A partir da apresentação do livro Chão de Kanâmbua / O Feitiço de Kangombe, este encontro propõe um debate livre sobre o final do século XIX em Angola, um período marcado pela introdução da imprensa, pela presença dos degredados, pela emergência dos primeiros intelectuais africanos e pela formação de uma consciência crítica que antecipa a ideia de país.
Num cruzamento entre literatura, história e pensamento político-cultural, abre-se espaço para refletir sobre as vozes, os textos e os contextos, africanos, coloniais e mestiços, que, em tensão e diálogo, contribuíram para moldar os primeiros imaginários angolanos de modernidade, pertença e contestação.
Convidados: Tomás Lima Coelho (autor), Jorge Arrimar, Alberto Oliveira Pinto, João Fernando André
Data: 1 de Abril de 2026, das 18h00 às 20h00
Local: Biblioteca Palácio Galveias
Exposição e venda de livros a preços especiais. Entrada livre.
Como é habitual nos eventos da Perfil Criativo | AUTORES.club, o público foi convidado a intervir no lançamento do livro Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, dando voz a testemunhos que reforçaram o sentido cívico e memorial do encontro.
Entre as intervenções destacou-se a de Zeca Ribeiro Telmo, que evocou a experiência coletiva da geração que viveu a independência de Angola e os seus desdobramentos. Recordando o entusiasmo de 1975, sublinhou que muitos dos presentes não eram colonos, mas angolanos que acreditaram, e continuam a acreditar, numa Angola livre, justa e democrática para todos.
Na sua intervenção, Zeca Ribeiro Telmo chamou a atenção para as desigualdades estruturais do país, lembrando que, apesar da riqueza proclamada, a pobreza sempre esteve presente no quotidiano da maioria da população. Defendeu que os “ecos da liberdade” não se esgotaram com a independência política e continuam a manifestar-se na exigência de mais democracia e inclusão social.
Num tom emocionado, destacou a resiliência dos sobreviventes dos acontecimentos trágicos do pós-independência, afirmando que a sua presença e o seu silêncio quebrado são, em si mesmos, uma afirmação de liberdade. “A liberdade é uma sede que nunca é saciada”, afirmou, agradecendo a Joaquim Sequeira a coragem de transformar a experiência da dor num testemunho público.
A intervenção foi recebida com atenção e aplausos, reforçando a ideia de que Ecos da Liberdade é também um livro que convoca a participação dos cidadãos e prolonga, para além das páginas, o debate sobre o passado, o presente e o futuro de Angola.
O livro Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, será apresentado na próxima sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, às 18h00, na sala polivalente da Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa. A sessão será marcada por um encontro com sobreviventes do 27 de Maio de 1977 em Angola, num momento de partilha, memória e reflexão histórica.
Publicada no final de 2025, a obra é um testemunho direto e profundamente humano sobre a repressão política que se seguiu aos acontecimentos de 27 de Maio de 1977. Joaquim Sequeira, preso político e sobrevivente desse período, reconstrói a experiência do cárcere, da violência institucional e do silêncio imposto, sem abdicar de uma escrita literária marcada pela poesia e pela dignidade.
Ao longo de sete capítulos intensos, Ecos da Liberdade conduz o leitor desde a prisão física até à resistência interior, mostrando como, mesmo nas condições mais desumanas, a palavra, a memória e a solidariedade se tornam formas de sobrevivência. A obra aborda episódios marcantes como a vida na Casa de Reclusão, a chamada “Noite das Facas Longas” e o impacto duradouro da repressão na identidade individual e coletiva.
“A liberdade não é apenas a ausência de grilhões; é a presença do que é possível. Ela conquista-se a cada acto de resistência, a cada momento em que o ser humano recusa ser silenciado.”
Mais do que um relato pessoal, o livro afirma-se como um manifesto contra o esquecimento, num contexto em que a sociedade angolana continua a interrogar-se sobre esse passado traumático. O encontro na Biblioteca Palácio Galveias pretende precisamente abrir espaço ao diálogo entre gerações, dando voz aos sobreviventes e convocando o público para uma escuta ativa da história recente de Angola.
A apresentação é aberta ao público e dirige-se a leitores interessados em História Contemporânea de Angola, Direitos Humanos, memória política, bem como a estudantes, investigadores e todos os que acreditam que recordar é também um acto de justiça.
Lisboa – 9 de Janeiro de 2026 — Na sua intervenção na Biblioteca Palácio Galveias, que encheu o auditório com mais de uma centena de leitores e autores, o Prof. DoutorRui Verde sublinhou que o livro 50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos representa, acima de tudo, uma expressão da sociedade civil africana, reunindo contributos maioritariamente independentes do poder político instalado.
Durante o lançamento, Rui Verde destacou que o grande impulso da obra pertence a Eugénio da Costa Almeida, assumindo o seu próprio papel como complementar no processo de coordenação. Mais do que um balanço histórico, o académico afirmou que o livro procura lançar um desafio político e cívico para o futuro das independências africanas.
O coordenador chamou ainda a atenção para a ausência significativa de representantes do poder governamental em países centrais como Angola e Moçambique, reforçando a leitura da obra como um espaço de reflexão livre. Nesse sentido, defendeu que os próximos 50 anos devem marcar o início de um novo paradigma, no qual governos e povos caminhem lado a lado, comprometidos com o bem comum, superando lógicas de distanciamento e isolamento mútuo.
A intervenção terminou com uma mensagem de esperança, expressando o desejo de que as próximas décadas sejam pautadas por maior convergência, participação cívica e cooperação entre o poder político e as sociedades africanas.
O evento foi organizado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, afirmando-se como mais um relevante encontro de reflexão e diálogo sobre África no espaço cultural de Lisboa.
O livro uma edição conjunta da Elivulu e da Perfil Criativo reúne mais de 40 personalidades dos cinco PALOP, incluindo antigos chefes de Estado, políticos, diplomatas, académicos, escritores, artistas e representantes da sociedade civil. Cada autor partilha uma visão pessoal e crítica sobre os caminhos percorridos desde as independências até hoje, trazendo vozes diversas e perspectivas complementares.
Autores: Eugénio da Costa Almeida e Rui Verde (coordenadores), Alcides Sakala, Ana “Margoso”, Anastácio Sicato, Arlete Chimbinda, Belarmino Van-Dúnem, Carlos Veiga, Celso Malavoloneke, Denilaide Cunha, Domingos Kimpolo Nzau, Domingos Simões Pereira, Eusébio Sanjane, Gilvanete Chantre, Humberto Macaringue, Isaac Paxe, Jacques dos Santos, Jerónimo Belo, João Carlos do Rosário, João Carlos, João Craveirinha Jr, João Sicato Kandjo, Joaquim Rafael Branco, Jorge Castelo David, José Luís Mendonça, José Maria Neves, José Miguel Ferro, José Ulisses Correia e Silva, Manuel Fragata de Morais, Maria da Imaculada Melo, Maria João Teles Grilo, Maria Olinda Beja, Mihaela Webba, Onofre dos Santos, Orlando de Castro, Sandra Poulson, Sedrick de Carvalho, Sónia Santos Silva, Tomás Lima Coelho, Victor Hugo Mendes, William Tonet, Zeferino Boal
O evento contou com a participação especial de João Fernando André, académico angolano e poeta, e de Sedrick de Carvalho, editor da ELIVULU, editora parceira da Perfil Criativo | AUTORES.club na publicação deste livro.
À distância, a partir de Luanda, juntou-se o sociólogo Celso Malavoloneke, autor do prefácio, que explicou as razões pelas quais comparou Eugénio Costa Almeida ao Humbihumbi, o pássaro mítico da tradição umbundu, símbolo de visão ampla e de capacidade de observar ao longe, associando esta metáfora ao olhar crítico e atento do autor sobre Angola e o espaço africano.
Malavoloneke sublinhou ainda a importância da diáspora no pensamento contemporâneo africano, mas não deixou de trazer à mesa o muito repetido adjectivo “colono” e finalizou a intervenção revelando superficialmente a existência de tribalismo.
No seu estilo provocador atento, João Fernando André pegou no tema da diáspora, em particular a afastada do território nacional no violento processo de 75, para abrir um diálogo vivo com Eugénio Costa Almeida, num debate rápido, mas intenso, que revelou a atualidade e a profundidade das questões levantadas no livro.
No final, ficou a sensação de que a Biblioteca Palácio Galveias foi pequena para agrandeza dos temas em discussão, deixando no ar a promessa de novos encontros e conversas para explorar os desafios políticos e culturais de Angola.
Lisboa recebeu, no dia 3 de setembro, uma animada apresentação do livro Meu Gastoso, minha Gostosa, meu Amor — Crónicas Íntimas, de Rafael Branco, na Biblioteca Palácio Galveias. São-tomenses e angolanos marcaram encontro num evento onde literatura, cultura e reflexão social se cruzaram num ambiente caloroso e participativo.
Num diálogo espontâneo e cativante com o poeta angolano João Fernando André, o autor revelou as motivações para a concretização deste trabalho artístico-literário, assumindo que, depois de uma carreira fulgurante na política e como embaixador da República de São Tomé e Príncipe, é neste exercício mais humano e intimista que agora se sente mais confortável.
O público acompanhou com atenção e aplaudiu as intervenções do escritor, revelando reconhecimento e surpresa perante as temáticas exploradas na obra.
João Fernando André destacou o papel da mulher e da família no livro, ao que Rafael Branco respondeu reconhecendo que a mulher é um dos focos centrais do seu trabalho artístico. O autor confidenciou ainda que a família tradicional em São Tomé e Príncipe deixou de existir, explicando a forma como a poligamia africana continua presente na sociedade e como influencia as relações pessoais.
O encontro terminou com uma forte interação entre autor e público, confirmando Meu Gastoso, minha Gostosa, meu Amor como uma obra que alia literatura e vivências reais, num olhar profundo sobre afetos, identidade e transformação social.
No dia 11 de junho de 2025, a Rádio France Internationale (RFI) destacou a reedição em Portugal do livro Nuvem Negra – O Drama do 27 de Maio de 1977, da autoria de Miguel Francisco “Michel”. Esta obra relata, na primeira pessoa, a experiência de um sobrevivente dos campos de concentração criados após os acontecimentos de 27 de maio de 1977, em Angola.
Nuvem Negra é mais do que um livro — é um testemunho poderoso sobre um dos períodos mais traumáticos da história recente de Angola. O autor, Michel, descreve com coragem a repressão política de 1977, as detenções arbitrárias, os campos de concentração e os desaparecimentos forçados.
A reedição desta obra pela Perfil Criativo | AUTORES.club surgiu no contexto dos 48 anos dos acontecimentos, tendo sido lançada oficialmente em Lisboa a 27 de maio de 2025, na Biblioteca Palácio Galveias, com a presença de diversas personalidades da cultura e da academia.
Sessões e destaques
Apresentação oficial: 27 de maio, Biblioteca Palácio Galveias, Lisboa
Participação na Feira do Livro de Lisboa 2025, com sessões de autógrafos e debates
Destaque na imprensa, incluindo o programa Artes da RFI
Contexto histórico — O 27 de Maio de 1977
A 27 de maio de 1977, em Luanda, uma tentativa de protesto contra o regime do MPLA resultou numa violenta repressão. Milhares de pessoas foram presas, torturadas e executadas sem julgamento. Décadas depois, o tema permanece sensível, mas cada vez mais urgente de ser discutido.
Nuvem Negra é uma contribuição fundamental para essa discussão, dando voz a quem sobreviveu para contar.
Ajude-nos a divulgar esta obra essencial!
Partilhe esta notícia e apoie a leitura de obras que preservam a memória histórica em língua portuguesa.
A noite de 4 de fevereiro de 2025 na Biblioteca Palácio Galveias, situada no Campo Pequeno, em Lisboa, foi palco do lançamento do livro de poemas “Evangelho Bantu“, da autoria de Kalunga (pseudónimo de João Fernando André). A obra, publicada e apresentada pela primeira vez em Luanda, em 2019, pela editora Perfil Criativo | AUTORES.club, é descrita como uma surpreendente obra de arte que oferece uma jornada actual e profunda.
O evento contou com a presença do escritor João Fernando André (Doutorando em Literaturas Artes e Culturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), que convidou o público para participar de uma forma criativa nesta celebração literária. A resposta foi uma surpreendente performance colectiva, de poetas presentes na sala, que surpreendeu a assistência e a equipa da biblioteca.
A apresentação da obra pela escritora Luísa Fresta, autora do posfácio, ocorreu na Sala Polivalente da biblioteca, proporcionando uma introdução ao conjunto de poemas publicados proporcionando uma celebração única para os amantes da Literatura. Por fim o poeta do “Evangelho Bantu” dominou as culturas e agarrou o publico de Lisboa ao usar palavras contundentes, verdadeiras mas acima de tudo ao não esquecer nas suas construções literárias os angolanos invisíveis (os que não existem formalmente).
Membros da União dos Escritores Angolanos, com sede em Luanda, estiveram presentes nesta reunião cultural.
Jose Manuel Barroso escreveu: “É um homem inteligente e gentil este jovem poeta angolano, que adotou o nome literário de Kalunga. E a sua poesia é seu retrato. Um olhar certeiro sobre a realidade, sobre as pessoas, sobre o feminino da sua Angola e do mundo. Olhar tanto terno quanto por vezes ácido. Que provoca. Ontem ele esteve inteiro na apresentação do seu livro em Lisboa.“
Regina Correia: Parabéns a Luísa Fresta pela excelente apresentação do teu igualmente excelente “Evangelho Bantu“, meu Poetamano João Fernando André a quem estou grata por esta “minha figurinha” e por nos avisares que “não se vive de amor”
João Fernando André: “Gratidão! Foi à grande e à afro-ibero-americana! Um dia vocês vão me matar de amor! Amo-vos muito! Obrigado a todos que apareceram física e espiritualmente!”
Na porta da Biblioteca Palácio Galveias o editor da obra acabou por afirmar que “a poesia e o espírito de Kalunga surpreenderam a Biblioteca e conquistaram Lisboa. Foi um grande e intenso encontro de uma outra Angola no 4 de Fevereiro de 2025. Angola está de parabéns!“
Descubra a fascinante história de Custódio Dias Bento de Azevedo, intelectual rural que desafiou o poder colonial e marcou a identidade cultural de Angola.
Data: 4 de fevereiro de 2025 (terça-feira) Hora: 19h00 Local: Biblioteca Palácio Galveias, Sala Polivalente Campo Pequeno, Lisboa
Destaques do Evento: Apresentação da obra pelo autor e convidados especiais, acompanhada por debate sobre a relevância do 4 de Fevereiro de 1961 na História de Angola e de Portugal Sessão de autógrafos com Eugénio Monteiro Ferreira
Entrada Livre | Lotação Limitada
Reserve sua presença e faça parte desta celebração literária e cultural! Confirmação: eventos@autores.club Informações: (+351) 214.001.788
29/08/2024 — O diretor do semanário “Novo Jornal”, Armindo Laureano, apresentou na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa, o livro de editoriais “Há dias assim…”. A biblioteca encheu-se de amigos e jornalistas angolanos, onde a atenção da festa esteve voltada para a República de Angola.
O editor anunciou que o livro está disponível na Feira do Livro do Porto, na Festa do Livro em Belém, nas grandes plataformas Bertrand, Wook e AUTORES.club, e estará também disponível nas lojas da FNAC. A grande novidade é o lançamento internacional da edição digital em formato EPUB em mais de 60 grandes plataformas, distribuídas por 4 continentes (Europa, América do Norte e do Sul, Ásia), simultaneamente com o lançamento da edição em papel (Lisboa). Prevemos apresentar esta obra em Luanda durante a segunda quinzena de setembro de 2024.
O autor, Armindo Laureano, explicou os bastidores da redação do semanário “Novo Jornal”, desde a construção dos textos até à pressão a que os jornalistas estão sujeitos.
O encontro terminou com um participativo momento de perguntas por parte da audiência, centradas na República de Angola e no seu sistema político.