Portugal e Angola: Luís Nuno Rodrigues destaca no ISCTE a importância de compreender o difícil reencontro após a independência

Portugal e Angola: Luís Nuno Rodrigues destaca no ISCTE a importância de compreender o difícil reencontro após a independência

O professor catedrático Luís Nuno Rodrigues destacou hoje, 28 de Outubro, em sala de aula no ISCTE, em Lisboa, o rigor científico e a relevância histórica do livro Portugal e Angola: O Difícil Reencontro — Relações político-diplomáticas no pós-independência, 1976–1985, de Salomão Arão Chipeco, publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.club. A apresentação constituiu uma oportunidade para revisitar uma das décadas mais complexas das relações entre os dois países

Na sua intervenção Luís Nuno Rodrigues, que orientou a investigação de doutoramento que deu origem à obra e assina o respectivo prefácio, considerou que o livro representa «um contributo da maior relevância para o estudo das relações entre Portugal e Angola», abordando um período particularmente sensível e ainda insuficientemente explorado pela historiografia.

O académico começou por contextualizar a profunda transformação da política externa portuguesa depois do 25 de Abril de 1974 e da descolonização. Portugal, confrontado com o fim de um império que durante séculos condicionara a sua identidade e a sua presença internacional, procurava redefinir o seu lugar no mundo.

Segundo Luís Nuno Rodrigues, a política externa portuguesa passou a organizar-se em torno de três grandes eixos: a integração europeia, a dimensão atlântica e a reconstrução das relações com os novos Estados africanos independentes.

Da desconfiança à reconstrução do diálogo

Um dos aspectos mais importantes da intervenção foi a análise das dificuldades que marcaram o relacionamento entre Lisboa e Luanda após a independência de Angola, em Novembro de 1975.

O processo de descolonização, a guerra civil angolana, as divergências políticas e as relações de alguns protagonistas portugueses com diferentes movimentos políticos angolanos contribuíram para um ambiente de profunda desconfiança.

O professor recordou que Portugal apenas reconheceu a República Popular de Angola em Fevereiro de 1976 e que, poucos meses depois, as relações diplomáticas entre os dois países foram interrompidas.

Contudo, como demonstra a investigação de Salomão Arão Chipeco, os contactos nunca desapareceram completamente. Os interesses políticos, económicos e diplomáticos acabariam por criar condições para uma reaproximação gradual.

Neste processo, Luís Nuno Rodrigues destacou o papel determinante do Presidente da República português, general António Ramalho Eanes, cuja intervenção diplomática contribuiu para a recuperação da confiança entre os dois Estados.

Entre os momentos fundamentais desse percurso, recordou o encontro entre José Eduardo dos Santos e José Medeiros Ferreira, em Setembro de 1976, o apoio português à admissão de Angola nas Nações Unidas, o encontro entre Agostinho Neto e Ramalho Eanes, em Bissau, e a visita oficial do Presidente português a Angola, em Abril de 1982.

Uma investigação que ultrapassa as memórias políticas

Luís Nuno Rodrigues valorizou especialmente o extenso trabalho de investigação realizado pelo autor, que consultou arquivos diplomáticos, documentação governamental, correspondência oficial, discursos, imprensa portuguesa e angolana e numerosas fontes históricas.

Esta diversidade documental permitiu reconstruir os acontecimentos com rigor, confrontando diferentes perspectivas e ultrapassando interpretações frequentemente condicionadas por memórias políticas, silêncios institucionais e narrativas parcelares.

O académico salientou que o mérito da obra não está apenas na descrição dos acontecimentos, mas sobretudo na capacidade de explicar as decisões políticas e os factores que determinaram os avanços e recuos nas relações entre os dois países.

A intervenção abordou igualmente as dificuldades verificadas durante os sucessivos governos constitucionais portugueses, incluindo os governos da Aliança Democrática e do Bloco Central, demonstrando como a política interna portuguesa e a guerra civil angolana influenciaram permanentemente o relacionamento bilateral.

Um contributo para compreender cinquenta anos de relações entre Portugal e Angola

A publicação deste livro ganha particular significado no contexto das comemorações dos cinquenta anos da independência de Angola e da aproximação diplomática entre os dois Estados.

Ao transformar uma investigação académica numa obra acessível ao público, Salomão Arão Chipeco coloca à disposição de investigadores, estudantes, diplomatas, jornalistas e leitores interessados um importante instrumento para compreender as raízes históricas das relações luso-angolanas.

Na parte final da sua intervenção, Luís Nuno Rodrigues deixou ainda palavras de reconhecimento pelo trabalho editorial da Perfil Criativo | AUTORES.club, destacando a qualidade gráfica da publicação, a capa, as ilustrações e o cuidado colocado na produção do livro.

A apresentação no ISCTE voltou assim a demonstrar a importância de publicar e divulgar investigação histórica fundamentada, contribuindo para um conhecimento mais profundo das relações entre Portugal e Angola.

Mais do que revisitar um passado marcado por dificuldades e desconfianças, Portugal e Angola: O Difícil Reencontro convida os leitores a compreender como dois países, depois de uma ruptura histórica profunda, começaram a reconstruir as suas relações políticas e diplomáticas.

Doutoramento em História, Estudos de Segurança e Defesa
Doutoramento em História Moderna e Contemporânea

Perfil Criativo | AUTORES.club — Lisboa, 28 de Outubro de 2026

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Cancelamento do lançamento de «Portugal e Angola: O Difícil Reencontro»

Cancelamento do lançamento de «Portugal e Angola: O Difícil Reencontro»

COMUNICADO

A Perfil Criativo | AUTORES.club informa que, por indicação do autor, Salomão Arão Chipeco, não será possível realizar o lançamento do livro Portugal e Angola: O Difícil Reencontro. Relações político-diplomáticas no pós-independência, 1976–1985, previsto para o dia 30 de Outubro de 2026, no Palácio da Independência, em Lisboa.

Lamentamos os eventuais transtornos e agradecemos a compreensão da Direcção da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, dos nossos convidados especiais, da comunicação social, dos amigos e dos leitores.

O livro encontra-se disponível na loja online da editora, em www.AUTORES.club.

Perfil Criativo | AUTORES.club

Da Ruptura ao Diálogo: Portugal e Angola vistos pela imprensa da época

Da Ruptura ao Diálogo: Portugal e Angola vistos pela imprensa da época

A Perfil Criativo | AUTORES.club publica, em Setembro de 2026, o livro Portugal e Angola: O Difícil Reencontro. Relações político-diplomáticas no pós-independência, 1976–1985, de Salomão Arão Chipeco.

Integrada na colecção “Trabalhos Académicos”, a obra resulta da tese de doutoramento em História, Estudos de Segurança e Defesa desenvolvida pelo autor no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, sob orientação do Professor Catedrático Luís Nuno Rodrigues. O estudo analisa um dos períodos mais sensíveis e menos explorados da história contemporânea das relações entre Angola e Portugal: a primeira década que se seguiu à independência angolana e à consolidação do regime democrático português. 

Entre 1976 e 1985, Lisboa e Luanda viveram uma relação marcada por desconfianças herdadas do passado colonial, tensões políticas, suspensões diplomáticas, tentativas de normalização e interesses económicos que mantiveram abertos os canais de diálogo. O livro acompanha o reconhecimento da República Popular de Angola pelo Governo português, a suspensão e o restabelecimento das relações diplomáticas, a nomeação de embaixadores, o papel da Presidência da República Portuguesa, o Acordo Geral de Cooperação e os trabalhos da Comissão Mista Luso-Angolana. Analisa ainda o impacto da Guerra Fria e das actividades desenvolvidas em Portugal pela UNITA e pela FNLA no relacionamento entre os dois Estados. 

Os jornais como fonte da História

Um dos aspectos mais relevantes desta investigação é o amplo levantamento da imprensa portuguesa e angolana da época. Salomão Arão Chipeco consultou inúmeros artigos de jornais e revistas, cruzando-os com documentação diplomática, correspondência oficial, relatórios governamentais, debates parlamentares, programas dos governos constitucionais e testemunhos contemporâneos. Este confronto entre diferentes fontes permite reconstruir, com maior minúcia, a forma como as decisões políticas foram tomadas, divulgadas e interpretadas nos dois países. 

A imprensa não surge apenas como registo dos acontecimentos. O livro demonstra que os jornais participaram activamente na construção das percepções políticas, na divulgação das actividades dos movimentos angolanos em Portugal e, em determinados momentos, no agravamento das tensões entre os governos de Lisboa e Luanda. Entre os periódicos mobilizados encontram-se títulos como A Província de Angola, o Diário de Lisboa, o Diário de Notícias, o Expresso, o Jornal de Angola e o África Jornal, entre outros. Um exemplo analisado é a cobertura das actividades da UNITA em Portugal e a forma como essas notícias interferiram no debate sobre as relações “Estado a Estado”. 

Ao colocar lado a lado notícias, documentos oficiais e decisões governamentais, o autor permite ao leitor observar não apenas o que aconteceu, mas também como os acontecimentos foram apresentados à opinião pública e utilizados no confronto diplomático. A obra revela, assim, o valor dos jornais como fonte histórica e como intervenientes na própria evolução das relações luso-angolanas.

No prefácio, Luís Nuno Rodrigues destaca a amplitude do levantamento documental, o rigor metodológico e a capacidade do autor para cruzar perspectivas frequentemente divergentes, considerando a publicação um contributo duradouro para o conhecimento histórico das relações entre os dois países.

Com esta nova edição da colecção “Trabalhos Académicos”, a Perfil Criativo | AUTORES.club reforça o seu compromisso de aproximar investigações universitárias rigorosas de um público leitor mais vasto e de fortalecer as pontes históricas, culturais e intelectuais entre Angola e Portugal.

Uma obra destinada a investigadores, estudantes, diplomatas, jornalistas e leitores interessados na história contemporânea de Angola e Portugal, nas relações internacionais e no papel da imprensa na construção do debate político-diplomático.

Ficha técnica

Título: Portugal e Angola: O Difícil Reencontro. Relações político-diplomáticas no pós-independência, 1976–1985
Autor: Salomão Arão Chipeco
Prefácio: Luís Nuno Rodrigues
Editora: Perfil Criativo – Edições | AUTORES.club
Colecção: Trabalhos Académicos
Primeira edição: Setembro de 2026
ISBN: 978-989-9209-44-2
Número de páginas: 310
Língua: Português

Índice

Prefácio de Luís Nuno Rodrigues
Resumo

Abstract
Glossário de Siglas


INTRODUÇÃO
Objeto de Estudo e Escolha do Tema
Escolha da Cronologia
Objetivos da Investigação
A Problemática
Hipóteses
Metodologia de Investigação
Fontes
Estado da Questão


CAPÍTULO I – CONTEXTO HISTÓRICO DAS RELAÇÕES ENTRE PORTUGAL E ANGOLA
Nota Introdutória
O Golpe de Estado do 25 de abril de 1974 em Lisboa
Angola, período da transferência do poder: Do 25 de abril ao Alvor
Acordos de Cessar-fogo entre autoridades portuguesas com FNLA e o MPLA
Do Alvor à independência da República Popular de Angola
A internacionalização da Guerra Civil
Proclamação da Independência e Reconhecimento da RPA
Campanha Diplomática dos EUA para não reconhecer a R.P. de Angola
Nota Conclusiva do Capítulo


CAPÍTULO II – CONTEXTO INTERNACIONAL DAS RELAÇÕES ENTRE PORTUGAL E ANGOLA
Nota Introdutória
A legitimação Internacional da RPA junto da OUA, dos países da CEE e Portugal
Reconhecimento da RPA pelos países da CEE e pelo Governo português
Estabelecimento de relações diplomáticas entre Portugal e Angola
As tropas sul-africanas retiram-se de Angola
Deterioração das Relações Luso-Angolanas
Suspensão das Relações Diplomáticas por iniciativa de Angola
Nota Conclusiva do Capítulo

CAPÍTULO III – I E II GOVERNOS CONSTITUCIONAIS E AS RELAÇÕES COM ANGOLA
Nota Introdutória
Portugal: Breve Contextualização Política
Angola: Breve Contextualização Política
Contactos bilaterais Portugal e Angola
Portugal e a Admissão de Angola na ONU
Institucionalização da normalização das relações Portugal e Angola
Chegada do primeiro Embaixador angolano em Portugal
Importância da Cimeira de Bissau na normalização das Relações Luso-Angolanas
Nota Conclusiva do Capítulo


CAPÍTULO IV – III, IV E V GOVERNOS CONSTITUCIONAIS DE INICIATIVA PRESIDENCIAL E AS RELAÇÕES COM ANGOLA
Nota Introdutória
Portugal: Breve Contextualização Política
Angola: Breve Contextualização Política
Contactos bilaterais entre Portugal e Angola
4.1. Ratificação do Acordo Geral de Cooperação
Início dos Trabalhos da Comissão Mista Luso-Angolana
Nota Conclusiva do Capítulo


CAPÍTULO V – VI, VII E VIII GOVERNOS CONSTITUCIONAIS E AS RELAÇÕES COM ANGOLA
Nota Introdutória
Portugal: Breve Contextualização Política
Angola: Breve Contextualização Política
Contactos bilaterais Portugal e Angola
Incremento das relações Luso-Angolanas
Fases do desbloqueamento nas Relações Luso-Angolanas
II Sessão da Comissão Mista Permanente Luso-Angolana
Nota Conclusiva do capítulo


CAPÍTULO VI – IX GOVERNO CONSTITUCIONAL E AS RELAÇÕES COM ANGOLA
Nota Introdutória
Portugal: Breve Contextualização Política
Angola: Breve Contextualização Política
Contactos bilaterais Portugal e Angola
Dificuldades nas Relações Luso-Angolanas
A RPA opta pelo incremento da Cooperação com Espanha em vez de Lisboa
Nota Conclusiva do capítulo
Conclusão Geral
Referências Bibliográficas


ANEXOS
ANEXO A – Quadro I – Evolução da Balança Comercial entre Portugal e a República Papular de Angola (1982-1985)
ANEXO B – Quadro II – Principais Produtos Importados de Angola (1982-1985)
ANEXO C – Quadro III – Principais Produtos Exportados de Angola (por classe e produtos)
ANEXO D – Quadro IV – Principais Produtos Exportados para Angola (por artigos e pauta)