Archives em Setembro 6, 2022

Fórum de Ideias: “E agora quem avança somos nós”, racismo e resposta multirracial

Fórum de Ideias: “E agora quem avança somos nós”, racismo e resposta multirracial

Gente que de repentemente se descobre numa “raça” ou coloração

Por JONUEL GONÇALVES

Polêmica na Bahia após ACM Neto, candidato ao governo estadual e sua vice Ana Coelho, conhecidas personalidades de famílias poderosas em termos políticos e econômicos, se terem declarado oficialmente como ” pardos”. Destesto essa palavra vinda dos obscurantismos coloniais. Também não tenho nada contra a forma como as pessoas se classificam nessa matéria. Pessoalmente faço parte daqueles e daquelas que não aceitam ser racificados e, por outro lado, acho excelente a lei no Brasil que determina auto-declaração na matéria. Porém, há situações suspeitas nessas súbitas declarações de pertencer a determinado grupo. Os motivos de tais declarações são muitos, desde intromissão indevida em direitos corretivos, a busca de destaque carreirista, mobilização eleitoral, etc.etc.etc. Anoto apenas que um outro candidato classificou declarantes com esse perfil de ” afroconvenientes” e um militante antirracista acusou de “charlatanismo”.
Alem disso, temos um problema estatístico sério: 49,49% do total de candidatos às várias eleições de outubro aparecem como negros ou ” pardos”. Qual é o peso dos ” afroconvenientes” nesse dado?
O problema não é novo, tem décadas. Intitulei até um episódio de livro recente de ” Pardinha”, inspirado numa candidata que se designou como ” meio Pardinha”, também na Bahia. 
No meio de todos estes contorcionismos, vejo com agrado o surgimento de nova e muito adequada definição: afroconvenientes.

Crítica Literária de Su Maia* [1]: “MÚRCIA” de Eugénio Inocêncio (Dududa)

Crítica Literária de Su Maia* [1]: “MÚRCIA” de Eugénio Inocêncio (Dududa)

7/10

Rating: 3.5 out of 5.

Em questão de conotações formais, teria de categorizar o livro “MÚRCIA” de Eugénio Inocêncio (Dududa) como 7/10 e passo já a justificar o porquê disso:

MÚRCIA” aborda de forma equiparada as suas temáticas, no sentido em que, em termos de pontos positivos, esta obra mostra-nos um lado oculto da homossexualidade em Cabo Verde, de forma realista, dando-nos elementos de libertação (flamingo, garoupa, cavalo, etc) do lado animal do ser, que ruge face à opressão! 

O armário, surpreendente, quebra o seu estereótipo e aparece como, na minha opinião,  uma segunda vida, bem como a ilusão de alcançar algo que a empatia falsa da máscara nos proíbe:

” — E se a máscara toma conta do indivíduo?

— É outro risco que o indivíduo corre.” – Eugénio Inocêncio (Dududa) em “MÚRCIA“.

Dentro da temática da empatia, o capítulo de “contextualização” foi absolutamente delicioso, pela maneira como abordou por exemplo, as parecenças e diferenças entre democracia e ditadura.

Entre os pontos positivos devo ainda salientar como a ideia do divino é lançada de forma assombrosa.

Porém, devo confessar que a ideia de que as consequências surgem como punições intrínsecas e não extrínsecas (ou seja, é uma reforma íntima de cada pessoa), foi algo que, para mim, criou uma descredibilização de todo o percurso a que o livro se predispôs desde o início, dando a ideia de duas correntes literárias opostas na mesma obra.

A minha personagem preferida foi o Tchibiliu, que é apresentado como uma não-pessoa dentro seu círculo — de certa forma, uma pessoa que nunca chega a existir para os seus parceiros — tornando-se na narrativa um personagem-adereço cujo propósito é somente servir de acessório à criação de uma outra personagem.

Por fim, gostava de elogiar o autor pela sua graciosa auto inserção passiva no livro, insinuando a importância dos seus próprios escritos na sociedade cabo-verdiana.


* Su Maia é uma dramaturga e atriz do Porto, formada na área de Interpretação pela Academia Contemporânea do Espetáculo.

Por entre as suas enumeras paixões, surge a arte crítica literária. Adora ler e esmiuçar as suas leituras, a fim de convencer as pessoas a dar uma oportunidade aos livros que a apaixonam.

A única coisa maior do que o seu amor à literatura é a sua lista de livros por adicionar à suas estantes.


Narrating Namibia, Narrating Africa Literary Festival

Narrating Namibia, Narrating Africa Literary Festival

A capital Windhoek (Vinduque), da Namíbia, recebe esta semana encontro literário com o título NARRATING NAMIBIA, NARRATING AFRICA LITERARY FESTIVAL, uma série de conversas organizadas pela Sociedade Científica da Namíbia, de 7 a 9 de Setembro de 2022, na Avenida Robert Mugabe, 110. As sessões começam às 18h00 e a entrada é gratuita.

7 DE SETEMBRO DE 2022
“Night of the Poets”, participam Hugh Ellis, Keamogetsi Joseph Molapong, Mimi Mwiya e Prince Kamaazengi, moderados por Sylvia Schlettwein e Rémy Ngamije, editor chefe da revista Doek!.

8 DE SETEMBRO DE 2022
“Writing Back For The Future”, participam Lauri Kubuitsile, Chuma Nwoloko e Valerie Tagwira, moderados por Annette Bühler-Dietrich e Rémy Ngamije.

9 DE SETEMBRO DE 2022
“Continental Violence, African Silence” participam George Seremba e Hugh Ellis, moderados por Joseph Molapong e Sylvia Schlettwein.