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Escrever para não desaparecer: “Ecos da Liberdade” apresentado em Lisboa

Escrever para não desaparecer: “Ecos da Liberdade” apresentado em Lisboa

O livro Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, será apresentado na próxima sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, às 18h00, na sala polivalente da Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa. A sessão será marcada por um encontro com sobreviventes do 27 de Maio de 1977 em Angola, num momento de partilha, memória e reflexão histórica.

Publicada no final de 2025, a obra é um testemunho direto e profundamente humano sobre a repressão política que se seguiu aos acontecimentos de 27 de Maio de 1977. Joaquim Sequeira, preso político e sobrevivente desse período, reconstrói a experiência do cárcere, da violência institucional e do silêncio imposto, sem abdicar de uma escrita literária marcada pela poesia e pela dignidade.

Ao longo de sete capítulos intensos, Ecos da Liberdade conduz o leitor desde a prisão física até à resistência interior, mostrando como, mesmo nas condições mais desumanas, a palavra, a memória e a solidariedade se tornam formas de sobrevivência. A obra aborda episódios marcantes como a vida na Casa de Reclusão, a chamada “Noite das Facas Longas” e o impacto duradouro da repressão na identidade individual e coletiva.

“A liberdade não é apenas a ausência de grilhões; é a presença do que é possível. Ela conquista-se a cada acto de resistência, a cada momento em que o ser humano recusa ser silenciado.”

Mais do que um relato pessoal, o livro afirma-se como um manifesto contra o esquecimento, num contexto em que a sociedade angolana continua a interrogar-se sobre esse passado traumático. O encontro na Biblioteca Palácio Galveias pretende precisamente abrir espaço ao diálogo entre gerações, dando voz aos sobreviventes e convocando o público para uma escuta ativa da história recente de Angola.

A apresentação é aberta ao público e dirige-se a leitores interessados em História Contemporânea de Angola, Direitos Humanos, memória política, bem como a estudantes, investigadores e todos os que acreditam que recordar é também um acto de justiça.

Ecos da Liberdade

Ecos da Liberdade
Ecos da Liberdade

Entre consenso e crítica, os cidadãos reclamaram o seu lugar na história

Entre consenso e crítica, os cidadãos reclamaram o seu lugar na história

O lançamento do livro 50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos, na Biblioteca Palácio Galveias, terminou com um momento de participação ativa do público, que veio confirmar, na prática, uma das ideias centrais defendidas pelos coordenadores da obra: a necessidade de pensar os 50 anos das independências africanas a partir da cidadania e de múltiplos olhares plurais.

Entre as intervenções, registámos a de António Feijó Jr., engenheiro e especialista da indústria petrolífera angolana, que apelou a uma leitura positiva e construtiva do percurso dos países africanos independentes. Reconhecendo que nem tudo foi perfeito ao longo destas cinco décadas, sublinhou, ainda assim, a importância de valorizar o que foi alcançado e de encarar o balanço histórico com espírito crítico, mas também com confiança no futuro.

Já a arquiteta Maria João Teles Grilo reforçou a ideia de que a democracia constrói-se a partir da cidadania e não apenas das estruturas políticas formais. Na sua intervenção, defendeu que a história contemporânea dos países africanos está ainda em construção e que essa história será tanto mais verdadeira quanto mais resultar de contributos plurais, vindos da vida real das pessoas e da sua experiência quotidiana. Para a arquiteta, a riqueza da cidadania é um dos principais recursos para pensar o futuro coletivo.

Num registo mais crítico, o editor Manuel Rodrigues Vaz, da Pangeia, chamou a atenção para a composição do público presente, observando que a sala refletia sobretudo a participação de cidadãos angolanos. Embora reconhecendo o mérito da iniciativa, considerou importante que futuros encontros consigam envolver de forma mais equilibrada cidadãos dos restantes países africanos de língua oficial portuguesa, reforçando a dimensão verdadeiramente plural e transnacional do projeto.

Estas intervenções dialogaram diretamente com as palavras de Eugénio da Costa Almeida, que, na sua apresentação, havia desafiado autores e leitores a não deixarem o livro “morrer numa prateleira”, mas antes a lê-lo, debatê-lo e criticá-lo, transformando-o num instrumento vivo de reflexão cívica. O envolvimento do público no final da sessão confirmou esse apelo, mostrando que o livro já cumpre a sua função essencial: gerar debate, pensamento crítico e participação ativa da sociedade civil.

Organizado pela Perfil Criativo | AUTORES.club, o lançamento encerrou assim com um diálogo aberto entre autores, leitores e convidados, reforçando a ideia de que os próximos capítulos da história das independências africanas continuam a ser escritos, sobretudo, pelos seus cidadãos.

Biblioteca Palácio Galveias
Biblioteca Palácio Galveias