredados e populações locais.
Grande parte da riqueza colonial é apresentada como resultado do trabalho dos autóctones, que paradoxalmente eram os menos beneficiados pelo sistema.
Igreja, ciência e poder colonial sob crítica
A intervenção de João Fernando André destaca o forte teor crítico da obra face às instituições coloniais.
A Igreja surge, em várias passagens, como espaço de poder, injustiça e corrupção, incluindo denúncias de abusos e discriminação.
Os exploradores e cientistas europeus são criticados pela sua incapacidade de reconhecer a igualdade humana, sustentando práticas de superioridade racial e desumanização.
A obra denuncia a coisificação do homem africano e a desvalorização dos saberes endógenos.
Imprensa, pensamento e resistência
A intervenção sublinha ainda o papel histórico da imprensa em Angola.
Desde 1845, com a introdução da imprensa, surgiram dezenas de periódicos, muitos dos quais foram posteriormente encerrados pela administração colonial.
A imprensa é apresentada como espaço de luta contra o racismo e a desigualdade, protagonizada por elites locais e intelectuais africanos.
Entre história e simbolismo: Kanâmbua e Kangombe
João Fernando André chama a atenção para a dimensão simbólica da obra, expressa no título e no pós-título.
Kanâmbua representa o espaço de transformação e renascimento do protagonista.
Kangombe introduz uma dimensão mística, associada a forças sobrenaturais e à memória do trauma.
A obra articula duas narrativas paralelas: a história social de Manuel Justino e uma história simbólica mais profunda.
Literatura como espelho e intervenção
A leitura proposta por João Fernando André reforça a ideia de que a literatura ultrapassa o plano ficcional.
A obra funciona como “radiografia da sociedade colonial angolana”, revelando as suas contradições estruturais.
A literatura é entendida como instrumento de denúncia, memória e reflexão crítica.
Uma voz independente da nova geração
A intervenção confirma João Fernando André como uma das vozes mais consistentes da nova geração intelectual angolana. Nascido já na República de Angola, afirma-se com um discurso crítico, informado e independente, afastado da propaganda oficial e comprometido com uma leitura profunda da história e da sociedade.
João Fernando André emerge como um verdadeiro embaixador cultural de Angola, articulando investigação académica, pensamento crítico e criação literária.
Brevemente: Matéria Negra
O autor desta intervenção, na voz do poeta Kalunga, prepara-se para apresentar em Portugal o seu novo livro de poesia, Matéria Negra, que deverá prolongar esta mesma linha de reflexão crítica e densidade simbólica.
“Faro e Enigmas” – Novo livro de poesia de Elsa Major apresentado em Portugal no final de abril
A poetisa angolana Elsa Major lança em Portugal a sua mais recente obra, Faro e Enigmas, um livro de poesia que afirma uma voz intensa, sensorial e profundamente enraizada na identidade cultural africana.
A apresentação oficial terá lugar no final do mês de abril, marcando o encontro entre a autora e o público português, num momento que celebra a literatura lusófona contemporânea e o diálogo cultural entre Portugal e Angola.
Uma poesia entre o corpo, a terra e a memória
Em Faro e Enigmas, Elsa Major conduz o leitor por uma viagem poética onde o amor, a sensualidade, a espiritualidade e a memória se entrelaçam com paisagens marcantes como o Namibe, o Atlântico e o deserto do Kalahari.
A obra revela uma escrita madura, onde a experiência de vida se transforma em linguagem simbólica e emocional, convocando todos os sentidos. Os poemas oscilam entre o íntimo e o coletivo, entre o corpo e a terra, entre o silêncio e a revelação.
Como sublinha a Nota do Editor, trata-se de um verdadeiro “regresso à música do Sul”, evocando Moçâmedes como espaço de origem, memória e criação, onde a poesia nasce da fusão entre vida, território e identidade.
Prefácios que iluminam a obra
O livro conta com prefácios que enriquecem a leitura e contextualizam a sua dimensão estética e humana. A escritora Sara Jona Laisse destaca a força da obra ao sublinhar o diálogo entre vida e arte, evocando a ideia de que “a vida é amiga da arte”, numa reflexão que atravessa toda a construção poética do livro. Já a interpretação sensível da fadista Katia Guerreiro reforça a dimensão emocional da obra, conduzindo o leitor por memórias, paisagens e afetos que ressoam para além das palavras, aproximando poesia e música numa experiência sensorial profunda.
Uma voz da lusofonia contemporânea
Com um percurso consolidado na poesia e participação em diversas antologias lusófonas, Elsa Major afirma-se como uma autora que cruza geografias, experiências e linguagens. A sua escrita revela uma forte ligação à tradição oral, à cultura angolana e à expressão feminina contemporânea, tornando Faro e Enigmas uma obra relevante no panorama literário atual.
Público-alvo
O público-alvo de Faro e Enigmas centra-se em leitores adultos, sobretudo entre os 30 e os 65 anos, com interesse pela poesia contemporânea e pela literatura lusófona. Trata-se de um público sensível à linguagem simbólica, à expressão emocional e à reflexão sobre temas como o amor, a memória, a identidade e a espiritualidade.
A obra dirige-se também a leitores ligados à realidade cultural entre Angola e Portugal, incluindo a comunidade angolana e todos aqueles que se interessam por referências africanas, tradição oral e paisagem identitária. Paralelamente, encontra particular ressonância junto de mulheres leitoras que valorizam uma escrita intimista e sensorial.
Além do público leitor, o livro tem potencial de alcance junto de artistas, mediadores culturais e meio académico, dada a sua riqueza temática e estética, posicionando-se como uma obra relevante no panorama da poesia de língua portuguesa contemporânea.
Segunda parte de reportagem | Intervenção de Alberto Oliveira Pinto
Dando continuidade ao registo do encontro realizado no dia 1 de abril de 2026, na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa, este segundo texto de reportagem centra-se na intervenção do historiador angolano Alberto Oliveira Pinto, uma das vozes mais dinâmicas na divulgação da História de Angola.
Após a análise literária proposta por Jorge Arrimar, a intervenção de Alberto Oliveira Pinto trouxe ao debate uma leitura mais diretamente ancorada na investigação histórica, evidenciando como o romance Chão de Kanâmbua / O Feitiço de Kangombe dialoga com processos reais e complexos do século XIX.
Leitura histórica de um romance
Alberto Oliveira Pinto começou por reconhecer o impacto da leitura da obra, confessando que desta vez a leu “de ponta a ponta”, sem interrupções, sublinhando o seu carácter envolvente e a capacidade de captar a atenção do leitor.
Destacou ainda que já recomendara o livro a várias pessoas, antecipando uma ampla receção e circulação da obra, sobretudo entre leitores interessados na História de Angola.
Temas centrais destacados
A intervenção do historiador organizou-se em torno de alguns eixos fundamentais que, segundo ele, fazem do romance um contributo relevante para a compreensão do século XIX:
Degredo e sistema penal
A obra evidencia o papel do degredo como instrumento central da política penal portuguesa.
Muitos dos degredados enviados para Angola estavam condenados por crimes como homicídio ou falsificação de moeda.
O degredo funcionava também como estratégia de ocupação e povoamento, incluindo o envio de famílias para o território.
Escravatura e tráfico
Distinção entre tráfico de escravos e sistema esclavagista interno, frequentemente confundidos.
Referência ao processo de abolição e às suas ambiguidades, sublinhando que o fim formal do tráfico não significou o desaparecimento imediato das práticas de exploração.
Dinâmicas comerciais e territoriais
O romance capta o momento de transição económica, entre o comércio de escravos e o chamado “comércio legítimo”.
Destaque para o papel de regiões como Cassange, que funcionavam como zonas de mediação e controlo das rotas comerciais.
Referência às feiras e redes africanas que estruturavam o comércio interno.
Expansão colonial e ocupação do interior
A narrativa acompanha o avanço das forças portuguesas para o interior, num contexto de reorganização do domínio colonial.
Integração de personagens em expedições militares e administrativas, refletindo processos históricos documentados.
Identidade e mestiçagem
Ênfase na formação de identidades híbridas, envolvendo africanos, europeus e descendentes de degredados.
Referência à presença, ainda difusa, de ideias libertárias, republicanas e maçónicas, que só se afirmariam plenamente no início do século XX.
Ficção e rigor histórico
O Prof. Doutor Alberto Oliveira Pinto sublinhou que o romance consegue articular, com consistência, elementos ficcionais e dados históricos, tornando-se um ponto de partida relevante para a reflexão académica e pedagógica.
Referiu mesmo que a obra poderá ser utilizada nos seus cursos sobre Angola, reconhecendo-lhe valor formativo e interpretativo.
Um final aberto à história
Um dos aspetos que mais destacou foi o enquadramento temporal do romance, que culmina em 1910, ano da implantação da República em Portugal. Este momento abre novas possibilidades de leitura, sugerindo continuidades e ruturas que poderiam ser exploradas em futuras narrativas.
O historiador confessou, aliás, a expectativa de uma continuação da obra, interessando-se pelo que poderá acontecer às personagens nesse novo contexto político.
Conclusão
A intervenção do historiador Alberto Oliveira Pinto reforçou a dimensão histórica do romance de Tomás Lima Coelho, mostrando como a literatura pode funcionar como instrumento de compreensão de processos complexos, como o degredo, a escravatura, a ocupação territorial e a formação de identidades.
Com uma leitura crítica e fundamentada, o historiador destacou Chão de Kanâmbua como uma obra relevante não apenas no campo literário, mas também no domínio da reflexão histórica sobre Angola.
Este segundo registo confirma a riqueza do encontro, onde diferentes abordagens, literárias e historiográficas, se cruzaram para pensar um dos períodos mais decisivos da história angolana.
No dia 1 de abril de 2026, entre as 18h00 e as 20h00, a Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa, acolheu o encontro “Angola do Século XIX: Palavra, Imprensa e Consciência”, organizado a partir da apresentação do livro Chão de Kanâmbua / O Feitiço de Kangombe, de Tomás Lima Coelho.
Este evento propôs um debate aberto sobre o final do século XIX em Angola, um período marcado pela introdução da imprensa, pela presença dos degredados, pelo surgimento dos primeiros intelectuais africanos e pela formação de uma consciência crítica que antecipa a ideia de país.
O encontro reuniu diferentes vozes, académicas, literárias e ensaísticas, num cruzamento entre literatura, história e pensamento político-cultural, refletindo sobre os imaginários de modernidade, pertença e contestação que começaram a emergir nesse contexto.
Este texto constitui o primeiro registo de reportagem do encontro, centrando-se na intervenção do escritor angolano Jorge Arrimar.
Uma intervenção entre crítica literária e reflexão histórica
Jorge Arrimar iniciou a sua intervenção com um tom próximo e cúmplice, evocando a relação de amizade e reconhecimento mútuo com Tomás Lima Coelho. Sublinhou desde logo o percurso do autor, destacando-o como “um angolano de toda a Angola”, cuja vivência em diferentes regiões do país contribuiu para uma visão ampla e enraizada da realidade angolana.
Ao abordar o romance Chão de Kanâmbua, Jorge Arrimar destacou-o como uma obra que vai além da ficção histórica convencional, propondo uma leitura densa do século XIX angolano. Entre os principais pontos da sua análise, salientam-se:
A centralidade da personagem Manuel Justino, um degradado português que se reinventa em Angola, simbolizando processos de transformação individual e cultural.
A coexistência de universos culturais distintos, africanos e coloniais, em permanente tensão e negociação.
O diálogo entre oralidade africana e escrita europeia, como elemento estruturante da narrativa.
O papel das missões religiosas como espaços de mediação cultural.
O nascimento de uma consciência crítica, associada ao surgimento de elites africanas com formação ocidental.
Jorge Arrimar enfatizou que o romance funciona como um “dispositivo narrativo” que permite observar o período histórico não apenas nas suas estruturas formais, mas sobretudo na experiência humana, marcada por deslocações, adaptações e reinvenções.
Literatura como espaço de conhecimento
Um dos eixos mais fortes da intervenção foi a ideia de que a ficção histórica desempenha uma função epistemológica. Segundo Jorge Arrimar, obras como Chão de Kanâmbua não se limitam a reconstituir o passado, mas procuram interrogá-lo, ampliá-lo e reinscrevê-lo na memória contemporânea.
Nesse sentido, destacou que a modernidade angolana não deve ser entendida como mera importação de modelos europeus, mas como um processo histórico próprio, resultante de:
encontros culturais
conflitos e resistências
apropriações e reinvenções simbólicas
A literatura como diálogo contínuo
Num momento final particularmente marcante, Jorge Arrimar rompeu com o protocolo habitual e introduziu uma dimensão pessoal à sua intervenção. Refletiu sobre o modo como os livros se influenciam mutuamente, afirmando:
“Um livro nunca nasce isolado, é sempre resposta, continuidade, por vezes ruptura.”
Evocou então o seu próprio romance Cuéle, o pássaro troçador (Ed. 2022), revelando como uma imagem presente na obra de Tomás Lima Coelho, uma fotografia do avô do autor, inspirou a criação de uma personagem no seu livro.
Este gesto sublinhou uma ideia central: A literatura como uma longa conversa entre autores, tempos e memórias.
A leitura de um excerto do seu romance encerrou a intervenção, num momento que cruzou ficção, história e memória, reforçando o espírito do encontro.
Jorge Arrimar
Jorge Arrimar nasceu em Angola. Na Universidade de Luanda, iniciou os estudos superiores em Letras, concluindo-os em Portugal. Para além de trabalhos de história e de biblioteconomia, é autor de onze títulos de poesia e seis de ficção.
A intervenção de Jorge Arrimar destacou-se pela clareza analítica e pela capacidade de articular literatura e história como campos complementares de conhecimento. Ao centrar-se na obra de Tomás Lima Coelho, abriu também caminhos para uma reflexão mais ampla sobre o século XIX angolano e sobre os processos de formação da identidade cultural do país.
Este primeiro registo deixa evidente que o encontro na Biblioteca Palácio Galveias foi mais do que uma apresentação de livro, foi um espaço de pensamento vivo sobre Angola, a sua história e as suas narrativas.
Jorge Arrimar, Tomás Lima Coelho e João Ricardo Rodrigues
O livro Crónica da Fundação do Huambo | Nova Lisboa, do jornalista angolano Xavier de Figueiredo, está prestes a esgotar a sua 5ª edição, enriquecido com um notável conjunto de fotografias históricas da época, reforçando o seu valor documental e patrimonial.
Publicado originalmente em 2014, no contexto das comemorações da fundação da cidade do Huambo (1912), este livro consolidou-se como uma das mais importantes referências sobre a formação do território angolano moderno e o papel de Portugal no processo colonial em África.
Uma obra de referência histórica
Mais do que uma simples narrativa, esta obra oferece uma leitura profunda e rigorosa da fundação do Huambo, posteriormente Nova Lisboa, revelando:
O contexto geopolítico e colonial do início do século XX
O papel estratégico do Caminho-de-Ferro de Benguela
As decisões políticas e militares que moldaram o território
A construção de uma cidade “em condições inéditas, em tempos de mudança”
A obra baseia-se em fontes primárias da História, evitando leituras ideológicas simplificadas e propondo uma abordagem factual, crítica e documentada.
Prefácios que enquadram uma nova leitura da História
O livro inclui prefácios de elevado valor interpretativo, com destaque para a reflexão de Marcolino Moco, que sublinha a importância da obra como instrumento de compreensão histórica:
“Este é um livro que… não deixa qualquer espaço para especulações de outra natureza que não a História em si, nua e crua.”
O prefácio destaca ainda a relevância da obra para as novas gerações, apontando para uma crescente necessidade de revisitar a História de Angola sem filtros ideológicos:
“Nota-se uma curiosidade em relação a um conhecimento da história do país não sujeito a reduções políticas ou ideológicas.”
Na parte final do livro é possível ainda descobrir no prefácio da primeira edição escrito por Jaime Nogueira Pinto:
“Outros tempos. A História veio decidir de outro modo — e é com a História, com a história acontecida, que temos de viver o presente e preparar o futuro.”
Destaques do conteúdo
A obra percorre, de forma estruturada, os momentos-chave da fundação e consolidação da cidade, incluindo:
O auto da fundação (1912), presidido por Norton de Matos
Os primórdios da ocupação do Planalto Central
O papel determinante do Caminho-de-Ferro de Benguela
As tensões internacionais e a ameaça alemã no sul de Angola
A integração das populações locais (Ovimbundu) no processo histórico
A evolução de Huambo para Nova Lisboa e a “miragem da capital”
Inclui ainda um importante acervo fotográfico histórico, que documenta visualmente a fundação e os primeiros anos da cidade, tornando esta edição particularmente valiosa para investigadores, leitores e colecionadores.
Uma obra entre memória, identidade e História
Mais do que um registo histórico, este livro assume-se como uma ponte entre gerações e memórias:
“Este livro é uma singela homenagem à memória de uma terra a que muitos ficaram para sempre ligados – pelas raízes, pelo afecto. Por tudo.”
Ao revelar os bastidores da construção do Estado colonial e a sua continuidade no Estado moderno, a obra contribui para uma compreensão mais ampla da identidade angolana contemporânea.
Disponibilidade
Com a 5ª edição praticamente esgotada, esta obra afirma-se como um título indispensável para:
Historiadores e investigadores
Estudantes e académicos
Leitores interessados na História de Angola e de África
Mais do que um livro de memórias, esta é uma narrativa de dentro da História, vivida, pensada e protagonizada por uma das figuras mais relevantes da vida política e diplomática de São Tomé e Príncipe.
Na capa da obra, um instante que fala por si: Rafael Branco presidindo a uma sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, na qualidade de vice-presidente, ao lado de Javier Pérez de Cuéllar, imagem que sintetiza décadas de intervenção, liderança e presença nos grandes palcos internacionais.
Este livro é, simultaneamente:
testemunho pessoal e político
reflexão sobre independência, soberania e construção nacional
e um documento essencial para compreender os percursos cruzados entre África, a língua e a cultura portuguesa e o mundo
A sessão contará com um momento de apresentação e encontro com o autor, num espaço de diálogo aberto sobre memória, identidade e história partilhada.
O evento conta com o apoio da Biblioteca dos Coruchéus, reforçando a importância desta obra no panorama cultural e histórico da cidade de Lisboa.
Uma obra incontornável. Um testemunho que atravessa gerações. Um encontro cultural a não perder.
“Sou tudo o que fui, sou quem sou hoje, sou quem quero ser amanhã”
É com esta reflexão profunda sobre a identidade que o embaixador são-tomense Rafael Branco abre as páginas do novo livro Meu Nome é Joaquim – Fragmentos de Memórias, uma obra intensa e reveladora que cruza autobiografia, pensamento e testemunho histórico. Neste livro, o autor propõe uma viagem pelas várias etapas da sua vida, da infância marcada por desafios e descobertas, passando pela luta pela afirmação pessoal e social, até ao exercício de funções políticas e diplomáticas em contextos nacionais e internacionais. Mais do que uma narrativa linear, a obra apresenta-se como um conjunto de fragmentos que, juntos, constroem o retrato de um homem em permanente transformação.
Na Casa Branca com o Presidente dos EUA, Ronald Reagan
Com uma escrita franca e introspectiva, Rafael Branco questiona a ideia de identidades fixas e denuncia os perigos das “histórias únicas”, propondo antes uma visão plural e dinâmica do ser humano. As suas memórias são também um espaço de reflexão sobre temas universais como o medo, a esperança, a liberdade, o poder e o sentido da existência. Ao longo da obra, o autor partilha experiências vividas nos bastidores da política e da diplomacia, oferecendo ao leitor uma perspetiva rara sobre os desafios e as complexidades de um mundo em mudança. A sua trajetória, profundamente enraizada na realidade de São Tomé e Príncipe, dialoga com contextos globais, tornando este livro relevante para leitores interessados em história, política e desenvolvimento humano.
Com o Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos
Meu Nome é Joaquim é, acima de tudo, um exercício de honestidade e consciência, um convite à introspeção e à aceitação das múltiplas camadas que constituem cada indivíduo. Uma obra que afirma a memória como ferramenta de compreensão e a escrita como caminho para dar sentido à vida.
Mais do que um livro de memórias, esta é uma narrativa de dentro da História, vivida, pensada e protagonizada por uma das figuras mais relevantes da vida política e diplomática de São Tomé e Príncipe.
Lançamento em Portugal de livro de memórias do embaixador Rafael Branco
O romance “42.4 – A Voz dos Dibengo”, do escritor angolano Tazuary Nekeita, acaba de chegar a Portugal, trazendo consigo uma narrativa surpreendente que promete despertar a curiosidade dos leitores interessados na nova literatura africana. A obra apresenta uma crítica social incisiva e pouco conhecida fora de Angola, explorando com humor, ironia e imaginação os desafios, contradições e memórias que marcaram o país nas últimas décadas.
Ambientado em torno da emblemática Casa 42.4, o livro conduz o leitor por um universo onde realidade e metáfora se cruzam para revelar episódios da vida angolana, desde a independência até aos dias actuais. No centro da narrativa surge a figura simbólica dos Dibengo, uma metáfora poderosa para os males que corroem silenciosamente a sociedade, da corrupção à ganância, mas também para a resistência e criatividade de um povo que encontra no humor uma forma de sobreviver às adversidades.
Com personagens marcantes, histórias inesperadas e uma linguagem rica em referências culturais angolanas, “42.4 – A Voz dos Dibengo” afirma-se como uma das revelações da nova literatura da República de Angola. A chegada do livro ao mercado português abre agora a possibilidade de um público mais vasto descobrir uma obra que combina sátira, memória histórica e imaginação literária, confirmando Tazuary Nekeita como uma voz singular e provocadora no panorama literário contemporâneo.
A Faculdade de Ciências Sociais, Educação e Administração (FCSEA) da Universidade Lusófona promove, no próximo dia 25 de março de 2026, uma aula aberta dedicada ao tema “O ‘Reconhecimento’ do Governo Angolano pelo Estado Português (1976)”, conduzida pelo investigador e autor Domingos Cúnua Alberto.
A iniciativa integra-se no âmbito da unidade curricular de Socioeconomia Política do Espaço Lusófono e terá lugar na Sala D.2.3 da Universidade Lusófona, constituindo um momento de reflexão académica sobre um dos episódios mais marcantes da história política contemporânea entre Angola e Portugal.
Durante a sessão, Domingos Cúnua Alberto abordará as dinâmicas políticas e diplomáticas que conduziram ao reconhecimento do governo angolano por parte do Estado português em 1976, analisando também as diferentes perspetivas político-partidárias em Portugal, nomeadamente as posições do PS, do PPD/PSD e do PCP naquele contexto histórico.
Aberta à comunidade académica e ao público interessado em história política e relações internacionais no espaço lusófono, a sessão pretende estimular o debate crítico sobre os processos de reconhecimento diplomático e os seus impactos na construção das relações entre os dois países.
A iniciativa integra o conjunto de atividades académicas que procuram reforçar o estudo das transformações políticas no mundo de língua portuguesa, promovendo o diálogo entre investigação histórica, ciência política e memória contemporânea.
O livro O Reconhecimento do Governo Angolano pelo Estado Português (1976): As visões político-partidárias do PS, do PPD/PSD e do PCP, de Domingos Cúnua Alberto, constitui um contributo relevante para a compreensão de um momento decisivo da história política contemporânea entre Angola e Portugal.Publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club, a obra assume-se como um importante instrumento para investigadores, estudantes e leitores interessados na história política do espaço lusófono, contribuindo para aprofundar o debate sobre os processos de reconhecimento internacional e sobre a memória política da descolonização. Com uma abordagem analítica e fundamentada, este livro convida o leitor a revisitar um episódio determinante da história recente, revelando como decisões diplomáticas podem refletir, simultaneamente, disputas internas, posicionamentos ideológicos e estratégias internacionais.