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No deserto chamado Lisboa

No deserto chamado Lisboa

No deserto chamado Lisboa, para o João Ricardo Rodrigues, navegador

Por FERNANDO DA GLÓRIA DIAS (Braga, 11/11/21)

Fui lá, no deserto chamado Lisboa

e cheguei completo
mais completo ainda quando saí,
meus bolsos atulhados, não tens emenda Nandinho,
menino de sempre,

tomei cacilheiro no cais do Sodré
entrei pela penumbra na rápida derrota de Cacilhas,
na outra margem das eras,
vinha de volta a casa sem saber aonde
trazia passado de candonga, minha camanga de brilhos
lossengas pequeninas, luboias maiores
mas de fingir, mais gostosas e quentes na alma dos tempos,
remexi nos bolsos, tanta coisa!, brinquedos inteiros,
o jogo da macaca, touradas de morte, a caça ao índio
e eu era o índio,
gajajas madurinhas, poemas, escola oito, meu primo Zé Maria,
o canivete que deu tio Fernando,
e meu tio Fernando
Nandinho não andes descalço, Nandinho isso não se diz, isso não se faz,
fecha a geleira Nandinho,
e o embondeiro da estrada do Dondo dizendo amanhã,
o cacilheiro rumando a Cacilhas por mil vezes que o tomei
de um só trago amargado por ausências de cheiros e cores,
cadê a terra vermelha, o rubro das acácias e buganvílias
cadê o óleo de palma recendendo e as mangas e goiabas,
tudo em meus bolsos, as perguntas e as respostas, que vou remexendo
com meus dedos pequenitos, ai Nandinho essas unhas!

Aqui por perto apanhei numa tarde o paquete Quanza
da Companhia Colonial de Navegação,
largara amarras, soava o apito da despedida por três vezes
aparvoando gaivotas desocupadas pelos ares.
No deque da terceira classe olhava a gare do cais de Alcântara
com chuvinha de cajueiro esbatendo a imagem de meus pais
sob uma sombrinha vermelha
carregada de acenos,
eu regressava a Luanda e eles viriam após
e os acenos era assim felizes, brilhavam também,
tudo isso em meu bolso, na minha praia morena,
no meu Sul, na minha duna, em meu deserto.

Agora, no cacilheiro cruzando o Tejo
retomo a tarde de hoje acabada entre acepipes
na vasta sala de pé alto do Museu de Arte Antiga
bastante cheia de gente atenta, brancos com ar de negros
resplandecentes,
e negros da tribo dos brancos,
botara discurso de sapiência com entremeios de risos
de humor descontraído um professor catedrático,
angolano do Uíge, de Cabinda ao Cunene,
médico e investigador de história de Angola
com obra publicada em três cartapácios de muitos quilos

Não encontrei monangambas vergados ao peso dos sacos
é só para isso que servem, dissera um historiador precipitado
que também não estava presente,
e afinal botavam também discurso académico, esses monangambas,
a voz bem timbrada, nasalada, segura,
um bom humor solto aqui e ali despertando quem ouve,
palavras sérias de oração desnovelando fios e tramas,
na capital que fora de império e escravatura, ali, em Mocambo,
onde afinal era proibido falar,
que eu mal ouvi, estou surdo, não importa
mas acordado e vivo e o momento tem um peso e uma força
de padrão deixado como quem planta
isso me basta, é quinda de que colho mangas e sorrisos

Depois comoveu ainda o canto em quimbundo onde fora proibido falar,
o violoncelo sublinhando a dor da voz de Rosa, uma flor, uma marca, um grito
um padrão também,
entre paredes tomadas de fotos enormes de negros e negras com perucas brancas
e vestes de brancos, tudo porque afinal plantado o padrão na foz do Zaire,
para diante navegou um grande navegador

No cacilheiro trago pois toda essa tralha em meus bolsos,
passo na prancha para o cais,
Cacilhas é um pasmo parado no tempo, que não existe, a noite está fria
espero que me venham buscar…

… fico remexendo nos bolsos meus brinquedos, meus sonhos, minha alma
minha estória, meus trilhos, esta forma sinuosa de me afirmar
pátria, cada vez mais livre,
lavra fecunda plantada agora de padrões dos netos da rainha Ginga,
que vão acontecendo com uma grande vontade de riso,

Molha uma chuva pequena quando justo chega quem me vem buscar,
traz sombrinha vermelha.

A criação da Colónia de Angola e a Batalha de Ambuíla

A criação da Colónia de Angola e a Batalha de Ambuíla

Palestra proferida pelo Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel no Museu Nacional de Arte Antiga, de Lisboa, aos 22 de Outubro de 2021, no âmbito das actividades de apresentação pública da “monumental” obra de História de Angola Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação

Introdução


Os tempos que correm são extraordinariamente exigentes em todos os Países, por inerência das pressões disruptivas impostas pela crise sanitária a toda Humanidade.
Contudo, a normalidade da vida vai sendo restaurada nas sociedades onde o zelo e o triunfo da ciência vai levando de vencidas as adversidades provocadas pela infecção vírica pandêmica em curso. Saudamos, humildemente, o povo português e as instituições que o governam, pelos êxitos que vêm demonstrando ao Mundo, também neste âmbito em particular.
As breves reflexões de que estamos incumbidos de apresentar a Vossas Excelências, ao abrigo do título desta despretensiosa palestra conciliam-se na sua plenitude, em nossa humilde opinião, com as indicações providas de profunda sabedoria expressas recentemente em ocasiões de solenidades nacionais, pelos Supremos Magistrados das nossas Nações irmanadas pela História, Suas Excelências os Presidentes das Repúblicas de Angola e de Portugal, respectivamente João Manuel Gonçalves Lourenço e Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa, aos quais de forma remota saúdo desta tribuna com a reverência e humildade mais elevadas.
Pela pertinência com que reiteradas vezes se têm referido com acrisolada sabedoria esses dois estadistas, sobre as consequências de acontecimentos históricos na realidade hodierna em ambas sociedades, permite-nos citar alguns excertos contidos em recentes pronunciamentos seus, feitos por ocasião de solenidades celebrativas nacionais.
Sua Excelência João Manuel Gonçalves Lourenço referiu em maio do corrente ano, no decurso de uma corajosa e redentora comunicação dirigida ao País e enquadrada na evocação de acontecimentos ocorridos no País em 1977,
“a História não se apaga; a verdade dos factos deve ser assumida”.
Por seu lado, Sua Excelência Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa disse um mês antes, no quadro das celebrações do 47º aniversário da revolução de 25 de Abril de 1974,
“é prioritário estudar o passado e nele dissecar tudo, o de bom e de mau” …“as nações irmãs na língua têm sabido julgar um percurso comum olhando para o futuro, ultrapassando séculos de dominação política, económica, social, cultural e humana”.

As reflexões supracitadas estiveram também subjacentes, durante um pouco mais de quarto de século, à realização da investigação científica multicêntrica, pluricontinental, metanalítica e de outras fontes admitidas pela Teoria e Metodologia Gerais do Estudo da História, com o fito de elaboramos a História de Angola e a de Portugal a ela associada.
Quisemos enfatizar na narrativa histórica uma perspectiva vernacular e herdada, expurgando os dogmas e outros contaminantes que a inquinaram durante os séculos de obscurantismo instrumental às paixões e doutrinas das autoridades coloniais e da competitividade política inerente à dinâmica e conturbada realidade das últimas quatro décadas e meia do nosso País.
Nesse modesto contributo de mais de duas mil e duas centenas de páginas estruturadas em três tomos, estão tratados com muito maior detalhe os conteúdos do tema objecto desta sumária palestra, pelo que este sumário exercício assume uma função propedêutica, por um lado de outros actos relativos à obra, que vão decorrer no decurso deste mês em Portugal e por outro, ao esforço de leitura de Vossas Excelências, materializando as sublimes indicações acima citadas dos dois mais elevados mandatários dos nossos dois Países.
Mas, desobrigando-nos da incumbência que recebemos do nosso editor para aqui hoje estarmos, esperamos revelar-vos alguns pequenos detalhes, apurados pela nossa investigação, e sobre os quais não temos conhecimento, que hajam alguma vez sido escritos e disponibilizados para conhecimento dos cientistas sociais e público comum.

Sobre a fundação da Colónia de Angola

O Direito Internacional Público é uma área das ciências jurídicas, que regula os interesses de cada Nação na sua interacção com os das outras Nações. Embora os cultores desse ramo do conhecimento das ciências sociais divirjam entre si sobre a altura em que a Humanidade começou a observá-lo, é quase isento de controvérsia referir que, os territórios do continente africano estiveram dele dissociados, practicamente, até à ocorrência da Conferência de Berlim sobre África ( 1884 – 1885) e a esmagadora maioria dos respectivos povos, permanentemente em conflitos com os forasteiros, estiveram dele desprotegidos até à altura da conquista da soberania dos seus Estados, ocorrida tão tarde, quanto no decurso do terceiro quartel do século XX.
Com poucas excepções, e na perspectiva europeia determinada pelos vícios dos tempos, para revisitar uma elegante expressão cunhada por Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, sucessivamente 1º Barão, Visconde e finalmente Marquês de Sá da Bandeira, no decreto abolicionista da escravatura de 1836, a África sempre pareceu ser um res nullius, até à última década e meia do século XIX, embora o Congresso de Viena de 1814-1815, que tratara de redimensionar os Estados Europeus após o termo das guerras napoleónicas, houvesse já deliberado a cessação do tráfico de escravizados.
Na ausência do Direito Internacional Público inclusivo do continente africano, os principais factores globalizantes que determinaram o relacionamento entre a Europa e os continentes africano e americano foram a religião, o comércio, (traduzido essencialmente no tráfico de escravizados), e a vantagem comparativa do domínio da tecnologia da navegação transoceânica de alguns povos euro-ocidentais sobre as práticas culturais abstinentes e em parte supersticiosas, dos povos africanos e americanos, em desafiar a imaginária ira dos presumíveis monstros e graciosas sereias marítimas.
Esses factores determinaram a criação da colónia de Angola, primeiro de jure no dia 19 de setembro de 1571 pela corte do Rei D. Sebastião e quatro anos depois, de facto, pela expedição de 600 homens militares e civis, privada e organizada sem dispêndio do tesouro público, pelo escudeiro da corte portuguesa, Paulo Dias de Novais, neto de Bartolomeu Dias, havendo sido este último o português e primeiro navegador europeu, que em 1488 chegara e transpusera o Cabo de Boa Esperança, no ext horemo meridional do continente africano, onde os oceanos atlântico e índico se abraçam.
Entre os 8896 versos, das 1102 estrofes que compõem os dez cantos da magistral obra camoniana publicada em 1572, “Os Lusíadas”, os quatro primeiros versos da 13ª estrofe do V Canto, referem o seguinte:
Ali o mui grande reino está de Congo,
Por nós já convertido à fé de Cristo,
Por onde o Zaire passa, claro e longo,
Rio pelos antigos nunca visto.
Fica estabelecido que, até à data de publicação dessa singular obra épica lusitana, cerca de um século depois de Diogo Cão haver colocado os padrões da sinalética de navegação nas costas dos actuais territórios de Angola e Namíbia, os portugueses ainda não haviam criado Angola, embora os reinos do Congo e de Portugal já houvessem estabelecido relações inter-estados.
Na realidade, Angola foi criada de facto, três anos depois da publicação dos lusíadas, a partir dos domínios territoriais meridionais do Congo, em consequência da Carta de Doação emitida em 1571 pelo Rei D. Sebastião em benefício de Paulo Dias de Novais, em virtude de, dentre outros aspectos que o tornaram elegível, haver sido neto de Bartolomeu Dias, cujo feito consistente à data em haver estado na confluência entre os oceanos atlântico e Índico no extremo meridional de África, a corte queria ver recompensado, outorgando um território ao neto deste e seus descendentes.
No texto da Carta de Doação há menção explícita da expedição comandada por Bartolomeu Dias e não há há alusão do nome de Diogo Cão nem dos actos que lhe são atribuídos de haver mandado colocar os padrões na costa afroatlântica meridional.
Houve também a insolente acrimónia existente na altura entre os missionários da Congregação de Sã Francisco (Franciscanos) e os da Companhia de Jesus (Jesuítas), que não havia permitido estes últimos afirmarem-se e estabelecerem-se em Mbanza Kongo, actualmente Património da Humanidade e na altura capital do Reino/Império do Congo.
Nos termos da Carta de Doação, cuja fotocópia do original e respectiva transcrição, realizada a nosso pedido por um digno paleógrafo da faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, fazem parte da nossa modesta obra, o rei estabelecia o objectivo da fundação da colónia, logo no primeiro parágrafo nos seguintes termos:
“ vendo e considerando eu quanto convém a serviço de nosso senhor e também ao meu, mandar sujeitar e conquistar o Reino de Angola (se referia ao reino do Ndongo) assim para se nele haver celebrar o culto e ofícios divinos e acrescentar a nossa santa fé católica e promulgar o Santo Evangelho como pelo muito proveito que se seguirá a meus reinos e senhorios e aos naturais deles de se o dito reino de Angola sujeitar e conquistar…”
O território objecto de doação estendia-se 35 léguas costeiras à jusante da foz do rio Cuanza e, apenas para exploração de direitos fundiários limitados durante 20 anos, acrescentava-se o que se situava, igualmente na costa, à montante desse ponto até à foz do rio Dande, não havendo sido estabelecidos limites no interior da terra firme.
Em homonomia ao antropónimo Ngola predominante da dinastia que reinava o reino do Ndongo que se perspectivava ser conquistado e convertido ao catolicismo, que era ribeirinho do curso médio e inferior do rio Cuanza, a corte lusa concedeu à capitania o topónimo de Angola, pelo qual o território que foi sendo progressivamente ampliado, menos por via das acções de conquista e mais por via das deliberações da Conferência de Berlim sobre África, passou sob administração portuguesa sucessivamente a ser designado Capitania, colónia, província, Estado de Angola e, desde 11 de Novembro de 1975, por República de Angola.
Nas discussões prévias à sua criação e realizadas na corte, fora abordada, sem haver obtido consenso na sua adopção entre os eruditos da Mesa da Consciência obediente aos Jesuítas, a concessão ao território do topónimo “Sebaste”, não em homenagem do nome homónimo del Rei em funções e outorgante, mas em homenagem ao soldado de Roma e de Cristo, convertido em mártir da Igreja Católica e posteriormente beatificado com o nome de São Sebastião, que deveria ser, sem também ser consumada, a designação da primeira igreja que o beneficiário da doação era obrigado a edificar no território. Com esta pequena curiosidade quisemos demonstrar que o território esteve na iminência de ser designado capitania de Sebaste, o que, pela lógica anteriormente mencionada, poderia ter dado a designação final anedótica de República do Sebaste.
Constata-se que, à data da emissão da doação monárquica em benefício da Paulo Dias de Novais, não havia nenhuma autoridade portuguesa abaixo do Golfo da Guiné e o ponto mais meridional do atlântico onde ela existia era no arquipélago de São Tomé, onde os navegadores lusos João Santareno e Pero Escobar haviam chegado em 1470 e em 1531, a comunidade lusa ali sedentária já havia edificado uma povoação. Conclui-se que D. sebastião tinha doado um território onde não existia o mínimo da sua autoridade, porque os factores globalizantes assim o permitiam, embora muitos súbditos seus, alguns hominizados, estivessem integrados e aceites como concidadãos nas comunidades nativas.

A Batalha de Ambuíla

Declarações dadas à RDP África a 22 de Outubro de 2021, no Museu Nacional de Arte Antiga

Ambuíla é um município da província do Uige e da região setentrional de Angola que, as autoridades da administração colonial convencionaram, a seu tempo, designar por Congo Português, em antinomia aos territórios do antigo reino ou império Congo atribuídos à França e à Bélgica. Antes da Independência do País e durante muito tempo, o município era designado de Nova Caipemba.
Nesse município de orografia dominada por paisagens de elevadas montanhas e extensas e amplas planícies cortadas e integradas no ciclo hídrico do rio Loge existem muitas grutas, que constituem amplos auditórios naturais incrustados em montanhas rochosas, capazes de abrigar muitas centenas de pessoas e uma delas, a gruta do Nzenzo, é classificada pela organização internacional National 7 wonders, como uma das sete maravilhas turísticas de Angola.
Julgamos interessante revelar agora e porque nunca foi referido antes, o facto de ter sido na gruta dos arredores da aldeia do Inga daquele município onde, nos dias 10 a 12 de Março de 1961 se reuniram muitas centenas de homens provenientes de várias províncias de Angola, com o fito de serem instruídos para assumirem as chefias da insurreição generalizada que eclodiu no dia 15 daqueles mês e ano, e que a historiografia portuguesa fez constar, pela sua elevada magnitude, como tendo sido o início do conflito do ultramar português, e embora essa tivesse sido já antecedida por duas sublevações dos nativos de Angola nos dois meses anteriores.
Porém, quase exactamente três séculos antes, no dia 29 de outubro de 1665, uma das planícies da várzea do rio Loge nos arredores da aldeia de Nzondo do mesmo município, constituiu o campo da batalha, que opôs mais de uma centena de milhar de efectivos militares comandados pessoalmente pelo rei do Congo em funções nessa altura, D. António I (Muana Malaza) e a força na ordem de dezenas de milhares de efectivos, maioritariamente indígenas compelidos e minoritariamente europeus, em serviço das autoridades coloniais e comandados por Luis Lopes Sequeira.
O casus belli fora o abundante cobre do subsolo do planalto do Congo que, as autoridades instaladas em Luanda, sede da minúscula colónia de Angola, necessitavam extrair e exportar para Lisboa, em virtude de nessa altura Portugal haver necessitado desse minério, para suprir as necessidades de 28 anos de guerra, que eclodira após a extinção do domínio de Castela a que estava submetido e a restauração da sua independência em 1640.
Enquanto preparavam a Batalha, os círculos emproados com belicismo em Luanda, haviam em vão sido dissuadidos pelo Rei D. Afonso VI para que não declarassem e realizassem a guerra, na base do fundamento e da advertência formais e explícitas, segundo os quais o Congo não era um reino vassalo de Portugal e ambos os soberanos eram católicos e irmanados.
Esse facto histórico, consoante nosso humilde entendimento, desagrava sobremaneira Portugal das responsabilidades históricas inerentes às graves consequências que o desfecho da Batalha de Ambuíla suscitou em África.
Perante a superioridade tecnológica e de poder de fogo das forças invasoras idas de Luanda, a batalha saldou-se em derrota, decapitação do rei e genocídio das forças defensoras do Congo; contudo, enquanto as autoridades em Luanda se ufanavam da victória, a corte em Lisboa ficava aturdida e muito pesarosa, pois esse acontecimento impunha um comprometimento definitivo sobre a relação existente nessa altura há quase dois séculos entre os dois reinos, pelo que ordenou a realização de solenes cerimónias fúnebres e piedosas missas de sufrágio da alma de D. António I em Luanda, onde a cabeça do finado rei católico foi sepultada em meio de pompas militares, de Estado e religiosas, em Dezembro de 1665, na Ermida da Nazaré.
A coroa de prata do Rei católico do Congo D. António I (Muana Malaza), que fora enviada ao Congo, como sinal de reconhecimento pontifício, pelo Papa Inocência X, foi transportada como troféu de guerra para a corte nesta cidade em janeiro de 1666, pelo sobrinho do obstinado governador geral em funções, André Vidal de Negreiros.
Ela é uma relevantíssima relíquia, da qual existem imagens e rigorosas descrições da sua natureza que, conviria localizar e cuja exequibilidade da sua devolução a Angola, os dois governos das nossas Nações poderiam incluir no âmbito do seu permanente e excelente relacionamento, para celebrar e exaltar a amizade dos dois povos, expiar a memória dos insubordinados que desobedeceram o rei D. Afonso VI, redimir a História ou a memória dos portugueses e nativos que, se irmanaram antes do triunfo dos ideais que os separaram e galvanizar o rumo comum entrosado, a seguir por Angolanos e Portugueses, agora e no porvir, especialmente quando recentemente foi subscrito em Luanda o acordo geral e multilateral, que visa promover maior mobilidade dos cidadãos membros dos países que compõem a comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
A Batalha de Ambuíla não promoveu a conquista do Congo, contudo a fragilização deste reino foi tão determinante para prossecução do empreendimento de colonização de Angola na parte sul, que a sua designação e o nome do comandante das forças portuguesas vencedoras, sempre constaram da toponímia da capital de Angola.
O desfecho desse bastante lúgubre conflito fez desmoronar a autoridade em grande parte da África Central e Austral, converteu subsequentemente essa parte do planeta numa espécie de res nullius, deixou uma parte da humanidade desamparada de um Poder Central indutor do desenvolvimento, fez resvalar para uma agonia protraída os padrões de vida dos povos que estiveram entre as pioneiras na construção da amizade entre portugueses e nativos, cristianização e instrução do continente, determinou, um pouco mais de dois séculos depois, o assalto à região da maioria das Nações reunidas na Conferência de Berlim sobre África (em rigor deveria chamar-se, Conferência de Berlim sobre o Congo) e ainda determina o subdesenvolvimento e o caos que grassa nos tempos hodiernos na África Central e Austral.

Epílogo

A aspiração dos povos à fruírem do direito de ajuizarem ao que mais convém à sua realidade e ao seu porvir é irrenunciável e sempre foi motivo bastante para merecer todos os sacrifícios.
Nenhum Povo pode ser permanentemente coagido a pertencer a um conjunto no qual está cronicamente material e imaterialmente prejudicado, quando melhor pode viver dele dissociado.
Justamente por isso, o hospitaleiro Povo Português, mundialmente conhecido, reconhecido e celebrado como heróis do mar, nobre povo, Nação valente e imortal, resgatou esse direito de Castela, com cujo povo partilha muitas intercessões genotípicas, fenotípicas e históricas, no dia 01 de dezembro de 1640, restaurando a sua Independência e lutando por ela no conflito injustamente imposto aos Portugueses nos 28 anos subsequentes.
Esses valores da humanidade estiveram igualmente subjacentes no espírito dos dignatários e defensores do Congo na Batalha de Ambuíla, provavelmente também o estivesse no espírito dos reis portugueses D. João II, D. Manuel I e D. João III, que inauguraram e promoveram relações virtuosas com os seus contemporâneos do Congo.
E foi o mesmo sentimento que impeliu a participação das centenas de homens na reunião conspirativa realizada na gruta dos arredores da aldeia do Inga do município de Ambuíla em Março de 1961, embora tenha havido a deplorar muitas das acções das partes em conflito que o consubstanciaram e a que o 25 de Abril, com o sentido de inadiável pertinência dos capitães que o protagonizaram em Portugal, puseram fim, porquanto já era mais do que extemporâneo para Portugal, uma Nação com nove séculos de História, prosseguir essa quimérica realidade e como melhor o denunciou o poeta Manuel Alegre, na quinta As singelas reflexões que acabamos de apresentar a Vossas excelências, pretendemos que sejam entendidas como uma advocacia da necessidade de cuidarmos como activos, os muitos valores virtuosos legados pela longa e coagida jornada comum no passado, pletóricos também de momentos colisivos, resultantes talvez menos dos defeitos dos homens e mais dos tempos, pugnando em esculpir o presente e o futuro lembrados mas não condicionados pelo passado, em plena comunhão de pensamento e actuação com as indicações dos nossos virtuosos líderes, e sempre recordados que, por se manifestar invariavelmente no presente e no futuro, a História é uma grande parábola.essência da sua criação poética com o título Nambuangongo, meu amor:

Em Nambuangongo tu não viste nada
Não viste nada nesse dia longo longo
A cabeça cortada
E a flor bombardeada
Não tu não viste nada em Nambuangongo

Falavas de Hiroxima tu que não viste
Em cada homem um morto que não morre
Sim nós sabemos Hiroxima é triste
Mas ouve em Nambuangongo existe
Em cada homem um rio que não corre

Em Nambuangongo o tempo cabe num minuto
Em Nambuangongo a gente lembra a gente esquece
Em Nambuangongo olhei a morte e fique nu. Tu
Não sabes mas eu digo-te: dói muito
Em Nambuangongo há gente que apodrece

Em Nambuangongo a gente pensa que não volta
Cada carta é um adeus em cada carta se morre
Cada carta é um silêncio e uma revolta
Em Lisboa na mesma isto é a vida corre
E em Nambuangongo a gente pensa que não volta

É justo que me fales de Hiroxima
Porém tu nada sabes deste tempo longo longo
Tempo exactamente em cima
Do nosso tempo. Ai tempo onde a palavra vida rima
Com a palavra morte em Nambuangongo.

As singelas reflexões que acabamos de apresentar a Vossas excelências, pretendemos que sejam entendidas como uma advocacia da necessidade de cuidarmos como activos, os muitos valores virtuosos legados pela longa e coagida jornada comum no passado, pletóricos também de momentos colisivos, resultantes talvez menos dos defeitos dos homens e mais dos tempos, pugnando em esculpir o presente e o futuro lembrados mas não condicionados pelo passado, em plena comunhão de pensamento e actuação com as indicações dos nossos virtuosos líderes, e sempre recordados que, por se manifestar invariavelmente no presente e no futuro, a História é uma grande parábola.

© Intervenção do Prof. Doutor Carlos mariano Manuel, no Museu Nacional de Arte Antiga, de Lisboa, a 22 de Outubro de 2021

Boba Kana Muthu Wzela: Aqui é Proibido Falar!

Boba Kana Muthu Wzela: Aqui é Proibido Falar!

Exposição temporária no Museu Nacional de Arte Antiga | Local da exposição: Sala dos Passos Perdidos (piso 0)

De 22 de outubro de 2021 a 9 de janeiro de 2022, a Sala dos Passos Perdidos do Museu Nacional de Arte Antiga recebe a exposição Boba Kana Muthu Wzela: Aqui É Proibido Falar! do artista JRicardo Rodrigues.
Numa reflexão sobre uma memória esquecida ou apagada da cultura portuguesa, a exposição parte do antigo bairro quinhentista do Mocambo (atual Madragoa), nas imediações do qual o MNAA veio a instalar-se no século XIX, para um exercício de imaginação que propõe um outro olhar sobre a presença e heranças africanas em Portugal. Reunindo onze obras das diferentes séries do projeto artístico Revelar a Memória a partir do Esquecimento, que JRicardo Rodrigues iniciou em 2010 como ensaio visual sobre o século XVIII português, a exposição dialoga também com a tradição artística europeia presente nas salas do MNAA. Em encenações fotográficas de grande formato, reconfigura-se a memória a partir da ausência, cruzando o passado com a contemporaneidade e questionando continuidades e contrastes.

O bairro do Mocambo e as línguas de Angola


Situado já fora da cerca fernandina, o bairro do Mocambo foi o local onde se instalou uma parte significativa da população africana da Lisboa quinhentista, embora hoje pouco reste dessa memória, desconhecida para grande parte dos lisboetas. A própria toponímia do Bairro, renomeado Madragoa no século XIX, já não apresenta vestígios dessa presença africana, que se foi tornando cada vez mais minoritária com as transformações da cidade e a maior fixação de outras populações. Lugar de diferentes culturas e personagens, a memória do desaparecido Mocambo é chamada a esta exposição por meio de uma série de retratos imaginados (como no caso de Henrique Dias), mas também pela evocação das línguas de Angola, que nele se expressavam com maior liberdade: o umbundu, língua de origem do nome do bairro, e o kimbundu, usado no título da exposição.

O diálogo com a coleção do MNAA e um Marquês com raízes africanas


Dialogando com a coleção do MNAA, as obras em exposição inspiram-se nos modelos da pintura europeia dos séculos XVII e XVIII, que o artista reclama como referências. É o caso de Liberdade, que na sua encenação cita abertamente Eugène Delacroix. Mas essa proximidade visual é rapidamente contrariada ou subvertida: não apenas pela modernidade da técnica fotográfica mas, sobretudo, pelas figuras que JRicardo Rodrigues escolhe como sujeitos de representação. Aqui, figuras africanas ou de pele negra não estão reduzidas a um anonimato ou a um papel subalternizado nem caricaturadas como ornamento decorativo, como se observa nas poucas obras da coleção do MNAA onde surgem representadas. Ainda que imaginadas ou com carácter alegórico, as personagens criadas pelo artista têm uma individualidade e uma humanidade, por vezes até uma biografia. É o caso do Marquês de Pombal (em Sebastião José de Carvalho e Melo, primeiro conde de Oeiras, Marquês de Pombal, estadista e quinto neto da rainha Ginga), cuja ascendência africana, sugerida num soneto satírico que circulava no final do século XVIII, foi o mote para um retrato que inaugurou o projeto maior do artista, e que nesta exposição ocupa um lugar de destaque.

Sobre JRicardo Rodrigues


JRicardo Rodrigues (Angola, n. 1964) nasceu ao largo da Ilha de Santa Helena, numa língua de terra que penetra no mar há muito conhecida por Catumbela das Ostras, ou “olu pitu”, o passadiço das caravanas de Benguela.
Hoje a viver e a trabalhar no centro histórico de Lisboa, procura descobrir pela imagem os segredos da cidade e a Alma dos seus protagonistas. Os projectos apresentados fundem a fotografia no desenho e na pintura apresentando uma abordagem radical, sempre na busca do Surrealismo, o “último instante de inteligência europeia”, conforme referiu Walter Benjamin. São obras de intenção artística, exclusiva do autor.
Fontes de inspiração: Hieronymus Bosch, Durer, Jean-Léon Gérôme, Mark Rothko, Man Ray, Fernando Lemos, Claude Verlinde, Gregory Crewdson, Ernest Pignon-Ernest, Felini e muitos outros.

Catálogo da Exposição

PROGRAMAÇÃO PARALELA


Conferência
No dia 22 de outubro, pelas 17h, terá lugar no Auditório do MNAA a palestra “A criação da colónia de Angola e a Batalha de Ambuíla”, pelo Prof. Carlos Mariano Manuel, autor da obra Angola: Desde antes da sua Criação pelos Portugueses até ao Êxodo destes por nossa Criação (que terá lançamento oficial no Padrão dos Descobrimentos no dia 29 de outubro).
Entrada livre limitada à capacidade da sala de acordo com as normas da DGS.

Espetáculo teatral
Sessões:
Quinta-feira, 11 novembro 2021, 19h00
Sábado, 13 novembro 2021, 21h00


Antígona’19
Esta é uma Antígona inserida no século XXI, em plena pandemia, que vê os cidadãos sofrerem a injustiça exercida por um poder agressivo, ao serem enterrados numa vala, sem cerimónias fúnebres.
Antígona sofre e sonha com um país onde o Humanismo pode manifestar-se em todo o seu esplendor, enquanto enfrenta a ira e a ironia de quem se impõe através  de um poder avassalador e injusto.
Mesmo morrendo, Antígona marca a diferença pelas suas ações e pelos seus manifestos, pelos sonhos e pela vontade crescente de uma mudança que começa a nascer nas pontas dos seus dedos.
Um espetáculo com encenação de Lina Paula e interpretação de Thiago Justino. Integrado no programa paralelo da exposição temporária: Boba Kana Muthu Wzela: Aqui é Proibido Falar!
Auditório
Entrada paga limitada à capacidade da sala de acordo com as normas da DGS.

Visitas
Na programação, destacam-se as visitas para escolas do 3º ciclo e Secundário e professores (sujeitas a marcação: se@mnaa.dgpc.pt), e visitas/encontros com o artista destinadas ao público geral (a anunciar brevemente).

Catálogo
A exposição será acompanhada por um catálogo, onde se reproduzem as obras expostas e outras obras de Revelar a Memória a partir do Esquecimento, contextualizando a sua produção.
O catálogo estará disponível para venda ao público.

Sobre o Museu Nacional de Arte Antiga


Criado em 1884, o MNAA – Museu Nacional de Arte Antiga alberga a mais relevante coleção pública do país: pintura, escultura, artes decorativas – portuguesas, europeias e da Expansão –, desde a Idade Média até ao século XIX, incluindo o maior número de obras classificadas como «tesouros nacionais», assim como a maior coleção de mobiliário português. São também de grande relevância no acervo, nos diversos domínios, algumas obras de referência do património artístico mundial, não só na pintura, mas também no âmbito das suas coleções de ourivesaria, cerâmica, têxteis, vidros e ainda desenhos e gravuras.
Em exposição permanente, destaca-se a sala dedicada à história dos presépios portugueses, articulada com a Capela das Albertas, joia do Barroco nacional, que é composta por mais de duas dezenas de obras, incluindo presépios completos e esculturas avulsas, na qual se podem encontrar desde os mais antigos fragmentos de figuras em barro até aos grandiosos conjuntos conventuais e palacianos, da autoria dos mais reputados escultores, desde o século XVI ao século XIX.
No acervo do MNAA, destacam-se os Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves, obra-prima da pintura europeia do século XV, a Custódia de Belém, de Gil Vicente, mandada lavrar por D. Manuel I e datada de 1506, os Biombos Namban, do final do século XVI, registando a presença dos portugueses no Japão, Tentações de Santo Antão, de Bosch, exemplo máximo da pintura flamenga do início do século XVI, São Jerónimo, de Dürer, inovadora representação do Santo, e importantes obras de Memling, Rafael, Cranach ou Piero della Francesca. Destaque ainda para a Custódia da Bemposta, uma das mais ricas peças da ourivesaria barroca portuguesa, a escultura de Santa Ana Ensinando a Virgem a Ler, da autoria de Joaquim Machado de Castro, o mais importante escultor do período barroco português, ou a Baixela Germain, um impressionante serviço de mesa do século XVIII encomendado por D. José I à famosa oficina parisiense de Thomas Germain, o ourives de Luís XV.

Exposição: BOBA KANA MUTHU WZELA | Aqui é proibido falar!

Exposição: BOBA KANA MUTHU WZELA | Aqui é proibido falar!

De 22 de outubro de 2021 a 9 de janeiro de 2022, a Sala dos Passos Perdidos do Museu Nacional de Arte Antiga recebe a exposição Boba Kana Muthu Wzela: Aqui É Proibido Falar! do artista JRicardo Rodrigues.
Numa reflexão sobre uma memória esquecida ou apagada da cultura portuguesa, a exposição parte do antigo bairro quinhentista do Mocambo (atual Madragoa), nas imediações do qual o MNAA veio a instalar-se no século XIX, para um exercício de imaginação que propõe um outro olhar sobre a presença e heranças africanas em Portugal. Reunindo onze obras das diferentes séries do projeto artístico Revelar a Memória a partir do Esquecimento, que JRicardo Rodrigues iniciou em 2010 como ensaio visual sobre o século XVIII português, a exposição dialoga também com a tradição artística europeia presente nas salas do MNAA. Em encenações fotográficas de grande formato, reconfigura-se a memória a partir da ausência, cruzando o passado com a contemporaneidade e questionando continuidades e contrastes.

O bairro do Mocambo e as línguas de Angola
Situado já fora da cerca fernandina, o bairro do Mocambo foi o local onde se instalou uma parte significativa da população africana da Lisboa quinhentista, embora hoje pouco reste dessa memória, desconhecida para grande parte dos lisboetas. A própria toponímia do Bairro, renomeado Madragoa no século XIX, já não apresenta vestígios dessa presença africana, que se foi tornando cada vez mais minoritária com as transformações da cidade e a maior fixação de outras populações. Lugar de diferentes culturas e personagens, a memória do desaparecido Mocambo é chamada a esta exposição por meio de uma série de retratos imaginados (como no caso de Henrique Dias), mas também pela evocação das línguas de Angola, que nele se expressavam com maior liberdade: o umbundu, língua de origem do nome do bairro, e o kimbundu, usado no título da exposição.

O diálogo com a coleção do MNAA e um Marquês com raízes africanas
Dialogando com a coleção do MNAA, as obras em exposição inspiram-se nos modelos da pintura europeia dos séculos XVII e XVIII, que o artista reclama como referências. É o caso de Liberdade, que na sua encenação cita abertamente Eugène Delacroix. Mas essa proximidade visual é rapidamente contrariada ou subvertida: não apenas pela modernidade da técnica fotográfica mas, sobretudo, pelas figuras que JRicardo Rodrigues escolhe como sujeitos de representação. Aqui, figuras africanas ou de pele negra não estão reduzidas a um anonimato ou a um papel subalternizado nem caricaturadas como ornamento decorativo, como se observa nas poucas obras da coleção do MNAA onde surgem representadas. Ainda que imaginadas ou com carácter alegórico, as personagens criadas pelo artista têm uma individualidade e uma humanidade, por vezes até uma biografia. É o caso do Marquês de Pombal (em Sebastião José de Carvalho e Melo, primeiro conde de Oeiras, Marquês de Pombal, estadista e quinto neto da rainha Ginga), cuja ascendência africana, sugerida num soneto satírico que circulava no final do século XVIII, foi o mote para um retrato que inaugurou o projeto maior do artista, e que nesta exposição ocupa um lugar de destaque.

Palestra: A criação da Colónia de Angola e a batalha de Ambuíla

Palestra: A criação da Colónia de Angola e a batalha de Ambuíla

Palestra: A criação da Colónia de Angola e a batalha de Ambuíla

No dia 22 de Outubro de 2021, às 17h00 (atenção este evento foi antecipado para as 17h00), o Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel (Professor Catedrático de Patologia, Investigador de História e Autor), irá realizar uma palestra sobre “A criação da Colónia de Angola e a batalha de Ambuíla“, integrada na apresentação pública da obra de carácter científico “Angola desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação” (ed. 2021), no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

Esta obra será apresentada pelo Prof. Doutor Marcolino Moco, Dr. Onofre dos Santos e Dr. Cornélio Caley.

Informações: 214.001.788 | info@autores.club

Devido à limitação de lugares, agradecemos confirmação de presença.