Semba recebe parecer favorável à inscrição no Património Cultural Imaterial da Humanidade

Semba recebe parecer favorável à inscrição no Património Cultural Imaterial da Humanidade

O Órgão de Avaliação da UNESCO recomendou a inscrição do semba na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade. No parecer publicado a 4 de Novembro, elogia Angola pelos vídeos da candidatura, que dão voz a quem canta, toca e dança o semba e mostram o lugar que ocupa na vida das comunidades

O projecto de decisão considera que a candidatura angolana, apresentada sob o título «Semba: música e dança em Angola», reúne os cinco critérios de inscrição. A decisão final cabe ao Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, que se reunirá de 30 de Novembro a 5 de Dezembro, em Xiamen, na China.

Nas famílias e nos bairros, as crianças aprendem os passos de dança e os ritmos da percussão ao lado dos adultos. Algumas prosseguem essa aprendizagem em grupos, com artistas mais experientes. O parecer destaca a capacidade do semba para aproximar comunidades de diferentes regiões de Angola. Presente tanto em casamentos como em funerais, o semba contribui também para manter vivas as línguas angolanas, em particular o kimbundu, que ocupa um lugar de destaque nas letras das canções.

O elogio aos vídeos reconhece o papel dos próprios praticantes em contar esta história. Compositores, cantores, músicos, bailarinos e construtores de instrumentos participaram na preparação da candidatura, do trabalho de campo e das entrevistas à produção dos materiais audiovisuais. Entre os documentos apresentados à UNESCO figuram o filme Semba: música e dança em Angola e testemunhos filmados das comunidades.

O parecer identifica, contudo, uma preocupação de quem procura assegurar o futuro do semba. A participação dos mais jovens tem diminuído e, com ela, as oportunidades de transmitir repertórios, técnicas e saberes de uma geração à seguinte. Entre as respostas que as comunidades ajudaram a definir contam-se a formação de novos construtores de instrumentos, a documentação das práticas musicais e a criação da Galeria do Semba.

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