Archives em Junho 6, 2025

Escrita, memória e liberdade em cinquenta anos de República

Escrita, memória e liberdade em cinquenta anos de República

As celebrações do cinquentenário da independência de Angola, ocorrida a 11 de novembro de 1975, incluem uma série de eventos e homenagens a personalidades que desempenharam papéis fundamentais na história do país. A Medalha Comemorativa dos 50 Anos da Independência Nacional foi instituída para reconhecer cidadãos cujas ações contribuíram significativamente para a conquista e consolidação da independência, bem como para o desenvolvimento e a paz em Angola

A distinção de seis autores da editora PERFIL CRIATIVO | AUTORES.club, Marcolino Moco, António Alberto Neto, Lopito Feijó, Fragata de Morais, Carlos Mariano ManuelInguila João, é um reconhecimento não apenas das suas contribuições individuais, mas também do papel de relevo na construção da República de Angola.

Controvérsia

A cerimónia de condecoração gerou debates e críticas devido à exclusão de figuras históricas como Holden Roberto, fundador da FNLA, e Jonas Malheiro Savimbi, fundador da UNITA. Ambos foram signatários do Acordo de Alvor, que estabeleceu as bases para a independência de Angola.

O deputado da UNITAAlcides Sakala, declinou a medalha oferecida, justificando a sua decisão com “omissões no reconhecimento da memória nacional”.

A Assembleia Nacional, dominada pelo MPLA, rejeitou propostas para incluir estes líderes na lista de condecorados, argumentando que apenas António Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola e líder do MPLA, preenche os requisitos para tal distinção .

Cores, cheiros e memórias de Luanda encheram a Feira do Livro de Lisboa com Sandra Poulson e Kalunga

Cores, cheiros e memórias de Luanda encheram a Feira do Livro de Lisboa com Sandra Poulson e Kalunga

95.ª Feira do Livro de Lisboa foi palco, no dia 5 de junho de 2025, de um momento de profunda emoção e evocação afetiva com a apresentação dos livros Tambwokenu – Viagens pela minha terra e Mukua Milele – Panos da minha avó, da autora angolana Sandra Poulson.

A sessão decorreu em forma de diálogo literário com o poeta angolano Kalunga, nome literário de João Fernando André, que se encontra atualmente em Lisboa a realizar o doutoramento em Literatura. Entre trocas de memórias, reflexões poéticas e observações sensíveis, os dois autores transportaram o público para uma Luanda de cheiros, cores e afetos intensos, onde o quotidiano se entrelaça com o simbólico e o pessoal com o coletivo.

No Auditório Norte, uma audiência atenta e emocionada — entre os quais amigos e admiradores da autora — acompanhou a conversa como quem percorre um álbum de fotografias vivas. As obras apresentadas são, em si, mapas afetivos: Tambwokenu convida a uma viagem pela terra natal de Poulson, enquanto Mukua Milele presta homenagem às mulheres da sua linhagem, com os “panos” como símbolo de memória, identidade e continuidade.

Com esta apresentação, Sandra Poulson reafirma-se como uma voz singular na literatura contemporânea angolana, fundindo oralidade, imagem e escrita numa obra profundamente enraizada na experiência vivida e sentida.