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O Abraço da Memória (I)

O Abraço da Memória (I)

TEXTO DE GABRIEL BAGUET JR

Assim sinto os Dias e desde modo escolhi com total desprendimento, mas consciente , que a viagem dos próximos Dias de 2026 são comboios ou autocarros que nos transportam para onde pretendemos ou não. Porque apesar da opção ecológica referida em termos dos transportes citados, também podemos escolher viajar de canoa , de barco, de jangada e cada margem ter uma paragem para parar à semelhança dos apeadeiros e as Estações de Comboios.

Cada Dia é do meu humilde  ponto de vista uma viagem diversa porque diversas são também as viagens do Pensamento e do Olhar em Silêncio ou em ruído sobre os carris, os rios ou os oceanos percorridos ou a percorrer. 

Cada dia deveria ser a Biblioteca aberta e plural   para cada viagem a fazer. Tal como de comboio ou outra opção de transporte temos escolhas a fazer como estar à janela ou em coxia, as viagens têm também essa possibilidade de escolher o livro que desejamos ler. E as Bibliotecas como os Comboios têm destinos de escolha múltiplos. No caso das Bibliotecas, cada instante tem a oferta que desejarmos. Pode ser um Romance, uma Biografia, um livro de Poesia ,de Viagens ou de qualquer outra escolha literária como por exemplo a origem dos Comboios ou de Fricção.

 Porque cada dia é também a combinação da Realidade e da Ficção. E no meio das duas circunstâncias existe o Sonho ou os Desenhos do que projectamos para a estrada das nossas Vidas.

Findo o ano de 2025, ficam Memórias diversas tristes ou alegres . Ficam Falas trocadas, Olhares cruzados, Poemas ditos ou sonhados, Imaginários percorridos ou Jardins sonhados e nunca contemplados.

O final de cada ano implica interrogações diversas e como por exemplo sobre as promessas feitas individualmente ou no plano colectivo, muitas são reais e concretizáveis porque a vontade de quem as promete tem a firme vontade e convicção de as cumprir como desígnio de carácter Humanista e sentido de fazer melhor e Humanizar.

Cada ano que passa por nós e como referi numa Reflexão anterior durante o ano findo, precisamos de novas Esperanças perante quotidianos complexos de Existência Humana. Porque não basta Iluminar as Cidades, as Ruas, as Avenidas e escolher lugares icónicos e patrimoniais das Cidades e muitos deles parte Imaterial da Humanidade como classificado pela UNESCO.

Em meu entender é preciso ir muito mais longe de modo genuíno sem dribles porque esses são necessários nos jogos de futebol. A Vida de cada Ser Humano injustamente encarada por alguns como um jogo de futebol e perdoem-me os amantes do futebol( desporto que respeito ), é muito mais do que uma partida de futebol. A Existência Humana e assumo porque é tão ténue e frágil , precisa de Pessoas de mentes Iluminadas e Humanizadas . Claro e é justo dizê-lo, existem exemplos diferenciados e marcantes face à Condição Humana. Existem, mas são pouco divulgados. Porém esses Iluminados exemplos têm pouca mediatização e não fazem parte das Agendas Políticas Locais e Globais.

Ouvem  muitos Discursos e alguns deles evidenciam preocupações face às realidades concretas da Vida e do compasso do Existir. Mas não se realizam. A História da Humanidade deixou Discursos notáveis de Mulheres e Homens sem visão egocêntrica pois o que escreviam e diziam tinham profundidade e desejo concreto de ver as Pessoas felizes. Por isso as suas marcas de Pensamento ficaram para as Estradas das nossas Esperanças e Inquietações.

A Paz, palavra tão sagrada e fundamental para qualquer Sociedade, é falada, dita, evocada, mas não praticada. Quem recorda e eu bem me lembro por experiência profissional e pessoal vivida, a Cimeira do Milénio no ano 2000, abria portas de vasta esperança que tocava a Humanidade. O brilhante Discurso do histórico Secretário-Geral de Koffi-Annan que tive a honra de conhecer quando recebeu o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Nova de Lisboa em cerimónia presidida pelo  também histórico Presidente Jorge Sampaio, acendia novas Luzes sobre o Mundo.

Essa inesquecível Cimeira do Milénio foi sol de pouca dura como diz o Povo. E decorridos 25 anos o Mundo piorou. Os números oficiais da Pobreza mundial são assustadores. Igual e triste realidade é a condição de ser Migrante ou Imigrante. O número de Refugiados e deslocados de guerra é gritante. O Trafico Humano é devastador, a Prostituição Infantil é um sinal tristíssimo das ruas de muitas Sociedades. Um quadro pouco aceitável à luz dos Dias depois de tanta  Legislação em vigor nas ordens jurídicas de muitos Estados. A violação de Direitos Humanos é inqualificável 70 anos depois da sua vital criação. A Intolerância Religiosa e Cultural estão na pauta das Violações o que é intolerável em pleno Século XXI. 

As Guerras constituem outro cenário que nos interpela a todos os (as ) amantes da Paz. Mas não basta falar para bom registo fotográfico ou nível de audiências a atingir. É preciso sentir a Paz no mais interior dos nossos sentimentos e com essa atitude, dar essa planta ou flor que se chama Paz. A sua ausência mina o Desenvolvimento Humano. Basta ler os Relatórios Internacionais do PNUD e os números não são dados manipulados. São reais e fazem-nos pensar. 

E importam várias perguntas ; a Finlândia é considerada hà mais de 20 anos o país da Felicidade e os demais países dos Países Nórdicos apresentam realidades sociais e públicas distintas de outros Estados do mundo. A questão é da qualidade dos líderes políticos, das exigências das suas Sociedades Civis ou de exigentes praticas de Boa Governação?

A Corrupção existe à escala mundial e as ramificações são extensas a vários sectores das Sociedades. O que impede o seu combate efectivo ? Porque não se vê o seu fim ? O que explica o excesso de Luxo e a Extrema Pobreza? O que explica? O que explica a Exclusão Social e a Discriminação? As perguntas são longas e extensas.

Nesta viagem de Comboio à janela ou em coxia, do destino a percorrer ou na escolha de outra opção, não esqueça a Arte das boas práticas Humanistas, nem tão pouco o BEM em todos os domínios das suas vidas para que não se fixe apenas nas Tradições. As mesmas são respeitáveis. É inquestionável. Mas a prática da Fraternidade genuína, transparente como a Poesia romântica e sem filtros, será certamente o melhor Comboio ou Jangada da Memória para fazer a Viagem da Paz , do Respeito pela Condição Humana e com o necessário Humanismo que se deve impor ao respirar de cada um. Cada Esquina da Vida é uma Viagem diversa e imprevisível.

Não ignore o BEM. Seja praticante do BEM nas diferentes horas da Vida e nas diferentes Geografias.