“História de Angola”

“História de Angola”

Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação

Edição Especial – Volume I
Edição Especial – Volume II
Edição Especial – Volume III

Rating: 5 out of 5.

“Uma grande parábola”

Nota do Editor: João Ricardo Rodrigues

Em Outubro de 2018, recebi em Lisboa, pela mão do filho do nacionalista Emanuel Kunzika, antigo vice-primeiro-ministro do Governo Revolucionário de Angola no Exílio, a visita do ilustre médico e catedrático em Patologia, o Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel ou Uina yo Nkuau Mbuta, que em Kikongo quer dizer “está melhor quem está com o outro”.

O tema de conversa deste encontro, foi a colossal Batalha de Ambuíla, ocorrida em 29 de Outubro de 1665, há 356 anos, e que opôs o reino do Congo às forças portuguesas estabelecidas em Luanda. À revelia das indicações do seu rei, D. Afonso VI, “O Vitorioso” (1), que ordenara a manutenção da Paz com o reino do Congo (por este ser um reino cristão e não avassalado a Portugal), as forças portuguesas avançaram por iniciativa própria para a Guerra, decisão que levou para combate dezenas de milhares de guerreiros, bem equipados. Aquilo que hoje parece ser um verdadeiro “choque de civilizações” entre dois dos maiores reinos do Mundo (o Antigo, o Império do Congo, e o Novo, o Império de Portugal), era na verdade, entre gente, que à primeira vista parecia diferente, mas que no fundo se conhecia muito bem (irmãos conforme tratamento entre os seus reis) e se respeitava por terem a mesma tenacidade guerreira e uma identidade espiritual cristã comum.

No campo de batalha de Ambuíla, temos de um lado o poderoso exército comandados pelo rei D. António I, do Congo ou Muana Malaza, que incluía um pequeno grupo de três dezenas de soldados lusos. Do lado de Luanda, milhares de soldados (africanos, brasileiros e americanos) comandados pelo cabo Luís Lopes de Sequeira.

O mais surpreendente desta conflito é a derrota do rei do Congo, a sua decapitação em combate e a profunda tristeza em que este acontecimento fez mergulhar os vitoriosos, em especial a corte portuguesa e o rei D. Afonso VI, pelo que não se prosseguiu com a ocupação do reino do Congo. O registo das exéquias fúnebres realizadas com Honras de Estado, em Luanda, ao rei D. António I, que terminou com o depósito da sua cabeça na Ermida da Nazaré, hoje património da Humanidade, é um momento único e impressionante, simbólico da História que une os dois povos, mas infelizmente desconhecida pelos cidadãos da República de Angola e pelos da República Portuguesa. Uma situação de que eu já tinha tomado consciência pela voz dos “mais-velhos” da “terra”, alguns já desaparecidos fisicamente, e que se repete permanentemente em muitos outros acontecimentos até 1975, com a independência nacional.

Extraordinário era ouvir a forma cuidada e erudita como o Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, um africano, bantu, mukongo, de nacionalidade angolana, narrava os acontecimentos: com uma meticulosa locução, a recordar a Alta Cultura que a aristocracia absorveu do Renascimento e que se foi perdendo no século XX com a democratização das sociedades.

Confrangedor é comparar este diálogo com o deserto de ideias Humanistas que caracteriza as novas sociedades, fruto das (r)evoluções e do desenvolvimento tecnológico, onde o tempo para a leitura e a meditação foram substituídos por uma contínua avalanche de informação sem qualquer interesse substantivo.

A revelação que este reputado médico estava há mais de vinte e cinco anos a estudar, investigar, e a organizar a nossa História era tão extraordinária e empolgante que nem queria acreditar.

O início do processo aconteceu a propósito de ir terminar a especialização em Patologia e doutorar-se em Medicina na Alemanha, e ter aproveitado esta oportunidade para frequentar, num esforço supletivo e voluntário, aulas de História e procurar os Arquivos Históricos, onde examinou e utilizou as técnicas de precisão microscópica habitual nos patologistas para investigar, identificar e organizar o espólio em que foi vasculhando a informação relativa ao continente Africano e em especial a Angola. Era o início de uma epopeia que acabou por o levar aos “quatro cantos do Mundo” para melhor perceber quem somos, e contrariar a sua própria existência; e que nesta viagem a Lisboa, procurava encontrar um editor para publicar esta “magistral” obra, com mais de duas mil páginas, dividida em três volumes, e um inusitado título: “Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação”.

Em Maio de 2019 voltámos a encontrar-nos, desta vez em Luanda, num local muito especial, a Liga Africana. Na qualidade de Presidente desta centenária e histórica organização angolana da sociedade civil de natureza mutualista, cultural e recreativa, recebia-nos de uma forma muito calorosa, e generosa, num grande evento literário, de apresentação da nossa editora, com um livro dedicado à construção do Estado-Nação, de um prestigiado autor angolano. Um encontro de incentivo ao debate e à reflexão sobre a História, a organização social dos povos descendentes das antigas Nações, mas foi principalmente uma reflexão sobre qual será a melhor forma de garantir a sua representatividade política. Um verdadeiro sonho que se tornou realidade, revelando uma outra Angola, culta e moderna. Um sopro inspirador para o “gigante” que teima em continuar adormecido. Seguiram-se outros eventos realizados em Luanda durante duas semanas. Na partida ficava no ar a promessa de regressar no ano seguinte.

Em 2020, com a chegada de um invasor microscópico, toda a nossa vida se alterou, as nossas actividades com público foram interrompidas; o medo regressou, as fronteiras foram fechadas, as máscaras amordaçaram as nossas faces e a distância entre nós aumentou. Foi neste cenário de pesadelo que recebemos indicações do autor para dar início ao trabalho de edição. De modo que no final de Junho, partimos com a meta de garantir a qualidade máxima da obra, uma tarefa que se prolongou até Janeiro de 2021. Foram meses de trabalho diário assente num diálogo permanente com o autor, com “fervor” (palavra do autor), à distância de muitos milhares de quilómetros, apoiados nas novas tecnologias digitais.

Em preparação estava a primeira edição, de prestígio, um objecto especial, encadernado em capa dura, impresso em materiais sofisticados, com tiragem limitada aos coleccionadores, uma verdadeira e extraordinária ferramenta para a afirmação da diplomacia cultural.

E também uma segunda edição, económica, com materiais mais acessíveis e com uma grande tiragem, de modo a chegarmos a uma população mais vasta, sonhando ter pelo menos um exemplar, de cada um dos três volumes, em todas as bibliotecas e escolas nacionais. Uma oportunidade para construirmos caminhos mais sólidos na unidade nacional e almejar o reencontro com os valores bantu e humanistas sem esquecer a oportunidade de contribuirmos para o aumento da auto-estima de todos os Angolanos.

Com a finalização do trabalho de edição, nasce com cada vez mais força a vontade de revelar a História de Angola em Portugal, em vários encontros, surpreendentes, e memoráveis, nos últimos dias de Outubro de 2021. Será a oportunidade de celebrar com o autor a sua “proeza” mas também a vontade de recebermos um representante da Estado Angolano, ao mais alto nível possível, para o ouvir numa intervenção especial sobre esta longa História.
Relativamente a Angola, fica o desejo de que os livros não fiquem somente em Luanda, mas cheguem ao Bengo, Benguela, Bié, Cabinda, Cuando-Cubango, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Cunene, Huambo, Huíla, Lunda Norte, Lunda Sul, Malanje, Moxico, Namibe, Uíge e Zaire. Uma verdadeira epopeia cultural, que poderá ser a semente para novos projectos de investigação sobre a História Nacional.

Qual é o papel do Historiador?” É um debate que o editor aspira lançar à Academia dos países de língua portuguesa, no seguimento de questões pertinentes levantadas, durante a finalização deste projecto editorial, pelo Dr. Cornélio Caley, questões essas que envolvem a profissão, as instituições, o estudo e o desenvolvimento do pensamento no campo da História. Sem esquecer que esta obra é o exemplo maior de alguém que não se conformou com a ausência de trabalho científico, organizado, e publicado, e que neste momento o entrega, generosamente, ao País. Um padrão de cidadania raro que obriga a uma profunda reflexão e que deve motivar os mais-jovens estudantes de História a não desistirem das suas convicções.

Para terminar, convidamos as Instituições Angolanas e Europeias, representantes nacionais, artistas, escritores e cidadãos a juntarem-se neste grande re-encontro, porque tal como o investigador Carlos Mariano Manuel (2), ou se preferirem Uina yo Nkuau Mbuta, não se cansa de dizer, a “História é uma grande parábola”.


(1) Recordo que o rei de Portugal, era filho de D. João IV, “O Restaurador”, rei “eleito”, numa revolução que restaurou a independência de Portugal relativamente ao reino de Espanha, numa Europa que tinha terminado a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) com mais de oito milhões de mortos.
Para garantir esta independência, o novo rei, desde 1656, D. Afonso VI, travou na Península Ibérica grandes batalhas que acabaram por se alargar aos territórios ultramarinos (América, África e Ásia) em especial com os Holandeses.

(2) Professor catedrático de patologia e investigador de História.



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EDIÇÃO ESPECIAL – Vol. I

Autor: Carlos Mariano Manuel

Editora: Perfil Criativo – Edições

Ano de publicação: Maio 2021

ISBN: 978-989-54937-8-4

Disponível para entrega: Abril/Maio de 2021

Livro de Luxo: Envios Registados (custo acrescido)

Número de páginas: 696

EDIÇÃO ESPECIAL – Vol. II

Autor: Carlos Mariano Manuel

Editora: Perfil Criativo – Edições

Ano de publicação: Maio 2021

ISBN: 978-989-54937-9-1

Disponível para entrega: Abril/Maio de 2021

Livro de Luxo: Envios Registados (custo acrescido)

Número de páginas: 606

EDIÇÃO ESPECIAL – Vol. III

Autor: Carlos Mariano Manuel

Editora: Perfil Criativo – Edições

Ano de publicação: Maio 2021

ISBN: 978-989-53079-0-6

Disponível para entrega: Abril/Maio de 2021

Livro de Luxo: Envios Registados (custo acrescido)

Número de páginas: 864


3 comentários

Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação – Edição Especial – Volume II – AUTORES.club Publicado em4:49 pm - Fevereiro 16, 2021

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Angola: desde antes da sua criação pelos portugueses até ao êxodo destes por nossa criação – Edição Especial – Volume III – AUTORES.club Publicado em5:21 pm - Fevereiro 16, 2021

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Angola: por uma nova partida – AUTORES.club Publicado em9:50 pm - Fevereiro 16, 2021

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