Que páginas da História de Angola estão ainda por escrever?

Na véspera do Dia da Independência de Angola, a Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa, recebe um encontro especial com José Bento Duarte, Xavier de Figueiredo, Carlos Mariano Manuel e Rui Verde. A iniciativa da Perfil Criativo | AUTORES.club realiza-se a 10 de Novembro de 2026, às 18h30, e convida a descobrir acontecimentos, protagonistas e documentos que podem ampliar o conhecimento sobre o passado angolano
Do tempo dos reinos africanos ao domínio colonial, da conquista da independência à construção do país contemporâneo, que factos permanecem por descobrir e quais, embora documentados, continuam pouco conhecidos? Esta interrogação estará no centro de uma conversa que reúne quatro autores com percursos, metodologias de investigação e perspectivas diferentes sobre a História de Angola.
O encontro propõe cruzar a investigação documental, a narrativa histórica, a experiência jornalística e a análise política, económica e institucional. Recuperar trajectos individuais, compreender acontecimentos particulares, reconstituir processos de longa duração ou interpretar as transformações posteriores à independência são formas distintas de investigar o passado e de o tornar acessível aos leitores.
Às portas do 11 de Novembro, a celebração da independência será também uma oportunidade para olhar para os séculos que a antecederam e para as continuidades e rupturas que ligam esse passado à Angola de hoje. A conversa procurará abrir novas perguntas, confrontar interpretações e dar visibilidade a episódios que merecem maior investigação e divulgação.
Quatro autores, diferentes caminhos de investigação
JOSÉ BENTO DUARTE nasceu em Moçâmedes, na província do Namibe, e licenciou-se em Economia pela Universidade do Porto. Foi docente na Universidade de Luanda antes e depois da independência. Na sua escrita, alia a pesquisa histórica à capacidade de contar acontecimentos e percursos humanos, aproximando o leitor de épocas e protagonistas distantes. É autor de Peregrinos da Eternidade — Crónicas Ibéricas Medievais e de Senhores do Sol e do Vento — Histórias Verídicas de Portugueses, Angolanos e Outros Africanos. Colaborou ainda em obras colectivas como Mandume, os Portugueses e a Definição do Sul de Angola, Missões no Planalto Central de Angola e Namibe — Das Origens à Independência.
Em A Primeira Travessia da África Austral, recupera o percurso dos pombeiros Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, que ligaram Angola a Moçambique no início do século XIX. A obra oferece um exemplo concreto de como a investigação pode devolver protagonismo a figuras pouco reconhecidas na divulgação histórica.
CARLOS MARIANO MANUEL, médico e professor catedrático angolano, desenvolveu, paralelamente à actividade científica e académica, um amplo trabalho de investigação histórica. É autor do tratado Angola — Desde Antes da Sua Criação pelos Portugueses até ao Êxodo Destes por Nossa Criação, publicado em três volumes pela Perfil Criativo | AUTORES.club. A obra procura compreender a formação histórica de Angola numa perspectiva de longa duração, relacionando sociedades africanas, presença portuguesa e processos que conduziram à independência. Foi distinguido com o Prémio MIL Personalidade Lusófona 2023 e recebeu, em 2025, o Prémio Nacional de Cultura e Artes na categoria de Ciências Humanas e Sociais.
XAVIER DE FIGUEIREDO, nascido no Huambo em 1947, iniciou a carreira jornalística em 1971, no diário A Província de Angola, em Luanda. Trabalhou como correspondente em países africanos e fundou publicações especializadas no acompanhamento do continente. A sua experiência jornalística sustenta um olhar atento aos protagonistas, aos testemunhos e às circunstâncias políticas dos acontecimentos. Entre os seus livros encontram-se Crónica da Fundação do Huambo | Nova Lisboa, Ceuta — Primeira Conquista de Portugal Além-Mar, O Último Ultramarino, O Príncipe do Congo, Savimbi — Um Homem no Seu Martírio e A Tragédia da Partida dos Colonos de Angola. A sua bibliografia percorre a história urbana, a biografia política e diferentes aspectos da descolonização.
RUI VERDE, nascido em Lisboa em 1966, é doutorado em Direito pela Universidade de Newcastle e investigador associado da Universidade de Oxford. O seu trabalho incide sobre as instituições, a democracia e as transformações políticas e económicas de Angola. É autor de Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025) e de Angola at the Crossroads — Between Kleptocracy and Development, e coordenou, com Eugénio da Costa Almeida, 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos Seus Cidadãos. Estas obras cruzam a síntese histórica, a análise do poder e a pluralidade de experiências de quem viveu as independências africanas.
Apoio: Câmara Municipal de Lisboa | Bibliotecas de Lisboa

