O terceiro volume de “Heróis Anónimos – Jornalismo de agência”, de Wilton Fonseca, Mário de Carvalho e António Santos Gomes, é apresentado no próximo dia 22, na Casa da Imprensa, em Lisboa.

Este volume, prefaciado por Alberto Arons de Carvalho, ex-secretário de Estado da Comunicação Social, reúne quarenta depoimentos de personalidades que “estiveram ligadas a momentos cruciais na vida das agências noticiosas que operaram em Portugal”, desde a Lusitânia, criada em 1944, até à atual Lusa, segundo nota da editora.

Arons de Carvalho, de 68 anos, que foi o responsável pela elaboração dos primeiros contratos-programa entre a agência de notícias e o Governo, afirma no prefácio que “o modelo de agência volta a surgir transversalmente em vários depoimentos, oferecendo uma importante reconstituição das estratégias e políticas públicas dos sucessivos governos e mesmo dos regimes políticos antes ou depois do 25 de Abril” de 1974.

“O atual modelo da agência, em vigor nos seus traços gerais desde há cerca de duas décadas, parece consensual – uma empresa com maioria de capital público, subordinada a um detalhado contrato com o Estado e financiada através de uma indemnização compensatória anualmente inscrita no Orçamento do Estado e também por receitas próprias, sobretudo provenientes dos órgãos de comunicação social seus clientes”, afirma Arons de Carvalho.

O volume conta com testemunhos escritos, entre outros, de Joaquim Letria, Dennis Redmont, Luís Pinheiro de Almeida, João Pinheiro de Almeida, Ana Glória Lucas, Fernando Oliveira, Alfredo Duarte Costa, José Manuel Barroso, Afonso Camões, António Horta Lobo, Appio Sottomayor, Manuel Pedroso Marques e Eduardo Trigo.

A editora realça o primeiro depoimento, “um raro documento de 1938, em que Luís Lupi, o fundador da agência Lusitânia, defende a necessidade de Portugal ter uma agência noticiosa nacional”.

O mais recente documento é assinado por Teresa Marques, que presidiu ao conselho de administração da Lusa de 2015 e até ao final do passado mês de janeiro.

O primeiro volume da série “Heróis Anónimos” foi publicado em abril de 2016, com um prefácio do vice-presidente da Assembleia da República, Jorge Lacão, no qual se referencia a atividade da Agência Noticiosa Portuguesa (Anop) e da Notícias de Portugal (NP), que se fundiram em 1986 e deram origem à atual agência Lusa.

O segundo volume, prefaciado por Pedro Feytor Pinto, que foi diretor dos serviços de informação do Governo de Marcelo Caetano (1968-1974), foi publicado em janeiro de 2017.

 

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