Entrevista: FAUSTINO DIOGO (NOVO JORNAL) – Publicado no “Novo Jornal” de 5 de Outubro 2018

Tantos anos ao serviço da aviação no país deram-lhe a experiência que agora traz à estampa em obra tida como a primeira do sector. Embora reformado, Paulino Maria Baiona acredita num futuro promissor desde que se trabalhe com responsabilidade e profissionalismo.

Na próxima sexta-feira, apresenta livro Aviação Civil em Angola, de sua autoria. O que é que o levou a escrever esta obra?

Um pouco antes de me aposentar, alguns colegas pediram-me para deixar algumas memórias porque não havia nada para a geração mais nova ter conhecimento sobre a história da aviação. Com este pedido, resolvi juntar elementos do meu conhecimento e alguma pesquisa.

O livro retrata a história da aviação em Angola desde os primeiros tempos, a sua evolução, construção de pistas, surgimento de aero-clubes, empresa de transporte aéreo e legislação.

Julgo ter conseguido alguma coisa, não na totalidade, porque outras pessoas poderão dar continuidade a esta obra. O livro surge numa altura em que Angola celebra 100 anos do início da aviação e oitenta anos da criação da DTA-TAAG e isso para mim é uma grande honra.

Esta publicação será lançada inicialmente em Luanda e estou a pensar lançá-la depois em Portugal e na minha terra, Cabinda.

 

Quantos anos esteve ligado à aviação?

Quarenta e sete anos, sempre ligado à área de aeroportos e navegação aérea. Fui professor no centro de formação.

Eu e o engenheiro Augusto Santos recebemos o aeroporto de Moçâmedes, que foi inaugurado pelo Presidente Agostinho Neto logo a seguir à independência [de Angola].

 

A navegação aérea no país é segura?

Neste conjunto da aviação, entram as pistas, os aviões, o pessoal navegante, e posso afirmar que Angola tem os céus bem seguros. O pessoal está bem formado, tanto os de terra como os navegantes.

 

O que é ser um profissional desta aérea de navegação?

Primeiro é ter conhecimento das leis que existem. Depois conhecer e dominar os instrumentos que garantem uma navegação aérea eficaz e segura.

Temos que ter pistas boas, sistemas de rádio de navegação e comunicações, que são muito importantes hoje para a navegação aérea.

Não se pode esquecer também do serviço de meteorologia porque hoje sem uma navegação meteorológica capaz não há uma aviação segura.

 

Acompanhou algumas fases de transformação do sector. O que foi que mais o marcou?

A aviação em Angola foi evoluindo e houve sempre uma entidade aeronáutica que, embora débil, nunca deixou de existir.

A Empresa de Transportes Aéreos (DTA), quando foi criada, já tinha uma legislação e tinha a responsabilidade não só dos aviões mas também das infra-estruturas como aeroportos e sistemas de navegação. A partir de 1954, foi criado o serviço de aeronáutica civil que ficou com a incumbência de toda a infra-estrutura terrestre. Aeroportos, equipamentos, licenciamento de pilotos ou pessoal navegante.

Em 1980, foi extinto o serviço da aeronáutica civil e foram criadas a Empresa Nacional de Exploração de Aeroportos e Navegação Aérea de Angola (ENANA) e a Direcção Nacional de Aviação Civil que deu origem ao Instituto Nacional da Aviação Civil (INAVIC) que também já está em mudança.

 

O processo de transformação de que fala a propósito da aviação também fez parte?

A história da TAAG começa em 1973, com o fim da Divisão dos Transportes Aéreos da Direcção dos Serviços (DTA), que deu origem aos Transportes Aéreos de Angola S.A. e vigorou até à independência. Após a independência, ganhou a designação de Transportes Aéreos de Angola (TAAG) que agora passou à TAAG – Sociedade Anónima.

Penso que vai para melhor porque a intenção é sempre melhorar as empresas ou os serviços. Espero que a TAAG, de facto, com este novo passo, consiga ter voos melhores e mais altos.

 

O futuro da navegação aérea passa por onde?

Penso que o futuro será melhor. Há novas tecnologias que concorrem para termos boas perspectivas.

 

Recentemente, controladores de tráfego aéreo, no activo, manifestaram descontentamento e chegaram mesmo a afirmar que a navegação no país está em perigo. Como é que olha para estas preocupações?

As reivindicações estão previstas por lei e devem existir. Não sou contra, desde que os seus direitos não sejam afectados, acho que os trabalhadores devem procurar o melhor.

Desejo que as pessoas que trabalham na aviação continuem a ser bons profissionais com responsabilidade e profissionalismo para que as coisas corram bem.

 

Quantos exemplares serão agora vendidos?

É uma obra dedicada essencialmente ao pessoal que trabalha na aviação e outras pessoas que queiram saber da história deste sector no país. Inicialmente terei 500 exemplares.

 

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