Matéria Negra, de Kalunga: Questionando saberes e propondo sabedorias

Matéria Negra, de Kalunga: Questionando saberes e propondo sabedorias

TEXTO DE EDMIRA CARIANGO (Licenciada em Língua e Literaturas em Língua Portuguesa. Ensaísta e crítica literária. Membro do Círculo de Estudos Literários e Linguísticos Litteragris). Este texto foi apresentado na União dos Escritores Angolanos a 22 de julho de 2026.

I

A palavra forjando sabedoria, o olhar forjando poesia, pela autonomia universal dos saberes…

Neste dia, fruímos, uma vez mais, do néctar da poesia. Quem nos traz para cá é o escritor João Fernandes André, crítico literário, doutor em Literatura, Artes e Culturas Modernas, que enquanto Kalunga, no seu nome artístico, assina esta Matéria Negra, sua quarta obra a solo, juntando-se aos títulos Evangelho Bantu, O Dia em que uma Pedra Virou Lua, Lumbu – A Alquimia das Palavras

A poética deste autor da geração do pós 4 de Abril (da paz efectiva), que emerge mais concretamente na cena literária entre os anos 2010, de acordo com as recentes propostas de periodização da literatura angolana (Simbad, 2023), privilegia o trabalho à palavra, usando-a como uma das principais substâncias da sua matéria que é a poesia, não ainda esta matéria negra, referência à energia que suporta o todo “ininteligível”, mas sensível. É também esta palavra um elemento em transformação e reconstrução a favor da forja de uma sabedoria que se vem afirmando no conjunto dos conhecimentos em defesa das sabedorias dos povos africanos, que aliás é também universal.

Basta nos lembrarmos que uma grande parte dos seus poemas tem a palavra como instrumento e tema. O título Evangelho Bantu já vem afirmando uma autonomia os povos africanos, acusado de falta de tradição, no sentido de herança patrimonial da sapiência – filha da experiência de viver e de criar –, como detentores de uma sabedoria, que, aliás, é natural e universal. Além dos poemas que defendem a palavra como um instrumento universal e humano, e por isso, usada por todos para interpretar a experiência humana, Matéria Negra vem, nesta perspectiva, reafirmar a forja desta sabedoria, que já existia, que é autónoma também, sendo que aqui a poesia é usada como o lugar em que a palavra e a sabedoria natural, universal e africana também se afirma para notoriamente conviver com as coisas terrestres e celestes.

II

Da Natureza da Matéria Negra

No seu fundo, a poesia é construída com elementos do saber e através da interpretação da essência dos objectos terrenos, palpáveis e abstractos, como a vida no seu todo, principalmente o seu modo, a natureza e os procedimentos existenciais humanos. A palavra é um instrumento de manusear a linguagem, que desnuda a aparência das coisas e revela nelas o belo e feio, o acidental e o provocado, o natural e o artificial, o bom e o mau e conjectura ideias, reconstruindo-as a partir de outros saberes, e insiste na busca dos sentidos, bem como reafirma o valor da palavra enquanto meio de expressão.

Ler poesia é um desafio de leitura, releituras e descoberta de mundos, ela é uma construção de ideias e sentidos.

Usando-se, na sua forma, do verso livre e da construção de poemas ora monósticos ora dísticos, assim como na sua forma contemporânea de organização em versos e agrupados em estrofes, interpondo recurso aos trocadilhos versejados, anáforas que enfatizam a permanência das ocorrências, e ao mesmo tempo de recursos fonéticos e semânticos de construção do verso tais como a assonância e aliterações, paradoxos, a poesia de Matéria Negra expõe procedimentos corrosivos da vida promovidos por sistemas organizados, realçando o poder da palavra ao serviço da verdade, como podemos ler nos versos a seguir:

Peixes em afogamento/ Procurando coletes salva-vidas/ Na retina dos corações/ Musseques abissais/Espraiando-se no tempo/ Fedem de promessas/ A dor/ A dor/ A dor/ Acedia/para onde vão os sinos?

Numa composição à maneira agristética – aquela que se serve da desfixação, concebe o título como tema, pospondo-o no final de todos os versos, e que advoga uma escrita automática, consciente, trabalhando com diferentes orientações estéticas de diferentes escolas literária – as metáforas nos versos supracitados evocam, pela sugestão, o mar como o mundo, com as suas diferentes nomenclaturas e os seus programas, como um lugar onde os seres humanos, como peixes, são asfixiados pelas ondas das desigualdades absurdas em que “muitos têm quase tudo e outros têm absolutamente nada”, parafraseando um poeta, e ainda assim os vêm mais promessas, que na sua constância necessária, reforçada pelo descumprimento, alongam a dor “dos tais peixes”, como se diz no poema, assediando-os. É em face disso, chamado à acção através do verbo, que o poeta questiona: para onde vão os sinos?, constituindo-se também como uma metáfora que pode aludir, pelo símbolo, a diferentes objectos e experiências.

História, guerras, capitalismo, política

A literatura é concebida como uma construção humana e racional, cuja acção impõe, a quem a cria, pratica ou lê, um desdobramento constante de questionamentos e provocações. A língua, que é uma das suas principais ferramentas, desempenha a sua função comunicativa e, através das operações filosóficas que se prendem no acto de escrever, conjectura e questiona ideias sobre realidades, matérias, seres e coisas, sendo estes, referentes do mundo real, inteligível ou não, relacionados ao sujeito, a uma individualidade ou reconstruindo uma identidade colectiva, uma ordem, um programa, talvez, etc. 

E processo interligado e funcional carrega uma dimensão histórica e política. Em vista disto, a obra Matéria Negra configura-se como um objecto que faz dialogar em si essas diferentes dimensões, na medida em que ela é produzida num intervalo de tempo em que convergem discursos e momentos que evidenciam experiências de guerras construídas e derivadas, a sua poesia grita o regresso de máquinas a favor de objectivos nem tanto pró humanidade, pressagia, pelo exemplo da história e mediante as suas diferentes menções, as diferentes influencias que essas experiências exercem à própria realização da vida humana. 

Ao se impor diante dessas experiências, tecendo observações e críticas, essa obra cumpre a sua função interventiva, correspondendo à sua necessidade de marcar o seu tempo. A sua dimensão política reside também no facto de ela se constituir em si mesma como uma matéria construída para dizer ou falar, e no acto de falar, declarar o estado das coisas, agindo sobre elas na sua consequente reforma ou impondo um certo despertar. Faz-se pela evocação da história de Angola, evidenciando-se nela uma influência das forças externas que a impulsionaram por razões diversas. (ver os poemas nas páginas 41; 33; 21, etc).

 Além disso, nos seus poemas, há a exaltação do absurdo, pelo mecanismo da repetição dos ciclos, mas ao mesmo tempo, Matéria Negra propõe-se como um lugar a partir do qual se forjam esperanças para refazer amanhãs. (ler as páginas 25, 49 e outros).

Reflectir, reavaliar as crenças e forjar novas esperanças

Através de trocadilhos, diferentes poemas reafirmam a importância da valorização das vozes e dos diferentes saberes (32), não deixando de lado a visão perscrutadora aos novos discursos que constroem apologias de igualdade e autonomias das diferentes culturas, sendo também hipoteticamente, como nos sugere a palavra poética, a edificação de novos autoritarismos ou colonialismos, é através da palavra que Kalunga vem, com os seus sujeitos, digladiar:

Trago das mãos do tempo

Os sons do silêncio

A fúria da palavra

A cinzenta ousadia do desejo

A amargura dos metais

I o olfacto das ideias (p.39)

O seu valor reside também no facto de dizer muito com pouco e suscitar constante reflexão e pode ser muito incómoda, porque diz coisas que são do senhor, permitidas a poucos…(ler também as páginas 32; 34; 37).

…O contexto do pré texto

Contesta o pretexto

Do protesto contra

O texto do sul global

Vigilante mente

A epistemologia vergada 

Proclama novos pássaros

De asas de ouro (p.32)

Para aqueles que procuram apenas o deleite, vão encontrar um conjunto de ferramentas para solidificar as esperanças ou refazer lições (páginas 49; 40; 41; 42).

Marcado pela valorização do dialogismo, este poemário, mais do que se fundamentar no conhecimento profundo das realidades histórica, económica, política e sociocultural local e universal, erige vozes que dialogam com diferentes sons poéticos das distintas vanguardas contemporaneidade da poesia nacional e internacional, onde a forma é já um dos seus maiores exemplos: esperança árida/Cá indo/Em pé lá/No vale da morte.

Matéria Negra traz um discurso que nos remete para uma proposta de reavaliação das crenças de superioridade: nas catedrais da história/derramando o mito da cor/nem negros demais para sermos brancos/nem brancos demais para sermos negros/nem vermelhos demais para sermos amarelos/nem amarelos demais para sermos vermelhos (…) Assim/Nós/ Como o anjo da humanização/Devorando a linha abissal do estado das coisas…(p.11)

 Porquanto, pela sua configuração e sugestão ao propor um diálogo entre o tradicional e o moderno, captando da natureza das coisas, as suas atitudes, essências e qualidades, este poemário propõe-nos a forja de uma sabedoria através do reconhecimento da autonomia dos saberes, do provérbio, construindo máximas, da palavra captando a matéria negra dos universos e da consciência da renovação e circularidade como leis na base substancial de qualquer corpo: 

…O velho de novo

De novo o velho

No novo o velho

No velho o novo

Está escrito:

O que é já foi…(p.9).

Bibliografia

Kalunga. (2026). Matéria Negra. Perfil Criativo.

Kalunga. (2018). Evangelho Bantu. Perfil Criativo.

Kalunga. (2022). O dia em que uma Pedra Virou Lua. Projecto Ler e Contar.

Maestro, J. G. (2017). Crítica de la razón literária. Academia del Hispanismo.

Santos, B. S. (2023). O fim do império cognitivo. Mayamba Editora.

Da Ruptura ao Diálogo: Portugal e Angola vistos pela imprensa da época

Da Ruptura ao Diálogo: Portugal e Angola vistos pela imprensa da época

A Perfil Criativo | AUTORES.club publica, em Setembro de 2026, o livro Portugal e Angola: O Difícil Reencontro. Relações político-diplomáticas no pós-independência, 1976–1985, de Salomão Arão Chipeco.

Integrada na colecção “Trabalhos Académicos”, a obra resulta da tese de doutoramento em História, Estudos de Segurança e Defesa desenvolvida pelo autor no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, sob orientação do Professor Catedrático Luís Nuno Rodrigues. O estudo analisa um dos períodos mais sensíveis e menos explorados da história contemporânea das relações entre Angola e Portugal: a primeira década que se seguiu à independência angolana e à consolidação do regime democrático português. 

Entre 1976 e 1985, Lisboa e Luanda viveram uma relação marcada por desconfianças herdadas do passado colonial, tensões políticas, suspensões diplomáticas, tentativas de normalização e interesses económicos que mantiveram abertos os canais de diálogo. O livro acompanha o reconhecimento da República Popular de Angola pelo Governo português, a suspensão e o restabelecimento das relações diplomáticas, a nomeação de embaixadores, o papel da Presidência da República Portuguesa, o Acordo Geral de Cooperação e os trabalhos da Comissão Mista Luso-Angolana. Analisa ainda o impacto da Guerra Fria e das actividades desenvolvidas em Portugal pela UNITA e pela FNLA no relacionamento entre os dois Estados. 

Os jornais como fonte da História

Um dos aspectos mais relevantes desta investigação é o amplo levantamento da imprensa portuguesa e angolana da época. Salomão Arão Chipeco consultou inúmeros artigos de jornais e revistas, cruzando-os com documentação diplomática, correspondência oficial, relatórios governamentais, debates parlamentares, programas dos governos constitucionais e testemunhos contemporâneos. Este confronto entre diferentes fontes permite reconstruir, com maior minúcia, a forma como as decisões políticas foram tomadas, divulgadas e interpretadas nos dois países. 

A imprensa não surge apenas como registo dos acontecimentos. O livro demonstra que os jornais participaram activamente na construção das percepções políticas, na divulgação das actividades dos movimentos angolanos em Portugal e, em determinados momentos, no agravamento das tensões entre os governos de Lisboa e Luanda. Entre os periódicos mobilizados encontram-se títulos como A Província de Angola, o Diário de Lisboa, o Diário de Notícias, o Expresso, o Jornal de Angola e o África Jornal, entre outros. Um exemplo analisado é a cobertura das actividades da UNITA em Portugal e a forma como essas notícias interferiram no debate sobre as relações “Estado a Estado”. 

Ao colocar lado a lado notícias, documentos oficiais e decisões governamentais, o autor permite ao leitor observar não apenas o que aconteceu, mas também como os acontecimentos foram apresentados à opinião pública e utilizados no confronto diplomático. A obra revela, assim, o valor dos jornais como fonte histórica e como intervenientes na própria evolução das relações luso-angolanas.

No prefácio, Luís Nuno Rodrigues destaca a amplitude do levantamento documental, o rigor metodológico e a capacidade do autor para cruzar perspectivas frequentemente divergentes, considerando a publicação um contributo duradouro para o conhecimento histórico das relações entre os dois países.

Com esta nova edição da colecção “Trabalhos Académicos”, a Perfil Criativo | AUTORES.club reforça o seu compromisso de aproximar investigações universitárias rigorosas de um público leitor mais vasto e de fortalecer as pontes históricas, culturais e intelectuais entre Angola e Portugal.

Uma obra destinada a investigadores, estudantes, diplomatas, jornalistas e leitores interessados na história contemporânea de Angola e Portugal, nas relações internacionais e no papel da imprensa na construção do debate político-diplomático.

Ficha técnica

Título: Portugal e Angola: O Difícil Reencontro. Relações político-diplomáticas no pós-independência, 1976–1985
Autor: Salomão Arão Chipeco
Prefácio: Luís Nuno Rodrigues
Editora: Perfil Criativo – Edições | AUTORES.club
Colecção: Trabalhos Académicos
Primeira edição: Setembro de 2026
ISBN: 978-989-9209-44-2
Número de páginas: 310
Língua: Português

Índice

Prefácio de Luís Nuno Rodrigues
Resumo

Abstract
Glossário de Siglas


INTRODUÇÃO
Objeto de Estudo e Escolha do Tema
Escolha da Cronologia
Objetivos da Investigação
A Problemática
Hipóteses
Metodologia de Investigação
Fontes
Estado da Questão


CAPÍTULO I – CONTEXTO HISTÓRICO DAS RELAÇÕES ENTRE PORTUGAL E ANGOLA
Nota Introdutória
O Golpe de Estado do 25 de abril de 1974 em Lisboa
Angola, período da transferência do poder: Do 25 de abril ao Alvor
Acordos de Cessar-fogo entre autoridades portuguesas com FNLA e o MPLA
Do Alvor à independência da República Popular de Angola
A internacionalização da Guerra Civil
Proclamação da Independência e Reconhecimento da RPA
Campanha Diplomática dos EUA para não reconhecer a R.P. de Angola
Nota Conclusiva do Capítulo


CAPÍTULO II – CONTEXTO INTERNACIONAL DAS RELAÇÕES ENTRE PORTUGAL E ANGOLA
Nota Introdutória
A legitimação Internacional da RPA junto da OUA, dos países da CEE e Portugal
Reconhecimento da RPA pelos países da CEE e pelo Governo português
Estabelecimento de relações diplomáticas entre Portugal e Angola
As tropas sul-africanas retiram-se de Angola
Deterioração das Relações Luso-Angolanas
Suspensão das Relações Diplomáticas por iniciativa de Angola
Nota Conclusiva do Capítulo

CAPÍTULO III – I E II GOVERNOS CONSTITUCIONAIS E AS RELAÇÕES COM ANGOLA
Nota Introdutória
Portugal: Breve Contextualização Política
Angola: Breve Contextualização Política
Contactos bilaterais Portugal e Angola
Portugal e a Admissão de Angola na ONU
Institucionalização da normalização das relações Portugal e Angola
Chegada do primeiro Embaixador angolano em Portugal
Importância da Cimeira de Bissau na normalização das Relações Luso-Angolanas
Nota Conclusiva do Capítulo


CAPÍTULO IV – III, IV E V GOVERNOS CONSTITUCIONAIS DE INICIATIVA PRESIDENCIAL E AS RELAÇÕES COM ANGOLA
Nota Introdutória
Portugal: Breve Contextualização Política
Angola: Breve Contextualização Política
Contactos bilaterais entre Portugal e Angola
4.1. Ratificação do Acordo Geral de Cooperação
Início dos Trabalhos da Comissão Mista Luso-Angolana
Nota Conclusiva do Capítulo


CAPÍTULO V – VI, VII E VIII GOVERNOS CONSTITUCIONAIS E AS RELAÇÕES COM ANGOLA
Nota Introdutória
Portugal: Breve Contextualização Política
Angola: Breve Contextualização Política
Contactos bilaterais Portugal e Angola
Incremento das relações Luso-Angolanas
Fases do desbloqueamento nas Relações Luso-Angolanas
II Sessão da Comissão Mista Permanente Luso-Angolana
Nota Conclusiva do capítulo


CAPÍTULO VI – IX GOVERNO CONSTITUCIONAL E AS RELAÇÕES COM ANGOLA
Nota Introdutória
Portugal: Breve Contextualização Política
Angola: Breve Contextualização Política
Contactos bilaterais Portugal e Angola
Dificuldades nas Relações Luso-Angolanas
A RPA opta pelo incremento da Cooperação com Espanha em vez de Lisboa
Nota Conclusiva do capítulo
Conclusão Geral
Referências Bibliográficas


ANEXOS
ANEXO A – Quadro I – Evolução da Balança Comercial entre Portugal e a República Papular de Angola (1982-1985)
ANEXO B – Quadro II – Principais Produtos Importados de Angola (1982-1985)
ANEXO C – Quadro III – Principais Produtos Exportados de Angola (por classe e produtos)
ANEXO D – Quadro IV – Principais Produtos Exportados para Angola (por artigos e pauta)

“Crónica da Fundação do Huambo | Nova Lisboa” esgota 5ª edição e reafirma-se como obra essencial da História de Angola

“Crónica da Fundação do Huambo | Nova Lisboa” esgota 5ª edição e reafirma-se como obra essencial da História de Angola

O livro Crónica da Fundação do Huambo | Nova Lisboa, do jornalista angolano Xavier de Figueiredo, está prestes a esgotar a sua 5ª edição, enriquecido com um notável conjunto de fotografias históricas da época, reforçando o seu valor documental e patrimonial.

Publicado originalmente em 2014, no contexto das comemorações da fundação da cidade do Huambo (1912), este livro consolidou-se como uma das mais importantes referências sobre a formação do território angolano moderno e o papel de Portugal no processo colonial em África.

Uma obra de referência histórica

Mais do que uma simples narrativa, esta obra oferece uma leitura profunda e rigorosa da fundação do Huambo, posteriormente Nova Lisboa, revelando:

  • O contexto geopolítico e colonial do início do século XX
  • O papel estratégico do Caminho-de-Ferro de Benguela
  • As decisões políticas e militares que moldaram o território
  • A construção de uma cidade “em condições inéditas, em tempos de mudança” 

A obra baseia-se em fontes primárias da História, evitando leituras ideológicas simplificadas e propondo uma abordagem factual, crítica e documentada.

Prefácios que enquadram uma nova leitura da História

O livro inclui prefácios de elevado valor interpretativo, com destaque para a reflexão de Marcolino Moco, que sublinha a importância da obra como instrumento de compreensão histórica:

“Este é um livro que… não deixa qualquer espaço para especulações de outra natureza que não a História em si, nua e crua.”

O prefácio destaca ainda a relevância da obra para as novas gerações, apontando para uma crescente necessidade de revisitar a História de Angola sem filtros ideológicos:

“Nota-se uma curiosidade em relação a um conhecimento da história do país não sujeito a reduções políticas ou ideológicas.” 

Na parte final do livro é possível ainda descobrir no prefácio da primeira edição escrito por Jaime Nogueira Pinto:

“Outros tempos. A História veio decidir de outro modo — e é com a História, com a história acontecida, que temos de viver o presente e preparar o futuro.”

Destaques do conteúdo

A obra percorre, de forma estruturada, os momentos-chave da fundação e consolidação da cidade, incluindo:

  • O auto da fundação (1912), presidido por Norton de Matos
  • Os primórdios da ocupação do Planalto Central
  • O papel determinante do Caminho-de-Ferro de Benguela
  • As tensões internacionais e a ameaça alemã no sul de Angola
  • A integração das populações locais (Ovimbundu) no processo histórico
  • A evolução de Huambo para Nova Lisboa e a “miragem da capital”

Inclui ainda um importante acervo fotográfico histórico, que documenta visualmente a fundação e os primeiros anos da cidade, tornando esta edição particularmente valiosa para investigadores, leitores e colecionadores.

Uma obra entre memória, identidade e História

Mais do que um registo histórico, este livro assume-se como uma ponte entre gerações e memórias:

“Este livro é uma singela homenagem à memória de uma terra a que muitos ficaram para sempre ligados – pelas raízes, pelo afecto. Por tudo.”

Ao revelar os bastidores da construção do Estado colonial e a sua continuidade no Estado moderno, a obra contribui para uma compreensão mais ampla da identidade angolana contemporânea.

Disponibilidade

Com a 5ª edição praticamente esgotada, esta obra afirma-se como um título indispensável para:

  • Historiadores e investigadores
  • Estudantes e académicos
  • Leitores interessados na História de Angola e de África

Ficha técnica

  • Título: Crónica da Fundação do Huambo | Nova Lisboa
  • Autor: Xavier de Figueiredo
  • Edição: 5ª edição (com fotografias históricas)
  • Ano de lançamento da primeira edição: 2014
  • Tema: História de Angola / História colonial / Urbanismo histórico

Literatura angolana chega a Portugal com o romance “42.4 – A Voz dos Dibengo”

Literatura angolana chega a Portugal com o romance “42.4 – A Voz dos Dibengo”

O romance 42.4 – A Voz dos Dibengo, do escritor angolano Tazuary Nekeita, acaba de chegar a Portugal, trazendo consigo uma narrativa surpreendente que promete despertar a curiosidade dos leitores interessados na nova literatura africana. A obra apresenta uma crítica social incisiva e pouco conhecida fora de Angola, explorando com humor, ironia e imaginação os desafios, contradições e memórias que marcaram o país nas últimas décadas.

Ambientado em torno da emblemática Casa 42.4, o livro conduz o leitor por um universo onde realidade e metáfora se cruzam para revelar episódios da vida angolana, desde a independência até aos dias actuais. No centro da narrativa surge a figura simbólica dos Dibengo, uma metáfora poderosa para os males que corroem silenciosamente a sociedade, da corrupção à ganância, mas também para a resistência e criatividade de um povo que encontra no humor uma forma de sobreviver às adversidades.

Com personagens marcantes, histórias inesperadas e uma linguagem rica em referências culturais angolanas, 42.4 – A Voz dos Dibengo afirma-se como uma das revelações da nova literatura da República de Angola. A chegada do livro ao mercado português abre agora a possibilidade de um público mais vasto descobrir uma obra que combina sátira, memória histórica e imaginação literária, confirmando Tazuary Nekeita como uma voz singular e provocadora no panorama literário contemporâneo.

42.4 – A Voz dos Dibengo de Tazuary Nkeita e prefácio de Tomás Lima Coelho

O Abraço da Memória (II)

O Abraço da Memória (II)

TEXTO DE GABRIEL BAGUET JR

O espaço e o dia onde me encontro já evidencia uma certa claridade e Pássaros que falam entre si cantando. A Natureza tem essa singular magia e esse particular encanto. Na mágica Natureza estão todos os naturais elementos para repensarmos a relação Humana com a Ecologia ao longo de décadas. E o Amanhecer como o Anoitecer encerram muitos Ciclos como abrem tantas outras possibilidades de Reflexão sobre os Dias. Os Nossos e os dos Outros. Entendi dar continuidade a este título porque assim sinto o impulso do começo deste terceiro dia de 2026.

E hoje como poderiam surgir tantas outras perguntas , pergunto o que é viver ? O Abraço da Memória poderá ou não ser entendido para os destinatários desta MUKANDA ( expressão em Língua Nacional de Angola entre outras questões é o Kimbundu e que significa em Língua Portuguesa CARTA). Mas esta MUKANDA que igualmente considero uma Reflexão, é um modo e o caminho que vai de Encontro à Liberdade de Pensamento e de Opinião.

E respeito a Liberdade de Pensamento qualquer que seja o meu semelhante e a sua Opinião. E a Liberdade de Pensamento e de Opinião trazem essa imperativa necessidade de Olhar a roda do Mundo e fazermos análises ou balanços sobre a Vida, o Progresso ou não, o crescimento do Desenvolvimento Humano ou recordar o espaço urbano onde nascemos, brincamos e crescemos e com esta condição natural e que nos habitará sempre, surge naturalmente a importância da Memória Individual e Colectiva e tudo o que fizemos, o que ficou para fazer, por dizer e lembrar os caminhos essenciais da Amizade genuína, dos Afectos e Ensinamentos familiares ..No meu caso são imensas as Memórias de ter sido muito feliz e aprender como se conseguem as Canoas dos Sonhos que imensas vezes vi com os meus Olhos ou pelo Olhar do meus queridos Pais, as redes de pesca lançadas sobre toda a extensão da Histórica Ilha de Luanda e ver os Mais Velhos Pescadores de pano até aos pés amarrado na cintura e ver a beleza da sua relação com o Mar,com o que foi pescado e a sã e Saudosa recordação de ver e ouvir o meu Saudoso Pai a falar genuinamente Kimbundu com os Mais Velhos e apreciar a força mental inspirados pela magia da minha de Ilha de Luanda. Esse legado foi vivenciado,sentido, recordado e acompanha os meus Dias. Este acto assumido é Memória que me remete para outras Memórias de que oportunamente falarei. 

O compasso da Escrita tem avanços, recuos, integrações de outras análises e perspectivas e essa dinâmica como as Viagens referidas no artigo anterior ao pensar nas belíssimas viagens de Comboios de que tanto gosto ou recordar a Jangada que me permitiu com a Família nuclear deslocarmo-nos de carro entre Luanda e o Santuário da Nossa Senhora da Muxima em Angola inúmeras vezes. É a busca da Memória e o Abraço à mesma. 

Neste quadro e continuando a ouvir os pássaros como se de uma Orquestra Clássica com Instrumentos Musicais Clássicos se tratasse ou e porque não de uma Orquestra Clássica com Instrumentos Musicais e Tradicionais Africanos como o Kissange, a Puita, o Reco-Reco e a Percussão. Gostava um dia de acordar, ver e ouvir numa rua ou avenida de uma qualquer cidade do Mundo sentir este despertar.Porque o Espaço e Rural são suportes de imensas realizações Culturais específicas e não só, como lugares de introspecção e contemplação desprendida sobre o Perfume da Vida. 

E neste terceiro dia do ano, depois da partilha com um grande amigo que dedicou e dedica com ética a sua vida sobre este título e o conteúdo do texto referiu a gratidão da partilha e cito sem egos: “obrigado, Mano Gaby pelo inspirador, humanista, pedagógico e texto universalista que aqui vens explicar”. E naturalmente e com total abertura veio lembrar-me outros exemplos de Desenvolvimento Humano que cito : “a Finlândia, mas esqueces a Islândia, Escandinávia, Canadá, Costa Rica, Butão, Nova Zelândia”. Este amigo de múltiplas profissões e Talentos tem razão num ponto que é não ter referido o Canadá .

As palavras supra referidas do Investigador Ambiental, de Direitos Humanos e Escritor Veladimir Romano da Cruz cruzam-se com o conceito que o mesmo defende e volto a citar que “esta coisa da “FELICIDADE”, é coisa do muito se diga” e destacou que “vivendo eu na Suécia algum tempo, nos anos de 68, quando ali cheguei, já a comunidade Finlandesa os ” Suomi “, eram na sua percentagem cerca de 50% da população da Finlândia, imigrantes e assim, não só a Suécia, onde viveram mas também na Noruega, Dinamarca, até aos restantes desde a Bélgica, Holanda e Alemanha e por ali se distribuíram os 2 milhões desses emigrantes que aprenderam, estudaram, organizaram-se (jamais se preocuparam em comprar grandes carros, juntar biliões para uma casa/ mas antes, acumularam conhecimentos e voltaram à terra natal para investir na sua pátria”. Em seu entender e concordo inteiramente que o Devir dos Dias do Novo Ano deve assentar na” realidade cívica e de cidadania e que a justiça funcione sem esquecer a luta pela primazia da educação e floresça, apostando-se na Ciência e e no Desenvolvimento Humano e Cultural tão necessário para qualquer  nação e uma sociedade só assim se  desenvolve não vivendo de teorias da fantasia e grosserias instituídas nos esquemas fabricando depois a podridão da miséria moral e fatal quebra crónica do sistemneconómico-financeiro'”, disse Veladimir Romano da Cruz. 

Desta integração de ideias e análises, ressurge de novo a importância da Memória e como disse o Escritor, Jornalista colombiano e Prémio Nobel da Literatura em 1982 Gabriel García Márquez e cito, ” a vida de uma pessoa não é o que lhe apetece ,mas aquilo que recorda e a maneira como o recorda”.É verdade . No Abraço à Memória como decidi designar a construção deste texto,entendo que a Arte produzida por genuínos Criadores no plano da intervenção artística multidisciplinar aliada à defesa da Humanização Social como ao respeito pelos Direitos Humanos sejam a tela mais bela a Pintar e a criar. Os novos desafios mundiais são imensos e só uma Cultura de Memória e Respeito percorrendo infelizmente Tragédias como a Escravatura,  Colonização, I e II Guerra Mundial , a Inquisição, o Apartheid, o Holocausto e outras práticas desumanas, nos farão reflectir como a Arte em si de modo transversal e o Diálogo sem filtros em múltiplos domínios , permitirá fazer as Viagens que desejamos pensando nos nobres exemplos deixados por históricas Mulheres e históricos Homens no domínio da Cultura, da Literatura, do Desenvolvimento Humano, na Ciência, na Educação e de Sociedades iguais e menos assimétricas.

Onde estiver reflicta a prática do BEM sem egocentrismos e pense no Sonho que entender para melhorar substantivamente o Estado do Mundo. Urge falar na Humanização das Sociedades. Precisamos dessa sonhada Viagem.

O Abraço da Memória (I)

O Abraço da Memória (I)

TEXTO DE GABRIEL BAGUET JR

Assim sinto os Dias e desde modo escolhi com total desprendimento, mas consciente , que a viagem dos próximos Dias de 2026 são comboios ou autocarros que nos transportam para onde pretendemos ou não. Porque apesar da opção ecológica referida em termos dos transportes citados, também podemos escolher viajar de canoa , de barco, de jangada e cada margem ter uma paragem para parar à semelhança dos apeadeiros e as Estações de Comboios.

Cada Dia é do meu humilde  ponto de vista uma viagem diversa porque diversas são também as viagens do Pensamento e do Olhar em Silêncio ou em ruído sobre os carris, os rios ou os oceanos percorridos ou a percorrer. 

Cada dia deveria ser a Biblioteca aberta e plural   para cada viagem a fazer. Tal como de comboio ou outra opção de transporte temos escolhas a fazer como estar à janela ou em coxia, as viagens têm também essa possibilidade de escolher o livro que desejamos ler. E as Bibliotecas como os Comboios têm destinos de escolha múltiplos. No caso das Bibliotecas, cada instante tem a oferta que desejarmos. Pode ser um Romance, uma Biografia, um livro de Poesia ,de Viagens ou de qualquer outra escolha literária como por exemplo a origem dos Comboios ou de Fricção.

 Porque cada dia é também a combinação da Realidade e da Ficção. E no meio das duas circunstâncias existe o Sonho ou os Desenhos do que projectamos para a estrada das nossas Vidas.

Findo o ano de 2025, ficam Memórias diversas tristes ou alegres . Ficam Falas trocadas, Olhares cruzados, Poemas ditos ou sonhados, Imaginários percorridos ou Jardins sonhados e nunca contemplados.

O final de cada ano implica interrogações diversas e como por exemplo sobre as promessas feitas individualmente ou no plano colectivo, muitas são reais e concretizáveis porque a vontade de quem as promete tem a firme vontade e convicção de as cumprir como desígnio de carácter Humanista e sentido de fazer melhor e Humanizar.

Cada ano que passa por nós e como referi numa Reflexão anterior durante o ano findo, precisamos de novas Esperanças perante quotidianos complexos de Existência Humana. Porque não basta Iluminar as Cidades, as Ruas, as Avenidas e escolher lugares icónicos e patrimoniais das Cidades e muitos deles parte Imaterial da Humanidade como classificado pela UNESCO.

Em meu entender é preciso ir muito mais longe de modo genuíno sem dribles porque esses são necessários nos jogos de futebol. A Vida de cada Ser Humano injustamente encarada por alguns como um jogo de futebol e perdoem-me os amantes do futebol( desporto que respeito ), é muito mais do que uma partida de futebol. A Existência Humana e assumo porque é tão ténue e frágil , precisa de Pessoas de mentes Iluminadas e Humanizadas . Claro e é justo dizê-lo, existem exemplos diferenciados e marcantes face à Condição Humana. Existem, mas são pouco divulgados. Porém esses Iluminados exemplos têm pouca mediatização e não fazem parte das Agendas Políticas Locais e Globais.

Ouvem  muitos Discursos e alguns deles evidenciam preocupações face às realidades concretas da Vida e do compasso do Existir. Mas não se realizam. A História da Humanidade deixou Discursos notáveis de Mulheres e Homens sem visão egocêntrica pois o que escreviam e diziam tinham profundidade e desejo concreto de ver as Pessoas felizes. Por isso as suas marcas de Pensamento ficaram para as Estradas das nossas Esperanças e Inquietações.

A Paz, palavra tão sagrada e fundamental para qualquer Sociedade, é falada, dita, evocada, mas não praticada. Quem recorda e eu bem me lembro por experiência profissional e pessoal vivida, a Cimeira do Milénio no ano 2000, abria portas de vasta esperança que tocava a Humanidade. O brilhante Discurso do histórico Secretário-Geral de Koffi-Annan que tive a honra de conhecer quando recebeu o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Nova de Lisboa em cerimónia presidida pelo  também histórico Presidente Jorge Sampaio, acendia novas Luzes sobre o Mundo.

Essa inesquecível Cimeira do Milénio foi sol de pouca dura como diz o Povo. E decorridos 25 anos o Mundo piorou. Os números oficiais da Pobreza mundial são assustadores. Igual e triste realidade é a condição de ser Migrante ou Imigrante. O número de Refugiados e deslocados de guerra é gritante. O Trafico Humano é devastador, a Prostituição Infantil é um sinal tristíssimo das ruas de muitas Sociedades. Um quadro pouco aceitável à luz dos Dias depois de tanta  Legislação em vigor nas ordens jurídicas de muitos Estados. A violação de Direitos Humanos é inqualificável 70 anos depois da sua vital criação. A Intolerância Religiosa e Cultural estão na pauta das Violações o que é intolerável em pleno Século XXI. 

As Guerras constituem outro cenário que nos interpela a todos os (as ) amantes da Paz. Mas não basta falar para bom registo fotográfico ou nível de audiências a atingir. É preciso sentir a Paz no mais interior dos nossos sentimentos e com essa atitude, dar essa planta ou flor que se chama Paz. A sua ausência mina o Desenvolvimento Humano. Basta ler os Relatórios Internacionais do PNUD e os números não são dados manipulados. São reais e fazem-nos pensar. 

E importam várias perguntas ; a Finlândia é considerada hà mais de 20 anos o país da Felicidade e os demais países dos Países Nórdicos apresentam realidades sociais e públicas distintas de outros Estados do mundo. A questão é da qualidade dos líderes políticos, das exigências das suas Sociedades Civis ou de exigentes praticas de Boa Governação?

A Corrupção existe à escala mundial e as ramificações são extensas a vários sectores das Sociedades. O que impede o seu combate efectivo ? Porque não se vê o seu fim ? O que explica o excesso de Luxo e a Extrema Pobreza? O que explica? O que explica a Exclusão Social e a Discriminação? As perguntas são longas e extensas.

Nesta viagem de Comboio à janela ou em coxia, do destino a percorrer ou na escolha de outra opção, não esqueça a Arte das boas práticas Humanistas, nem tão pouco o BEM em todos os domínios das suas vidas para que não se fixe apenas nas Tradições. As mesmas são respeitáveis. É inquestionável. Mas a prática da Fraternidade genuína, transparente como a Poesia romântica e sem filtros, será certamente o melhor Comboio ou Jangada da Memória para fazer a Viagem da Paz , do Respeito pela Condição Humana e com o necessário Humanismo que se deve impor ao respirar de cada um. Cada Esquina da Vida é uma Viagem diversa e imprevisível.

Não ignore o BEM. Seja praticante do BEM nas diferentes horas da Vida e nas diferentes Geografias.

Da África Austral ao Mundo: o livro que revela a outra face da expansão portuguesa

Da África Austral ao Mundo: o livro que revela a outra face da expansão portuguesa

A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte, não é apenas o relato de uma viagem excecional através do continente africano. É, acima de tudo, um livro que surpreende ao mostrar como essa travessia se insere num fenómeno muito mais vasto: a extraordinária e improvável colonização portuguesa que alcançou os quatro cantos do mundo.

Revelando a primeira travessia documentada da África Austral, de Angola ao Índico , o autor constrói uma narrativa que cruza exploração, política, geografia e destino histórico, revelando como um pequeno país europeu conseguiu projetar-se, durante séculos, em territórios tão distantes como África, Ásia, América e Oceânia.

Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte
Lançamento em 2025 do livro A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte

Apresentação do autor no lançamento de “A Primeira Travessia da África Austral” Padrão dos Descobrimentos, Lisboa — 29 de outubro de 2025

Uma travessia que explica um mundo

O livro acompanha a jornada africana não como um episódio isolado, mas como parte de um sistema global de rotas, decisões e encontros culturais. A travessia do sul de África surge como um eixo estratégico que ajuda a compreender a lógica da expansão portuguesa:
uma colonização feita de persistência, adaptação, alianças locais, erros, conflitos e surpreendente capacidade de sobrevivência política e cultural.

José Bento Duarte mostra que a história da colonização portuguesa não se explica apenas pelo mar, mas também pela terra, pelos caminhos interiores, pelos rios, pelas rotas esquecidas e pelos homens, muitos deles luso-africanos, que ligaram oceanos, povos e impérios.

História global contada a partir de África

Ao longo das páginas de A Primeira Travessia da África Austral, o leitor descobre como a presença portuguesa em África se articula com acontecimentos decisivos noutros pontos do globo:
as disputas imperiais europeias, o comércio intercontinental, a rivalidade entre potências, as missões religiosas, os equilíbrios diplomáticos e as estratégias de sobrevivência de um império disperso.

África não surge como periferia, mas como centro de gravidade de uma história global. É a partir do continente africano que se compreende melhor a ligação entre o Atlântico e o Índico, entre o Brasil e a Índia, entre Lisboa e os territórios longínquos onde a língua portuguesa deixou marcas duradouras.

Rigor histórico com pulsação narrativa

Sem abdicar do rigor documental, José Bento Duarte escreve com um ritmo que prende o leitor. O livro combina investigação em arquivos, leitura crítica de fontes e uma escrita clara e envolvente, capaz de transformar a História num relato vivo, acessível a especialistas e ao público geral.

Mais do que um livro sobre exploradores, é um livro sobre processos históricos, sobre como se construiu, e se manteve, uma presença global improvável, frequentemente contraditória, mas profundamente marcante.

Um livro para ler o passado com outros olhos

Num tempo em que a história da colonização é frequentemente reduzida a slogans ou simplificações, A Primeira Travessia da África Austral propõe algo diferente:
uma leitura informada, crítica e abrangente, que reconhece a complexidade dos factos e devolve profundidade a uma história que continua a influenciar o presente.

Este é um livro para quem se interessa por Angola, Moçambique, por Portugal, pela história global, pelas rotas do mundo, e para quem acredita que ainda há muito por descobrir nos arquivos, nos mapas e nas narrativas esquecidas.

Livros de José Bento Duarte

Peregrinos da Eternidade
Peregrinos da Eternidade
Senhores do Sol e do Vento
Senhores do Sol e do Vento
A primeira Travessia da África Austral
A primeira Travessia da África Austral

“Um interlúdio chamado João Lourenço”

“Um interlúdio chamado João Lourenço”

Livro de bolso ANGOLA: POR UMA NOVA PARTIDA: Uma leitura urgente para tempos de transição política em Angola

O “pensador angolano” Marcolino Moco é chamado a público para explicar as ideias expressas na edição em formato de bolso de ANGOLA: POR UMA NOVA PARTIDA, uma obra originalmente publicada em 2020 e que agora ganha nova vida e urgência num momento crítico da história política angolana. Com estilo claro, perspicaz e profundamente reflexivo, Marcolino Moco propõe uma reflexão abrangente sobre os desafios estruturais que moldam o Estado angolano, a dinâmica de poder dentro do partido-Estado e as urgentes necessidades de renovação e institucionalização democrática.

No cerne desta edição está o capítulo que aqui emprestamos como título: “Um Interlúdio Chamado João Lourenço”. Uma análise que transcende o indivíduo e se concentra nas tensões e paradoxos que caracterizam a sufocante liderança contemporânea em Angola. Marcolino Moco desvenda como, nas últimas décadas, as estruturas de poder tendem a personalizar-se, concentrando autoridade no aparelho do Estado e, em particular, no comando do MPLA, gerando uma fricção permanente entre a necessidade de reforma e a manutenção do statu quo político.

Desde a sua eleição, João Lourenço prometeu romper com práticas arraigadas de corrupção e patrimonialismo, ganhando algum reconhecimento internacional pela sua campanha de combate à corrupção e pela busca de modernização económica. Contudo, suas reformas internamente têm sido interpretadas por muitos analistas como um esforço para consolidar poder, ao mesmo tempo em que enfrenta crescente descontentamento popular face às dificuldades socioeconómicas e à desigualdade persistente. 

O contexto político de Angola em 2025-2026 é marcado por episódios de mobilização social, incluindo protestos e greves desencadeados por políticas de preços de combustíveis e custos de vida, que expõem uma crescente tensão entre o governo e vastos segmentos da juventude e da sociedade civil.

Ao anunciar publicamente que deixará o poder em 2027, o general João Lourenço lançou um novo capítulo de incerteza e debates dentro do próprio MPLA, gerando expectativas e preocupações sobre a sucessão, a renovação interna do partido e o futuro político do país. Estas declarações, embora cumpram dispositivos constitucionais, também colocam em evidência a necessidade de uma transição mais ampla que permita maior participação das vozes emergentes na sociedade angolana. 

Angola: Por Uma Nova Partida
Angola: Por Uma Nova Partida um livro disponível para encomendar nas livrarias Bertrand, Worten, Stanford University Libraries e Wook

ANGOLA: POR UMA NOVA PARTIDA não é apenas um livro de análise política: é um convite à introspeção, ao diálogo e à ação coletiva. A versão de bolso, acessível e incisiva, coloca nas mãos do leitor uma ferramenta de compreensão crítica sobre a natureza do poder, a governança e o futuro de Angola, num momento em que o país se debate entre a tradição de um partido-Estado dominante e as aspirações por maior abertura democrática e justiça social.

Este livro dirige-se a todos os leitores interessados em entender não só o passado e presente de Angola, mas sobretudo o futuro que a nação pode, e deve, construir. Com linguagem acessível e rigor analítico, Marcolino Moco oferece um retrato lúcido dos dilemas do poder, das oportunidades de mudança e das forças que moldam a perspetiva de uma nova partida para Angola.

Últimos exemplares disponíveis nas livrarias Worten, Bertrand e Wook

5 ideas for the continuation of the construction of Angola, as a modern African nation-state – contribution. Criticism of the elections as an end in itself and political opportunism. Angola in Africa, For a New Start

Público-alvo

Cidadãos politicamente conscientes (25–65 anos)

  • Leitores que acompanham a vida política angolana.
  • Pessoas críticas em relação ao partido-Estado, à governação e ao funcionamento das instituições.
  • Interessados em compreender as dinâmicas internas do poder, para além do discurso oficial.

Este é o núcleo duro do público do livro.


Quadros políticos e institucionais

  • Militantes e dirigentes do MPLA e da oposição.
  • Deputados, assessores políticos, juristas, diplomatas e funcionários superiores do Estado.
  • Decisores que refletem sobre transições de poder, sucessão política e reformas institucionais.

O livro funciona aqui como texto de reflexão estratégica, não panfletário.


Juventude universitária e jovens ativistas (20–35 anos)

  • Estudantes de Direito, Ciência Política, Relações Internacionais, Sociologia e História.
  • Jovens envolvidos em movimentos cívicos, associações e debates públicos.
  • Leitores que procuram chaves de leitura para compreender por que as eleições, por si só, não resolvem os problemas estruturais.

Especialmente atraídos pelo tom crítico e pelo capítulo
“Um Interlúdio Chamado João Lourenço”, que dialoga com o presente.


Intelectuais, académicos e formadores de opinião

  • Professores, investigadores, jornalistas, cronistas e analistas políticos.
  • Leitores que valorizam obras de pensamento político africano produzido por africanos.
  • Público interessado em democracia, constitucionalismo, Estado-nação e pós-colonialismo.

O livro posiciona-se como obra de referência no debate político angolano contemporâneo.


Diáspora angolana

  • Angolanos residentes em Portugal, Brasil, França e outros países.
  • Leitores de língua portuguesa interessados em África, política e geopolítica.
  • Comunidade internacional ligada a ONG, cooperação, diplomacia e estudos africanos.

O formato livro de bolso facilita o acesso e a circulação internacional.


Egosismo: A poesia como testemunho de uma independência traída

Egosismo: A poesia como testemunho de uma independência traída

Poemas escritos entre 1975 e 1980, no exílio forçado de um jovem jornalista angolano

A poesia pode ser um grito, um arquivo da memória e um acto de resistência. É nesse território que se inscreve Egosismo (o sismo de magnitude máxima que atingiu o meu ego), livro de poesia de Orlando Castro, jornalista angolano e refugiado de guerra no sangrento processo de independência de Angola.

Escritos entre 1975, ano da saída forçada de Angola, e 1980, estes poemas nascem num dos períodos mais violentos e silenciados da história contemporânea angolana. Após o Acordo do Alvor, o processo de independência rapidamente se desfez: o MPLA avançou unilateralmente para a tomada do poder político, apoiado pela União Soviética, Cuba e a República Democrática Alemã, precipitando o país numa violenta guerra fratricida. A prometida libertação deu lugar à perseguição, ao exílio, à repressão e a práticas de limpeza política e étnica que marcaram gerações.

É nesse contexto que o jovem poeta, ainda com Angola viva no sangue, fixa no papel a dor colectiva, o desterro, a morte e a traição do sonho independentista. Egosismo é mais do que um livro de poesia: é um documento humano, político e histórico.

No prefácio, o investigador e ensaísta Eugénio Costa Almeida sublinha a natureza indomável desta escrita, afirmando:

“Quando o poeta é livre como o Catuituí, nada há que o engaiole…”

A liberdade do poeta é aqui inseparável da sua recusa do silêncio e da submissão. Orlando Castro escreve como quem sobrevive, como quem denuncia, como quem se recusa a aceitar a normalização da barbárie.

Ao longo de duas partes, o livro reúne poemas de forte impacto emocional e simbólico, entre os quais se destacam:

  • “Minha Irmã Vala Comum”, um dos textos mais violentos e lúcidos sobre a morte colectiva, onde o poeta afirma, sem concessões, que a vala comum é “multirracial”, denunciando a mentira ideológica da guerra;
  • “Angola Desespero”, um retrato seco e devastador de um país entregue ao sofrimento de mães, crianças e velhos;
  • “A Minha Guerra”, onde a experiência individual se funde com a tragédia nacional;
  • “Não Sou Português”, poema de identidade ferida, escrito no exílio, entre a rejeição e a perda;
  • “Missão Para Minha Filha”, texto de denúncia frontal contra os responsáveis pela destruição do país, lançado como herança ética às gerações futuras;
  • “Quem Canta o Meu Povo?”, um violento ajuste de contas com os mitos revolucionários e com a descolonização feita à custa do massacre do próprio povo.

A par da denúncia, há também espaço para a esperança, o amor, a memória e a utopia, como em “Cântico para o Amanh㔓O Amor e a Paz” ou “Não Chores Poeta”, onde a poesia insiste em sobreviver mesmo no meio das ruínas.

Egosismo é, assim, a voz de um poeta-jornalista que recusou ser cúmplice da amnésia histórica. Um livro incómodo, necessário e profundamente actual, que devolve à poesia a sua função primordial: dizer o que muitos quiseram apagar.

Ficha técnica resumida
Autor: Orlando Castro
Título: Egosismo (o sismo de magnitude máxima que atingiu o meu ego)
Ano: 2022
Poemas escritos entre 1975 e 1980
Prefácio: Eugénio Costa Almeida
Preço: 15 euros

O livro Egosismo (o sismo de magnitude máxima que atingiu o meu ego) está disponível para encomendar nas livrarias BertrandWook e Komutú (Angola)

Público-alvo | Egosismo – Orlando Castro

Egosismo dirige-se a leitores de poesia e pensamento crítico, em particular:

  • Leitores de poesia social e política, interessados em literatura de denúncia, memória e resistência.
  • Público angolano e da diáspora, especialmente gerações marcadas pela guerra, pelo exílio e pela descolonização.
  • Académicos, investigadores e estudantes das áreas de Estudos Africanos, História Contemporânea, Literatura e Estudos Pós-Coloniais.
  • Jornalistas, historiadores e leitores de ensaio político, atentos às narrativas silenciadas do processo de independência de Angola.
  • Leitores portugueses interessados nas consequências humanas e históricas da descolonização.
  • Ativistas e instituições ligadas aos direitos humanos e à memória histórica.

Um livro para quem recusa o esquecimento e procura compreender, através da poesia, a violência, o exílio e a traição dos ideais da independência angolana.

Matemática com Angola lá dentro: tarefas que transformam números, sequências e padrões em aprendizagem viva

Matemática com Angola lá dentro: tarefas que transformam números, sequências e padrões em aprendizagem viva

Foi publicado em 2022 o livro Ensino dos Números, Sequências e Padrões: Tarefas para o 2.º Ciclo do Ensino Secundário em Angola, da autoria de Jerónimo Sanchos Mendes Evaristo, Paula Maria Machado Cruz Catarino, Ana Paula Florêncio Aires e Helena Maria Barros de Campos, uma obra concebida como ferramenta prática de apoio ao professor para o ensino das sequências numéricas e padrões, tópico integrante do programa do 2.º Ciclo do Ensino Secundário Geral (CESG) em Angola. Este livro o primeiro a ser promovido em 2026 está disponível em Luanda nas livrarias Komutú.

Um livro pensado para a sala de aula

A obra parte de um princípio pedagógico claro: o uso de tarefas como estratégia para promover raciocínio, resolução de problemas, comunicação matemática e aprendizagem ativa, defendendo a integração de tarefas contextualizadas no dia a dia dos alunos para aumentar motivação e compreensão.

O que o livro traz (conteúdo e estrutura)

O volume está organizado em três blocos principais:

  • Introdução e enquadramento do tema (números, sequências e padrões), reforçando a importância da Matemática como linguagem transversal e o papel das sequências (como a de Fibonacci) no ensino e na motivação dos alunos.
  • A importância do uso de tarefas no ensino da Matemática, com foco na necessidade de práticas pedagógicas que desenvolvam criatividade, pensamento crítico e competências do século XXI no contexto angolano.
  • Propostas de tarefas (núcleo do livro), divididas em dois grandes grupos

Grupo 1 — Tarefas contextualizadas com vivências do dia a dia em Angola

Este grupo apresenta tarefas com introdução ao contexto e atividades sequenciais, concebidas para serem implementadas em sala de aula e ligadas à realidade dos alunos.

Inclui ainda atividades introdutórias para trabalhar o número de prata e o número de ouro, como ponto de partida.

Exemplos de tarefas (entre outras):

  • Sequência de Pell em bijutaria (a partir de formas geométricas observadas em peças usadas nos PALOP). 
  • Sequência de Fibonacci num campo de futebol (com medição e exploração do retângulo e da proporção áurea).
  • Fibonacci numa estrela (a partir de símbolos, incluindo a análise de uma estrela na Insígnia de Angola).
  • Fibonacci numa samacaca (padrões geométricos e proporção áurea em tecido angolano).
  • Fibonacci e o ananás (contagem de espirais e relação com a sequência).
  • Introdução aos números de Padovan em artesanato (a partir de triângulos e referências a balaios/artefactos).
  • Procura de padrões no número de ouro e procura do número de ouro num luando, promovendo investigação e ligação a objetos culturais.

Grupo 2 — Tarefas com construções geométricas elementares

Este grupo foca-se em tarefas baseadas em construções geométricas (régua e compasso), usando a Geometria como elemento de motivação e transposição didática para chegar ao conceito de sucessão/sequência, com contactos com sequências como Fibonacci, Pell e Padovan

Inclui tarefas como:

  • Construção do retângulo de ouro a partir de um quadrado;
  • Construção do retângulo de prata;
  • Construção rigorosa da sequência de Padovan a partir de um triângulo equilátero;
  • Construção de um triângulo dourado a partir de um pentágono;
  • Triângulo de Pascal e a sequência de Fibonacci;
  • Ligação do número de prata à trigonometria via construção de um octógono

Um recurso alinhado com o contexto angolano

O livro foi desenvolvido com a preocupação explícita de apoiar um ensino da Matemática contextualizado, incorporando cultura, linguagem, experiências e objetos do quotidiano, com tarefas pensadas para maior envolvimento dos alunos.

O livro Ensino dos Números, Sequências e Padrões: Tarefas para o 2.º Ciclo do Ensino Secundário em Angola está disponível para encomendar nas livrarias Bertrand, Wook e Komutú (Angola)

Professores, escolas e colégios do ensino secundário estão convidados a descobrir e aplicar em sala de aula o livro Ensino dos Números, Sequências e Padrões, uma obra pensada para apoiar a prática pedagógica quotidiana e enriquecer o ensino da Matemática em Angola. Com propostas de tarefas concretas, contextualizadas e alinhadas com os programas curriculares, este livro oferece ferramentas que promovem o raciocínio matemático, a participação ativa dos alunos e a ligação entre a Matemática e o quotidiano angolano, contribuindo para aulas mais dinâmicas, significativas e eficazes.


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