Rui Verde: que Angola vai ficar nos livros de História?

Como serão lidos Agostinho Neto, José Eduardo dos Santos e João Lourenço pelas gerações que ainda não nasceram? No dia 10 de Novembro, às 18h30, o investigador académico Rui Verde participa no encontro História de Angola: o que falta descobrir?, na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa. O seu livro Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025) propõe uma leitura de cinquenta anos de decisões, conflitos e transformações cujas consequências continuam a marcar o país
Na véspera da celebração da independência de Angola, a Perfil Criativo | AUTORES.club reúne Rui Verde, José Bento Duarte, Xavier de Figueiredo e Carlos Mariano Manuel para uma conversa sobre acontecimentos, documentos e interpretações que podem ajudar a compreender melhor a História de Angola. O investigador Rui Verde traz ao encontro uma questão particularmente próxima dos leitores: como estudar um passado cujos protagonistas, interesses e disputas continuam presentes na vida pública?
Natural de Lisboa, onde nasceu em 1966, Rui Verde é licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa e doutorado em Direito pela Universidade de Newcastle, no Reino Unido. Investigador associado do Centro de Estudos Africanos da Universidade de Oxford, tem desenvolvido trabalho sobre democratização, direitos fundamentais e combate à corrupção na República de Angola e na República Democrática do Congo. Ensinou em Portugal e em Angola e participou em actividades académicas noutros países, cruzando a investigação universitária com o acompanhamento da realidade angolana.
É vice-presidente e director-geral de investigação da CEDESA — Centro de Estudos para o Desenvolvimento Económico e Social de África, uma instituição dedicada à análise política e económica, com particular atenção a Angola. A sua actividade neste centro aproxima o estudo das instituições dos problemas concretos do desenvolvimento, das relações internacionais e das políticas públicas. Entre os assuntos que tem analisado encontra-se o Corredor do Lobito, projecto que permite discutir as relações entre investimento, interesses externos e escolhas estratégicas angolanas.
A colaboração com o Maka Angola, plataforma fundada por Rafael Marques, constitui outra dimensão importante do seu percurso. Além das funções de consultoria jurídica, Rui Verde publica análises sobre o exercício do poder, a justiça, as liberdades e a economia. Os seus artigos abordam matérias como as garantias constitucionais, a concentração do poder económico, a gestão de empresas e a transparência das decisões públicas. É um trabalho que acompanha os acontecimentos enquanto estes decorrem e reúne questões que também interessam à investigação histórica: quem decide, com que fundamentos e com que consequências para os cidadãos?
Com Breve História de Angola desde a Independência (1975–2025), publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, o investigador apresenta uma síntese em 320 páginas, em formato de bolso, destinada a aproximar novos leitores de um período complexo. O percurso atravessa a independência e a formação do Estado, a presidência de Agostinho Neto, os anos de guerra e de reconstrução sob José Eduardo dos Santos e o ciclo de reformas e expectativas associado a João Lourenço.
A proposta procura tornar essa História discutível à luz de documentos e provas. Na apresentação da obra na Feira do Livro de Lisboa, Rui Verde explicou que procurou distinguir os factos menos contestados dos acontecimentos em torno dos quais persistem versões divergentes. Reconheceu também as limitações da síntese e a possibilidade de a enriquecer com críticas, correcções e testemunhos. A primeira parte assenta sobretudo em estudos e documentação; a análise do período mais recente beneficia igualmente do acompanhamento próximo de Angola que desenvolve desde 2012, de observações pessoais e de entrevistas.
Essa procura de objectividade abre uma discussão essencial para o encontro na Biblioteca Palácio Galveias. Que decisões resistirão ao confronto com novas fontes? Que realizações serão reconhecidas e que responsabilidades se tornarão mais claras? A forma como as próximas gerações compreenderão Angola dependerá também dos documentos preservados, dos testemunhos recolhidos e das perguntas que hoje forem colocadas.
O livro integra um percurso de publicação dedicado às relações entre poder, economia e sociedade. Entre as obras de Rui Verde destacam-se:

- Angola e Futuro, sobre os desafios políticos e as expectativas suscitadas pela mudança de liderança em Angola.
- Angola at the Crossroads: Between Kleptocracy and Development, uma análise das relações entre corrupção, reformas e possibilidades de desenvolvimento.
- João Lourenço — Herança, Frustrações, Sucessos (e a Derrota em Luanda), que examina a liderança presidencial e o balanço político do ciclo eleitoral de 2022.
- Economia e Política de Angola 2020, organizado com Filipe Delfim Santos e Miguel Almeida Dias, reunindo reflexões produzidas no âmbito da CEDESA.
- 50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos Seus Cidadãos, coordenado com Eugénio da Costa Almeida, que reúne perspectivas e experiências sobre meio século de independências africanas.

Na Biblioteca Palácio Galveias, estas diferentes vertentes do seu trabalho contribuirão para uma conversa sobre a Angola que foi construída e a memória que ficará desse percurso. Um convite aos que viveram os acontecimentos e aos que procuram compreendê-los pela primeira vez.
O encontro realiza-se em 10 de Novembro de 2026, às 18h30. Estará em exposição e disponível para aquisição um conjunto alargado de livros sobre a História de Angola, com descontos até 20% nos títulos recentes e até 50% nos restantes livros.
