Obra maior de Mafrano chega à Huíla e reafirma a dignidade da civilização Bantu

O terceiro volume da colectânea “Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias”, do escritor, investigador e pensador angolano Maurício Francisco Caetano “Mafrano”, chegou à província da Huíla, reforçando a circulação nacional de uma das mais importantes obras publicadas sobre a cultura, a memória e a civilização Bantu.
A informação foi divulgada pela ANGOP — Agência Angola Press, que assinalou a chegada à Huíla do terceiro volume desta colectânea póstuma, publicada pela Perfil Criativo | AUTORES.club. A obra encerra um projecto editorial de grande fôlego dedicado ao pensamento de Mafrano, figura central da investigação cultural angolana e distinguida com o Prémio Nacional da Cultura e Artes 2024, na modalidade de Investigação em Ciências Humanas e Sociais.
O terceiro volume, com cerca de 328 páginas, reúne textos organizados em torno da civilização Bantu, da religiosidade, das questões sociais e de episódios vividos pelo autor, incluindo reflexões que atravessam a história, a antropologia cultural, a ética, a justiça tradicional e a dignidade humana.
Importa, contudo, fazer uma rectificação relevante: não se trata de uma obra de apenas 327 ou 328 páginas no seu conjunto. Esse número corresponde apenas ao terceiro volume. A colectânea completa “Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias”, publicada em três volumes, soma oitocentas páginas, constituindo um verdadeiro monumento editorial à memória cultural angolana.
A chegada da obra à Huíla tem especial significado simbólico. O Lubango e a região sul de Angola são espaços fundamentais da história cultural, religiosa e intelectual do país, e a presença desta colectânea nesse território reforça a necessidade de aproximar os leitores angolanos de obras que ajudam a compreender as raízes profundas da sociedade angolana.




Publicada postumamente, a colectânea recupera estudos, crónicas, notas autobiográficas e reflexões que Mafrano escreveu ao longo de décadas, muitas vezes sob pseudónimos como Anateco, Virafro, Aliquis ou Morais Paixão, estratégia que lhe permitiu intervir no debate público em tempos de censura e vigilância colonial.

Mais do que uma obra de antropologia cultural, “Os Bantu na Visão de Mafrano — Quase Memórias” é uma afirmação de pensamento africano, uma defesa da dignidade dos povos Bantu e um contributo indispensável para o estudo da identidade angolana. A sua chegada à Huíla confirma que o legado de Mafrano continua vivo, a circular, a interpelar leitores e a abrir caminhos para uma leitura mais profunda da história de Angola.
