O Abraço da Memória (II)

TEXTO DE GABRIEL BAGUET JR
O espaço e o dia onde me encontro já evidencia uma certa claridade e Pássaros que falam entre si cantando. A Natureza tem essa singular magia e esse particular encanto. Na mágica Natureza estão todos os naturais elementos para repensarmos a relação Humana com a Ecologia ao longo de décadas. E o Amanhecer como o Anoitecer encerram muitos Ciclos como abrem tantas outras possibilidades de Reflexão sobre os Dias. Os Nossos e os dos Outros. Entendi dar continuidade a este título porque assim sinto o impulso do começo deste terceiro dia de 2026.
E hoje como poderiam surgir tantas outras perguntas , pergunto o que é viver ? O Abraço da Memória poderá ou não ser entendido para os destinatários desta MUKANDA ( expressão em Língua Nacional de Angola entre outras questões é o Kimbundu e que significa em Língua Portuguesa CARTA). Mas esta MUKANDA que igualmente considero uma Reflexão, é um modo e o caminho que vai de Encontro à Liberdade de Pensamento e de Opinião.
E respeito a Liberdade de Pensamento qualquer que seja o meu semelhante e a sua Opinião. E a Liberdade de Pensamento e de Opinião trazem essa imperativa necessidade de Olhar a roda do Mundo e fazermos análises ou balanços sobre a Vida, o Progresso ou não, o crescimento do Desenvolvimento Humano ou recordar o espaço urbano onde nascemos, brincamos e crescemos e com esta condição natural e que nos habitará sempre, surge naturalmente a importância da Memória Individual e Colectiva e tudo o que fizemos, o que ficou para fazer, por dizer e lembrar os caminhos essenciais da Amizade genuína, dos Afectos e Ensinamentos familiares ..No meu caso são imensas as Memórias de ter sido muito feliz e aprender como se conseguem as Canoas dos Sonhos que imensas vezes vi com os meus Olhos ou pelo Olhar do meus queridos Pais, as redes de pesca lançadas sobre toda a extensão da Histórica Ilha de Luanda e ver os Mais Velhos Pescadores de pano até aos pés amarrado na cintura e ver a beleza da sua relação com o Mar,com o que foi pescado e a sã e Saudosa recordação de ver e ouvir o meu Saudoso Pai a falar genuinamente Kimbundu com os Mais Velhos e apreciar a força mental inspirados pela magia da minha de Ilha de Luanda. Esse legado foi vivenciado,sentido, recordado e acompanha os meus Dias. Este acto assumido é Memória que me remete para outras Memórias de que oportunamente falarei.
O compasso da Escrita tem avanços, recuos, integrações de outras análises e perspectivas e essa dinâmica como as Viagens referidas no artigo anterior ao pensar nas belíssimas viagens de Comboios de que tanto gosto ou recordar a Jangada que me permitiu com a Família nuclear deslocarmo-nos de carro entre Luanda e o Santuário da Nossa Senhora da Muxima em Angola inúmeras vezes. É a busca da Memória e o Abraço à mesma.
Neste quadro e continuando a ouvir os pássaros como se de uma Orquestra Clássica com Instrumentos Musicais Clássicos se tratasse ou e porque não de uma Orquestra Clássica com Instrumentos Musicais e Tradicionais Africanos como o Kissange, a Puita, o Reco-Reco e a Percussão. Gostava um dia de acordar, ver e ouvir numa rua ou avenida de uma qualquer cidade do Mundo sentir este despertar.Porque o Espaço e Rural são suportes de imensas realizações Culturais específicas e não só, como lugares de introspecção e contemplação desprendida sobre o Perfume da Vida.
E neste terceiro dia do ano, depois da partilha com um grande amigo que dedicou e dedica com ética a sua vida sobre este título e o conteúdo do texto referiu a gratidão da partilha e cito sem egos: “obrigado, Mano Gaby pelo inspirador, humanista, pedagógico e texto universalista que aqui vens explicar”. E naturalmente e com total abertura veio lembrar-me outros exemplos de Desenvolvimento Humano que cito : “a Finlândia, mas esqueces a Islândia, Escandinávia, Canadá, Costa Rica, Butão, Nova Zelândia”. Este amigo de múltiplas profissões e Talentos tem razão num ponto que é não ter referido o Canadá .
As palavras supra referidas do Investigador Ambiental, de Direitos Humanos e Escritor Veladimir Romano da Cruz cruzam-se com o conceito que o mesmo defende e volto a citar que “esta coisa da “FELICIDADE”, é coisa do muito se diga” e destacou que “vivendo eu na Suécia algum tempo, nos anos de 68, quando ali cheguei, já a comunidade Finlandesa os ” Suomi “, eram na sua percentagem cerca de 50% da população da Finlândia, imigrantes e assim, não só a Suécia, onde viveram mas também na Noruega, Dinamarca, até aos restantes desde a Bélgica, Holanda e Alemanha e por ali se distribuíram os 2 milhões desses emigrantes que aprenderam, estudaram, organizaram-se (jamais se preocuparam em comprar grandes carros, juntar biliões para uma casa/ mas antes, acumularam conhecimentos e voltaram à terra natal para investir na sua pátria”. Em seu entender e concordo inteiramente que o Devir dos Dias do Novo Ano deve assentar na” realidade cívica e de cidadania e que a justiça funcione sem esquecer a luta pela primazia da educação e floresça, apostando-se na Ciência e e no Desenvolvimento Humano e Cultural tão necessário para qualquer nação e uma sociedade só assim se desenvolve não vivendo de teorias da fantasia e grosserias instituídas nos esquemas fabricando depois a podridão da miséria moral e fatal quebra crónica do sistemneconómico-financeiro'”, disse Veladimir Romano da Cruz.
Desta integração de ideias e análises, ressurge de novo a importância da Memória e como disse o Escritor, Jornalista colombiano e Prémio Nobel da Literatura em 1982 Gabriel García Márquez e cito, ” a vida de uma pessoa não é o que lhe apetece ,mas aquilo que recorda e a maneira como o recorda”.É verdade . No Abraço à Memória como decidi designar a construção deste texto,entendo que a Arte produzida por genuínos Criadores no plano da intervenção artística multidisciplinar aliada à defesa da Humanização Social como ao respeito pelos Direitos Humanos sejam a tela mais bela a Pintar e a criar. Os novos desafios mundiais são imensos e só uma Cultura de Memória e Respeito percorrendo infelizmente Tragédias como a Escravatura, Colonização, I e II Guerra Mundial , a Inquisição, o Apartheid, o Holocausto e outras práticas desumanas, nos farão reflectir como a Arte em si de modo transversal e o Diálogo sem filtros em múltiplos domínios , permitirá fazer as Viagens que desejamos pensando nos nobres exemplos deixados por históricas Mulheres e históricos Homens no domínio da Cultura, da Literatura, do Desenvolvimento Humano, na Ciência, na Educação e de Sociedades iguais e menos assimétricas.
Onde estiver reflicta a prática do BEM sem egocentrismos e pense no Sonho que entender para melhorar substantivamente o Estado do Mundo. Urge falar na Humanização das Sociedades. Precisamos dessa sonhada Viagem.

