Da África Austral ao Mundo: o livro que revela a outra face da expansão portuguesa

Da África Austral ao Mundo: o livro que revela a outra face da expansão portuguesa

A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte, não é apenas o relato de uma viagem excecional através do continente africano. É, acima de tudo, um livro que surpreende ao mostrar como essa travessia se insere num fenómeno muito mais vasto: a extraordinária e improvável colonização portuguesa que alcançou os quatro cantos do mundo.

Revelando a primeira travessia documentada da África Austral, de Angola ao Índico , o autor constrói uma narrativa que cruza exploração, política, geografia e destino histórico, revelando como um pequeno país europeu conseguiu projetar-se, durante séculos, em territórios tão distantes como África, Ásia, América e Oceânia.

Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte
Lançamento em 2025 do livro A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte

Apresentação do autor no lançamento de “A Primeira Travessia da África Austral” Padrão dos Descobrimentos, Lisboa — 29 de outubro de 2025

Uma travessia que explica um mundo

O livro acompanha a jornada africana não como um episódio isolado, mas como parte de um sistema global de rotas, decisões e encontros culturais. A travessia do sul de África surge como um eixo estratégico que ajuda a compreender a lógica da expansão portuguesa:
uma colonização feita de persistência, adaptação, alianças locais, erros, conflitos e surpreendente capacidade de sobrevivência política e cultural.

José Bento Duarte mostra que a história da colonização portuguesa não se explica apenas pelo mar, mas também pela terra, pelos caminhos interiores, pelos rios, pelas rotas esquecidas e pelos homens, muitos deles luso-africanos, que ligaram oceanos, povos e impérios.

História global contada a partir de África

Ao longo das páginas de A Primeira Travessia da África Austral, o leitor descobre como a presença portuguesa em África se articula com acontecimentos decisivos noutros pontos do globo:
as disputas imperiais europeias, o comércio intercontinental, a rivalidade entre potências, as missões religiosas, os equilíbrios diplomáticos e as estratégias de sobrevivência de um império disperso.

África não surge como periferia, mas como centro de gravidade de uma história global. É a partir do continente africano que se compreende melhor a ligação entre o Atlântico e o Índico, entre o Brasil e a Índia, entre Lisboa e os territórios longínquos onde a língua portuguesa deixou marcas duradouras.

Rigor histórico com pulsação narrativa

Sem abdicar do rigor documental, José Bento Duarte escreve com um ritmo que prende o leitor. O livro combina investigação em arquivos, leitura crítica de fontes e uma escrita clara e envolvente, capaz de transformar a História num relato vivo, acessível a especialistas e ao público geral.

Mais do que um livro sobre exploradores, é um livro sobre processos históricos, sobre como se construiu, e se manteve, uma presença global improvável, frequentemente contraditória, mas profundamente marcante.

Um livro para ler o passado com outros olhos

Num tempo em que a história da colonização é frequentemente reduzida a slogans ou simplificações, A Primeira Travessia da África Austral propõe algo diferente:
uma leitura informada, crítica e abrangente, que reconhece a complexidade dos factos e devolve profundidade a uma história que continua a influenciar o presente.

Este é um livro para quem se interessa por Angola, Moçambique, por Portugal, pela história global, pelas rotas do mundo, e para quem acredita que ainda há muito por descobrir nos arquivos, nos mapas e nas narrativas esquecidas.

Livros de José Bento Duarte

Peregrinos da Eternidade
Peregrinos da Eternidade
Senhores do Sol e do Vento
Senhores do Sol e do Vento
A primeira Travessia da África Austral
A primeira Travessia da África Austral

“Um interlúdio chamado João Lourenço”

“Um interlúdio chamado João Lourenço”

Livro de bolso ANGOLA: POR UMA NOVA PARTIDA: Uma leitura urgente para tempos de transição política em Angola

O “pensador angolano” Marcolino Moco é chamado a público para explicar as ideias expressas na edição em formato de bolso de ANGOLA: POR UMA NOVA PARTIDA, uma obra originalmente publicada em 2020 e que agora ganha nova vida e urgência num momento crítico da história política angolana. Com estilo claro, perspicaz e profundamente reflexivo, Marcolino Moco propõe uma reflexão abrangente sobre os desafios estruturais que moldam o Estado angolano, a dinâmica de poder dentro do partido-Estado e as urgentes necessidades de renovação e institucionalização democrática.

No cerne desta edição está o capítulo que aqui emprestamos como título: “Um Interlúdio Chamado João Lourenço”. Uma análise que transcende o indivíduo e se concentra nas tensões e paradoxos que caracterizam a sufocante liderança contemporânea em Angola. Marcolino Moco desvenda como, nas últimas décadas, as estruturas de poder tendem a personalizar-se, concentrando autoridade no aparelho do Estado e, em particular, no comando do MPLA, gerando uma fricção permanente entre a necessidade de reforma e a manutenção do statu quo político.

Desde a sua eleição, João Lourenço prometeu romper com práticas arraigadas de corrupção e patrimonialismo, ganhando algum reconhecimento internacional pela sua campanha de combate à corrupção e pela busca de modernização económica. Contudo, suas reformas internamente têm sido interpretadas por muitos analistas como um esforço para consolidar poder, ao mesmo tempo em que enfrenta crescente descontentamento popular face às dificuldades socioeconómicas e à desigualdade persistente. 

O contexto político de Angola em 2025-2026 é marcado por episódios de mobilização social, incluindo protestos e greves desencadeados por políticas de preços de combustíveis e custos de vida, que expõem uma crescente tensão entre o governo e vastos segmentos da juventude e da sociedade civil.

Ao anunciar publicamente que deixará o poder em 2027, o general João Lourenço lançou um novo capítulo de incerteza e debates dentro do próprio MPLA, gerando expectativas e preocupações sobre a sucessão, a renovação interna do partido e o futuro político do país. Estas declarações, embora cumpram dispositivos constitucionais, também colocam em evidência a necessidade de uma transição mais ampla que permita maior participação das vozes emergentes na sociedade angolana. 

Angola: Por Uma Nova Partida
Angola: Por Uma Nova Partida um livro disponível para encomendar nas livrarias Bertrand, Worten, Stanford University Libraries e Wook

ANGOLA: POR UMA NOVA PARTIDA não é apenas um livro de análise política: é um convite à introspeção, ao diálogo e à ação coletiva. A versão de bolso, acessível e incisiva, coloca nas mãos do leitor uma ferramenta de compreensão crítica sobre a natureza do poder, a governança e o futuro de Angola, num momento em que o país se debate entre a tradição de um partido-Estado dominante e as aspirações por maior abertura democrática e justiça social.

Este livro dirige-se a todos os leitores interessados em entender não só o passado e presente de Angola, mas sobretudo o futuro que a nação pode, e deve, construir. Com linguagem acessível e rigor analítico, Marcolino Moco oferece um retrato lúcido dos dilemas do poder, das oportunidades de mudança e das forças que moldam a perspetiva de uma nova partida para Angola.

Últimos exemplares disponíveis nas livrarias Worten, Bertrand e Wook

5 ideas for the continuation of the construction of Angola, as a modern African nation-state – contribution. Criticism of the elections as an end in itself and political opportunism. Angola in Africa, For a New Start

Público-alvo

Cidadãos politicamente conscientes (25–65 anos)

  • Leitores que acompanham a vida política angolana.
  • Pessoas críticas em relação ao partido-Estado, à governação e ao funcionamento das instituições.
  • Interessados em compreender as dinâmicas internas do poder, para além do discurso oficial.

Este é o núcleo duro do público do livro.


Quadros políticos e institucionais

  • Militantes e dirigentes do MPLA e da oposição.
  • Deputados, assessores políticos, juristas, diplomatas e funcionários superiores do Estado.
  • Decisores que refletem sobre transições de poder, sucessão política e reformas institucionais.

O livro funciona aqui como texto de reflexão estratégica, não panfletário.


Juventude universitária e jovens ativistas (20–35 anos)

  • Estudantes de Direito, Ciência Política, Relações Internacionais, Sociologia e História.
  • Jovens envolvidos em movimentos cívicos, associações e debates públicos.
  • Leitores que procuram chaves de leitura para compreender por que as eleições, por si só, não resolvem os problemas estruturais.

Especialmente atraídos pelo tom crítico e pelo capítulo
“Um Interlúdio Chamado João Lourenço”, que dialoga com o presente.


Intelectuais, académicos e formadores de opinião

  • Professores, investigadores, jornalistas, cronistas e analistas políticos.
  • Leitores que valorizam obras de pensamento político africano produzido por africanos.
  • Público interessado em democracia, constitucionalismo, Estado-nação e pós-colonialismo.

O livro posiciona-se como obra de referência no debate político angolano contemporâneo.


Diáspora angolana

  • Angolanos residentes em Portugal, Brasil, França e outros países.
  • Leitores de língua portuguesa interessados em África, política e geopolítica.
  • Comunidade internacional ligada a ONG, cooperação, diplomacia e estudos africanos.

O formato livro de bolso facilita o acesso e a circulação internacional.


Egosismo: A poesia como testemunho de uma independência traída

Egosismo: A poesia como testemunho de uma independência traída

Poemas escritos entre 1975 e 1980, no exílio forçado de um jovem jornalista angolano

A poesia pode ser um grito, um arquivo da memória e um acto de resistência. É nesse território que se inscreve Egosismo (o sismo de magnitude máxima que atingiu o meu ego), livro de poesia de Orlando Castro, jornalista angolano e refugiado de guerra no sangrento processo de independência de Angola.

Escritos entre 1975, ano da saída forçada de Angola, e 1980, estes poemas nascem num dos períodos mais violentos e silenciados da história contemporânea angolana. Após o Acordo do Alvor, o processo de independência rapidamente se desfez: o MPLA avançou unilateralmente para a tomada do poder político, apoiado pela União Soviética, Cuba e a República Democrática Alemã, precipitando o país numa violenta guerra fratricida. A prometida libertação deu lugar à perseguição, ao exílio, à repressão e a práticas de limpeza política e étnica que marcaram gerações.

É nesse contexto que o jovem poeta, ainda com Angola viva no sangue, fixa no papel a dor colectiva, o desterro, a morte e a traição do sonho independentista. Egosismo é mais do que um livro de poesia: é um documento humano, político e histórico.

No prefácio, o investigador e ensaísta Eugénio Costa Almeida sublinha a natureza indomável desta escrita, afirmando:

“Quando o poeta é livre como o Catuituí, nada há que o engaiole…”

A liberdade do poeta é aqui inseparável da sua recusa do silêncio e da submissão. Orlando Castro escreve como quem sobrevive, como quem denuncia, como quem se recusa a aceitar a normalização da barbárie.

Ao longo de duas partes, o livro reúne poemas de forte impacto emocional e simbólico, entre os quais se destacam:

  • “Minha Irmã Vala Comum”, um dos textos mais violentos e lúcidos sobre a morte colectiva, onde o poeta afirma, sem concessões, que a vala comum é “multirracial”, denunciando a mentira ideológica da guerra;
  • “Angola Desespero”, um retrato seco e devastador de um país entregue ao sofrimento de mães, crianças e velhos;
  • “A Minha Guerra”, onde a experiência individual se funde com a tragédia nacional;
  • “Não Sou Português”, poema de identidade ferida, escrito no exílio, entre a rejeição e a perda;
  • “Missão Para Minha Filha”, texto de denúncia frontal contra os responsáveis pela destruição do país, lançado como herança ética às gerações futuras;
  • “Quem Canta o Meu Povo?”, um violento ajuste de contas com os mitos revolucionários e com a descolonização feita à custa do massacre do próprio povo.

A par da denúncia, há também espaço para a esperança, o amor, a memória e a utopia, como em “Cântico para o Amanh㔓O Amor e a Paz” ou “Não Chores Poeta”, onde a poesia insiste em sobreviver mesmo no meio das ruínas.

Egosismo é, assim, a voz de um poeta-jornalista que recusou ser cúmplice da amnésia histórica. Um livro incómodo, necessário e profundamente actual, que devolve à poesia a sua função primordial: dizer o que muitos quiseram apagar.

Ficha técnica resumida
Autor: Orlando Castro
Título: Egosismo (o sismo de magnitude máxima que atingiu o meu ego)
Ano: 2022
Poemas escritos entre 1975 e 1980
Prefácio: Eugénio Costa Almeida
Preço: 15 euros

O livro Egosismo (o sismo de magnitude máxima que atingiu o meu ego) está disponível para encomendar nas livrarias BertrandWook e Komutú (Angola)

Público-alvo | Egosismo – Orlando Castro

Egosismo dirige-se a leitores de poesia e pensamento crítico, em particular:

  • Leitores de poesia social e política, interessados em literatura de denúncia, memória e resistência.
  • Público angolano e da diáspora, especialmente gerações marcadas pela guerra, pelo exílio e pela descolonização.
  • Académicos, investigadores e estudantes das áreas de Estudos Africanos, História Contemporânea, Literatura e Estudos Pós-Coloniais.
  • Jornalistas, historiadores e leitores de ensaio político, atentos às narrativas silenciadas do processo de independência de Angola.
  • Leitores portugueses interessados nas consequências humanas e históricas da descolonização.
  • Ativistas e instituições ligadas aos direitos humanos e à memória histórica.

Um livro para quem recusa o esquecimento e procura compreender, através da poesia, a violência, o exílio e a traição dos ideais da independência angolana.

Matemática com Angola lá dentro: tarefas que transformam números, sequências e padrões em aprendizagem viva

Matemática com Angola lá dentro: tarefas que transformam números, sequências e padrões em aprendizagem viva

Foi publicado em 2022 o livro Ensino dos Números, Sequências e Padrões: Tarefas para o 2.º Ciclo do Ensino Secundário em Angola, da autoria de Jerónimo Sanchos Mendes Evaristo, Paula Maria Machado Cruz Catarino, Ana Paula Florêncio Aires e Helena Maria Barros de Campos, uma obra concebida como ferramenta prática de apoio ao professor para o ensino das sequências numéricas e padrões, tópico integrante do programa do 2.º Ciclo do Ensino Secundário Geral (CESG) em Angola. Este livro o primeiro a ser promovido em 2026 está disponível em Luanda nas livrarias Komutú.

Um livro pensado para a sala de aula

A obra parte de um princípio pedagógico claro: o uso de tarefas como estratégia para promover raciocínio, resolução de problemas, comunicação matemática e aprendizagem ativa, defendendo a integração de tarefas contextualizadas no dia a dia dos alunos para aumentar motivação e compreensão.

O que o livro traz (conteúdo e estrutura)

O volume está organizado em três blocos principais:

  • Introdução e enquadramento do tema (números, sequências e padrões), reforçando a importância da Matemática como linguagem transversal e o papel das sequências (como a de Fibonacci) no ensino e na motivação dos alunos.
  • A importância do uso de tarefas no ensino da Matemática, com foco na necessidade de práticas pedagógicas que desenvolvam criatividade, pensamento crítico e competências do século XXI no contexto angolano.
  • Propostas de tarefas (núcleo do livro), divididas em dois grandes grupos

Grupo 1 — Tarefas contextualizadas com vivências do dia a dia em Angola

Este grupo apresenta tarefas com introdução ao contexto e atividades sequenciais, concebidas para serem implementadas em sala de aula e ligadas à realidade dos alunos.

Inclui ainda atividades introdutórias para trabalhar o número de prata e o número de ouro, como ponto de partida.

Exemplos de tarefas (entre outras):

  • Sequência de Pell em bijutaria (a partir de formas geométricas observadas em peças usadas nos PALOP). 
  • Sequência de Fibonacci num campo de futebol (com medição e exploração do retângulo e da proporção áurea).
  • Fibonacci numa estrela (a partir de símbolos, incluindo a análise de uma estrela na Insígnia de Angola).
  • Fibonacci numa samacaca (padrões geométricos e proporção áurea em tecido angolano).
  • Fibonacci e o ananás (contagem de espirais e relação com a sequência).
  • Introdução aos números de Padovan em artesanato (a partir de triângulos e referências a balaios/artefactos).
  • Procura de padrões no número de ouro e procura do número de ouro num luando, promovendo investigação e ligação a objetos culturais.

Grupo 2 — Tarefas com construções geométricas elementares

Este grupo foca-se em tarefas baseadas em construções geométricas (régua e compasso), usando a Geometria como elemento de motivação e transposição didática para chegar ao conceito de sucessão/sequência, com contactos com sequências como Fibonacci, Pell e Padovan

Inclui tarefas como:

  • Construção do retângulo de ouro a partir de um quadrado;
  • Construção do retângulo de prata;
  • Construção rigorosa da sequência de Padovan a partir de um triângulo equilátero;
  • Construção de um triângulo dourado a partir de um pentágono;
  • Triângulo de Pascal e a sequência de Fibonacci;
  • Ligação do número de prata à trigonometria via construção de um octógono

Um recurso alinhado com o contexto angolano

O livro foi desenvolvido com a preocupação explícita de apoiar um ensino da Matemática contextualizado, incorporando cultura, linguagem, experiências e objetos do quotidiano, com tarefas pensadas para maior envolvimento dos alunos.

O livro Ensino dos Números, Sequências e Padrões: Tarefas para o 2.º Ciclo do Ensino Secundário em Angola está disponível para encomendar nas livrarias Bertrand, Wook e Komutú (Angola)

Professores, escolas e colégios do ensino secundário estão convidados a descobrir e aplicar em sala de aula o livro Ensino dos Números, Sequências e Padrões, uma obra pensada para apoiar a prática pedagógica quotidiana e enriquecer o ensino da Matemática em Angola. Com propostas de tarefas concretas, contextualizadas e alinhadas com os programas curriculares, este livro oferece ferramentas que promovem o raciocínio matemático, a participação ativa dos alunos e a ligação entre a Matemática e o quotidiano angolano, contribuindo para aulas mais dinâmicas, significativas e eficazes.

O Abraço da Reconciliação

O Abraço da Reconciliação

Por GABRIEL BAGUET JR (publicado no site Horizontes Viver Angola em Agosto de 2025)

“Eu te Amo tanto meu Irmão” é uma das frases que integra a letra da Música ” Njila ia Dikanga “, expressão da Lingua Nacional Bantu, o Kimbundu , que os Músicos angolanos Paulo Flores e Yuri da Cunha cantaram em Outubro de 2023 no Coliseu de Lisboa.

Mas desta inspiradora e sentimental apelo à terra ,.entre outras Músicas da Pátria Angolana também se fixa , ”gira mundo, gira poeira, não esquece a dor da terra”. Não se pode esquecer a dor da terra.. Não se pode. Todos somos chamados a esse exercício de consciência individual e colectiva.

Emerge reflectir Angola a 50 anos. Ganhar tempo ao Tempo perdido com a Tragédia da Guerra.

Bem no centro histórico da capital portuguesa, o Coliseu de Lisboa acolheu esse Concerto belíssimo e inesquecível dedicado à Mulher Bessagana.

Era o encontro assumido com a nossa Identidade Cultural e Patrimonial. A Música é Património de qualquer Nação e em particular quando a mesma é evocada numa sala de Concertos ou noutro lugar do Mundo. E fixa todas as Falas, todos os Sonhos e todas as Esperanças.

Como escreveu e disse Albert Einstein e cito ” a Paz é a única forma de nos sentirmos realmente Humanos “. E é uma verdade inquestionável.

E este Concerto e esta Música, são entre outras manifestações claras de um sentimento fundamental e necessário para a Nação Angolana e o Mundo e a Paz como oceano de renovadas navegações.Urge Reconciliar. Urge Dialogar. Não existem outros caminhos para o Abraço da Reconciliação.

Acompanhados de brilhantes Músicos, Paulo Flores e Yuri da Cunha fixaram na Memória do Coliseu de Lisboa, mas na Memória Colectiva de cada Mulher e homem Angolano, a emergência de se olhar para a Arte da Música como garante crucial para aproximar Vozes, Pessoas e todas e todos que pensam, reflectem e sentem a Nação Angolana.

Revisitar esta inesquecível e marcante Música a todos os títulos , é também o meio, creio, para que todos os Criadores e Fazedores de Arte e de Cultura, sintam que são chamados uma vez mais e de modo mais que Emergente , a lançar o necessário apelo para o Abraço da Reconciliação.

Assumamos as fracturas existentes, mas assumamos a necessidade imperativa de nos Abraçarmos sem reservas, sem ódios e salvemos a Nação Angolana. Temos esse Dever, mas igualmente o Direito de apelar.

As gravatas ou outros elementos das indumentárias que usamos não são iguais em nenhuma circunstância. Isso chama-se Diversidade.

A Diversidade é parte do eixo para com todo o tempo , Governo, Partidos Políticos, CEAST, Universidades, Organizações Não Governamentais/Associações, Autoridades Tradicionais e Sociedade Civil estarem sentadas à mesma mesa e reflectir o País em todos os sectores e sem silêncios face aos inúmeros Desafios que temos. São imensos os Desafios no plano urbano e rural, no plano social, no plano económico ,mas o valor da vida humana não pode ser descurado. O valor do natural Direito à vida do Povo Angolano resulta da formação e matriz do Estado de Direito Democrático.

Não podemos ser indiferentes ao Diálogo. Foi o Diálogo com diversos intervenientes que conduziram aos Acordos de Alvor, aos Acordos de Lusaka, aos Acordos de Bicesse , aos Acordos de Gabdolite e aos Acordos de Paz a 4 de Abril.

O desejo legítimo de ver Angola a renascer no sentido mais desejável face aos padrões exigíveis e recomendáveis do Desenvolvimento Humano.

O Abraço da Reconciliação resulta de uma necessidade de “combater” a indiferença e a intolerância. Em 50 anos da nossa História fizeram-se conquistas mesmo estando em Guerra Civil.

E cabe a todos Nós criar e estabelecer as escolhas para harmonizar a Sociedade Angolana em toda a sua extensão.

O Abraço da Reconciliação sincero, sentido, discutido, aponta caminhos para a redução da Pobreza, da necessidade de Habitação condigna, de um Sistema Nacional de Saúde Pública forte, inovador, humanista e diferenciado sem esquecer que envelhecemos e ter um Sistema de Segurança Social que proteja a vulnerabilidade que surge em qualquer Sociedade do mundo. É necessário raios de Luar para iluminar as mentes diversas da Governação, dos Partidos com representação parlamentar, os Representantes diversos como anteriormente destaquei e sejam parte das soluções para uma Sociedade que seja justa, profundamente una e Humanista. Repito e nunca deixarei de relembrar o facto que decorre do que é a Ciência Política e do que é o Constitucionalismo que o Estado são as Pessoas. Não existem Estados abstractos.

Logo, o ponto de partida na minha sentida opinião e vale o que vale, é olhar para o Povo que Somos e como Povos que Somos não podemos ignorar mais que urge um Abraço de Reconciliação e se necessário for, criar um Governo de Unidade Nacional . Os antagonismos são parte de uma narrativa que sendo parte do edifício de Nação, podem sercir para uma reflexão que a todos interpela.

As estatísticas oficiais Nacionais apontam que somos cerca de 30 milhões de habitantes.

No seu livro com o título ” Blues e a poética contra a Indiferença”, o Escritor/ Investigador e mentor do Jazz Jerónimo Belo em Angola antes da Independência Nacional, refere citando Archie Sheep que o ” Jazz é a Flor que, apesar de tudo , desabrocha no pantanal “. E é verdade. E o Jazz tem essa força para iluminar o Abraço da Reconciliação e ” criar amor com os olhos secos “.

Perguntarão alguns ,mas o Jazz pode contribuir para consolidar o Abraço da Reconciliação? Pode e deve como todas as Artes e Criações. Ao referir o Concerto de Paulo Flores e de Yuri da Cunha, assumo ser uma raiz inspiradora e patriótica como escreveu e muito bem Jerónimo Belo ao salientar que ”o envolvimento dos Blues e do Jazz na luta anti-apartheid inspirou numerosos artistas sul-africanos e outros que se identificaram com essa importante causa da dignidade humana“, cito o Escritor e Autor do livro ”Blues e a Poética contra a Indiferença“.

Por isso e reafirmo que o Abraço da Reconciliação efectiva pode ser utilizado como tema de um Colóquio Nacional ou de um Festival Musical e Cultural que sensibilize a classe política para os reais e concretos problemas da Nação Angolana.

E no Abraço da Reconciliação não excluo e como já escrevi, com o título o Valor Sagrado da Paz, em Angola, que o Abraço da Reconciliação permite rever tudo que está errado e perdoar e novas chuvas surgirão para reconstruir e erguer uma Sociedade Angolana que é também resultante de lutas de clandestinidade que conduziram ao surgimento das indignações legítimas na luta Anti-Colonial e com isso a legítima Independência Nacional. Somos feitos de uma arquitectura frágil. No discurso de tomada de posse em 2017, o Presidente da República João Lourenço referiu e disse e relembro ” vamos corrigir o que está mal e melhorar o que está bem “. Este princípio abriu varias janelas de esperança. Mas o decorrer do tempo inverteu essa máxima.

E no Abraço da Reconciliação não é para culpar este o aquele, mas de facto este Abraço de Reconciliação é a ponte para Olhar de modo transversal para todo o Povo Angolano e perceber as necessidades imediatas para suprir a Fome e as várias fragilidades que vivemos. Aceito criticas a esta assumida Reflexão, por pluralidade, mas as montanhas da indiferença acabam por fechar um ciclo de Diálogo que não é necessário para o Renascer da Nação. As Sociedades são feitas de múltiplos saberes e de variados intervenientes. Desde o Poder Político ao Poder Judicial e aos outros demais poderes que são a jangada para edificar a Nação. E a Nação Angolana precisa de ser debatida de coração aberto para que se encontre o rumo.

E neste Abraço da Reconciliação jamais poderemos ignorar a condição de Ser-se Pessoa. E em meu entender aceitando opiniões sustentadas, a Condição Humana é inviolável. E reconhecer o mérito de quem quer ajudar é o Sonho pelo qual o inesquecível Martin Luther King Jr lutou para uma América em que a violação de naturais Direitos Civis e Políticos tinha que ser uma realidade.

Ninguém nasce político ou função. E debaixo das nossas janelas observamos o nosso quotidiano . E Juntos e verdadeiramente Unidos no Abraço da Reconciliação real e abrangente , quero acreditar que é preciso identificar e revisitar o que está feito, o que foi feito e deve ser corrigido e o que falta fazer.

Sem orgulhos, sem intransigências e centrados na Humanização da intervenção Política e da Sociedade em geral podemos Sonhar com Justiça, correcta defesa dos Direitos Humanos, logo garantindo o respeito pelos Direitos Fundamentais.

E neste Abraço de Reconciliação fica o apelo interno e externo para que as Comunidades Angolanas sejam também parte do Diálogo a várias vozes que se deseja e impera.

É preciso sonhar por dias melhores. Não é uma missão impossível. No Abraço da Reconciliação a sensibilidade e a capacidade de ouvir e auscultar , permitirá desenhar novas Estradas de Esperança e Igualdade. Todos, mas todos somos necessários à Pátria Angolana . Não podemos ignorar o sofrimento de um Povo ,nem tão pouco o legado da Unidade Nacional, cujo objectivo central é Unir e Dialogar, repito sem dogmas e sem reservas. É importante antecipar o nosso Futuro como Nação e perceber todos os sinais que a geopolítica vai impondo a muitos Povos do mundo. O Abraço da Reconciliação sustentará sempre o imperativo da garantia da PAZ entre Nós. Nas diferenças, também encontramos denominadores comuns. E o principal denominador para a Pátria Angolana é a PAZ, mas o escrupuloso respeito pela Constituição da República. E a Arte pode contribuir para reinventar e recriar uma renovada práxis política.

Carlos Mariano Manuel distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes 2025

Carlos Mariano Manuel distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes 2025

Professor catedrático, médico patologista e investigador premiado pelo monumental tratado de História Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação

O Ministério da Cultura da República de Angola anunciou, no sábado 7 de novembro de 2025, durante uma conferência de imprensa no Palácio de Ferro, em Luanda, os vencedores da 26.ª edição do Prémio Nacional de Cultura e Artes, a mais alta distinção atribuída pelo Estado angolano a criadores, investigadores e agentes culturais que se destacam na preservação dos valores nacionais, no ano em que o país celebra o cinquentenário da Independência.

Na categoria de Ciências Humanas e Sociais, o prémio foi atribuído ao Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel pela obra Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação, uma edição monumental em três volumes que totaliza mais de 2.200 páginas.

Primeira edição, especial para coleccionadores
Prémio Nacional de Cultura e Artes 2025

A obra foi publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club, editora independente sediada em Lisboa, que tem vindo a afirmar-se como uma das mais consistentes promotoras do pensamento e da criação intelectual angolana contemporânea.

O reconhecimento do Prof. Carlos Mariano Manuel vem reforçar a continuidade do prestígio editorial da casa, que já havia sido distinguida na edição de 2024 do Prémio Nacional de Cultura e Artes, quando o júri premiou Maurício Francisco Caetano na mesma categoria, pela trilogia Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias, uma obra igualmente de grande fôlego, com cerca de 800 páginas em três volumes.

Prémio Nacional de Cultura
Prémio Nacional de Cultura 2024

Um prémio que valoriza a investigação e o pensamento angolano

A escolha de Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação reconhece o alcance académico e simbólico de uma investigação que percorre séculos de história, da formação das estruturas políticas e culturais pré-coloniais até à afirmação nacional contemporânea.
O trabalho de Carlos Mariano Manuel é notável pelo rigor documental, amplitude interpretativa e contributo para uma leitura descolonizada da história angolana.

Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel
Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel

O autor, de passagem por Lisboa a caminho dos EUA, protagonizou no dia 29 de outubro de 2025 uma extraordinária intervenção pública no Padrão dos Descobrimentos, precisamente 360 anos após a Batalha de Ambuíla, sublinhando a necessidade de revisitar criticamente o passado colonial e de reinscrever Angola no centro da sua própria narrativa histórica.

Cerimónia de entrega

A cerimónia de entrega oficial do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2025 decorrerá no dia 20 de novembro, em gala no Hotel EPIC Sana Luanda, reunindo personalidades das artes, letras e ciências do país.

Cartas que Atravessam Histórias

Cartas que Atravessam Histórias

A historiadora Constança Ceita escreve sobre a intervenção do Prof. Carlos Mariano Manuel: “Um gesto simbólico de fraternidade e reconciliação”

AUTORES.club | Perfil Criativo — Novembro de 2025

Perfil Criativo | AUTORES.club inaugura um novo espaço de diálogo, “Cartas que Atravessam Histórias”, dedicado a textos de reflexão, recensão e crítica provenientes de académicos, cientistas, escritores, artistas e cidadãos do mundo.
Um espaço aberto a quem deseja pensar os livros, os autores e as intervenções que têm marcado o reencontro entre Angola, Portugal e o mundo lusófono, a partir das publicações editadas pela Perfil Criativo | AUTORES.club.

O primeiro contributo chega da Professora Catedrática Doutora Constança Ceita, historiadora angolana, regente da Cadeira de História de Angola na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, que escreve sobre a intervenção do Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, prefaciador e orador no lançamento do livro A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte, apresentado no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, a 29 de outubro de 2025.

Carta da Prof. Doutora Constança Ceita

(Reprodução integral)

Prezado Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel,

Permita-me, como historiadora que acompanha atentamente a investigação e a redação científica da África Central/ Austral, expressar a minha profunda admiração pelo seu artigo intitulado “Se encontrássemos a coroa do Rei do Congo, seria um acto redentor”. A sua intervenção — que reflecte não apenas um domínio rigoroso das fontes como também uma consciência crítica da dimensão simbólica da História — revela-se um contributo de excepcional relevo para a nossa compreensão do passado colonial, da memória e da identidade.

Em particular, valorizo:

A sua delicada articulação entre os factos históricos — em especial ao referir-se à morte por decapitação de Dom António I (Nkanga Vita Lwa Mvemba/Mwana Nlaza) e ao percurso da Coroa de prata que poderá ter sido levada para Portugal em 1666 — e o chamamento a uma reparação simbólica entre Angola e Portugal.

O modo como associa a narrativa histórica à noção de “redenção”: não se trata apenas de recuperar artefactos ou factos esquecidos, silenciados, mas de restituir dignidade às vozes e aos agentes históricos africanos que o cânone colonizador marginalizou.

O tom científico e ao mesmo tempo humanista da abordagem — que conjuga erudição, rigor crítico e sensibilidade perante as implicações morais e identitárias da história partilhada de ambas as margens do Atlântico.

Este tipo de escrita — que não se limita à catalogação de factos mas avança para a reflexão sobre o significado social e simbólico da História — constitui um verdadeiro exemplo para a comunidade científica.

A sua proposta de redefinir, por exemplo, o Monumento do Padrão dos “Descobrimentos” como “Padrão das Expedições Marítimas Portuguesas”, ou de considerar a recuperação da Coroa do Soberano do Reino do Kongo como “gesto simbólico de fraternidade e reconciliação”, são indicações fortes de como a História pode (e deve) intervir no mundo contemporâneo, para além do arquivo.

Em nome da academia e em reconhecimento do seu contributo valioso, gratidão pelo seu trabalho.

Espero que esta reflexão inspire novas pesquisas que sigam a mesma linha — exigente no método, audaz no tema e sensível ao impacto histórico-social.

CONSTANÇA CEITA
Professora Catedrática

Regente da Cadeira de História de Angola
Faculdade de Ciências Sociais — Universidade Agostinho Neto

“Senhores do Sol e do Vento”: a grande epopeia angolana de José Bento Duarte

“Senhores do Sol e do Vento”: a grande epopeia angolana de José Bento Duarte

Reedição antecede o lançamento de “Primeira Travessia da África Austral”, no Padrão dos Descobrimentos

A reedição, em 2023, de Senhores do Sol e do Vento, de José Bento Duarte, devolve aos leitores uma das mais grandiosas narrativas sobre Angola e o encontro histórico entre África e Portugal. Publicado pela primeira vez há décadas e agora revisto e reeditado, o livro regressa como uma verdadeira saga da memória, um testemunho da convivência humana e da tenacidade com que os povos se enfrentaram, se influenciaram e se transformaram ao longo de quatro séculos e meio de História.

O nascimento de uma vocação literária

A génese de Senhores do Sol e do Vento remonta à infância do autor.

“A história deste livro começou num dia da minha infância, quando, folheando um semanário de banda desenhada, desemboquei de súbito numa fatídica floresta africana. […] Um militar português defendia com desespero a vida, assediado por ondas de guerreiros que lhe iam picando o corpo de lançadas profundas e presumivelmente fatais.”

Aquela imagem marcou José Bento Duarte para sempre. Décadas mais tarde, já adulto, reencontrou em Lisboa a publicação que inspirara o desenhador dessa cena, descobrindo que o episódio, verídico, se passara no Sul de Angola, junto ao rio Cunene, em 1904. O protagonista real, o tenente João Roby, tombara nas guerras contra os cuamatos, do grupo dos ambós.

Essa descoberta acendeu a centelha da investigação: “Quis então saber o que antecedera aquele recontro brutal e o que se lhe teria seguido”, escreve o autor. Entre alfarrabistas e arquivos, reuniu documentos raros e inéditos, compondo uma narrativa que abarca desde a chegada dos primeiros navios portugueses a Angola, em 1482, até à queda do último grande monarca angolano, em 1917.

Uma epopeia em sete partes

Com capítulos que vão de “Os Portões do Congo” e “A Fénix Portuguesa” a “O Massacre do Vau do Pembe” e “Contra Alemães e Cuanhamas”Senhores do Sol e do Vento percorre os caminhos do império e das resistências africanas, num arco temporal de quase meio milénio.

Mais do que um livro de História, é um retrato humano, povoado por heróis e vilões, governantes e guerreiros, missionários e sertanejos, europeus e africanos que, na paz e na guerra, “foram armando o destino na lenta toada dos anos”.

“A História são as Pessoas”, afirma o autor — e é essa humanidade profunda que faz desta obra uma leitura fascinante, de dramatismo e emoção, mas também de rigor e de verdade.

O fascínio por África e o fio da memória

Entre a evocação dos “aromas intensos e envolventes” do sul de Angola e o retrato das convulsões coloniais, José Bento Duarte compõe um fresco épico e sensorial sobre a “terra de que vim, mas onde ainda hoje estou, e onde jamais poderei deixar de estar”.

O livro é um tributo à Mãe África e às suas gentes, um testemunho de memória e pertença que ecoa muito além do contexto histórico: é uma reflexão sobre identidade, destino e fascínio, o mesmo fascínio que, segundo o autor, “em alguns portugueses se traduziu por uma espécie de hipnose sem remédio”.

Senhores do Sol e do Vento
Senhores do Sol e do Vento

Público-alvo

Senhores do Sol e do Vento é destinado a leitores que procuram compreender, com emoção e rigor , a longa e complexa relação entre Portugal e Angola.
É um livro para quem se interessa tanto pela História como pelas histórias das pessoas que a fizeram.

Leitores de História e de narrativa histórica

  • Interessados na História de Angola e da presença portuguesa em África.
  • Leitores que valorizam a reconstituição de episódios coloniais e militares (como o Massacre do Vau do Pembe, as campanhas do Cunene, ou as explorações do século XIX).
  • Público habituado a autores como Joaquim Veríssimo SerrãoJosé CapelaJ. M. Coetzee (no registo africano-literário), Rui de Pina ou Pepetela (no cruzamento entre história e ficção).

Académicos e estudantes

  • Historiadores, antropólogos e investigadores de temas africanos, coloniais ou pós-coloniais.
  • Docentes e estudantes universitários de História, Relações Internacionais, Estudos Africanos e Literatura Portuguesa e Lusófona.
  • Bibliotecas, centros culturais e instituições lusófonas interessados em documentação de memória histórica e fontes narrativas sobre Angola.

Leitores de literatura de viagem e aventura

  • Admiradores de grandes epopeias humanas e geográficas, comparáveis a Os Sertões (Euclides da Cunha), Coração das Trevas (Joseph Conrad) ou A Missão (Roland Joffé).
  • Leitores atraídos pela dimensão épica e sensorial da escrita, pelos retratos de personagens heroicas e pelas descrições das paisagens africanas.

Comunidades da diáspora angolana e luso-africana

  • Leitores em Portugal, Angola, Brasil e comunidades lusófonas que procuram compreender as suas raízes históricas e culturais.
  • Pessoas ligadas à memória familiar colonial e pós-colonial, que reconhecem nas páginas de Bento Duarte uma reconstrução identitária e afetiva.

Público geral com interesse em cultura e identidade

  • Leitores que apreciam narrativas históricas com profundidade emocional, combinando erudição e humanidade.
  • Pessoas atraídas pelo fascínio de África e pela ideia de descoberta interior através da história dos povos.
A primeira Travessia da África Austral
A primeira Travessia da África Austral

Uma nova travessia

A reedição de Senhores do Sol e do Vento anuncia simbolicamente a chegada de uma nova etapa na obra de José Bento Duarte: o lançamento de “Primeira Travessia da África Austral”, que terá lugar na próxima quarta-feira, no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa.

Se Senhores do Sol e do Vento percorre o passado de Angola e do império português, Primeira Travessia da África Austral abre o horizonte para uma viagem contemporânea, a primeira travessia terrestre documentada do continente austral. Juntas, as duas obras formam um díptico literário sobre a aventura humana em África, o encontro de culturas e a persistente busca por compreender o continente e o seu papel no destino comum da humanidade.

Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte
Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte
A Primeira Travessia da África Austral
A Primeira Travessia da África Austral

Vídeo 1 – «Primeira Parte – Encontro com José Bento Duarte» (YouTube)

Resumo:

  • O autor começa por apresentar a 3.ª edição do seu livro Senhores do Sol e do Vento, subtitulado Histórias verídicas de Portugueses, Angolanos e outros Africanos
  • Ele explica a gênese pessoal da obra: recorda o episódio de infância, ao folhear uma revista de banda-desenhada, numa floresta africana, onde viu o militar português assediado por guerreiros, esse choque deu o pontapé inicial para a investigação subsequente.
  • Descreve como mais tarde, em Lisboa, encontrou uma publicação antiga que serviu como fonte e percebeu que o combate dera-se no sul de Angola, junto ao rio Cunene, e envolvia guerreiros cuamatos/ambós.
  • Aponta o âmbito da obra: não apenas o episódio isolado, mas uma travessia histórica dos portugueses em Angola entre 1482 e 1917, explorando o fascínio português por África, as resistências africanas, e a construção da presença colonial.
  • Faz referência aos temas centrais do livro: a presença portuguesa, o embate cultural, a conversão militar e missionária, as expedições, confrontos e pactos, e o modo como “Portugal conheceu e coexistiu com Angola”. 
  • Termina esta parte com reflexões pessoais e afetivas: as raízes do autor no sul de Angola, as memórias de “aromas intensos e envolventes, (…) transportadas nas abas do vento” daquele território, e a pergunta sobre o que fica da “terra de que vim” e dos seus povos.

Vídeo 2 – «“Encontros e Desencontros de Culturas” – Segunda Parte» (YouTube)

Resumo:

  • Nesta segunda parte, o foco desloca-se para a dimensão cultural e de inter-relação entre povos — o título do vídeo refere-se a “Encontros e Desencontros de Culturas”.
  • José Bento Duarte reflete sobre as interações entre portugueses e africanos (especificamente angolanos) ao longo do período colonial: alianças, conflitos, trocas simbólicas, resistências e assimilação.
  • Ele aborda como a presença portuguesa em Angola envolveu não só a força militar e administrativa, mas também a missão religiosa, a economia, a colonização do interior, as fronteiras construídas “a ferro e fogo”, e os impactos sobre as sociedades locais.
  • Discute o fenómeno de “colonialismo cultural”: como portugueses foram hipnotizados pelo fascínio de África e como isso se traduziu em projetos de domínio, mas também em convívios, mestiçagens, influências recíprocas.
  • Alerta para os “desencontros”: os equívocos, as injustiças, as resistências africanas e o legado complexo que permaneceu, não só em termos físicos ou materiais, mas em termos de identidade, memória e consequências para hoje.
  • Finaliza esta parte com uma chamada ao leitor para que reconheça, no passado, não apenas datas e batalhas, mas “viveres, sentimentos e atitudes” desses tempos, e para que olhe para Angola e para a sua história com empatia e profundidade.

“Chão de Kanâmbua” regressa em papel: disponível para encomendas em dezembro

“Chão de Kanâmbua” regressa em papel: disponível para encomendas em dezembro

A editora Perfil Criativo anuncia a chegada da terceira edição em papel do romance Chão de Kanâmbua (ou “O Feitiço de Kangombe”), de Tomás Lima Coelho, com encomendas disponíveis a partir de dezembro de 2025 em www.AUTORES.club.

Publicado pela primeira vez em 2021, este romance histórico conquistou leitores e estudiosos pela forma como cruza a narrativa ficcional com o rigor da reconstrução histórica. A ação decorre entre o final do século XIX e o início do século XX, tendo como pano de fundo a região de Malanje, em Angola, num tempo em que o poder colonial português se impunha e os saberes africanos resistiam, silenciosos, ao esquecimento.

A figura de Manuel Justino, degredado português tornado comerciante de prestígio, conduz o leitor por caminhos onde se entrelaçam política, espiritualidade, oralidade e memória, num retrato complexo e comovente da Angola colonial.

Tomás Lima Coelho, natural de Moçâmedes e refugiado em Portugal, autor com vasta experiência no campo da investigação literária angolana, é também o organizador da obra de referência Autores e Escritores de Angola, publicada em três edições atualizadas.

Chão de Kanâmbua regressa agora às mãos dos leitores numa edição cuidada, pensada para quem procura compreender as raízes mais profundas da identidade angolana.

Chão de Kanâmbua (ou “O Feitiço de Kangombe”)
Chão de Kanâmbua (ou “O Feitiço de Kangombe”)

Para os leitores que preferem o formato digital, Chão de Kanâmbua encontra-se igualmente disponível em versão EPUB, acessível nas principais plataformas de leitura digital. Esta edição permite levar o romance a um público global, promovendo o acesso a uma das obras mais marcantes da ficção histórica angolana contemporânea.

Público-alvo

  • Leitores de romance histórico e literatura africana de expressão portuguesa
  • Estudantes e investigadores de história de Angola e colonialismo
  • Leitores interessados em memória cultural, oralidade africana e identidades pós-coloniais
  • Diáspora angolana e lusófona
  • Bibliotecas, universidades e livrarias especializadas em África e lusofonia

Peregrinos da Eternidade: O primeiro capítulo da grande trilogia histórica de José Bento Duarte

Peregrinos da Eternidade: O primeiro capítulo da grande trilogia histórica de José Bento Duarte

A reedição revista do clássico antecede o lançamento de “A Primeira Travessia da África Austral”, a 29 de outubro de 2025

Lisboa —Perfil Criativo | AUTORES.club apresenta a reedição revista e atualizada (2023) de Peregrinos da Eternidade — Crónicas Ibéricas Medievais (Como nasceu a dinastia que lançou Portugal no Mundo), de José Bento Duarte, obra fundamental que abre a trilogia histórica do autor sobre as origens e as projeções da identidade luso-africana.
O relançamento desta obra antecede a chegada, no próximo 29 de outubro, do seu novo livro, A Primeira Travessia da África Austral, completando um arco narrativo que liga Portugal medieval ao surgimento histórico de Angola.

A trilogia da alma luso-africana

Segundo o autor, os três títulos formam uma linha contínua da História e devem ser lidos nesta ordem:

  1. Peregrinos da Eternidade — As raízes da nação portuguesa e o nascimento da dinastia de Avis;
  2. A Primeira Travessia da África Austral — A epopeia das primeiras ligações humanas e culturais entre o litoral e o interior do continente africano;
  3. Senhores do Sol e do Vento — A História de Angola, contada através de encontros, conquistas e memórias partilhadas.

“Trata-se de uma viagem que começa nas margens do Mondego, passa pelos reinos da Ibéria medieval e atravessa o oceano até ao coração de África”, explica José Bento Duarte.

Um clássico redescoberto

Publicado originalmente em 2003, Peregrinos da Eternidade regressa agora em edição revista pelo autor, enriquecida por novas notas e referências. O livro parte do episódio trágico da morte de Inês de Castro e percorre as cinco décadas que antecedem a batalha de Aljubarrota, num retrato vibrante da Península Ibérica do século XIV.
Através de 55 crónicas rigorosas e cativantes, o autor reconstitui o nascimento da 2.ª dinastia portuguesa e a emergência de um sentimento de nação, mostrando como o impulso peninsular viria a projetar-se nas descobertas e na expansão atlântica.

Um olhar humanista sobre o poder e a história

Mais do que um ensaio histórico, Peregrinos da Eternidade é uma viagem literária pelas paixões e contradições dos homens e mulheres que moldaram Portugal.
Nas palavras da historiadora Carla Varela Fernandes, a obra “não é um romance histórico, mas lê-se como um, ou melhor, como um romance muito bem escrito”, sublinhando “a reflexão crítica e o humanismo que iluminam cada página”.

Senhores do Sol e do Vento
Senhores do Sol e do Vento

Sobre o autor

José Bento Duarte nasceu em Moçâmedes, no sul de Angola. Licenciado em Economia pela Universidade do Porto, foi docente na Universidade de Luanda antes e depois da independência do país. É autor de várias obras que exploram os laços históricos entre Portugal e Angola, como Senhores do Sol e do Vento — Histórias Verídicas de Portugueses, Angolanos e Outros Africanos e A Primeira Travessia da África Austral (Ed. 2025).
A sua escrita alia rigor historiográfico, profundidade analítica e narrativa literária, ligando as dimensões peninsular e africana da história comum dos povos lusófonos.

Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte
Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte
A Primeira Travessia da África Austral
A Primeira Travessia da África Austral


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