Do livro ao leitor: debate na TVA questiona produção editorial e circulação na CPLP

Do livro ao leitor: debate na TVA questiona produção editorial e circulação na CPLP

Livros, leitura e fronteiras: conversa na TVA expõe os desafios do espaço lusófono

A produção literária, os hábitos de leitura e as dificuldades de circulação do livro entre países de língua portuguesa estiveram em destaque numa conversa transmitida pela TVA, a 30 de janeiro, conduzida por Victor Hugo Mendes, com participação da escritora Luísa Fresta e da tradutora Elga Fontes. A informação e as declarações atribuídas ao editor João Ricardo Rodrigues nesta peça baseiam-se no resumo em vídeo das questões colocadas ao editor, onde foram discutidos o papel cultural da edição, os custos de produção e as barreiras que continuam a limitar a mobilidade de pessoas e obras no espaço lusófono.

Ao longo da conversa, destacou-se a ideia do livro como instrumento de formação integral: ferramenta de trabalho (nomeadamente na tradução), de ampliação de vocabulário, de mobilidade cultural e de construção de horizontes de vida, “soluções para qualquer questão podem ser encontradas num livro”, defendeu-se durante o debate.

Produz-se mais livros? A perceção nem sempre coincide com o terreno

Questionado sobre se hoje se produz mais do que há dez anos, o editor chamou a atenção para realidades distintas entre países e para a complexidade do mercado português, admitindo dúvidas sobre se a ideia de “produção sempre crescente” corresponde totalmente ao que muitas editoras vivem no dia a dia.

No caso da Perfil Criativo | AUTORES.club, o trabalho tem sido apresentado como uma ponte editorial entre Portugal e Angola, com catálogo maioritariamente centrado em autores angolanos. A aposta é assumida como cultural: aumentar leitores é visto como condição para transformar o livro num motor de desenvolvimento social e económico.

O trabalho invisível do editor e o custo real do livro

A conversa entrou também no “lado invisível” do processo editorial: avaliação do original, diálogo com o autor, revisão, paginação, impressão (ou edição digital) e distribuição. Foi sublinhado que a decisão editorial é, muitas vezes, difícil, incluindo recusas e atrasos, e que publicar envolve investimento significativo, com margens frequentemente curtas.

A questão do preço do livro voltou à mesa: entre a perceção de que “o livro é caro” e a realidade de orçamentos familiares limitados, ficou a ideia de que o preço é um fator real, mas também um reflexo das prioridades e das condições socioeconómicas de cada leitor.

APEL: crescimento do setor, mas leitura não é só “autodeclaração”

O debate sobre leitura ganha contexto com dados recentes: no estudo da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros(APEL), 73% da população (15+ anos) declara ter lido pelo menos um livro nos últimos 12 meses, e os mais jovens (15–24) são o grupo onde o saldo “leu mais vs. leu menos” aparece mais favorável. 

Ao mesmo tempo, os indicadores económicos do setor apontam crescimento: dados divulgados em Portugal indicam que a venda de livros aumentou 6,9% em 2025. 
Ainda assim, como se discutiu na conversa, é importante distinguir hábitos declarados (o que as pessoas dizem) de práticas efetivas e sustentadas, e, sobretudo, de políticas estruturais de literacia.

CPLP e o problema central: circulação de pessoas e de livros

Uma das críticas mais vincadas foi a fragilidade da circulação cultural no espaço lusófono: fronteiras administrativas, custos logísticos e dificuldades de distribuição continuam a limitar a presença de autores e livros entre países.

Apesar do Acordo sobre a Mobilidade da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, assinado em 2021 e com enquadramento legal que prevê categorias como vistos e autorizações de residência CPLP, o setor do livro continua a sentir que a “livre circulação” cultural avança mais lentamente do que o desejável. 
A conversa defendeu que, se a CPLP quer promover a língua, precisa de um papel mais ativo na circulação de obras e no apoio às editoras e redes que fazem essa ponte no terreno.

Publicações Perfil Criativo | AUTORES.club (2020–2026)

A editora publica livros desde 2015; a lista abaixo reúne os títulos de 2020 a 2026. Os livros podem ser encomendados em www.AUTORES.club:

2026

  • CHÃO DE KANÂMBUA (OU “O FEITIÇO DE KANGOMBE”), Tomás Lima Coelho — Ref. 141 (1|2026) — ISBN 978-989-9209-31-2
  • O SER HUMANO E O JOGO DA VIDA, Lívio Honório — Ref. 142 (2|2026) — ISBN 978-989-9209-33-6
  • 42.4 – A VOZ DOS DIBENGO, Tazuary Nkeita — Ref. 143 (2|2026) — ISBN 978-989-9209-32-9

2025

  • KIMAMUENHO UM INTELECTUAL RURAL DO PERÍODO 1913–1922, Eugénio Monteiro Ferreira — Ref. 121 (1|2025) — ISBN 978-989-9209-09-1
  • E-book: Eu e a UNITA, Orlando Castro — Ref. 122 (2|2025) — ISBN 978-989-9209-12-1
  • E-book: SUL, Álvaro Poeira — Ref. 123 (3|2025) — ISBN 978-989-9209-13-8
  • E-book: AMOR VERDADEIRO AMOR, Hugo Henriques — Ref. 124 (4|2025) — ISBN 978-989-9209-25-1
  • E-book: AS CONTAS DA REPÚBLICA (1919–29)…, Álvaro Henriques do Vale — Ref. 125 (6|2025) — ISBN 978-989-9209-23-7
  • E-book: CHÃO DE KANÂMBUA…, Tomás Lima Coelho — Ref. 126 (7|2025) — ISBN 978-989-9209-24-4
  • NUVEM NEGRA — O DRAMA DO 27 DE MAIO DE 1977, Miguel Francisco “Michel” — Ref. 127 (8|2025) — ISBN 978-989-9209-15-2
  • CRÓNICAS DO HOMEM, Manuel Homem — Ref. 128 (9|2025) — ISBN 978-989-9209-17-6
  • MEU GASTOSO, MINHA GOSTOSA, MEU AMOR, Rafael Branco — Ref. 129 (10|2025) — ISBN 978-989-9209-16-9
  • MEMÓRIAS DAS FALA… (1975–1992), Fonseca Chindondo — Ref. 130 (11|2025) — ISBN 978-989-9209-21-3
  • EDITORIAIS DO EXPANSÃO 2019–2021, João Armando — Ref. 131 (12|2025) — ISBN 978-989-9209-14-5
  • OS BANTU NA VISÃO DE MAFRANO — VOLUME III, Maurício Francisco Caetano — Ref. 132 (13|2025) — ISBN 978-989-9209-18-3
  • A PRIMEIRA TRAVESSIA DA ÁFRICA AUSTRAL, José Bento Duarte — Ref. 133 (14|2025) — ISBN 978-989-9209-19-0
  • NUTRITERAPIA, Luís Philippe Jorge — Ref. 134 (15|2025) — ISBN 978-989-9209-20-6
  • O “RECONHECIMENTO” DO GOVERNO ANGOLANO… (1976), Domingos Cúnua Alberto — Ref. 135 (16|2025) — ISBN 978-989-9209-22-0
  • HOLOVIDA, Lívio Honório — Ref. 136 (17|2025) — ISBN 978-989-9209-27-5
  • ANGOLA E OS DESAFIOS DA ESTABILIDADE EM ÁFRICA, Zeferino Pintinho — Ref. 137 (18|2025) — ISBN 978-989-9209-29-9
  • ECOS DA LIBERDADE, Joaquim Sequeira — Ref. 138 (19|2025) — ISBN 978-989-9209-28-2
  • 50 ANOS DE INDEPENDÊNCIAS AFRICANAS VISTOS PELOS SEUS CIDADÃOS (coord. Eugénio da Costa Almeida e Rui Verde + autores), — Ref. 139 (20|2025) — ISBN 978-989-9209-30-5
  • E-book: FOREIGN OFFICE E A PENÍNSULA IBÉRICA… (1919–1962), Álvaro Henriques do Vale — Ref. 140 (21|2025) — ISBN 978-989-9209-26-8

2024

  • COMO REFORÇAR A IMUNIDADE? – 2ª EDIÇÃO, Luís Philippe Jorge — Ref. 109 (1|2024) — ISBN 978-989-35368-5-8
  • PATAS ARRIBA – 2ª EDIÇÃO, Gemma Almagro — Ref. 110 (2|2024) — ISBN 978-989-53574-7-5
  • FREI MANECO, Manuel Fonseca da Victória Pereira — Ref. 111 (3|2024) — ISBN 978-989-35368-6-5
  • E-book: ANGOLA CINCO SÉCULOS DE GUERRA ECONÓMICA, Jonuel Gonçalves — Ref. 112 (4|2024) — ISBN 978-989-35368-2-7
  • AUTORES E ESCRITORES DE ANGOLA 1642–2022, Sedrick de Carvalho e Tomás Lima Coelho — Ref. 113 (5|2024) — ISBN 978-989-9209-00-8
  • HÁ DIAS ASSIM…, Armindo Laureano — Ref. 114 (6|2024) — ISBN 978-989-35368-9-6
  • E-book: HÁ DIAS ASSIM…, Armindo Laureano — Ref. 115 (7|2024) — ISBN 978-989-9209-01-5
  • E-book: KINTHWÊNI NA TRADIÇÃO E NA POÉTICA… (Vol. 1), João Ramos Piúla Casimiro — Ref. 116 (8|2024) — ISBN 978-989-9209-05-3
  • E-book: ANGOLA E O ATLÂNTICO… (Vol. 2), Luís Gaivão — Ref. 117 (9|2024) — ISBN 978-989-9209-06-0
  • DIREITO ECLESIÁSTICO ANGOLANO, Clément Mulewu Munuma Yôk — Ref. 118 (10|2024) — ISBN 978-989-9209-07-7
  • REFINAÇÃO, ARMAZENAGEM… O PAPEL DOS BIOCOMBUSTÍVEIS, António Feijó Júnior — Ref. 119 (11|2024) — ISBN 978-989-9209-04-6
  • ENSAIOS I (2007–2018), Eugénio Costa Almeida — Ref. 120 (12|2024) — ISBN 978-989-9209-08-4

2023

  • PONTE INFANTE D. HENRIQUE, Hugo Henriques — Ref. 95 (1|2023) — ISBN 978-989-53574-8-2
  • JUBA JUVENTUDE UNIDA…, Francisco Van-Dúnem “Vadiago” — Ref. 96 (2|2023) — ISBN 978-989-35076-0-5
  • DOMINGOS INGUILA JOÃO — AS MINHAS MEMÓRIAS, Francisco Van-Dúnem “Vadiago” — Ref. 97 (3|2023) — ISBN 978-989-53574-9-9
  • MUKUA MILELE — PANOS DA MINHA AVÓ, Sandra Poulson — Ref. 98 (4|2023) — ISBN 978-989-35076-1-2
  • 3 EM 1, Filipe J. D. Pereira — Ref. 99 (5|2023) — ISBN 978-989-35076-2-9
  • OS BANTU NA VISÃO DE MAFRANO — VOLUME II, Maurício Francisco Caetano — Ref. 100 (6|2023) — ISBN 978-989-35076-3-6
  • PEREGRINOS DA ETERNIDADE, José Bento Duarte — Ref. 101 (7|2023) — ISBN 978-989-35076-5-0
  • KINTHWÊNI… (Vol. 1), João Ramos Piúla Casimiro — Ref. 102 (8|2023) — ISBN 978-989-35076-7-4
  • ANGOLA E O ATLÂNTICO… (Vol. 2), Luís Gaivão — Ref. 103 (9|2023) — ISBN 978-989-35076-8-1
  • OS SUFIS E O SUFISMO, Rahmat Anwar Al Owaysi — Ref. 104 (10|2023) — ISBN 978-989-35076-9-8
  • SUL, Álvaro Poeira — Ref. 105 (11|2023) — ISBN 978-989-35368-0-3
  • EU E A UNITA, Orlando Castro — Ref. 106 (12|2023) — ISBN 978-989-35368-1-0
  • ANGOLA CINCO SÉCULOS DE GUERRA ECONÓMICA, Jonuel Gonçalves — Ref. 107 (13|2023) — ISBN 978-989-35368-2-7
  • MATERIAL INFLAMABLE…, Danilo Facelli Fierro — Ref. 108 (14|2023) — ISBN 978-989-368-4-1

2022

  • ECONOMIA E PODER NO ATLÂNTICO SUL…, Jonuel Gonçalves — Ref. 83 (1|2022) — ISBN 978-989-53348-5-8
  • UMA AMEAÇA INQUIETANTE, João Rodrigues — Ref. 84 (2|2022) — ISBN 978-989-53348-6-5
  • EGOSISMO, Orlando Castro — Ref. 85 (3|2022) — ISBN 978-989-53348-7-2
  • OS BANTU NA VISÃO DE MAFRANO — VOLUME I, Maurício Francisco Caetano — Ref. 86 (4|2022) — ISBN 978-989-53348-9-6
  • ENSINO DOS NÚMEROS… EM ANGOLA, Jerónimo Sanchos Evaristo et al. — Ref. 87 (5|2022) — ISBN 978-989-53348-8-9
  • SENHORES DO SOL E DO VENTO, José Bento Duarte — Ref. 88 (6|2022) — ISBN 978-989-53574-0-6
  • A CASA GRANDE, João Rodrigues — Ref. 89 (7|2022) — ISBN 978-989-53574-1-3
  • E AGORA QUEM AVANÇA SOMOS NÓS, Jonuel Gonçalves — Ref. 90 (8|2022) — ISBN 978-989-53574-4-4
  • MARÍTIMOS (3ª EDIÇÃO – 2022), Filipe Zau — Ref. 91 (9|2022) — ISBN 978-989-53574-3-7
  • MILOMBO MA UFIKE, Ngongongo — Ref. 92 (10|2022) — ISBN 978-989-53574-6-8
  • SILENCIOCRACIA, JORNABÓFIAS E OUTRAS MAZELAS, Luzia Moniz — Ref. 93 (11|2022) — ISBN 978-989-53574-5-1
  • PATAS ARRIBA, Gemma Almagro — Ref. 94 (12|2022) — ISBN 978-989-53574-7-5

2021

  • CARACULO, A MINHA PAIXÃO, Victor Torres — Ref. 64 (1|2021) — ISBN 978-989-54937-3-9
  • DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS…, Clément Mulewu Munuma Yôk — Ref. 65 (2|2021) — ISBN 978-989-54937-5-3
  • POR UMA VERDADEIRA CIÊNCIA DO HOMEM, Lívio Honório — Ref. 66 (3|2021) — ISBN 978-989-54937-6-0
  • MEMORAR & OPINAR, João Rodrigues — Ref. 67 (4|2021) — ISBN 978-989-53079-1-3
  • PRISÃO POLÍTICA, Sedrick de Carvalho — Ref. 69 (6|2021) — ISBN 978-989-53079-3-7
  • DEUS-O-COSMOS…, Lívio Honório — Ref. 70 (7|2021) — ISBN 978-989-53079-2-0
  • CÓDIGO DO TRABALHO (ANOTADO) — S. TOMÉ E PRÍNCIPE, José Paquete d’Alva Teixeira — Ref. 71 (8|2021) — ISBN 978-989-53079-8-2
  • DIÁRIO DO MACULUSSO…, Fernando da Glória Dias — Ref. 72 (9|2021) — ISBN 978-989-53079-7-5
  • ANGOLA: DESDE ANTES… – Vol. I/II/III (Edição Especial + 2ª Edição), Carlos Mariano Manuel — Ref. 73–78 (2021)
  • BOBA KANA MUTHU WZELA | AQUI É PROIBIDO FALAR!, JRicardo Rodrigues — Ref. 79 (16|2021) — ISBN 978-989-53348-1-0
  • CRÓNICA DA FUNDAÇÃO DO HUAMBO | NOVA LISBOA (5ª EDIÇÃO), JRicardo Rodrigues — Ref. 80 (17|2021) — ISBN 978-989-53348-2-7
  • ANTÍGONA’19, Thiago Justino e Lina Paula Pinto — Ref. 81 (18|2021) — ISBN 978-989-53348-3-4
  • UMA-VIAGEM-PARA-ALÉM…, Lívio Honório — Ref. 82 (19|2021) — ISBN 978-989-53348-4-1

2020

  • FUTEBOL POPULAR NO SAMBIZANGA 1974–1976 (+ edição especial), Francisco Van-Dúnem “Vadiago” — Ref. 50–52 (2020)
  • ANGOLA: POR UMA NOVA PARTIDA, Marcolino Moco — Ref. 51 (2020) — ISBN 978-989-54702-1-1
  • COMO REFORÇAR A IMUNIDADE? PROTECÇÃO CONTRA O COVID-19, Luís Philippe Jorge — Ref. 53 (2020) — ISBN 978-989-54702-4-2
  • 110 ERROS QUE PREJUDICAM A SUA LOJA ONLINE, Vera Maia et al. — Ref. 54 (2020) — ISBN 978-989-54702-3-5
  • MARÍTIMOS, Filipe Zau — Ref. 55 (2020) — ISBN 978-989-54702-5-9
  • CANTO TERCEIRO DA SEREIA: O ENCANTO (CD-Música), Filipe Mukenga e Filipe Zau — Ref. 56 (2020)
  • O HOMEM E A SUA ABORDAGEM…, Lívio Honório — Ref. 57 (2020) — ISBN 978-989-54702-8-0
  • NACIONALISMO AFRICANO HOJE…, Kiavanda Felix — Ref. 58 (2020) — ISBN 978-989-54702-7-3
  • ANGOLA EN AFRIQUE…, Marcolino Moco — Ref. 59 (2020) — ISBN 978-989-54702-6-6
  • AS CONTAS DA REPÚBLICA (1919–29)…, Álvaro Henriques do Vale — Ref. 60 (2020) — ISBN 978-989-54702-9-7
  • MÃE NOSSA QUE SOIS O CÉU, Fernando Kawendimba — Ref. 61 (2020) — ISBN 978-989-54937-1-5
  • CONTOS DE SAMUEL ASTRO, Fragata de Morais — Ref. 62 (2020) — ISBN 978-989-54937-2-2
  • VERDADEIRO AMOR VERDADEIRO, Hugo Henriques — Ref. 63 (2020) — ISBN 978-989-54937-4-6

Criar é governar: a Cultura no centro da República

Criar é governar: a Cultura no centro da República

A Cultura começa a afirmar-se como um dos pilares estratégicos do futuro da República de Angola. Essa visão ganha especial relevo na grande entrevista concedida pelo Ministro da Cultura, Filipe Zau, ao jornal EXPANSÃO, dirigida pelo jornalista e director João Armando, ambos autores da Perfil Criativo | AUTORES.club.

Na conversa, Filipe Zau defende com clareza que “a cultura pode e vai contribuir para a diversificação económica”, sublinhando o papel decisivo das indústrias culturais e criativas na geração de riqueza, emprego e coesão social. Para o governante, não se trata apenas de valor simbólico: a cultura deve ser encarada como factor económico estruturante, capaz de integrar cadeias de valor e atrair investimento.

Entre os principais eixos destacados na entrevista estão:

  • a necessidade de organização e profissionalização do sector cultural;
  • a criação de condições legais e institucionais para o florescimento das indústrias criativas;
  • o reforço da formação artística e técnica, desde a base até ao nível superior;
  • e a valorização da cultura como elemento central da identidade nacional e da cidadania.

Filipe Zau é peremptório ao afirmar que Angola precisa de passar da informalidade à sustentabilidade cultural, defendendo modelos de financiamento mais claros, o envolvimento responsável do mecenato e uma política pública que reconheça o valor económico da criação artística.

A entrevista, conduzida por João Armando com profundidade e sentido estratégico, constitui um marco no debate sobre políticas culturais em Angola, mostrando que a Cultura não é um acessório do Estado, mas um dos seus alicerces para o desenvolvimento.

Quando autores, pensamento crítico e visão de futuro se encontram, a Cultura começa, de facto, a mudar a República.

"Marítimos" de Filipe Zau
Marítimos” de Filipe Zau
"O Canto Terceiro da Sereia — O Encanto" de Filipe Zau e Filipe Mukenga
O Canto Terceiro da Sereia — O Encanto” de Filipe Zau e Filipe Mukenga
"Editoriais do Expansão" de João Armando
Editoriais do Expansão” de João Armando

Apresentação da Feira do Livro de África e Sul Global

Apresentação da Feira do Livro de África e Sul Global

Livraria Lulendo & Fábrica Braço de Prata apresentam “AFRO-SUL…” Feira do Livro de África e Sul Global.

É com grande entusiasmo que convidamos editoras, livrarias, escritores e jornalistas a juntarem-se a nós para um momento especial de pré-anúncio da Feira do Livro de África e Sul Global. Este projeto inovador é organizado pela Livraria Lulendo e a Fábrica Braço de Prata, e será oficialmente lançado no dia 24 de janeiro, dia mundial da cultura africana e afrodescendente.

O evento terá lugar na Fábrica Braço de Prata e contará com a presença de todos aqueles que se interessem pela literatura africana e a do Sul Global. A Feira do Livro será um espaço mensal de celebração, onde exploraremos as diversas vozes e narrativas que emergem do nosso continente e suas diásporas.

Programação Anual Inclui:
•⁠ ⁠Feira com foco em autores africanos e do Sul Global.
•⁠ ⁠Lançamentos de livros.
•⁠ ⁠Conversas e debates com autores.
•⁠ ⁠Conferências.
•⁠ ⁠Leituras de poesia e contos.
•⁠ ⁠Apresentações de spoken word.
•⁠ ⁠Exposições e concertos.
•⁠ ⁠Sessões de DJ e open mic/karaoke.
•⁠ ⁠Cinema e stand up comedy.
•⁠ ⁠Feira de vinil com música africana e Sul Global.
•⁠ ⁠Delícias da gastronomia local.
•⁠ ⁠Desfiles de trajes.
•⁠ ⁠Feira de artesanato e design.
•⁠ ⁠Workshops e oficinas interativas.

A Feira do Livro de África e Sul Global visa fortalecer e posicionar a literatura do “SUL “ nas suas próprias narrativas e saberes, criando um espaço de diálogo e intercâmbio cultural. O Objetivo é Sulear o pensamento.

Para assinalar esta data significativa, teremos uma pequena cerimónia para o pré-anúncio do projeto e gostaríamos muito de contar com a sua presença. Junte-se a nós neste evento especial, onde o futuro da literatura Africana e Sul Global será celebrado!

Data: 24 de Janeiro
Local: Fábrica Braço de Prata
Horário: 16h – 1h. Sala: NIETZSCHE
R. Fábrica de Material de Guerra 1, 1950-128 Lisboa
A FBP- tem condições para acolher a feira no inverno.

Obituário — Manuel Vitória Pereira

Obituário — Manuel Vitória Pereira

Foi com profunda tristeza que recebemos a notícia do falecimento de Manuel Vitória Pereira, anunciada numa breve e sentida mensagem de Raimundo Salvador, do programa cultural “Conversa à sombra da Mulemba“, que partilhamos, como homenagem à força das suas palavras:

“Óbito: morreu um angolano de primeira grandeza.
Poeta, professor, cronista, homem de mil ofícios, também cantava e compunha.
Manuel Vitória Pereira foi uma figura central do sindicalismo independente angolano, activista incansável da circulação do conhecimento e da dignidade do pensamento crítico.
Partiu ontem um homem que, enquanto esteve entre nós, fez a sua parte para deixar o mundo melhor do que o encontrou.
Moçâmedes, Lubango e Luanda foram quartéis-generais do seu activismo multidisciplinar, territórios de palavra, de escuta, de intervenção cívica e cultural.
Angola perde um cidadão de excelência.
Na Sentada do Manel, na Rua 7 do Bairro Mártires do Kifangondo, toca hoje um batuque de choro.
O óbito foi anunciado na poesia e no canto de gente jovem, que vê partir um angolano que soube honrar a Pátria que o viu nascer.”

Conhecido entre pares como o nosso poeta maldito, Frei Maneco, Manuel Vitória Pereira deixou um testemunho literário marcante e irreverente com o livro Versos Sacanas, publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club em fevereiro de 2024. Trata-se de uma obra espontânea e frontal, profundamente crítica da vida contemporânea, uma poesia sem concessões, inquieta e humana, como sublinhou E. Bonavena.

Figura central do sindicato do professores angolanos, foi um activista incansável e, segundo os amigos, um verdadeiro pacifista, sempre envolvido com os mais pobres e desprotegidos. A sua coerência de vida manifestou-se desde cedo: no início dos anos setenta, ainda antes da independência, frequentava o Bairro Popular como se fosse a sua própria casa, num exercício quotidiano de proximidade, escuta e partilha.

A sua trajetória ficou também marcada por um episódio de violência e injustiça que viria a ter consequências dramáticas. Durante uma manifestação de professores nos anos noventa, Manuel Vitória Pereira foi maltratado pela polícia e abandonado a mais de 40 quilómetros de Luanda. Amigos e companheiros acreditam que as sequelas desse episódio tornaram a sua vida particularmente difícil nos últimos tempos, agravando fragilidades físicas e materiais, sem nunca lhe retirarem a lucidez crítica nem a fidelidade aos seus princípios.

Moçâmedes, Lubango e Luanda foram territórios centrais do seu activismo multidisciplinar, lugares de palavra, de intervenção cívica e de criação cultural. Por onde passou, deixou marcas de generosidade intelectual, rigor ético e coragem moral.

Angola perde um cidadão de excelência. Manuel Vitória Pereira permanecerá vivo na memória coletiva, na sua obra e no exemplo raro de uma vida inteira dedicada à dignidade humana, à justiça e à liberdade do pensamento.

Homenagem a Manuel Fonseca de Victória Pereira

Versos Sacanas
Versos Sacanas

Fernando Kawendimba distinguido entre os psicólogos angolanos mais influentes dos últimos 50 anos

Fernando Kawendimba distinguido entre os psicólogos angolanos mais influentes dos últimos 50 anos

Revista Psicólogos Angola lançou recentemente uma edição especial que assinala 10 anos do projeto editorial e celebra 50 anos de Independência Nacional, reunindo e homenageando dezenas de profissionais ligados à saúde mental.

Nesta publicação Fernando Kawendimba foi indicado como um dos psicólogos em destaque em Angola, reconhecimento que reforça o seu percurso simultaneamente ligado à psicologia clínica e à criação artística e literária.

No catálogo da Perfil Criativo | AUTORES.club, Fernando Kawendimba assina o livro Mãe Nossa que Sois o Céu – Contos, publicado em novembro de 2020 (1.ª edição). Fernando Kawendimba que se encontra em Lisboa a desenvolver os seus estudos académicos representou a nossa editora na apresentação do terceiro volume da obra de Mafrano em 2025, em Luanda.

Além do trabalho editorial, o autor tem aparecido em espaços de debate público como psicólogo e comentador, sublinhando a ligação entre experiência humana, saúde mental e narrativa.

Mãe Nossa que Sois o Céu - Contos
Mãe Nossa que Sois o Céu – Contos

35 Anos da Associação de Batucadeiras “Nôs Herança”

35 Anos da Associação de Batucadeiras “Nôs Herança”

Cidade Velha, Santiago – Cabo Verde — No passado dia 25 de Novembro, data em que se assinala o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, foi lançado oficialmente o videoclip comemorativo dos 35 anos da Associação de Batucadeiras “Nôs Herança”. A escolha desta efeméride reforça a mensagem de valorização, respeito e empoderamento das mulheres cabo-verdianas — princípios que sempre orientaram o percurso do grupo.

Fundado em 1990, o grupo Nôs Herança tornou-se a primeira associação de Batuku formada em Cabo Verde. Na altura, vinte mulheres rurais da Cidade Velha decidiram unir-se para preservar a música tradicional, fortalecer a identidade cultural e desenvolver acções sociais com impacto directo na comunidade. Este legado de união, resiliência e liderança feminina mantém-se vivo até aos dias de hoje.

O videoclip — produzido pela NOS RAIZ — presta homenagem às mulheres que, através do Batuku, preservam e renovam uma das expressões culturais mais profundas da identidade cabo-verdiana. A produção destaca o valor artístico, social e histórico do Batuku, celebrando as batucadeiras como guardiãs de memória, voz de resistência e agentes de transformação.

Com este lançamento, a Associação de Batucadeiras “Nôs Herança” reforça o seu compromisso com a preservação do património cultural imaterial de Cabo Verde, ao mesmo tempo que celebra o papel central das mulheres na cultura e na promoção da igualdade.

Assista ao videoclip

NOS HERANÇA | 35º Aniversário (BATUKO & FINASON)

Lulendo promove evento “Musiteratura” em apoio à AME e ao banco alimentar

Lulendo promove evento “Musiteratura” em apoio à AME e ao banco alimentar

A livraria Lulendo, parceira da Perfil Criativo | AUTORES.club, está a organizar uma noite especial de arte e solidariedade com o evento Musiteratura, cuja receita reverte para a AME – Associação Migrantes em Equilíbrio e para o banco alimentar da junta de freguesia.

Por motivos logísticos, houve uma alteração no formato de acesso: o bilhete, inicialmente associado à compra de um livro, passa agora a ter um valor fixo de 12€. O modelo anterior teve de ser suspenso, uma vez que o Auditório Carlos Paredes, gerido pela junta, não permite entradas associadas a livros que não sejam da própria instituição. O projeto literário previsto será retomado numa data futura.

O evento mantém-se com toda a energia criativa e contará, no dia 29 de novembro, com uma bancada de venda de livros, reforçando a ligação entre música, literatura e comunidade.

Detalhes do Evento:

  • Data: 29 de novembro
  • Hora: 21h30
  • Performers: Ricardo Campos, Torcany, Lolla Neves
  • Local: Auditório Carlos Paredes – Av. Gomes Pereira 17, Lisboa
  • Bilhete: 12€
  • Lotação: 113 lugares
  • Comprar bilhete: https://ticketline.sapo.pt/evento/musiteratura-99510

Uma iniciativa que promete cultura, solidariedade e partilha, tudo num só palco.

Progresso Sambizanga: 50 anos de História revisita o legado de Vadiago

Progresso Sambizanga: 50 anos de História revisita o legado de Vadiago

Grande reportagem do Jornal dos Desportos destaca o papel de Francisco Van-Dúnem e reaviva o interesse pelo futebol popular no Sambizanga

As páginas 16 e 17 da edição de 21 de Novembro de 2025 do Jornal dos Desportos assinalam de forma memorável as Bodas de Ouro do Progresso Associação Sambizanga, numa investigação aprofundada assinada por Betumeleano Ferrão. A evocação histórica do clube coloca em lugar de destaque o autor e investigador Francisco Van-Dúnem “Vadiago”, cuja obra Futebol Popular no Sambizanga (1974–1976) se afirma como referência indispensável para compreender o fenómeno desportivo e comunitário do bairro.

O Torneio Independência e a génese de um clube mítico

Na retrospectiva publicada pelo Jornal dos Desportos, revive-se o ambiente pós-25 de Abril, marcado pela instabilidade política e pela criatividade social dos jovens do Sambizanga. Foi neste contexto que o “Torneio Independência” nasceu no campo do Bukavu, impulsionado por um grupo de adolescentes entre os quais se destacava Vadiago, figura central na dinamização do futebol popular do bairro.

O torneio, recordado por protagonistas como José Jorge “Kota Nené”, tornou-se o embrião do Progresso, fundado após a célebre goleada do Santos do Sambizanga à JMPLA FC, episódio que levou João Baptista “Kiferro” a idealizar a criação de uma equipa capaz de representar o bairro com orgulho e competitividade.

Vadiago desmonta mitos e recupera a verdade histórica

No trabalho de Ferrão, Vadiago surge como uma voz determinante para repor a verdade histórica sobre a fundação do clube. O autor esclarece que equipas como JUBA, Juventistas ou VASAS não tiveram qualquer intervenção na origem do Progresso, por já não existirem em 1975, contrariando narrativas repetidas durante décadas.

Com a autoridade de quem viveu os acontecimentos e os investigou profundamente, o escritor reafirma que a verdadeira matriz do Progresso está no movimento comunitário e na iniciativa juvenil desencadeada no Torneio Independência, episódio detalhado na sua obra Futebol Popular no Sambizanga.

Memória, trauma e resistência

A reportagem recupera ainda momentos decisivos como o impacto dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, que marcaram profundamente o clube e os seus atletas. Salviano Magalhães, Praia e outras figuras relatam a atmosfera de perseguição política, um período que, segundo Vadiago, deixou marcas irreparáveis na reputação do Progresso.

Esses testemunhos reforçam a importância de obras de memória como a de Vadiago, que contextualizam factos, recolhem vozes esquecidas e devolvem dignidade às histórias do bairro.

Da glória à instabilidade: o Progresso como espelho do país

A análise de Betumeleano Ferrão percorre também fases de ascensão e declínio, recordando jogadores emblemáticos como Vidal, Zico, Janguelito, Valódia ou Mantorras, e denunciando os ciclos de má gestão que contribuíram para o “efeito elevador” do clube nas últimas décadas.

O texto evidencia que, apesar das crises, o Progresso continua a ser um símbolo identitário do Sambizanga, e que o seu passado não pode ser compreendido sem a investigação séria e apaixonada de autores como Vadiago.

Jornal dos Desportos: uma plataforma de memória e investigação

Nesta edição, o Jornal dos Desportos reforça o seu papel enquanto principal órgão desportivo angolano, combinando actualidade com preservação da memória e aprofundamento histórico. A grande reportagem de Ferrão é exemplo dessa linha editorial que valoriza o desporto como elemento cultural e social.

Um convite à leitura da história viva do Sambizanga

A dimensão humana e histórica revelada nesta investigação conduz inevitavelmente à obra Futebol Popular no Sambizanga.
O trabalho de Francisco Van-Dúnem “Vadiago” emerge como complemento obrigatório para leitores, investigadores e amantes da história do futebol angolano.
Num momento em que o Progresso celebra 50 anos, compreender as suas origens e desafios passa, necessariamente, por conhecer o trabalho deste autor, cuja escrita preserva a memória viva do bairro e do seu desporto popular.

Carlos Mariano Manuel distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes 2025

Carlos Mariano Manuel distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes 2025

Professor catedrático, médico patologista e investigador premiado pelo monumental tratado de História Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação

O Ministério da Cultura da República de Angola anunciou, no sábado 7 de novembro de 2025, durante uma conferência de imprensa no Palácio de Ferro, em Luanda, os vencedores da 26.ª edição do Prémio Nacional de Cultura e Artes, a mais alta distinção atribuída pelo Estado angolano a criadores, investigadores e agentes culturais que se destacam na preservação dos valores nacionais, no ano em que o país celebra o cinquentenário da Independência.

Na categoria de Ciências Humanas e Sociais, o prémio foi atribuído ao Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel pela obra Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação, uma edição monumental em três volumes que totaliza mais de 2.200 páginas.

Primeira edição, especial para coleccionadores
Prémio Nacional de Cultura e Artes 2025

A obra foi publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club, editora independente sediada em Lisboa, que tem vindo a afirmar-se como uma das mais consistentes promotoras do pensamento e da criação intelectual angolana contemporânea.

O reconhecimento do Prof. Carlos Mariano Manuel vem reforçar a continuidade do prestígio editorial da casa, que já havia sido distinguida na edição de 2024 do Prémio Nacional de Cultura e Artes, quando o júri premiou Maurício Francisco Caetano na mesma categoria, pela trilogia Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias, uma obra igualmente de grande fôlego, com cerca de 800 páginas em três volumes.

Prémio Nacional de Cultura
Prémio Nacional de Cultura 2024

Um prémio que valoriza a investigação e o pensamento angolano

A escolha de Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação reconhece o alcance académico e simbólico de uma investigação que percorre séculos de história, da formação das estruturas políticas e culturais pré-coloniais até à afirmação nacional contemporânea.
O trabalho de Carlos Mariano Manuel é notável pelo rigor documental, amplitude interpretativa e contributo para uma leitura descolonizada da história angolana.

Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel
Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel

O autor, de passagem por Lisboa a caminho dos EUA, protagonizou no dia 29 de outubro de 2025 uma extraordinária intervenção pública no Padrão dos Descobrimentos, precisamente 360 anos após a Batalha de Ambuíla, sublinhando a necessidade de revisitar criticamente o passado colonial e de reinscrever Angola no centro da sua própria narrativa histórica.

Cerimónia de entrega

A cerimónia de entrega oficial do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2025 decorrerá no dia 20 de novembro, em gala no Hotel EPIC Sana Luanda, reunindo personalidades das artes, letras e ciências do país.


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