Morreu Manuel Vidigal — A Gratidão por um Amigo Vertical e a Memória de um Homem da Verdade

Morreu Manuel Vidigal — A Gratidão por um Amigo Vertical e a Memória de um Homem da Verdade

TEXTO DE JOAQUIM SEQUEIRA PUBLICADO NO KESONGO — O EMISSÁRIO DO SOBERANO

Margarida, Frederico e Rita,Amigos, familiares, companheiros de luta e de ideais

Estamos todos unidos com o coração pesado, mas também com a alma cheia de gratidão. Despedimo-nos do nosso Manuel da Fátima Alberto Augusto de Sá da Silva Vidigal, falecido ontem (sábado, 28). E, ao fazê-lo, temos a consciência de que não perdemos apenas um amigo. Perdemos um pilar, um exemplo raro de como se deve viver e lutar.

Conheci o camarada Manuel Vidigal num tempo em que as convicções se mediam pela coragem com que se assumiam.

E ele foi, até ao último dos seus dias, um homem de convicções inabaláveis. A sua seriedade não era uma máscara para o mundo, era a própria textura do seu carácter. A sua verticalidade não era uma pose; era a espinha dorsal de uma vida dedicada aos outros e às causas em que acreditava.

O Manuel Vidigal tinha um amor profundo pela verdade e pelo povo angolano. Não uma verdade conveniente, mas a verdade histórica, a que exige escavação, estudo, confronto e, acima de tudo, coragem para a defender, mesmo quando ela é desconfortável. Nesta luta pela memória e pela justiça do nosso país, ele foi um gigante. Deixou-nos um legado de integridade intelectual que será farol para todos os que continuam a remar contra a maré do esquecimento e da manipulação.

Mas, para mim, e para todos os que tiveram o privilégio de tê-lo por perto, ele foi muito mais do que isto. O Manuel Vidigal foi um humanista na acepção mais pura da palavra. A sua solidariedade não era teórica, era prática, estendia-se em gestos diários de cuidado e atenção.

A sua palavra era um porto seguro, e o seu ombro amigo, um amparo nos momentos de incerteza.

Como profissional, cumpriu os seus deveres com uma dedicação que beirava a devoção. Mas o que o distinguia era a forma como aliava o rigor técnico a uma ética inegociável. Sabia que o trabalho era um serviço, e serviu sempre com excelência e humildade.

E nos seus compromissos políticos, Manuel Vidigal foi um homem de causas. Não das causas que dão votos ou protagonismo, mas daquelas que constroem dignidade.

Lutou por um país mais justo, mais livre, mais esclarecido.

Fez da política a mais nobre das actividades: a de construir um futuro melhor para todos, com os pés bem assentes na verdade do presente e na lição do passado.

Amigo Manuel Vidigal, a tua partida deixa um vazio que não se preenche. Fica a saudade imensa dos teus abraços, da tua palavra, da tua presença firme e serena.

Fica o exemplo. E fica a certeza de que a tua luta não foi em vão. A verdade que defendeste, a seriedade que encarnaste e o humanismo que espalhaste continuarão vivos em cada um de nós.

Obrigado por tudo, meu amigo. Descansa em paz. A tua memória será para sempre uma bênção e uma bandeira.

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