
Segunda parte — Juventude, memória e futuro marcaram o lançamento de Meu Nome é Joaquim em Lisboa
A Biblioteca dos Coruchéus, em Alvalade, acolheu no dia 17 de abril de 2026 o lançamento oficial em Portugal do livro Meu Nome é Joaquim — Fragmentos de Memórias, da autoria do embaixador Rafael Branco.
A sessão reuniu personalidades da cultura, leitores, membros da comunidade são-tomense e jovens estudantes africanos residentes em Lisboa, num encontro marcado pela reflexão sobre identidade, história e responsabilidade geracional.
Livro necessário para compreender a construção de um país
Na sua intervenção, o poeta angolano João Fernando André classificou a obra como “um livro necessário”, sublinhando que oferece o testemunho de alguém que viveu por dentro o processo de formação de um Estado africano de língua portuguesa.
Referiu ainda que a narrativa combina memória política, experiência humana e uma dimensão literária singular, enriquecida pela presença de poemas inseridos ao longo do texto. Para o investigador, essa escolha confere ao livro profundidade emocional e transforma-o num objeto literário que ultrapassa o simples registo autobiográfico.
Rafael Branco: “Este livro é uma tentativa de mostrar quem eu sou”
Na resposta, Rafael Branco explicou que a obra não pretende ser apenas um livro político, mas antes um exercício de verdade pessoal e reconciliação interior.
Segundo o autor, os vários capítulos representam fragmentos da sua vida: a infância em São Tomé, a passagem do meio rural para a cidade, as dificuldades sociais, a descoberta da escola como instrumento de ascensão e, mais tarde, o envolvimento na política e na diplomacia internacional.
“Este livro é uma tentativa de mostrar quem eu sou verdadeiramente”, afirmou, acrescentando que o objetivo central da escrita foi alcançar paz consigo mesmo e aceitar, com honestidade, os acertos e erros do seu percurso.

Experiência internacional e visão crítica das Nações Unidas
Ao recordar os anos ao serviço das Nações Unidas, Rafael Branco descreveu esse período como um dos mais ricos da sua vida profissional.
Falou da importância histórica da organização no apoio à autodeterminação dos povos colonizados, mas também deixou uma crítica clara à atual estrutura internacional, defendendo uma reforma profunda do Conselho de Segurança e maior representatividade global.
Diálogo com a juventude
Um dos momentos mais marcantes da sessão aconteceu durante a intervenção do jovem escritor são-tomense Valério, que questionou o autor sobre o contributo do livro para as novas gerações e para a construção de uma sociedade melhor.
Na resposta, Rafael Branco deixou uma mensagem forte: uma sociedade evolui quando valoriza o bem comum, o conhecimento, a honestidade e o sentido de comunidade.
Alertou ainda para o perigo da superficialidade e da opinião sem estudo, defendendo que o progresso exige preparação, competência e espírito crítico.
Um livro entre memória e futuro
Mais do que um lançamento literário, a sessão revelou-se um encontro entre gerações, onde passado e futuro dialogaram sem medo.
Meu Nome é Joaquim afirma-se, assim, como uma obra de memória viva, consciência crítica e esperança, destinada a ocupar lugar relevante no pensamento contemporâneo em língua portuguesa.




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