José Bento Duarte leva a Galveias uma História de Angola que ultrapassa fronteiras

José Bento Duarte leva a Galveias uma História de Angola que ultrapassa fronteiras

As suas aparições públicas são raras, mas as intervenções surpreendem pela riqueza dos episódios e pelas perguntas que deixam no ar. No dia 10 de Novembro, às 18h30, José Bento Duarte participa no encontro «História de Angola: o que falta descobrir?», na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa. Uma oportunidade para conhecer o autor, revisitar os seus livros e, possivelmente, descobrir pistas da nova investigação que o leva a procurar a História de Angola para lá das actuais fronteiras

Promovido pela Perfil Criativo | AUTORES.club, o encontro reúne José Bento Duarte, Xavier de Figueiredo, Carlos Mariano Manuel e Rui Verde, na véspera do Dia da Independência de Angola. Quatro percursos diferentes para uma conversa sobre acontecimentos pouco conhecidos, protagonistas esquecidos e documentos capazes de ampliar o conhecimento sobre o nosso passado.

José Bento Duarte participa pouco em actividades públicas. Essa discrição torna especialmente significativa a oportunidade de o ouvir. Nas suas intervenções, os resultados da investigação ganham a forma de histórias concretas, com pessoas, lugares e escolhas que ajudam a compreender processos históricos mais vastos.

Natural de Moçâmedes, no Namibe, José Bento Duarte pertence a uma família com raízes antigas no Sul de Angola, onde nasceram a sua mãe, a sua avó e a sua bisavó. Licenciou-se em Economia pela Universidade do Porto e exerceu funções docentes em Luanda, antes e depois da independência. Foi, posteriormente, quadro superior de uma empresa pública portuguesa. A investigação e a escrita histórica tornaram-se uma parte central do seu percurso.

Um professor na construção do país independente

Em 1975, Bento Duarte apresentou-se como angolano junto das novas autoridades políticas, disponibilizando-se para participar na construção do novo país. Foi colocado como professor na Faculdade de Economia de Luanda, onde teve como aluno o histórico ministro da Administração Interna do primeiro governo da República Popular de Angola, Nito Alves.

O episódio aproxima ainda mais a experiência pessoal do autor de um conturbado período mas decisivo da História de Angola. Ao percurso do investigador junta-se, assim, o de alguém que participou na vida universitária do país durante a transição para a independência.

Três livros para atravessar épocas e geografias

A obra histórica de José Bento Duarte inclui três títulos publicados pela Perfil Criativo | AUTORES.club, que permitem acompanhar diferentes etapas das relações entre Portugal e as nações africanas.

Peregrinos da Eternidade
Peregrinos da Eternidade

Em Peregrinos da Eternidade — Crónicas Ibéricas Medievais, com o subtítulo Como nasceu a dinastia que lançou Portugal no Mundo, o autor recua à Península Ibérica do século XIV. A partir do episódio de Inês de Castro, percorre as décadas que antecederam Aljubarrota e a afirmação da dinastia de Avis. A investigação das fontes cronísticas sustenta uma narrativa sobre os conflitos, as ambições e as transformações que antecederam a expansão portuguesa. 

Senhores do Sol e do Vento
Senhores do Sol e do Vento

Em Senhores do Sol e do Vento — Histórias Verídicas de Portugueses, Angolanos e Outros Africanos, Bento Duarte percorre acontecimentos entre 1482 e 1917, de Diogo Cão a Mandume ya Ndemufayo. Ao longo desse arco temporal, apresenta figuras portuguesas e africanas, encontros, conflitos e formas de resistência, aproximando o leitor da diversidade de povos e poderes que marcaram a História de Angola.

A primeira Travessia da África Austral
A primeira Travessia da África Austral

A Primeira Travessia da África Austral acompanha um percurso histórico que culmina na viagem de Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, dois pombeiros angolanos que, no início do século XIX, ligaram Angola a Moçambique. O livro recupera os caminhos, as dificuldades e os contactos entre sociedades africanas que tornaram possível essa travessia, devolvendo visibilidade a heróis cujo feito permanece insuficientemente reconhecido.

O autor colaborou também nas obras colectivas Mandume, os Portugueses e a Definição do Sul de Angola, Missões no Planalto Central de Angola e Namibe — Das Origens à Independência, com contributos sobre a história luso-angolana.

O que poderão revelar as novas investigações históricas?

O encontro de Lisboa poderá trazer pistas sobre uma ainda não revelada investigação de José Bento Duarte, orientada para acontecimentos da História ocorridos longe das suas actuais fronteiras de Angola. Essa possibilidade abre uma pergunta particularmente estimulante para a conversa na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa. Até onde é necessário viajar, nos arquivos e na geografia, para compreender o passado angolano?

Na véspera de 11 de Novembro, os quatro autores convidados vão cruzar metodologias e perspectivas, procurando relacionar os séculos anteriores à independência com a construção do país contemporâneo. O público terá uma oportunidade de acompanhar esse trabalho de descoberta e de conhecer os livros que dele resultam.

Durante a sessão, estará em exposição e à venda uma selecção alargada de títulos ligados à História de Angola, com descontos até 20% nos livros recentes e até 50% nos restantes títulos.

História de Angola: o que falta descobrir?
10 de Novembro de 2026 · 18h30
Biblioteca Palácio Galveias · Lisboa
Com José Bento Duarte, Xavier de Figueiredo, Carlos Mariano Manuel e Rui Verde
Uma iniciativa da Perfil Criativo | AUTORES.club

Apoio: Câmara Municipal de Lisboa | Bibliotecas de Lisboa

Transmissão em directo: VHMendes – Canal

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