Entre lágrimas e silêncio, a memória falou mais alto

Entre lágrimas e silêncio, a memória falou mais alto

A apresentação do livro Ecos da Liberdade, de Joaquim Sequeira, transformou-se num momento de profunda comoção e reflexão coletiva, com a sala cheia de leitores, sobreviventes e familiares marcados pelos acontecimentos trágicos dos primeiros anos da República Popular de Angola, a tragédia do 27 de Maio de 1977.

Desde as primeiras palavras, ficou claro que não se tratava apenas de um lançamento literário. A sessão assumiu-se como um ato de memória viva. “A vossa presença transforma este encontro num momento de reconhecimento e de dignidade”, foi afirmado na abertura, dirigida especialmente aos sobreviventes dos acontecimentos de 1977, cuja presença conferiu ao evento uma intensidade que ultrapassou o plano cultural.

Foi prestada uma homenagem sentida a Manuel Vidigal, sublinhando o seu percurso de quase cinco décadas na exigência de uma Comissão da Verdade e na afirmação pública de que não existiu qualquer golpe de Estado contra o MPLA ou contra o então Presidente Agostinho Neto. A sua voz foi descrita como “uma voz de resistência democrática e de exigência moral”.

Associação 27 de Maio foi igualmente destacada como um pilar da luta contra a amnésia coletiva, pela preservação da memória das vítimas, pela verdade histórica e pelo direito ao reconhecimento público. A sua intervenção reafirmou que, quase cinquenta anos depois, “continuamos a pugnar pela verdade, pela justiça e pelo fim da impunidade”.

Enquanto editor, João Ricardo Rodrigues, da Perfil Criativo | AUTORES.club, reafirmou o compromisso da edição independente com a publicação de obras sobre os episódios violentos da história angolana, sublinhando que Ecos da Liberdade não nasce do ressentimento, mas da necessidade ética de testemunhar para que a violência não se repita.

A intervenção de José Fuso, autor do prefácio da obra, constituiu um dos momentos mais intensos da sessão. Falando como sobrevivente e como companheiro de percurso do autor, José Fuso destacou a dimensão ética e poética do livro, sublinhando que o testemunho de Joaquim Sequeira transforma a experiência do cárcere e da repressão numa narrativa de resistência e liberdade de pensamento. Afirmou que escrever, e publicar, é um ato político de memória, essencial para impedir o apagamento histórico e para devolver humanidade às vítimas silenciadas.

O testemunho mais cru surgiu também nas palavras do Presidente da Associação 27 de Maio, José Reis, que descreveu com detalhe o sequestro, a tortura, a humilhação e os desaparecimentos forçados ocorridos nas cadeias de São Paulo, na DISA e na Casa de Reclusão. Recordou a chamada “noite das facas longas”, em março de 1978, e afirmou: “Hoje estou a prestar este depoimento para que não fiquem dúvidas quanto ao que vem escrito em Ecos da Liberdade”.

Quando tomou a palavra, Joaquim Sequeira falou não apenas como autor, mas como sobrevivente. Num discurso profundamente literário e humano, evocou a infância, a cidade perdida, os companheiros de prisão e os laços forjados na adversidade. “Este livro é um mapa daquele território sagrado que só nós conhecemos”, afirmou, explicando que Ecos da Liberdade é um gesto coletivo, um “barquinho de papel lançado no rio do nosso passado comum”.

Num dos momentos mais emotivos da sessão, o autor dedicou o livro aos filhos, às netas e aos companheiros de sequestro, afirmando que escreveu para transformar a dor em palavra e a ausência em presença literária. “O corpo pode ser aprisionado, mas o espírito jamais se rendeu”, declarou, resumindo o sentido profundo da obra.

Ao longo da sessão, foi visível a comoção do público. Houve lágrimas contidas, silêncios densos e longos aplausos. Ecos da Liberdade revelou-se não apenas como um testemunho histórico inédito, particularmente sobre a Casa de Reclusão, mas como um ato de resistência contra o apagamento da memória. Um acontecimento extraordinário de reflexão sobre um dos períodos mais trágicos da história contemporânea de Angola, aquele que muitos tentaram, durante décadas, apagar da História.

Gravação do evento por Fernando Kawendimba

"Ecos da Liberdade", de Joaquim Sequeira
Ecos da Liberdade“, de Joaquim Sequeira

”Enquanto houver palavras, haverá sempre liberdade”

”Enquanto houver palavras, haverá sempre liberdade”

Livro: Ecos da Liberdade (Ed. 2025)

Autor: Joaquim Sequeira

Editora: Perfil Criativo | AUTORES.club

“Enquanto houver palavras, haverá sempre liberdade” esta frase, que atravessa as páginas do livro Ecos da Liberdade, resume o espírito de uma obra que é ao mesmo tempo testemunho histórico e manifesto pessoal. Joaquim Sequeira, sobrevivente do 27 de Maio de 1977 em Angola, leva o leitor às entranhas da repressão, relatando, com emoção crua e rigor de memória, os anos de prisão e resistência na temida Casa de Reclusão.

Escrito com a força de quem viveu para contar, o livro transporta-nos para o interior das celas, onde o silêncio podia gritar mais alto do que qualquer tortura, e onde a esperança se alimentava de pequenos gestos: o partilhar de um pedaço de pão, a construção de um fogareiro improvisado, ou a cumplicidade de um olhar. É um relato de dor, mas também de dignidade e humanidade, que nos lembra que a verdadeira liberdade nasce primeiro dentro de nós.

“A liberdade não é apenas a ausência de grilhões; é a presença do que é possível. Ela encontra-se em cada acto de resistência, em cada sopro de dignidade que conseguimos manter quando tudo ao nosso redor tenta silenciar-nos.”

O lançamento desta nova edição ocorre num momento de reflexão sobre os cinquenta anos da independência de Angola, resgatando um episódio tantas vezes silenciado e dando voz a quem foi marcado por ele.

Sobre o Autor

Joaquim Sequeira nasceu em Angola e cresceu numa terra onde “o silêncio pesava mais do que o tempo”. Detido pelo regime após o 27 de Maio de 1977, sobreviveu a anos de encarceramento, isolamento e tortura. Encontrou na escrita e na poesia não só refúgio, mas arma de resistência. Hoje, livre, mantém o compromisso de preservar a memória e defender a liberdade como património comum.

Público-alvo

Leitores interessados em História Contemporânea de Angola e de África, Direitos Humanos, testemunhos de resistência política, literatura memorialista e ensaística. A obra é igualmente relevante para investigadores, estudantes e todos aqueles que procuram compreender as marcas do 27 de Maio de 1977 e os seus ecos no presente.

Nuvem Negra apresentado em Lisboa

Nuvem Negra apresentado em Lisboa

A Sala Polivalente da Biblioteca Palácio Galveias encheu na apresentação do dramático livro “Nuvem Negra — O Drama do 27 de Maio de 1977“, de Miguel Francisco “Michel”, na terça-feira, 27 de maio de 2025.

Estiveram presentes membros das associações de órfãos e dos sobreviventes do 27 de Maio, um acontecimento histórico em Angola que ao fim de 48 anos ainda não se encontra encerrado. Michel, o autor do livro, reclamou mais uma vez a criação de uma Comissão da Verdade de modo a descobrir quem são os verdadeiros responsáveis pela morte dos comandantes assassinados nas barrocas do bairro do Sambizanga, nas primeiras horas do dia 28 de Maio.

O livro pode ser encomendado nas lojas online da FNAC, Bertrand e Wook e vai estar disponível na Feira do Livro de Lisboa no stand D-48 – POENTE 4,  PROMOBOOKS.NET | PAPA-LETRAS.

Nuvem Negra – O Drama do 27 de Maio de 1977
Nuvem Negra – O Drama do 27 de Maio de 1977
Nuvem Negra – O Drama do 27 de Maio de 1977
Nuvem Negra – O Drama do 27 de Maio de 1977

Press Release: Um testemunho sobre os campos de concentração em Angola

Press Release: Um testemunho sobre os campos de concentração em Angola

A Perfil Criativo | AUTORES.club tem o prazer de anunciar a reedição do livro Nuvem Negra – O Drama do 27 de Maio de 1977, de Miguel FranciscoMichel“. O lançamento oficial acontecerá no dia 27 de maio de 2025, às 19h00, na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa.

Esta nova edição revista traz à luz um dos mais marcantes testemunhos sobre a repressão política em Angola, dando voz a um sobrevivente dos campos de concentração resultantes dos trágicos acontecimentos de 27 de maio de 1977. Num relato cru e intenso, Michel apresenta um retrato detalhado das atrocidades sofridas por milhares de angolanos no período pós-independência, revelando um capítulo sombrio da história contemporânea.

Público-Alvo

A reedição de Nuvem Negra destina-se a um público amplo e diversificado, incluindo:

Historiadores e Pesquisadores: Interessados na história contemporânea de Angola, nos movimentos políticos africanos e nos impactos das insurreições populares.

Estudantes e Académicos: Em busca de fontes primárias sobre os eventos de 1977 e a repressão política em regimes pós-coloniais.

Jornalistas e Analistas Políticos: Que estudam os reflexos da repressão no contexto atual angolano e africano.

Militantes dos Direitos Humanos e Organizações Internacionais: Para uma compreensão mais aprofundada das violações de direitos humanos ocorridas no período.

Leitores em Geral: Que apreciam narrativas de não-ficção impactantes, baseadas em testemunhos reais, e desejam conhecer a fundo uma história de resistência, sobrevivência e memória.

Sobre o Autor

Michel é o pseudónimo de Miguel Francisco, advogado e professor universitário, nascido em 1955 na província do Kuanza-Sul, Angola. A sua tragédia pessoal nos campos de concentração e o compromisso em preservar a verdade histórica fazem deste livro um documento essencial para a memória coletiva de Angola e de África.

Detalhes da Edição

Título: Nuvem Negra – O Drama do 27 de Maio de 1977

Autor: Michel (Miguel Francisco)

Editora: Perfil Criativo | AUTORES.club

Lançamento: 27 de maio de 2025, às 19h00

Local: Biblioteca Palácio Galveias, Lisboa

Convidamos todos os interessados a participarem neste encontro especial e a descobrirem uma obra que resgata a memória e a verdade de um dos períodos mais perturbadores da história da República de Angola.

Informações de Contato

Para entrevistas, exemplares para a imprensa ou mais informações sobre o evento, por favor, entre em contato com:

AUTORES.club | Perfil Criativo

Site: www.AUTORES.club

Email: info@autores.club