Archives em Maio 13, 2026

Obra maior de Mafrano chega à Huíla e reafirma a dignidade da civilização Bantu

Obra maior de Mafrano chega à Huíla e reafirma a dignidade da civilização Bantu

O terceiro volume da colectânea Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias, do escritor, investigador e pensador angolano Maurício Francisco Caetano “Mafrano”, chegou à província da Huíla, reforçando a circulação nacional de uma das mais importantes obras publicadas sobre a cultura, a memória e a civilização Bantu.

A informação foi divulgada pela ANGOP — Agência Angola Press, que assinalou a chegada à Huíla do terceiro volume desta colectânea póstuma, publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club. A obra encerra um projecto editorial de grande fôlego dedicado ao pensamento de Mafrano, figura central da investigação cultural angolana e distinguida com o Prémio Nacional da Cultura e Artes 2024, na modalidade de Investigação em Ciências Humanas e Sociais

O terceiro volume, com cerca de 328 páginas, reúne textos organizados em torno da civilização Bantu, da religiosidade, das questões sociais e de episódios vividos pelo autor, incluindo reflexões que atravessam a história, a antropologia cultural, a ética, a justiça tradicional e a dignidade humana. 

Importa, contudo, fazer uma rectificação relevante: não se trata de uma obra de apenas 327 ou 328 páginas no seu conjunto. Esse número corresponde apenas ao terceiro volume. A colectânea completa Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias, publicada em três volumes, soma oitocentas páginas, constituindo um verdadeiro monumento editorial à memória cultural angolana.

A chegada da obra à Huíla tem especial significado simbólico. O Lubango e a região sul de Angola são espaços fundamentais da história cultural, religiosa e intelectual do país, e a presença desta colectânea nesse território reforça a necessidade de aproximar os leitores angolanos de obras que ajudam a compreender as raízes profundas da sociedade angolana.

Publicada postumamente, a colectânea recupera estudos, crónicas, notas autobiográficas e reflexões que Mafrano escreveu ao longo de décadas, muitas vezes sob pseudónimos como AnatecoVirafroAliquis ou Morais Paixão, estratégia que lhe permitiu intervir no debate público em tempos de censura e vigilância colonial. 

Notícia da ANGOP

Mais do que uma obra de antropologia cultural, Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias é uma afirmação de pensamento africano, uma defesa da dignidade dos povos Bantu e um contributo indispensável para o estudo da identidade angolana. A sua chegada à Huíla confirma que o legado de Mafrano continua vivo, a circular, a interpelar leitores e a abrir caminhos para uma leitura mais profunda da história de Angola.

Mafrano em Malanje