Da autoria de Wilton Fonseca, Mário de Carvalho e António Santos Gomes (Perfil Criativo – Edições), trata-se do terceiro volume obra Heróis Anónimos – Jornalismo de Agência, reunindo quatro dezenas de depoimentos de jornalistas, administradores mas também governantes ligados a momentos cruciais da vida das agências noticiosas de Portugal, desde a Lusitânia, criada em 1944, à actual Lusa. São os casos de Joaquim Letria, Dennis Redmont, Luís Pinheiro de Almeida, João Pinheiro de Almeida, Fernando Correia de Oliveira, Ana Glória Lucas, Alfredo Duarte Costa, Anselmo Rodrigues, José Manuel Barroso, Afonso Camões, António Horta Lobo, Appio Sottomayor, Manuel Pedroso Marques e Eduardo Trigo. O primeiro depoimento é um raro documento de 1938, em que Luís Lupi, o fundador da agência Lusitânia (criada em defende a necessidade de Portugal ter uma agência noticiosa nacional.

Obra importante para a história da imprensa em Portugal e o papel das agências noticiosas nos últimos 74 anos, este terceiro volume conta com o prefácio do professor universitário e antigo secretário de Estado da Comunicação Social Arons de Carvalho nos governos de António Guterres (1995 e 2002). Na qualidade de responsável pela elaboração dos primeiros contratos-programa entre a agência de notícias e o Governo, nele aborda modelo de agência adotado para Portugal: «O modelo de agência volta a surgir transversalmente em vários depoimentos, oferecendo uma importante reconstituição das estratégias e políticas públicas dos sucessivos governos e mesmo dos regimes políticos antes ou depois do 25 de Abril (…) O actual modelo da agência, em vigor nos seus traços gerais desde há cerca de duas décadas, parece consensual – uma empresa com maioria de capital público, subordinada a um detalhado contrato com o Estado e financiada através de uma indemnização compensatória anualmente inscrita no Orçamento de Estado e também por receitas próprias, sobretudo provenientes dos órgãos de comunicação social seus clientes.»

* O primeiro volume desta série Heróis Anónimos – Jornalismo de Agência foi publicado em abril de 2016, com um prefácio do vice-presidente da Assembleia da República, o deputado Jorge Lacão. O livro reconstituiu a história da Anop e da Notícias de Portugal (NP), as agências noticiosas que foram fundidas em 1986 para dar origem à atual Lusa.

O segundo volume foi publicado em Janeiro de 2017, com prefácio assinado por Pedro Feytor Pinto – último diretor dos Serviços de Informação e Turismo no Governo de Marcelo Caetano, antes de abril de 1974 –, foi dedicado às agências Lusitânia e ANI. A primeira foi fundada em 1944 pelo jornalista Luís Lupi; a segunda surgiu em 1947, criada pelos jornalistas Barradas de Oliveira, Dutra Faria e Marques Gastão. Depois do 25 de Abril, as duas, juntamente com a Telimprensa, deram origem à agência Anop.

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